Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sábado, 19 de março de 2011

Pintura Musicada - Aloísio

Pintura Musicada


Telas, quadros, partituras,
Notas, pautas misturados
Cores bemóis atonados
Em vermelho solfejados

Esta tela apareceu
Como uma clave de sol
Desenhando os arpejos
Pintada com ouro em pó

As tintas se transformando
Em harmonias musicais
Onde tudo vira som
Vibrando entre os cristais

Vendo a minha partitura
Usando meus instrumentos
Transformo em u’a pintura
Pintada neste momento

Expostas no cavalete
Nas músicas vejo pinturas
Nas pinturas ouço músicas
Resolvendo minhas agruras.

Aloísio

O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS NO BRASIL - Por Edilma Rocha


Desembarcou hoje às 7:30 horas em Brasília o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama para a sua primeira visita oficial ao Brasil. Trouxe na sua  companhia a esposa Michelle e as duas filhas, Mila  (10 anos) Sacha (7 anos) além da sogra.
Ao chegarem ao hotel  foram cobertos por mimos, atitude bem típica dos Brasileiros. Cada um recebeu um par de sandálias com as cores do Brasil, as filhas coleções de lápis à cores com ilustrações do Rio de Janeiro para colorir. É um costume entre os presidentes a trocas de presentes e Dilma Russef ofertou um álbum com uma coleção de belíssimas fotografias do nosso País.
Um sistema de segurança fortemente armado foi preparado especialmente para garantir o bem estar e a tranquilidade da ilustre família presidencial americana. As Forças Armadas Brasileiras prestaram a segurança dispondo de muitos militares e equipamentos de rádio em alta definição, além de contribuir com os custos das despesas junto a Presidência da Republica. Como, rachar as contas.
O almoço à família Norte Americana foi servido no Itamaraty com um cardápio especial : Picanha, Baião de dois, Feijoada light ( Michelli é vegetariana), arroz branco e por sobremesa frutas tropicais e sorvete de graviola, um bufet especial cuidou de todos os detalhes.
Depois da reunião com a Presidente do Brasil Dilma, Ex-Presidentes, Ministros e Governadores de todos os Estados para assuntos diplomáticos, o Presidente Americano Barack Obama levará a família para conhecer as belezas da cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro.
Recentes pesquisas revelaram que o casal Barack Obama e Michelli são mais populares no seu País do que mesmo Kennedy e Jaqueline. Hoje representam um modelo de família americana admirada pela simplicidade e boa vontade.
Estamos orgulhosos em receber em solo brasileiro a família modelo dos Estados Unidos da América. E nós aqui do Cariricaturas não poderíamos deixar passar em branco um acontecimento tão importante.

Edilma Rocha

ENCONTRO COM AMIGOS


Mestre Galdino e Edilma
Sem palavras...

O MUNDO VERÁ A MAIOR LUA CHEIA DOS ÚLTIMOS 20 ANOS – “SUPERMOONS”

 – “SUPERMOONS” -

O mundo está prestes a presenciar a aparição da maior lua cheia das duas últimas décadas. Na semana que vem este satélite natural vai chegar ao ponto mais próximo da Terra.

No dia 19 de março, a lua cheia vai aparecer mais exuberante do que o usual na noite celeste quando ela atinge o ponto máximo de um ciclo, conhecido como ‘Perigeu Lunar’.

É esperado um espetáculo visual quando a lua se aproximará da Terra a uma distância de 221,567 milhas da órbita – chegará mais próxima do nosso planeta desde 1992.

A lua cheia poderá aparecer no céu 14% maior e 30% mais luminosa, especialmente quando nascer no horizonte do oriente ao pôr-do-sol ou em condições atmosféricas bem favoráveis.

Este fenômeno é reportado como o mais relevante assunto sobre ‘supermoons’ que esta conectado com o as extremas manifestações do clima - como os terremotos, vulcões e tsunamis. A última vez que a lua passou tão próxima da Terra foi no dia 10 de janeiro de 2005, nos dias próximos dos terremotos na Indonésia que registrou 9.0 na escala Richter.

O furacão Katrina em 2005 também foi associado com a lua cheia incomum.

Previsões de ‘supermoons’ aconteceram em 1955, 1974 e 1992 – cada um destes anos tivemos a experiência de fortes manifestações climáticas.

Soma-se aqui um belo comentário e correções do texto acima, por quem entende do assunto:

“Posso fazer um pequeno adendo? Vulcões e terremotos são fenômenos geológicos e não climáticos (atmosféricos). E tsunami não é um fenômeno em si: ele é “apenas” uma consequência de um tremor que acontece no assoalho oceânico. Furacão sim é um fenômeno atmosférico relacionado ao clima. Mas está relacionado ao aquecimento global, já que a energia que existe em um furacão é fornecida pelo calor acumulado na atmosfera. Assim, quanto maior a quantidade de calor, maior a força e consequente capacidade de destruição de um furacão.

A Lua, linda é maravilhosa no céu, não tem culpa nenhuma das lambanças q o ser humano faz nesse planeta e nem com os fenômenos geológicos.

Outra coisa: podem ficar atentos que outras manifestações geológicas ocorrerão no planeta, em qualquer lugar, logo: qdo uma placa tectônica se movimenta, ocorre uma acomodação nas outras em volta. Como tudo está ligado, podem esperar mais tremores e atividade vulcânica para logo mais. E pode ser em qualquer lugar do mundo onde exista um encontro de placas…” Suzana

 
Enviado por e-mail por Roberto Jamacaru

CRATO: CIDADE DOS POLÍTICOS QUE PERMANECEM NA CONTRA-MÃO

Pedro Esmeraldo

Nesses últimos dias lemos uma missiva animadora (Helder Macário), debatendo com muita ânsia os problemas agravantes do Crato.
Isso acontece há anos, desde os tempos dos trogloditas que sem ter condições de comandar os destinos da cidade, provocaram a acomodação do Crato, governando a cidade com enfado, perpetrando a sua queda, deixando que os infaustos acontecimentos prevalecessem ao longo dos anos e sem cessar no correr do tempo.
A nosso ver, assim interpretamos, mas não acreditamos que ocorra, que a cidade deve ser governada por pessoas cultas e que tenham amplos conhecimentos científicos, com boas maneiras para que saibam remar em águas profundas com dignidade, trabalho social e comportamento ilibado, o que pode ocorrer em fato contrário aos desígnios da população, já que observamos que uma cidade administrada por pessoas incultas, com toda certeza, trará desânimo entre seus habitantes.
Queremos afirmar e nós sabemos como falar, isto é, não sabemos que a maioria desses políticos são obtusos e semi-analfabetos. Não sabem onde possuem as ventas, por certo não trazem nenhuma melhora para a nossa cidade, já que sua população fica com o pensamento arruinado, sem esquecer as forças mentais, sem empregar os meios a fim de alcançar os objetivos que são: o equilíbrio de forças permanentes para modificar o quadro político desta cidade.
Por isso, ficamos atônitos, quando observamos uns políticos apáticos, alheios ao desenvolvimento da cidade, ficamos atônitos quando observamos o péssimo comportamento dos políticos, que no momento preciso, calam-se aos insultos provocatórios dos inimigos de nossa cidade, às vezes, batendo palmas ou pedindo clemência, meneando a cabeça com gestos afirmativos, entredizendo-se que Crato é o fim da linha e é por isso que só vem a sobra para nós.
Não senhores, não aceitamos de bom grado os seus argumentos. Todos tem de reagir, gritar com todas as forças de seus pulmões que Crato é a cabeça, é o princípio do nascimento de todas as cidades do Cariri. Neste caso, esta cidade tem de ser respeitada e elevada com objetivo de enquadrar-se aos grandes centros do país. Agora, relembrando o Crato tem de preservar a tradição dos homens passados que foram atuantes, vibradores e expansivos. Temos de afastar, em primeiro lugar, esses homens viciados de políticas, substituindo por pessoas de bem que queiram realmente trabalhar em benefício da cidade.
Infeliz é a cidade que tem o povo viciado e ignorante que açambarca o poder em torno de si mesmo, aceitando migalhas oferecidas pelos invasores que nos vem arrebatar o nosso patrimônio e que tem como objetivo colocar o Crato para escanteio e para o lado do desprezo, pois sem mais nem menos, esse digno povo cai na esparrela, enegrecida pelos seus algozes que tem como objetivo aquietar o povo a fim de força-lo a baixar a cabeça para não reagir aos insultos e ficam conversando lorotas na praça Siqueira Campos, pensando que apareça um líder de verdade para lhe dar luz que venha clarear com mais vigor o seu desejo.


Crato-CE, 15.03.2011

Dom Vicente Matos, o terceiro bispo de Crato – por Armando Lopes Rafael


Os que conviveram com Dom Vicente mais de perto são unânimes em reconhecer nele um espírito magnânimo, pleno de bonomia, simplicidade, firmeza de caráter e um otimismo que não se abalava com as decepções da vida...

Dom Vicente de Paulo Araújo Matos nasceu na cidade de Itapagé, Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 29 de novembro de 1942. A nomeação episcopal veio encontrá-lo – em 25 de abril de 1955 – como diretor do Colégio Arquidiocesano de Fortaleza, conhecido como Colégio Castelo. O Papa Pio XII concedeu a Dom Vicente Matos, naquela ocasião, o título de bispo titular de Antioquia de Meandro e auxiliar de Crato. Residindo na Diocese de Crato desde 15 de agosto de 1955, com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires, Dom Vicente foi escolhido terceiro Bispo Diocesano de Crato em 28 de janeiro de 1961, pelo Papa João XXIII. Tomou posse na função no dia 19 de março do mesmo ano.
Homem dinâmico e empreendedor foi um pastor prudente, zeloso e deixou vasta folha de serviço prestada à Diocese de Crato. Criou dezoito paróquias e ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato embrião da Universidade Regional do Cariri.
Foram iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Grangeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde, além da atual Faculdade Católica do Cariri. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e Colégio Pequeno Príncipe; a Escola de Líderes Rurais; Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre outras iniciativas.
Dom Vicente foi bispo-auxiliar durante cinco anos; administrador diocesano por um ano e cinco meses e bispo diocesano de Crato durante vinte e um anos, perfazendo quase trinta e sete anos de bons serviços prestados à diocese de Crato. Renunciou ao bispado, por motivo de saúde, em 01 de junho de 1992 e faleceu no dia 06 de dezembro de 1998. É considerado o maior benfeitor da cidade de Crato. Foi sepultado na Capela da Ressurreição da Catedral de Crato.
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

AUSÊNCIA - Por Marcos Barreto de Melo



A sua casa

O meu berço

A sua ausência

A minha dor

Pensamento para o Dia 19/03/2011


“Quando as coisas estão plácidas, calmas e serenas, as pessoas podem fundir-se à atmosfera da Suprema Consciência, que é o mais elevado que se pode alcançar. A paz interior (Shanti) que elas experimentam é mais sutil que o mais sutil. Eles devem ascender até ela através de um esforço guiado pela razão, através da meditação. Quando o deleite é total e completo, não é diferente do status Divino, o objetivo almejado da vida! As pessoas geralmente não se esforçam para isso, pois elas não sabem nada sobre sua atração suprema.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 18 de março de 2011

Japão


A imagem que saltava da TV parecia familiar. Dir-se-iam vários meninos brincando com seus carrinhos e casinhas na beira da praia e, de repente, uma onda mais forte , engolia todos os brinquedos e os levava maré abaixo. As imagens, mostraram-se depois perfeitamente reais, não fossem alguns detalhes: os objetos não se tratavam de miniaturas e , antes de tudo, aquilo não se enquadrava numa simples brincadeira infantil. Retratavam , na verdade, uma tragédia de proporções gigantescas, do outro lado do mundo; dessas que se têm tornado, estranhamente, tão corriqueiras nos últimos tempos. Um terremoto de intensidade recorde no Japão, acompanhado de um tsunami devastador que varreu o norte do país. Prejuízos incalculáveis, reatores nucleares emitindo radiação a céu aberto, mais de cinco mil mortes e milhares de desaparecidos.
Os grandes desastres trazem consigo a possibilidade de refletirmos sobre nossa pequenez diante da imensidão do universo. E as perguntas se sucedem e são inevitáveis. Por que nos últimos anos as grandes hecatombes têm se repetido com tamanha freqüência? Terremoto e tsunami destroçaram a Indonésia; um outro terremoto quase que aniquila o Haiti, depois o Chile e a Itália. Sem falar na tempestade de Nova Orleans , há poucos anos. E as chuvas devastadoras de Pernambuco na ano passado e este ano na região serrana do Rio e no Crato agora em Janeiro? Até que ponto estas catástrofes são mera coincidência; até quando são respostas à ação do próprio homem sobre o equilíbrio instável da natureza? Uma outra questão: as Usinas Nucleares, depois do acidente asiático, devem continuar sendo exploradas como uma forma segura de energia, em substituição ao petróleo e a outras formas mais limpas , como a hidroelétrica?
Quem acompanhou o noticiário da tragédia japonesa deve ter percebido algumas peculiaridades. A primeira delas é o quanto a organização e o trabalho preventivo são capazes de minimizar as baixas. Quando se computarem todas as mortes japonesas talvez alcancemos 30.000 perdas. No Haiti foram mais de 200.000 e na Indonésia mais de 300.000. Como o Japão conseguiu impactar de forma tão forte as suas mortes? Através da tecnologia e do treinamento do seu povo para as situações de calamidade. Esta parece ser uma das maiores lições que depreendemos do desastre japonês: é possível sim, com medidas preventivas, não evitar os fenômenos naturais,mas prevê-los com alguma antecedência e diminuir de forma significativa as perdas humanas.
O maior exemplo, no entanto, que arrancamos da gigantesca tragédia que já se abateu sobre o Japão é a maneira destemida, contida e resignada com que os japoneses enfrentaram a devastação. Sem choros convulsivos, sem atropelos, sem apelos dramáticos. Mesmo diante da fome , da perda e da morte o povo manteve-se controlado: nada de saques, de correrias, de salve-se-quem-puder. Entre nós latinos, afeitos às grandes manifestações sentimentais, á solidariedade de superfície, às lágrimas fáceis e aos apelos dramáticos, a reação japonesa parece-nos estranha e fria. Mas a sua resignação passa-nos a certeza absoluta que, tendo suportado tantas guerras, tantos desastres naturais e duas bombas atômicas; os japoneses forjaram sua alma no fogo e estão prontos a resistir a todas as intempéries. Calmamente se debruçam sobre os escombros e remontam , peça por peça, o quebra-cabeças da sua vida e da sua história. Como se nada houvesse acontecido, como se o tsunami tivesse vindo apenas fechar um ciclo e trouxesse consigo a anunciação de tempos menos turbulentos e mais felizes.


J. Flávio Vieira

ESTAR ENTRE AMIGOS ...

Sítio S.  José
- Claude Bloc -


O lugar transpira paz. A gente chega e respira o clima do Cariri banhado de luz e a harmonia da casa traz sossego à alma.



A história permanece escrita nas paredes antigas, no secador de legumes, na qualidade de vida que se transporta até hoje. Na vida, ali, não há limo. A alegria está polida nos sorrisos da família.



Das sombras refrescantes da árvores os portais para o verde, para a exuberância da natureza. Aqui é facil imaginar o que seja felicidade.


De repente o sol se abre em luz e as flores beijam o céu, compactuando com o brilho do dia .


E então o sol parece desfazer-se em mil pedaços no ouro das pétalas e no anil de um céu de março.

 

E lá se vão as horas (que passam). É tempo de voltar pra casa. Diante de nós a simplicidade, o verde, o caminho a seguir, até que possamos estar de novo nessa estrada.




Agradeço a Magali, a Carlos Eduardo, a Socorrinha (mestra em deliosos manjares), a Thales, a Gabriel e até a "Maria Chiquinha", a gata ladrona, que entendeu minha alegria de estar nesse lugar.

Claude Bloc

ARMADILHA DO AMOR - Por Daniel Hubert Bloc Boris (Jacques)

Pensamento para o Dia 18/03/2011


“Quando falhas são encontradas em alguém, você concluirá que existem deficiências em seu comportamento, isso é tudo. Não conclua que não há um Atma Divino nele. Como resultado da companhia que ele preservou ou da ineficiência da sociedade na qual ele cresceu, as falhas surgiram nele. Elas não são nativas de sua natureza, que é do Atma. Você deve fornecer-lhe boa companhia e ambiente benéfico e persuadi-lo a associar-se a eles. Você não deveria, de nenhum modo, condená-lo como um incorrigível de nascença e mantê-lo afastado.”
Sathya Sai Baba

AS SETE MARAVILHAS DE VARZEA ALEGRE - Por Mundim do Vale

1 - O RIACHO DO MACHADO
2 - A IGREJA DE SÃO RAIMUNDO
3 - A FESTA DO PADROEIRO
4 - O HOTEL MUNICIPAL
5 - O CLUBE RECREATIVO
6 - A BANDA DE MESTRE ANTÔNIO
7 - A LAGOA DA CIDADE.


A terra de São Raimundo
Tem maravilhas também,
Assim como tem no mundo
Várzea Alegre também tem.
A gente fica encantado,
Com O RIACHO DO MACHADO
Quando desce com a enchente.
Tem a força de um trator,
A rapidez de um condor
E elegância de serpente.


A IGREJA DE SÃO RAIMUNDO
Que tem na frente um cruzeiro,
Acomoda todo mundo
Na FESTA DO PADROEIRO.
Uma festa de oração,
Que aproxima o cristão
Na mais completa harmonia.
Onde todo bom fiel,
Recebe a bênção do céu
Em frente da sacristia.


O HOTEL MUNICIPAL
Na sua bela estrutura,
È o nosso cartão postal
Com requinte e com moldura.
Fica bem localizado
Lugar privilegiado
De hotel de qualidade.
Tem o setor restaurante,
Que agrada o visitante
Quando visita a cidade.


Lá não falta o incentivo
Para a boa diversão,
O CLUBE RECREATIVO
É o melhor da região.
Faz a festa de natal,
De São João, de carnaval
E também de debutante.
Tem boa diretoria,
Que recebe com alegria
O nosso bom visitante.


A BANDA DE MESTRE ANTÔNIO
É difícil descrever,
Nosso maior patrimônio
Na salva do amanhecer.
Depois tem no meio dia,
Novamente a sinfonia
De instrumento afinado.
Mestre Chagas na regência,
Com bastante eficiência
Executando um dobrado.


A LAGOA DA CIDADE
Nossa sétima maravilha
Que fizeram uma partilha
Não ficou nem a metade.
Mais ainda tem encanto,
Porque pertence a um santo
Que vai devolver pra gente
Aquela lagoa bela,
Sem ninguém mandando nela
Como era antigamente.


Assim como esse versinho
Rimado com o coração,
A cidade tem carinho
Com o visitante irmão.
Pra ela é sempre um prazer,
Todo dia receber
Visita com amizade.
Venham com suas famílias
Para ver as maravilhas
Que tem na nossa cidade.


Raimundinho Piau
06-12-96

quinta-feira, 17 de março de 2011

O silêncio dos idosos - Emerson Monteiro

Se há qualquer característica especial nas pessoas idosas, que sacode essa convicção irreverente que os jovens carregam de peito aberto, feita medalha de vitória colada ao peito, se trata do silêncio contundente, grave, que adorna esses senhores, essas senhoras, quietos pelos cantos à espera do farnel da derradeira viagem.
Parados, de olhares vazios presos nas extensões infinitas do espaço, eles mergulham na distância quais enxergassem de longe as portas do Reino, o porteiro e sua chave crepuscular. Às vezes, sorriem consigo, cúmplices das saudades que, presunçosas, amaciam as bordas das camas, a alvura dos lençóis e os braços gastos das poltronas puídas, nos abrigos transitórios.
Quando outros chegam, e quebram o clima sério dessas virtudes solitárias, de leve abrem o pano dos olhos baços e desprendem simpatia marota, como quem sabe para além dos saberes daqui de fora. E largam restos de sociabilidade nas poucas interrogações que lhes perseguem, atentos aos anos posteriores que ainda restam.
Pois bem, a solene presença desses avozinhos, campeões da longevidade, contempla netos e bisnetos, suas últimas relíquias preciosas. Passeiam pelo ar já rarefeito as ilusões que sumiram nas esquinas do passado, dança de cadeiras das gerações que saem bem devagar à coxia do teatro. Nisso, umas nesgas de alegria ainda persistem a escorrer da ponta dos dedos aos cabelos macios dos inocentes, atitude instintiva, débeis carícias abandonadas aos que tanto ensinaram a amar.
De outras feitas, contudo, ali, assim, fecham o semblante e demonstram lances pessoais de uma luta interna que lhes joga poeira às redondezas do rosto. Quais testemunhas isoladas nas primeiras sessões dos tribunais que defrontarão no campo da Eternidade, envoltos na eloquência desses julgamentos de consciência, crescem ao sabor da chama das réplicas os olhos murchos de lágrimas secas.
Postos de face com a face do destino, o drama secular das irrealizações humanas chora, quase grita. Por isso, angustia com força quem andar por perto deles, nos respingos da tempestade, no mar imenso dos sentimentos e ações antigas. Sofrer, com eles, esses tais silêncios incontidos das crises terminais dos sonhos significa, também, sofrer dentro da gente o alerta de que se aproxima a transição das certezas. Pernas parecem quase não cumprir os trechos finais da estrada de volta para casa. Olho, contudo, assustado essa indiferença dos nossos heróis que, agora, desfazem gavetas e arrumam as malas. Aquela gravidade carrancuda virará o rosto nessa hora da verdade, impondo maior respeito. Monumentos de outrora, erguerão a riste o indicador e reclamarão coragem aos que permanecerem, quando vestirem o manto da despedida. Nessa hora, vencerão a batalha das quimeras morais e dores físicas, e repousarão, em paz, nos braços aconchegantes da ausência inevitável.

Católicos de Barbalha restauram a Igreja do Rosário – por Armando Lopes Rafael


Um exemplo para as demais cidades do Cariri. Uma das mais bonitas igrejas católicas do Cariri está passando por ampla e meticulosa restauração. Os trabalhos se arrastam há alguns meses, mas deverão estar concluídos até maio. Até o reboco externo do templo está sendo substituído. Será feita ainda toda a pintura interna e externa, das portas, da bancada para o público dentre outras melhorias.

História da Igreja do Rosário
A ideia de construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário surgiu no primeiro quartel do século XIX, entre os escravos negros – pessoas sofredoras e piedosas – residentes em Barbalha, as quais, anos mais tarde, formariam a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, daquela aconchegante cidade. Como esses escravos eram paupérrimos, somente em 1860 conseguiram eles cavar os alicerces, logo soterrados pelas rigorosas temporadas de chuvas que aconteciam no Cariri naquele tempo.
Somente em 1892 o padre Manoel Cândido dos Santos, vigário de Barbalha, resolveu enfrentar a construção da Igreja do Rosário. Naquele ano ele deu a bênção da pedra angular do futuro templo. Existem registros de que em 1906, a igreja já tinha as paredes levantadas Entretanto, devido – novamente – ao rigor das chuvas daquele ano, as colunas centrais desabaram. No verão, as obras foram reiniciadas e em 1907 o corpo da igreja estava coberto e rebocado no lado sul.
Neste ano, devido à saída do padre Manoel Cândido da paróquia de Barbalha, as obras foram novamente paralisadas. Foi quando os leigos Antônio Correia Sampaio Filgueiras e José de Sá Barreto Sampaio (Zuca Sampaio) tomaram a si o encargo de concluir a Igreja do Rosário. Nova paralisação ocorreu a partir de 1914 por conta da chamada Sedição de Juazeiro, quando tropas invadiram e saquearam Barbalha obrigando muitas famílias a se refugiarem em sítios e fazendas do sertão pernambucano. Em 1918, com o retorno dessas famílias as obras da Igreja do Rosário recomeçaram.
Finalmente, no dia 2 de fevereiro de 1921, o primeiro bispo de Crato, dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, acompanhado de vários padres, procedeu a benção do majestoso templo, cujas festividades se prolongaram por três dias, com a participação de toda a população barbalhense, aquele época cem por cento católica.
Vale ressaltar que a belíssima imagem de Nossa Senhora do Rosário, que pontifica no altar-mor, foi doada – em 1912 – pela Sra. Cosma Porcina de Sá Barreto Sampaio. Já o belíssimo altar, entalhado em madeira, foi feito pelo mestre Manoel Roque.
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Carta de um amigo - Pedro Esmeraldo

PEDRO, MEU PREZADO AMIGO

Tenho lido muitos dos seus escritos e, em quase todos você deixa transparecer o seu grande amor pelo Crato. Neles você fala das riquezas e belezas do município, mas clama a todos, segui-lo no seu intento de resolver os inúmeros problemas que ele tem e deixa à mostra o seu desapontamento por nada poder fazer sozinho. Há uma razão muito forte para esse amor tão grande; é que o Crato inspira e merece amor por parte dos seus filhos autênticos e você é um deles. Aliás o Crato, atualmente, está precisando muito do amor e da atitude dos seus filhos de verdade.

Eu, que não nasci aqui, mas como se filho fosse do Crato, quero bem ao município, à cidade, ao povo e, exatamente como um dos seus filhos mais fervorosos, vejo o quanto ele está lento em sua caminhada e o quanto realmente está precisando de todos os seus filhos.

Como você, eu não gosto quando vejo o descaso pela cidade, pelo município, quando vejo a cidade, como que esquecida, quando a vejo perder tanto do seu patrimônio, perder oportunidades, perder posições na corrida para o desenvolvimento, em todas as áreas, entre as cidades da região, perdendo assim até força econômica, não gosto quando vejo a cidade, a cada dia perder força política, quando vejo a cidade deixar de ser socorrida de imediato, quando se abatem sobre ela, catástrofes como a de há pouco, quando vejo o povo ser enganado por promessas, demagogia ou migalhas, como pequenas obras que são construídas apenas próximo às eleições, justamente para enganá-lo, e não gosto quando vejo a cidade, o município e o povo, perderem a sua autonomia.

Fico triste quando penso em certos assuntos que a meu ver, são da maior importância, são o ponto chave para quase tudo de bom que nos poderia acontecer, mas que, infelizmente, nunca são tratados. São de fato alguns, os tais assuntos, mas eu gostaria de me referir ao principal, aquele que, só muito bem pensado, se a sociedade o encarasse com muita seriedade, iria, certamente, resolver muitos problemas que nos atingem e atrofiam, além de nos beneficiar com o que precisamos e merecemos. Falo do assunto que diz respeito à política.

Acompanho, guardando uma certa distância, naturalmente, o que sempre acontece quando se aproximam as eleições. Percebo, logo de início, que tal assunto, dada a sua importância, não deveria ser tratado apenas quando se aproximam as eleições. Percebo, logo de início, que tal assunto, dada a sua importância, não deveria ser tratado apenas quando se aproximem as campanhas eleitorais, vejo que as pessoas mais ligadas ao assunto ficam aguardando providências de pessoas alheias ao município, como se não tivessem autonomia para tratá-lo, vejo as lideranças esfaceladas, engalfinhando-se em lutas que só dificultam o entendimento e trazem a divisão das forças e fico triste quando vejo, às vezes, o povo sendo utilizado como massa de manobra.

O que acontece aqui à época das campanhas, eu acho até de certo modo, vergonhoso. Vemos muitos dos nossos políticos em verdadeira peleja, cada um querendo mais exibir o seu potencial, sem a devida preocupação com o povo, pesando mais nos seus próprios interesses, fazendo inclusive acordos com políticos de outros municípios, numa manifestação muito potente de descaso pelos nossos próprios valores, vejo a cada dia, nosso prestígio, perante as autoridades superiores se esvaindo, somos carentes de lideranças, poderíamos contar com forças poderosas a nível municipal, estadual e federal, mas só desentendimento acontece, justo na época quando o entendimento deveria prevalecer.

Acho que por tudo que acontece, nós pagamos muito caro, pois o que resta, o que fica após o tudo que até parece uma orgia, é, exatamente o que aí está à mostra, nós e o Crato entregues ao “deus dará”.

As nossas lideranças, os nossos partidos políticos, nossas entidades de classe, associações, clubes de serviço, sindicatos, Câmara de Comércio, enfim a sociedade, todos, deveriam atentar para isso, dar outro rumo a tudo que acontece porque, assim, no futuro, iríamos com certeza, auferir vantagens com que há muito não contamos.

O Crato é considerado uma cidade culta, civilizada, mas será que a nossa cultura não nos permite entender que o prestígio de um povo depende muito da força política que ele tem? Será que a nossa cultura não nos faz entender que ao vermos nossos votos negociados, o comprador negociou, comprou, pagou, recebeu e por isso não terá mais nenhum compromisso conosco, e isso nos torna muito enfraquecidos e desprestigiados? Será que a nossa cultura não é suficiente para sabermos que precisamos votar em candidatos da terra ou absolutamente comprometidos com ela, para termos então, representantes legítimos e assim mais força política? Será que a nossa cultura não nos mostra uma maneira de mudarmos este tão triste estado de coisas?

Eu acho imprescindível que mudanças aconteçam e, sem quere ser pretensioso eu arriscaria a apontá-las, reunindo tudo na palavra união.

Seria necessário que, todos os envolvidos no processo se despojassem de todo e qualquer interesse, que não o de município e seu povo, com interesse euprapartidário, se organizassem, se unissem, discutissem os problemas, escolhessem nomes de pessoas idôneas, competentes, vinculadas ao povo para submetidos às eleições, viessem ocupar os diversos cargos de vereador, prefeito, deputado estadual e federal. Assim, teríamos quem defendesse com firmeza e legitimidade os nossos interesses, certamente, veríamos resgatados os nossos valores, resgatados todos os nossos valores, resgatado o nosso prestígio, resgatada a nossa condição de povo autônomo e assim, reconquistaríamos a nossa tão necessária força política.

Poderá até parecer visionária esta idéia, mas que outra nos levaria a mudar a situação em que nos encontramos atualmente? Acho que há esse caminho e caso não consigamos percorrê-lo, ficaremos marcando passo, vendo as “carruagens passando”, rumo a lugares onde a sociedade organizou-se, uniu-se e está pronta, tanto para defender-se de acontecimentos infaustos, como para receber, cada vez mais, benefícios para o seu progresso e sempre mais, bem estar para seu povo.

Eu acho Pedro que devemos abrir mais os olhos, devemos fazer valer os nossos direitos, devemos unir as nossas forças, cobrar dos nossos políticos mais dignidade e respeito, exigir deles a união pelo Crato e deveremos, com muita consciência, muito cuidado, muito respeito, muita seriedade, muito amor à terra, exercer o nosso direito de votar com liberdade, escolhendo os nossos próprios candidatos, porque, só assim, eu acho, nós conseguiremos mudar a nossa realidade.

Sei que você pensa como eu e, bom seria que muitos outros que usam jornais, blogs, meios de comunicação, também pensassem e levantassem juntos a mesma bandeira.

Quem sabe não se desencadearia um grande movimento em prol de tudo o que o Crato precisa para retomar o seu verdadeiro caminho?

Eu torcerei sempre por isso.

Meu abraço.


Hélder Macário de Brito

Nota: Hélder Macário de Brito foi prefeito do município de Campos Sales e é irmão do ex-prefeito do Crato, Dr. Humberto Macário de Brito. Atualmente reside em Crato.

HORROR E MILAGRE - Por Edilma Rocha


Estas imagens invadiram nossas casas depois de tanta euforia e beleza do Carnaval. Fotografias surpreendentes revelam a força brutal da natureza destruindo tudo que o tinha pela frente como se fossem minúsculos objetos sem defesa. É muito cômodo estar em casa confortavelmente no sofá e dizer :
_ Que coisa triste.. que coisa horrível... Não está na nossa pele...
No meio de uma tarde comum, um tremor. Um abalo a sacudir tudo e todos e em seguida a temível sirene avisando para se protegerem de uma onda devastadora.
Vendo esta foto acima é difícil imaginar se esse momento em que o homem é arrastado pela correnteza ficou como sobrevivente ou foi reduzido a um farrapo...
Se colocarmos apenas por hipótese uma situação dessas  destruindo tudo que temos e o que somos, surge um calafrio indescritível tomando todo o nosso fôlego. Ultimamente a água, fonte de vida, se tornou a própria morte revelada nas constantes notícias sobre a fortes chuvas: deslizamentos das encostas, rios devastadores, plantações destruídas, estradas danificadas, cidades desaparecidas, falta de alimentos, luz e água potável e por último esse terremoto seguido de uma onda gigante e por último a contaminação nuclear. A morte através da doença incurável provocada pelo homem...


Nestes entulhos que mais parecem palitinhos de fósforos sem utilidades e as pessoas caminhando sobre eles a procura de amparo e abrigo, é difícil demais nos colocar em seus lugares. Mesmo com tanta tecnologia japonesa na construção segura, muitos não têm o poder financeiro de estar em segurança. Em meio aos escombros, aqui e ali, algumas edificações de pé. Incrível !
O que será da vida dessas pessoas que perderam tudo ? Para onde irão depois de terem sobrevivido a estes tormentos devastadores ? Se repararem, é raro encontrar expressões nos seus rostos de revolta e desespero. São contidos na suas dores...
_ De onde vem esta fortaleza ? Que se nota a todo instante em que a televisão coloca imagens dentro de nossas casa. Pessoas educadas e disciplinadas nas longas filas a espera de combustível para se aquecerem, da oportunidade para comprar algum alimento e até mesmo do momento para ir embora...


Esta imagem ficará guardada para sempre no coração de todos aqueles que se importam com o sofrimento alheio. A fuga do pai com o filho nos braços... Para onde ?... O bebê foi arrancado dos braços da mãe pela correnteza e não se sabe como, encontrada dias depois pelos bombeiros, coberta de lama no meio dos destroços. Imagem que mostra a misericórdia de Deus diante dos seus filhos. Que mostra o verdadeiro milagre da vida. Será no futuro uma criança feliz por não lembrar de nada que passou diante da sua inocência... e se surprenderá por ela...
Quantos de nós já passamos por verdadeiros tsunamis em nossas vidas... E estamos aqui, de pé novamente, cheios de coragem e prontos para enfrentar a vida.

Edilma Rocha

Imagens do google

Calúnia e difamação- Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A minha avó sempre dizia, que nunca devemos falar mal de alguém que não está presente para se defender. Ela agia com a sabedoria que vem de Deus, pois só quem tem o coração cheio de Deus é capaz de dar conselhos tão úteis aos netos. São esses valores recebidos dos pais e avós e que as pessoas deveriam absorver e aplicar na vida, para serem felizes e promoverem a felicidade dos outros. Infelizmente as pessoas hoje, deixam de lado as orientações tão importantes passadas pelos pais, para se apegarem a ambição desmedida que leva à prática da maldade e do desejo de destruir a reputação do outro.

O ser humano pode escolher dois caminhos: o da bondade e o da maldade. O da bondade nos aproxima do projeto de Deus, pois Ele quer que amemos uns aos outros e vivamos em harmonia. Só assim poderemos colocar a cabeça no travesseiro com a consciência leve e sabermos que estamos no caminho do amor. “É preciso saber viver”, diz Roberto Carlos na sua linda canção. A vida é um aprendizado para cada um que deseja fazer a vontade de Deus e construir a fraternidade entre os homens.

Se abrirmos a Bíblia, vamos logo encontrar a Palavra de Deus expressa pela palavra dos homens, onde é revelado o projeto de Deus. Pedro em suas cartas nos diz: “De fato, aquele que ama a vida e deseja ver dias felizes guarde sua língua do mal e seus lábios de proferir mentiras; afaste-se do mal e pratique o bem, busque a paz e procure segui-la.” (1Pd 3,10-11). Essa mensagem nos orienta para a vida, assim como toda a Palavra de Deus que nos revela a Bíblia. Viver praticando o bem e promovendo a paz é o verdadeiro caminho da felicidade. Não os bens materiais, como muitos pensam ser a felicidade suprema.

Tiago diz em suas cartas: “Irmãos não fiquem criticando uns aos outros! Quem critica o irmão ou julga seu irmão, está criticando uma lei ou julgando uma lei. E se você julga uma lei , você não é alguém que obedece a uma lei, mas alguém que a julga. Ora, só um é o legislador e juiz: aquele que pode salvar e destruir. Quem é você para julgar o próximo?”(Tg 4,11-12) . A lei de que Tiago está falando nesse trecho de suas cartas, é sobre o mandamento do amor. Só Deus pode julgar, pois só ele conhece inteiramente o coração do homem. Já no relacionamento humano não temos competência para julgar o outro, pois acabaríamos cometendo grandes injustiças.

O homem difamador separa os maiores amigos, destrói a reputação do seu semelhante, a harmonia de muitas famílias, colocando irmão contra irmão.

O Evangelho nos ensina: “se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão”. (Mateus 18:15-17). Vamos agir com justiça e nunca prejudicar ninguém, até para nosso bem-estar e felicidade, pois agindo assim teremos nossa consciência tranqüila.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

SÓ COM A FANTASIA ! -Gabriela Federico


Só com a fantasia !

Agora é o momento certo
Agora é a hora minha
De abrir os braços ao vento
E entrar na sua harmonia.

Mudar os nomes das coisas
Para o mundo não acabar
E ouvir a sinceridade
Das palavras renovar.

O mêdo agora é odem
O amor agora é Roma
Se vou parar aí
Não levo nada agora.

Voltar com o rio Granjeiro
Reprimido, mas feliz
Para ele atravessar o Crato
Podendo ir e vir
Sem ninguem comentar nada
Nem tampouco, rir.

Gabriela Federico

A sensibilidade de uma artista internacional que adotou o Crato como sua casa de morada.
Enviado por e-mail

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


ARRUDA - Ruta graveolens - A erva da graça. Seus poderes metafísicos ampliavam a criatividade de Leonardo da Vinci. Na antiguidade, era costume usar ramos de Arruda para aspergir água benta sobre as pessoas nas missas solenes. Era também muito usada para proteger contra bruxarias, propiciar o dom da premonição e para prevenir doenças contagiosas. A folha de Arruda inspirou o desenho do naipe de paus nas cartas do baralho. Na crença popular, colocar um galhinho de Arruda atrás da orelha afasta a inveja e a maldade.


Arbusto perene que atinge até um metro de altura, é originado da Europa e Norte da África. Cultivado em solo bem arejado e alcalino com exposição ao sol. Também suporta a sombra pouco densa. Planta de germinação lenta, se reproduz a partir de sementes. Semear na primavera. Pode ser cultivada dentro de casa, deixando o ambiente com um aroma delicioso, mas deve ser colocada em local exposto ao sol.


As flores amarelas e pequenas, florescem em cachos agrupados. Embora pequenas, são de uma beleza exótica com longos pistilos e centro carnudo e húmido. Suas pétalas com crispas nas pontas lembram as flores carnívoras. As sementes são usadas em infusão com levístico de hortelã para marinar aves. As folhas são amargas, mas uma pequena porção dá um toque almiscarado aos pratos de ovos, de peixes e ao queijo cremoso. Um delicioso molho para carnes pode ser feito misturando uma porção de folhas picadas, ameixas e vinho. Tem propriedades terapêuticas para aliviar dores de cabeça, ciática, tosse, cólicas e gases. Usada no banho de animais domésticos, acaba com as pulgas. As folhas secas, que contêm um poderoso inseticida, pode ser esmagada e salpicada para repelir insetos.

Edilma Rocha
Fonte ; Jardim Interior - Denise Cordeiro

ENCONTRO COM AMIGOS


Claude Bloc, Sra. Ruth e Dr. José Newton
Sem palavras...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Doses amargas - Emerson Monteiro

Diante de alguns desses acontecimentos recentes que chegaram aos nossos pousos em forma de matérias televisivas, perguntas se misturam com desencantos. Onde antes havia segurança técnica e bonitas paisagens, cresceram ondas de gravetos sacudindo a tranquilidade relativa de populações inteiras. Mares e chãos reverteram ordens estabelecidas no país silencioso, pondo para vagar sem destino atônitos sobreviventes.
Espécie de susto parece tomar conta dos noticiários, numa sucessão de atividades naturais imprevistas, quando as indagações tradicionais ainda nem respondiam as nuvens de inocência das mentalidades, por isso dominando o espetáculo do momento. Chuvas, marés, tremores de terra, e, para completar a bizarrice dos medos atuais, usinas atômica expelem radioatividade no céu; além de queda, coice. Tudo o que os japoneses menos queriam, depois dos dramas medievais de Hiroshima e Nagasaki, aos fins da Segunda Guerra, seria lidar, outra vez, com aquela maldade tenebrosa das chagas invisíveis que intoxicam os ares.
Outro dia, no consultório do dentista, uma professora explicava, a propósito das mudanças do clima da Terra, avaliando existirem interesses secretos na divulgação das supostas transformações da natureza, na intenção de alarmar para o uso indiscriminado dos recursos originais. Grupos dominantes reservariam a si o domínio desses recursos; o restante da humanidade ignora seus frutos e benefícios. Enquanto isto, a mídia alimenta o pacto da ignorância das massas.
Paro e penso o quando seres humanos caminhariam distantes do controle desses fenômenos naturais. A casa comum do Planeta às vezes dá sinais de exaustão e indica sérias mudanças além das previsões oficiais. Gelo derrete nos polos, rios secam abaixo das médias conhecidas, tragédias impõem custos de vidas humanas, secas, deslizamentos e inundações trocam de lugar nas colinas quando menos esperados, uma série de ocorrências exóticas no clima que sacoleja as bases do eterno, forçando apreensões e ocasionando sustos.
Filosofar numa fase destas virou exercício de conformação, reconhecimento das urgentes necessidades dos aspectos religiosos da cultura. Há milênios, as civilizações impõem as suas normas aos fatores da Terra, sem, contudo, acreditar pudessem atingir os limites da tolerância. Porém nesse turno, quando impactos chegam quase em tempo real aos restaurantes, lares, supermercados, a cores de cristal líquido, no mínimo levam arrepios a percorrer espectadores desconfiados, nas tamanhas reviravoltas impacientes, tragédias anunciadas que afundam o palco de onde muitas verdades saíram para bem longe de grandes certezas agora abandonadas.

"Stabat Mater - postado por Armando Lopes Rafael


Estamos na Quaresma, tempo de penitência e oração...
Nesta quadra do ano é oportuno lembrar o frei Jacopone de Todi, figura lendária na história da literatura franciscana. Antes de ser frade, Jacopone de Todi foi escrivão, advogado, procurador legal, poeta importante, nobre, vaidoso e muito rico.
Converteu-se em 1268 e passou a ser um grande penitente, tendo entrado na Ordem franciscana em 1278. Sua conversão foi atribuída à descoberta de que sua mulher Vanna, tinha sido uma penitente. Muito bonita, Vanna era usada por Jacopone para exibir sua riqueza em festas e bailes, onde, como contam alguns, ia forçada, mas dançava animadamente. Um dia, o chão afundou com os pulos e o ritmo das danças e, entre os feridos, só Vanna morreu.
Foi então que Jacopone descobriu que ela estava usando cilícios embaixo das roupas ricas. No convento Jacopone compôs um longa poesia, Stabat Mater (Estava a Mãe), escrito em Latim e traduzido para dezenas de idiomas.
Este poema foi musicado por muitos compositores, como Antonio Vivaldi, Rossini, Dvořák e Pergolesi, Giovanni Pierluigi da Palestrina, Marc-Antoine Charpentier, Joseph Haydn, Emanuele d'Astorga, Charles Villiers Stanford, Charles Gounod, Krzysztof Penderecki, Francis Poulenc, Karol Szymanowski, Alessandro Scarlatti (1724), Domenico Scarlatti (1715), Pedro de Escobar, František Tůma, Arvo Pärt, Josef Rheinberger, Giuseppe Verdi, Zoltán Kodály, Trond Kverno (1991), Salvador Brotons (2000), Hristo Tsanoff, Bruno Coulais (2005), Anorexia Nervosa (banda de rock black metal), e mais recentemente Karl Jenkins.
Abaixo, excertos do poema Stabat Mater, de Frei Jacopone de Todi (século XIII)


Estava a Mãe dolorosa
Junto à Cruz, lacrimosa
Da qual pendia o seu Filho
...
Banhada em pranto amoroso,
Neste transe doloroso,
A dor lhe rasgava o peito.
...
Estava triste e sofria
Porque ela mesma via
As dores do filho amado.
...
Quem não chora, vendo isto,
Contemplando a Mãe de Cristo
Em tão grande sofrimento?
...
Dai-me, ó Mãe, fonte de amor,
Que eu sinta a força da dor,
Para que eu chore contigo.
...
Fazei arder meu coração
Do Cristo Deus na paixão,
Para que eu sofra com Ele.
...
Quero contigo chorar
E a cruz compartilhar,
Por toda a minha vida.
...
Por Maria, amparado,
Que eu não seja condenado
No dia da minha morte.
...
Ó Cristo, que eu tenha a sorte,
No dia da minha morte
Ser levado por Maria.
...
E no dia em que eu morrer,
Fazei com que eu possa ter
A glória do Paraíso. Amem.
(Fontes de Pesquisa: livro "Sete Dores de Nossa Senhora", publicação dos Arautos do Evangelho, 2011, e Wikipédia)

Pensamento para o Dia 16/03/2011


“Temos muito a aprender com os outros. Não é preciso duvidar desse fato. Aqueles que se recusam a aprender desse modo declaram-se tolos. Você pode aprender com os outros qualquer coisa que possa promover seu progresso espiritual e absorvê-lo ao máximo, de acordo com as linhas previstas para seu próprio progresso, em seu próprio caminho moral ou Dharma. Você deve viver como você mesmo, não como outra pessoa. Esteja imerso em seu Deus, em suas próprias crenças e sentimentos, na bem-aventurança que brota de seu próprio coração e no prazer derivado de sua prática espiritual (Sadhana). Se outros tentam impedi-lo de fazer isso, qualquer plano que teçam ou artifícios que empreguem, resista a eles. Não negue a si mesmo a consciência do Divino e do Êxtase Divino. Derrube as barreiras que se interpõem no caminho e obstruem o livre fluxo de divindade, doçura e força do fundo de seu coração.”
Sathya Sai Baba

FESTA DA MENTIRA - no Pink Floyd Bar


Comemorar o dia da mentira? Normalmente esse dia é comemorado enviando-se alguma mentira para alguém. São brincadeiras feitas para se rir depois do efeito da mentira. As brincadeiras, algumas delas às vezes bastante pesadas, fazem alguém que a recebeu ficar com cara de bobo. No entanto vimos que a data está um pouco esquecida, ou "não se fazem mais Dia da Mentira como antigamente!". Pensando nisso, a Sertão Pop Produções resolveu reavivar a data, mas de uma forma diferente. Não mais com "mentiras verdadeiras" ou chacotas, mas sim com muita diversão e alegria.
Para isso programou a "FESTA DA MENTIRA", numa alusão à data. Cotratou as duas melhores bandas de rock, pop e blues do Cariri cearense, e utilizou o material gráfico para brincar de mentirinha. No cartaz diz que a festa será aberta pelo saudoso Chacrinha, e que bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Beatles, etc, e artistas como Michael Jackson, Tim Maia, Cássia Eller e outros, estarão presentes na festa. As bandas que farão o som da festa são NIGHTLIFE E LOS THE OS, porém no cartaz diz que elas não estarão na festa. Tudo mentira, é claro. A única verdade é que o som vai rolar e será uma noite muita divertida. Outro detalhe do cartaz da festa é a presença do personagem "Pinóquio", personagem infantil de Walt Disney que dá ênfase à brincadeira.

Monges beneditinos visitam Barbalha – por Napoleão Tavares Neves (*)



Nestes dias de Carnaval, os monges beneditinos do Mosteiro São Bento de Salvador, Bahia, vieram fazer uma visita à Barbalha, sendo hóspedes da Casa de Férias e Veraneio das irmãs beneditinas do Hospital-Maternidade São Vicente de Paulo, encravada nas proximidades do Caldas. Não é preciso dizer que os monges se encantaram com o Cariri, com o Hospital São Vicente, com o clima e o verde luxuriante da nossa paisagem. Eram doze frades.

No domingo, dia 6, celebraram uma Santa Missa na capela do próprio Hospital São Vicente. A celebração foi presidida pelo Prior do Convento, frei Rafael, todos em vestes talares. Na homilia do celebrante ficou patenteada a preocupação da Igreja Católica com os perigos da Internet, manuseada por jovens, crianças e adolescentes sem a vigilância dos pais.

Muito bem fundamentada aquela homilia, pronunciada por um frade realmente ungido por Deus, simples, humílimo e culto, uma cativante figura. Na sua homilia falou duas vezes na figura do Padre Cícero. Depois da Santa Missa, a Irmã Eva Maria, Superiora Beneditina em Barbalha, lhes disse: – “Se os senhores quiserem saber sobre o Padre Cícero e o Cariri, temos aqui o nosso mais antigo médico deste hospital, Napoleão Tavares Neves, que se dispõe a falar para os senhores monges”.
Eles aceitaram a sugestão e durante uma hora disse-lhes o que sabia sobre os temas do Cariri: Padre Cícero, Cariri, Chapada do Araripe, Lampião, fontes que brotam na Chapada do Araripe, fósseis, riqueza histórica e geográfica, romarias do Padre Cícero, clima e solo da nossa região, e – após as mais variadas perguntas – convergindo tudo para a polêmica figura do cratense Padre Cícero Romão Batista.
Assim, foi uma proveitosa visita para todos. Com lucros culturais bilaterais...
(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, memorialista, historiador e cronista. Reside em Barbalha.

terça-feira, 15 de março de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS


Rosangela e Edilma
Sem palavras...

MISTÉRIO - Por Edilma Rocha

Uma escultura em bronze de Balzac nu com os braços cruzados, de autoria do escultor francês
"Auguste Rodin" (1840-1917), desapareceu do Museu de Israel, em Jerusalém.
O Museu ficou em reformas por um determinado tempo e a escultura foi retirada do jardim e guardada até o término das obras. Quando tudo finalizou o Balzac  tinha desaparecido misteriosamente. Esse fato foi percebido a 3 meses atrás, mas só agora  foi divulgado.
A escultura em homenagem ao escritor Honoré de Balzac (1799-1850), mede 1,27 metro e pesa 63,5 quilos. Não poderia sair do local em que estava guardada, carregada apenas por uma pessoa.
Por onde andará Balzac nu ?  Aguardamos as noticias do misterioso furto em Jerusalém.

Edilma Rocha

MEU SÓCIO - Por Marcos Barreto de Melo

Nasci e me criei no sítio São José, numa área de propriedade do meu pai, onde ele criava gado e praticava a agricultura, tendo como atividade principal a cultura canavieira. Quando menino, perambulava pelo engenho e pela bagaceira. Pegava carona em lombo de burro e ia até o “corte de cana”. Lá, sentado sobre a esteira de cana, chupava a cana torcida e a garapa escorria pelo bucho para depois juntar-se à poeira das veredas por onde passavam os burros transportando a cana para o engenho. Era um tempo de muita liberdade onde a criançada saía de pé no chão, pisando na areia ou na lama, lavando os pés nas levadas que cortavam as áreas alagadiças do brejo e ainda montava cavalo de pau levando o gado para o curral, se fazendo de vaqueiro.
Com tanta liberdade, ainda menino já me interessava em praticar alguma atividade que pudesse me trazer alguns dividendos. Assim, criava um porco em sociedade com um morador e ainda uma meia dúzia de galinhas.
Bem próximo ao engenho ficava uma casa grande de alpendre, construída pelo meu avô paterno e para onde a família se mudava durante todo o período da moagem. Eu não alcancei este tempo. Quando me dei por gente, nela já morava um antigo morador do meu pai. E foi nesta casa que eu vi uma criação de capotes (guinés). Disse a este morador que também queria criar capotes e ele prontamente me presenteou com uma quantidade de ovos capaz de dar início ao meu tão sonhado empreendimento. Seria este o meu primeiro grande negócio. Fazia contas e mais contas do quanto ganharia com a venda dos ovos e de alguns exemplares.
No início, tudo correu bem. Quase todos os filhotes se criaram, o que é muito raro de ocorrer. Entusiasmado, tratei logo de preparar uma nova ninhada. Como estávamos no verão, quase todos os filhotes desta segunda ninhada também chegaram à idade adulta. O capote tem a característica de por seus ovos longe de casa e dos olhos do dono. Era uma trabalheira para encontrar os seus ninhos. Sempre havia um cachorro esperto de plantão e decidido a colher os ovos antes de mim. Havia também uma simpatia de matuto, segundo a qual não podíamos pegar os ovos com a mão e sim, com uma colher de pau. Segundo esta simpatia, se pegássemos com a mão, a fêmea poderia perceber que o seu ninho havia sido descoberto e mudar-se para outro local ainda mais escondido. Toda tarde, próximo ao anoitecer, eu saía com uma panela e uma colher de pau para a colheita do dia.
Mesmo com todo este trabalho, preparei a terceira ninhada aproveitando o final do verão e confiante nas perspectivas de bons negócios. Com três ninhadas passeando pelo terreiro da casa, o que representava algo em torno de 60 capotes, sentia que estava no rumo certo e que o meu negócio era mesmo promissor. E para incrementar a venda dos ovos, ganhei da minha cunhada Norma, de Fortaleza, algumas embalagens de isopor vazias, algo que não havia no Crato neste tempo. E por coincidência, a caixa trazia a inscrição Ovos São José, já que eram vendidos pelo antigo mercantil São José.
De bem com a vida e com os negócios, aos doze anos de idade eu já fazia planos mais ousados, baseando-me no crescimento vertiginoso da minha criação de capotes.
Mas, como diz o provérbio popular, “Deus quando dá a farinha, o diabo vem e rouba o saco”. E foi o que ocorreu comigo.
Numa tarde de janeiro, época chuvosa, um amigo muito íntimo da família visitava o meu pai quando, para o meu azar, desfilou à sua frente todo o meu rebanho de capotes, naquele maior alarido. Tudo aconteceu na hora mais imprópria. Esse desfile fora de tempo foi o bastante para despertar neste visitante o interesse em também criar capotes. Imediatamente chamou-me a compor uma sociedade com ele. Ele pagaria os ovos e eu me encarregaria do restante, ou seja, eu ficaria com o trabalho e o que nascesse seria de nós dois. Diante do olhar do meu pai, eu não tive outra opção a não ser concordar com esta bela proposta.
Negócio fechado, no dia seguinte eu parti para a luta. Acontece que estávamos na quadra chuvosa e o momento não era propício para iniciar uma criação de capotes, já que estes bichinhos são muito frágeis e vulneráveis a doenças. Mas, toquei em frente o projeto. Afinal, o meu sócio nos visitava com muita freqüência, era gente da família e uma vez por semana jantava conosco. A cada visita, ele me perguntava sobre o progresso de nossa criação e, quando eu ia lhe responder, o meu pai se adiantava e dizia a ele que estava indo tudo muito bem. Na verdade, de trinta filhotes que nasceram metade morreu nas primeiras chuvas. Restaram apenas quinze, que foram morrendo aos poucos de doenças ou no bico de um gavião faminto. Eu queria dizer isto ao meu sócio, mas meu pai não deixava. E o meu sócio, certo de que tínhamos trinta capotes já adultos, inventou de comer um capote a cada semana, toda vez que jantava lá em casa. Com isso, eu via definhar o meu rebanho ao tempo em que também ia abaixo o meu sonho de criador. De sócio, ele passou a ser um verdadeiro predador. Pior do que qualquer ave de rapina. E o pior de tudo é que abolira de vez qualquer outro tipo de carne do seu cardápio. Sempre pedia à minha mãe que preparasse para o jantar um capote “dos nossos”. Nunca vi alguém gostar tanto assim dos meus capotes.
Revoltado e indignado com a situação e sem poder dissolver a sociedade, aproveitei-me da ausência do meu pai que fora passar uns dias na fazenda, em Pernambuco, e me vinguei para sempre deste meu sócio incômodo. Vendi tudo que ainda restou para o dono de um restaurante, e com o dinheiro apurado comprei um relógio da marca Hernavim. E depois, conversando com os meus botões, falei: quero ver agora quem é que vai tomar o meu relógio.

Marcos Barreto de Melo

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO – SONORIDADES (16/03/2011)

MANEL D´JARDIM & CONVIDADOS – ARRANJOS E FLOREIOS MUSICAIS

Foto capturada do blogue Cultura do Cariri

Manel D’Jardim, de acordo com o ponto de vista, pode ser definido como um músico endiabrado ou um músico divino; ou, talvez, a melhor definição possa ser as duas conjugadamente: um músico divinamente endiabrado. Afinal, bem e mal são faces de uma mesma moeda.

O escritor José Flávio vieira, foi por demais feliz e preciso ao falar sobre o talento e a personalidade sempre controversa de Manel D’Jardim:

“Se existem almas penadas, um poeta nosso definiu, com a genialidade única dos poetas, Manel D’Jardim é uma alma empenada. Com a mesma maestria com que empena aquela tradicional maneira de pensar e sentir a natureza, nosso artista empena o som, empena os costumes e as etiquetas, empena aquela embolorada maneira de arpejar o violão. Extremamente lúcido na sua loucura, Manel mostra a todos que a beleza e a verdade se escondem na dissonância da vida e que para transformar o planeta é preciso abrir novas sonoridades, criar novas veredas, transvê e desformar a harmonia imutável deste mundo. Seu violão derrama as pétalas das flores do jardim que floresce no seu sobrenome e na sua alma. Úmido de irreverência, prenhe de rebeldia, seu som mais desperta e fustiga que tranquiliza. É como se ensinasse a todos que a reta certamente não é o menor caminho entre dois pontos e que é preciso provar da fruta doce do bem e do mal. (...) Empenem e empinem as asas da imaginação e curtam a música sacrossantamente profana desta alma empenada”.

O programa Cariri Encantado Sonoridades vai, portanto, empenar os ouvidos, avisados ou desavisados, com a sonoridade de Manel D’Jardim & Convidados.

REPERTÓRIO MUSICAL
1. Paula e Bebeto (Caetano Veloso e Milton Nascimento)
2. Maninha (Abidoral Jamacaru e Cláudia Rejane)
Participação: João do Crato e Abidoral Jamacaru
3. Na baixa do Sapateiro (Ari Barroso)
4. Leia na Minha Camisa (Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano)
Participação: Luiz Carlos Salatiel
5. Something (George Harrison)
Participação: Hélio Ferraz
6. É (Gonzaga Júnior)
Participação: Demontier Dellamone
7. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)
8. O Poeta (Abidoral Jamacaru e Xyco Chaves)
Participação: Abidoral Jamacaru
9. Me Deixa em Paz (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro).
Participação: Leninha Linard
10. Punk da Periferia/Rock do Segurança (Gilberto Gil)
Participação: João do Crato
11. Nossa Canção (Luiz Ayrão)
Participação: Luiz Carlos Salatiel
12. Bye Bye Brasil (Chico Buarque de Hollanda)
Participação: Zé Nilton
13. O Xote das Meninas (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
14. Quem Fez o Mar Sofrer (Abidoral Jamacaru)
Participação: João do Crato
15. Semente do Amor (Mu e Moraes Moreira)
Participação: Rinaldo

FICHA TÉCNICA
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri AM 1020.
Seleção musical e redação de Carlos Rafael Dias.
Apresentação de Luiz Carlos Salatiel.
Operação de áudio de Iderval Silva.