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"Penetra surdamente no reino das palavras.
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Estão paralisados, mas não há desespero,
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"

(Carlos Drummond de Andrade)

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

INDIOS CARIRIS - Por Edilma Rocha


Se fala  tanto em "Cariri" e pouco se escreve sobre estes nossos antepassados por falta de mais  dados da historia dos índios Cariris bem antes da conquista dos Portugueses no Brasil.  Sabemos muito pouco sobre este território que se estende da Chapada do Araripe. Mesmo nos fósseis  de peixes, animais petrificados, ossadas Mastodonte, são para nós como livros difíceis de decifrar.
Originários da Ásia, chegaram ao nosso mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos chegaram a América no período neolítico, os Sudésticos e os Brasílicos, a procura de um lugar que lhes dessem melhores condições de vida. Alguns prosseguiram migração que só foram detidos pelas águas calidas do Rio São Francisco e se assentaram nesta vasta região. Uma das tribos foi a Nação Cariri que chegou ao Sul do Ceará nos séculos IX e X da era cristã em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, melhorando a vida das suas tribos. Encontraram no Cariri, mais precisamente no Crato, o ambiente propício às suas aspirações, com suas fontes e riquezas naturais. A Região propiciou-lhes uma vida fácil e primitiva retirando da natureza em abundância, uma diversidade de alimentos como a macaúba, o babaçú, o pequi, o araçá, dentre outros. Plantaram a mandioca, o milho e a caça e a pesca farta nas matas faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias podiam viver em paz durante muito tempo. Suas casas eram construídas com palhas de palmeiras e usavam utensílios como, cabaças, cuias e coités. Construíram o pilão de socar, a urupemba, o abano, esteiras de palha e artigos feitos de barro como, vasos, pratos, panelas onde cozinhavam comida proveniente da farinha de mandioca e do milho. O beijú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscus e muitas outras, vieram dos nossos antepassados indígenas.
Os Índios Cariris foram nações indígenas como muitas outras que povoaram o nosso Brasil, mas tinham uma particularidade de serem propensos a obedecer e o seu aldeamento era feito sem nenhum  custo logo que a voz evangélica dos missionários se chegou até eles. Os "Cariús" habitavam ao Norte do Araripe, os "Calabaças" habitavam as margens do rio Salgado e os "Inhamuns" eram inimigos e viviam em guerra habituais e sempre mantinham ocupações ordinárias.
O descobrimento da data exata dos índios Cariris ainda é uma indagação, sabe-se que foram descobertos por aventureiros baianos que partiram do São Francisco por volta de 1660 à 1680, antes do Governo de Sebastião de Sá, no Ceará.
Um "negro"escravo da Fazenda Várzea, além do rio São Francisco, do Senhor da Torre, caiu em poder dos índios Cariris, ainda rapaz novo e ao longo do tempo se tornou um forte Capitão dessa tribo. O negro aconselhou os índios a recorrer o auxílio dos brancos mediante a descoberta do País. Foi este escravo que ensinou aos Portugueses o caminho dos Cariris, nas selvas e ribeiras. Estas foram as notícias deixadas por pessoas que viveram na última metade do século passado, como o Coronel  Leandro Bezerra Monteiro. Os primeiros invasores vindo do rio São Francisco, eram descendentes de Diogo Alves Correia, "O Caramurú", que socorreu os Cariris contra os Cariús. Sendo difícil dizer quem foi o chefe da primeira batalha, talvez João Correia Arnaud ou  Medrado, vaqueiro e procurador da Fazenda Várzea.
Em 1590, com a ajuda de 200 homens, o negro e 5 índios, chegaram na Cachoeira de Missão Velha e dominaram do rio Salgado até o Icó. Em 1610, veio o Coronel João Mendes Lobato e um filho, o padre António Mendes Lobato com cerca de 100 homens identificados com a tribo "Calabaça", conseguindo que recebessem o Batismo e estabelecendo relações com os Cariris. O padre Lobato mandou uma comissão a Pernambuco pedir ao Bispo Dr. Estêvão Brioso, um missionário, que mandou para a catequese dos índios o Italiano Frei Carlos de Ferrara, do Convento da Penha. Frei Carlos abriu a missão de Missão Velha e depois, Missão Nova e Miranda, onde passou para Crato. A vinda de Frei Carlos se deu em 1678 até 1683. No Cariri não havia uma grande população, apenas uns raros brancos, mas além das aldeias de Missão Velha, Missão Nova e Crato, existiam fazendas de gado com colonos estabelecidos. Vestígios de uma casa-forte tem sido descoberto em Cachoeira e parece a primeira edificação no solo Cariri.
Alguns frades Capuchos vieram do Pernambuco logo depois do Descobrimento servindo de chefes a essas nascentes populares e catequizaram os índios, primeiro em Missão Velha, depois no Miranda, sítio onde o riacho desse nome faz barra na corrente Batateira. Ali fizeram aldeamento e os índios mais adiante atravessando o rio das Piabas, no lugar em que hoje está a cidade do Crato, muito tempo conhecida como Missão do Miranda. Os índios homens e mulheres trabalhavam por tarefas sob as ordens de um  feitor índio e um diretor branco. Havia ordem da Corte Portuguesa de 1764, que ninguém saia da aldeia sem permissão e eram subordinados pelo Senado da Câmara do Icó. Um índio de 15 à 60 anos ganharia anualmente 4$800 rs e os de 12 à 18 anos 3$00 rs, obrigados a amos que lhes dava de comer, beber e vestir, tinha que cura-los das moléstias, ensina-los a doutrina cristã e a se fazerem confessar 5 vezes por ano. O índio que aprendesse o ofício de mecânico, trabalhava 6 anos para o mestre, depois ganharia 100 rs diários. As mulheres a única obrigação do amo era as prendas domésticas e de pois casa-las.
E assim aconteceram os abusos e foram reduzidos a escravidão pela avareza dos locatários sendo esta a vida dos senhores exclusivos do Brasil.

Edilma Rocha

Fonte -  Ceará Homens e fatos - por João Brígido.

2 comentários:

Magali de Figueiredo Esmeraldo disse...

Edilma, parabéns, seu texto está excelente!

Um grande abraço.

Magali

Claude Bloc disse...

Edilma,

Seu texto enriquece o Cariricaturas e nos traz informações importantes sobre nossa terrinha.

Abraço,

Claude