Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sábado, 1 de outubro de 2011

Um tempo de leitura: Os Dois Leandros - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estive por dois meses em Paracuru, no litoral do Ceará. Aproveitei para ler algumas coisas que precisava e outras que me chegaram em boa surpresa. Vou comentar as boas surpresas desta leitura em alguns textos vindouros.

Começo pelo “Os dois Leandros” do historiador, monarquista e católico Armando Rafael. Ele teve o carinho de presentear-me com seu texto numa impressão ao modo de dizer-se: do próprio punho. O Armando tem uma gentileza com o debate histórico por um motivo que não é comum de se notar. Ele é claro em suas posições, apresenta juízo de valor para os fatos e os interpreta, particularmente neste texto, à luz de sua estrutura intelectual principal: traduzida pelo termo grego “mónos” que é o mesmo que “o único”.

Duas vertentes desta linha intelectual saltam aos cuidados do professor: o catolicismo e a monarquia. O que, aliás, é o ideal da coerência lógica, pois ambos os poderes do espírito e do mundo estão sob a unidade do termo grego acima referido. Como o Armando é um homem do século XX ele tem que avocar, para manter a unidade do seu método, a tradição brasileira traduzida pela propriedade privada (patriarcal), pela família como originária de um “era de ouro” histórica e todo o cabedal moral dos séculos da colônia e do império.

Ao abordar os dois Leandros, avô e neto, saltam os argumentos laudatórios dos dois analisados sob a ótica da monarquia e da igreja católica. Claro que o Armando viaja no vale da realidade histórica da região, mas ao que se propõe, o perfil se adéqua ao figurino da defesa do regime monárquico e da moral católica.

O nosso Cariri é fruto da expansão para Oeste do litoral brasileiro até então ocupado pelos engenhos de açúcar e tão cobiçados pelas nações emergentes da Europa em luta contra a hegemonia portuguesa e espanhola nas colônias americanas. E foi uma marcha conseqüente da solidez dos negócios com a cana e o tabaco que gerou uma população litorânea e, portanto, a expansão da criação bovina na direção da terra “tapuias” e com a ajuda da igreja católica.

O Armando é cuidadoso em suas fontes e nos apresenta várias para escrever este texto, mas tem musculatura intelectual para ir muito além das nossas “fontes tradicionais” do Ceará e do Cariri, que costumam se exceder no “valor dos filhos da terra” e nas origens míticas das famílias tipo aquela descendência do realçado Caramuru. Na verdade muitos descendem dos pioneiros em várias levas chegadas ao longo dos séculos.

Mas se diga que as nossas “fontes tradicionais” se afeiçoam às suas próprias raízes culturais e religiosas e costumam adjetivar inúmeras virtudes ao falar de personagens de um mundo quase isento de conflitos e maldades. Isso é bom como narrativa mítica, mas ruim para compreendermos o processo tal e qual ocorria. Tomadas de territórios dos primitivos habitantes da região, conflitos de propriedade das terras, estabelecimento de uma aristocracia rural arraigada aos seus próprios valores e desconhecendo outros valores e claro a questão central que o processo se povoava por uma escravidão necessariamente violenta.

O exemplo do Brigadeiro Leandro é marcante: ele jamais teria condições de aderir ao frágil movimento de 1817. E não tinha estas condições objetivas que pouco se assentavam no poder espiritual, mas essencialmente no poder do mundo. Ele era um dos eixos da aristocracia rural do cariri; a revolução republicana, mais do que a independência o assustava por ser expressa na memória recente da revolução francesa que fizera o que fizera com as classes patriarcais rurais da França. Além do mais não fica claro isso no momento da possível ingenuidade do José Martiniano ao visitá-lo, mas não tem como negar que perdurou, se antes ou depois, uma rivalidade entre famílias, com os Bezerras de um lado e os Alencar do outro. Portanto estamos falando da velha rixa entre famílias por domínio de poder no interior nordestino.

O Armando procura demonstrar que o Brigadeiro não perseguiu os derrotados de 1817, mas ao apresentar o material histórico nos leva a concluir exatamente pelo contrário. Em primeiro lugar ele deixa claro que o Brigadeiro era o comandante mor das forças militares da região (os filhos tinham as patentes mais importantes). Que ele disputava a hegemonia com Pereira Filgueiras e que reconhecia a força deste é tanto que tratou de neutralizá-lo para ele não aderir aos Alencar. A participação do Brigadeiro na punição dos revoltosos é subentendida pela presença dele e de Pereira (os maiores chefes da região) na sessão da Câmara que condenou os revoltosos. Ora pouco importa que ele não fosse um dos vereadores, que não transportasse os presos e que o governador do Ceará fizesse a prisão de Bárbara na Paraíba, o Brigadeiro foi o “selo” real que despachou o destino dos revoltosos e sua punição. Cinco e sete anos depois o Brigadeiro, mesmo idoso, mantinha a disputa com os Alencar a ponto de ter que se refugiar em Sergipe para não sofrer a represália destes.

Como bem trouxe o Armando: o Brigadeiro tinha uma luta política objetiva contra os liberais e ponto de denunciar Tristão Gonçalves e defender os portugueses no episódio da Independência. Aliás, a posição dele contra as “CORTES” é bem o exemplo de uma matriz ideológica adversa aos liberais.

Por ironia a mexer com a boa paciência do Armando para comigo, tomei do seu texto uma frase de sua referência a J. Dias da Rocha: “Dotado de inteligência pronta, não aproveitou, contudo, para ilustrar-se ou ganhar ao menos medianos conhecimentos (J. Dias da Rocha) Era iletrado”. Neste ponto assemelhado a certo político de relevância no Brasil atual. Com bem diz J. Dias da Rocha: Também, o atrasadíssimo estado da capitania não lhe permitia oportunidade de colhê-los.....

PARA QUEM AMA...



Por um sábado de PAZ...

Pétalas
 - Claude Bloc - 

Nada de safiras
no meu jardim,
apenas rosas...
Estou por aí circulando nesse espaço
escrevendo no silêncio que se espalha.

Evoco teu canto, tua voz
e escrevo
e
 me escondo no avesso das palavras
 separando-as em pétalas...

Escrevo e
no rastro que deixei pelas lembranças
me apago...
e também me apago
 nas sombras impossíveis
do contorno das serras
nas veias das folhas
no dorso das pálpebras
no sussurro das tardes
nos gestos eclipsados pelos lábios
que te pronunciam...
tu, minha saudade
que se desprende de mim e desabada
no debulhar da noite.

Claude Bloc

Encontro Caririense da SOBRAMES


A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores estará realizando, de 07/10/2011 a 09/10/2011 , o Encontro Caririense da SOBRAMES - Ceará. No Crato a vasta Programação ocorrerá no próximo dia 08/10 ( Sábado), no Salão de Atos da Urca , segundo Programação abaixo.

Sala C r a t o



08 de outubro , Sábado



09:00-10:00h – Conferências: “Dr. Leão Sampaio – o Homem que não aprendeu a dizer não”


“O Cariri no Contexto do Ceará”


Presidente: Dr. Vladimir Távora Fontoura Cruz


Palestrante: Dr. Napoleão Tavares Neves



10:00-10:15h - Cafezinho



10:15-11:15h - Temas Livres


Presidente: Dr. José Luciano Sidney Marques


Secretário: Dr. Paulo Ronalth Peres Melo



11:15-12:00h – Palestra: Ariano Suassuna: Vida e Obra


Presidente: Dr. Antonio Tomaz Ribeiro Ramos


Palestrante: Dra. Fátima Calife (PE)



12:00-14:00h – Almoço livre.



14:00-15:45h – Temas livres


Presidente: Dr. Vanius Meton Gadelha Vieira


Secretária: Dra. Auxiliadora Vieira Mota



15:45-16:00h - Cafezinho



16:00-17:00h – Conferência: “Padre Cícero”.


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Conferencista: Dr. Wellington Alves de Souza



17:00-18:00h –Palestra: “Zé de Matos e o Universo da Poesia Popular Caririense no Século XIX”.


Presidente: Dra. Celina Côrte Pinheiro de Sousa


Palestrante: Dr. José Flávio Vieira



Noite Livre


Participe !

Fim de semana... xô, estresse... – José Nilton Mariano Saraiva

BALINHAS DE MENTA: A freira estava andando pela rua quando de repente uma loira lhe ofereceu carona. Muito agradecida, ela aceitou e entrou no carro. Uma reluzente Ferrari vermelha com banco estofado de couro e reclinável, ar condicionado, televisão, o escambau... - Que belo carro a senhora tem! - comentou a Irmã. - Deve ter trabalhado ardentemente para tê-lo comprado, não é mesmo? - Não foi bem assim não, Irmã! - Respondeu a loira - Na verdade eu ganhei de um empresário que dormiu comigo por um tempo!!! A freira fica um pouco chocada, mas não diz nada. Então ela olha para o banco traseiro e vê um belo casaco de vison, só disponível nas melhores boutiques de Paris: - O seu casaco de peles é muito bonito! Deve ter custado uma fortuna, hein? - Na verdade não me custou nadica de nada, diz a jovem. Ganhei por causa de algumas noites que eu passei com um jogador de futebol!!!. Então a freira não falou mais nada, emudeceu, calou, silencio total durante toda a viagem. Chegando ao convento ela foi para os seus aposentos tomar um revigorante banho quente... quando, de repente, alguém bate na porta. - Quem é? - pergunta ela do banheiro. - Sou eu! Padre Afonso! Ela sai do banho, veste o seu roupão, vai até a porta e diz: - Quer saber de uma coisa? Vai te fuder, seu FDP !!! Você e suas balinhas de menta!!! Liso miserável !!!
IGREJA CHIQUE: Naquela igreja chique, daquele bairro chique, naquela chique e próspera cidade do interior, aquela dondoca chique vai se confessar: - Padre, eu pequei. O senhor me conhece, sabe que nunca traí o meu marido. Acontece que apareceu aqui na cidade um homão lá da capital, um pedaço de mau caminho. . . O senhor sabe, né? A carne é fraca. . . O padre passa-lhe um sermão e como penitência manda que ela deixe uma oferta de duzentos reais para as obras da igreja. Logo depois, uma outra madame vem com a mesma história a respeito do tal galã da capital. Novo sermão e a penitência sobe para quinhentos reais de contribuição para as obras da igreja. E nos dias seguintes foi uma verdadeira romaria no confessionário, sempre com socialites que haviam chifrado os maridos com o forasteiro bonitão. E o padre estipulando a penitência, em forma de grana, muita grana...mais, sempre mais. Depois de uma semana de tanta penitencia, o padre já ia dizendo à pessoa que acabara de ajoelhar-se no confessionário: - Pode falar, minha filha: cometeu adultério como o tal garanhão. Foi aí que uma voz masculina o interrompeu, bruscamente: –Não, padre, eu sou o próprio ! O tal garanhão ! – Ah, meu filho, é você. Já sei, arrependeu-se e resolveu confessar os seus pecados, não é? - Não, senhor, padre, tô fora! Vim só avisá-lo que se quiser continuar com essa vidinha mansa terá que me dar a Ferrari vermelha que o senhor acaba de comprar e mais 50% do valor das penitências...senão eu mudo de paróquia. Viraram sócios. Foi a partir daí que nasceu a tal da "rachadinha".
RESSARCIMENTO: O sujeito chega para o padre e pergunta:-Padre o senhor acha correto alguém lucrar com o erro dos outros?-É claro que não meu filho!-Então me ressarce a grana que eu te paguei pra fazer meu casamento, e o batizado dos meus dez filhos, seu espertinho.
SEXO ANTES DO CASAMENTO: Perguntaram pro padre: - Padre, o que você acha do sexo antes do casamento? - Se não atrasar a cerimônia, podem usar até a sacristia!!
UMA COCA E DOIS BISCOITOS: O padre estava dando confissão. Já cansado da mesma ladainha de sempre, tinha pregado dentro do confessionário uma lista com todos os pecados possíveis e imagináveis com as correspondentes penitências. Então, quando chegava o fiel e dizia: - Padre, traí minha mulher – ele nem titubeava; olhava a lista, procurava adultério e vendo ao lado a devida penitencia, respondia: - Quatro Pai-Nosso e dez Ave-Marias! Um dia, no meio dessa lenga-lenga, deu nele uma vontade imensa de ir ao banheiro, “arriar a massa”, descarregar o pirão. Não tinha solução. Tinha que sair dali de qualquer maneira, urgente, se possível voando. Como a fila de fiéis para confissão estava imensa, ele abriu a porta do confessionário, chamou o faxineiro da igreja que estava por ali e pediu que este ficasse no seu lugar. Era simples, disse o padre: -Basta você escutar o pecado, procurar a penitencia, e dizê-la ao fiel e pronto! O faxineiro ficou ali escutando. Vinha um e dizia: - Padre, roubei dinheiro na minha empresa! O faxineiro pensava:"Vamos ver quanto o padre dá pra “roubo". Procurava na lista e respondia: - Meu filho, reze seis Pai-nosso e Cinco ave-maria. Vá em paz !!! Outro entrava e dizia: - Padre, dei porrada na minha mulher. O faxineiro pensava: Vamos ver quanto o padre dá pra “porrada na mulher". Procurava na lista e respondia: - Meu filho, reze oito Pai-Nosso e dez Ave-maria. Vá em paz !!! Até que chegou um, mais apreensivo, que disse: - Padre, padre, fiz “sexo oral” com minha mulher!!! O faxineiro procurou na lista e não achou nada sobre sexo oral. Não sabendo o que fazer, abre a porta do confessionário e pergunta pro coroinha que esta por perto: - Ei, Edgarzinho, você sabe quanto o padre dá pra sexo oral??? Ao que o menino responde: - Essa é fácil, fácil. Tô acostumado de ganhar: uma Coca-Cola e dois biscoitos !!!!

"Óleo de peroba" - José Nilton Mariano Saraiva

Era previsível e por isso mesmo cantamos a pedra, com convicção, em postagem de ontem (Cacete: lá e cá): o Governo do Ceará (através dos aliados da Assembléia Legislativa Estadual) publica nesta data nos principais jornais de Fortaleza, matéria paga, de página inteira (alguém, aí do outro lado da telinha, tem idéia de quanto custa o espaço de toda uma página, num jornal de grande circulação ??? certamente que um preço escorchante e proibitivo, pois não ???) tentando justificar a criminosa agressão da Polícia Militar do Ceará aos professores que reivindicavam, passivamente, melhorias salariais. Como se sabe, a deprimente ocorrência teve como palco as próprias dependências internas daquela “casa do povo” e as imagens, além de veiculadas em horário nobre pelo principal telejornal do Brasil (dessa vez não puderam abafar), ganharam também o mundo, via Internet.
Através da matéria hoje veiculada (sem assinaturas), numa completa e estapafúrdia inversão de valores a “Mesa Diretora” daquela Casa tira o braço da seringa ao tentar transferir a “...pessoas alheias ao funcionamento da Casa e infiltradas no seio da categoria do magistério” a responsabilidade pela ocorrência lamentável e grotesca, quando as imagens mostram, sim, que os excessos foram cometidos pela Polícia Militar do Ceará, que os feridos são professores e que o sangue jorrou, e em profusão.
Esquece de informar, entretanto, a “Mesa Diretora”, que além das pauladas, socos e pontapés recebidos, os professores foram agraciados, em seguida, com um “mimo” extra: a aprovação, sem choro nem vela, imposto de cima pra baixo pelo Governo do Estado, do reajuste salarial (rebaixado) contra o qual se insurgiram e daí a luta e a greve dos barnabés.
E “Sua Excelência” (o Governador do Estado) ainda tem a desfaçatez de aparecer na telinha tecendo loas e jogando confetes à sua política educacional. Haja “óleo de peroba” pra tanta cara de pau.

Por Everardo Norões

 
 
 
Três urubus conversam
sobre a água-furtada.
Comentam o descaso das casas,
o vazio dos quintais.
Divagam sobre a ausência da podridão,
o cheiro que rege o percurso
dos abutres.
Lá estão eles,
sobre telhas,
a afiarem garras,
a deglutirem vísceras.
Ao erguer de asas
declinam
verbos, adjetivos.
Tentam decifrar,
do alto,
de que forma
morre o Recife.
 
(Everardo Norões)

(Fotografia de Benício Dias, do acervo da Fundaj)

1º de outubro, dia de Santa Teresinha

Foto original de Santa Teresinha

Neste sábado, 1º de outubro, a comunidade católica do Cariri comemora a data consagrada a Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. A devoção à santinha aumentou muito, desde 1998, ano que as relíquias de Santa Teresinha visitaram algumas cidades da Região Metropolitana do Cariri. Em Crato haverá, pelo menos, duas missas e duas procissões conduzindo a imagem de Santa Teresinha.
Na Catedral as solenidades começam às 16h30minh e terminará com a procissão saindo da Praça da Sé, em direção à Vila Bacurau. Na Vilalta, às 17 horas, haverá missa campal e procissão saindo em direção ao Conjunto Habitacional Dr. Antenor. Tanto a Vila Bacurau, como o Conjunto Dr. Antenor têm Santa Teresinha como padroeira. São milhares de devotos de Santa Teresinha em Crato.
Santa Teresinha recebeu de Deus a sensibilidade para entender o que ela chamou de “Pequena Via da Santificação”. A própria santa explica nos seus escritos em que consiste a sua “pequena via”:

“Sempre desejei ser santa, mas – pobre de mim! – sempre constatei, ao me comparar com os santos, que entre eles e eu existe a mesma diferença que há entre uma montanha cujo cume se perde nos céus e o grão de areia obscuro pisado pelos transeuntes.

Longe de desanimar disse a mim mesma; “O bom Deus  não pode inspirar desejos irrealizáveis. Logo, apesar da minha pequenez, posso aspirar à santidade. Tornar-me grande,  é impossível; devo, pois, me suportar tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via bem direita, bem curta, uma pequena via inteiramente nova”.

Naquela época, fazia enorme sucesso o elevador, que havia sido inventado há pouco tempo. Santa Teresinha sentiu um grande desejo de “encontrar um elevador que a erguesse até Jesus, porque se julgava pequena demais para subir a rude escada que levava à perfeição”. 

Ela então começou a procurar na Sagrada Escritura um caminho. Até que um dia encontrou este pensamento de Jesus:

“Se alguém é pequenino, que venha a Mim” (Pr 9, 4). Continuando sua pesquisa encontrou no livro de Isaias (66,12-13) esta frase: “Como uma mãe acaricia seu filho, assim eu vos consolarei, vos carregarei no peito”. E ela concluiu com muita alegria: “Ah! O elevador que deve me erguer até o Céu são os vossos braços, ó Jesus!”

E descobriu uma frase dita pelo próprio Jesus, no Evangelho de São Mateus (18,13): “Se não vos tornardes criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus” e ainda “ Deixai vir a Mim os pequeninos e nãos os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham” (MC 10,14). Estava encontrada a “Pequena Via” da Santificação! Ou seja, o caminho da infância espiritual.
Nessa via, o importante não é fazer grandes mortificações corporais, mas aceitar com humildade a própria pequenez, as próprias limitações, até mesmo as próprias imperfeições, e ter um amor e uma confiança sem limites na bondade de Deus; e, como fruto desse amor ter imensos desejos de fazer com perfeição os atos da vida diária. Com isso Santa Teresinha mostrou ao mundo que a sua vocação, o seu meio de santificação é acessível a qualquer pessoa, por mais imperfeita que esta seja.Santa Teresinha foi canonizada em 14 de agosto de 1921, pelo Papa Bento XV (o mesmo que criou a Diocese de Crato). Este, no seu discurso disse:
“No caminho da infância espiritual (a “Pequena Via”) está o segredo de santidade para os fiéis do mundo inteiro”.
E a bula de canonização assinala que por meio de Santa Teresinha, Deus propunha aos homens um novo modelo de santidade, ao alcance não só dos padres e freiras, mas também dos leigos de todas as idades e de todas as condições sociais.
(Por: Armando Lopes Rafael)




sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dia do Idoso 01-10-2011

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Muito Prazer Terceira Idade - Por: João Marni

Precisamos refazer a idéia de que estamos tão somente a caminho do fim, num processo inexorável de deterioração. Por que necessariamente agora, com cabelos brancos e experiência, está o idoso em declínio e não em transformação, - como tudo na vida? Onde é próprio da senilidade, mora o encanto. É imperativo para a felicidade dos que alcançam este degrau, que viajem com a vida, tal e qual fruto maduro que cai, apenas transferindo sua energia para outra estrutura; como a água do jarro jogada no riacho: não tem mais a forma do jarro, fazendo parte agora do riacho, pois somos águas correntes, inquietas. Não é o começo do fim, mas a busca por novos oceanos...

A vida se encerra quando finda a juventude? Por falar nisso, quando é mesmo que ela, a juventude, acaba? Um amigo confessou-me que não foi a percepção da perda da elasticidade da pele, nem os cabelos brancos e escassos, mas a dor que sentiu quando, em um certo dia, sentou em cima de suas próprias bolas! Disse-me também que há vantagens de ordem prática chegar-se à velhice: podemos competentemente, com as mãos trêmulas, espalhar canela em canjica, andar nos coletivos sem ter que pagar e, vez por outra, engolir um “azulzinho” e torcer pelo resultado. Não precisamos mais temer a vastidão do futuro.

O idoso encontra-se naquela fase em que os homens, naturalmente, afastam-se do culto ao corpo, e aproximam-se da filosofia, condição muito mais exuberante! Seria sábio e interessante não interferirmos na obra escultural, dinâmica e natural que é o corpo humano, de onde somos inquilinos. Para que cirurgia plástica “embelezadora”? Quer ser sua própria ficção, desconhecendo-se? O corpo paulatinamente perde a agilidade e a força, a expressão corporal muda do pulo do gato para o compasso lento e sereno. A visão diminui a acuidade, avisando que não se precisa mais ir à caça, mas ficar mais próximo da família. A audição também não é mais acurada, um prêmio para que não se ouçam mais tantas coisas vãs. Ter ótima memória apenas para fatos do passado distante, provavelmente serve para que se tenha melhor capacidade de reflexão da vida, sendo motivo de grande alegria poder rememorá-la quando não machucamos deliberadamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Se a elas provocamos sofrimento, as lembranças são o preparo para o pedido de perdão. Recomenda-se que em conversa com ele (o idoso), puxemos por assuntos históricos, fatos de há muito tempo, onde sua memória encontra-se intacta e pode fazê-lo fluente.

A libido diminui, afinal para que reproduzir agora, se não dá para acompanhar o desenvolvimento do rebento? E quão patético é querer a performance dos vinte anos! Fica-se mais seletivo, a energia é usada com parcimônia e melhor distribuída em atividades também prazerosas e sociáveis, como ler, curtir os amigos, a natureza, a companheira, voltar a brincar fazendo a alegria dos netos, para os quais pode-se confeccionar antigos brinquedos!

Embora aparente fragilidade lá adiante, o ser humano se aborrece mais facilmente e é capaz de fazer valer suas vontades, bastando que lhe faltem com o respeito ou não compreendam sua rotina com seus objetos em seu cantinho predileto. Nesta fase gosta de segurar a mão da amada e dizer-lhe tudo, quase sem falar nada.
Se por coisas do destino tiver que ir para longe do convívio familiar, num abrigo, é bom que se diga que o experiente não é frágil como um cristal, nem se acaba aos cacos, mas não dispensa o polimento e que não se deve jogá-lo ao chão! Está apenas mais próximo de devolver sua "vestimenta", pois permitiu-lhe Deus que a usasse até o rompimento das malhas, abrigando um espírito, este sim, do interesse divino. É lamentável que um ser tão doce seja tratado de forma ingrata e desrespeitosa, num Brasil para poucos, com uma aposentadoria irrisória ter que enfrentar filas enormes na madrugada em busca de uma assistência médica caótica, ter que suplementar a renda trabalhando, quando os pés já não lhe obedecem mais e, pior, sem emprego para os seus descendentes, vê-los beliscar seus parcos ganhos, num estímulo à preguiça e à exploração. Este ser deveria chegar ao pódium da vida vivendo-a plenamente e não apenas suportando-a, mas elaborando-a sempre, com alegria.

ORAÇÃO DO IDOSO - (João Marni de Figueirêdo)

Ó mãos, sagradas mãos, de pregos transpassadas,
Ergam-me pela manhã no despertar,
Conduzam-me por todo o dia,
Afaguem-me nas minhas dores,
Devolvam-me ao leito à hora do recolhimento,
E, por ocasião do meu final, abracem-me para todo o sempre

Por: João Marni de Figueiredo

Ele vem aí, não demora não, ele vem aí com uma vassoura na mão! - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vocábulo udenismo notado no dicionário Houaiss fala apenas da filiação partidária a um partido que existia antes de 1964, chamado UDN. É um cuidado de dicionário de uma pobreza histórica, pois a palavra passou para a história como aquele programa de se fazer política sempre através da denúncia da corrupção. O udenismo foi uma das armas da perseguição política exercida pelo regime militar com as chamadas cassações por corrupção, hoje se sabe mais feitas para tirar adversários do jogo político do que propriamente para solucionar a questão de origem. A verdade é que os cassados nunca tiveram acesso aos processos que o cassaram e por consequência a nenhuma defesa.

Instigada pela mídia nacional e pautada por uma realidade mercantilista em que tudo é dinheiro, a população cai como patinho nesta questão de ordem moral no particular, sem tomar consciência do mal maior (do geral) que é a dinâmica de apropriação e acumulação de riquezas que acompanhou a retomada liberal dos anos 90. Vivendo uma dinâmica de corrida para bater as entradas de renda com as saídas de consumo, a população sabe que algo muito podre acontece no reino e a mídia lhes oferece o veneno diário do mal feito por seu vizinho.

Olha os nossos problemas não estão no forró eletrônico do vizinho, no carro zero daquele orgulhoso da rua de cima, não estão apenas nas verdureiras que pretendem ganhar mais no molho de coentro. Mas a mídia nos instiga contra eles, naqueles programas policiais, de dedo em riste como a palmatória do mundo. É um estilo julgador daqueles pastores de olhos esbugalhados com os dedos sobre os pecados alheios, enquanto se julga o senhor do próprio pecado.

Este espírito linchador renascido na mídia nacional, a fazer renascer a vassoura de Jânio Quadros, a fazer pregações moralistas como se interesses não movessem esta prática. Nos idos da ditadura militar foi perseguir e extinguir quem pensasse diferente e agora não é diferente, embora tenha uma questão maior a esconder. O que escondem?

Os juros altos, por exemplo, que consomem as reservas fiscais mais do que qualquer outro programa social. Mas a mídia, diga-se de passagem, é “científica” em seus argumentos, ela não virá como um clérigo pecador a apontar os pecados alheios. Ela vem invertendo equações, desequilibrando a verdade e mudando de lugar causas e efeitos.

A quem beneficia os juros altos? Às famílias ricas do Brasil que recebem do Estado pelo dinheiro que acumularam na economia brasileira que inegavelmente e monetariamente é uma contribuição coletiva de trabalhadores e técnicos especializados. O trabalhador e o técnico, nunca receberão destes juros, eles são o que pagam, além do que já perderam para estas famílias ricas na origem da acumulação do capitalista. Então por que a grande mídia fica cheia de “argumentos” econômicos quando os juros caem?

Por que não vai mais dinheiro para a saúde pública? Vamos devagar para chegarmos a uma percepção maior. Primeiro por que a fonte do imposto para a saúde foi nas transações financeiras e estas que retiram alguma coisa das famílias pobres, abrem o “escândalo” das transações entre ricos. Segundo por que existe uma oposição beneficiária do “udenismo” renascido que precisa sangrar de meios o governo federal mesmo que à custa dos seus prefeitos e governadores. Terceiro por que alguns setores privados se beneficiam da fragilidade pública pelo subfinanciamento para ganhar um pouco mais na mercantilização da medicina. Quarto por que o Congresso Nacional foi eleito por financiamento privado e está lá para representar os interesses apontados pelos atores dos itens anteriores.

A verdade é que gastamos menos que países assemelhados ao nosso com saúde (proporção do PIB), estimulamos uma iniqüidade pervertida com os planos de saúde (já explico melhor) e estamos comprometendo uma escala enorme de programas sociais hoje exercidos em nível municipal: saúde, educação, segurança patrimonial, assistência social, etc. Estamos comprometendo por que os orçamentos municipais estão inchados de novas atribuições deste a constituinte de 1988.

Os planos de saúde são geridos por entidades privadas que lucram e lucram muito com eles, mas planos não são financiados por estas entidades. Os planos de saúde são fundos mutuais, formados por pessoas que aderem a ele e a maioria é de trabalhadores que os cria através de negociações salariais (portanto abdicando de ganho direto no bolso, por descontos em planos de saúde). Além do mais os planos de saúde se tornaram um grande negócio de vender produtos através de procedimentos o que gera um consumismo exagerado de meios e uma mercantilização perversa que só aumenta custos e diminui efeitos positivos sobre a saúde das pessoas. Os planos de saúde no Brasil por este lado do consumismo são um fator brutal de iniqüidade, quando o gasto per capita neste meio é muitas vezes superior àquele do setor público e acrescente-se o fato de que concentrado no sudeste e sul do país. A iniqüidade é de tal ordem que o consumidor padrão destes planos mora na capital de São Paulo, tem menos de cinqüenta anos e é homem.

Os agentes particulares da saúde não venderiam seus produtos, sem o esforço coletivo do povo brasileiro, através de impostos ou por formação de fundos mutuais, nem a um terço da população brasileira. Apesar dos pesares e das denúncias “udenistas” ou não, a saúde pública financiada pelo imposto dos brasileiros é a presença mais firme nas grandes questões de saúde pública e a única força que efetivamente descentraliza recursos para o interior do país.

O udenismo visa linchar alguns para subtraí-los do jogo político nacional, mas não conseguirá modificar a realidade desta civilização que tem enormes contradições, entre as quais ter que viver com o que existe de proteção social e da renda pessoal.

Tiririca, Doutor Honoris Causa -- por Armando Lopes Rafael



Foi sob protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes ligados ao Diretório Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no último dia 20, o título de Doutor Honoris Causa da instituição. Turminha ingrata!

Era a sexta condecoração do gênero recebida pelo ex-presidente. As outras foram concedidas pelas Universidades de Coimbra, em Portugal, Federal de Viçosa (UFV), de Pernambuco (UPE), Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Durante a solenidade, um grupo de estudantes chegou ao prédio da reitoria da instituição para cobrar, entre outras melhorias, o aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) o montante a ser obrigatoriamente investido em educação no País. Como não havia espaço no salão onde ocorria o evento, os estudantes tiveram de ficar do lado de fora -de onde gritaram palavras de ordem até que o discurso do ex-presidente, que durou 30 minutos, fosse concluído.

Depois, os manifestantes conseguiram entrar no salão, onde acompanharam o fim das homenagens a Lula e voltaram a gritar palavras de ordem.

Agora será que Lula merece mesmo o título de Doutor Honoris Causa?

Para mim isso é matéria de pouca importância. Se quem deu o título acha que ele merece, então protestar para quê?
Vá lá. Lula é, no mínimo, incoerente. Como alguém que se orgulha de não ter educação formal pode ser Doutor Honoris Causa?

Como se pode laurear uma pessoa que apoiou ditaduras que violam os direitos humanos? Lula chamou Kadafi de “meu irmão e meu líder”; viabilizou a ditadura da dinastia Castro em Cuba, a ditadura mais antiga e a mais sanguinária do mundo. Deu apoio a ditadura do Irã, que mata mulheres com apedrejamento. Apoiou presidentes do naipe de Hugo Chávez e Evo Morales. Aliás, deste último -- o "cocaleiro" -- dizem que Lula se pelava de medo. A invasão das refinarias brasileiras na Bolívia estão aí para provar...
Todos sabem que não concordo com muita coisa feita no governo de Lula, durante oito anos. Ele fez vista grossa para a corrupção que se alastrou na sua administração. Mentiu dizendo que não sabia de nada na roubalheira do “Mensalão”. Desmascarado, tudo fez para que as falcatruas do “Mensalão” não fossem apuradas. Pior: não só manteve muitos desses corruptos durante toda a sua administração, como ainda patrocinou-os a permanecerem no governo de dona Dilma. Mentiu para enganar os incautos. Disse que tinha pago a dívida externa.  Na verdade, ela foi triplicada no governo Lula. Disse que o Brasil tornara-se autossuficiente na produção de petróleo. Hoje importamos mais do que em governos passados.
Enfim, seriam tantos fatos negativos do governo do “Cara” a comentar... Por isso, quando dona Dilma ("A Cara") tentou estancar a roubalheira  teve de capitular, para não perder o apoio da "base de sustentação do seu governo".
Mas vá lá. Querem dar honraria a Lula? Podem dar.

No entanto, estão cometendo injustiça com outras pessoas que também merecem ser Doutor Honoris Causa. Uma delas é o deputado federal Tiririca. Ele teve a maior votação que um deputado federal já obteve no Brasil. Ele também não tem educação formal. É nordestino. Tem gente que não se conforma em ver nordestino de pouco estudo galgar cargos importantes que exigem preparo para o exercício. São uns preconceituosos. Ou invejosos mesmos!" Tiririca também não sabe falar inglês, nem francês. Só arranha (e mal) o português. Diz “menas” ao invés de menos. Trabalhou em profissões humildes, antes de viver na mordomia da classe política. Era palhaço. Hoje é deputado por São Paulo, um estado que tem o PIB maior do que o da Argentina. Tiririca Doutor Honoris Causa já!Ele merece...

A questão carcerária - Emerson Monteiro


Um dia, pelas ruas de Mangaratiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, visualizei o passeio dos detentos da Ilha Bela, antigo presídio hoje desativado. Quadro marcante, cortejo de homens válidos, corpulentos, em marcha batida, controlados por guardas e cães, a percorrer trechos daquela cidade. Alguns traziam consigo peças de artesanato de própria fabricação, oferecidas aos circunstantes por preços ocasionais. A cena ficou gravada para voltar ao pensamento quando, como agora, enfeixo a intrincada crise penitenciária brasileira. Aqueles zumbis, de olhos vazios, trajes encardidos, quais reses de tosquia, trastes da culpa, apenas arrastavam o tropel do destino à luz da vontade dos homens.

E revivo também a sensação cotidiana dos noticiosos quando exploram o mundo cão. São raros os meses em que deixam de ocupar o cardápio as rebeliões nas celas, com registros de fugas, incêndios, perdas de vidas e homicídios.

Tais aspectos percebidos significam o estrangulamento do sistema penal; refletem a estrutura da sociedade como um todo, onde deficiências indicam muito chão ainda para percorrer até a perfeição final do processo vida.

Cheira mesmo a repetição dizer que as cadeias, quais viveiros de pássaros indomáveis, converteram-se no campus da monstruosa universidade do crime, imagem conhecida, onde os apenados ali encaram desafios primitivos junto de outros em condições físicas e morais deploráveis. Daí, qual onda avassaladora, estranho relacionamento impõe e multiplica a morbidez de seres vencidos, depois lançados às sarjetas, num ciclo de miséria que aumenta os custos do subdesenvolvimento mórbido.

Intenções honestas de resolver o problema, contudo, não eliminam o atraso dessa área, vistas experiências nos países ricos, mesmo sabidas quantas falhas lá também persistem.

Planos que se cogitem devam sempre vincular a participação efetiva da força de trabalho reclusa às celas, estagnando a capacidade produtiva. Em resposta, as sentenças assim deixariam de inutilizar a mão de obra prisioneira, sobrando ao Estado o mérito de soluções criativas e geração de riqueza, alimentando e estabilizando as contas da instituição punitiva, além de profissionalizar quem chegar, de comum, sem ofício. As prisões agrícolas demonstram a viabilidade desta idéia.

Restam imaginar perspectivas novas para problema tão arcaico. O gesto de segregar aos calabouços, sem outras preocupações racionais, apenas mascara uma chaga que transborda de dor e clama decência. Compromisso pesa, pois, sobre todos os ombros, sabendo que o zelo da liberdade vem assegurado como atributo essencial, dom divino que cabe manter, sobretudo a quem necessita desde criança das poucas e limitadas oportunidades vitais.

A consagração de Lula pela intelectualidade francesa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma recepção de pop star hoje, em Paris, durante a cerimônia de entrega do título de doutor honoris causa pelo Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po), o maior da França. Em seu discurso, o ex-chefe de Estado enalteceu o próprio mandato e multiplicou os conselhos aos líderes políticos da Europa, que atravessa uma forte crise econômica.
Antes, durante e depois, Lula foi ovacionado por estudantes brasileiros, na mais calorosa recepção da escola desde Mikhail Gorbachev. A cerimônia foi realizada do auditório do instituto, com a presença de acadêmicos franceses e de quatro ex-ministros de seu governo: José Dirceu, Luiz Dulci, Márcio Thomaz Bastos e Carlos Lupi. Vestido de toga, o ex-presidente chegou à sala por volta de 17h30min, acompanhado de uma batucada promovida por estudantes. Ao entrar no auditório, foi aplaudido em pé pela plateia, aos gritos de "Olé, Lula". Em seguida, tornou-se o primeiro latino-americano a receber o título da Sciences-Po, já concedido a líderes políticos como o tcheco Vaclav Havel.
Em seu discurso, o diretor do instituto, Richard Descoings, se disse "entusiasta" das conquistas obtidas pelo Brasil no mandato do petista. "O SENHOR LUTOU PARA QUE O BRASIL ALCANÇASSE UM NOVO PATAMAR INTERNACIONAL", disse, completando: "NÃO É MAIS POSSÍVEL TRATAR DE UM ASSUNTO GLOBAL SEM QUE AS AUTORIDADES BRASILEIRAS SEJAM CONSULTADAS".
Autor do "elogio" a Lula - o discurso em homenagem ao novo doutor -, o economista Jean-Cluade Casanova, presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, LAMENTOU QUE A EUROPA NÃO TENHA UM LÍDER "DE TRAJETÓRIA POLÍTICA TÃO ILUMINADA". Cssanova pediu ainda que Lula aproveitasse sua viagem para "DAR CONSELHOS AOS EUROPEUS" SOBRE GESTÃO DE DÍVIDA, DÉFICIT E CRESCIMENTO ECONÔMICO.
Lula aceitou o desafio e encarnou o conselheiro. Em um discurso de 40 minutos, citou avanços de seu governo, citando a criação de empregos, a redução da miséria, o aumento do salário mínimo e a criação do bolsa família e elogiou sua sucessora, Dilma Rousseff. "Não conheço um governo que tenha exercido a democracia como nós exercemos", afirmou, no tom ufanista que lhe é característico. Então, lançou-se aos conselhos. Primeiro criticou "uma geração de líderes" mundiais que "passou muito tempo acreditando no mercado, em Reagan e Tatcher", e recomendou aos líderes da União Europeia que assumam as rédeas da crise com intervenções políticas, e não mais decisões econômicas. "Não é a hora de negar a política. A União Europeia é um patrimônio da humanidade", reiterou.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE - Agência Estado

Lula em Paris: imprensa brasileira dá vexame



Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?
Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de "O Globo" em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences- Po, que entregou o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula, na tarde desta terça-feira.
Resposta de Descoings:
"O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico (...) O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences- Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade".
A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de "O Globo" às 22h56 do dia 22/9. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martin Granovsky, no jornal Página 12.
Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.
Sob o título "Escravocratas contra Lula", Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science- Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.
"Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (...). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado(...).
"Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção", foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: "Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais" (...). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.
"Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. "As elites não são apenas escolares ou sociais, disse. "Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas".
No final do artigo, o jornalista argentino Martin Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:
"Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados".
Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.
Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje pelo maior jornal do país, a "Folha de S. Paulo", que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.
Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:
"AFAGOS - FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado".
Assim como decisões da Justiça, criterios editoriais não se discute, claro.
Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de "O Globo" pela correspondente Deborah Berlinck, às 16h37, ficamos sabendo que:
"O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris - o Sciences- Po _, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, nesta terça-feira. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, "para não dizer que eu não falei das flores.
"A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade".
Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:
"Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive".
Para certos brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo

Earth, Wind and Fire - After the love has gone

Para ouvir e se deleitar, dando um tempo às agruras e complicações.



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cacete: lá e cá - José Nilton Mariano Saraiva

Sábado (24.09.11): no Crato, durante uma pacífica manifestação dos professores (em greve) o fanfarrão Ciro Gomes chama uma deles de “moleque” e ainda se vangloria de ser corajoso, ao sugerir ter coragem de partir pro confronto, ao anunciar: “...vocês conhecem o meu jeito” (coisa que não é verdade, já que em tais ocasiões preventivamente sempre se cerca de uma tropa de choque). Ou alguém já viu o Ciro Gomes engrossar o pescoço quando não tem algum áulico por perto ???
Quinta-feira (29.09.11): pela manhã, em Fortaleza, na casa que deveria ser do povo (Assembléia Legislativa), antes da votação do “piso” para os professores da rede estadual de ensino (em greve), a despreparada e truculenta polícia de Cid Gomes baixa o cacete, sem dó nem piedade (e o sangue jorrou), em alguns dos indefesos barnabés que, pacificamente, reivindicavam melhorias.
Quinta-feira (29.09.11): à noite, certamente que avisado que a matéria e imagens da estapafúrdia e covarde agressão seriam veiculadas no Jornal Nacional (para todo o Brasil), no intervalo, após a “chamada” da matéria por William Bonner, Cid Gomes aparece afável e com um sorriso de Mona Lisa, a tecer loas sobre a prioridade do seu governo ao setor educacional (desdizendo o que as imagens mostrariam em seguida). E podem esperar que amanhã cedinho os jornais de Fortaleza veicularão “matéria paga” pelo Governo do Estado, de páginas inteiras, tentando justificar o injustificável.
Perguntas: Até quando os “valentes”, arrogantes e prepotentes Ferreira Gomes vão “cantar de galo”, aqui e alhures, com todo mundo dizendo amém ??? Será que o povo do Crato vai ter coragem de sufragar o candidato apoiado por Ciro Gomes pra prefeito, já que ele próprio recebeu no Crato 11.000 votos para Deputado Federal, nunca fez nada pela cidade e quando lá aparece é pra atingir moralmente homens e mulheres (trabalhadores) de bem ???

Professores são tratados a "Pauladas" em plena Assembléia Legislativa



Voltamos à era da Ditadura Militar ?


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Professores da rede estadual de ensino, em greve há 56 dias, e policiais do Batalhão de Choque entraram em conflito na manhã desta quinta-feira (29/09) na Assembleia Legislativa. Houve confronto, quebra-quebra e alguns professores saíram feridos e outros presos. Os detidos já foram liberados pela Polícia.

A confusão começou pouco antes de uma entrevista coletiva que comando de greve daria sobre a paralisação da categoria. Os professores teriam tentado invadir o plenário, mas foram contidos pelos policiais. “Lamentamos a situação, porque queríamos evitar a votação de mensagem do governo sobre melhorias salariais, mas que traz elementos que não atendem ao nível médio. Tudo estava tranquilo e seríamos recebidos na Casa para dialogar. Fecharam acessos da Casa e o conflito ficou generalizado”, informou acusou Anízio Melo, presidente do Sindicato Apeoc.

Desde a manhã desta quarta-feira (28), docentes estão em Vigília pela Educação, acampados na AL. Para pressionar os deputados a votarem contra projeto de lei que cria nova tabela de salário para a categoria, três professores decidiram entrar em greve de fome, por tempo indeterminado. Clésio Mendes, professor do Liceu estadual de Maracanaú; Laura Lobato, professora do Caic Maria Alves Carioca; e Cláudio Monteiro, professor das escolas estaduais Plácido Aderaldo Castelo, Michelson Nobre da Silva e Patativa do Assaré, protestam em nome da categoria. Eles pretendem intensificar a manifestação, chamar a atenção da população e sensibilizar os professores que já desistiram do movimento.

Os docentes voltaram à AL após saber que o governador Cid Gomes (PSB) havia enviado a proposta de nova tabela, com regime de urgência para votação da mensagem, o que significa que ela pode ser votada a qualquer momento. Segundo os sindicalistas, a proposta não atende os anseios da categoria, pois, além de violar a carreira do magistério, gera prejuízos na aplicação da Lei do Piso.

A manifestação marca a posição contrária à remuneração proposta pelo Governo do Estado, que, segundo os professores, contraria a Lei 12.066 de Cargos, Carreiras e Salários. Os professores rejeitam as mudanças afirmando que a proposta divide a categoria em duas classes e cobram a implantação do Piso com repercussão para toda a categoria. Uma nova assembleia, marcada para a próxima sexta-feira (30/09), no Ginásio Paulo Sarasate, definirá os novos rumos da greve.

De Fortaleza,
Carolina Campos

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Fonte: Portal Vermelho
Fotos – Frank Costa

Pensamento para o Dia 29/09/2011


“Para se concentrar eficientemente, coloque sua atenção em uma forma que lhe dá contentamento. Sente-se em postura de lótus (padmasana) e fixe os olhos na ponta do seu nariz. No início, pratique a meditação por um minuto; em seguida, por três minutos. Poucos dias depois, tente por seis minutos e depois de algum tempo, durante nove minutos. Assim, a concentração deve ser reforçada de forma gradual, sem pressa indevida. Lentamente, a mente pode ser mantida por até meia hora; essa disciplina deve ser desenvolvida de forma constante. Com a prática, a mente ficará fixa e o poder de concentração aumentará. Para atingir a concentração e adquirir unidirecionalidade, você deve se submeter a algum nível de esforço. Você deve fixar sua mente no Senhor e manter fora do plano mental todos os outros pensamentos. Por realizar tal exercício constantemente, sua visão estará firmemente fixa no Senhor que reside em seu coração. Isto é, na verdade, o objetivo, a fruição plena da meditação.”
Sathya Sai Baba

"Prioridade: EDUCAÇÃO" - José Nilton Mariano Saraiva

Pela importância de que se reveste, pela projeção dada ao Brasil em função de, pelo ineditismo do reconhecimento de uma personalidade sul-americana por parte de uma respeitável instituição européia secular, bem como em razão das causas consistentes constantes na peça que o justifique, abaixo o...

Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva quando do recebimento do título Doutor Honoris Causa – Sciences Po - Paris, França - 27 de setembro de 2011

Minhas amigas e meus amigos,
É uma grande honra, para mim, receber o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Ciências Políticas de Paris. Honra que se torna ainda maior por eu ser o primeiro latino-americano a recebê-lo. Estou profundamente grato à direção da Sciences Po e a todos os seus professores, funcionários e alunos por me conferirem uma láurea tão prestigiosa. Esta casa, a um só tempo humanística e científica, é reconhecida e admirada no mundo todo por seus elevados propósitos e pela excelência do seu corpo docente e discente. É uma instituição que representa de modo exemplar o compromisso da França com a liberdade intelectual, a dignidade da política e o aperfeiçoamento permanente da democracia. Representa essa França consciente de suas conquistas materiais e espirituais, ciosa de seus valores civilizatórios, mas nem por isso menos aberta a povos e mentalidades diferentes, à compreensão do outro. Essa França insubmissa e libertária que, durante séculos, inspirou – e continua de alguma forma inspirando – a trajetória de muitos países, entre eles o Brasil. Essa França que, desde o século 18 até os dias atuais, é tão relevante para o Brasil, seja no terreno das idéias políticas e sociais, seja na esfera da educação e da cultura, seja no que se refere às parcerias produtivas e tecnológicas.
Minhas amigas e meus amigos,
Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que este título de Doutor Honoris Causa é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos anos vem realizando, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando um enorme salto histórico rumo à prosperidade e à justiça. Depois de prolongada estagnação, o Brasil voltou a crescer de modo vigoroso e continuado, gerando empregos, distribuindo renda e promovendo inclusão social. Deixamos para trás um passado de frustrações e ceticismo. Os brasileiros e as brasileiras voltaram a acreditar em si mesmos e na sua capacidade de resolver problemas e superar obstáculos, por mais difíceis que sejam. Graças a um novo projeto de desenvolvimento nacional, com forte envolvimento da sociedade e intensa participação popular, conseguimos tirar 28 milhões de pessoas da miséria e levamos 39 milhões de pessoas para a classe média, no maior processo de mobilidade social da nossa história. Em oito anos e meio foram criados 16 milhões de novos empregos formais. O salário mínimo teve um aumento real de 62%, e todas as categorias de trabalhadores fizeram acordos salariais com ganhos acima da inflação. Além disso, implantamos vários programas de transferência direta de renda, dos quais se destaca o Bolsa Família, que é o principal instrumento do Fome Zero e, no final do ano passado, beneficiava 52 milhões de pessoas. Dessa forma, a desigualdade entre os brasileiros atingiu o menor patamar em 50 anos. Nos últimos dez anos, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 10%, enquanto a dos 50% brasileiros mais pobres teve um ganho real de 68%. O consumo se ampliou em todas as classes, mas no segmento popular cresceu sete vezes. Os pobres passaram a ser tratados como cidadãos. Governamos para todos os brasileiros e não apenas para um terço da população, como habitualmente acontecia. Acreditamos firmemente que o desenvolvimento econômico precisa estar a serviço da redução das desigualdades sociais, sem paternalismo, promovendo a inclusão das pessoas mais pobres à plena cidadania. Acreditamos, igualmente, que isso pode, deve e será feito sem que se descuide do equilíbrio macroeconômico, combatendo com firmeza a inflação.
Minhas amigas e meus amigos,
Ao mesmo tempo que resgatávamos grande parte de nossa dívida social, trabalhamos para modernizar o país, preparando-o para os desafios produtivos e tecnológicos do século 21. Investimos fortemente em educação, pesquisa e desenvolvimento. Orgulho-me de ter criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, democratizando e interiorizando o acesso ao ensino público. Também lançamos o Reuni, um programa para fortalecer o ensino público universitário, com a valorização dos docentes. Ele contribuiu para que dobrássemos o número de matrículas nas instituições federais. Mas não ficamos restritos a isso e instituímos o Prouni, um sistema inovador de bolsas de estudo em universidades particulares. Com ele, garantimos que 912 mil jovens de baixa renda pudessem cursar o ensino superior. E a oportunidade não foi desperdiçada: os jovens com bolsas do Prouni têm-se destacado em todas as áreas, liderando em muitos casos os exames nacionais de avaliação feitos pelo Ministério da Educação. Ou seja, bastou uma chance e a juventude brasileira deu firme resposta ao mito elitista segundo o qual a qualidade é incompatível com a ampliação das oportunidades.
Também me orgulho muito de termos inaugurado 214 novas escolas técnicas federais, que criaram possibilidades inéditas de formação profissional para a juventude. A boa qualidade do ensino na rede de escolas técnicas federais também abre as portas para as universidades, mesmo para quem trabalha durante o dia inteiro, porque durante o meu governo aumentamos o número de vagas nos cursos universitários noturnos. Esses jovens têm que CONTINUAR SONHANDO, têm que lutar para conquistar o doutoramento, para trabalhar nos diversos centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que existem no Brasil. Deixamos de considerar a educação como um gasto para tratá-la como investimento que muda a vida das pessoas e do país. Por isso, em meus dois mandatos, triplicamos o orçamento do Ministério da Educação, que saltou de 17 bilhões de reais para 65 bilhões de reais em 2010.
Essas mudanças eram imprescindíveis, pois a garantia de acesso à educação de qualidade, da pré-escola aos cursos de pós-graduação, é um dos principais instrumentos para promover a igualdade social, combater a pobreza e assegurar um desenvolvimento econômico, científico e tecnológico sustentável em longo prazo. A EDUCAÇÃO FOI COLOCADA COMO PRIORIDADE ESTRATÉGICA PARA O PAÍS. O investimento público direto em educação passou de 3,9% do Produto Interno Bruto em 2000 para 5% em 2009. E, agora, a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso de ampliar o investimento em educação progressivamente até atingir 7% do Produto Interno Bruto.
Minhas amigas e meus amigos,
O Brasil já tem muito a mostrar no segmento de pesquisa e desenvolvimento. A Lei da Inovação, aprovada em dezembro de 2004, incentivou as universidades a compartilhar seus projetos de pesquisa e desenvolvimento com as empresas públicas e privadas, para alavancar a inovação tecnológica no ambiente produtivo. O número de cientistas envolvidos em pesquisa e desenvolvimento passou de 126 mil em 2000 para 211 mil em 2008. E o número de patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) cresceu de 21 mil em 2000 para 280 mil em 2009. Além disso, o governo federal destinou 41 bilhões de reais ao setor de pesquisa e inovação no período de 2007 a 2010, através do Programa de Aceleração do Crescimento.
Minhas amigas e meus amigos,
Uma das preocupações do meu governo – e que continua a ser um firme compromisso da presidenta Dilma – foi garantir que o crescimento econômico e os investimentos estruturantes fossem sustentáveis do ponto de vista ambiental. Nos últimos anos, o Brasil superou a falsa contradição que opunha o desenvolvimento à sustentabilidade ambiental. Nesse período, a taxa de desmatamento caiu 75%.
Em nosso governo, fixamos como meta reduzir as emissões de CO2 entre 36% e 39% até 2020. Esse compromisso foi incorporado à Política Nacional de Mudanças Climáticas, apresentada em Copenhague, em dezembro de 2009, e posteriormente transformada em lei pelo Congresso Nacional.
O Brasil é uma referência no enfrentamento dos desafios ambientais do século 21, pois é responsável por 74% das unidades de conservação criadas no mundo desde 2003. Também alcançamos recentemente o menor nível de desmatamento dos últimos 22 anos.
Minhas amigas e meus amigos, Os avanços que conquistamos nos últimos anos foram possíveis porque praticamos intensamente a democracia. Não nos limitamos a respeitá-la – o que é um dever – mas levamos suas possibilidades ao limite, promovendo um amplo processo de participação social na definição das políticas públicas. Estabelecemos uma nova relação do Estado com a sociedade, na qual todos os setores sociais foram ouvidos, mobilizados, e puderam discutir não somente com o governo, mas também entre eles próprios. Multiplicaram-se os canais de interlocução da sociedade com o Estado, o que contribuiu de modo decisivo para que crescimento econômico e desenvolvimento social caminhassem juntos. Para tanto, realizamos 74 conferências nacionais entre 2003 e 2010, precedidas por reuniões em níveis municipal e estadual , que contaram com a presença de cerca de 5 milhões de pessoas. Discutimos e aprofundamos nessas conferências temas importantes: do meio ambiente à segurança pública; dos transportes à diversidade sexual; dos direitos dos indígenas às políticas de telecomunicações; da igualdade racial à política nacional de saúde , dentre muitos outros. Conselhos de políticas públicas, com ampla representação popular, foram criados junto a todos os ministérios. Em outras palavras, apostamos decididamente na política. Porque sempre acreditamos na força da política como promotora da emancipação individual e coletiva. A participação política é o melhor antídoto contra a alienação e as tentações autoritárias.
Eu próprio sou produto da política. A luta sindical me deu a convicção de que era necessário incorporar os trabalhadores às decisões políticas. Foi por isso que, em 1980, criamos o Partido dos Trabalhadores, que em menos de 20 anos tornou-se o maior partido de esquerda da América Latina e chegou à Presidência da República. Também construímos a maior a central sindical da América Latina, a Confederação Única dos Trabalhadores. Tenho a plena convicção de que os problemas da sociedade só podem ser resolvidos com mais democracia e mais envolvimento da sociedade no exercício do poder.
Minhas amigas e meus amigos,
O Brasil não está sozinho nessa trajetória virtuosa, que reuniu democracia, desenvolvimento econômico e justiça social. A esperança progressista do mundo, hoje, navega no vento que sopra do Sul. A América do Sul não é mais o estuário dos problemas do mundo, e sim a mais promissora fronteira da luta pela justiça social em nosso tempo. Sem os países em desenvolvimento, não será possível abrir um novo ciclo de expansão que combine crescimento, combate à fome e à pobreza, redução das desigualdades sociais e preservação ambiental. No momento em que se está constituindo um mundo multipolar, a América do Sul afirma a sua presença no plano internacional, renovando a confiança em si e na capacidade de seus povos de construir um destino comum de democracia e crescimento econômico com inclusão social. Vivemos numa região de paz. Não há ódio religioso entre nós. Os governantes de todos os nossos países foram eleitos em pleitos democráticos e com ampla participação popular. A democracia é o nosso idioma comum.
Minhas amigas e meus amigos,
Avançamos muito no Brasil nos últimos anos. Ampliamos a inclusão social e a democracia se fortalece cada vez mais. Elegemos, pela primeira vez na nossa história, uma mulher para a Presidência da República. Fizemos muito, mas ainda há muito por ser feito. E o governo da presidenta Dilma Rousseff assume esta responsabilidade. Lançou o programa Brasil sem Miséria para erradicar totalmente a extrema pobreza. Fortaleceu a área da educação, ao ampliar o programa e ensino técnico e aumentar o número de bolsas de estudos no exterior. O lançamento de uma nova política industrial, com o programa Brasil Maior, fortalecerá a inovação e a competitividade. Por último, quero enfatizar que o conhecimento e a informação são cada vez mais importantes para o aprimoramento espiritual da Humanidade e também para viabilizar o progresso econômico e o bem-estar dos povos. O governante que não enxerga isso, não está preparado para governar uma Nação. Governante que não sonha não transmite esperança. Agradeço novamente à Science Po por ter sido agraciado o título de Doutor Honoris Causa e estou honrado por fazer parte do seleto grupo de pessoas que mereceram esta honra.
Muito obrigado.