Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E agora?
- Claude Bloc -


E agora, José?
Como descrever cada sussurro da noite?
Como conter o barulho (in)discreto
dos dedos pelo teclado
ou
pelas plangentes cordas de um violão
como se um e o outro
fossem o mesmo e único instrumento singular?

Como descrever as palavras desgarradas
ou a quase perfeita intimidade
entre os silêncios rasgados e o desapontamento?

E agora, João?
como em meio às marés
poder escorregar para outra dimensão
devagarinho,
como as gotas de chuva
e esquecer a doçura
e esquecer a saudade
e ainda
desmedidamente
poder sonhar?


Claude Bloc

9 comentários:

Aloísio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Claude Bloc disse...

Como não me emocionar com tamanha gentileza?

Abraço,

Claude

Aloísio disse...

Claude,

Favor corrigir um erro de concordância colocando "As águas" em vez de "a água"; na "Pérolas nos Bastidores, e aproveita e altera meu nome para "Aloísio"
Muito grato.

Abraços
Alopísio

Chagas disse...

Belo poema, de uma poeta dotada de fina intuição poética.

João Cabral de Melo Neto tem um belo poema chamado Ferrageiro de Carmona, que termina assim:

Forjar: domar o ferro à força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga.


Domar o ferro à força, lutar com as palavras, enfrentar os desafios da linguagem.

Mas nada disso surte efeito, penso eu, se o poeta não tiver a intuição necessária. E Claude me parece ter de sobra.

Liduina Belchior disse...

Claude,

Emocionante e lindo poema.
Você nasceu com a caneta na mão.(Risos).

Abraços: Liduina.

José Carlos Brandão disse...

E agora, Claude?
A noite canta
nos dedos líricos
pelo teclado
ou pelas cordas
do violão.

Não cessa a música
com a poesia,
com a palavra
ou seu silêncio
encanta a dor.

E agora, Claude?
A intimidade
no coração
das suas palavras
e algum despeito
dentro do peito.

E agora, (v)ocê?
Eu sou qualquer
José da vida,
você é Claude
com o seu sonho
como eu ou nós.

Eu sou poeta
como você.
Sou no poema,
o meu espelho.
Você me lê,
você me vê
tal como sou:
uma palavra
ou uma imagem.

E agora, Claude?
Hora do fim
deste poema
jogado ao léu
na tela fria
para dizer
o que não pode:
vou a galope
nos cascos e asas
da criação.

E deixo aqui
o meu abraço
de poeta-irmão.

Claude Bloc disse...

Chagas,

Você tem um jeito especial de fazer a alegria transbordar na gente, quando trata a poesia com ímpar gentileza.

Ao fazê-lo, você toca a palavra e a transforma numa delicada seda que afaga a alma.

Abraço,

Claude

Claude Bloc disse...

Liduína,

Não sei se nasci com a caneta na mão, mas quase nasci de óculos (risos)...

O que sei é que certamente essa sensibilidade poética se instalou em mim muito cedo...

Abraço,

Claude

Aloísio disse...

Claude,

Lindo!!!
Como não se emocionar lendo este poema?
O barulho do teclado
Acompanhando o ritmo do violão
As águas da chuva correndo
que ao mar chegarão
desmanchando as saudades
num sonho ou alucinação.

Abraços
Aloísio

P.S.: Repostei para corrigir um erro de concordância.