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Eu tinha quatro anos e três meses de idade, quando descobri que o tempo era medido em anos. Leni, uma pessoa muito querida em nossa casa, rasgou a folhinha do calendário e disse: “Hoje é primeiro de janeiro de 1950. Faltam dez anos para o mundo acabar”. Foi assim que eu fiquei sabendo de duas coisas. Primeira: que cada determinado período de nossa vida constituía um ciclo que nós denominávamos ano. A segunda foi uma informação que me deixou bastante apreensivo. O mundo um dia iria acabar. E este dia estava bem próximo, pois dez anos para mim seria uma coisa que passaria rapidamente. Esta perspectiva do fim do mundo me apavorou só em pensar, que toda a vida existente um dia se acabaria. Por isso, a cada primeiro de janeiro, revejo a imagem de Leni puxando a folhinha do calendário e destacando aquele marco. Hoje guardo um sorriso pelos anos e anos em que tive medo das “três noites de escuro” que prenunciava o “fim do mundo” previsto, portanto para ocorrer em 1960.
Neste ano, que ontem se encerrou, quando me encontrava na UTI de um hospital, durante o pós-operatório de uma delicada intervenção cirúrgica, senti por alguns instantes a proximidade do “fim do mundo”.... E lembrei-me de Leni, que hoje vive no “outro mundo” preparando para os anjos e santos seus deliciosos bolos, pudins e o incomparável “baba de moça”, um doce feito com a polpa do coco verde, com os quais me empanturrei durante tantos anos. Tenho certeza que seus divinos clientes não correrão o risco de ter suas artérias obstruídas, como ocorreu comigo.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
8 comentários:
Carlos Eduardo,
Uma bela crônica para um começo de ano, porque se apoia numa reflexão interessante:conduz o fio da história com humor mesmo (em)se tratando de coisa séria.
É esta sua caracterísitca de bom escritor. Não cair na derrocada da constante queixa pelos percalços da vida. E esta aceitação da provação que se apresentou de forma tão inseperada é que o engrandece como pessoa.
Que Deus abençoe você, Magali e todo sua família.
Abraço a vocês.
Claude
As crônicas de Dr. Carlos Emeraldo traz sempre o gosto doce e amargo da vida, da vida como ela é. Gosto muito quando ele remonta coisas do passado e joga o doce no meio. Aliás, joga tudo o que é a pureza de um mundo que já se acaba. Não bastasse um belíssimo livro que escreveu, ele tem panos pras muitas mangas em suas narrativas de rememoração do tempo que viveu. E diga-se, seu tempo terá sido um tempo maravilhoso porquanto é a partir dos anos cinquenta que o Brasil acontece em transformação pelas artes, pela música, pelo cinema, pelo corpo, pela liberdade, pela vida e pela confiança num novo mundo que nós - ele, eu e você acreditávamos estar constuíndo.
Desejamos ao amigo e a sua esposa Magali a continuidade da presença sempre afável e construtiva nas páginas de nossos blogues.
À Claude e Zé Nilton
As palavras de vocês me deixaram emocionados nesse primeiro dia do ano. Obrigado pela generosidade de vocês.
Tudo de bom no ano que hoje se inicia
Parabéns Carlos,
Este é o primeiro ano novo de sua nova vida.Agradeçamos a Deus por ter mais uma vez, o dom da vida.
Grande abraço para você e Magali.
Liduina.
À Liduina
Muito agradecido pela sua manifestação e retribuo os votos de felicidades para o ano que se inicia.
Abraços
Carlos Eduardo,
Parabéns!!!
Leio com grande prazer seus textos, recheados de detalhes, e sempre com uma grande dose de humor.
Abraços
Aloísio
Carlos e Magali,
Precisamos muito de voces por aqui.
E agrademos a Deus por esse primeiro ano novo de Carlos.
Que venham muitos recheiados de textos maravilhosos como este.
Que 2011 seja repleto de alegria e felicidade.
Grande abraço!
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