Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em D. Quintino ...
Colaboração:Claude Bloc

FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010




"O tempo é um mestre-de-cerimônias que sempre acaba por nos pôr o lugar que nos compete, vamos avançando, parando e recuando às ordens dele, o nosso erro é imaginar que podemos trocar-lhe as voltas. "
José Saramago.


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"Se já construístes castelos no ar, não te envergonhes deles; estão onde deviam estar. Agora constrói os alicerces."


Thoreau

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Nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba
O que parece estático, espera!

Adélia Prado

Chet Baker - Embraceable You



Letra e Música de Ira e George Gershwin (1928). Interpretada por Chet Baker (1957)

Embraceable You Chet Baker
Embrace me
My sweet embraceable you
Embrace me
My irreplaceable you
Just to look at you
My heart grows tipsy in me
You and you alone

Bring out the gypsy in me

I love all
The many charms about you
Above all
I want my arms about you
Don't be naughty baby
Come to me
Come to me do
My sweet embraceable you

Ai está como te prometi, Socorro.

O 12 de Outubro - Por João Marni


A esperteza e o oportunismo do homem para ganhar e acumular dinheiro são impressionantes. Dentre as várias maneiras conhecidas, uma é estabelecer datas comemorativas, a exemplo de 12 de Outubro, Dia da Criança. Por algumas horas ficamos com a impressão de que tudo transcorre às mil maravilhas com os baixinhos: uma festa! Na manhã do dia seguinte estarão fechadas as cortinas do grande teatro fictício e a vida nos revelará a realidade cruel: o descaso com a criançada, seja em sua educação escolar, em sua moradia sem saneamento e água potável ou na assistência de uma saúde pública sem qualidade e de difícil acesso. Poderão dizer os espertalhões que tudo se deve ao impacto da Revolução Industrial, que possibilitou a entrada da mulher no mercado de trabalho, alterando a forma da família cuidar e de educar seus filhos. Balela! O que falta mesmo é vontade e responsabilidade em políticas públicas, recursos com destinação correta e não em malas, meias e cuecas!...
Dada a ênfase da política macroeconômica atual, focalizada na realização de um elevado superávit primário para pagamento de juros, encargos e serviços da dívida externa brasileira, torna-se difícil acreditar que serão efetivados os investimentos e metas propostos.
De fachada, puro efeito cosmético, criou-se, dois anos após a aprovação da Constituição Federal de 1988, o “Estatuto da Criança e do Adolescente” (Lei 8069/90), onde o artigo 227 inseriu as crianças no mundo dos direitos humanos. Pelo art. 3º. eles devem ter assegurados os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, para que seja possível, desse modo, terem acesso às oportunidades de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Presumem-se os direitos ao afeto, o de brincar, o de conhecer e o de se expressar. São atores do próprio desenvolvimento. Mas tem funcionado? É o que temos observado? Não nos esqueçamos do número escandaloso de crianças que morrem devido a sede e a fome por políticas públicas equivocadas.
Não deveria haver ninguém que sofresse por falta do necessário. O atual pontífice, Bento XVI, bem resumiu, numa declaração, esta situação: “De todas essas crianças, eleva-se um grito de dor que interpela e sacode nossas consciências”. Crianças, as criaturas mais frágeis e indefesas e, dentre elas, as sofredoras, pedem a nossa atenção. Pequenos seres humanos que carregam já em seus corpos e mentes, conseqüências de atrocidades da irresponsabilidade de quem os deveria proteger. Feridos no corpo e na alma em conflitos armados, vítimas inocentes dos insensatos. Meninos e meninas de rua, menores profanados por pessoas inescrupulosas que violam a sua inocência, provocando-lhes seqüelas indeléveis. Diz-se que Deus não nos manda sofrimento sem enviar a força para suportá-lo. Mas não interferir, deixando uma criança à própria sorte, empenhada em tourear a fome, o frio, a dor e o medo, é de uma crueldade sem perdão.
Nada mais triste do que a visão de uma criança a perambular à toa, descalça, suja, com roupas puídas, faminta, chorando e sem norte. Damos-lhe as costas e seguimos em frente, afinal não batem os nossos DNAs. Ainda não percebemos que somos, cada um de nós, responsáveis diretos ou indiretos por suas mazelas. Esse ser exuberante de vida é a vergonha andante que experimentamos enquanto humanos, sombra de nós mesmos, consciência materializada das nossas omissões. O pior é que aquela criança poderá, no futuro, estar a nos esperar num sinal de trânsito do cruzamento da Rua da Esperança com a Rua da Solidariedade, num ajuste de contas dantesco entre a inocência desprezada e seu verdugo de outrora. ouvir-se-ão simultaneamente o som da batida do martelo de Deus e o do estampido de uma arma de fogo...

João Marni de Figueiredo,
do Instituto Cultural do Cariri

Crato,12 .out.2010

Parabéns, Márcia Barreto !


Quantas vezes comemorei esta data com a menina Márcia ?
Tempos de Escola, e agora nos últimos reencontros, o dia de hoje veio a calhar numa alegre cconfraternização. 
O tempo emprestou mais beleza àquela menina, loirinha, que parecia tímida. Hoje é uma moça bem articulada, que resguarda  a pureza da alma, e as tantas qualidades, que desde cedo, lhe personalizavam.
A gente dizia : Márcia é pura arte ! Cantava, dançava, desenhava, e se adaptava a qualquer papel artístico que lhe era destinado. 
Hoje estivemos todos juntos , no Café Cariri do Múcio Duarte. Família e amigos . Festa de congregar amizade e alegria.
Márcia é amiga para sempre !

Um grande abraço, querida !
Uma Corola
Ferreira Gullar


Em algum lugar
Esplende uma corola
De cor vermelho-queimado
metálica
não está em nenhum jardim
em nenhum jarro
da sala
ou na janela
não cheira
não atrai abelhas
não murchará
apenas fulge
em alguma parte alguma
da vida

["Uma Corola", do livro "Em Alguma Parte Alguma", de 2010 ]

As meninas de Barra Mansa - José do Vale Pinheiro Feitosa

As “meninas” da cidade sabem viver. Todas descompromissadas com a companhia masculina de mesmo teto. Passam finais de semanas examinando as borbulhas douradas das cervejas, com um prato de sopa quente nas noites frias de Barra Mansa.

Não raro vão à casa uma das outras para experimentarem receitas e costurarem fofocas da cidade. Fazem excursões pelas estradas barrocas das Alterosas, alugam casas nas amenidades da cidade “dezenovecentista” de Bananal. Costumam passar temporadas na fazenda da família da Mirtes, uma delas.

Então na semana passada a Eliane, a pedido de uma amiga, ficou por tomar conta de um cão criado em apartamento. Mas na controvérsia da fuga: se ficar solitário, o danadinho destrói almofadas nos sofás, rói as bordas das portas, arranca franjas que obstruam sua ânsia por companhia.

Mas a Eliane, apesar da incumbência, teve convite para um dia inteiro no campo. Deu um jeito do “Bob” ficar bem alimentado e tratou de cortar a rota de fuga do cão. Terminado o presídio foi livre para um dia de alegrias: Eliane, Viviane e Miriam.

Duas horas da madrugada o carro risca na porta da Eliane para deixá-la, estropiada das “abeberações” e comilanças do dia. Estava tomada de sono. Despede-se e as amiga recomendam que entre antes que saíam. Ela protesta, não é necessário e se vai.

Nem meio segundo o carro ainda acelerava para dar ré quando retorna Eliane saltitante, com os olhos arregalados a denunciar uma cobra bem na entrada da sua porta. Logo este mesmo animal bíblico a incomodar nossas “Evas”.

Uma algazarra generalizada na calmaria da madrugada. Mulheres discursando sobre o método de matar cobras. A vizinha do alto de sua sacada, no segundo andar, vem até a porta do seu olhar sonolento a perguntar o que havia.

- É uma cobra. Enorme. Bem na porta de casa.

- Mata Eliane! Mata a bicha!

- Matar? É ruim! Aí não tem nenhum homem não? Onde estão os homens desta Rua? Só esta lesma que apenas espia e nada faz.

Na falta de um valentão de cacete em punho, a Miriam resolve enfrentar a serpente peçonhenta. Naquela altura juntando todas as fantasias e lendas do ofidiário.

- Espera aí Eliane! – diz a Miriam – Ela é enorme! E esta varinha pode não ser suficiente. Não tem um pau bem grosso aí? A mulher fala na distância razoável além do bote daquela fera. A Viviane também se aproxima e logo diagnostica: Nossa ela está toda preparada para dar o bote.
Nem a cena da mais despreparada equipe de bombeiros num incêndio descomunal mobiliza tanto quanto àquelas mulheres, desde o chão da rua por onde realizavam busca de instrumentos para uma cobra e destilar medo, até o alto da sacada, a vizinha dando pitacos.

Finalmente a Miriam, no meio da azáfama dos resultados, aproveita o solavanco emocional do grupo e se aproxima. É que no lado das amigas havia um amplo debate entre a rua e a sacada, entre àquelas que corriam ao longo da quadra em busca de ajuda e a vizinhança que começava a acordar naquela revolução.

- Eliane, olhe aqui a cobra.

Todos param. Um silêncio de ofertório na igreja. Apenas o tilintar de sinos da heroína com a cobra pelas mãos:

- É uma mangueira. Olhe aqui. Uma grossa mangueira!

- E o Bob da Amélia? Pergunta a Eliane. Fugiu. Passou o dia fugindo e retornando! – respondeu a vizinha do alto de sua sacada. A ficha caiu: foi ele! Que cachorro mais miserável!

Que noite tem estas mulheres. E tem quem imagine que a vida urbana é só luz e máquinas. Televisão e internet. Tem cobra. De viva manifestação, pelo menos simbólica.

Na Idade Média

Em 3 de outubro, um domingo, os brasileiros acordaram cedo, votaram, decidiram democraticamente pelo segundo turno das eleições presidenciais e foram para a cama no século XXI. Mas acordaram no dia seguinte em plena Idade Média, com a religião e o aborto no centro do debate político. Como a eleição termina no dia 31, em pleno Halloween, nas redes sociais a candidata do PT, Dilma Rousseff, passou a ser tratada por seguidores de Jose Serra, do PSDB, como uma bruxa a quem será preciso queimar. O clima inquisitorial, patrocinado não só por evangélicos, como chegou a se publicar,
mas também por alas conservadoras da Igreja Católica, é estimulado pelos tucanos e democratas, que pretendem focar a campanha no tema.
Quando o Brasil foi dormir naquela noite, o aborto era uma questão séria de saúde pública. Realizado clandestinamente, é o responsável por 15% das mortes maternas no país, a quarta causa de óbito de mulheres durante a gestação. São realizados pelo Sistema Única de Saúde (SUS) mais de 180 mil curetagens por ano, grande parte delas causada por abortos malsucedidos. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Brasília, mesmo proibido por lei, uma em cada cinco brasileiras com menos de 40 anos expeliu do corpo um feto por vontade própria.
Ao acordar na segunda-feira, o brasileiro deparou-se com a notícia de que esse grave problema havia se transformado num trunfo para tentar mudar o resultado das eleições,
nas mãos de religiosos e político conservadores.
UMA TRAMA FOI URDIDA NOS SUBTERRÂNEOS DO CATOLICISMO MAIS ARCAICO PARA PREJUDICAR A CANDIDATA DILMA ROUSSEFF, retro-alimentada pelos adversários eleitorais. A própria mulher do candidato José Serra, Mônica, chegou a dizer a um evangélico, no Rio de Janeiro, em meados de setembro, que a petista “gosta de matar criancinhas”. Impossibilitados de atingir as classes mais baixas com algum halo de programa de governo, democratas e tucanos apelam para o aborto e para a religião em busca dos votos da classe C.
Em uma reunião de Serra com os governadores e senadores eleitos pelo PSDB em Brasília, foi flagrada pelos repórteres uma pilha de panfletos da arcaica Tradição, Família e Propriedade (TFP) a pregarem o voto contra Dilma Rousseff por ela ser a favor da “legalização” do aborto, entre outras questões.
Nas duas semanas anteriores à eleição e no próprio domingo da votação, uma carta assinada pelo bispo dom Nelson Westrupp, presidente da Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi distribuída nas portas das igrejas de São Paulo. Conclamava os eleitores a não votarem nos candidatos do PT.
Serra tem razões pessoais para deixar de apelar à condenação do aborto como arma eleitoral. Em 1998, quando Ministro da Saúde, foi ele quem assinou a norma que dava orientações sobre como o centro de saúde deveria proceder no atendimento ao aborto para vítimas de violência sexual, previsto na lei. Tecnicamente o procedimento foi correto, mas Serra foi alvo de condenação pública pelo CNBB, que pediu a revogação imediata da norma. Para quem sentiu na pele a pressão da Igreja, é no mínimo manifestação de oportunismo recorrer a tais expedientes.
Parece, porém, que a questão ética não incomoda o candidato tucano.

Fonte: CartaCapital

Por Pachelly Jamacaru



"AS CURVAS SINUOSAS DO TÃO GIGANTE PAÍS

SÓ FAZEM LEMBRAR QUE TANTAS VEZES EM TI

MORRI FELIZ"


Renato Russo


Renato Manfredini Júnior, nome artístico: Renato Russo (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996) foi um cantor e compositor brasileiro.

Russo é considerado um dos mais importantes compositores do rock brasileiro. Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico (1978), a qual durou quatro anos, e terminou devido às constantes brigas que havia entre ele e o baterista Fê Lemos Renato herdou desta banda uma forte influência punk que influenciou toda a sua carreira. Nessa mesma época, aos 18 anos, assumiu para sua mãe que era bissexual, em 1988, assumiu publicamente.

Em 1982, integrou a banda Legião Urbana. Nesta nova banda desenvolveu um estilo mais próximo ao pop e ao rock do que ao punk. Russo permaneceu na Legião Urbana até sua morte, em 11 de outubro de 1996.

Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Biquini Cavadão e 14 Bis.
wikipédia


Lobão



"João Luíz Woerdenbag Filho, mais conhecido pelo nome artístico de Lobão (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1957) é um cantor, compositor, músico e apresentador de televisão brasileiro. Sua carreira musical é marcada por grandes parcerias; compôs sucessos como "Me Chama", muito famosa na voz de vários intérpretes, e "Vida Louca Vida", conhecida na voz de Cazuza. Realizou um encontro da música pop com o samba em seu disco Cuidado!, que teve a participação da Estação Primeira de Mangueira."

Tom Zé


Tom Zé, nome artístico de Antônio José Santana Martins (Irará, 11 de outubro de 1936) é um compositor, cantor e arranjador brasileiro.

É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, tendo participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos 1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil. A partir da década de 1990 também passou a gozar de notoriedade internacional, especialmente devido à intervenção do músico britânico David Byrne.
wikipédia


Música linda !!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pérola da MPB

O Sol Nascerá

Composição: Cartola / Elton Medeiros

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Fim da tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Cartola


"Os mais antigos textos da literatura portuguesa datam do século XII, época em que algumas pessoas costumavam escrever poesias conjugadas com a música. Surgiram então as cantigas, um tipo de produção literária que basicamente enaltecia o amor ou criticava comportamentos da sociedade daquela época. Eram as cantigas de amor, amizade, escárnio e maldizer. Todas escritas pelos chamados trovadores. Mas por que estamos dizendo tudo isso? Porque oito séculos depois do Trovadorismo, nascia no Rio de Janeiro um dos maiores compositores da música brasileira de todos os tempos. Cartola, como ficaria conhecido, era um homem simples que ao longo de mais de cinco décadas construiu um dos legados musicais mais importantes do cancioneiro nacional. Ele compôs e cantou o amor como ninguém. Seu ritmo era o samba... Cartola pode ser considerado o nosso trovador do século XX, por ter composto as mais lindas cantigas de amor. Angenor de Oliveira, vulgo Cartola, é o trovador do samba."

Fernando Sabino


Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) foi um escritor e jornalista brasileiro.

Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio Pila No Ar e começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos em revistas da cidade, conquistando prêmios em concursos.

Fernando Sabino – O gato sou eu


- Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu!

Surpresas... - por Socorro Moreira

Sabe um daqueles dias  , em que a gente dorme horas a fio, sem vontade de fazer nada ?
Anoitece e a esperteza leva o nome de tristeza.... 
Eis que o telefone toca, e uma voz amiga, do outro lado, informa : Socorro , estamos no Crato!
Um Crato quente de  Outubro. Noitinha de Domingo, combina com cerveja gelada. Passei no Abidoral, abracei Sónia e Everardo, e pensei : vamos esticar o papo , no alpendre de Zé Flávio e Fabiana. Vento generoso, dançante, acariciante. Conversas felizes, engraçadas... risos ! Simpáticos  agregados , como Marcos Cunha, Dona Sónia, Cileide. Roda ,ciranda   perfeita !
Foram lembradas de forma familiar e carinhosa, as nossas figuras folclóricas. Os meninos dos anos 60 , hoje grisalhos, trocaram suas divertidas memórias sobre : Alagoano, Dom João, Bôsco, António Aragão, Chapeado 90, etc,etc,etc.
Falamos sobre o lado idílico de Marina, e sobre a força empreendedora, que esperamos da Dilma...Falamos de nós, amantes cratenses, viajantes ocasionais , no tempo e lugares. A minha tristeza ficou escondida, em risos verdadeiros.  É adorável encontrar amigos ,  que a gente quer tanto bem.
Agora, em casa, no pijama confortável, desejo uma noite de paz, aos corujas do nosso blog.
Abraços especiais em Do Vale. Figura bem lembrada, quando a conversa assume um caráter político, e sério !
Bem lembrado pelos laços afetivos, que a gente em cada pensamento fortalece.
Fotografei a figura ímpar da Ethel !Considero todos os seus personagens, cinematográficos.
Agora é fechar a janela, e esperar um sono sem sonhos... Ou que sejam  leves .Hoje entendi , literalmente, o significado de um pesadelo. E desejo sonhos , bons sonhos, para todos aqueles que amam a madrugada, mas precisam dormir.
Sônia e Everardo, voltem sempre !

Segunda em novo tom...

Something
- George Harrison



Música para uma segunda-feira

  Dont Know Why
Norah Jones

Oh, pretty woman
Roy Orbison