Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 9 de maio de 2010

ANDEBB- Assoc.Nac.dos demitidos do Banco do Brasil


20/03/2010

Últimas Notícias – www.camara.gov.br

13:00 – Ex-funcionários do BB que aderiram ao PDV nos anos 90
podem ter sido lesados.

40 mil ex-funcionários do Banco do Brasil que aderiram ao programa
de demissões voluntárias da instituição nos anos 90 podem ter sido
lesados.

Documentos oficiais arquivados no Palácio do Planalto mostram que
houve uma rasura em um decreto de 1978, assinado pelo então presi-
dente Ernesto Geisel.

A alteração no documento original teria reduzido os valores das
indenizações pagas aos funcionários que se desligaram voluntaria-
mente da instituição.

Em resposta a um pedido de informações da Câmara (RIC-4573/09),
a Casa Civil da Presidência da República informou que não localizou
nenhum outro documento ou registro a respeito do assunto. Ou seja,
o decreto rasurado está em vigor, o que reforça os indícios de
fraude.

O autor do requerimento, deputado Celso Russomano, do PP de São
Paulo, defende que esses ex-funcionários do Banco do Brasil sejam
ressarcidos.

“O decreto anterior foi fraudado com uma máquina de escrever com
tipo diferente da original. É perfeitamente perceptível isso.
Significa que 40 mil funcionários da Previ têm direitos a receber
e vão receber, porque o documento, o decreto presidencial foi
fraudado”

Russomano vai pedir audiência pública para debater o assunto.
Ele também estuda a possibilidade de ingressar com uma ação coletiva
na Justiça, caso não haja acordo para ressarcimento dos
ex-funcionários.

O líder do PT, deputado Fernando Ferro, disse que se for confirmado,
o caso é de extrema gravidade.

“Agora é preciso que seja feita uma análise cuidadosa, com muito
critério para verificar a veracidade dessa denúncia para a partir
daí se tomar as providências necessárias uma vez que se trata de
direitos lesados e a Constituição Federal garante a qualquer
pessoa contra a qual tenha sido identificado prejuízo que ela
possa procurar reparação”

Pelo decreto original, assinado por Geisel, em caso de saída
voluntária e antecipada de entidades de previdência privada,
o beneficiário teria direito a restituição de 50% das contribuições
pagas.

Com a retificação, ficou estipulado que a saída voluntária
implicaria a perda dos benefícios.

Associações de funcionários demitidos estimam que os ex-partici-
pantes da Previ teriam cerca de R$ 20 bilhões a receber.

De Brasília, Geórgia Moraes

sexta-feira, 19 de março de 2010
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Aracaju, 20 de março 2010.

RASURA EM DECRETO PRESIDENCIAL, RESQUÍCIOS DA DITADURA
MILITAR NO BRASIL

No ano de 1978, foi expedido o decreto 81.240/78 regulamentando
as disposições da Lei 6.435/77, relativas às entidades de previ-
dência privada. Para uma melhor compreensão, a seguir um resumo
dos fatos que agora já estão em fase de comprovação.

20 janeiro 1978 – O DECRETO FOI EXPEDIDO E ASSINADO PELO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA

24 janeiro 1978 – O DIÁRIO OFICIAL PUBLICOU O DECRETO NA
ÍNTEGRA, SEM QUALQUER ERRO.

15 junho 1978 – EXPEDIÇÃO de um “Aviso nº 140” pelo então
Ministro Da Previdência e Assistência Social
SEM a necessária assinatura do Presidente da
República, Ernesto Geisel, nos seguintes
termos:
“Tendo em vista que na publicação do Decreto
81.240…verificou-se um erro de remissão no
parágrafo 2º do artigo 31, …”
e dessa forma SOLICITANDO uma RETIFICAÇÃO
NO DECRETO, absolutamente desnecessária, já
que não houve erro na publicação feita
anteriormente pelo Diário Oficial.

16 junho 1978 – O DIÁRIO OFICIAL PUBLICOU A RETIFICAÇÃO
Página 9004 (Seção I – Parte I)

R E T I F I C A Ç Ã O

Na página 1.342, 2ª coluna, no § 2º do artigo 31,

ONDE SE LÊ :
§ 2º – No caso do item VII, …

LEIA-SE: …..
§ 2º – No caso do item VIII, …

Nesta publicação, aparentemente não há algo de anormal devido
ao fato de ser um procedimento comumente utilizado para correção
de erros provocados pelas dificuldades dos recursos tecnológicos
então disponíveis. Mas não foi issso que aconteceu porque esta
retificação introduziu alteração substancial no texto do decre-
to 81.240/78. Aquele era um período em que tudo podia ser feito
pelos detentores do Poder.
Um Ato nulo de pleno direito e os direitos afetados por esse ato
nulo de pleno direito, devem ser recompostos.
Assim, concretizou-se um ato administrativo viciado por ilegali-
dade do objeto, inexistência dos motivos determinantes e princi-
palmente, incompetência do seu signatário, que não possuia atri-
buição para a prática do ato.

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ENCONTRO DE PEDEVISTAS EM SERGIPE – 26/01/2010

Realizou-se no Sindicato dos Petroleiros(SINDIPETRO) o
primeiro encontro de Pedevistas de Sergipe, reunindo pessoas
demitidas de todas as empresas. Comparecemos ao evento coor-
denado pelo companheiro Jomar Nascimento, diretor daquele
sindicato. Naquele encontro, conversamos com o companheiro
Valdemar Moreira, do Comando Nacional dos Pedevistas da
Petrobrás, que nos informou sobre a estratégia de luta e
os objetivos daqueles pedevistas, tendo prioridade o retorno
ao trabalho, conforme também falou numa entrevista concedida
a um canal de TV a cabo. Passamos as informações sobre nosso
movimento e os nossos objetivos, inclusive quanto à nossa
aposentadoria complementar sonegada pela PREVI.
Mais informações sobre o companheiro Valdemar acessem o
site www.radioparcerafm.org.br.

Mãe x Filhos - acervo de Monalissa Figueiredo

Monalissa e Breno( filha e neto de Fátima e João Marni)
Alex, Monalissa e David( filhos do casal João Marni e Fátima)
Quando Maria Alice nasceu ...( João Marni , Avô e Pediatra )
Fátima, Maria Alice e Monalissa

Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro o rio a passar. Nada jamais continua, Tudo vai recomeçar!

Mario Quintana

É assim que recomeçamos ... Neles !

Homenagem a minha mãe- por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Hoje, dia das mães, é a data em que os filhos querem presentear suas mães em agradecimento ao amor, carinho e dedicação que todas elas têm pelos seus filhos.

O dia das mães deveria ser comemorado diariamente, não com presentes materiais, mas com amor, carinho, atenção e sempre valorizando a mulher, que enxerga em cada filho um presente de Deus. Toda mãe dedica aos filhos um amor incondicional.

Nesta data está completando dois meses que a minha mãe faleceu. A saudade é grande, mas sei que ela cumpriu sua missão na vida sendo esposa e mãe exemplar.

Maria Eneida de Figueiredo, minha mãe, casou com meu pai Aníbal Viana de Figueiredo e conseguiram completar sessentas anos de vida a dois. Foi uma longa convivência, que mesmo com as dificuldades enfrentadas, procuraram viver da melhor forma possível. Este foi um casamento de muita união fundamentada no amor. Acredito que eles colocaram nos alicerces da família as palavras de Jesus: “quem ouve as minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha.” (Mt 7,24-25) O matrimônio dos meus pais foi construído sobre a rocha do amor e das bênçãos de Deus. Portanto não poderia deixar de ter sido uma união feliz.

Após a partida do meu pai, a saúde da minha mãe foi se agravando e depois de três anos e dez meses foi a vez dela ir ao encontro de Deus.

Do casamento de meus pais nasceram oito filhos. Lembro-me sempre de toda a dedicação da minha mãe cuidando dos filhos e, ensinando a todos eles o caminho do bem. Ela procurou passar para os filhos os valores morais e cristãos, através do seu testemunho de vida. Uma mulher digna, de muita fibra, que ao longo da vida nos ensinou que o mais importante do que riquezas materiais é o amor ao próximo, o respeito pelas pessoas e a honestidade. Sempre nos incentivou a estudar e a cumprir com nossas obrigações de estudante.

Eu admirava muito o otimismo e a simpatia dela, sempre com um sorriso nos lábios. Por essa qualidade, construiu muitas amizades, pois com a sua alegria e delicadeza atraía muitos amigos. Aprendi com ela que devemos ser fiéis aos amigos e à família. Com o seu exemplo, nos ensinou a respeitar o ser humano, independente da sua condição social.

Tenho muita gratidão pelo amor que ela nos dedicou e os ensinamentos deixados, todos com o objetivo de nos tornar pessoas ajustadas, condição necessária para construção de uma sociedade melhor.
Agradeço a Deus por ter tido uma mãe tão amorosa e dedicada. Pela memória dela homenageio a todas as mães.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Dona Valda ! - por Socorro Moreira


Quando descobri a vida , vi o rosto dela:nariz aquilino, boca vermelha, sobrancelhas arqueadas, cabelo preto.
Cuidava de mim com extremosa delicadeza.Exigente capricorniana...Quem conhece, sente !
Depois foi o ensino.A matemática, a gramática , os livros de estórias,arguição dos pontos
para as provas escolares. Cobrava-me as notas máximas !
Depois foram os vestidinhos acinturados, as calcinhas modeladoras, os corpetes primeiros,o batom , os sapatos de salto, e todas as reprimendas do mundo...Mas soube fazer pudim pro meu primeiro namorado.
Logo, logo, ( antes dos meus 18 anos) foi a compra do meu enxoval de noiva. Uns lençóis bordados, camisolas de cetim, um conjunto de malas ... Ah, e os aventais !
Dizia-me com um sorriso no olhar : a gente conquista o marido é pelo estômago ! Será ?
Em seguida, a doce ama dos meus filhos. Deixá-los com ela era a minha paz. Paz pra viver a festa, a viagem, e as minhas alegrias juvenis.
Cuidou das minhas enfermidades, das minhas perdas amorosas, da minha falta de qualquer coisa...Parou de me obrigar a rezar, parou de me censurar, de aconselhar, quando percebeu que eu havia crescido, que doravante e no mínimo, seria uma cúmplice, apenas isso : uma cúmplice de vida !
Esta é minha impressão de filha !

Foto: Dona Valda e minha neta Bianca

Um poema de Everardo Norões



JOHN O INGLÊS DISSE

John o inglês disse
gosto da palavra bruma
turner turva bruma
o acento amargo sob
o chicote de sol desse verão
no alto mundo das taquaras
som carmesim de uma estação
de trem ou trovão
contido num som de órgão
de Bach
gosto da palavra bruma
núcleo obscuro da saudade
I like it
álacre é o aberto
bruma o fechado
o roxo de um deus crucificado
nas santas semanas da paixão
bronze zen a retinir
sozinho
Em: http://retabulodejeronimobosch.blogspot.com
A ilustração é colagem de um quadro do pintor inglês William Turner e fotografia dos altos de Taquaritinga (também por Everardo).

Por Ana Cecília S.Bastos



...porque ganhei as duas flores mais especiais do mundo: Vítor e Ana Clara.

SENSÍVEL. Para minha mãe, com amor. Foto de Mário Vítor.



O coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão.
Honoré de Balzac

Algumas mães são carinhosas e outras são repreensivas, mas isto é amor do mesmo modo, e a maioria das mães beija e repreende ao mesmo tempo.
Pearl S. Buck

As tias, as mães e as irmãs têm uma jurisprudência particular com os seus sobrinhos, os seus filhos e os seus irmãos.
Honoré de Balzac

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados
por sua personalidade, não pela cor de sua pele.
Martin Luther King

Amamos as nossas mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação.
Guy Maupassant

Mães judiciosas sempre têm consciência de que são o primeiro livro lido e o último posto de lado, na biblioteca dos filhos.
Charles Lenox Remond

A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
Luís Fernando Veríssimo

Pais e filhos não foram feitos para ser amigos. Foram feitos para ser pais e filhos.
Millôr Fernandes

Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar.
Bertrand Russell

Mãe é o amigo mais verdadeiro que temos quando a dificuldade dura e repentinamente cai sobre nós; quando a adversidade toma o lugar da prosperidade; quando os amigos que se alegram conosco nos bons momentos nos abandonam; quando os problemas complicam-se ao nosso redor, ela ainda estará junto de nós, e se esforçará através de seus doces preceitos e conselhos para dissipar as nuvens de escuridão, e fazer com que a paz volte aos nossos corações.
Washington Irving

O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.
Agatha Christie
Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade

Escutando o mar - Por Xico Bizerra

Ela foi, não havia como deixar de ir. Não queria, mas findou por ir, junto com os pais. O pretexto de conhecer o mar não lhe parecia convincente, mas incontestável se mostrava. Como ficar, sem pai, sem mãe, apenas com ele, seu amor, à espreita, aguardando uma chance? O mar? E ela queria lá saber de mar! Muito mais lhe aprazia os carinhos recebidos e testemunhados pela lua, só por ela. Mas estava lá o mar à sua frente, sem graça, totalmente imenso e insosso, uma coisa grande mas sem sal. De nada teria valido aquela paisagem não fossem as conchinhas recolhidas na areia para ofertá-las, como presente, quando voltasse. Ao recebê-las, ele levou aos ouvidos o presente e, da conchinha mais bonita, escutou o mar, distante. Beijou-as, a concha e quem a trouxe de tão longe. Ela adorou ter visto o mar. Ele adorou ter escutado o mar.
Por Xico Bizerra



Candice Bergen (Candice Patricia Bergen, Beverly Hills, 9 de maio de 1946) é uma premiada atriz estado-unidense

Candice Bergen é filha de uma modelo e de um ventríloquo, Edgar Bergen, famoso nos Estados Unidos nos anos 1950 e 1960. De talentos múltiplos, Candice já foi uma manequim de alta costura, jornalista, fotógrafa, escritora de peças e de um livro com suas Memórias, além de ter sido a primeira mulher a apresentar o programa Saturday Night Live na televisão americana, durante a temporada de estréia em 1975.

Após a carreira de modelo, ela começou no cinema nos anos 60 e, apesar de críticas nos primeiros filmes, foi indicada para o Globo de Ouro e para o Oscar por papéis coadjuvantes em Ânsia de Amar e Encontros e Desencontros.

Em 1982, depois do sucesso de Ghandi, filme vencedor de oito oscars em que ela faz o papel da renomada fotógrafa Margaret Bourke-White, uma das poucas ocidentais a compartilharem da intimidade do líder indiano em seus últimos tempos de vida, Candice passou a trabalhar na televisão, atuando em diversos seriados e alcançando seu maior sucesso em Murphy Brown, pelo qual recebeu cinco prêmios Emmy de melhor atriz de tv, no papel-título de uma decidida repórter televisiva.

Nos últimos anos ela voltou a atuar no cinema, participando de Miss Simpatia com Sandra Bullock e Voando Alto do brasileiro Bruno Barreto entre outros, e atualmente participa do seriado Boston Legal na Tv ABC.
wikipédia

Com a palavra : Gabí!

A nossa força é de igual medida
essa é a saída,
se a batida é frontal
com certeza é mortal,
se a paz voltar a normal
nada foi mal
e o nosso amor
é a vida no espaço sideral.

Para Lorenzo

Tudo que eu faço é para você,

( também, )
ser feliz,
Meu filho!

Tua mãe Ghiga

M. Gabriella Federico (Gabí)



À minha vizinha

Socorro não aguento ficar em casa hoje,
Socorro preciso cozinhar um bolo,
Socorro quero um grande amor,
Socorro um medico,
Socorro paciência,
Socorro vizinha,
Socorro amiga,
Socorro linda criatura
perspicaz e verdadeira
que com tudo isso
não é uma quimera.
Feliz dia das mães,
de uma amiga sincera.


Gabriella Federico

Colaboração de Gabriella Federico

Às mães

Para todas as mães
- Claude Bloc -


Que as alegrias possam estar sempre de volta


Que as cores da vida estejam sempre vibrantes

" Que o nosso céu tenha mais flores!

Nossos sonhos mais amores"...
***
É o que o Cariricaturas deseja a todas as mães

Rui Veloso - Pequena Dor


Rui Veloso - Pequena Dor

A tua pequena dor
quase nem se quer te dói
é só um ligeiro ardor
que não mata
mas que mói.

É uma dor pequenina
quase como se não fosse
e como uma tangerina
tem um sumo agridoce.

De onde vem essa dor
se a causa não se vê
se não é por desamor
então é uma dor de quê.

Não esponhas essa dor
é preciosa e só tua
não a mostres, tem pudor
é um lado oculto da lua.

Não e vício nem costume
deve ser inquietação
nao há nada que a arrume
Dentro do teu coração.

Talver seja a dor de ser
só a sente quem a tem
ou sera a dor de medo
a dor de ir mais além.

Certo e ser a dor de quem
nao se dá por satisfeito
nao a mates, quarda bem
guardada no fundo do peito.

****

Gostei de ouvir!


Recadinho Musical

Eu não existo sem você - Leila Pinheiro & Rui Veloso

POEMA ENJOADINHO - VINÍCIUS DE MORAES

Declamado por Elis Regina, Dina Sfat e Regina Duarte

sábado, 8 de maio de 2010

Por Norma Hauer


PRK-30 E CASTRO BARBOSA

Ele nasceu em Sabará/MG em 07/05/1905 e recebeu o nome nada simpático de Joaquim Silvério (este nome lembra alguém?) de Castro Barbosa, que ficou conhecido no meio artístico apenas como CASTRO BARBOSA.
Em 1931, quando trabalhava no Lóide Brasileiro, fez um teste na Rádio Educadora, do Rio de Janeiro, sendo apresentado a Almirante (já um nome de destaque), que o convidou a participar de um programa radiofônico, em cuja emissora conheceu Noel Rosa, Custódio Mesquita, Nonô e Francisco Alves.
Convidado pelo compositor André Filho, gravou seu primeiro disco em fevereiro de 1931, com a marcha Uvinha (André Filho) e o samba”Tu hás de sentir (Heitor dos Prazeres), e no mesmo ano o samba “Tá na Mona”, com o Bando La Lua.

Foi quando conheceu Jonjoca (João de Freitas Ferreira), e com ele formou uma dupla para concorrer com Mário Reis e Francisco Alves.
A dupla que se formou (Jonjoca e Castro Barbosa) gravou entre 1931 e 1933 pouco mais de 20 discos, incluindo o Fox-samba “Flor do Asfalto”, de Orestes Barbosa e J.Tomás. A primeira gravação de uma composição de Orestes.

Mas “estourou” mesmo no carnaval de 1932, quando gravou, de Lamartine Babo e Irmãos Valença a marcha “O Teu Cabelo não Nega”. Sucesso de um lado, problemas do outro.
No disco original não constou o nome dos Irmãos Valença o que provocou uma verdadeira celeuma entre a Victor e os irmãos pernambucanos, autores do estribilho da marcha e... Os Irmãos Valença exigiram indenização e a Victor pediu que enviassem outras músicas (frevos) e a quem coube gravar o primeiro? A Carlos Galhardo que, iniciando sua carreira, foi requisitado para gravar um frevo dos Irmãos Valença.

A partir daí foram vários os seus sucessos carnavalescos, como, em 1937, Lig-lig-lig-lé (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa); em 1942, Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) e, em 1943, China pau (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Mas o que marcou a vida artística de Castro Barbosa foi sua participação (ao lado de Lauro Borges) na famosa PRK-30, primeiro na Rádio Mayrink Veiga e depois na Nacional. Fazia a caracterização de um português.

Chegou a trabalhar na TV Rio, ao lado de Chico Anísio, no Chico Anísio Show e, ainda no rádio, com Renato Murce nas “Piadas do Manduca”.

Castro Barbosa faleceu em 20 de abril de 1975, sem completar 70 anos, porque foi outro que morreu em seu inferno zodiacal.


Norma

A poesia de Artur Gomes

a lavra da palavra quero
quando for pluma mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua Luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com


Keith Jarrett (Allentown, 8 de maio de 1945) é um compositor e pianista estadunidense. Suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros gêneros e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros.

Vamos tirar a ressaca ? - por Heládio Teles Duarte

CARTA A DEDÉ FRANÇA - Por: Dihelson Mendonça



CARTA A DEDÉ FRANÇA ( Sobre Roza Guede )
Por: Dihelson Mendonça

Meu caro amigo Dedé,
se você visse cuma é,
a bagunça que tá o mundo,
com esse tá de Forró Brega,
qualquer das moça se entrega
pras trinca de vagabundo

Tá muito mais pió agora
A esculhambação de outrora
já num é mais novidade
e pra piorar inda mais
as rádia não fica atrás
só toca imbecilidade

Agora tem um tal de "Di Jays"
que querem falar ingrês
mas de inglês num sabem nada
só sabem mesmo é budejar
passam o dia a arremedar
jumento bebendo água

Num tem uma rádio que preste
desde o sertão ao agreste
tudo só toca porcaria
tem uma tá de somzoomsat
que pega em qualquer parte
divulgando as baixaria

Num tem mais gente decente
as festa são decadente
quaje tudo termina em briga
pra você ter uma idéia
os cantor grita pra platéia
-- Aí tem moça ou rapariga ?

Mas tudo é culpa da ambição
desses maluco do cão
que vieram da capitá
poluíram nossa cidade
troxeram infelicidade
pras pessoa do lugar

Eu tenho muita fé em deus
que um dia esses fariseus
inda vão perder o nome
que dê uma gripe afônica
morram de peste bubônica
ou que se acabem de fome

Dedé eu trouxe um amigo
que deseja prosear contigo
dar-te uma palavrinha
Ele é poeta letrado
por vates grandes clamado
um mestre da escrivaninha

Assim ele diz:

"Envolto em couro, em gibão,
rejubila-se o Rei, Gonzagão
que transcendeu a arte infinda
com uma pureza abstrata
entoou versos, serenata,
que ecoam no universo ainda

Nas noites de lua cheia
os vates à luz vagueiam
plangendo ternos violões
ostentando-se para donzelas
gentis loas, aquarelas
entrelaçadas de sons

Imortais noites queridas
dos sonhos da minha vida
de outro tempo, se encerra
na pureza das crianças
nas danças, nas contradanças
de um sertão de outras eras

Campos de sonhos feridos
um norte pobre, esquecido
clama por heróis gigantes
p´ra florescer a cultura
renascer nossa bravura
e a dignidade d´antes

Ó grande vate do Crato
és príncipe, és candidato
às mais divinas esferas
de deus foste a voz altiva
a revelar-nos a intriga,
o mal que o tempo espera

Nisto posto, assim almejo
a paz dos justos, desejo
e por qual eu lhe sou grato,
que ao romper de aurora bela
livres de toda mazela
Rosa possa vir ao Crato."

Minhas saudações, nobre Poeta!

Dihelson Mendonça,
08/05/2010


Roza Guede - Por Jose Helder França - Original





Minha fia Roza Guede
Toda sumana mi pede
Pá i pá rua comigo
Ela tem muita vontade
Di cunhecê a cidade
Mais porém acho um pirigo

Acho um pirigo é verdade
Pruque aqui na cidade
A coisa é bem deferente
Num si vê mais o respeito
Num tem nomoro dereito
O povo ta indecente

Rozinha sempre diz: pai
Quando é qui o sinhô vai
Mi leva pá vê a rua
Mais eu não tenho corage
Quando mialembro dos traje
Dessas moça quaje nua

Eu sei qui Roza é dereita
I qui essas coiza num aceita
Mais pode o diabo atentá
É mió fica nos mato
Qué que vem vê cá no Crato
É mió fica pur lá

Eu sempre digo: minha fia
Vou lhe leva quarqué dia
Só pá tu vê Cuma é
Na rua, nada tem nome
É muié virando homi
Homi virando muié

É um disparate, Rozinha
Home de carça curtinha
É o que se vê na avinida
E as muié o contrario
Uma ta moda inventáro
Tudo de carça cumprida

Perdêro a morá de tudo
Tem uns tá de cabeludo
Qué o pió qui eu acho
Uns rapaz bem parecido
Cuns cabelos tão cumprido
Qui dá mode fazer cacho.

As modas qui eles canta
São tão horrive qui ispanta
Purisso num ai inverno
Basta Rozinha qui eu diga
Qui inventáro uma cantiga
Qui manda tudo pru infermo

Derda os mais véi as criança
Todo mundo cai na dança
Isquizita cuma quê
Ficam querendo dá sarto
Sibalançando cum os quarto
É um ta de iê-iê-iê

Me dixe Mané Germano
Qui é musga de americano
Qui tão querendo imitá
E qui o pió inda vem
É ôtas dança qui tem
Pras banda da capitá

Nada disso acho bunito
E nos guverno acridito
Num pode mais fica assim
Tem qui havê argum jeito
Mode vortá o respeito
Pá tudo isso te fim

Rozinha não se iluda
Qui quarqué dia isso muda
E quando mudá de fato
E num tive mais pirigo
Eu levo vancê cumigo
Pá passiá lá no Crato

Jose Helder França
Publicado no Blog do Sanharol por Antonio Morais

Pensamento para o Dia 08/05/2010


Pensamento para o Dia 08/05/2010
“O sabor dos alimentos não pode ser apreciado se a pessoa está doente ou se a mente está imersa em outra coisa. Da mesma forma, mesmo se você estiver envolvido em práticas espirituais, você não experimentará o contentamento se seu coração estiver cheio de más qualidades. Você pode saborear a doçura havendo açúcar na língua. No entanto, se houver mesmo um traço de amargura na boca, toda sua boca terá o gosto amargo. Portanto, aqueles que aspiram alcançar a Santa Presença do Senhor devem cultivar bons hábitos, disciplina e nobres qualidades. As costumeiras formas habituais de vida não o levam a Deus automaticamente. Você deve praticar disciplina espiritual (Sadhana) para modificá-la da maneira adequada.”
Sathya Sai Baba
Foto Dia de Mãe
Nívia Uchôa

Dia de Mãe

As bases da crise do socialismo no fim do século XX - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Não sendo um substitutivo religioso, o que aconteceu com os partidos que lutavam pelo socialismo nos séculos XIX e XX? Em primeiro lugar, é importante se ter a noção que o socialismo, como idéia política mais bem constituída, surgiu na própria Revolução Francesa. Destacam-se Babeuf, com a Conspiração dos Iguais; os socialistas utópicos franceses e ingleses lá no início do século XIX (Fourier, Saint Simon, Owen etc.) e os Cartistas ingleses que foram os primeiros a incorporar idéias socialistas de democracia, igualdade e coletivismo em movimentos de trabalhadores.

Após a revolução de 1848 na França, quando efetivamente a classe dos trabalhadores enfrentou as estruturas da burguesia, começa, de fato, o movimento socialista que repercute até hoje e que nasce de um documento seminal que é o Manifesto Comunista de Marx e Engels. Deste modo, o socialismo deixa de ser encarado como um ideal para o qual se podiam fazer planos de um futuro Canaã, e passa a ser produto das leis do desenvolvimento do capitalismo. Entenda-se este desenvolvimento com as mesmas bases que Darwin aplicou à evolução da espécie. Ou seja, a transformação que implica em novas formas de estrutura e função. Aliás, em discurso no enterro de Marx, proferido por Engels, ele comparou o papel científico de Marx ao que Darwin tinha feito nas ciências naturais.

Para simplificar, as bases da luta pelo socialismo estavam no desenvolvimento do próprio capitalismo. Nada mais dialético, no sentido filosófico do modo alemão de estabelecer uma análise e um pensamento complexo para o comum da época. Neste desenvolvimento implicam-se as contradições que toda estrutura produtiva tem, qual sejam, os seus limites a partir dos quais deixam de ser. Entre elas grandes questões como: a migração rural urbana gerando excedente de pessoas ao sistema produtivo; o trabalho (infantil, da mulher, jornada, acidentes e doenças etc.); a renda, a aposentadoria, a emergência tecnológica e assim por diante.

A verdade é que todos estes limites, quase quatro séculos de capitalismo, estão presentes em todo o planeta. E nisso é que surge a crise do socialismo histórico em duas fases, antes da primeira guerra mundial e depois da segunda. A primeira crise efetivamente foi o surgimento dos partidos de natureza social democrático, que bebiam nas teses do socialismo. À proporção que estes partidos foram adquirindo natureza de massa, foram tendo que negociar dentro do parlamento e tendo que incorporar os segmentos que emergiram no século XX como a classe média. Com isso se passou a um plano moderado da luta revolucionária e se adquiriu uma natureza extremamente reformista, negociada nos termos do limite do capitalismo e que, por isso mesmo, não só o preservava, como o modernizava e reduzia seus choques com os trabalhadores.

A outra foi a Revolução Russa se tornando a força hegemônica no movimento comunista internacional. Antes que você perceba, esclarecerei uma questão: o movimento comunista internacional não era de natureza idealista, era uma estrutura de análise racional das contradições do desenvolvimento capitalista. Então, a Revolução Russa ao se tornar a força dominante, praticamente subordinou o cenário da luta internacionalista aos objetivos da grande União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esta contradição foi, ideologicamente, muito bem explorada pelas forças organizadas do pensamento liberal e capitalista.

Quando a União Soviética caiu e todos os Estados que estavam sob sua esfera de influência, mais do que a derrocada do comunismo ou de sua forma autoritária e totalitária, o que se viu foi a emergência de outra fase do capitalismo. Chamado globalizado, criando um sistema de trocas amplas no mundo, envolvendo capitais e mercadorias, além de pessoas de um lado para outro. Quando, por outro lado, os comunistas acabrunhados, passando por intenso revisionismo, se abespinhavam diante da quebra da hegemonia, de modo independente surgiam novas forças contraditórias em todo mundo. Exemplos: o movimento pela preservação do meio ambiente, as lutas contra a globalização, o “terrorismo” islâmico, os embates por ocasião dos encontros do G7 e assim por diante.

A concentração da renda, a liberdade dos capitais e a hegemonia do liberalismo em bases mais sofisticadas de Estado mínimo e da quebra dos direitos sociais, atingiram o outro componente da crise do socialismo, que foi a Social Democracia. Os direitos sociais, mediados pelos Estados Nacionais por meio de suas moedas, estão sobre forte ataque da roda do fluxo financeiro desta nova fase do capitalismo.

O fim da União Soviética não significou apenas o fim do modo de produção socialista, mas o reforço da nova fase do capitalismo, que é o imperialismo. Imediatamente, surgiram pólos alternativos a esta hegemonia, tais como a União Européia e a China. Isto, em 2010, está em plena ebulição. Os EUA, maior representante da forma imperialista está em crise, bem como a União Européia; por sua vez a China se encontra numa encruzilhada, ou bem se acerta no resto do mundo ou se volta para dentro de si.

Na próxima semana, tentarei abordar a difícil questão do que acontecerá, tomando como marco o momento atual. É difícil, porque toda a análise socialista sempre teve, no fundo, a questão da crise final do capitalismo e isso não se viu na prática. A chamada crise final foi, para muitos socialistas, aquilo que os Judeus e depois os Cristãos sempre esperaram, ainda em vida, o retorno do Messias.

HORAS AS

TODAS
AS
HORAS
ASSOBIO UM
AS
NAS
MUDANÇAS DE
PALAVRAS E
NESSAS
HORAS
AS
PERNAS TREMEM
COMO
PERNAS
BAMBAS DE
TODAS
AS
HORAS
AS

Nívia Uchôa

BOCA OCA

Minha boca silencia,
Meu gesto cala,
Tua voz flagra meu desejo
Sacudi meu olhar zen para romper barreiras.
Cuidar do espírito é ouvir música.
Serenar meu coração é deixar o riso suspirar de volta.
Cálidos por mim e por ti me prendem
Me convexo
Convenço-me
Cego
Calo
Amarro e desato os nós a sós.
No ócio em vão passando da hora
Suspiro a nostalgia contida em mim e deixo viajar a van filosofia dita por ai

Nívia Uchôa

Poema

E na sinfonia a sós deixo os girassóis ao vento
É como descortinar a janela da alma
Mesmo sem ser a alma a esmo
Como se a solidão configura e desfigura a sólida hora
Das questões passadas na hora
Ora se na escuridão me valesse
Ia sentir a imensidão das horas
Em todas as horas
Como se fosse apenas outra vez
Cálido por te treme que a mim palpita
E de vez em quando passando da vez
Fustiga e arrepia meu invento por ti
Onde o sol raia
Amanhã e anoitece todas às vezes
Como se fosse a quimera da tez
Em vez de acaso e ocaso fosse

Nívia Uchôa

No coração da gente - Emerson Monteiro

Passadas se foram situações emocionais e, por vezes, permanecem no âmago do peito, bem no crivo do coração, retardatárias, incoerentes, as mesmas impressões de intenso fervor indefinido nas palavras silenciosas que gritam. Há pouco, impactos vividos no mais profundo da alma pediam gritantes explicações sem resposta, pois dependiam do outros, que duraram dias, meses, existências.

Quais zumbis de qualidade e cores estridentes, tons maiores de ansiedade e desprezo, tais formações nodulosas, invadem a serenidade apenas aparente do cotidiano, filhos diletos das paixões universais, no palco interior desse peito, se arriscam percorrer, por tempo descomunal, os intermináveis corredores dos recônditos lugares do corpo, entra na trilha dos pensamentos através de excursões permanentes de retorno intermitente.
Nisto, bestas solitários portadoras de saudades sombrias, arrastam consigo bolsas pesadas de dúvidas impermeáveis, mágoas fragorosas, culpas sepulcrais, exigências endurecidas, vastas penumbras recorrentes, e, contra a vontade, nos transportam a dimensões reservadas de cavernas escuras, quais guerreiros de dramas ancestrais, postigos de chapéus empoeirados nas jornadas sórdidas da experiência, largados ao abandono diante do monturo supérfluo de horas mortas.

Restos das refeições felizes ali se mexem encarquilhadas, larvas da série da gente nos instantes saboreados quase sempre ao lado de criaturas humanas bonitas, charmosas, fragmentos fantasmas de espelhos desbotados que amareleceram, pétalas secas de livros atirados nas gavetas esquecidas; eles a nos esfregar a cara de palpites pegajosos, reclamos de outras margens impossíveis, erros aflitivos de lances duvidosos, digamos em resumo.

Nalguns momentos, funcionam, sem quaisquer cerimônias, de inimigos da paz interna das tréguas, a chutar contra o patrimônio pessoal. Noutros, agem parecido com micro e dolorosos incidentes suspensos no horizonte do tórax; convergem nuvens de chumbo que teimam em não chover jamais; máscaras de azia, bolos estomacais, cólicas, coceiras...

Só raramente advérbio de modo providencial, menos denso, chega-nos desconfiado em socorro, trazendo notícias de jardins ensolarados, alentos ainda tardios, nervosos, a nutrir de reparo às frustrações lancinantes, marcas vermelhas na vastidão das ilhas abandonadas, testemunhos inconvenientes de perdidos sonhos, amores equivocados, inúteis paisagens das insônias, constelações do universo distante, nos mundos inconscientes; esperanças, talvez, de acasos fortuitos, portais reencarnatórios das soluções futuras, tropel harmonioso dos degraus da verdade eterna.

São os vultos sorrateiros de si próprio, matéria vigorosa da individualidade prepotente, sentimentos, digamos assim, elaborados na ausência da ternura, na busca de termos melhor categorizados.

Bom, nisso de identificar os tais estilhaços flutuantes da corrente sanguínea do ser abstrato e sua dor de existir, império talentoso dos casos clínicos particulares das criaturas atuais, invade-se o tempo da eternidade, nos seis pontos cardeais do intrépido infinito; se chora sozinho, se chora pelos cantos; elaboram-se cantilenas melodiosas, versos quadrados, modernos, perpassados de litanias fragorosas, vendavais insubmissos de súplica que varrem impiedosos as superfícies emolduradas nos eufemismos culturais de letras maiúsculas, decentes, dos valores imortais. Elaborações filosóficas exemplares trabalham as lufadas de tempestade, transformando-as em brisas suaves de manhãs inesquecíveis, conceito civilizado da persistência, feras descomunais extintas se nos mudam mais mansos animais de estimação; quadros fortes de museus; livros encadernados e suas lombadas brilhantes, dose certa depositada nas prateleiras das academias públicas, pedaços conservados nos sarcófagos das gerações futuras; fogueiras apagadas viram rescaldos mornos, a encher de lágrimas doces olhos ardentes...

E cada um rompe o hímen da cena seguinte, com as faces das corujas atormentadas, porém calmas no esquecimento de quem vive com pressão cardíaca nas raias da normalidade, medidas ideais do expediente, destemor na ponta da língua afiada, épicos do espetáculo revivido, máquinas da permanência, seres eficientes do inesgotável destino, altivos palatinos da utopia, páginas de velhos almanaques, último lançamento de grife, etc. Sentimento, generosidade, coração. Expressão, animação, vida. A alma perpétua deste mundo. Veemência de sentimento; entusiasmo, arrebatamento. Pessoa, indivíduo... Arre, quanta letra em espaço tão pequeno só para dizer que dói viver, e angustia sentir paixão não correspondida...