Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A arte da animação

Habilidade e criatividade...

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Laura - Essa música é linda !

Gadé - Por Norma Hauer


Ele está sendo lembrado aqui hoje porque faleceu no dia 27 de outubro de 1969, há exatamente 40 anos!

GADÉ é um nome estranho para quem nasceu em 23/07/1904,sendo batizado como Oswaldo Chaves Ribeiro. Mas foi como GADÉ que ficou conhecido em nossa música popular,como pianista e compositor.
Nasceu em Niterói, onde se apresentava como pianista, vindo mais tarde para o Rio de Janeiro para exercer um cargo no extinto Lóide Brasileiro, de saudosa memória.
Como compositor, teve suas músicas gravadas pelos grandes vultos de sua época, como Carmen Miranda, Joel e Gaúcho, Almirante...
Com Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, esteve na inauguração da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte e aqui no Rio foi pianista nas Rádios Clube, Mayrink Veiga, Tupi e Nacional.

Suas músicas mais famosas eram todas de um humorismo sutil.
Assim, com Joel e Gaúcho, gravou "Estão Batendo"(estão batendo, se for comigo diga que não estou,é a mulata que há muito tempo você abandonou. Está zangada, de cara feia trás um vassourão na mão...") ou, ainda com Joel e Gaúcho,"Que Barulho é Esse"? oh Juracy, aí no corredor...meu chatô não é pomar de amor". Com Odete Amaral gravou "Quem é que Paga a Gasolina"("pelas ruas da cidade a bancar o lorde, bancando Pintacuda, a 120 a hora").
Pintacuda era um corredor italiano que fez parte do "Circuito da Gávea", vencendo-o duas vezes.
Imaginar o que foi aquele Circuito nos anos 30 e compará-lo com as atuais corridas de Fórmula 1 é o mesmo que comparar água com vinho.
Em compensação, nenhum carro com a velocidade dos atuais poderia correr no Circuito da Gávea, cheio de curvas perigosas.

Voltando a GADÉ, lembremos que Almirante foi quem gravou as mais bem humoradas de suas composições, como "Faustina"("corre aqui depressa,vai ver quem está no portão.É minha sogra com as malas, ela vem resolvida a morar no porão. Vai ser o "diabo", vamos ter sururu com o vizinho"...)
Voltando a GADÉ, lembremos que Almirante foi quem gravou as mais bem humoradas de suas composições, como "Faustina"("corre aqui depressa,vai ver quem está no portão.É minha sogra com as malas, ela vem resolvida a morar no porão. Vai ser o "diabo", vamos ter sururu com o vizinho"...).

Almirante gravou também "Vou-me Casar no Uruguai", naquele tempo em que não havia divórcio no Brasil e era comum os "desquitados" irem "casar no Uruguai", para dar satisfação à sociedade hipócrita da época.

VOU-ME CASAR NO URUGUAI

Autores: Gadé e Walfrido Silva
Gravação de Almirante e Carmen Miranda

Se eu fico em casa, você está falando
Se eu vou pra rua, você quer brigar
O nosso gênio não está combinando
Isso não é vida, eu vou me separar!
Se você teima, eu também sou teimoso
O nosso tempo vai em discussão
Se você acha que não sou bondoso
Arranje um palacete e saia do meu barracão!


Vou lhe dizer que já gastei muitos mil réis
Que estou tratando dos papéis
Para me separar
Estou arranjando um divórcio camarada
Porque nossa amizade, hoje em dia, não é nada
Nossa união vai ter o fim que eu queria
Que é sem ter tiro e correria
Vai ser bem melhor
Você se vista e vai pra casa de seu pai
Que vou comprar minha passagem
E vou casar lá no Uruguai .

Essa música teve uma "resposta" do próprio Gadé, gravada por Carmen Miranda, que terminava assim:

"Você querendo case então onde quiser
Que eu fico mesmo no Brasil
Honrando o nome de mulher."

Esse era o humorismo sadio de GADÉ.
Norma Hauer

Pery Ribeiro - Por Norma Hauer



PERY DE OLIVEIRA MARTINS
Esse foi o nome que ele recebeu ao nascer no dia 27 de outubro de 1937, completando hoje 72 anos.

Ficou conhecido como PERY RIBEIRO, nome que passou a usar por sugestão de César de Alencar, da Rádio Nacional.

Um de seus primeiros sucessos, ainda em vida de sua mãe a ESTRELA DALVA DE OLIVEIRA, foi "Escurinho" de Luiz Vieira.

O que muitos não sabem é que foi ele quem lançou a famosa "Garota de Ipanema", sendo ao primeiro a gravá-la e espalhando-a pelo mundo quando gravou-a em, inglês.

PERY RIBEIRO viveu alguns anos nos Estados Unidos (Miami) onde era reconhecido e aplaudido

Voltou definitivamente ao Brasil e aqui se apresenta em "shows", principalmente no eixo Rio-São Paulo.

Recentemente lançou um livro de nome "MINHAS DUAS ESTRELAS"-sua vida com seus pais DALVA DE OLIVEIRA E HERIVELTO MARTINS.

Nesse livro, sem se queixar, diz que Herivelto não lhe deu apoio quando quis iniciar sua carreira. Quanto a Dalva, esta lhe deu toda força e ainda gravou em dupla com ele, além de pedir a Luiz Vieira que compusesse uma música para ele.
Luiz compôs "Inteirinha" exatamente para Pery Ribeiro.

Hoje, muitos o estão cumprimentando, e, com esses, deixo meu abraço a PERY RIBEIRO.




Amores certos talvez

Há poemas de amor, decerto
Há poemas de paixões, talvez
Talvez não saiba fazê-los ao certo,
Por eles serem tão incertos, talvez

Talvez eu sofra de amores (decerto)
Talvez um deserto de amores sofri
O que sei é amo e sofro por certo
Uma justificativa terei

Amores não se explicam ao acerto
E se assim for amante não mais serei
Serei esse bárbaro que certo
Confunde o que é um amor eterno
Por uma fútil paixão na sintaxe do talvez.


Foto: Sanny

Comunicado Vila das Artes




2009/10/27


CURSOS LIVRES
Vila das Artes abre inscrição para vários cursos gratuitos na área do audiovisual. (Foto: Curta de animação de Fábio Yamaji).

O Núcleo de Produção Digital Vila das Artes, programa Olhar Brasil, mantido em parceria com a Prefeitura e o Ministério da Cultura, está com inscrições abertas para vários cursos livres na área do audiovisual. As inscrições devem ser feitas na secretaria da Vila das Artes, rua 24 de Maio, 1221, das 9h às 20h, de segunda a sexta-feira. È necessário preencher uma ficha de inscrição, apresentar uma cópia do currículo e foto 3x4. Os cursos são gratuitos, tem duração de uma semana e visam o aperfeiçoamento do profissional em audiovisual. Confira: Finalização e pós-produção em Cinema e Vídeo com o editor João Maria nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro. Inscrições até terça –feira, dia 29 de outubro. O curso é para editores e produtores de cinema e vídeo. Composição e efeitos visuais para Cinema e vídeo recebe o professor J. Cambé. As aulas acontecem de 9 a 13 e de 16 e 17 de novembro, das 9h às 13h e das 15h às 17h. Podem participar pessoas com experiências em edição de vídeo e com o programa photoshop. As inscrições vão até dia 3 de novembro. Oficina de Documentário com Karla Holanda acontece de 16 a 21 de novembro, das13h30 às 18h30. O público alvo: alunos com experiência em documentário. Inscrições até dia 9 de novembro. Oficina de Interpretação para Cinema com o produtor de elenco Francisco Accioly, nos dias 18, 19 e 20 de novembro, das 19h às 21h45, recebe inscrições até dia 9 de novembro. A oficina é voltada para atores e diretores interessados em interpretação para cinema e vídeo. Animação em Stop Motion recebe o professor Fábio Yamaji, as inscrições estão prorrogadas até o dia 9 de novembro. As aulas acontecem de 19 a 22 de novembro, das 14h às 21h. Podem participar pessoas com idade a partir de 15 anos e que tenham noções de desenho, modelagem e animação. Junto com a ficha de inscrição, é necessário entregar um portfólio em DVD. O curso tem a parceria do Núcleo de Animação da Casa Amarela. Inscrições também na Casa Amarela (avenida da Universidade 2591).

III CONFERÊNCIA DE CULTURA
A III Conferência Municipal de Cultura de Fortaleza, começa nesta terça-feira, dia 27 e vai até dia 29 de outubro no Teatro São José (rua Rufino de Alencar, 362 – Centro – Praça do Cristo Redentor) e no Seminário da Prainha (cruzamento das avenidas Dom Manoel e Monsenhor Tabosa). Com o tema “Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento” a Conferência abre espaço para a consulta pública sobre as diretrizes que vão orientar a elaboração das políticas culturais para o município nos próximos anos. Para tanto, é importante a participação da sociedade civil, dos poderes legislativos e dos governos municipal, estadual e federal. Os grupos de trabalhos estarão divididos em eixos temáticos (cultura, comunicação e política, produção simbólica e diversidade cultural, cultura, cidade e cidadania, cultura e desenvolvimento sustentável, cultura e economia criativa, gestão e institucionalidade da cultura) para o debate e formulação das diretrizes gerais da Conferência. Confira a programação, escolha o seu grupo e participe:
DIA 27 - Teatro São José
18h30min - Credenciamento
19h - Instalação da Plenária da Conferência/ leitura e aprovação do Regimento Geral
19h30min - Debate de abertura - SECULTFOR / SECULT / MINC
DIA 28 - Seminário da Prainha
8h30min às 12h - Grupos de Trabalho por eixos temáticos para o debate e formulação das diretrizes gerais da Conferência
12h às 14h - Almoço
14h às 17h - Grupos de Trabalho por eixos temáticos para o debate e formulação das diretrizes gerais da Conferência

DIA 29 - Teatro São José
8h30min às 13h - Plenária Final - apresentação das diretrizes elaboradas nos GT´s para o debate e votação do documento final e eleição dos/as delegados/as municipais para a Conferência Estadual.
20h - Show de encerramento da III Conferência Municipal de Cultura com José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski, no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema).

SEMANA DA ANIMAÇÃO
Amanhã tem mostra oficial do Dia Internacional da Animação. Foto do curta Linhas e Espirais de Diego Akel, selecionado para a mostra.

Amanhã, dia 28 de outubro é o Dia Internacional da Animação (DIA), que pelo sexto ano consecutivo realiza mostras gratuitas de curtas-metragens nacionais e internacionais pelo mundo. Este ano, a Mostra do DIA faz parte da primeira Semana da Animação, promovida pela Associação Cearense de Cinema de Animação (ACCA). Com uma programação diversificada e voltada para exibições de filmes e debates com profissionais da área, a Semana foi realizada em vários espaços da cidade, como na Vila das Artes, Casa Amarela, Gibiteca Municipal e Saraiva MegaStore. Nesta quarta, das 15h às 18h tem Bate-papo Animado na Vila das Artes (rua 24 de Maio, 1221, Centro) e a partir das 19h Mostra Oficial Dia Internacional Da Animação 2009 na Casa Amarela Eusélio Oliveira ( Avenida da Universidade 2591, Benfica). As atividades são gratuitas. Mais informações no animacaonuca.blogspot.com

DIVERSIDADE
Mídia, Gênero e Sexualidade é curso gratuito que recebe inscrições até 30 de outubro.

A Vila das Artes recebe até dia 30 de outubro inscrições para o curso “Mídia, Gênero e Sexualidade”, promovido pela Prefeitura de Fortaleza, através da Coordenadoria de Políticas Públicas para Diversidade Sexual da Secretaria de Direitos Humanos. O curso será ministrado pelo jornalista e pesquisador Júnior Ratts. A iniciativa visa refletir sobre como são construídas as imagens de identidade de gênero e de sexualidade na mídia atual, em especial a mídia publicitária. As aulas acontecem entre os dias 3 e 13 de novembro, das 14h às 17h, na Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, centro). Serão disponibilizadas 30 vagas e as inscrições, destinadas para maiores de 18 anos, podem ser feitas na secretaria da Vila, das 9h às 20h. Mais informações pelos telefones 3252-1444 (Vila das Artes), 3452.2349 (Coordenadoria da Diversidade) ou 8747-4650 (Júnior Ratts).

NÓIA


Seminário “Cinema de Ponto a Ponto" amplia a discussão sobre o cineclubismo. Grátis.

A Vila das Artes sedia o Seminário “Cinema de Ponto a Ponto” nos dias 29 e 30 de outubro, das 14h às 18h. A iniciativa é da Associação de Ciências e Artes – ACARTES, em parceria com o Festival NÓIA e tem como objetivo principal ampliar a discussão sobre os processos envolvidos na produção cinematográfica cearense e sobre a criação de uma rede capaz de fortalecer os cineclubes do Estado. Participarão do encontro representantes de cineclubes cearenses, de pontos de cultura que lidam com audiovisual, coletivos do Pontos de Corte (curso de formação da Vila das Artes) além de vários agentes culturais que lidam com exibição no Ceará. A entrada é gratuita. No dia 29 o tema em discussão Construindo uma ação audiovisual para TEIA 2010, recebe Gerardo Damasceno – Coordenador do Pontão de Cultura ARCARTES e Representante do Ministério da Cultura no setor de audiovisual dos Pontos de Cultura brasileiros; Lenildo Gomes - Representante da Vila das Artes; Micheline Helena - Coordenadora do Núcleo de Produção Digital Vila das Artes e Platini Fernandes - Representante do Fórum do Audiovisual do Ceará. No dia 30, o debate prossegue com Anseios do Cineclubismo Cearense e a presença de Bianca Felippsen Coordenadora de Comunicação da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará; Carolinne Vieira - Diretora-adjunta do Conselho Nacional de Cineclubes - NE3 (CE, MA, PI e RN); Duarte Dias - Representante do Audiovisual no Conselho Estadual de Cultura e Presidente da ACCV-ABD/CE - Associação Cearense de Audiovisual e Representantes do movimento "Artivismo em Rede". Toda a programação do Nóia, festival do Audiovisual Universitário no site http://www.festivalnoia.com/

CINECLUBES
Cine Alumbramento comunica: Caros cinéfilos, por motivos de força maior o Cine Alumbramento do mês de Novembro não acontecerá. Todos os seus realizadores estarão fora da cidade. Pedimos desculpas pelo inconveniente e seguiremos mantendo a programação normal com exibições e debates, na primeira segunda –feira do mês de Dezembro. Um forte abraço. Equipe Cine Alumbramento.

ENCONTRO DAS ARTES
Equipamento da Prefeitura Municipal de Fortaleza, vinculado à Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), a Vila das Artes é espaço voltado para a formação, pesquisa, produção e difusão em arte. Situado no centro de Fortaleza, reúne em seu espaço as Escolas Públicas de Dança e Audiovisual, o Núcleo de Produção Digital, Biblioteca e Videoteca. Tem como parceiros a Universidade Federal do Ceará, a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, FCPC, e a Rede Olhar Brasil. Apoio da Kodak, Quanta e Prodança. Apoio cultural do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria Estadual da Cultura (Lei nº 13.811) e patrocínio do Banco do Nordeste, Fundo Nacional de Cultura e Lei de Incentivo a Cultural do Ministério da Cultura e Governo Federal. Todas as atividades são gratuitas.

Vila das Artes - Rua 24 de Maio, 1221, Centro. Fortaleza. Ceará. Brasil
Telefone (55+85) 3252-1444 comunicacaoviladasartes@gmail.com, viladasartesfortaleza@gmail.com

" Coxinhas" - ( acabei de fritar!) - Por Socorro Moreira

Normal , quando declaro , que um dos meus escritores favoritos eja Zé Flávio Vieira. Até porque ele é um dos favoritos também de quase todos os leitores.

Postou há 15 dias, um texto delicioso: "Coxinhas". Com todos os ingredientes que fazem uma leitura deliciosa, como tão bem sabe fazê-lo. Elas saíram de cartaz. Outros textos foram postados... Mas, “Coxinhas”, ficou seu Blog: Simbora pra Matozinho. (Sabemos porque essa janela está sempre aberta. )
Com o passar dos dias, comecei a lembrar um episódio vivido por mim, quando morei em Fortaleza.

Estava numa fila do orelhão, e esta começou a crescer, tendo em vista o usuário da vez, não desligar o telefone. Em tempos, todo mundo foi-se ligando no assunto.
Entendemos que ele falava com um apresentador de programa de denúncias , no ar, naquele momento .
Contava que havia lanchado num determinado espaço, e as coxinhas estavam podreees, podress, podress! !!!

Ele repetia isso, mil vezes, e todo mundo da fila, esqueceu a impaciência da espera, e caiu na gargalhada.
Não posso ver uma coxinha, que eu me lembro da piada.
No caso, quando vejo na janela: “ coxinhas” do texto de Zé Flavio, não posso deixar de pensar: vixe Maria, depois de tantos dias, ela deve estar podre, podre, podreeee !!!

Tá na hora da gente ganhar outra imagem, antes que o doutor tenha trabalho com a gente!

-Na realidade estou é sentindo saudades de um novo texto de Zé Flávio !

Enfim

Emagreci.
Os olhos fundos.

Perdi três jeans.
Um bermudão.

Pensaram que tinha tuberculose.
Que estava viciado no crack.
Mas era tão somente uma alma magra.
Os olhos perdidos lançados às paredes.

A caixa torácica aberta.
Ossos embotados levados pelo vento.

Emagreci mesmo.
Olhos de alma.

Andava pelo quarto segurando o pijama
admirando o dedão cadavérico.

Não tomei remédios.
Não chorei tanto.

Agora é outra tarde.
Só em pensar me fazes mal.

Quem disse que por ti preciso
apaixonar-me novamente?

Não existe metade que complete o vazio.
Passaste.

Francis Bacon

Francis Bacon (autoretrato)

Mulher sentada


Study - 1953


Francis Bacon (28 de Outubro de 1909 – 28 de Abril de 1992) foi um pintor anglo-irlandês de pintura figurativa. Foi descendente colateral de Francis Bacon, filósofo do Período Elisabetano. Seu trabalho é mais conhecido como audaz, austero, e freqüentemente grotesco ou imagem de pesadelo.
Retornando a Irlanda após a Primeira Guerra Mundial. Bacon foi enviado para viver um tempo com sua avó maternal, Winifred Supple, e seu marido Keery, em Farmleigh, Abbeyleix, Condado de Laois. Eddy Bacon depois comprou Farmleigh de sua sogra, até seu filho se mudar novamente para Straffan Lodge, Naas, Condado de Kildade, o lugar onde seus pais nasceram. Embora Francis tenha sido uma criança tímida, ele adorava se vestir bem. Isso, junto com sua maneira afeminada, freqüentemente enfurecia seu pai, o fez se criar uma distância entre dois. Em 1924 seus pais se mudaram para Gloucestershire, primeira para Prescott House em Gotherington, depois para Linton Hall, situado próximo a Herefordshire. Francis gastou dezoito meses na Dean Close School, Cheltenham, de 1924 a 1926. Isso foi sua única experiência com educação formal de pintura, pois ele saiu semanas depois.

Em uma festa a fantasia na quinta casa da família em Cavendish Hall, Suffok, Francis se fantasiou de Flapper as roupas próprias, batom, salto alto e um cigarro longo.

Em 1926 sua família voltou para a Irlanda, em Stranffan Lodge. Sua irmã, Ianthe recordou que Bacon fez desenhos de mulheres com chapéus Clochês e longos cigarros. Após esse ano, Francis foi banido de Straffan Lodge seguindo um incidente em que seu pai o viu se admirando em frente ao espelho usando as roupas de baixo de sua mãe.

Este artista irlandês de nascimento, tratou com uma extraordinária complacência alguns temas que continuam a chocar a nossa vida em grupo.

As fantasias masoquistas, a pedofilia, o desmembramento de corpos, a violência masculina ligada à tensão homoerótica, as práticas de dissecação forense, a atracção pela representação do corpo (um especial fascínio pelos fluidos naturais, sangue, bílis, urina, esperma, etc.) e, no geral, com tudo o que está diretamente ligado à transgressão seja relacionada com o sexo, a religião (são paradigmáticos os seus retratos do Papa Inocêncio X que efetuou a partir da obra de Diego Velázquez) ou qualquer tabu, foram as peças com as quais Bacon construiu a sua visão “modernista” do mundo.

Sofria de asma. Esta debilidade irritava seu pai, um homem rude e violento, que o costumava chicotear para o “fazer homem”. Devido a isto Bacon criou um comportamento de oposição a seu pai. Uma infância difícil, que sempre o influenciou na sua arte e lhe inspirou um certo desdém por essa Irlanda de sua infância, tal como Oscar Wilde e James Joyce.

A sua primeira exposição individual na Lefevre Gallery, em 1945, provocou um choque e não foi bem recebida. Toda a gente estava farta de guerra e de horrores, só se falava da “construção da paz” e as imagens de entranhas dos quadros de Bacon, com os seus tons sanguíneos, provocaram mais repulsa do que admiração.

Como homem do seu tempo, Bacon transmitiu a ideia de que o ser humano, ao conquistar e fazer uso da sua própria liberdade, também liberta a besta que existe dentro de si. Pouca diferença faz dos animais irracionais, tanto na vida – ao levar a cabo as funções essenciais da existência como o sexo ou a defecação – como na solidão da morte; representando o homem como um pedaço de carne.
A sua obra esteve em exposição, em Serralves, em 2003.

Em Paris a 12 de Dezembro de 2007, a Sotheby’s leiloou a obra Mulher Sentada avaliada entre 7,5 e 10 milhões de euros.
O quadro é o retrato de uma mulher, Muriel Belcher (Fundadora do clube privado de bebida Colony Room em Londres) , quase enrolada numa cadeira partida, pertencente a um coleccionador norte-americano.

A obra Tríptico, datado de 1976, foi comprado em Maio de 2008 em Nova Iorque em leilão por cerca de 53 milhões de euros por um coleccionador privado.

Foi a mais cara pintura moderna do mundo.

Fonte Blogosférico Cultural
.

Amizade

Mostro ao meu filho de oito anos
o raio de luz na parede.

O pequeno sorri e diz
que todas as tardes
o mesmo raio cruza a porta
e prega-se sempre da mesma forma.

E quando tem uma nuvem escura
o que faz o raio de luz?

Indago-me.

Meu filho ouve meu pensamento
e completa misterioso -

"Quando vem uma nuvem escura
o raio de luz é levado pelos pingos."

Olhamos assustados
um para o focinho do outro.

Milagre.
Gargalhamos juntos.

OSVALDO TEIXEIRA - Um Mestre Brasileiro no Museu do Crato - Por Edilma Rocha



Nasceu no dia 11 de Agosto de 1904, na rua da Gamboa, 13, bairro da saúde, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de Augusto Teixeira, português, pintor de paredes e violonista nas horas de folga e de Carolina do Amaral Teixeira, carioca, lindos olhos azuis e costureira. Família modesta e trabalhadora no ganho para o sustento da casa. O pai morreu muito jovem aos 36 anos, deixando-o na companhia da mãe. Tinha apenas 3 anos no ocorrido, mas já ajudava nas responsabilidades domésticas. Criança esperta e sempre a busca de afazeres, aos 8 anos, desenhava todos os objetos do seu pequeno mundo caseiro. Quando não havia mais o que desenhar, por sugestão da mãe, virava todos os objetos de cabeça para baixo e começava tudo outra vez. Histórias que ouvi dele mesmo no seu luxuoso apartamento em Copacabana, na companhia dos seus filhos, Cláudio e Donatello, junto ao amigo Bruno Pedrosa.
Estudou no Liceu de Artes e Ofícios e foi barrado por duas vezes na Escola Nacional de Belas Artes pela pouca idade. Aos 13 anos expôs pela primeira vez no Salão Oficial sem ser revelada a sua idade e foi premiado. Sem desistir do sonho, estudou desenho com Batista da Costa e modelo vivo com Rodolfho Chamberlland. Já estudante da Escola Nacional, ganhou aos 20 anos o mais cobiçado prêmio da carreira de um pintor, viagem ao Estranjeiro. Era o mundo lhe abrindo as portas das oportunidades. Viajou em companhia da mãe, e estudou em Paris, Madri, Londres, Portugal e Itália.
Dizia que havia estudado com os mestres mortos, pois os vivos lhe interesavam menos. Não frequentava academias ou atelier, só museus e catedrais que lhe serviam de fonte de inspirações e estudos, o que muitos pintores não suspeitavam. A vida lhe sorriu, mas tudo foi as custas de muito trabalho. Obteve desde jovem todas as medalhas e prêmios conferidos a um pintor. São tantos que não vou expor o currículo na íntegra.
Disse: _ Em geral dizem que sou um tradicionalista, o que é verdade.
Mas me combatem uns com os outros. Os modernos principalmente, pois dizem que sou antiquado. Os acadêmicos me reprovam certas liberdades e sem dar ouvidos as opiniões, estou contente de ser o que sou. Para mim o principal é o desenho para erguer a arquitetura de um quadro. O mal da arte atual está na falta do desenho ou na impotência de realiza-lo. Sou um tradicionalista porque acredito na tradição do desenho. Eu poderia ser diferente do que sou, mas não sou. Poderia ser cubista, moderno, mas acho que isso não vale nada. É certo de que não se pode fazer pintura sem cor, mas também é certo de que não se pode fazer pintura sem desenho. O que não se pode fazer é cair no abismo das improvisações, que a nada conduzem. Eu defino a pintura como um desenho emocional numa referencia ao modernismo. E nós por aqui, respeitando a sua perfeição, nos calamos diante das opiniões expressadas. Foi um irreverente. E chegava a dizer que , o que Picasso fez com as mãos no modernismo, ele fazia com os pés.
Osvaldo Teixeira recebeu todas as honrarias possíveis na sua categoria e foi um dos mais premiados pintores brasileiros.
Membro da Academia Brasileira de Belas Artes. Academia de Artes do Rio de Janeiro, Academia de Artes de Lisboa; Autor do retrato em tamanho natural de Getúlio Vargas, Ministério da Fazenda, Rio; Retrato do Cardeal Dom Jaime de Barros, Catedral, Rio; Restaurador de obras de Arte; Fundou o Museu Nacional de Belas Artes e o dirigiu durante 25 anos; Crítico de Arte e Historiador; Escritor, entre as suas publicações se destacam, Um Século na Pintura Brasileira e Getúlio Vargas e a Arte no Brasil; Presidente do Salão Nacional por 9 anos; Idealizador do Museu Salvador Dali, Espanha; E para os privilegiados, professor de desenho e pintura. Foi contemporâneo da artista Sinhá Dámora ao longo dos anos na Escola Nacional de Belas Artes e posteriormente na Sociedade Brasileira de Belas Artes. Esta artista cearense nos presenteou com um belíssimo desenho com ela retratada pelo ilustre pintor , quando bem jovem. Pai de Cláudio Valério Teixeira, pintor e restaurador e Sandro Donatello Teixeira, pintor, ambos em plena atividade artística na atualidade.
No Museu de Arte Vicente Leite, temos obras dos três nomes citados perfazendo as heranças da arte através da história de uma familia de artistas. Curiosidades para serem conhecidas pelo povo da nossa terra, Crato.
Pintou o Clássico dono de uma perfeição impressionante. Retratista notável captando para a tela a personalidade do retratado através dos seus pincéis por meio do desenho inconfundível de Mestre, nos fazendo respeitar as suas afirmações radicais pelo direito de ter sido soberano.
Parou a produção de desenhos e pinturas em 28 de maio de 1974, no Rio de Janeiro, deixando o histórico de um grande nome na pintura brasileira.

Edilma Rocha

O grito

por Vera Barbosa

passos escassos...
espaços dentro do abraço.
mas não me afasto:
caminho descalça no seu coração de asfalto.

tiro o casaco
e sinto o vento
que bate de assalto:
o peito desavisado.

se te caço, percalços.
se não te laço, passo.
e não é o sobressalto que me quebra o salto do sapato alto:

é o oco do eco
que não ouço.
o verbo mudo,
e você me escapa.

Aquela viagem!... Por Carlos e Magali

* Carlos * Magali

Q
uando morávamos no Crato, anualmente nas férias de fim de ano, fazíamos uma viagem para que nossos três filhos perdessem um pouco da inibição que toda criança criada no interior parece ter. Esta que agora relembramos e que nos é inesquecível foi a mais extensa delas e para nós, uma das mais cheias de casos engraçados. Planejamos de uma só vez conhecer Teresina, São Luis e de lá iríamos à Araguaina, que na época, 1983, pertencia ao estado de Goiás. Depois de alguns dias em Araguaina, onde passaríamos o natal com minha irmã Amélia Maria e seu marido Leomar Bezerra, nós seguiríamos até Goiânia e Brasília, de lá retornando ao Crato pela Bahia. Saímos do Crato pela madrugada, nós dois, os três meninos e Maria Zélia, minha irmã. Em Teresina, chegamos às nove horas da manhã, demos uma volta pelo centro da cidade e seguimos viagem. Lá pelas cinco horas da tarde chegamos a São Luis e nos alojamos no Hotel Quatro Rodas, recém-inaugurado. Um hotel luxuosímo, além de muito caro.

Nessa época, nós tínhamos uma Belina, que era um carro muito bom para viajar com crianças, pois tinha um bagageiro grande, onde após elas cansarem de tanta traquinagem, dormiam por sobre as malas forradas com travesseiros. Durante a viagem, bastante cansativa, quando chegávamos às churrascarias da estrada para almoçar, os meninos com idade de nove, sete e cinco anos, de tanto estarem confinados, descarregavam suas energias correndo pelos restaurantes e, ao sentarem eles pegavam os talheres e batiam nos pratos, como se eles fossem uma bateria. Eu reclamava dizendo que era falta de educação, mas a euforia deles era enorme.

Ao chegarmos ao hotel, a meninada se alegrou ao ver que os apartamentos tinham varandas com portas de vidro com vistas para a piscina e o mar. Um deles ficou tão animado que quis passar para a varanda, sem perceber que a porta de vidro estava fechada. Bateu o nariz na porta, para zombaria dos outros dois irmãos e nossa preocupação, pois seu nariz sangrou muito.

Na hora do jantar fomos todos ao Restaurante do Hotel Quatro Rodas. O ambiente era muito requintado, pouca luz, as mesas todas arrumadas de maneira impecável, com toalhas brancas de linho, bem diferente dos restaurantes da beira da estrada. Embora cheios de turistas americanos, franceses e brasileiros, reinava um silêncio sagrado e não houve tempo de prevenir os meninos para que se comportassem bem. Escolhemos uma mesa e sentamos. Os guardanapos estavam arrumados de forma decorativa, em pé, duros, pareciam um jarro. Os meninos respeitando esse ambiente luxuoso ficaram caladinhos, sem dar uma palavra. Carlos sentou e querendo demonstrar ser traquejado, abriu o guardanapo e o colocou no colo. Maria Zélia, distraída não viu. Depois ela olhou para mim e bem baixinho perguntou: "Magali, ô Magali, o que foi que Carlos fez com o boneco dele?” Eu comecei a rir baixinho, como mandava o ambiente. Ainda agora, eu dei boas gargalhadas enquanto escrevo relembrando essa passagem.

Após dois dias, saímos de São Luis para dormir em Santa Inês. Pelo “Guia Quatro Rodas” verificamos que a melhor hospedagem da cidade era num certo Hotel Socic, localizado após várias indagações e informações dos moradores da cidade. Ao chegarmos ao Socic, notamos ser muito diferente da hospedagem de São Luis. Era um hotelzinho de quarta ou quinta categoria. Além do mais faltava energia, os hóspedes conversavam em voz alta, sentados na calçada do hotel e nós não podemos dormir até a uma hora da madrugada, quando a energia voltou. Para completar o desconforto, havia muitas muriçocas e um dos meninos reclamava do mau cheiro do travesseiro, que segundo ele estava fedendo a cabeça.

Na manhã seguinte, após o café, comecei a arrumar a bagagem, enquanto a Belina funcionava para aquecer o motor. O filho mais velho ficou dentro do carro, enquanto eu fui chamar o restante do pessoal para continuar a viagem. Aconteceu que esse menino saiu e deixou o carro trancado, funcionando com a chave na ignição. Quis quebrar o vidro da janela para abrir a porta, quando um senhor que estava na garagem do hotel disse-me: “tenha calma, eu tenho um Corcel e vamos ver se a minha chave dá no seu carro.” Testei e como que por milagre ela abriu a porta da nossa Belina, para meu alivio. Verifiquei também se a chave do outro carro daria partida no nosso, mas ela não deu. Depois testamos a chave da nossa Belina no Corcel e ela não só abriu a porta, como deu partida ao motor. Então eu pensei: “como é fácil roubar um carro!”

De Santa Inês até Araguaina, foi um dia de viagem. Ainda no estado do Maranhão eu e Maria Zélia desejávamos ir ao banheiro. Mas como todos eram muito sujos, Carlos resolveu parar o carro numa estradinha carroçável lateral, no meio de uma grande mata, para que a usássemos como banheiro. Quando escolhemos um matinho bem apropriado, ouvimos Carlos gritar histericamente: "Entrem no carro depressa, ai vem um monte de índios!" O sufoco foi grande e quando chegamos ao carro, avistamos os índios correndo em nossa direção e gritando. Era quase toda a tribo e não sabíamos o que eles queriam. Só sei que entramos tão rápido no carro, que eu machuquei uma das pernas no batente da porta. Carlos deu uma arrancada e fez uma curva fechada, com muita rapidez e nos distanciamos desses índios, que correram gritando atrás da gente até o asfalto. Depois quando passou o susto rimos muito. Carlos achou que os índios iriam nos assaltar e penso que iam mesmo, pois eram muitos.

Depois de alguns dias em Araguaina seguimos para Goiânia e Brasília. Nesta última nos hospedamos no Hotel Planalto cujas paredes eram todas de vidro, permitindo uma bela visão de Brasília de ambos os lados do hotel. Fomos alojados em um apartamento conjugado: um quarto de casal e outro anexo com duas camas de solteiro, uma delas colada na parede de vidro e, numa espécie de rol de entrada, uma bi-cama. Magali determinou o lugar da dormida de cada um dos meninos, e não colocou nenhum deles na cama da parede de vidro, com receio de que danados como eles eram, quebrassem o vidro da parede. Calou-se de repente, notando que a cama da parede de vidro ficara para Maria Zélia. Esta imediatamente perguntou: “E eu Magali, vou ficar nessa cama para cair lá embaixo?”
A viagem de regresso até o Crato é outra história!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quem já leu Fotonovelas ? - Por Socorro Moreira


Na medida em que a televisão nos tirou da praça Siqueira Campos, das calçadas, das tertúlias , do cinema, a Fotonovela foi substiuída pelas novelas da Globo.
Era uma leitura velada, proibida. Minha mãe abominava, mas meu pai gostava. Eu lia escondida. Corria pro banheiro, que ficava na área externa da casa , e entre o pé de mamão e o pé de côco, fugia dos olhares de vigília. Adorava ! Por ser proibido , eu adotava outro tipo de leitura , mas não dispensava uma revista em quadrinhos : Luluzinha , Bolinha, Zé carioca...Tudo bem ! Essas eu tinha permissão para comprar...Mas, e Sétimo Céu, Grande Hotel, Capricho, Ilusão...?
Essas eu lia do meu pai, e das amigas.
Passando férias em Recife , eu fiz amizade com uma vizinha dos meus tios. Justo a nossa colaboradora ROSA GUERRERA ( jornalista). Ela comprava todas, e eu não sosseguei, enquanto não li sua coleção. Depois de um mês, quando as férias findaram , eu sabia tudo do amor que não dava certo; tudo do amor romântico; tudo do perfil de homem certo, e dos errados também!

Não sei até que ponto sou produto daquelas estoriazinhas, mas sei que elas me ensinaram a namorar, e a gostar de me apaixonar. Os príncipes não tinham cavalo branco, nem título de nobreza; as princesas eram belas e pobres, e o final era sempre feliz ! Destarte o caráter de sub-literatura, em cada estória , ficava uma lição de moral, mesmo que na maioria, nos alienassem.
Mas a síndrome de Gata Borralheira, Cinderela, Rapunzel, perdiam feio, diante das estórias contadas pelos astros da Fotonovela. Li , sim ! Lia e gostava ... Ainda me entristeço por terem desaparecido das bancas de revistas ( ficou sem mercado), e por ter deixado de por elas me interessar. Há 45 anos atrás, fechei o ciclo !
Socorro Moreira


QUEM JÁ LEU FOTONOVELAS ?

Li Fotonovelas sim! E não pensem que me envergonho ao confessar. Gostava de ler, meeeesmo! Adorava todas aquelas estórias recheadas de amores proibidos, desencontros, intrigas... Minha irmã mais velha era viciada - e de carteirinha! - por Fotonovelas ( e eu também, só que minha vicitude maior eram os meus GIBIS, lógico!). Lembro que ela comprava fotonovelas quando ia para São josé do Egito, Arcoverde e Recife com minha mãe. Enfim, minha irmã e eu, fomos absolutamente dependentes dessa "literatura nefelibatária". Imaginem caríssimos/as : Uma adolescente e uma criança na década de 70 em plena ditadura militar, valores patriarcais rígidos, machismo dominante e ainda morando na quietude de uma pacata cidade do interior... Impossível não alienar! Então, ler fotonovelas para muitos jovens itapetinenses naquela época, era um legítimo passaporte para o sonho... Uma possibilidade de viajar, conhecer e sonhar com coisas que a realidade, naquele momento, não podia nos dar. Talvez hoje, na casa dos quarenta e após ter lido Sartre, Lispector, Saramago e toda uma trupe de escritores bacanérrimos, me percebesse desperdiçando tempo com estorietas açucaradas. Seria, provavelmente, um pequeno deslize intelectual. Mas, "Naquela Época?" Ah!!! Eu A-D-O-R-A-V-A ... E lia sem culpa.Tive amigos que liam escondido durante a noite ou trancado no banheiro, contanto que ninguém visse. " Isso é coisa de mulézinha..." Diziam os machistas de plantão da época (pouco me importava, nunca liguei para isso mesmo!). Eita! Acabo de lembrar... o "Paraíso das Revistas" era a casa de seu Jonas e Dona Mariquina, onde suas filhas: Darc, Teresinha, Socorro, Céa, Laurizete, Maísa... (...enfim, todas!). Possuiam um verdadeiro arsenal de revistas em casa. Pensou em revistas de tv e de fotonovela, podia passar na casa delas que encontrava. As paredes dos quartos eram tomadas de cima a baixo por posters dos artistas da época. E eu ficava só admirando... Saudades! E o troca-troca de fotonovelas? Era um tal de empresta aqui, devolve acolá... jesusmesalveporfavor! E Quando minha irmã gritava, já no finalzinho da tarde, com sua voz de lata caindo: "Dhooooooottaaaaaa!..." Já sabia o que me esperava: "Tu vai lá na Pharmácia e entrega essa revista pra Zeta de Adalto. Depois, vai lá na casa de Ivany e pegue com ela as duas fotonovelas de Luciano de dona Graciete. Daí, você volta aqui pra casa de novo, deixe uma comigo e vai deixar a outra lááááá na casa de Graça de seu Zé Santos. Depois quando você vier subindo, passe na casa de....." Humm! Sei... Todo mundo pensando: "Nossa!!! Que irmãozinho maravilhoso ela tem, quero um desse pra mim também...." KKKKKKKKKKKKKKK . Maravilhoso? (claro!) e muito Interesseiro também!. É que tinha feito um pacto com minha irmã. Ela só poderia devolver as fotonovelas (fosse a quem fosse) quando EU terminasse de ler, uma a uma.E as mais lidas por nós eram de produção italiana: "Grande Hotel", "Kolossal", "Jacques Douglas" e "Lucky Martin" (minha preferida), cujo enredo era sempre de espionagem e romance. E as foto-atrizes ? Todas italianas lindíssimas : Paola Pitti, Marina Coff, Michela Roc, Simona Pelei, Claudia e Francesca Rivelli, Adriana Rame, Wendy D’Olive, Rosalba Grottesi (sempre pérfida vilã) e Katiuscia (RS!) cujo nome virou moda e serviu para batizar muita menina itapetinense na época. Quanto aos foto-atores, eram homens também belíssimos: Franco Dani, com sua famosa covinha no queixo, que fazia minha irmã suspirar e gritar por "socorro" (ela vai querer me matar por isso - RS!). Tinha também o Franco Gasparri, Jean Mary Carletto, Alex Damianni, Enzo Colajacono, Frank O’Neil, Gianfranco de Angelis, Gianni Vanicola, Max Delys e Luciano Francioli. Sim, e tinha as revistas nacionais que também traziam fotonovelas: "Capricho", "Ilusão" e "Sétimo Céu".


O interessante nas fotonovelas era que o bem sempre vencia o mal, indiscutivelmente. E ao final de cada estória não podia faltar um "lindo" pôr de sol, com um "lindo" casal ( que eram revezados e quase sempre os mesmos das outras estórias ) de mãos dadas vislumbrando o "lindo" horizonte. Enfim,tudo muito "liiiiiiindo" demais. MIO DIO DEL CIELO !!! Penso o quanto amamos, sofremos e odiamos junto com todas as estórias dessas fotonovelas. E é verdade, pois lembro que minha irmã tinha (e ainda tem) uma grande amiga ( Claro que não vou dizer o nome - RS! ) que queria porque queria ( rezando e jurando de pé junto ) um romance igual ao de Katiuscia com Franco Gasparri e digo mais, se achava uma atriz talentosíssima e de profunda capacidade dramática, inclusive para atuar "expressivamente" em todo e qualquer "foto-papel", desde que fosse ao lado do Franco Gasparri... Enfim, apesar dos pesares é muito bom constatar que amadurecemos com o tempo, que a vida não é mais uma fotonovela e que apenas as boas recordações permaneceram...
por Marcos Dhotta ( texto e imagem)

Geraldo Del Rey


Há certos ícones da cultura brasileira que não lhe são feitos as reverências e as homenagens merecidas. O ator Geraldo Del Rey é um desses ícones que fazem parte da história da dramaturgia nacional, tendo participado em atuações importantes e definitivas tanto no palco dos teatros, nas telas do cinema e da televisão. Sua trajetória confunde-se com a do próprio cinema novo. Sua passagem pela televisão marcou uma época em que o veículo precisa de grandes nomes e talentos para que se consolidasse ante ao público. Geraldo Del Rey, o galã do preto e branco, fez suspirar atrizes e mulheres poderosas, como Glória Magadan. Deixou um precioso rastro de talento por onde passou, marcando de forma indelével o mundo do espetáculo do século XX no Brasil.

Do Ciclo Baiano ao Cinema Novo

Geraldo Del Rey nasceu em Ilhéus, na Bahia, em 29 de outubro de 1930. Teve formação profissional na Escola de Teatro da Universidade da Bahia.
Sua presença no cinema nacional começa nos anos cinqüenta, onde participa ativamente do Ciclo Baiano, movimento precursor do Cinema Novo, que reúne todos os filmes que são realizados na Bahia entre 1959 e 1963. O movimento congregava personalidades como Glauber Rocha, Rex Schindler, Roberto Pires, Paulo Gil Soares, Oscar Santana, Orlando Senna e Antônio Pitanga.
Geraldo Del Rey trazia um estilo de interpretação interiorizado com influências do Actor's Studio americano. Participa em 1959 de Redenção de Roberto Pires, primeiro longa-metragem do cinema baiano. Do chamado Ciclo Baiano, participa de quase todos os filmes, entre eles: Bahia de Todos os Santos (1960), A Grande Feira (1961), Tocaia no Asfalto (1962) e Sol Sobre a Lama (1963).Consegue projeção nacional e internacional ao participar ao lado de Leonardo Villar e Glória Menezes no filme de Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas (1962), que seria premiado com a Palma de Ouro em Cannes.
Mas é sob a direção de Glauber Rocha e sob as lentes do Cinema Novo que o ator de olhos verdes, chamado por alguns de Alain Delon tupiniquim, finca para sempre o seu nome no cinema brasileiro, participando dos antológicos e históricos Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e A Idade da Terra (1980).
Geraldo Del Rey integrou o núcleo fundador do Festival de Cinema de Gramado, em 1973, dando muito de seu prestígio e apoio para que o evento ganhasse repercussão nacional. Em 2004, em reconhecimento a essa colaboração o 32 Festival de Cinema de Gramado prestou uma Homenagem Especial pela sua participação e contribuição ao cinema nacional.


Militância e Casamento

Ainda no início da década de sessenta ingressou no Teatro Oficina, tendo importantes participações nos palcos. É nesta época de ebulição e mudanças dos ventos no cenário político nacional que Geraldo Del Rey se engaja nos movimentos políticos de esquerda, conservando uma militância que levaria até o fim da ditadura militar.
Casa-se em 1963 com a jornalista Tânia Carvalho. Com a situação política cada vez mais tensa após o golpe militar de 1964, passa um tempo na Europa, ao lado da mulher. Na ocasião Geraldo Del Rey fez um filme com a atriz Maria Barroso, mulher do político português Mário Soares, que futuramente seria a primeira dama de Portugal. Em 1967 nasce-lhe o filho Fabiano.

O Galã do Preto e Branco

Na televisão o belo porte logo lhe traz a condição de galã das telenovelas. Estréia na TV Excelsior, atuando ao lado de atores como Carlos Zara e Regina Duarte (em princípio de carreira). Vidas Marcadas, de Ivani Ribeiro (1965), consegue relativo sucesso que lhe rende algumas capas de revistas da época.
A sua estréia na Rede Globo acontece em 1968, na telenovela A Gata de Vison. A emissora ainda está nos seus primórdios. Reza a lenda que a autora da telenovela, a então toda poderosa Glória Magadan apaixonou-se pelo ator, 30 anos mais jovem do que ela. Geraldo Del Rey vivia o vilão da trama protagonizada por Tarcísio Meira e Yoná Magalhães. A tórrida paixão entre a autora e o ator refletia-se na trama, diz-se “quanto maior o ardor entre ambos, mais o personagem de Tarcísio Meira ia mudando de características e personalidade”. Conta-se ainda, que Tarcísio ao reclamar do rumo que seguia o seu personagem foi afastado definitivamente da telenovela. Com a saída do protagonista Glória Magadan solucionou o problema do casal romântico principal da trama, dando fim à personagem da protagonista, Meggy Parker, criando-lhe uma irmã gêmea, Dolly Parker, para formar o novo par romântico da novela, com Geraldo Del Rey. Pouco tempo depois a era Glória Magadan na Globo era encerrada e a autora é demitida da emissora. Surge a era de Janete Clair.
Em 10 de novembro 1969 a Globo reformula totalmente o formato de suas novelas com a estréia de Véu de Noiva, de Janete Clair, novela das oito da noite. Os dramalhões de época dão passagem para os dramas contemporâneos. O cenário já não é mais de castelos, arenas ou desertos, mas das praias da zona sul carioca. Pela primeira vez é inserida uma trilha sonora em uma telenovela. Véu de Noiva marca a estréia de Regina Duarte na TV Globo, ela é a protagonista ao lado de Cláudio Marzo. Geraldo Del Rey era o antagonista da novela, a última vértice do triângulo amoroso que formava com os protagonistas. Um papel importante em uma novela que logo de início foi sucesso absoluto. Mas o ator não chegaria ao fim da novela. Há duas versões para a sua saída da Globo, a primeira é a de que foi demitido por causa da sua militância política, o que é improvável, pois faziam parte da mesma militância Dias Gomes e tantos outros que trabalhavam na emissora. O que se conta em várias versões é que por volta do trigésimo capítulo, Geraldo Del Rey decidiu sair da novela, pois havia recebido convite para trabalhar na TV Tupi, em uma novela de Glória Magadan, agora contratada da emissora paulista. A saída de Geraldo Del Rey da trama faz Janete Clair resolver o problema com o assassínio da personagem, iniciando assim, a longa série de assassínios das telenovelas brasileiras, surgindo pela primeira vez o famoso bordão: "Quem matou ....?" No país só se fazia uma pergunta naquele começo de 1970: Quem matou Luciano? E com um tiro quando tocava ao piano, Luciano/Geraldo Del Rey encerrava definitivamente o posto de galã global.
Em 16 de fevereiro de 1970 estréia E Nós Aonde Vamos?, na TV Tupi. A novela é um fracasso. Glória Magadan vai embora do Brasil, indo escrever novelas em Miami. Esta novela seria a última da carreira de Leila Diniz, que morreria em um acidente de avião dois anos depois. Coincidentemente 1970 é o ano da separação do ator e de Tânia Carvalho.
Com a ida para a TV Tupi a carreira de galã de telenovelas de Geraldo Del Rey declina. Ele permaneceria nesta emissora até Roda de Fogo (1978), indo para a TV Bandeirantes em 1979, tendo um papel de destaque em O Todo-Poderoso. Passaria ainda pelo SBT. Só voltaria à Rede Globo em 1986, numa pequena participação na novela Cambalacho. Em 1990 Geraldo Del Rey já sem o porte de galã, calvo e envelhecido, brilha novamente em uma novela global: Lua Cheia de Amor, fazendo par romântico com Marília Pêra. A última interpretação do ator foi a do jornalista Damasceno, na minissérie Anos Rebeldes (1992), de Gilberto Braga, produzida pela Rede Globo. No dia 25 de abril de 1993, Geraldo Del Rey faleceu. Saía de cena uma das mais intrigantes carreiras de um ator brasileiro. Da vanguarda do movimento do Ciclo Baiano e intérprete imprescindível do Cinema Novo ao galã das telenovelas preto e branco, este ator deixou a sua marca indelével no cenário nacional. O estudo da sua carreira será sempre uma descoberta.

Lídia Brondi , amor eterno

A musa da minha adolescência foi Lídia Brondi. Lídia, Lídia, Lídia. Até hoje, passados tantos anos, seu nome ainda me causa arrepios. Quando ouço o nome de Lídia Brondi sinto o tempo parar, reverente, diante de minha paixão eterna.
Hoje vi Lídia Brondi na rua, andando sozinha, com um pouco de pressa, óculos escuros, batom discreto. Linda. Sim, o tempo passou. Ninguém a reconheceu além de mim. As musas das telenovelas agora são cada vez mais gostosas. Lídia não; ela era a namorada possível, a companheira viável.
Quando criança, eu amava Lídia Brondi. Lembro que nessa época minha tia trabalhava numa loja de roupas. E nessa loja havia um pôster na parede. Foi nesse pôster que vi Lídia pela primeira vez. O pôster, meus queridos, é este aí acima, cliquem para ampliar a imagem, cliquem! Lídia é a menina da direita. Devia ter que idade nessa foto? Uns 15 anos, se tanto?
Encontrei essa imagem por acaso e vibrei. Confesso que chorei um pouco. Ando especialmente emotivo. E essa foto me fodeu, acabou comigo. Que coisa mais linda uma propaganda de jeans! Naquela época pescar era um um programa de jovem, ajudava a vender uma marca! E as mulheres usavam roupa nas propagandas! E não tinham cara de modelos intocáveis! E Lídia Brondi, meus queridos, Lídia Brondi era um exemplo de beleza!
Quando Lídia apareceu nas telas pela última vez, eu ainda morria de amores por ela. Sofri terrivelmente com sua decisão de voltar a ser uma pessoa comum, anônima, dessas que andam na rua com alguma pressa e um batom discreto. Fiquei sabendo depois que Lídia abandonou as novelas porque não convivia bem com a futilidade do meio artístico.
Adorei, Lídia. Eu não estava enganado. Você era aquilo tudo mesmo.


por Bruno Ribeiro


Lídia Brondi Resende (Ribeirão Preto, 29 de outubro de 1960) é uma atriz brasileira.
Com apenas um ano de idade, a família muda-se Ribeirão Preto e mais tarde, aos nove anos de idade, muda-se novamente para o Rio de Janeiro, onde seu pai, o pastor Jonas Resende, iria trabalhar.

Em 1975, estréia na televisão, participando do seriado Márcia e seus Problemas, da TV Educativa. Convidada pelo direitor Walter Avancini, ingressa na Rede Globo, líder de audiência na televisão brasileira, onde estréia na telenovela O Grito, de Jorge Andrade. Em 1978, ascende de fato ao estrelato entre os nomes de sua geração com a novela Dancin' Days, de Gilberto Braga, onde, contracena com o ator Lauro Corona, tornando-se a ninfeta mais desejada do Brasil na anos 70.

No cinema, Lídia estreou em 1980 em Perdoa-me por Me Traíres, de Braz Chediak, baseado na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues. Mas seu filme mais famoso é O Beijo no Asfalto, também baseado na obra de Nelson Rodrigues, dirigido por Bruno Barreto. Suas cenas de nudez nesse filme tornaram-na mais popular, ainda, com o público masculino, desde há muito seduzido pela sua beleza.

Lídia Brondi enveredaria pelo cinema ainda uma terceira vez, em 1987, quando fez Rádio Pirata, de Lael Rodrigues.

Em telenovelas, teve inúmeras participações importantes em novelas de sucesso como a Mira Maia em Baila Comigo, a Tânia Malta em Roque Santeiro e a inesquecível Solange Druprat em Vale Tudo. Sua última participação foi em Meu Bem, Meu Mal (1990), de autoria do seu sogro Cassiano Gabus Mendes, após a qual abandonou a carreira artística e a vida pública.

Lídia posou para a revista Playboy, pela primeira vez, em julho de 1980. Voltou à revista, desta vez realmente posando nua, em agosto de 1987 (edição 145).

Casou-se com o diretor de televisão Ricardo Waddington, em 1985, com quem teve sua única filha, Isadora. Separada em 1987, volta a se casar em 1990, desta vez com o ator Cássio Gabus Mendes, com quem vive até hoje, e com quem contracenou na telenovela Vale Tudo, de Gilberto Braga. Encerrou sua carreira logo após o fim da novela Meu Bem, Meu Mal.

wikipédia

Professor USP fala do ORKUT - Marco AndréVizzortti - Colaboração de Ismênia Maia




O ORKUT apareceu como uma forma de contatar amigos, saber notícias de quem está
distante e mandar recados.

Hoje está sendo utilizado com o propósito de, creio ser o seu maior trunfo,
obter informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira.

Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve?

Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade, de forma
tão irresponsável e leviana..

Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam
sendo seqüestrados?

Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros ?

Já te abordaram num barzinho, dizendo que te conheciam faz tempo?

Já foi a festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu
ninguém?

Pois é.. Ta tudo lá.
No ORKUT.

Com cinco minutos de navegação
eu sei que quantos filhos você tem, ou se não tem,
se tem namorado/a ,
sei que estuda no colégio tal, ou que trabalha em tal lugar,
sei que freqüenta tais cinemas, tais bares, tais festas ....
sei nome de familiares, sei nome de amigos;
sei sei sei !

E o melhor de tudo, com uma foto na mão!
Identifico seu rosto em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da
rua.
Afinal, já sei onde você está.
É só ler os seus recadinhos.

Faço um pedido:

Quem quiser se expor assim, faça-o de forma consciente e depois não lamente, nem
se desespere, caso seja vítima de uma armação.
Mas poupe seus filhos, poupe sua vida Íntima.

O bandido te ligou pra te extorquir dinheiro também porque você deixou...
A foto dos meninos estava lá.. Teu local de trabalho tava lá.
A foto do hotel 5 estrelas na praia tava lá.
A foto da moto que está na garagem estava lá.

Realmente somos um povo muito inocente e deslumbrado.

Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos.
Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais.
Se você me entendeu, ótimo!

Reveja sua participação no ORKUT, ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus
filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você
os coloca.
Oriente seus filhos a esse respeito ,pois colocam dados deles e da família sem
pensar em consequências,fazem isso pelo desejo de participar, mas não sabem ou
não pensam no perigo de se dar dados pessoais e da família para que qalquer
pessoa veja.

Se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável.

Informo que pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas
gratuitos, sem perceber que tinham sido vítimas da própria imprudência.

A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários...
Não só de Orkut vive a maioria dos internautas.

Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma
informação que pode nos prejudicar.

Disponibilizar informações a nosso respeito pode se tornar perigoso ou
desagradável.
Portanto, cuidado ao colocar certas informações na Internet.
Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede.
O papo pode ser muito bom, legal.
PS:
Passe a todos que você conhece e que utiliza o Orkut, 1Grau, Gazzag, NetQI,
Blogs, Flogs, etc..... para que todos tenhamos consciência sobre o assunto e
possamos colaborar com a diminuição do crime.

Marco André Vizzortti
Professor de Informática da USP
(Universidade de São Paulo)

A teleobjetiva de Heládio Teles Duarte - por Armando Rafael




Heládio Teles Duarte é um médico competente e um cidadão com o sentimento do mundo...
Ele tem uma visão das paisagens no sentido mais puro do humanismo. E vê o mundo deixando fragmentos da sua visão gravadas na teleobjetiva que o acompanha sempre.
Heládio sabe que as paisagens e as construções feitas pelos homens têm seu lugar na história. Sabe que os espaços urbanos, os imóveis que fizeram parte da vida de uma cidade e das pessoas devem ser preservados. Não somente para encher os olhos, mas, também, para relembrar de coisas boas que ali ocorreram.
Quantas vezes não temos vontade de entrar em um edifício e lembrar um momento da nossa vida, dos nossos antepassados, de resgatar histórias ali plasmadas...
Estes bens urbanos – sejam históricos, edificados ou ambientais – têm um significado importante na nossa formação, na nossa identidade como pessoas que fazem parte de uma sociedade, seja ela coerente e cônscia de suas responsabilidades para o ambiente urbano ou não.
No último domingo vi as duas fotos acima feitas por Heládio. Na primeira, vemos os escombros de um dos prédios mais bonitos que existiu em Crato: o antigo Grande Hotel, onde nos baixos funcionava a Cinelândia. Hoje o que foi um conjunto arquitetônico lembra uma foto recente de Bagdá.
No outra foto, Heládio clicou a invasão dos ambulantes que se apossaram da Praça da Sé e a transformaram num mercado persa.
Resta a esperança de que os poderes públicos revertam o triste estado atual desses dois espaços urbanos...

Fotos: Heládio Teles Duarte
Texto: Armando Lopes Rafael

Nelson Mota - Sintonia Fina




Nelson Cândido Motta Filho (São Paulo, 29 de outubro de 1944) é um jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista brasileiro. Filho de Maria Cecília Motta e Nelson Cândido Motta.

Nasceu na capital paulista, mas foi morar no Rio de Janeiro com os seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.

Em 1966, venceu a fase nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC), com sua canção Saveiros (com Dori Caymmi), interpretada por Nana Caymmi.

Participou da bossa nova junto com nomes como Edu Lobo e Dori Caymmi. Ajudou no desenvolvimento do rock brasileiro, através de seu trabalho como jornalista em O Globo e no programa Sábado Som, pela Rede Globo. No final da década de 80 foi responsável pelo lançamento de Marisa Monte e pela produção do festival Hollywood Rock.

Autor de sucessos musicais como Dancing Days (com Ruban Barra), Como uma Onda (com Lulu Santos), Coisas do Brasil (com Guilherme Arantes), Motta já dirigiu espetáculos no Brasil e no exterior e produziu discos de grandes astros e estrelas da MPB tais como Elis Regina, Marisa Monte, Gal Costa, Daniela Mercury, entre outros.

Foi diretor artístico da gravadora Warner Music, produtor da Polygram e também participou do programa Manhattan Connection, do canal GNT, por oito anos.

Escreveu Noites Tropicais, que vendeu mais de 100 mil cópias, O Canto da Sereia (editora Objetiva), Nova York é aqui (editora Objetiva), Memória Musical (editora Sulina), Bandidos e Mocinhas (editora Objetiva), entre outros. Seu mais recente título, Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia, também da Objetiva, biografia do cantor morto em 1998.

Nelson mantém o programa musical Sintonia Fina , que toca em várias rádios do país. Atualmente está produzindo o roteiro do Noites Tropicais, documentário, e Bandidos e Mocinhas, que vai virar filme, e mantém também uma coluna sobre cultura que vai ao ar as sextas feiras no Jornal da Globo.

Nelson tem três filhas (Joana, 35, de seu primeiro casamento, Esperança, 31, e Nina, 26, que teve com a atriz Marília Pêra, quatro ex-mulheres (além de Marília, Mônica Silveira, a empresária Costanza Pascolato e a publicitária Adriana Penna) e três netos, duas meninas e um menino.

Coluna de Nelson Motta no UOL

Meu gosto musical é duvidoso - Por José do Vale Pinheiro Feitosa



Meu gosto musical é duvidoso. Dispersivo, multifacetado, local e mundial. Como dizem os cariocas: o meu e o da torcida do Flamengo. E neste caleidoscópio de consumo musical não existe um ideal estético. Todos os cânones e normas são aceitos.
A música mais que outras formas de arte aceitou a diversidade, o local e o global; o formal e o folclórico nas formas de terreiro e nas formas de salão.
O Theatro Municipal do Rio de Janeiro completou cem anos ontem. Pois bem, nos séculos XIX e XX uma arte (?) popular e uma arte de elite são responsáveis pelas mais majestosas edificações. Principalmente no ocidente endinheirado: continuam fabulosas e evidentes, apesar dos zigurates da modernidade, as óperas em todas as grandes cidades.
No popular os estádios até nas pequenas cidades.Quem chegou à vida adulta ali no começo dos anos setenta, vindo do interior, sabe que a falta de um ideal estético é conseqüência do cinema, do rádio, televisão e da indústria fonográfica.
Se fosse depender apenas do contato ao vivo com a música, o folclórico e religioso prevaleceriam, com as bandinhas, o mineiro-pau, reisados, dança do coco, os cânticos de renovação, das procissões, os desafios de viola e assim por diante.
Os poucos músicos locais os encontraria na periferia boêmia. A banda de música e claro alguns corais. Mas sem aqueles meios (cinema, rádio...) a música seria outra.
Outro dia me dava conta da quantidade de fragmentos de peças clássicas que conhecia desde a infância. Não foi audiência ao vivo. Nem o interior cearense e nem a capital tinha muito a oferecer.
Na capital tudo havia no epicentro do Conservatório Alberto Nepomuceno e no máximo em raras manifestações no Zé de Alencar. Então, as ouvi especialmente nas trilhas sonoras do cinema, no rádio e em eventuais discos.
A ópera era e continua até hoje objeto de intenso estranhamento em parcela importante da população e, especialmente, da juventude.
O caleidoscópio musical que me faz de gosto duvidoso se fez simultâneo com o sertanejo já de poesia acadêmica (Luiz Gonzaga, HumbertoTeixeira e Zé Dantas); o samba com letras da classe média; o jazz com suas bandas, solistas e vocalistas; o rasgado ritmo da juventude; o bolero e com todo o seu lero romântico; a canção européia e tome japonês por emergência, a África por exuberância; os Árabes com seus cânticos semíticos; até os ritmos do Xingu.
E o mais duvidoso de tudo. Nasci, fiquei até vir embora, no sítio Batateira em primeiro momento e depois um bairro que chegou ao que é.
Durante os meus dois últimos anos era o locutor e o discotecário, nas horas vagas do ensino, da Amplificadora a Voz do Povo.
E que voz! Aquele canto de abandono, de traição, de vingança, de uma imensa dor de corno, aquilo que era ao mesmo tempo o chão pantanoso da “estética oficial” e a fina flor da dor do povo que não sai no jornal.
Que me perdoem o vício pelo indefensável. Que perdoem o hábito de manter a discussão. Não existe uma palavra final para nós. Apenas o mote solitário, neste ambiente plural: a arte é simultaneamente doméstica e das ruas; do particular e do coletivo; sentimental e racional; lamentosa e glorificadora; enfim, a arte é a expressão do tempo atual.
A expressão do tempo atual é a simultaneidade.Muitos acham meu gosto musical duvidoso. Até tenho dúvidas com esta falta de ideal. O máximo que posso é aprender com este alguém e adicionar mais um gosto ao meu portfólio (não é assim nesta tecnicidade moderna?)

José do Vale Pinheiro Feitosa

Pudim Veludo - por Socorro Moreira

Pudim de Veludo
Ingredientes:

01 copo de leite de vaca;
10 colheres de açúcar;
04 ovos inteiros (misturados, sem bater, passados na peneira);
01 colher de sopa de farinha de trigo;
01 colher de sopa de manteiga derretida;
01 pirex de queijo ralado.

Preparo:

Mistura-se tudo muito bem e assa-se em fôrma caramelada. Vai ao forno em banho-maria. Deve ser bem misturado quando botar a mistura na fôrma. Pode ser servido em qualquer molho para pudim.

Fonte: Receitas de Mamãe.


* Quando eu nasci, se existia leite condensado, ele não entrava na lista de compras. Nem porisso


a gente deixava de saborear um delicioso pudim. Minha mãe fazia maravilhas sem leite condensado. Entre algumas, "pudim veludo" é a sua cara !


Se quiserem um gostinho de infância, experimentem-no !

Nelson Mota

Resposta ao desafio - por Claude Bloc


Sala da URCA. Anos 70.
Letras.
Darci, Iara Brito, eu... Havíamos estudado Latim com Geraldo Lemos para nos prepararmos para o vestibular. Dificil tarefa, mas apenas uma revisão daquilo que vínhamos estudando desde o 1º Ginasial.

Passamos! (Deus creavit coelum et terram intra sex dias. Primo die fecit lucem. Secundo die fecit firmamentum quod vocavit coelum. Tercio die coegit aquas in unum locum et eduxit plantas et arbores... - Que me corrijam os ex-seminaristas).

Pois é... e assim galguei mais um degrau de minha existência.
Começaram as aulas. Ainda se mantinha o velho costume de mostrar respeito para com o professor. Ficávamos em pé aguardando o sinal do mestre para nos sentarmos. Hoje isto geraria risadas por entre a"galera". Hoje sobra a falta de civilidade.

Lembrei-me de Vieirinha abrindo nossos novos caminhos no meio acadêmico. Brigando com o cigarro e o giz. Trocando o giz com o cigarro. Mas nos passando novos seberes. Gostava de suas aulas.

Esta sala deserta de alunos me deu saudade dele.Senti minha ausência nessas carteiras e a falta do meu mestre querido.

Claude Bloc

Para reflexão ... - Foto de Heládio Teles Duarte


Esta foto é de uma das principais ruas de Juazeiro do Norte. Qualquer semelhança com Bombain ( India ), é mera coincidência.

Onde está o plano urbanístico de nossas metrópoles?



Heladio

A poesia de Ana Cristina César





é muito claro
amor
bateu
para ficar
nesta varanda descoberta
a anoitecer sobre a cidade
em construção
sobre a pequena constrição
no teu peito
angústia de felicidade
luzes de automóveis
riscando o tempo
canteiros de obras
em repouso
recuo súbito da trama


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Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café

Ana Cristina César

Ana Cristina César- Descoberta tardia, porém, descoberta -por Marcelo Costa



Ana Cristina César
Descoberta tardia, porém, descoberta.

Um post-it amarelo no meio da correspondência RJ/SP (Ballvé/Costa) pergunta: "Posso te mandar um livro que adoro, emprestado, no esquema carta registrada?"

O livro em questão era "A Teus Pés" de Ana Cristina César, da série Cantadas Literárias da Editora Brasiliense

O poema escolhido é o que abre o livro em questão. E mais um ou dois...

Ana Cristina César nasceu no Rio de Janeiro em 1952 e se suicidou no dia 29 de outubro de 1983.

A Editora Ática relançou toda obra da escritora em edições especiais e luxuosas. "A Teus Pés", lançado originalmente em 1982, surge com 33 páginas a mais que a edição anterior da Brasiliense, incluindo um extenso material iconográfico, que inclui fotos inéditas, cartas e poesias.

Dois agradecimentos. A Flávia Ballvé, por tudo, e a Livia Dotto Martucci que pescou o livro que eu namorei em uma viagem a São Carlos, interior de SP, e trouxe para mim, de presente.

Marcelo Costa
Editor S&Y



"trilha sonora ao fundo: piano no bordel, vozes barganhando
uma informação difícil. agora silêncio; silêncio eletrônico,
produzido no sintetizador que antes construiu a ameaça das
asas batendo freneticamente.
Apuro técnico.
Os canais que só existem no mapa.
O aspecto moral da experiência.
Primeiro ato da imaginação.
Suborno no bordel.
Eu tenho uma idéia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.
Memórias de copacabana. Santa Clara às 3 da tarde.
Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos.
Billy the Kid versus Drácula.
Drácula versus Billy the Kid.
Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o seu
amor de ontem.
Gertrude: estas são idéias bem comuns.
Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela.
Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte.
É sempre um pouco tarde.
Não presta atenção em mim.
Olha aqueles três barcos colados imóveis no meio do grande rio.
Estamos em cima da hora.
Daydream.
Quem caça mais o olho um do outro?
Sou eu que admito vitória.
Ela que mora conosco então nem se fala.
Caça, caça.
E faz passos pesados subindo a escada correndo.
Outra cena da minha vida.
Um amigo velho vive em táxis.
Dentro de um táxi é que ele me diz que quer chorar mas não chora.
Não esqueço mais.
E a última, eu já te contei?
É assim.
Estamos parados.
Você lê sem parar, eu ouço uma canção.
Agora estamos em movimento.
Atravessando a grande ponte olhando o grande rio e os três
barcos colados imóveis no meio.
Você anda um pouco na frente.
Penso que sou mais nova do que sou.
Bem nova.
Estamos deitados.
Você acorda correndo.
Sonhei outra vez com a mesma coisa.
Estamos pensando.
Na mesma ordem de coisas.
Não, não na mesma ordem de coisas.
É domingo de manhã (não é dia útil às três da tarde).
Quando a memória está útil.
Usa.
Agora é a sua vez.
Do you believe in love...?
Então está.
Não insisto mais."



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Um Beijo
que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor



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Recuperação da adolescência
é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço



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Cartilha de Cura
As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios


Ana Cristina César

Ana Cristina César




Tu Queres Sono: Despede-te dos Ruídos


"olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas "( Ana Cristina César)


Ana Cristina Cesar, ou Ana C., como era conhecida, nasceu em 1952 nesta cidade do Rio de Janeiro. Após 1968, passou um ano em Londres, fez algumas viagens pelos arredores e, na volta, deu aulas, traduziu, fez letras, escreveu para revistas e jornais alternativos, e saiu na antologia "26 Poetas Hoje", de Heloísa Buarque. Publicou, pela Funarte, pesquisa sobre literatura e cinema, fez mestrado em comunicação, lançou seus primeiros livros em edições independentes: "Cenas de Abril" e "Correspondência Completa". Dez anos depois voltou à Inglaterra, graduou-se em tradução literária, escreveu muitas cartas e editou "Luvas de Pelica". Trabalhou em jornalismo, televisão e escreveu "A Teus Pés", Editora Ática - São Paulo, 1998. Suicidou-se no dia 29 de outubro de 1983.

O poema acima foi incluído no livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 249, seleção de Ítalo Moriconi, que assim se manifestou sobre a escritora: "Ana Cristina dizia que uma das facetas do seu desbunde fora abandonar a idéia de ser escritora, livrar-se do que ela naquele momento julgava ser sua face herdada, o estigma princesa bem-comportada, alguém marcada para escrever".

© Projeto Releituras

E a Luta Antimanicomial Continua...

Nodia 30 de outubro de 2009, fará dez anos da morte
de Nilse da Silveira, mas a partida da psiquiatra que
lançou um novo olhar sobre a loucura, embora disses-
se que não se atrevia a defini-la, está sendo lembrada-
da desde o inicio do ano. O último 18 de maio, Dia Na-
cional da Luta Antimanicomial, foi uma data por excelên-
cia para rememorar Nilse e os ideais que ela defendia.
"A palavra que mais gosto é liberdade", dizia. E liber-
dade é a essência do movimento contra a existência
de manicômios no Brasil. O movimento e o Dia Nacio-
nal da Luta Antimanicomial foram, foram criados há
22 anos, em 1987, por profissionais, familiares e usuá-
rios dos serviços de atendimento a pessoas com trans-
tornos mentais.Era uma reação ao tratamento desu-
mano e ao fracasso que representavam os hospícios.
Lugares de segregação, os manicômios impediam aqui-
lo que Nilse da Silveira apontava como o caminho para
melhorar o atendimento dos pacientes com transtornos
psiquiátricos: o contato afetivo de uma pessoa com outra.
Nesses lugares, ao contrário, o isolamento, a exclusão,
as altasdoses de medicação, os choques elétricos e os
maus tratos foram durante muito tempo o arsenal
"terapêutico" destinado aos "loucos".
Nas origens, a prática da saúde mental incluia os asilos
para alienados, individuais ditos "doidos".
Nas duas últimas décadas ganhou força o movimento
em defesa da reforma psiquiátrica e contra tais insti-
tuições, consideradas retrógadas e insustentáveis como
locais para tratamento de transtornos mentais."São
instituições que patologizam ainda mais o paciente,
e não contribuem para a melhora do seu quadro".

Reflitam sobre isso.



Pessoas em Momentos - (outubro - 2009)