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Estão paralisados, mas não há desespero,
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"

(Carlos Drummond de Andrade)

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Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A “face oculta” do Rui - José Nilton Mariano Saraiva

510 anos após o seu descobrimento, o Brasil descobre que é um país de raríssimos heróis. Macunaímicos ou não, eles estão aí, fazem parte da nossa história e convém não ignorá-los; inconcebível, por temor de maculá-los, evitar aprofundar estudos sobre os “de cujus”.
Certamente que imbuído desse propósito e após paciente e minuciosa pesquisa em documentos oficiais (da época), o jornalista Luis Nassif lançou meses atrás o livro “Os Cabeças de Planilha” que, dentre outras, nos traz revelações desconcertantes e estarrecedoras sobre o mitológico Rui Barbosa, o nosso "Águia de Haia", quando este “esteve” Ministro da Fazenda de Deodoro da Fonseca.
Há que se atentar, por dever de justiça, que o jornalista em nenhum momento coloca em xeque ou tenta desqualificar-desconstruir a figura heráldica do “intelectual” Rui Barbosa, subtrair os méritos do “Águia de Haia” ou negar o valor do nosso herói da infância; até porque seria pouco inteligente.
Assim, preservando-o (o “intelectual”), deixando-o imune à polêmica e até certo ponto blindando-o hermeticamente, a pesquisa foi feita em cima do “homem”, do “mortal” e, mui especificamente, do “político” Rui Barbosa.
E só então constatamos a contundência do sábio adágio popular de que “na prática a teoria é outra"; é que o resultado emergente do estudo do Nassif nos deixa aparvalhados e embasbacados ante o surgimento de uma figura tão aética, imoral e desprovida de caráter. Com imensa tristeza constatamos que os belos ensinamentos e magníficas lições do “intelectual” Rui Barbosa, tratando sobre a honra, a honestidade, a ética, a moral e os bons costumes sucumbem inexoravelmente quando confrontados com o diário "modus operandi" mafioso do “político” Rui (como se ele estivesse a nos sussurrar ao ouvido a velha máxima: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”).
Assim, decepcionantemente constatamos que Rui Barbosa, o “político”, foi tão ou mais desonesto e nefasto que a “cambada de picaretas” com assento no Congresso Nacional nos dias atuais; que coisas hoje banalizadas, do tipo tráfico de influência, malandragem, propinas, privilégios a amigos, jeitinho, favores em troca de vantagens, recebimento de presentinhos, corrupção, desonestidade, falsidade e improbidade administrativa estiveram sempre presentes em sua labuta. Diuturnamente. Enquanto no poder esteve e do poder se serviu.
A sombria “face oculta” de Rui Barbosa (o político) constitui-se, pois, uma amazônica decepção pra quem só conhecia a sua iluminada “face visível” (o intelectual).
Abaixo, para ilustrar, uma pequena amostra das “peripécias” do nosso grande Rui Barbosa (segundo o Nassif):

1) “Com o cunhado Carlos Viana Bandeira, o Carlito, e o Conselheiro Mayrink, Rui participou da fundação de um tal de Banco Vitalício do Brasil, que, como quase todos os empreendimentos de Mayrink, era sub-capitalizado, com a subscrição constituída por notas promissórias. SEGUNDO AFONSO ARINOS, NENHUM BANCO AUTORIZADO A EMITIR POR RUI REALIZAVA SEQUER O CAPITAL ESTATUTÁRIO. O Banco acabou fechado antes que explodisse o escândalo”.
2) “Quando deixou o governo, no bojo de uma renúncia coletiva do Ministério, RUI FOI PRESENTEADO POR MAYRINK E OUTROS BANQUEIROS COM UM PALACETE EM LARANJEIRAS. Segundo relatou seu cunhado Carlos Viana Bandeira, foi sua mãe (sogra de Rui) quem o convenceu a não aceitar o presente, porque "tal coisa não cheirava bem"”.
3) “QUANDO SAIU DO MINISTÉRIO, RUI JÁ ERA UM HOMEM RICO, PARTICIPANDO DE TRÊS EMPRESAS CRIADAS NO “ENCILHAMENTO”. Ainda se tornou presidente da estrada de ferro Goiás-Mato Grosso e do Banco Impulsor. Entre fevereiro e maio de 1891, em plena agonia do “Encilhamento”, o Banco patrocinou cinco novos lançamentos no mercado".
4) “Rui Barbosa viu na reforma monetária a possibilidade de beneficiar grupos específicos – E DE SER BENEFICIADO POR ELES. BENEFICIOU ESPECIALMENTE O CONSELHEIRO FRANCISCO DE PAULA MAYRINK E SAIU DO GOVERNO SÓCIO DE TRÊS EMPRESAS DELE”.
5) “As pressões vinham acompanhadas de uma imensa 'atoarda' na imprensa, atingindo um Ministro da Fazenda moralmente fragilizado pelas CONCESSÕES ESCANDALOSAS CONFERIDAS AO CONSELHEIRO MAYRINK”.
6) “No início de 1891 - JÁ RICO - TENDO SAÍDO DO GOVERNO PARA DIRIGIR COMPANHIAS FILHAS DO “ENCILHAMENTO” E DO CONSELHEIRO MAYRINK, Rui lamentava as decisões tomadas. Se não tivesse sido pressionado, diria ele, metade da dívida pública teria sido resgatada”.
7) “A ficha de Deodoro só caiu mais tarde, quando RUI VENDEU A “QUINTA DO CAJU”, DE PROPRIEDADE DA UNIÃO, SEM CONSULTAR O PRESIDENTE E POR UM PREÇO CONSIDERADO IRRISÓRIO. A venda foi anulada e Rui pediu demissão pela nona vez, mas, nessa ocasião, Deodoro aceitou”.
8) “Em 1893, dois anos DEPOIS DE DEIXAR O GOVERNO, RUI ESTAVA SUFICIENTEMENTE RICO PARA COMPRAR O PALACETE NEOCLÁSSICO NA RUA SÃO CLEMENTE, EM BOTAFOGO (*), que pertencera ao Barão da Lagoa”.
(*) De tão triste lembrança, ainda hoje no referido endereço funciona a Fundação Casa Rui Barbosa, como que, ironicamente, a querer perpetuar os desmandos cometidos pelo patrono.

Um comentário:

Socorro Moreira disse...

Surpreendente !

Abraços, meu grande !