Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


José Flávio
Sem palavras...

Como posso ficar parado / Se o mundo se movimenta? - Aloísio

Aqui na vida da cidade
Da janela do apartamento
Com meus olhos em movimento
Vejo um guri brincando no jardim
Pulando como uma pimenta
Indo depois pra casa cansado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

A vida vivida no mundo
Não pode ser o que eu quero
Passar a vida num bolero
Tenho que andar pra frente
Isto também me atormenta
Andando pra ficar ao lado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Se alguém vem cantar um samba
Eu digo: isto é muito bom
Demonstrando também que tem dom
Vindo mostrar a nossa cultura
Alguém que faz e argumenta
Não é pronto e acabado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Esta aprendi em Petrolina
Era sempre gostoso de ouvir
Meu sogro mandava seguir
Quando queria ir pra frente
“Pega a direção da venta”
Pensando bem, fico calado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Andei por rotas e estradas
Vi nascer também a Internet
Da vida não sou marionete
Busco descobrir outras sendas
Como minha visão aumenta
Então não devo ser guiado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?



Aloísio

ACABA FESTA - Marcos Barreto de Melo

eu ontem fui convidado
pra festa de casamento
da filha de Chico Bento
com o Zeca de Conrado

festa boa e animada
de tudo na mesa tinha
pato, peru e galinha
sarapatel e buchada

numa quadra de latada
a sanfoninha chorava
e a moçada animada
ao som do fole dançava

foi quando chegou Mororó
e mandou parar o rojão
com o tacho cheio de goró
vazando pelo ladrão

falou bem alto e zangado
e o povo ouviu assustado
quando ele disse, hoje eu mato
furo, sangro e tiro o fato

chamo o doutor de safado
xingo a mãe do delegado
dou tapa até em soldado
mas, não vou ficar parado

eu deixo o noivo amarrado
pra brincar mais sossegado
e com a mulher dele abraçado
vou dançar esse xaxado
grudado sem farrapar
até o dia clarear

Marcos Barreto de Melo

"Inversão de valores" - José Nilton Mariano Saraiva

Embora um tanto quanto longa, entendemos que a "transcrição" do texto abaixo merece ser lida e refletida por todos aqueles que se preocupam com o futuro da nossa família, do nosso povo, do nosso Brasilzão querido. Trata-se do retrato emblemático da lógica perversa e da absoluta e criminosa inversão de valores numa das áreas - EDUCAÇÃO - primordiais ao desenvolvimento de uma nação, à sua arrancada rumo ao panteão de uma das nações líderes do mundo, bem como à obstrução do bem-estar do seu povo.
Um equívoco de tal magnitude, baseado em modismos e invencionices, se não for corrigido a tempo, tende a nos manter presos aos grilhões do subdesenvolvimento, às amarras da miséria, à negritude da falta de conhecimento e, enfim, ao caos absoluto.
E, especificamente pra quem exerce a nobre função do magistério, um aviso: cuidado, você pode ser o próximo !!!

José Nilton Mariano Saraiva
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J’ACUSE !!! (Eu acuso !!!)

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes - (Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola) - Meu dever é falar, não quero ser cúmplice).

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subseqüente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno.
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotado de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo".
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto "EU ACUSO", de Emile Zola, eu acuso tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa; EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas; EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar falta graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas; EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”; EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar; EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade; EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã; EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”; EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia; EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento; EU ACUSO os “cabeça–boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito; EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis; EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição; EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos; EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores.
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann (Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário).

MUSEU DE ARTE VICENTE LEITE CONVIDA

Acervo Restaurado

- Obras de Arte do Museu de Arte Vicente Leite estarão em Exposição -


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Obras de arte recuperadas estarão em exposição

Será realizada no próximo dia 30 de janeiro até 3 de fevereiro, Exposição das Obras do Museu de Arte Vicente Leite. Com o acervo restaurado, a exposição será realizada no Hall de entrada do Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva, com abertura às 19 horas do dia 30. Todo o material irá compor o Museu de Artes Vicente Leite, do qual faz parte o acervo a ser exposto. A Exposição será realizada por meio da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho e da Prefeitura Municipal do Crato. Segundo informa a Artista Plástica Edilma Rocha:

Esta exposição não está abrindo as portas das instalações do Museu de Arte Vicente Leite que ainda aguardam por verba para finalização da reforma. Esta exposição é uma iniativa do Presidente da "Fundação J. de Figueiredo Filho", George Macário, para apresentar a população do Crato, autoridades, artistas e a imprensa,todo o seu acervo artistico totalamente restaurado, com a presença de Bruno Pedrosa, seu idealizador e fundador. Oportunidade em primeira mão de olhar e apreciar a maior pinacoteca de artes plásticas do Nordeste Brasileiro.

Relação dos artistas apresentados:
Vicente Leite
José Reis de Carvalho
Pedro Americo
Francesco Madzza
Henrique Bernadelli
Pedro Betzold
Catharinus Hubertus Petrus
Jair Picado
Sansão Perreira
Armínio de Moura Pascoal
Alcides Gomes Cruz
Armando Viana
Jordão de Oliveira
Malissa
Maria Luiza Pinto
Ubi Bava
Osvaldo Teixeira
Hilda Campofiorito
Claudio Valério Teixeira
Bráulio Poiava
José Mauricio Saldanha Alvarez
João Batista de Paula
Sandro Donatelo
Bruno Pedrosa
Sinhá D´Amora
Alexandre César Formenti
Clério Perreira de Souza
José Costa Filho
Helena Cavalcanti
Misabel
paulo Silva
Lenice Salvi
Alberto Pascoal

A internet através do google está disponivel para qualquer pesquisa sobre os nomes aqui apresentados. Apenas 3 dias em exposição, mas que poderá ser prorogada.

Artigo colhido no BLOG DO CRATO.

Pensamento para o Dia 26/01/2011


“Atualmente, as pessoas pensam erroneamente que a espiritualidade não tem relação com a vida mundana, e vice-versa. A Divindade verdadeira é uma combinação de espiritualidade e obrigações sociais. A unidade nacional e a harmonia social são baseadas em espiritualidade. É o Divino que une a espiritualidade e a existência social. O Criador e a Criação (Prakriti) estão intimamente associados um com o outro. Portanto, Deus não deve ser considerado como separado da Criação. Veja Deus no cosmos. Por exemplo, tome um copo de prata. Aquele que percebe a prata no copo, só pensa na base material e não na forma do copo. Aquele que o vê como um copo não pode notar que ele é feito de metal prateado. Só a pessoa que pode reconhecer prata e o copo pode reconhecer que é um copo de prata. Da mesma forma, sem Deus, não há criação. No entanto, a maioria das pessoas vê apenas a criação, muito poucos reconhecem que a criação é uma projeção do Criador. É essencial que todos os seres humanos percebam que sem Deus não pode haver cosmos.”
Sathya Sai Baba

No Blog do Sanharol também há pérolas.... Por Zé Nilton

Zé NIlton disse...

Franco-nordestina,
Conheci menina
Pimenta a baixo e a cima
Quando passageiro
Montado na mula.

Gente do estrangeiro,
Dizia meu pai.

Boca do Lameiro...

Na tua morada,
Solta na parede
Toda reluzente
Uma jumentinha
Eterna pastava.

Gente do estrangeiro
Gente nordestina
E essa menina
Continua lá.
Na minha memória
Hoje passageira
Por essas lembranças.

Para Claude Bloc
Franco-nordestina
Que bom que inda tenho
Nas minhas retinas.


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Obrigada, Zé Nilton...  Não dá pra falar o que a gente sente ao receber coisas assim: um presente, uma dádiva (musical).
Veja o ritmo, Dá uma canção... (risos)
Um abraço

Claude