Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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sábado, 5 de agosto de 2017

Pedro Bantim: um homem para ser lembrado

O mês de agosto assinala duas datas significativas para a conceituada família cratense Oliveira Bantim: o nascimento e o falecimento do seu patriarca Pedro Bantim Neto.
Bantim nasceu em 23 de agosto de 1924, filho de Pedro Bantim Filho e Ana Perpétua Bantim, cujas raízes são de Santana do Cariri, aprazível município da histórica e tradicional região localizada no extremo sul do Ceará. No entanto, Bantim se radicou em Crato ainda jovem e tornou esta sua cidade de coração. Aqui foi empreendedor de seus negócios por mais de 50 anos, constituiu uma sólida base familiar e deixou uma indelével marca na memória identitária da cidade. Comerciante do ramo de alimentação, Bantim foi proprietário de uma afamada lanchonete localizada no centro da cidade, fato que o tornou conhecido e benquisto da população. A Lanchonete Bantim, além de tradicional ponto gastronômico, foi palco de acontecimentos pitorescos que hoje fazem parte do ‘folclore’ local. Bantim foi o principal protagonista desses ‘causos’, todos com saborosa verve de humor e espiritualidade, marca que lhe era inconfundível.
Bantim foi casado, em longas e profícuas núpcias, com Djaci Oliveira Bantim, filha de Maria de Lourdes Oliveira e José de Oliveira e Sousa, sócio proprietário do Cine Odeon, em Barbalha, e neta do fotógrafo e primeiro exibidor de filmes do Cariri, Luiz Gonzaga de Oliveira, patrono do Memorial da Imagem e do Som do Cariri, que funciona em Crato, fundado e mantido por um dos filhos do casal Pedro e Djaci, o reconhecido cineasta e produtor cultural Jackson Oliveira Bantim, mais conhecido por Bola. Como se observa pelo ‘metier’ dos avós maternos, Jackson Bantim tem o amor à fotografia e ao cinema como uma herança atávica.
                                             
                                                                Pedro e Djaci com os filhos

Além do já citado Jackson Bantim, Pedro e Djaci tiveram mais seis filhos - Jocildo (advogado), Janildo (comerciante), Janedson (funcionário público), Celida Maria (in memoriam), Jane Eyre (psicóloga) e Jane Mary (formada em administração de empresa) -, dezesseis netos - Adriana, Erylana, Ramon, Rudolfo, Romél, Janedson Filho, Renan, Rener, Roberta, Jamylla, Andrezza, Thiago, Janaina (in memoriam), Jackeline, Larissa e Erinaldo Júnior -, quatro bisnetos - Igor Leoni ,Vitória, Jéssica e Jackson Manoel - e uma tetraneta, Maria Sofia.
Essas sucessivas gerações dos Oliveira Bantim são provas e garantia, pela sua firme robustez, que este importante e conceituado clã caririense estar perpetuado e, o que é mais interessante, devidamente plasmado no exemplo de honradez legado pelo ancestral casal.
Bantim  faleceu em 28 de agosto de 1999, mas, pela força de sua rica existência, sua memória permanece viva, sendo agora evocada para servir de testemunho de um tempo onde a probidade não era apenas uma qualidade reivindicada em discursos e eventos que clamam pela moralidade na vida pública.

Texto de Carlos Rafael Dias
Fotos: arquivo de Jackson Bantim

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Campo de Flores


J. Flávio Vieira

                                                            "O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus , 
                                                                                                                                                                                                                       ser infinito,   possa ter se   limitado                                                                                             a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?" 
Giordano Bruno


                              Giordano Bruno tornou-se , com sua trajetória , um dos mais importantes ícones da história da humanidade. Sempre que se cogita na luta desigual da Ciência contra o obscurantismo, da liberdade de pensar e se expressar,  seu nome vê-se imediatamente linkado. Viveu este frade dominicano italiano, no Século XV, ainda sob o domínio absoluto da interpretação religiosa em todas as facetas da vida humana. Bruno envolveu-se firmemente com os horizontes da Cosmologia Científica que nascia sob intensa perseguição religiosa. Defendia a infinitude do universo, a existência de outros planetas e  sistemas solares. Propalava que todas as coisas têm alma e que, portanto, deviam ser respeitadas e protegidas, fazendo-se assim um dos primeiros ambientalistas. Giordano também pregava que   Deus devia ser procurado no interior de cada pessoa e não nas coisas ou nos templos, o que confrontava diretamente o sistema hierarquizado das igrejas instituídas. Estas pensamentos ,na época, foram vistos como extremamente heréticos, não apenas pela Igreja Católica mas até pelos Calvinistas e Luteranos. Terminou preso e julgado pela Inquisição Romana. Torturado,  não abjurou. Manteve-se intransigente quanto aos seus princípios, sendo queimado na fogueira, em 17 de fevereiro de 1600, no Campo di Fiori em Roma. Tinha, então, 52 anos.
                                   Visitei, nestas férias, o Campo de Fiori. Lá existe uma estátua de bronze de Giordano, esculpida por Ettore Ferrari,  ali posta no Século XIX, em sua homenagem. O local tornou-se extremamente aprazível, cercado de cantinas coloridas, frequentado por jovens, que bebem e curtem o som de  bandas executando músicas eletrônicas e reggae. Durante o dia, em fins de semana, acontece ao redor do monumento uma feira livre, onde são comercializados produtos alimentícios e artesanais. Casais sentam ao redor do monumento, enquanto entornam copos de vinhos e palestram animadamente com o bulício e a agitação característicos da idade.

                                   Aos poucos, o Campo perdeu o ar pesado, que já possuiu um dia.  Ganhou até o sobrenome de Fiori ( Flores). A galera que se diverte, certamente nem tem conhecimento do passado trágico daquele espaço. Lá de cima, por sua vez, um Giordano circunspecto , coberto por seu manto, parece feliz com a alegria palpitante dos adolescentes ao seu derredor. Imolou-se com a certeza absoluta que dias melhores viriam, que um universo sem fronteiras e nem cancelas não podia limitar os horizontes do homem. Se cada um carrega consigo os genes da divindade,   fomos criados para desfrutar todos os frutos da árvore do  bem e do mal nesse paraíso erguido sem espadas flamejantes  e sem ações de despejo. Do alto,  Giordano percebe que  o cárcere e a liberdade são irmãos siameses; que a dor e o prazer são lâminas de um mesmo sabre. Cada gole de água fresca que corre nas fontes da história da humanidade brota das cinzas de alguma fogueira onde alguém foi imolado em sacrifício por tempos melhores e menos sombrios. O Campo que um dia foi de chamas e suplício , por conta da coragem e obstinação de um homem, viu-se, magicamente,   atapetado de flores.


20/07/17 

Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira registra:

CDL e Prefeitura homenagearam cratenses que se destacam na cultura local

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)

Os postes da Avenida Maildes de Siqueira, próximos ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, durante o período da Expocrato, foram alvo das atenções da grande multidão que participou do maior evento festivo da região do Cariri. Lá, o Clube dos Diretores Lojista do Crato, associado a Prefeitura local, prestou um tributo a diversos cratenses que se destacam em atividades relacionadas às arte, cultura e educação, através da exposição de fotos dos homenageados.
A iniciativa foi bem recebida  por toda a opinião pública. Da nossa parte, enaltecemos este ato de reconhecimento às ilustres personagens cratenses.
Vejam algumas fotos:
 



 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

50 anos de morte do cantador cratense Cego Aderaldo

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)
Foto: do Museu Histórico de Quixadá


No próximo dia 29 de junho, daqui há pouco mais de um mês, ocorrerá o transcurso dos 50 anos da morte de um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, o poeta popular e cantador cratense Cego Aderaldo.
Aderaldo Ferreira de Araújo, nome de batismo do lendário Cego Aderaldo, nasceu em Crato, no dia 24 de junho de 1878, vindo a falecer em Fortaleza, com 89 anos, no dia 29 de junho de 1967.
Embora nascido em Crato, Aderaldo começou sua vida artística na cidade de Quixadá, após perder a visão em um acidente. Com o falecimento da mãe, Cego Aderaldo decidiu viajar pelos sertões nordestinos, cantando seus versos acompanhado de uma rabeca e disputando desafios de repente com outros cantadores. É lendário o desafio mantido com o também famoso cantador piauiense Zé Pretinho, ocorrido em 1914 e registrado por Firmino Teixeira do Amaral no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, ficando, igualmente, imortalizado na memória e no imaginário popular.