Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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sábado, 26 de setembro de 2009

O Outono da vida - Por : Rosa Guerrera


É bom conhecermos e vivermos de corpo e alma as estações da vida . Muito bom também colhermos flores primaveris , plantarmos rosas , alimentarmos com todas as forças do nosso eu os momentos que os verdes anos espalham ao nosso redor ,trazendo sempre em seus convites o sabor gostoso de deleitarmos o desconhecido.Mas ... pouco a pouco quase sem que pressintamos o calor do verão vai se aproximando com nuances mais coloridas , e começamos a rever os nossos verdes sonhos como imagens apagadas onde raramente usávamos a razão .É quando aprendemos a caminhar com mais prudência e sensatez. É quando analisamos melhor, sentimos melhor , somos mais reservados , sabemos esperar a época da colheita e muitas vezes até nos preocupamos com a chegada do outono em nossas vidas. Mas inexoravelmente ele, o OUTONO chega ... e vem o acréscimo no aprendizado, nos sem-fins e atalhos da nossa árvore de vida. E olhando para trás vemos o quanto mudamos ! O encantamento das outras estações nos retrata fielmente que somos mestres no que aprendemos no exercício da maturidade sem portas às fantasias... É é nessa estação outono que lutamos com muito mais garra para a concretização dos nossos sonhos porque entendemos que tudo que fizermos então , tem que ser consciente , isento de falsas expectativas e para todo um sempre .E tudo passa a ser eterno , mesmo que dure apenas uma gota d’água de segundos , mas vivido com tamanha força que não tememos mais a aproximação do inverno nem a destruição da nossa árvore. Nada mais é capaz de nos abalar . Já não nos importamos em nos protegermos da indiferença , do medo, do egoísmo, dos que nos rejeitam , nos ferem , nos excluem ou tentam abalar nossas convicções.Essa é a estação do outono nas nossas vidas. A idade da liberdade de escolha, dos acertos, das novas qualidades , das verdadeiras descobertas , sem dúvidas, sem interrogações ...mas com a certeza de conquistas verdadeiras ...onde a mente não acompanha o envelhecimento do corpo ,mas aprimora cada vez mais o companheirismo entre a razão e o coração.

( ROSA GUERRERA)
Foto de Fábio vasconcelos

"Dentro da noite escura" - Convite : Jean Nogueira

Domingo 27 as 20h no Sesc Crato.
Estamos com a peça DENTRO DA NOITE ESCURA.
Aguardamos sua presença !

Jean Nogueira

Ufo - Mistérios inexplicáveis no sertão da Paraíba -Fotos enviadas por Luiz Carlos S.Gomes

Serrote dos letreiros


serrote dos letreiros


restos de equipamentos mecânicos



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restos de equipamentos mecânicos




restos de equipamentos mecânicos
restos de equipamentos mecânicos

Pato Donald e Zé Carioca - Colaboração de Glória Pinheiro


As músicas Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Tico-Tico no
Fubá, de Zequinha de Abreu são consideradas as duas músicas brasileiras mais conhecidas e executadas no mundo todo, deste a década de 50 até hoje. Existem algumas centenas de gravações dessas músicas, executadas e cantadas, pelas maiores orquestras do mundo e intérpretes tais como, Bing Crosby, Frank Sinatra até o maior tenor do mundo, Plácido Domingo.
Aquarela do Brasil foi eleita em juri patrocinado pela Academia Brasileira de Letras como "A maior música brasileira" do século XX.
Com um pouco de paciência, até carregar, vocês curtirão a genialidade de Disney - Ary e Zequinha!(Cliquem no link abaixo)


http://www.almacarioca.com.br/arte070.htm

Muito Prazer Terceira idade por João Marni



Precisamos refazer a idéia de que estamos tão somente a caminho do fim, num processo inexorável de deterioração. Por que necessariamente agora, com cabelos brancos e experiência, está o idoso em declínio e não em transformação, - como tudo na vida? Onde é próprio da senilidade, mora o encanto. É imperativo para a felicidade dos que alcançam este degrau, que viajem com a vida, tal e qual fruto maduro que cai, apenas transferindo sua energia para outra estrutura; como a água do jarro jogada no riacho: não tem mais a forma do jarro, fazendo parte agora do riacho, pois somos águas correntes, inquietas. Não é o começo do fim, mas a busca por novos oceanos...

A vida se encerra quando finda a juventude? Por falar nisso, quando é mesmo que ela, a juventude, acaba? Um amigo confessou-me que não foi a percepção da perda da elasticidade da pele, nem os cabelos brancos e escassos, mas a dor que sentiu quando, em um certo dia, sentou em cima de suas próprias bolas! Disse-me também que há vantagens de ordem prática chegar-se à velhice: podemos competentemente, com as mãos trêmulas, espalhar canela em canjica, andar nos coletivos sem ter que pagar e, vez por outra, engolir um “azulzinho” e torcer pelo resultado. Não precisamos mais temer a vastidão do futuro.
O idoso encontra-se naquela fase em que os homens, naturalmente, afastam-se do culto ao corpo, e aproximam-se da filosofia, condição muito mais exuberante! Seria sábio e interessante não interferirmos na obra escultural, dinâmica e natural que é o corpo humano, de onde somos inquilinos. Para que cirurgia plástica “embelezadora”? Quer ser sua própria ficção, desconhecendo-se?

O corpo paulatinamente perde a agilidade e a força, a expressão corporal muda do pulo do gato para o compasso lento e sereno. A visão diminui a acuidade, avisando que não se precisa mais ir à caça, mas ficar mais próximo da família. A audição também não é mais acurada, um prêmio para que não se ouçam mais tantas coisas vãs. Ter ótima memória apenas para fatos do passado distante, provavelmente serve para que se tenha melhor capacidade de reflexão da vida, sendo motivo de grande alegria poder rememorá-la quando não machucamos deliberadamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Se a elas provocamos sofrimento, as lembranças são o preparo para o pedido de perdão. Recomenda-se que em conversa com ele (o idoso), puxemos por assuntos históricos, fatos de há muito tempo, onde sua memória encontra-se intacta e pode fazê-lo fluente.
A libido diminui, afinal para que reproduzir agora, se não dá para acompanhar o desenvolvimento do rebento? E quão patético é querer a performance dos vinte anos!
Fica-se mais seletivo, a energia é usada com parcimônia e melhor distribuída em atividades também prazerosas e sociáveis, como ler, curtir os amigos, a natureza, a companheira, voltar a brincar fazendo a alegria dos netos, para os quais pode-se confeccionar antigos brinquedos!

Embora aparente fragilidade lá adiante, o ser humano se aborrece mais facilmente e é capaz de fazer valer suas vontades, bastando que lhe faltem com o respeito ou não compreendam sua rotina com seus objetos em seu cantinho predileto. Nesta fase gosta de segurar a mão da amada e dizer-lhe tudo, quase sem falar nada.

Se por coisas do destino tiver que ir para longe do convívio familiar, num abrigo, é bom que se diga que o experiente não é frágil como um cristal, nem se acaba aos cacos, mas não dispensa o polimento e que não se deve jogá-lo ao chão! Está apenas mais próximo de devolver sua "vestimenta", pois permitiu-lhe Deus que a usasse até o rompimento das malhas, abrigando um espírito, este sim, do interesse divino.

É lamentável que um ser tão doce seja tratado de forma ingrata e desrespeitosa, num Brasil para poucos, com uma aposentadoria irrisória ter que enfrentar filas enormes na madrugada em busca de uma assistência médica caótica, ter que suplementar a renda trabalhando, quando os pés já não lhe obedecem mais e, pior, sem emprego para os seus descendentes, vê-los beliscar seus parcos ganhos, num estímulo à preguiça e à exploração.

Este ser deveria chegar ao pódium da vida vivendo-a plenamente e não apenas suportando-a, mas elaborando-a sempre, com alegria.


ORAÇÃO DO IDOSO
(João Marni de Figueirêdo)


Ó mãos, sagradas mãos, de pregos transpassadas,
Ergam-me pela manhã no despertar,
Conduzam-me por todo o dia,
Afaguem-me nas minhas dores,
Devolvam-me ao leito à hora do recolhimento,
E, por ocasião do meu final, abracem-me para todo o sempre
.

Conchas & Seixos - Por Claude Bloc


Meu sonho agarra-se na areia
virando conchas
virando seixos

Embalo pela areia quente
sonhos salgados
de maresia


Sopro dentro dessas conchas
os meus segredos
virando espuma
virando areia



E remexendo meus sentidos
ouço a saudade
e as marés
virando som
virando sonho
virando mar.


Texto e fotos de Claude Bloc

Ensaio - Conchas - Por Claude Bloc

As diversas facetas da solidão...
.
Foto-painel por Claude Bloc

A poesia de Geraldo Urano


tudo que o sol gritou
pelos olhos do brooklin
mas nem tudo o que sonhei
me embalando em teu nome
nem todo canto foi bom
fugaz sabor de bombom
a ainda assim o som não pode ficar
brilhará quando parar de nevar
“fica para a próxima paz”
o mel da luz na boca do mar
-----------------------
.
mana humana
maria de manau ou caiena
o verso
ponte para o universo
abril do quinhentos do terceiro
milênio
cada tempo inventa os seus meses
e enfeitemos a mesa
a terra é flor que se cheire
quando a vã sabedoria rasgou
em nagasaki o azul
tremeram as terras humanas
no peito de cada pessoa humana

Amores clandestinos ,sessão das quatro , no Cine cassino - Por Socorro moreira


O filme “Amores Clandestinos” foi sucesso nos anos 60. Vinha bem a calhar, dentro do contexto da época.
Depois de comprar o ingresso, passar pelo porteiro, delegado de menor, entrávamos na penumbra da sala, e esperávamos o apagar de todas as luzes.
O único que conhecia todos os segredos era o Lanterninha. Focava cadeiras vazias, e por “descuido”, aquelas ocupadas pelos casais que fugiam da luz, dos olhos da família, do preconceito social, e da própria timidez.
Tinham naturezas diversas: amores impossíveis, amores nascentes e crescentes, amores dos amassos (puro cheiro, puro sarro), amores ingênuos e trêmulos; amores despudorados, explícitos na “safadeza” do poder hormonal. Todos eram instigados pela cumplicidade de um escuro técnico, aconchegante.
Muitas “pernas gordinhas”, (como a canção do Tiago Araripe), molhadas, sedosas, balançavam pés nervosos. Beijos de língua, de pescoço, de outras partes, outros pedaços do corpo como mãos e bochechas do rosto!
Enlevada no enredo do filme, desligava-me da terra, mas perdia meu olhar, muitas vezes, na doce tensão da espera.
Um dia, ele chegou, e sentou-se numa fila adiante de mim. Encostou sua cabeça numa peruca canecalon, loura com a da Marilyn. Meus olhos desviados da tela ficaram lá, pregados e chorosos, naquele blandô total, que recebia afagos e abraços.
Quando a fita anunciou o “THE END”, sorrateiramente mudei de lugar, e aproximei-me mais um pouquinho, pra descobrir na saída, se era azul, os olhos daquela diva. O moço correu apressado, antes do acender das luzes. Enfim tudo claro! Eram dois olhos morenos. Olhos conhecidos, subservientes, corajosos e apaixonados.
Covarde, o meu gato!
Estava lá, a musa de tantos brotos!
Era assim o cotidiano do maior entretenimento da City. Divertia, aproximava, e escondia. Transportava os nossos sonhos para o glamour hollydiano. Se não existisse a censura do Bispo, colada no mural do Café Crato, acho que não teria perdido nenhum drama escandaloso, que o cinema ensinava. Mas eu estava lá, em todos de Marisol. Joselito, Shirley Temple, Walt Disney...
Nunca, em “Amores Clandestinos” – (clássico com Sandra Dee e Troy Donahue – trilha sonora - Summer Place... Linda!).
Namorei sem pegar na mão, só no roçar dos braços , mas não nego a presença do tesão, nas orelhas afogueadas. Namorei com cochichos no pé do ouvido, com mordidas no pescoço, e balas pepper ou , zorro. Namorei com os meus ídolos: puros, românticos, sofredores, heróicos, belos, e gentis.
No Cinema não faltava:
Assovios
Suspiros
Gemidos
Choros... Alguns até convulsivos. (Chorei assim, no filme Irmão Sol e Irmã Lua, e até na Paixão de Cristo).
A vida se harmonizava na sala de projeção.
Tempos sem analistas, psiquiatras...
Tempos de sessão de risos com Jerry Levis, Cantinflas, o Gordo e O Magro, Golias e Zé Trindade.
O Cassino de hoje é um campo de energia obscura. Ficou apenas o escurinho do cinema, na beleza deteriorada.
Perdemos a cortina grená. O lanterna iluminando a paixão dos casais.
Foram-se o misturado dos perfumes, o estouro das bolas de ping-pong, na falta do beijo amado.
Era bom até cochilar de viver, naquele ninho!
Nada mais excitante, aventureiro e libidinoso do que um encontro clandestino, na sessão das quatro, no Cine Cassino.

Socorro Moreira

Ronaldo Golias - O dono da Bola


José Ronald Golias ou simplesmente Ronald Golias (São Carlos, 4 de maio de 1929 — São Paulo, 27 de setembro de 2005) foi um comediante brasileiro, um dos pioneiros da televisão brasileira.

Golias viera de família humilde. Seu pai - Arlindo Golias, fora fã do artista Ronald Colman, por isso o nome Ronald. Todavia, na hora do batismo de Golias, o padre implicou porque o nome não tinha vínculos com bílbia, então decidiu-se colocar o nome Ronald Golias.

Ronald Golias começou sua carreira artística nos anos quarenta participando de um grupo de acrobacias aquáticas, o Aqualoucos. Antes disso chegou a trabalhar como alfaiate e funileiro.

Nos anos cinqüenta, incentivado por seu amigo aqualouco Vicente Fiori, Golias ingressou no rádio onde conheceu Manoel da Nóbrega (pai de Carlos Alberto de Nóbrega) que logo a seguir o convidou para trabalhar no humorístico televisivo "A Praça da Alegria", na TV Paulista - Canal 5, em 1953.


Pacífico (foi um delegado que o liberou de uma rotina oficial na sua cidade natal São Carlos, esse delegado continua na ativa ainda hoje como "titular do 4° DP na cidade de São Paulo), seu primeiro personagem marcante da televisão, apareceu em 1956 e tornou famoso o bordão "ô Cride fala pra mãe", que foi citado em música do grupo brasileiro de Rock Titãs dos anos 1980. Esse bordão remete a cidade natal de Golias, São Carlos, pois o original era "ô Cride fala pra mãe que eu vou lá no Grêmio", (Grêmio Recreativo e Cultural Flôr de Maio), que é um clube social da comunidade negra da cidade.

No cinema, estreou em 1957, com a comédia "Um Marido Barra Limpa", de Luís Sérgio Person. Em 1959, participou de chanchadas, como "Os Três Cangaceiros", onde contracenou ao lado de Ankito e Grande Otelo. Também fez os filmes: O Dono da Bola e Golias Contra o Homem das Bolinhas . Sempre muito popular a ponto de, após apelidar Silvio Santos com a alcunha de Peru, na década de 1950, o apresentador ficou conhecido como "o peru que fala" quando trabalhava em espetáculos de artistas ligados a Manuel da Nóbrega com a charanga do Baú da Felicidade.

Em 1967, apresentou na televisão seu personagem Bronco, que já fazia sucesso no cinema. Carlos Bronco Dinossauro estreou no humorístico "Família Trapo", da TV Record - Canal 7, de São Paulo, atual Rede Record,onde contracenava com Jô Soares, Ricardo Corte-Real, Cidinha Campos, Renata Fronzi e Otelo Zeloni e acabou se transformando no personagem mais divertido e popular do seriado. Teve uma filha chamada Paula, que o nome foi dado para homenagear Paulo Machado de Carvalho.

Com Silvio Santos, que sempre foi um grande fã de Ronald Golias. Ao lado do animador, Golias participou do programa A volta ao mundo em 80 perguntas, numa fase em que relançou sua carreira na televisão, depois de ter se afastado alguns anos para cuidar de suas fazendas. Nessa época, com o apoio de Silvio Santos ele criou novos tipos que aparecerem em quadros no programa dominical do apresentador e que ficariam igualmente famosos: o velhote Bartolomeu Guimarães, Isolda e o Profeta.

Ao todo, a carreira de Golias é muito extensa. Conta-se em mais de cinqüenta anos de atuações em televisão, apesar de apenas dez filmes. Trabalhou nas quatro principais emissoras de TV do Brasil: Rede Globo no programa Superbronco, com Liza Vieira; atual Rede Record na Família Trapo; Rede Bandeirantes no programa Bronco; e no SBT, em A Praça é Nossa, SBT Palace Hotel, Escolinha do Golias e Meu Cunhado. Na emissora atuou também em especiais ao lado de Maria Tereza e Hebe Camargo. Na Rede Globo, em 2000, ao lado de Renato Aragão viveu um funcionário de hotel no especial humorístico sobre os 50 anos da televisão brasileira.

Nos anos recentes podia ser visto na emissora de Sílvio Santos, o SBT, em programas como "A Praça é Nossa", onde interpretava Pacífico, Profeta, Bartolomeu Guimarães e Isolda e no programa "Meu Cunhado", humorístico que ressuscitou seu personagem mais famoso, o Bronco, contracenando com Moacyr Franco, que era um de seus melhores amigos na TV desde que começaram a carreira.

Faleceu vítima de infecção generalizada proveniente de infecção pulmonar, no Hospital São Luís na capital paulista, onde se encontrava internado desde o dia 8 de setembro de 2005. Foi sepultado no Cemitério do Morumbi.

A partir de 2007, o SBT passou a retransmitir a Escolinha do Golias com muito sucesso. Apoiado nesse sucesso do programa, a TV Bandeirantes também decidiu repassar o programa Bronco no mesmo ano.

Em 16 de setembro de 2007 a prefeitura de São Carlos inaugurou a praça Ronald Golias em homenagem ao humorista no bairro de cidade Aracy, e também está criando o Museu Ronald Golias na rua Geminiano Costa, 401 (na casa onde Golias residiu).

A cidade paulista de Serra Negra o homenageia com sua estátua, onde está sentado em um banco da praça em frente à prefeitura da mesma cidade.

*Um filme de Golias marcou a minha adolescência : O dono da Bola. Foi o primeiro filme que eu assisti com um namorado. Guardando a cadeira, e mascando chicletes Adams. Vesperal de domingo , no Cine Cassino. Ladeada por duas irmãs mais novas, ri nervosamente o filme todo, mesmo não achando muita graça nos filmes cômicos brasileiros. O cinema de um modo geral consegue me fazer mais chorar do que sorrir. Prefiro os dramas, os musicais às comédias.

Miles Davis - Um ícone do jazz americano



Miles Dewey Davis Jr (Alton, 26 de Maio de 1926 — Santa Monica, 28 de Setembro de 1991) foi um trompetista, compositor e bandleader de jazz norte-americano.

Considerado um dos mais influentes músicos do século XX, Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Ele participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Foi parte do desenvolvimento do jazz modal, e também do jazz fusion que originou-se do trabalho dele com outros músicos no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.

Miles Davis pertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz, que começou com Buddy Bolden e desenvolveu-se com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge e Dizzy Gillespie. Ao contrário desses músicos ele nunca foi considerado com um alto nível de habilidade técnica. Seu grande êxito como músico, entretanto, foi ir mais além do que ser influente e distinto em seu instrumento, e moldar estilos inteiros e maneiras de fazer música através dos seus trabalhos. Muitos dos mais importantes músicos de jazz fizeram seu nome na segunda metade do século XX nos grupos de Miles Davis, incluindo: Joe Zawinul, Chick Corea e Herbie Hancock, os saxofonistas John Coltrane, Wayne Shorter, George Coleman e Kenny Garrett, o baterista Tony Williams e o guitarrista John McLaughlin.

Como trompetista Davis tinha um som puro e claro, mas também uma incomum liberdade de articulação e altura. Ele ficou conhecido por ter um registro baixo e minimalista de tocar, mas também era capaz de conseguir alta complexidade e técnica com seu trompete.

Em 13 de Março de 2006, Davis foi postumamente incluído no Rock and Roll Hall of Fame. Ele foi também incluído no St. Louis Walk of Fame, Big Band and Jazz Hall of Fame, e no Down Beat's Jazz Hall of Fame.
“ Jazz é como o blues, mas com um pouco de heroína. ”

Em 1944, Davis mudou-se para Nova Iorque para conseguir uma bolsa de estudos na Juilliard School, mas ao invés disso ele decidiu procurar a banda de Charlie Parker. Suas primeiras gravações foram feitas em 1945 com o cantor de blues "Rubberlegs" Williams e o sax-tenorista Herby Fields, no outono ele se tornou um membro não-oficial do quinteto de Parker, aparecendo em várias gravações iniciais do bebop para os selos Savoy Records e Dial Records. O estilo de Davis no trompete era distinto, mas como solista lhe faltou confiança e virtuosidade dos seus mentores com ele, pois sufocava algumas notas e errava durante seus solos.


Em 1948, teve seu aprendizado como sideman, tanto no palco como no estúdio, e estava começando a desenvolver-se como artista solo. Davis começou a trabalhar com um noneto que apresentava uma instrumentação incomum naquela época, como a trompa e a tuba. Nele também estavam os jovens Gerry Mulligan e Lee Konitz. Após algumas apresentações no Royal Roost Club em Nova Iorque, o noneto assinou com a Capitol Records. Vários singles seriam lançados em 1949 e 1950, apresentando arranjos por Gil Evans, Gerry Mulligan e John Lewis. A partir daí começou sua parceria com Gil Evans, com quem colaboraria pelos próximos vinte anos. Os singles tiveram lançamentos até 1957, quando onze de doze músicas foram lançadas no álbum Birth of the Cool (lançamentos posteriores incluiríam as doze faixas). Em 1949, ele visitou a Europa pela primeira vez e se apresentou naquele ano no Paris Jazz Festival em maio. A resposta para os músicos de jazz moderno em Paris foi diferente daquela nos Estados Unidos, eles ganhariam certa admiração na capital francesa. A partir de então data os problemas de Davis com as drogas. Tocando em bares de Nova Iorque, Davis estava en freqüente contato com pessoas que usavam e vendiam drogas. Em 1950, como muito dos seus contemporâneos, ele adquire vício em heroína.

Entre 1950 e 1955, Davis fez gravações como líder para os selos Prestige e Blue Note Records principalmente, numa variedade de pequenos grupos. Como sidemans incluíam Sonny Rollins, John Lewis, Kenny Clarke, Jackie McLean, Art Blakey, Horace Silver, Thelonious Monk, J. J. Johnson, Percy Heath, Milt Jackson e Charles Mingus. Por causa de seu problema com drogas, Davis ganhou uma reputação de irresponsável. No inverno de 1953 a 1954 entretanto, ele retorna a East St. Luis e se tranca em um quarto na farmácia de seu pai por doze dias até que conseguisse estar livre das drogas.

Após superar seu vício de heroína com a ajuda de Sugar Ray Robinson, Davis fez uma série de importantes gravações para o selo Prestige em 1954, mais tarde reunidas nos álbuns Bag's Groove, Miles Davis and the Modern Jazz Giants e Walkin'. Nessa época, ele começa a usar a surdina para "escurecer" e abrandar o timbre de seu trompete. Este trompete com surdina seria associado com Davis pelo resto de sua vida.

Em julho de 1955, ele tocou um solo lendário em 'Round Midnight de Thelonius Monk no Newport Jazz Festival. Esta performance levou Davis de volta aos holofotes do jazz, fazendo com que George Avakian assinasse com Davis para a Columbia e formasse seu primeiro quinteto.

“ Não toque o que está lá, e sim o que não está. ”

Em 1955, Davis dá vida a seu primeiro Miles Davis Quintet. Este grupo apresentava John Coltrane (saxofone tenor), Red Garland (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Philly Joe Jones (bateria). Evitando a complexidade rítmica e harmônica do então prevalecente bebop, Davis se permitiu a tocar longamente, em legato, essencialmente em linhas melódicas em que ele começaria a explorar o jazz modal. Nessa época, Davis foi influenciado pelo pianista Ahmad Jamal, que contrastava seu som esparso com o "atarefado" som do bebop.

O quinteto nunca foi estável entretanto, com muitos dos integrantes usando heroína e o Miles Davis Quintet acabou em 1957.

Neste ano, Davis viajou para a França para compor Ascenseur pour l'échafaud de Louis Malle. Ele gravou a trilha sonora inteira com a ajuda de músicos franceses como Barney Wilen, Pierre Michelot e René Urtreger além do baterista americano Kenny Clarke.

Em 1958, o quinteto foi reformado em um sexteto, com a adição de Julian "Cannonball" Adderley no saxofone alto, gravando Milestones naquele ano.

Monumento ao músico na Polônia.“ Para mim a vida e a música são só uma questão de estilo. ”

Após gravar Milestones, Garland (piano) e Jones (bateria) foram substituídos por Bill Evans e Jimmy Cobb. A improvisação introspectiva de Evans, treinada na música clássica, influenciou o som do resto do grupo e os permitiu explorar mais profundamente a música do que nunca, promovendo o avanço do jazz modal como visto em '58 Miles. Evans saiu no final de 1958, substituído por Wynton Kelly.

Em Março e Abril de 1959, Davis voltou mais uma vez com seu sexteto para gravar o que seria considerada sua magnum opus, Kind of Blue. Ele chamou Bill Evans de novo (que estava ainda a meses de formar seu famoso trio), para as sessões do álbum da maneira que haviam planejado acerca do método de piano de Evans.[3] Ambos Davis e Evans tiveram uma familiaridade direta com as idéias do pianista George Russell, a respeito do modal jazz o qual fazia experimentos naquela época. Davis pelas idéias expostas com Russell e outros, antes do que viria a se tornar as sessões do álbum Birth of Cool, e Evans por estudar com Russel em 1956.[4] Miles não informou ao pianista Wynton Kelly sobre Evans nas gravações, conseqüentemente Kelly tocou apenas na faixa "Freddie Freeloader", e não esteve presente nas gravações em abril.[5] "So What" e "All Blues" foram tocadas pelo sexteto em performances antes das sessões de gravação, mas para as outras três composições, Davis e Evans preparam uma estrutura harmônica que os outros músicos viram somente no dia da gravação, a fim de criar uma aproximação de improvisação. O álbum resultante provou ser uma enorme influência para outros músicos. De acordo com a RIAA, Kind of Blue é o álbum de jazz mais vendido de todos os tempos, sendo certificado com o disco triplo de platina (3 milhões de cópias).

No mesmo ano, enquanto fazia uma pausa de um show do lado de fora do famoso nightclub de Nova Iorque, Birdland. Miles Davis foi atacado por policiais americanos e foi conseqüentemente preso. Acreditando ter sido o ataque por motivos raciais (foi dito que ele foi agredido por um policial que estava furioso por Davis estar com uma mulher branca), ele tentou levar o caso ao tribunal, mas acabou desistindo.

Davis convenceu Coltrane a tocar com o grupo em uma turnê final pela Europa na primavera de 1960. Coltrane que tinha saído para formar seu clássico quarteto, voltou para gravar algumas faixas do álbum de 1961 Someday My Prince Will Come. Davis tentou diversos saxofonistas para seu grupo, como Sonny Stitt e Hank Mobley. O quinteto com Hank Mobley gravou em estúdio e em diversos shows como no Carnegie Hall e no Black Hawk Jazz Club em São Francisco. Stitt tocou com o grupo em gravações no Olympia em Paris (onde Davis e Coltrane tinham tocado alguns meses antes) e no álbum Live in Stockholm.

Em 1963, o grupo de longo tempo de Miles Davis com Kelly, Chambers e Cobb acaba. Ele então rapidamente começa a formar um novo grupo, incluindo o saxofonista tenor George Coleman e o baixista Ron Carter. Davis, Coleman, Carter, e outros músicos gravaram meio álbum na primavera de 63. Poucas semanas depois, o baterista Tony Williams e o pianista Herbie Hancock se juntaram ao grupo, e logo após Davis, Coleman e outros integrantes gravam o resto de Seven Steps to Heaven.
O álbum 1969 Miles: Festiva de Juan Pins, é a primeira gravação ao vivo do grupo de Miles Davis tocando sets contínuos. (Entretanto, o álbum só teve lançamentos na Europa e no Japão.)


Miles Davis no Rio de Janeiro em Maio de 1974“ Uma lenda é um homem muito velho com uma bengala, que é conhecido pelo que fez. Eu ainda estou fazendo. ”

As influências de Miles Davis no final da década de 1960 incluíam o acid rock e artistas funk como Sly and the Family Stone, James Brown e Jimi Hendrix, muitos dos quais se conheceram através de Betty Mabry, uma jovem modelo e letrista que Miles se casou em 1968 e se separaria um ano depois. A transição musical requereu que Davis e seu grupo se adaptassem aos instrumentos elétricos, tanto em estúdio quanto performances ao vivo.

Depois do Festival de Jazz de Newport no Avery Fisher Hall em Nova Iorque em 1 de Julho de 1975, Miles Davis retirou-se quase que por completo do público por seis anos. Como Gil Evans disse: "Seu organismo está cansado. E depois de toda a música que ele contribui por 35 anos, ele precisa de um descanso."

Davis caracterizou este período em sua autobiografia como uma época colorida onde várias mulheres esbanjavam seu dinheiro com sexo e drogas. Na realidade, ele se tornou completamente dependente de várias drogas, gastando quase todo seu tempo deitado no sofá em seu apartamento assistindo televisão, saindo somente para conseguir mais drogas. Em 1976, a revista Rolling Stone relatou rumores de sua possível morte. Embora ele tenha parado de praticar trompete regularmente, Davis continuou compondo intermitentemente e fez três tentativas, nas gravações durante seu exílio, de fazer um show; estas sessões (uma com assistência de Paul Buckmaster e Gil Evans, que saiu depois de não receber uma promessa de pagamento) durou pouco tempo e permaneceu não lançada.

Em 1979, ele ficou entre os "Top 10" da revista Down Beat naquele ano. A Columbia Records continuou lançando compilações suas e gravações de materias não lançados para preencher as obrigações contratuais.

Durante este período de inatividade, Davis viu a música fusion, que ele tinha estado na vanguarda na década passada, entrando para a mainstream. Quando ele saiu de seu retiro, os descendentes musicais de Miles Davis estariam no âmbito do rock new wave, e mais em particular no estilo de Prince.

Em 1988 ele atuou em um pequeno trecho do filme Scrooged com Bill Murray, no qual ele era um músico de rua.

Davis recebeu em 1990 o Grammy Lifetime Achievement Award.

No começo de 1991, ele assistiu ao lançamento do filme de Rolf de Heer, Dingo. Estrelando Colin Friels como um frustrado trompetista de jazz da Austrália que vai em busca de seu sonho de encontrar e tocar com Billy Cross, uma lenda do jazz fictícia interpretada por Miles Davis. Na seqüência de abertura do filme, Davis e sua banda inesperadamente vão parar em uma remoto deserto da Austrália e começam a tocar para os habitantes desse local. A apresentação incentiva o personagem principal (Colin Friels) a ir em busca de seu sonho. Foi uma das últimas performances filmadas de Miles Davis.

Miles Davis faleceu em 28 de Setembro de 1991 de AVC, pneumonia e insuficiência respiratória. Em Santa Mônica, Califórnia com 65 anos. Ele foi enterrado no Woodlawn Cemetery, no Bronx, No
va Iorque.
Wikipédia

Primavera - Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Desafio - Leia e participe !!!


Observe a foto ( de Heládio Teles Duarte) e aventure-se a entrar em seu domínio, em sua essência...

Socorro e eu (Claude) sempre temos em mente que a interatividade entre amigos que colaboram e/ou passeiam pelo nosso Cariricaturas é algo que certamente torna o contato e o convívio neste espaço muito mais prazeroso. Essa interatividade pode acontecer de várias formas. Usamos as trovas bem nos primeiros dias do Cariricaturas, mas agora veio-nos uma nova idéia para provocar e desafiar os demais.

Hoje o desafio é o seguinte: será postada uma foto e você, colaborador e/ou amigo é convidado a escrever nos comentários a sua impressão ou o sentimento que lhe causa esta foto.

Desta feita, o tema é subjetivo. Depois, traremos temas diversificados para que ninguém deixe de participar.

Acreditamos que seja esta uma forma de interagirmos como num bom papo, numa boa prosa.
Não deixe de participar. Sua presença é ouro.

(Uma simples frase, uma trovinha, um mini-texto estas são formas de colaborar)
Vamos lá ! "mão na massa"!
Estamos esperando! Ei, cadê você?

Resposta ao Desafio : Pérolas nos bastidores - Cariricaturas

Pérolas nos bastidores

A foto -desafio


Ana Cecília S. Bastos disse...
Que linda foto! Imediatamente me veio a memória de um verso: "uma ferida alastrada na pele de nossas almas". Fui ver, era Drummond, no poema A Ilusão do Migrante, que trago aqui:


"Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me sussurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.

Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é consequência
de um certo nascer ali.

Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.

Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.

Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso".

Teresa disse...
Ao contemplar essa imagem dilacerada da nossa irmã árvore me veio imediatamente o pensamento tão antigo e tão atual e quase ninguém sabe sua autoria apenas deduzem que seja do Buda: Siddharta Gautama ou ainda de Tagore pensadores orientais:

"Sê como o sândalo que perfuma o machado que o fere" ?
Abraços
Teresa Abath
Brasília-DF

Ângela Lôbo disse...
Lembra-te, Árvore, que o Filho de Deus, para reconciliar-nos com nosso Pai, Dele e nosso carregou uma cruz pesada!
Três vezes caiu debaixo dela e quis morrer pregado na cruz para salvar-nos!

(Dom Helder Câmara)

Maria Amélia Castro disse...
Quem rasgou o casaco do tronco?Provavelmente não foi o tempo, não foi o vento.Alguém curioso, maldoso.Só sei que logo o tronco se refaz. E como refazer a consciência de quem rasgou o casaco do tronco?
maria amelia castro

José do Vale Pinheiro Feitosa disse...
E lá vou adentrar este jardim de flores,
natureza rude de caule da casca repartida,
Como num jardim de corpo basto,
Através dos espaços enormes das Moreiras,
Seja na fresta que Abath ou no cerne que Bloc.

Pois se em parte é ferida exangue, noutra é solidez de cicatriz, uma prova essencial de presença no mundo, que tanto transforma como é transformado.
E completando pois não sou Castro.

Corujinha Baiana disse...
E a árvore ferida e magoada chorou...
Mas ninguém escutou o seu lamento.
E seu pranto inundou todo o chão...Quem se importa ?
- "Choveu muito!" Foi o que se ouviu.

César Augusto disse...
As árvores depois de caídas, servem para lenha, um corte a mais, um corte a menos não vai fazer muita diferença...como na alma, uma ferida a mais, não modifica a dor.

rogerio silva disse...
Singra
Sangue
Em dor
No Veio
Da veia
Do amor!

Socorro Moreira disse...
Dá vontade de lamber a dor
De chamar urgente,um doutor
As palavras são curadoras ou avassaladoras. Como a água , como a tempestade...
Como o machado que corta sem dó, nem piedade. Como os homens que se encaram , e se estragam. Essa árvore é a vida sendo ferida , quando ela precisa do amor preservação, mesmo sabendo que um dia tudo finda - Menos a alma?

Ficou bonito !
vamos repetir a brincadeira ?
Cariricaturas

NERDs ou CDFs ?



Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas actividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd é muitas vezes excluído de atividades físicas e considerado um solitário pelos seus pares. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.

A expressão é utilizada desde o final da década de 1950 no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Também há uma versão na qual a palavra derivaria de Northern Electric Research and Development (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel), ou seja, atribuída àqueles indivíduos que trabalhavam no laboratório de tecnologia, que eram dados a passar noites em claro nas suas pesquisas. Na década de 1960 difundiu-se a sua conotação pejorativa, aplicado a pessoas com inteligência geralmente acima da média, com alguma dificuldade em se relacionar socialmente, e que não obedece aos padrões, principalmente físicos e intelectuais, da sociedade tornando-se uma pessoa marginalizada, tímida e solitária. Atualmente no entanto o termo nerd vem sendo usado por determinados grupos relacionados a interesses específicos como forma de se identificarem.

Outra possível origem da palavra vem do hábito de alguns estudantes do MIT (Massachussets institute of technology ou Instituto de Tecnologia de Massachusetts; em português) de chamar alguns alunos de "knurd" (a palavra vem de "drunk", bêbado em inglês, escrito ao contrário). Fazendo uma clara analogia inversa sobre aqueles que não estudam e ficam bêbados em oposição aos que estudam e não se embriagam.

Segundo uma definição de Lia Portocarrero Amancio, "...é o rapaz (ou moça) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; c) fazer música; d) escrever sobre (normalmente acompanhado de pesquisa); e) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar."

Segundo Paul Graham, "Existe uma relação entre ser esperto/inteligente e ser nerd, ou melhor, há uma correlação inversa maior ainda entre ser nerd e ser popular. Se ser esperto parece fazer a pessoa não popular" de forma analoga vem a conotação pejorativa.

Os Nerds são conhecidos por um determinado estereótipo, muito divulgado em filmes ou desenhos animados, que geralmente não correspondem a realidade total. Eles não têm um padrão próprio de vestuário e são muito sociáveis quando se sentem confortáveis no ambiente.

Apesar de serem uma Tribo Urbana, é difícil reconhecê-los no dia-a-dia pois, ao contrário das outras tribos, não tem um estilo facilmente reconhecível à primeira vista. Tampouco gostam dos mesmos tipos de música, e nem todos freqüentam os mesmos lugares (apesar de uma grande parte frequentar convenções de quadrinhos e ficção científica).

Há muitos 'sub-grupos' de nerds. Dentre eles, destacam-se:

Geeks, aqueles cujo interesse volta-se especialmente para a tecnologia, ciência e informática;
Gamers, os jogadores compulsivos de video games;
Cards Gamers, os jogadores compulsivos de Cards Games (Yu-Gi-Oh, Magic, Pokemon);
RPGistas, os jogadores de Role playing games (RPG), normalmente sobre temas medievais;
Fanbase ou Fandom, um grupo caracterizado por ser fã de uma obra, ou conjunto de obras específicas como:
Lord of the Rings Fans, do universo de O Senhor dos Anéis;
Star Wars Fans, do universo de Star Wars;
Trekkers' ou Trekkies, do universo de Star Trek;
Babylon V'ers, de Babylon 5
eXcers, de Arquivo X;
Battlestar Galactica
Trekdom
Harry Potter
Tomb Raider
Stargate
Otakus, aficionados por animes, mangás e cultura japonesa;
Anime music video
Fanboy
Fan fiction
Fanon (fiction)
Fanposter
NerdCaster, ouvintes de NerdCast

Atualmente é incorreto afirmar que "nerds" sofrem de Síndrome de Asperger, pois a maioria deles vivem misturados na sociedade. A maioria deles, inclusive, é dotada de grande capacidade de socializar-se com pessoas com os mesmos interesses que os seus. A origem dessa confusão se deve por causa da visão estereotipada do nerd, que coincide com os sintomas da Síndrome de Asperger. O nerd, não é autista, como os portadores da síndrome, mas é desajeitado e isolado pela timidez e pela pouca preocupação estética, o que nada tem a ver com autismo.

No Brasil, chama-se CDF o indivíduo inteligente que se dedica muito aos estudos. Usa-se a sigla ou acrônimo "CDF" significando "Cabeça-de-ferro" ou ainda "Crânio-de-Ferro", vulgarmente chamado pelos que não tem essa qualidade de "cu-de-ferro" devido aos extensos períodos que fica sentado estudando.

É comum confundi-los com os nerds. Entretanto, existe uma diferença entre nerds e "CDF"s: enquanto no primeiro grupo encaixam-se os naturalmente interessados em algum assunto cultural (jogos, livros, filmes ...), podendo não ir bem na escola; o segundo costuma referir-se a jovens normais, perfeitamente sociáveis e de aparência convencional, em idade ginasial que nem sempre têm a escola como ponto central de suas vidas, mas despendem um bom tempo aos estudos, resultando em algumas características como obtenção de notas altas, questionamento sobre veracidade da informação passada, mas ainda podem manter-se comunicativos e com boa popularidade entre os colegas e amigos. Os "CDF"'s são nada mais nada menos que jovens que gostam de estudar. Convém lembrar que há nerds que não gostam de estudar, sobretudo assuntos que não despertam interesse.
Wikipédia
Foto de Claude Bloc

A importância do Mapa Astrológico - Por : Stela Siebra Brito

Já lhe aconteceu ao ler os horóscopos comuns de revistas e jornais, não encontrar identificação nenhuma com o que diz respeito a sua maneira de ser? Ou você é do tipo que se contenta em ler que naquele dia “obterá êxito nos negócios e será feliz no amor”?
Saiba que a orientação astrológica ultrapassa essa informação distorcida e superficial. Embora o signo do Sol revele muito sobre a pessoa, só a leitura completa do Mapa do Céu, por um astrólogo, vai indicar quem você é, quais os propósitos que lhe são colocados como missão de vida e como se orientar para atingir o que a sua alma busca e precisa tão urgentemente realizar. O Mapa astrológico direciona a pessoa para um vida mais harmônica, através da compreensão das realidades prática, emocional e espiritual da sua vida.
As 12 Casas indicam o caminho prático, cujo percurso se inaugura com o ASCENDENTE, impulso natural de orientação, simbolizado pelo signo que surgia no horizonte no momento do nascimento. Esse signo ascendente vai dar o horizonte da nossa vida, apresentando nossa forma natural de expressão imediata e espontânea no mundo.
A realidade emocional vai ser sentida através dos 12 Planetas, que indicam os caminhos da emoção, do afeto, poder, transformação, entre outros. O Sol é a consciência. Por isso o signo solar é quem vai dar a forma como dirigimos a vida, como crescemos dentro dela.
O Sol é como você vê a vida e a conduz.
Já o caminho espiritual é indicado pelos sinais que o nortearão, para que você ultrapasse os planos emocionais e saia do sentimentalismo. Essa compreensão se faz através dos 12 Signos do Zodíaco.
A leitura do Mapa do Céu é profunda e exige estudos. Os caminhos apontados pela Astrologia são trilhas que visam revelar a natureza da semente de cada um, seu crescimento e frutificação.
O Mapa do Céu vai situar cada pessoa dentro do eterno movimento do Universo.

Stela Siebra

O maior relógio do mundo com seis mostradores- Por: Ricardo Saraiva


Memorável relógio com 6 mostradores. Uma lástima , se encontrar quebrado.O seu reparo foi é tentado mas tendo em vista o alto custo orçamentário, a Igreja desistiu de repará-lo.


A primeira Igreja de São Francisco, assolada por muitas goteiras, recebeu autorização do bispo Dom Francisco de Assis Pires, através do pároco Pe.António Vieira, em 21.10 1950 para que se fizessem os reparos necessários. na avaliação foi constatada que a sua estrutura básica estava comprometida.Daí demoliram-na para espanto do Sr.Bispo. Os fieis mobilizaram-se e levaram pedras para uma nova construção.Meu pai, Edilson Rocha foi um dos tais.
Para aquisição do material restante, realizaram-se quermesse, contando com a participação valiosa de toda a comunidade. Destaque maior para o Rei do Baião (Luiz Gonzaga) que com a sua música animava a festa. Dentre diversos arrematadores, Dr. Ossian Alencar Araripe entrou com o maior de todos os lances. Mas, todas as doações ficaram registradas em placas metálicas.
A nova igreja foi inaugurada em 04.10.1956, na festa do pai Seráfico São Francisco de Assis.
No episcopado de Dom Vicente de Araújo Matos, aos 11.02.1068 foi elevada à condição de Paróquia de São Francisco de Assis, desvinculando-se territorial e administrativamente das paróquias de Nossa Senhora da Penha e São Vicente Férrer.


Foto retirada da pintura de Lídio Correia. Originalmente tinha sua fachada voltada para a serra do Araripe.
De origem imemorável, segundo a história oral dos nossos antepassados.

Igreja de São Francisco no alto do barro vermelho, hoje Pinto Madeira. Pintura pertencente à Prefeitura Municipal do Crato, colocada no Gabinete do prefeito. Feita por Lídio Correia ( 2007), retratando o Crato em 1925.

Fotos e texto de Ricardo Saraiva

Fausto Guimarães , meu mestre e amigo ! - Por Zélia Moreira

Fiz meu último ano de ginásio e primeiro ano ciéntífico no Colégio Diocesano.
Trago comigo desse tempo as melhores recordações e meus melhores amigos.
Poderia falar de tanta gente querida, mas no momento quero lembrar de um especialmente...
Fausto Guimarães!
Coordenador Pedágogico do Colégio, era também nosso professor de Ciências e Biologia.
Era durão , mas também sabia ser doce e amigo.
Entre tantas coisas coisas vividas naquela época, uma aula de Fausto foi pra mim inesquecível.
Classe de adolescentes em plena efervescência da idade , num dia qualquer, um tema transversal(naquele tempo nem usavamos esse nome )foi objeto de uma aula especial,obviamente, "Educação Sexual". Eu curiosa e atrevida coloquei Fausto num canto de parede, numa saia justa, mas ele com a sabedoria que tinha, tirou de letra com uma metáfora que nunca esqueci :
- Professor o que é um orgasmo?
- É subir uma montanha bem alta,.e chegando lá em cima muito cansado e com muita sede ter um copo de água bem fria para beber..
Fiquei completamente feliz com a resposta. Sabia exatamente o prazer que era ser saciada com um copo de água numa sede extrema.
Por esse e tantos outros momentos ficamos amigos e essa amizade existe até hoje.
Aliás por tabela também fiquei amiga de Rosa Catarina , sua esposa.
É aquela amizade que não precisa de uma proximidade rotineira pra continuar existindo.
Somos amigos, e basta! Não importa o tempo que a gente fique sem se ver.
Cada reencontro é motivo de muitas conversas recheadas de abraços, boas recordações, comidas e gargalhadas.
Ontem recebi de Rosa Catarina um livro de poesias de sua autoria. Aliás Rosa Catarina merece uma homenagem à parte. Ela é sem dúvida uma das mulheres mais incríveis que conheci.
Deixo aqui uns poemas dessa mulher/ amiga pra vocês apreciarem.
Eles estão no livro: Vôo de Volta
Eu fiquei encantada!

AMAR

Amar
É saber que existe
Alguém
Que não é igual
A ninguém

PERGUNTA

Por que
o amor é a mais
complicada
das coisas simples?

EXO

Amor complexo
Amor com nexo
Amor convexo
Amor com sexo

FLUTUAÇÔES DO TECNICISMO

Couraça e japona.
Preponderância do aço.
Conserto e desconserto
No amor fuido e ácido.

PUREZA

Gesto puro.
Forma pura.
Corpo,
alma,
mãos,
olhos,
amor...
É possível total?

ADEUS

Distante, bem distante,
cintilam as estrelas.
Estão longe de mim,
ou estou longe delas?...


Taí, um pouquinho da obra poética de Rosa.
O livro é muito mais...!

Zélia Moreira

A Imprensa Golpista no Brasil e na América Latina - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Pelo menos duas organizações de mídia brasileira se associaram ao instituto do Golpe de Estado: a Globo e a Veja. As outras duas, Folha e Estado, foram um pouco mais comedidas, mas não deixaram de dar uma mãozinha à tese. Alexandre Garcia e Miriam Leitão no Bom Dia Brasil da última segunda feira se tornaram porta vozes dos golpistas de Honduras.

Alguém tem dúvidas que em Honduras houve um Golpe de Estado? Igual aquele que tentou derrubar Hugo Chávez? Alguém desconhece que os militares brasileiros, sob a batuta de lideranças civis, deram um Golpe de Estado em João Goulart e implantaram uma Ditadura de mais de vinte anos? Quem não percebe que conservadores e autoritários vestidos em roupas de democratas apregoam e defende um golpe de Estado? Eles começam deste modo e tentam a hegemonia até que qualquer desculpa é desculpa para um golpe.

Os “democratas” de Veja e Globo que tanta histeria tiveram com um suposto terceiro mandato para Lula, debateram igualmente o terceiro mandato para Uribe na Colômbia? Quando é Hugo Chávez as “raposas em pele de cordeiro” se tornam democratas da meia noite. É a velha prática do Stalinismo e não é incomum tais “democratas” denunciando o regime ditatorial que trucidou vidas. E aí pensamos nesta contradição: se usam as práticas stalinistas qual a razão de denunciar seu regime. É que ao fazê-lo não pretendem negar a ditadura, mas subjetivamente nos ameaçar com ela.

A questão de Honduras é clara. Deram um Golpe de Estado e querem dar sucesso ao golpe com eleições em novembro. Assim fica fácil para os “democratas” defenderem este tipo de democracia: toda vez que alguém nos contrariar vamos lá, damos um golpe de estado e depois prometemos eleições. No Brasil foi deste modo, até que em 1965 acabaram por cassar inclusive os civis que lideraram o golpe (Lacerda e Juscelino) e ficamos sem eleições por muitos anos. Sim tivemos eleições, lembram do “duplipensar” do livro 1984 de George Orwell, eram “eleições” indiretas. O “duplipensar” ou a “duplimensagem” do livro 1984 era a denúncia da prática Stalinista.

Em Honduras estão todos os elementos de um golpe de Estado conforme o consagrado conceito do Dicionário Político de Noberto Bobbio. Como o pensador italiano bem caracterizou o golpe de Estado evoluiu historicamente, mas manteve a sua natureza principal. O traço de união das várias modalidades ao longo de tempo é: “o Golpe de Estado é um ato realizado por órgãos do próprio Estado.” Portanto quando os militares brasileiros tentaram justificar o Golpe como um revolução, estavam aplicando a técnica do “duplipensar” e as famosas passeatas com Deus Pela Liberdade era a encenação para isso (aliás um ex-bispo do Crato ainda padre num tom de brincadeira usava o verbo pelar no lugar de “pela”). As mesmas manifestações a favor dos golpistas em Honduras.

Bobbio responde a duas questões do conceito para caracterizar o que é um Golpe de Estado. Quem o faz? “O soberano, em segundo lugar titulares do poder do Estado e em terceiro funcionários do Estado” (militares). Em Honduras estão o segundo e o terceiro atores. Como se faz? Se faz pela mobilização dos recursos do Estado pois ele é feito por dentro do aparelho de Estado. Prenderam o presidente e sua família enquanto dormiam e os seqüestraram para o exterior.Tomaram os principais recursos modernos: aparelho de comunicações, aeroportos, centrais de telefonia etc. Aí o clássico “infiltração dentro de um setor limitado, mas crítico, do aparelho estatal e na utilização dela para privar o Governo dos demais setores.”

As organizações de comunicação brasileira, sob controle de seis famílias, finalmente mostraram a verdadeira face golpista. Apóiam um golpe clássico e atacam quem denuncia o golpe. Aliás, é um desafio impossível para quem queira demonstrar que estas organizações não estiveram a serviço do Golpe de 1964 e em apoio à Ditadura Militar. Enfim, talvez pela natureza oligárquica, a única instituição brasileira que não evoluiu democraticamente foi a grande mídia nacional.

Só para referência de todos nós: vocês viram alguma note de quem quer que seja ABERT ou outra farsa igual em defesa de alguns órgãos de Imprensa de Honduras que estão sob ataque dos golpistas. Pois tem, dão descargas elétricas nos equipamentos das emissoras que não apóiam os golpistas, provocam ruído nas transmissões entre outras ameaças, inclusive a jornalista.

Enfim: usar Hugo Chávez para defender os golpista é uma bela técnica no “duplipensar”.

ENERGIA + CONSCIÊNCIA = CRIAÇÃO (II)



ENERGIA E CONSCIÊNCIA: AS NOVAS DESCOBERTAS DA CIÊNCIA MODERNA – FÍSICA E METAFÍSICA

Bernardo Melgaço da Silva
O avanço tecnológico na presente era da informatização se apóia sobre uma "sutilização da sensibilidade" física dos instrumentos de captação e medição. Os aparelhos científicos estão cada vez mais sensíveis às formas de energia de velocidades cada vez mais elevadas (os aceleradores de partículas são aqui um exemplo notável). Por outro lado, aos cientistas se coloca a tarefa de corresponder "interpretativamente" a essa sutilização evitando um crescente descompasso e um cumulativo desequilíbrio. Isso implica maior disponibilidade e abertura à intuição.

Certos fenômenos humanos que fazem parte do nosso dia-a-dia são muitas das vezes traduzidos por expressões tais como "vibrações más", "energias negativas" ou "forças ocultas". O uso dessas expressões é visto no meio intelectual como algo não-convencional, uma espécie de linguagem "marginal" ou gíria. No entanto, não percebemos o contéudo que estas palavras expressam. Vejamos o que diz BRENNAN (Mãos de Luz, 1990):

"A proporção que nos permitimos desenvolver novas sensibilidades, principiamos a ver o mundo inteiro de maneira muito diferente. Começamos a prestar mais atenção a aspectos da experiência que antes nos pareciam periféricos. Surprendemo-nos a usar uma nova linguagem para comunicar as novas experiências. Expressões como "vibracões más" ou "a energia ali era grande" estão se tornando comuns. Principiamos a notar e dar mais crédito a experiências como a de encontrar alguém e a de gostar ou desgostar desse alguém, num instante, sem nada saber a seu respeito. Gostamos de suas "vibrações"" (p.39).

Continuando a análise de BRENNAN (Mãos de Luz) temos:

"Todas essas experiências têm realidade nos campos de energia. O nosso velho mundo de sólidos objetos concretos está rodeado e impregnado de um mundo fluido de energia radiante, em constante movimento, em constante mutação, como o oceano"(p.39).

A vibração é um fenômeno de sinalização da vida. Tudo vibra, nada está absolutamente parado. Um cientista chegou afirmar: "quando um elétron vibra todo universo balança". Mas cabe aqui uma pergunta: "vibração" e "frequência" são a mesma coisa? A consciência é também uma forma de energia e, entanto que tal, possui um espectro de "frequências" que pode ser captado de acordo com o grau de sensibilidade do "instrumento" humano. O ser humano é uma criatura capaz de captar formas de energia com um amplo espectro de "frequência", variando desde baixas vibrações, como por exemplo o som, até altíssimas vibrações, como o pensamento e a emoção.

O Ocidente moderno se caracteriza por profunda ignorância a respeito das formas de energia ativas em nível metafísico. Quando não por até mesmo negar-lhes a existência. Quando recentemente se inicia um progressivo reconhecimento de que o pensamento pode, ou deve, ser percebido como forma de energia (e não apenas como um conceito), isso tem conseqüências tremendas. O problema aumenta quando referida a uma sociedade inconsciente de tais fenômenos. Nesse contexto os "nossos pensamentos" podem deixar de ser "nossos": são formas de energia captadas ocasionalmente por nós. Esta situação chegou a ser descrita por Jung através da categoria "inconsciente coletivo".

ÍNDIOS DO BRASIL (III) - AUTOR DESCONHECIDO





Pensamento para o Dia 26/09/2009


“O homem é mortal e o Divino é imortal. No ser humano mortal, há o Espírito Divino imortal. No campo do coração, há uma árvore que realiza os desejos (Kalpatharu). A árvore está cercada por plantas e arbustos espinhosos. Quando eles são retirados, a árvore torna-se visível. Essa árvore que realiza os desejos está no interior de cada pessoa, mas é rodeada pelas más qualidades no homem. Quando essas qualidades forem eliminadas, a árvore celestial será reconhecida. Esse é o exercício espiritual (Sadhana) que cada um deve realizar, não para procurar algo novo, mas para experimentar o que é seu. O cosmo inteiro está dentro de você.”
Sathya Sai Baba

SORROW - by Cesar Augusto

I' ve become an ordinary man
no longer carry pain inside me
I am living in a lovely valley,
but the heights are gone forever.
I will no longer leap into the fire,
afraid to get burned
Sanity now is pleasant and calm
Although there's no happiness
nor true joy,
the awful sorrow that slash the heart is also gone
forever.

Porque hoje é sábado - Por : Rosa Guerrera


Peço perdão ao imortal Vinicius por plagiar a sua célebre frase : “ Porque hoje é sábado”,e dizer que como ele eu também tenho uma série de coisas a escrever nesse meu hoje sábado. E para começar vou aproveitar esse começo de dia para desnudar a minha alma e caminhar completamente liberta plantando flores nos canteiros da minha vida. .Porque hoje é sábado eu vou recolher todas as folhas murchas que representaram saudades e jogar ao vento as cinzas de vulcões extintos , de esperas inúteis , de sentimentos negativos e de crenças que ficaram no vazio de palavras ditas ao acaso. Porque hoje é sábado eu não pretendo deixar que o meu coração revide navalhadas, discórdias ou egoísmo , como se ele ainda fosse uma criança a se intimidar diante os ilusórios contos da carochinha . Porque hoje é sábado eu quero reler Sartre e repetir para mim mesmo que “O inferno são os outros,e que não pretendo mais me queimar em fogueiras inúteis. Porque hoje é sábado eu vou somar todas as décadas de anos que já vivi e conservar dessa minha trajetória apenas verdades que me façam progredir nos degraus que restam da minha existência . Porque hoje é sábado eu vou ouvir bem alto o Chico Buarque de Holanda cantando “ A noite dos mascarados”, e repetir com ele : “ deixa a festa acabar/deixa o barco correr /deixa o dia raiar”. E que acabem as falsas festas, que corram os barcos e que surjam muitos outros dias com novos panoramas para mim . Porque hoje é sábado eu vou ignorar os trambiques que tentaram me presentear , as rasteiras que ousaram me dar , as palavras ensaiadas que julgaram me enganar . E porque hoje esse sábado acrescentou a minha vivência mais sorrisos , mais verdades e mais perdões ,eu vou pedir a Deus que os inconseqüentes que tentam burlar as suas Leis finquem suas conquistas através de seus próprios valores ,para que a neutralidade não adorne `suas imagens , e eles não tropecem um dia nas suas próprias sombras .

rosa guerrera
foto de Claude Bloc

Minha amiga Rosineide , aos 15 anos... - Por Socorro Moreira


Pouca gente permanece linda com o passar do tempo. Rosineide não perdeu a beleza dos traços, nem o viço juvenil. A alma ficou mais bela, e a gente gosta muito dela. (Socorro Moreira)


*Carlos Eduardo Esmeraldo disse...
Entre tantos sobrinhas e sobrinhos, de uma delas sou quase contemporâneo e tenho por ela um carinho todo especial, de um quase irmão mais velho: Rosineide, a primeira sobrinha e primeira neta dos meus pais. Eu me lembro claramente do dia em que ela nasceu. Foi numa casa da Av. Duque de Caxias, cuja frente dá para aquela rua da Praça da Sé que vai até o Parque de Exposição. Na época, eu tinha apenas quatro anos e, me contaram a história da cegonha que vinha trazer a criança e, eu acreditei. Fiquei horas e horas no quintal da casa, de cara para cima esperando a cegonha.... Ao ouvir o choro de Rosineide no quarto onde estava a minha irmã, justificaram que acegonha não havia voado, mas viera pela porta da rua. Fiquei revoltado com o tempo perdido. Posteriormente, em conversas com outros meninos mais velhos, eles me explicaram tudo.
Na nossa adolescência, era Rosineide quem agenciava meus namoros. Evitava assim receber um tremendo fora, como ocorreu com Magali, a única que me deu um sonoro não, via Rosineide. Cinco anos depois, sem Rosineide por perto, enchi-me de coragem e resolvemos a situação. Já estamos casados há quase 37 anos que somados aos quatro de namoro e noivado, dá uma vida.
O meu abraço todo especial para Rosineide.
Carlos

Clarão forte na escuridão do sítio Barreiros- Por: LuizCarlos S.Gomes

Terminado o jantar a família se reuniu como fazia todas as noites para conversar no alpendre da casa. Conversa pouca porque no sitio acorda-se geralmente às quatro horas para ordenha das vacas, deixar o gado no pasto, tomar um café magro e seguir para roça e encarar o cansativo trabalho de todos os dias.

Enquanto todos foram se deitar dona Francisca, entretanto, foi lavar a louça do jantar à luz de uma lamparina.

Sua casa fica quase à margem da estrada vicinal no Sítio Barreiros (Sousa-Pb).

Um carro chegar à noite, em qualquer sitio, chama logo a atenção dos moradores por ser um fato pouco comum. Logo ficam a imaginar que alguém pode estar doente.

Foi justamente isso que imaginou dona Francisca quando percebeu um clarão forte que “se parecia com faróis de carro” se aproximando de sua casa. Mas refeita, logo percebeu que mesmo morando perto da estrada jamais qualquer carro pudesse focar assim diretamente na lateral leste de sua casa que ficava dentro de uma roça de plantações.

Espiou pela fresta da janela e se assustou com o que viu. Quase rente ao chão “uma luz muito forte de cor prateada e formato idêntico a um ovo gigante se dirigia na direção de sua casa”. “Se não mudasse a direção com certeza ia se chocar contra a parede lateral”.

Assustada chamou Mauricio, seu marido, caboclo habituado com os mistérios da noite rural. “Santo Deus que assombração será essa?” exclamou mexendo com seu sistema nervoso e seus medos naturais.

À medida que a luz se aproximava da casa, agora já mudava um pouco a rota para o norte tranqüilizando mais dona Francisca e Maurício, mas sabiam que se chocaria com a cerca de varas no quintal. E foi exatamente isso que aconteceu. Eles ouviram o barulho de varas sendo quebradas...

Os filhos de dona Francisca e vizinhos que àquela hora vinham da bodega se apavoraram com aquela luz, pois “dava para ver uma agulha no caminho tão forte era o claro”.

Depois que a luz foi se afastando eles passaram a observá-la pelas frestas da porta da cozinha, “mas continuava muita baixa e o claro era tão forte que a gente via toda a mata.

“Quando a luz já havia se afastado muito, saímos e ficamos no quintal observando”. “Lá adiante ouvimos o barulho de uma explosão muito forte, quando a luz se apagou e não voltou a se acender novamente”.

No dia seguinte dona Francisca e Maurício percebeu que além da cerca de varas quebradas, metade da copa de um pé de pereiro que fica ao lado desta, estava seca como se estivesse passado fogo sobre ela. E mesmo com o passar dos anos nunca voltou a criar folhagem na parte atingida.

Nos sítios adjacentes os moradores deram notícia do avistamento dessa luz muito forte e da explosão. Todavia não se tem notícia que alguém tenha se interessado em ir à busca de possíveis destroços.

No sitio os fatos por mais incomuns que sejam não despertam interesse aos moradores. E ficam até desconfiados de comentar assunto assim em outro ambiente e com pessoas desconhecidas temendo serem considerados mentirosos.

Como tenho familiares nessa região e eles sabiam que há muito tempo me interesso por “essas luzes” contaram-me em detalhes para que eu explicasse a eles do que se tratava.

Nem adiantava contar tudo o que imagino saber sobre o assunto, pois podiam interpretar de outra forma e ficarem assustados.


Luiz Carlos S Gomes

* Luiz é um amigo, futuro colaborador do Cariricaturas.

Mulher em silêncio - Por Claude Bloc


Algo não andava certo. Eu, sentada sobre a cama olhava para a janela e para a persiana fechada. Fechada como eu. Fechada em mim mesma e sobre mim. O silêncio fazia-me sentir o sangue latejar nas têmporas. Pulsava descompassado e inquietante.

A janela trazia-me o barulho da rua. Mas eu me oferecia ao silêncio Eu me habituara a essas noites silenciosas. Às noites sem fim. Sentia-me, pois, tão linear quanto o traço com que havia construído com minha vida. Tivera, sim, altos e baixos, mas agora tudo parecia liso e macio como essas madrugadas insones. Pelo menos como esta noite!

Andei pelo quarto descalça. Olhei para a noite opaca lá fora e pus-me a engolir as nuvens com pensamentos desvairados. Não havia estrelas. O vento estava mudo e parado. Não havia o que ver, mas eu estava agitada.

Desviei-me da janela. Olhei de volta para aquelas fotografias sobre a cama e percebi que nunca saíra de dentro do meu confinamento. As viagens que fiz talvez tivessem sido um erro. Parecia-me ter sempre saído de casa ficando presa aos fantasmas. Aqueles que se constituíam em perspectivas apenas do meu olhar interior. O olhar que resistia. Aquele que me segurava. Aquele que me fazia resistir ao medo. Aos meus medos. E eram tantos os meus medos! Tantos que tentei pintá-los todos em azul e branco numa tela como aquela que eu achava ser minha vida.

E em meus medos estava um olhar como aquele que nunca quis demonstrar para não parecer fragilizada aos olhos dos outros. Ao contato que eu temia. Por medo de envolver-me. Haveria, pois, de renunciar ao azul e branco de minha tela por medo de já não ser ou de nunca ter sido. De não poder ser o ser que eu sou. Apenas uma mulher em silêncio!

Texto e foto por Claude Bloc

Esqueçam o vatapá cearense por um dia, e provem o verdadeiro vatapá : o baiano! ( O nosso ? ...É creme de galinha!)

Vatapá tradicional

Ingredientes

* 250gr de camarões secos
* 50gr de gengibre ralado
* 200gr de castanhas de caju torradas
* 200gr de amendoins torrados, sem casca
* 10 pães de sal sem casca

* 8 xícaras (chá) de água
* 1kg de peixe de boa qualidade ou 300 g bacalhau aferventado
* 4 colheres (sopa) de suco de limão
* Sal à gosto
* 1 xícara (chá) de azeite de dendê
* 3 cebolas picadinhas
* 5 dentes de alho amassados
* Pimenta dedo de moça à gosto ( opcional )
* 2 xícaras (chá) de coentro
* 2 garrafas pequenas de leite de coco

Modo de preparo

* Retire as barbas e a casca dos camarões
* Reserve.


* Passe pelo liquidificador, ,o gengibre, a castanha de caju, o amendoim e também o camarão seco.


* Reserve.


* Coloque as fatias de pão de molho nas 8 xícaras de água.
* Reserve.
* Tempere o peixe com suco de limão e sal à gosto.
* Reserve.
* Aqueça 1/4 xícara de chá de azeite de dendê numa panela grande e refogue a cebola, o alho e a pimenta dedo de moça até começar a dourar.
* Acrescente, o coentro e o peixe temperado e reservado.
* Junte 2 xícaras de chá de água e cozinhe com a panela tampada, mexendo de vez em quando até os temperos ficarem macios e o peixe cozido.
* Elimine com cuidado todas as espinhas do peixe.
* Passe aos poucos pelo liquidificador, , o peixe, os temperos da panela com o caldo formado e o pão .
* Coloque novamente na panela.
* Acrescente a mistura de camarão moído e mexa, sem parar, em fogo lento por uns 50 minutos, acrescentando água se necessário (até o creme ficar brilhante e o pão bem cozido).
* Junte o restante do azeite de dendê e acrescente o leite de coco.
* Misture bem e cozinhe por mais uns 10 minutos.

Esse é o que eu faço

É mais prático e menos calórico.Não uso gengibre, nem castanha, nem amendoim. E todo mundo gosta.



Ingredientes:

- !0 pães de sal de dois ou três dias.

- 2 gfas de leite de coco

- 200 g de camarão seco

- ½ kg de peixe de boa qualidade ou 200 g de bacalhau

- 1 xícara de coentro picado

- 3 cebolas raladas ou passadas no liquidificador

- 1 xícara de azeite de dendê ( a flor do dendê )

Modo de fazer:

Cortar em pedacinhos os pães e colocar pra inchar com água filtrada . Amassar bem com um machucador de feijão.

Temperar o peixe com alho e sal e cozinhar com a cebola e o coentro.

Se for bacalhau, não precisa por sal.

Liquidificar os camarões sem a cabeça e o rabo.

Misturar tudo, levar ao fogo e mexer, sem parar, em fogo lento até soltar do fundo da panela.

*Receitas solicitadas e enviadas pela nossa amiga Corujinha Baiana. Pelos ingredientes e métodos, eu boto a mão no fogo, sem medo!
( Socorro Moreira)

TRANSVERSAL DO TEMPO - ALÉM DE MIM E DE TI

"(...) Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente?... "
"Tento recordar teu rosto, nome. Curioso, como às vezes nos escapam os traços da pessoa amada. Situo-te num passado já distante. Não te imagino num presente.De ti resta-me o que foste comigo.E foste - me ternura e descoberta do meu corpo, de minhas mãos até então inábeis que ensinaste a acariciar teus cabelos, a sentir teu corpo; e ainda descoberta de que a minha voz tinha um sentido para além de sons mais ou menos indistintos e vagos."

"Ciúme: Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo medo que a pessoa amada prefira um outro."

"Na distância imprecisa, meu amor, ignoramos de nós sequer a latitude. Contudo, provavelmente o mesmo sol cobre nossos corpos ávidos de luz e de acontecer, os mesmo rostos (ou serão outros?) da mesma gente envolvem nossos passos, os mesmos ruídos, o mesmo bombardear de fatos e de idéias, a mesma música flutua em nossos cabelos, o mesmo vento nos impele na busca de horizontes claros e do mar, cheiro de algas penetrante, doçura do pôr do sol e das tempestades na barra."

"Como serás tu que imagino mais do que recordo – a memória traz consigo também o esquecimento, continuando embora memória de gestos repetidos – com quem te encontras, como pensas, que brisas novas suavizarão teu sangue inquieto.Na distância imprecisa que o tempo traz recordo vagamente teu rosto rude e já marcado, a ternura inconsistente e macia da areia deslizando em nossas mãos."

"Encontro fugidio e breve foi o nosso. Belo também da beleza que permanece na memória para além dos dias. Algures tu és, aqui eu sou.Porque imprecisa, a distância se resolve na certeza vaga de existirmos num como e num onde. Tanto basta. [pergunta ou afirmação?] Não há passos que nos aproximem no impreciso e no vago. O nosso reencontro está só na certeza vaga de existirmos com outros, sob o mesmo sol. Melhor assim."

"Impuro e desfigurante é o olhar da vontade. Só quando nada cobiçamos, só quando o nosso olhar nada mais é senão pura observação, é que a alma das coisas, a sua beleza, se nos revela."

"De amor não falemos. De que serviria dar nome ao que encerra somente o equívoco? Somos e não somos sós. E depois ser só não é ser só. Não estamos sós. Temo-nos um ao outro na distância e na ausência, que são só acidentes e nada de essencial atingem. Temo-nos no que ficou do fugidio encontro, na ternura renovada que nos inventamos ou recriamos. Ou na lembrança."


Fonte: Roland Barthes -Fragmentos do Discurso Amoroso (Paris 1980)