Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 31 de outubro de 2010

O Discurso de Dilma e o Futuro do Crato - José do Vale Pinheiro Feitosa

Soberba e contorcionismo nunca fizeram bem no comentário de resultados eleitorais. Isso posto que só existem duas possibilidades: vitória ou derrota. Os vitoriosos fazem a festa, como acontece agora mesmo em Fortaleza e os derrotados silenciam. Alguém escreveu num dos blogs da região do Cariri que o Crato estava parado neste dia. Não havia nada vibrante pelo menos no curso da votação.

Uma boa explicação é a presença de Samuel Araripe, prefeito do Crato e do PSDB. Podendo tornar evidente a campanha de Serra, como aquela festa que amoleceu o coração dos assessores da prefeitura no lançamento no Tênis Clube. Foram fotos que contarão a história deste momento tumular da cidade. Ela parece acabrunhada, nada muda, tudo é igual, é o lento sonambulismo histórico.

Alguém acordará o Crato deste sonho que não cessa? Parece que na cidade, em termos políticos, não há nada que não venha da década de 50 do século passado. A prefeitura é o altar desta grande dormência. Que apenas perderá o efeito adormecido quando o quadro político da cidade mudar. E mudar igual Zé Flávio brinca com o PTB de Nova Olinda: os partidos populares realmente se organizarem e aprenderam a lição do novo tempo.

Agora mesmo é possível que alguém tente recordar a quantidade de votos que a Dilma não teve. Óbvio que os votos em Serra para tentar emparedar os sonhos dos vitoriosos. O melhor modo é comparar os dois turnos, uma vez que esta é a verdadeira história destas eleições. Em primeiro lugar, como se tornou quase uma regra, a abstenção é maior no segundo turno: foram menos 4,5 milhões de votos.

O outro fato é que os eleitores tomaram partido, se mobilizaram mais e deixaram para lá os votos em brancos e nulos: foram menos 2,4 milhões de votos num universo que representava no primeiro turno 9,5 milhões. Portanto foi um segundo turno mais politizado e com mais opções por um dos candidatos. O candidato Serra ganhou 10,2 milhões de votos em relação ao primeiro turno, mas partiu de um patamar mais baixo quando comparado a Alckmin nas eleições de 2006. E Dilma, que já estava num nível elevado de votos, recebeu mais 8,0 milhões de votos.

Portanto os vitoriosos devem se alegrar e apostar no seu projeto de governo que foi traduzido muito bem pela candidata. A própria eleição dela, uma mulher, já é uma firme resposta do eleitorado ao discurso machista e conservador do candidato desde o primeiro turno. Quem soube interpretar o primeiro discurso da candidata há de observar uma grande coisa: os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social estão no mesmo patamar do direito de opinião e expressão. Para bom entendedor está dito: a opinião e a expressão não destruirá os outros direitos.

Um dos vícios dos pais modernos é criar Mauricinhos que se derretem numa ingenuidade açucarada ou numa prepotência de Pitboy. É lavada besteira imaginar que ferir a liberdade de idéia e expressão é se contrapor a quem as tens. Aí mesmo é que se encontra a tal liberdade. O Crato só vive esta pasmaceira por que ninguém pode criticar nada que um ódio contra qualquer um se levantará uma vez se diga que exista um simples buraco de rua. Isso quem vive lendo aqui sente o tempo todo.

Então que use seu ódio, mas vou não posso esquecer o buraco. Todo mundo sabe que a base da crítica da campanha do PSDB contra Dilma nasceu naquele documento sobre direitos humanos a partir do qual criaram as questões do aborto e do casamento gay: A candidata zelará pela irrestrita liberdade de imprensa, pela mais ampla liberdade religiosa e de culto e aí o complemento necessário: pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

A outra farsa é querer elogiar a candidata agora já criando as garras com que irá se contrapor a ela. É claro que ela governará para todos. Que a oposição é uma escola de melhoria de governo, que inclusive se o Crato tiver funcionando bem deve fazer muito bem à cidade, mas não parece.

O discurso da presidenta eleita é bem diferente daquele de Lula nas suas duas eleições. O mundo passa por uma crise financeira e agora os especuladores já estão no seu devido lugar e ela qualifica muito bem isso quando diz: a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas.

Afirma a questão do uso das riquezas nacionais para o desenvolvimento dos brasileiros, mas de uma forma clara e dizendo claramente qual o método. O método da partilha que efetivamente separa capital, estado e define o destino da riqueza para o desenvolvimento das bases sociais: educação, saúde, segurança e desenvolvimento da renda dos brasileiros. Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Ao terminar sua manifestação, a presidenta Eleita, como a consolidar as posições do seu projeto eleitoral, seja pela seu agradecimento pessoal e, principalmente pela força política nele identifica o lócus desta força e ela é Lula. Os arautos da oposição não podem jogar pedras no presidente sem atingir, simultaneamente, a presidenta eleita.

Na minha opinião o Crato mudará muito nas próximas eleições. O Ceará já mudou muito nestas. Agora o espaço político está arejado e aquela preguiça que a pessoa identificou no dia de hoje é apenas o silêncio que anuncia que daqui para frente tudo vai ser diferente. E não apenas pela vitória da candidata, mas principalmente pela derrota daqueles que controlavam o passado.
Estamos felizes com a vitória de Dilma !

A Grandeza de Dilma no Discurso de Eleita - Por: Dihelson Mendonça


Em seu primeiro discurso como Presidente do Brasil, Dilma Rousseff ousou, e teve a grandeza que muitos fanáticos do PT não aprovariam: A de respeitar as diferenças de opinião partidária. Disse com todas as letras, que estende a mão agora a todos aqueles que não votaram nela no primeiro e no segundo turno, e que é, a partir de agora, presidente de todos os Brasileiros, independente de religiões, raças, e convicções políticas. Disse ainda que pretende honrar TODOS os compromissos de campanha ( que são muitos ), e sobretudo, erradicar a miséria do Brasil. Da nossa parte, esperamos que Dilma Rousseff possa cumprir aquilo que prometeu ao país, pois hoje o Brasil é um país dividido e quase METADE da população não votou nela, nem acreditou em suas propostas. É nossa esperança que a Dilma possa valorizar o cargo que irá ocupar, e os compromissos que assumiu perante a nação brasileira.

A segurança com que falou no discurso inicial, não dá margem a revanchismos arcaicos, nem às infelizes perseguições que alguns têm nutrido pela oposição nos últimos tempos no Brasil. Pelo contrário, Dilma enalteceu o papel da IMPRENSA, da denúncia que serve de alerta, da Liberdade de Opinião e da pluralidade de pensamentos.

À Dilma Rousseff, desejamos toda a boa sorte nesta empreitada. Que o Brasil possa se desenvolver, sobretudo, com responsabilidade e garantindo a sustentabilidade, perante as nações, e que seu governo seja implacável contra a corrupção, que como um câncer, se alastrou pelos bastidores do poder na era Lula, com ou sem a sua conivência.

De certo modo, a chegada de Dilma Rousseff ao poder, representa o fim da era Lula, do eterno culto à personalidade, da megalomania de um homem que entrou humilde no palácio, resvalando até no Nobel da Paz, mas sucumbiu, beijando os sapatos de sanguinários ditadores da América latina. O fim do fanatismo ao "apedeuta" e as estultícies declaradas ao pé de balcão de bar, representa uma nova era que há de ser erguida de diferentes maneiras, trazida pelas mãos de uma mulher forte, que fala com grande determinação. Enquanto o Lula, revanchista e anti-democratico por natureza, pregava o desejo de ERRADICAR a oposição do Brasil, Dilma Rousseff, de forma inteligente, estende-lhes a mão e raciocina num governo de conciliação nacional. Sabe que o Brasil de hoje, é um país dividido, com mais de 50 milhões de cabeças que não a aprovaram à presidência da república. E assim, tem na sua vitória e sobretudo no primeiro discurso, um caráter muito mais democrático e firme do que foi o discurso do Lula, fazendo-nos crer que já raia de forma ainda tímida, porém esperançosa, a liberdade no horizonte do Brasil.

Dihelson Mendonça

Onde você estava nestas eleições? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sabemos que uma tática do embate político é caricaturar o adversário. Dar-lhe nomes que podem pegar como um apelido. Enfim derrotar a imagem pública dele. Nestas eleições foi usada pelos dois lados e se propagou no novo meio que é a internet.

Um meio diferente, muito mais capilar e que funciona, por vezes, como um eco que repete uma voz muitas vezes. É território pantanoso, das manifestações mais belas e do mais abjeto do obscurantismo do pensamento humano. E será até o ponto em que as próprias manifestações se tornem banais e todos saibam, de pronto, a cantiga do trololó.

Ontem pelo meio da noite recebi uma “mensagem”, que se originara de outra multiplicada e aquela fora enviada para um mealing de mil pessoas. Eu soube, pois é de um amigo jornalista. Qual o teor?

Ele como eleitor do Serra vibrava com o apoio da Marina ao candidato na última hora e trazia um link para uma página da ex-candidata. De cara estranhei, a Marina já havia anunciado sua posição, tinha se manifestado contra a campanha de Serra de envolvê-la de modo farsante. Então abri o link e estava lá uma matéria que fazia parte da enganação engenhosa e que maculou a credibilidade do meu amigo.

A página era a da Marina. Só que o link remetia para uma postagem de agosto de 2010, ainda no primeiro turno. Na essência ela dizia que não reconhecia a Dilma como eleita, que a conhecia pelos papéis que tivera no governo. Era a posição de quem disputava e acreditava na disputa, jamais iria reconhecer que a fatura já estaria pronta no primeiro turno.

Ora, imediatamente procurei a página da Marina e lá deveria encontrar o que ela dizia. Ao abrir as postagens dos últimos dias não falavam disso. Imediatamente denunciei o fato ao amigo que teve de repassar para o seu imenso mealing o desmentido.

A lição que tomei disso é que do mesmo modo que desconfio da manipulação em certos assuntos da mídia, agora mais do que nunca temos de ter o mesmo em relação ao universo da internet, de qualquer natureza: site, blogs, redes sociais e e-mails. Quantos não já receberam textos de autores famosos que não são deles, apenas alguém se achando um gênio esquecido, faz um besteirol e manda adiante com o nome do Veríssimo, do Jabor, Quitana e etc.

Aliás a maior manipulação foi de um poema de Mayakovisk que a extrema-direita inverteu, no seu acordar das sombras com a era Bush, inclusive por aqui, andou espalhando na internet. Aliás, eis uma má notícia. A extrema-direita soube se aproveitar do pântano geral da rede.

Dizem que a campanha de Serra contratou um Indiano cuja natureza dele é criar uma trama de divulgação de fatos, que envolve amigos nossos (assim como fazem os ladrões de senha) que nos repassam, que usam de táticas pervertidas de deturpação de imagens, de invencionices de fatos, dentro de uma malha ampla de manipulações.

Isso mexeu com muita a prática da oposição na atual campanha. Em São Paulo havia uma rede imensa para espalhar estes spams. O mais clássico foi que mal acabara de receber um texto indignado contra o PT e Dilma dizendo que um site petista estaria estimulando a guerra contra a igreja, a matéria já aparecia dentro de um grupo imenso de pessoas. A história envolvia eleitores do PSDB do estado como repassadores e tinha uma articulação no twitter da Soninha que é era um dos braços da campanha.

No meio da tarde o esquema tinha se desmascarado e Soninha, após ter ampliado o assunto até não mais vê, fez tipo de fui enganada pela rede. Acho que teve muita gente enganada, mas muitos foram adiante mesmo sabendo que era assunto fajuto. Tudo pela vitória, pensavam. E ainda se acham no direito de dar lições de moralidade e ética.
Átimos
-Claude Bloc -


Sou preceito
Sem preconceito
Ruge o tempo
Urgem as horas.

Sou conceito
E me deleito
Com esses pequenos atos
Átimos dos meus ensejos.

Claude Bloc



Por João Nicodemos


etnólogo

estuda a origem,
o sentido profundo
das palavras...


e fala
sozinho...

Por João Nicodemos


com velas acesas
ao som do dia
iluminando rabiscos
de estrelas cadentes...

seguir semeando
corações e mentes...

Pensamento Para o Último Dia do Mês, 31/10/10. Por Liduina Belchior.

Visite sua alma hoje na calada da noite, antes de sonhar,
e verá que terá toda Paz, Iluminação, Sabedoria , Inspiração,
e tudo que ela necessita.

Relembrando os antigos salões de Outubro - anos 70 /80- Por Socorro Moreira


( Por José Normando Rodrigues )

Entre o seleto público , vislumbrei um rosto conhecido, e um tanto silencioso : o de Salatiel Alencar.
Quem sabe feliz, ou saudoso ? Assim como eu ...
Nossa geração dispersa e amadurecida , parecia ter abandonado o pincel, e engavetado seus processos criativos.
Admirei a garra da nossa cratense Edilma, claro !

Senti falta, e saudades de personagens antigos, que faziam o clima festivo dos antigos salões : Lupeu, Leonel, Geraldo, Normando, Nicodemos, João do Crato, Blandino, Bola, Estênio Diniz, Socorro Cidrim, Lorena Tavares, Joaquina Carlos, a galera de Mauriti, Carlos Rafael,Calazans,  Abidoral, Pachelly,Emerson, Dedê, Zada, Helen, Edelson, Serginho, Alemberg, Alda, Kaika, Valeria Peixoto, Salatiel, Rosemberg , Ana Rosa, Vera Lúcia Maia,e outros, e outros, enfim !
Na realidade os antigos salões caracterizavam-se por uma grande feira de todas as artes. De certa forma essa lacuna foi preenchida pela semana das artes  produzida pelo Sesc Cariri, no mês de Novembro.
Algo ainda poderá ser resgatado. Maior aproximação entre  os artistas e os amantes das artes. Papos, trocas de impressões, construção de sonhos.
Ontem, no seu pronunciamento Daniele Esmeraldo comentou : "Já pensou se no Crato existissem muitas Edilmas ?
E o George Macário enfatizou: "Fazer arte é um caminho de fusão com o nosso eu Divino".
Que venha o Museu de Arte Moderna , que todos os filhos pródigos , em talento, retornem ao pincel, e ocupem seus lugares devidos, inclusive aqueles que estão perpetuados em nossa memória , como é o caso de Normando e Karimai, entre outros..

Domingo atípico - por Socorro Moreira



Domingo é dia de carros na garagem
de picolé na praça
de almoço com a família
de banhos na Nascente
de visitar um amigo
ou dia de não fazer nada.
Hoje por motivos óbvios
todo mundo largou seu programa domingueiro
e foi às urnas.
Não senti  vivos de vitória ...
Ou o Crato é Serra,
Ou o cratense  não tem paixão política.
Bianca foi taxativa :
Votei em Dilma , e ela já ganhou !
Parece que a inocência  infantil
é mais decidida , e só espera o melhor !
A sorte está lançada !
Esse tempo  de conflitos , promessas,
soluções na ponta da língua ,
é finito !
Teremos sim, um novo Presidente
Com a cara da gente
Humano como a gente,
e sem tempo de nos conhecer profundamente.
Independente dos resultados,
( que me parecem claros)
eu espero sensibilidade e inteligência
nesta nova administração brasileira.
Vamos vigiar e cobrar
Aplaudir  e contribuir,
naquilo que nos é de direito,
e envolve ações de cidadania.

Dia 31 de Outubro


(Autor: Argento - Waldyr Argento Jr)

Parecia uma festa normal, a não ser, é claro, pelas fantasias oriundas do império americano. Entra ano e sai ano e nós brasileiros nos rendemos mais à cultura do capitalismo selvagem.

Antes que digam que sou um comunista ou socialista, vou logo esclarecendo: sou meio humanista. Tudo bem, vocês podem me dizer que eu estou errado, e daí? É assim que penso!

Mas, vamos ao que realmente é motivo dessa “croniqueta”. O povo todo vestido de bruxa, de caveira, fantasia de abóbora era uma perfeita festa de halloween... Exceto é claro pelo país, tupiniquim! Todos, todos sem exceção se divertiam, afinal era uma festa, né?
E festa é conosco mesmo!!! Já viste povo mais animado que o nosso? Eu não!!!

E lá pelas tantas da celebração às bruxas, aparece um indivíduo diferente... Não, não era uma das bruxas de Eastwood, e nem o Harry Porter, muito menos o Senhor dos Anéis... Era um negrinho franzino e que mancava, pois só tinha uma das pernas... Todos pensavam se tratar de um disfarce... Mas o cachimbo que exalava um cheiro tradicional e as evidências mostravam que era um ser diferente. Talvez oriundo das histórias em quadrinhos, ou mais precisamente um dos personagens do mestre Lobato... E o dito cujo riu para o pessoal, soltou uma baforada e indagou:

- Eta festa boa essa molecada!!! Quanta animação pessoal!!! Posso saber o que vocês estão comemorando???

Um dos convidados mais exaltado resolveu retrucar o menino:

- Que fantasia maneira, neguinho!!! Cadê a sua outra perna... – E riu do moleque, pensando se tratar de um truque de imagem, de espelhos...
Ah, sei lá!!!

O vulgo pretinho sorriu e deu mais uma baforada no seu cachimbo:

- Uai, isso é festa das boas, mas não consigo entender de quê? E quanto a truques... Eu sou mesmo assim!!! Se falta a outra perna, sobra coragem!!!

- Amigos... Bonita essa brincadeira, né??? Mas alguém pode me informar o quê está acontecendo? – indagou um dos participantes, curioso.

- Sabemos não, amigo!!! Acho que deve ser coisa do pai de vocês!!! – retrucou outro participante do evento.

- Que pai doces, o quê!!! Eu vi essa animação toda e resolvi participar!!! Afinal, uma festa cheia de indivíduos estranhos como eu e de bruxas!!! Que festa é essa??? – indagou o pretinho.

- É Halloween!!!

- O quê? É Haroldo ruim, é? Bem que me disseram que o menino não era flor que se cheire!!! Esse tal de Haroldo, hein?

- Ô seu neguinho manco!!! Vai embora, vai!!! Não vê que Halloween é a festa das bruxas??? E o Haroldo é o filho do dono dessa mansão e que financiou essa festinha!!!

- Das bruxas??? Interessante, né? Se é festa das bruxas por que não convidaram a Cuca?

- Quê Cuca o quê, moleque!!! Tu tá é lelé da cuca!!!

- A Cuca, oras!!! A bruxa mais conhecida do Brasil!!! Acho que ela vai ficar sentida com essa falta de consideração!!!

Nisso, do nada aparece a feiosa em carne e osso. E com o seu rabão de jacaré!!!
- Saci??? Tu me chamaste moleque???

- Aiiiii!!! Não falei!!! Mexeram com a dita cuja!!! Agora ocês que agüentem a sua fúria!!!

Nisso, todos convidados começam a desconfiar dos dois personagens. Primeiro procuram em vão a outra perna do Saci. E se desesperam com o fato do moleque ir, vir e às vezes sumir sem deixar vestígios. Ao tentarem encarar a bruxa Cuca, alguns recebem um pouco da sua ira em raios elétricos de baixa intensidade... Outros chegam a se ferir um pouco testando os seus dentes. E alguns mais desavisados tomam uma pequena lambada dela. Sabe-se Deus quando irão despertar. Mas o fato é que quando se apercebem que se trata do Saci e da Cuca de verdade, os meninos vestidos de bruxa e de amigos do TIO SAM, fogem desesperados do local.

Aos risos, o Saci indaga à Cuca:

- Viu amiga, o que dá mexer com nós??? Saíram todos correndo pras suas casinhas, né???

- Isso aí, Saci amigo!!!

- É, Cuca!!! E óia que eles nem conheceram o Curumim, o Boitatá e nem a Mula sem cabeça!!!

- É, eta povinho fraco esse, né???

(fonte: http://www.sosaci.org/euvium.htm)

ORIGEM DA PALAVRA HALOWEEN

A palavra Halloween tem origem na religião católica. É uma contração da expressão "Ali Halliows Eve", no inglês atual, "All Hallows Eve", que significa "Véspera do Dia de Todos os Santos".

O Halloween, conhecido no Brasil como Dia das Bruxas, é comemorado na noite de 31 de outubro. No aspecto religioso, essa ocasião é conhecida como a vigília da Festa de Todos os Santos, dia 1º de novembro. Estudiosos de folclore acreditam que os costumes populares do Halloween exibem traços do Festival da Colheita, realizado pelos romanos em honra à Pamona (deusa das frutas), e também do Festival Druída de Samhain (Senhor da Morte e Príncipe das Trevas).

De acordo com a crença, Samhain reunia as almas dos que tinham morrido durante o ano para levá-los ao céu dos druídas, nesse exato dia. Para os druídas, Samhain era o fim do verão e o Festival dos Mortos. O dia 31 de outubro marca também o término do ano céltico.

Período Pré-Cristão

Acreditava-se que os espíritos dos mortos voltavam para visitar seus parentes à procura de calor e provisões, pois o inverno aproximava-se e, junto a ele, o reinado do Príncipe das Trevas. Os Druídas invocavam forças sobrenaturais para acalmar os espíritos maus.

Estes raptavam crianças, destruíam plantações e matavam os animais das fazendas. Acendiam-se fogueiras nos topos das colinas nas noites de Samhain. As fogueiras talvez fossem acesas para guiar os espíritos às casas dos seus parentes ou para matarem ou espantarem as bruxas. A inclusão de feiticeiras, fadas e duendes nesses rituais originou-se da crença pagã de que, na véspera do Dia de Todos os Santos, havia uma grande quantidade de espíritos de mortos que levavam avante uma oposição aos ritos da igreja de Roma, e que vinham ridicularizar a celebração de Todos os Santos, com festas e folias próprias deles mesmos. Supunha-se que fantasmas " frustrados" pregavam peças nos humanos e causavam acontecimentos sobrenaturais.

Período Cristão

Com o passar dos tempos, a comemoração do Halloween tornou-se alegre e divertida, sem todos aqueles vestígios sombrios e tenebrosos da tradição céltica, tornando-se mais conhecida na América após a emigração escocesa, em 1840. Alguns dos costumes trazidos pelos colonos foram mantidos, mas outros foram mudados, a fim de que houvesse adaptação às novas maneiras de viver.

Como exemplo, temos as Jack-O-Lanterns que, feitas com nabos primitivamente, passaram a ser feitas com abóboras. Essas Jack-O-Lanterns são um dos símbolos mais conhecidos do Halloween e têm sua origem entre os irlandeses.

Jack-O-Lantern

Conta a lenda que um homem chamado Jack não conseguiu entrar no céu porque era muito avarento, e foi expulso do inferno porque costumava pregar peças no diabo. Foi, então, condenado a vagar eternamente pela terra carregando uma lanterna para iluminar seu caminho.

"Trick or Treat" (Travessuras ou Gostosuras)

A fórmula Trick or Treat também se originou da Irlanda, onde as crianças iam de casa em casa pedindo provisões para as comemorações do Halloween, em nome da deusa irlandesa Muck Olla. As crianças inglesas continuaram esta tradição, vestidas com roupas extravagantes, pedindo doces e balas.

Hoje em dia, principalmente nos EUA, o Halloween é lembrado com muitas festas e alegria. Nessas festas, as pessoas usam máscaras e se vestem como fantasmas, bruxas, Conde Drácula, Frankstein, ou da maneira que achar mais engraçado ou horripilante. As crianças saem às ruas fantasiadas, batendo de porta em porta, pedindo doces e dizendo: "Trick or Treat". Quem não as atende pode ter uma desagradável surpresa, pois elas podem lhe pregar alguma peça.

Pesquisa: www.yellowallet.com.br/diadasbruxas.htm

Webdesigner: Lika Dutra

Fotos do Acervo de Samuel Gregório - VI Salão de Outubro

Edilma entre Claude e Samuk
Salatiel e Samuk

Drummond nunca é demais. Ele é demais !


A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade


AUSÊNCIA


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Fotos de Samuel Gre4gório

sábado, 30 de outubro de 2010

Drummond


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.
As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Correio Musical



Quase Amor
Pedro Mariano
Composição: Jorge Vercilo

Que poder é esse e o que é que eu fiz?
Que desejo é esse que eu sempre quis?
Fez-se paraíso dentro de mim
Mas choveu granizo no meu jardim

Era um quase amor, tipo casual
Atravessa a dor e não fica mal
E eu fui condenado sem ter juiz
Me senti culpado de tão feliz

Um físico desafiou:
"Como que o sentimento pode o tempo atravessar"
Um cínico dissimulou:
"Isso vai passar..."

Um místico profetizou:
'Tava no seu caminho escrito e não se apagará'
Um lírico poetizou:
"Dá pra ver no ar!"

Era um quase amor, tipo casual
Atravessa a dor e não fica mal
E eu fui condenado sem ter juiz
Me senti culpado de tão feliz

Um místico profetizou:
'Tava no seu caminho escrito e não se apagará'
Um lírico poetizou:
"Dá pra ver no ar!"

Isso é pra usar, é de sinceridade
Eu morro de pensar, fico na vontade
Mas se o que você diz já não é verdade
Que maldade...

Quase - por Socorro Moreira



Não conto nos dedos 
os dias que nos separam
São anos, séculos...
E o reencontro
é a eternidade !
Passo batom
consulto o espelho
Penso em você
dispenso o pensamento
mas ele se aloja no meu coração
e treme de frio...
Aquieto-lhe.
Minha alegria
é poder sentir
o que sinto !

VI Salão de Outubro 2010- - Sucesso !

"A Indiferença" - Escultura de Ulisses Germano
Maracatu Atômico ( Samuk)
Edilma Rocha ( homenagem)
Escultura de Sávio


Acabei de chegar. Por falta de recursos técnicos  vamos ter que aguardar o material fotográfico dos fotógrafos presentes.
Prestigiado evento. Tudo perfeito. Do jeito que Edilma Rocha  sabe fazer. Seu pronunciamento , em prol do resgate das artes  do Cariri, ganhou aplausos de incentivo .Falou bem. Despertou os ânimos gerais, e a vontade de  dar continuidade aos projetos que tal evento acarretará, sem dúvidas !
Medalha de ouro para Samuel ; medalha de prata para Claude Bloc; medalha de bronze para Lorenzo, na categoria da Pintura.
Medalha de ouro  para Ulisses Germano,medalha de  prata para Sávio; medalha de bronze para Zé Gundim, na categoria da Escultura .
Medalha  de ouro para Gilson; medalha de prata para Olegário; medalha de bronze para Fernanda Gomes  ,na categoria de Desenho.
Todos os participantes receberam diplomas de honra ao mérito. 
Foi servido com elegância um delicioso coquetel. Respiramos a luz da criação . Gratificante ! Noite feliz !
Parabéns, Edilma !

* A tela "Vale do Cariri" da artista Claude Bloc  está belíssima . Pena que a foto  não saiu nítida. Vamos aguardar  outras imagens !

E o pessoal? Onde anda? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje é sábado e estou aqui à espera do pessoal. Eu e mais quatro pessoas. Todo mundo está na festa do Salão de Outubro. Começa hoje e se torna visível em novembro. As artes que dizem plásticas por que não poderiam ser manufaturas, palavra já ocupada por outra atividade.

Estou aqui em poucas companhias, qualificadas por certo, mas não deixo de me sentir solitário, perdedor de algo que carreou tanta gente. Mas voltam. Chegarão com algum encanto de cores e forma, um entusiasmo de alma, além dos suores que não dizem nada a não ser quando relembrado a que serviu.

A cidade inteira se encontra no que dizem RFFSA, mas que prefiro chamar Estação dos Trens. Tão bela, destacada, indene por que os trilhos não permitiram a especulação imobiliária que certamente a sufocaria. E tem por presente a amplitude da Praça e seu Cristo Rei.

E quando a cidade vai para algo assim tão cedo, é certo que passará por aqui. Tomará umas e outras, beliscará alguma coisa para valorizar a alegria geral entre o ingerido e percebido com o olhar. Novidades existirão. Desde o quadro musical do Dihelson Mendonça aos rapapés falatórios do padrão formal da cidade e as luzes acenderão.

A cidade passeando através de alamedas de artes, de artistas que brilham, que se expõem. E o destino de todo artista é expor para se expor. Ninguém pode estranhar este realce, o peso da exposição é muito maior do que o silêncio a que a falsa humildade nos indicou como morte em vida.

E estou aqui esperando o momento que o povo chegará para contar as novidades. Reflito que a solidão de agora é prenhe de vida, a qualquer momento o mundo se abarrota de vozes e histórias, cantos e alegrias. Isso é muito diferente daqueles momentos de esvaziamento.

Quando no meio de tantos, uma chuva esparrama a multidão para todos os lugares. E de repente a praça fica vazia, a vista turva com a água que cai, os pingos substituem as vozes de antes. As luzes esmaecem. E aquela menina tão próxima do meu abraço sumiu. Só na próxima semana. E se lá ela estiver diferente.

Se no meio da semana um cisma de fim se aninhar na vontade dela? O meu encanto não mais funcionar? Que vazio este repentino deixar-me tem. Esta chuva que foi. Mas espere aí, estou falando da diferença. Eu e mais quatro pessoas aguardamos a multidão de retorno.

Últimas pesquisas

As 4 últimas pesquisas dão vitória para Dilma ( 30 de outubro de 2010 às 19:58h)

Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus anunciam últimas pesquisas, diferença pró-Dilma oscila entre 10 e 14 pontos
O instituto Datafolha divulgou na noite deste sábado 30 sua última pesquisa eleitoral. Ela aponta vitória de Dilma Rousseff com 55% dos votos válidos, ante 45% de José Serra.
Para o Ibope, Dilma tem 56% e Serra 44%.
O Vox Populi mostra uma diferença maior, com 57% para Dilma e 43% para Serra.
A CNT/Sensus, divulgada no início da tarde, a petista registra 57,2% contra 42,8% do tucano.
Neste dia 31 de outubro, os primeiros dados das apurações devem começar a ser divulgados a partir das 19 horas e o resultado final das eleições presidenciais deve sair antes das 22 horas.

Salão de Outubro - NOTA DE ABERTURA


Ontem encontrei Edilma em plena atividade com Ernesto e Ricardo (seus irmãos) e mais outros componentes do grupo de organização do IV SALÃO DE OUTUBRO

Os trabalhos expostos foram analisados e julgados pela comissão composta por Divani, Noemita, Pachelly ,Tarcísio Pierre .

Edilma parecia um dínamo. Apesar de cansada pelo empenho e pela trabalheira de dias seguidos, manteve tudo muito organizado e impecável.

Vale a pena ver a Mostra hoje, dia 30, às 20 na 
GALERIA DA REFFESA - CENTRO CULTURAL ARARIPE

***
CONFIRAM E VISITEM ESSE GRANDE EVENTO

Comissão (parcial)
Tela de Edilma (Metamorfose)
(Já apreciada por dois visitantes curiosos)
Esculturas...
(E um sorriso amarelo esculpido no rosto do visitante anônimo)
Homenagens

Para ver as obras dos artistas concorrentes apareçam e deleitem-se!


Claude Bloc


Renascer duas vezes...
(no mesmo dia)
- Claude Bloc -

Dia 28 foi dia de grande aventura. Peguei o avião em Fortaleza, já com atraso de mais de 1 hora, e por duas vezes, cheguei a sobrevoar Juazeiro, mas devido a "uma falha técnica" o avião teve que retornar a Fortaleza.

Imaginem o ânimo das pessoas dentro daquela nave, em meio às nuvens, naquelas alturas sendo supreendidas com o retorno. O voo prosseguia e, de repente, eram vistas de novo as formações montanhosas da região de Caririaçu e o aviso encabulado do comandante sobre um problema nos "flats" que não permitiam pouso na pista curta de Juazeiro.

A agitação teve início, mas sem pânico. Pessoas começaram a circular pela nave em busca de informações mais precisas. Uma menininha loura corria de lá pra cá... Gente(s) com compromissos inadiáveis começaram a "chiar"... e finalmente visualizamos  Fortaleza e , nessa hora, as orações se apertaram para que o pouso acontecesse sem complicações... Deu certo!

Esperamos no aeroporto para uma definição e posicionamento por parte da empresa. Alguns desistiram de um novo embarque na exata hora em que pisaram o solo. A grande maioria esperou pra ver.

Às 19 horas, fomos chamados para um reembarque. A empresa afirmando tudo estar garantido em termos de segurança. Começou a nova viagem. Agora já no escuro. Lá de cima  as luzes das cidades iam aparecendo e sumindo e, de novo, aconteceu a frenagem no ar indicando que íamos descer. Novamente lá estava Juazeiro e suas casas, e suas ruas. Mas, novamente, fomos informados de mais um retorno frustrante e sombrio. Feições tensas apareciam em cada pessoa... 

Novo pouso. A cada chegada telefonemas mil avisando a quem esperava no aeroporto de Juazeiro pelos passageiros que "tudo estava bem". 

A empresa então providenciou (e só desta vez) um recambiamento dos passageiros para o voo da Gol de 23:45h e ofereceu o jantar para quem aceitasse prosseguir a viagem. Novo check-in na nova empresa. Saída pontual... Chegada ao destino, FINALMENTE, com as graças de Deus!!!

Vejam os ESCRITOS DE BORDO:

Asas
Tenho asas
Prontas para voar
Asas beta-gama-delta
livres
e
soltas

Eis que embarco
Sobre as nuvens
Sobre o tempo
Sobre as horas
Horas de ninar
Dias de sorrir
Asas minhas sobre o Cariri.


O Voo

Estou a caminho
as nuvens não as vejo
lá embaixo
apenas as luzes das muitas cidades.
O dia escureceu
e todos nós renascemos.

O pouso

Não sei porque me lembrei de Caldas Aulete. Talvez porque estou a mil metros do chão e me faltam palavras. Aqui não tenho dicionário nem banco de dados. Apenas adrenalina correndo célere pelo corpo.

O medo de alguma forma arrefeceu-se. Pus-me em oração e uma confortável paz se fez. Mente aberta à vida e às alegrias dos (re)encontros fazem-me sorrir sem respostas... Não era a hora!!! Então fora de hora agradeço a ventura de pousar mais uma vez no Cariri e lá também pousar meus sonhos.



O Desembarque

Desço da nave, mãe dos meus medos. Respiro profundamente o ar fresco da minha terra. Bebo a doçura do encontro. Encontro a segurança do solo.

Piso devagar para senti-lo e sinto-o meu. Descubro em solo, o solo da noite e o silêncio embriagante da Chapada no chegar das horas ( no Cariri).

Claude Bloc

Por Lupeu Lacerda


tem dia
que o único som possível
é blue

Por Lupeu Lacerda


girassol no meu portão
o sol
ao alcance da minha
mão

A Poesia de Geraldo Urano


azul cobalto
do céu de teerã do meu terraço
nada que faço é muito
mas não é nada fácil apagar
a natureza
que dá força ao jatobá
e faz em pleno canto
o pássaro voar

ê leões da índia
eles não querem um amigo
eles querem
uma japonesinha novinha
não quero ser como tu és
oh não
e viva a beleza das ilhas galápagos
dor de cabeça
passou a ser a única riqueza
de muito
estou suando
é meu amor que está chegando

i love you senhora lei
senhora cósmica
lady cósmica. senhora lei.
china e xita
o méxico mexe comigo.
chá e chão.
house do japão.
tu. portuguesa.
ilhéus. agrião.
agrária e rã e ré.
verde dos olhos dela.
girassolar amarelo do vestido dela.

tomate?
não. biscoito.
quando chegaremos em 88?
vai chegar.
tome-me.
vou fundo.
bombeiros.
"nem bombeiro pode apagar".
cútis.
tarde macia.
0 comentários Links para esta postagem
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
esse fundo de mar, esse lar
uma pátria que me queira
mais irreverente assino
esse ar essas palmeiras
essas meninas de olheiras
se por um sonho
foi promovido a assassino
ai maria
outras bonitas o cheiram
mais transparente fico
quando o céu
esse céu do brasil
do meio rio ai romã
se estrela sobre a mantiqueira
bendita las tuas cores
que todas são musicais

Macaco Simão


"E eu tenho uma pergunta pro papa Sebento XVI : "Eu não sou batizado, posso Votar?" De tanto falar em Aborto, esta campanha foi um PARTO! Parto para a ignorância! Falaram tanto em religião mas esqueceram de falar em PADREFOLIA: coroa que come coroinha. A Sacranagem! "

José Simão
Jornal do Commércio - 30/10/10

Nostalgia do Deserto- Por Ana Cecília S.Bastos




Porque é preciso comentar a visão do mar hoje.

Ver o mar, ouvir o mar, gratuitamente.
Sem pressões de ter que caminhar para exercitar-se ou ficar saudável ou purgar-se pelos excessos cometidos - tudo a mesma coisa, afinal.
Sem pressões do tempo curto, de voltar para compulsoriamente concluir um trabalho, de voltar -vigilantes patéticos - antes que o sol esquente demais, cumprindo a sina e o ritual de temer os raios solares e o câncer e a destruição do planeta. Cronometramos a exposição ao sol, evitamos a dor de cabeça, agendados no vídeo que nos monitoriza sem cessar.
Tudo isso é insuportável.

Importa ver os peixinhos, deixar estar, descobrir um caramujo enorme fora de seu invólucro, seus tentáculos/ventosas envolvendo as plantinhas na busca do alimento, parar, fazer sua analogia da deglutição, cercar novamente as plantinhas...

E viver o deserto do mar, a solidão do homem no mar.
Sem palavras.

Verdes Mares. Foto de M.Vítor
 por Ana Cecília

Dos Grifos - Marcos Leonel



Assinalar como inconfundível
A trapaça da presença camuflada
Das gruas ante o pulo dos desesperados

Assinalar como irrefutável
A carcaça da ausência alimentícia
Do microondas bipolar posto na sucata

Assinalar como imensurável
A velha rua que sobrevive ao eterno
Apenas com verdades banais

Assinalar como praticável
Tudo aquilo que se destitui facilmente
Das qualidades essenciais

Assinalar como insuportável
A falta de subversão na resistência
E no formol da organização cultural

Não esquecer jamais
Que a verdade é a maior entre
As maiores sabotagens da ciência


 por Marcos Vinícius Leonel

Azul sem fim - Por Ana Cecíliua S.Bastos




Na calada da noite,
esboço um frágil exercício de recolher palavras,
escritos extraídos do silêncio.

Fluxo que acontece à minha revelia,
enquanto pastoreio nuvens,
deserta de mim,
ausente do concreto.

O chão, impossível sempre.
O infinito que salva.
 Foto de Mário Vítor.
 por Ana Cecília

Corpo- Everardo Norões




Teu corpo
se enxuga em minha água:
calafeta,
enxágua.
Completa
o que não vem de mim.
E por ser água e calma,
sonâmbula
como a
distraída voz do lume,
lembra um vago perfume
de jasmim.