Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Dom Corleone: o verdadeiro Ethos dos EUA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando vou ao Crato e não encontro ninguém à noite, suponho que estejam em casa na internet ou vendo televisão. Por isso mesmo suponho que um ou outro terá nova oportunidade de assistir ao Poderoso Chefão de I a III. Estão num destes Telecines da vida.

E aí cá deste canto estou a me perguntar o que acham da ética daquela máfia? O lógico é que a morte para tomar o negócio do outro e a cartelização do comércio seja algo abominável ao bom cidadão.

Então me pergunto: alguém efetivamente sabe diferenciar aqueles mecanismos do mundo normal dos negócios? Sempre a concentração, a exclusão do outro e o domínio absoluto das mercadorias e fregueses.

Tanto na máfia quanto na livre concorrência o inato de ambos é o mesmo: o domínio das riquezas do comércio. Por isso mesmo esta natureza transposta para a política de Estado se torna o Ethos de um povo.

Os norte-americanos, tanto por historicamente pretenderem herdar o império britânico, quanto por irem ao extremo da experiência acima citada, têm no seu Ethos o domínio e o controle do território nacional alheio. Agora mesmo isso ocorre no México.

Mas o princípio é completo: visam o lucro em amplo sentido. Ganham em tudo que fazem na chamada “Guerra contra as Drogas”. Enquanto ao México restam milhares de mortos, uma situação de militarização generalizada que pode desencadear golpes militares e o esvaziamento produtivo nacional. Aos EUA tudo ao nosso reino.

Aliás, o NAFTA rebentou o México. A tal zona de livre comércio que tentaram impor a toda América Latina, era uma arapuca que disparou. Criaram milhares de empresas maquiadoras de produtos perto da fronteira com os EUA. Não agüentaram a “livre concorrência” dos asiáticos.

Por exemplo, entre as vizinhas El Paso nos EUA e Ciudad Juarez no México, a face negra do domínio americano se mostra. Ciudad Juarez perdeu perto de 100 mil empregos, até o prefeito da cidade mora em El Paso devido à violência.

Os EUA são tão ferozes neste “destino manifesto” que agora vendem milhões de dólares em armas, pagam consultores, invadem o território mexicano e alguns milhares de agentes americanos estão no território vizinho em perseguição aos mexicanos, especialmente pobres das periferias urbanas.

Além disso, os americanos ganham bilhões de dólares para lavar o dinheiro da venda das drogas. Em outras palavras, os bancos norte-americanos estão levando de volta para si o lucro que os mexicanos tiravam com os viciados ricos do “american way of life”.

Segundo algumas estimativas a aliança entre os cartéis de droga (inclusive da América do Sul) e a banca norte-americana é superior a qualquer outra atividade do sistema da banca privada americana. Tal correlação escancara o Ethos americano.

Não tem guerra contra as drogas coisa alguma. É simplesmente o domínio desta “dinheirama” gerada pelo consumo de drogas. O governo americano funciona apenas como o Capo de proteção dos seus bancos. Não é diferente dos matadores de Dom Corleone.

Irmãos amigos para sempre


François Bloc
Meu irmão
Estamos iguais ao vinho
Quanto mais velho, melhor
Tu és tão meu, como eu sou teu
Você é um cara MARAVILHOSO
Companheiro amigo
Muito amigo
Amigo amigo
Tenho orgulho e carinho de ti
Tenho orgulho de te dizer, que te amo
Obrigado
Mas não só por ser meu irmão!
E sim
Por Você ser você
você mesmo
exatamente assim, como você é .

Jacques Bloc

A "graviola podre" do Zé do Vale - José Nilton Mariano Saraiva

Com a autoridade que lhe é conferida de ser um dos grandes pensadores da atualidade (reconhecida por todos que apreciam um bom e consistente texto), contundente e corajoso Zé do Vale nos sinaliza sobre os caminhos da intolerância e do sectarismo tão recorrentemente presentes em determinadas postagens de certos blogs da Região do Cariri, fielmente retratados na forma pejorativa como são estigmatizados aqueles que não rezam pelo mesmo catecismo, não se amoldam a determinado tipo de cartilha ou não fazem questão de se fazer parecer politicamente corretos (do tipo “papai-com-mamãe”), daí o rótulo de agressivos e desrespeitosos que se lhes atribuem.
Bem que poderiam refletir sobre o que nos diz o Zé do Vale (postagem “Manter a mensagem e o debate”, aqui veiculada dias atrás), antes de rebolar “graviolas podres” em quem tem a coragem e responsabilidades devidas de se abrir para o mundo. Sem receios ou temores. Preto no branco e assinando ao final.

Vejam que autenticas pérolas do nosso Zé:

“A verdade é que ninguém precisa saber do meu quintal, mas é importante que alguém compreenda a minha busca de compreensão do mundo. Não concorde com ela, mas saiba que assim imagino. Não tem problema que aponte meus erros, mas sem jogar graviola podre em cima de mim” _________________________________

“No dia em que um assunto não puder ser tratado por um cidadão, este assunto não existe. Isso é coisa de sociedade secreta, de iluminados, de mensagens cifradas.(...) Se estamos todos aqui discutindo política, cultura, economia, filosofia e o cotidiano o mais certo é que as visões se multipliquem”.
__________________________________

“E quando abordo qualquer assunto, mesmo que não seja do agrado de outras pessoas, não imagino a concordância, mas, no mínimo, o brilho do contraditório”.
___________________________________

“Quando não gostamos da abordagem de alguém, tratemos de analisar, refletir e se estiver com o conteúdo que julgue importante contrapor-se tem por sentido a obrigação de fazê-lo. E também se não tiver interesse em participar de eventuais querelas não o faça. O que não é legal é ficar com raiva, querendo jogar frutas em quem discorda”.

Aquarelando a Chapada
- Claude Bloc -


Final de junho. A natureza se enfeita para festejar os acordes juninos. Festas, folguedos, fogueiras acesas nas lembranças, ipês roxos florindo na mata. Águas plácidas refletindo um céu imenso.


E seguimos. O sol brincando na lente e o verde se espalhando pelas vistas da gente brincando de amaciar o dia.


Aqui e ali, um reflexo que se mistura ao tempo. Ipês encantando as emoções da gente. Pintando a vida numa aquarela de tons sobre tons.


E seguimos a estrada. O caminho é um convite ao novo. À nova empreitada. Ao dia que se alonga e nos frutifica.


E nosso olhar se deita nos campos aveludados, onde sonhamos ficar mais um pouco. Onde nosso sonho escorre a cada passagem. Onde sentimos a vida em sua plenitude.

Claude Bloc

Feridas abertas - Emerson Monteiro


Algo que revira entranhas feito brasa acesa nesses tempos convulsos caracteriza o despreparo da Humanidade para solucionar graves desafios em séculos seguidos. Apenas uma banda de mundo aparenta tranquilidade do ponto de vista social. A outra, amargura marcas profundas em termos de desencanto e desesperança. Espécie de sistema injusto transfere, de geração a geração, fortes heranças deixadas pelas guerras, em desatenção ao mínimo padrão da boa convivência, quando tudo serviu de pretexto à ganância dos menos escrupulosos. O cinismo diplomático ainda representa a regra básica dos povos e países, na conquista dos mercados e escravos.

Trilhões financeiros da riqueza da Terra alimentam a máquina infernal de quantias imensas que movimentam a indústria das armas, o comércio das drogas, os jogos, a prostituição. Praticar respeito entre as criaturas humanas deixou de significar progresso e demonstra fraqueza. Há que se andar tantos caminhos até contar história diferente, de alegria e positividade.

O canteiro de obras desses sonhos bons, no entanto, espera trabalhadores melhor qualificados, pois agora os exemplos torpes de autoridades infiéis aos compromissos coletivos querem fixar modelos perdidos. E o que se vê são caravanas de complicações no resultado parcial da farra política.

A cena dos palcos mostra limitações de não ter tamanho. Atores fantasiados encenam quais marionetes abobalhadas em meio aos gritos desesperados da miséria moral que predomina.

Nisso existem aqueles vendilhões da miséria alheia que usam a bilheteria em favor particular, os ditos ratos de monturo. Sugam as energias das populações de armas em punho, descaradamente qual sendo só seu o que a todos pertence.

Querer narrar a condição humana noutros cadernos mais organizados, ou pintar o barco nas cores amenas, eis o desejo de qualquer sobrevivente do mundo atual. Porém as telas que a realidade oferece quase que em nada mudaram, nos panoramas tristes elaborados desde a antiguidade dos pintores medievais.

Fanatismos, corrupção, distorções legais, administrativas, pornografia, epidemias, poluição, palavras do poema histérico escrito nos ares cinzentos e transcrito nas páginas rudes da civilização.

Esperar por mudanças favoráveis, mesmo que isto represente conscientização e trabalho, nunca é tarde, e recomeçar sempre a jornada. Cada personagem da crise desse chão detém o poder de transformar sonhos em acontecimentos, desde que reconheça disso a enorme necessidade presente.

VÍDEO - Cineasta e Cinegrafista Catulo Teles fala sobre a sua relação com o Cinema e a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo


Um artista Global


Filho do grande e inesquecível radialista, e estudioso do folclore, Elói Teles de Morais, Catulo Teles é um dos maiores profissionais ligados à TV e ao cinema. Trabalhou na TV GLOBO de Brasília por 5 anos e na TV veres mares por 12 anos, Catulo está entre os melhores cinegrafistas e editores de vídeo do Nordeste, aclamado inclusive pelos "papas" dessa área extremamente importante da arte de fazer cinema. Na I Mostra Crato de Cinema e Vídeo, 6 dos 30 filmes apresentados tem a marca desse profissional, e nessa mostra ele teve a oportunidade de apresentar-se também como cineasta, com um dos seus próprios filmes. Com vocês, um pouco da história de vida de Catulo Teles:

O.B.S - Para evitar ouvir 2 sons ao mesmo tempo, pare antes o player da Rádio Chapada do Araripe, no canto superior direito, no topo do Blog.



Produção: Dihelson Mendonça
TV CHAPADA DO ARARIPE - WEBTV
www.tvchapadadoararipe.com

domingo, 19 de junho de 2011

O que é a Missa?





A grande maioria dos católicos participa da Santa Missa sem saber o que ela significa. E por isso assiste as missas de um modo quase mecânico, sem prestar a atenção nas palavras ali pronunciadas ou até com o pensamento longe da solenidade da qual está participando.

Segundo o padre Lourenço Ferronato, EP: “A primeira missa celebrada no mundo foi na Quinta Feira Santa, na Ceia de Jesus com os apóstolos. Na ocasião foi instituída a Sagrada Eucaristia e Jesus demonstrou mais uma vez o seu infinito amor pelos homens, ao partilhar conosco Seu Corpo e Sangue”.

A missa é, pois, a renovação do sacrifício sofrido no Calvário sobre a Cruz, por Jesus Cristo, para a salvação da humanidade, com uma única diferença: o sacrifício da Cruz foi sangrento, enquanto o sacrifício do altar é incruento, isto é ocorre sem o derramamento de sangue. A missa tem um valor infinito, uma vez que é próprio Jesus Cristo que se oferece em sacrifício e se imola na hóstia sagrada.

Assim, procuremos participar da Santa Missa com toda a atenção possível, a fim de sermos beneficiados com as graças e favores concedidos durante a renovação do sacrifício de Cristo Jesus.
Sobre a missa assim se pronunciaram alguns santos:

"Na hora da morte, as Missas, às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Missa, pois, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados, pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais, porém, te arrependes; preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam. Diminui o império de satanás sobre ti mesmo. Sufraga as almas do Purgatório da melhor maneira possível. Uma só Missa a que houveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte, pois pela Missa participas da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo." (Santo Agostinho)

“Cada Missa à que assistires, alcançar-te-á no céu maior grau de glória. Será abençoado em teus negócios pessoais e obterás as graças que te são necessárias. Nosso Senhor Jesus Cristo nos concede tudo o que Lhe pedimos na Santa Missa. (São Jerônimo)

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em ouvir devotamente uma só Missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a terra.
Toda Santa Missa diminui teu purgatório." (São Bernardo)
(Pesquisa feita por Armando Lopes Rafael)

SERTÃO POP REALIZA SÃO JOÃO COM FORRÓ AUTÊNTICO




A Sertão Pop está trazendo de volta as comemorações do tradicional São João. Para este evento, convidou a banda BELOXOTE da cidade de Crato, que tem se destacado em manter as raízes nordestinas do verdadeiro forró. A banda BELOXOTE volta-se para um repertório rico em músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês, Nando Cordel e muitos outros artistas que marcaram o cancioneiro do verdadeiro forró. O evento acontecerá na "Noite de São João”, na residência do produtor Kaíka Luiz, que fica há mais ou menos 100 metros do Hotel Encosta da Serra no Crato, local amplo e com muita estrutura para eventos.

Além do clima do verdadeiro São João que teremos através da música, a festa terá comidas típicas, quadrilha improvisada, fogueira, concurso de traje típico e muito forró autêntico.

A difícil arte de viver de arte

A Difícil Arte de Viver de Artes

Um Artista não nasce pronto, mas nasce com o dom artístico.

E é esse dom que lhe faz acreditar que é possível!

Mas a realidade não é tão fácil assim, sou artista plástico desde 1981, só agora venho colher um pouco do que gastei em que acreditei, não falo aqui de dinheiro, que é essencial para sobreviver, mas sim de reconhecimento e valor ao meu trabalho. São anos de dedicação e aprimoramentos, anos difíceis que poucos caminham nessa estrada, me dou crédito e o luxo de nunca ter chegado com um pires nas mãos na porta do Governo Estadual ou local, também nunca fui procurado por ambos, que lamento muito, mas não por mim, mas sim por muitos e muitos talentos que temos aqui em nossa terra e não é dado o devido valor, e sendo assim muitos desistem no meio do caminho perdendo-se um sonho e “ um artista”.

A Arte é um patrimônio da humanidade, ela por si só conta sua História, pena daqueles que não dão valor a sua própria cultura e como sempre vem a política suja, que os braços são estendidos para os seus e os mais favorecidos,mais uma vez é “Lamentável”.

Fica aqui o meu protesto e meus agradecimentos aos meus clientes, amigos e toda sociedade caririense que tem dado reconhecimento pelo o meu trabalho, mesmo sem apoio represento o meu amado Crato com minhas obras até mesmo no exterior.

Ateliê Artessetra

Artes indo e vindo para você

Av. Pedro Felício Cavalcante 2274

Parque Grangeiro- Crato-Ce

Se você não pode ir ao Ateliê Artessetra, ele vai até você

Ligue

(88) 8821 3731 -9991 5770

Veja minhas obras no endereço do meu Orkut

daniel_bloc@yahoo.com.br

Crato abre Semana do Município com assinatura de órdens de 10 milhões de reais em obras para a cidade


CRATO EM FESTA!

Órdens de serviço no valor de 10 milhões de reais para o Crato

O prefeito do Crato, Samuel Araripe, abriu oficialmente, na manhã de ontem ( sábado ), no Teatro municipal Salviano Arraes Saraiva, a Semana do Município. O evento começou com uma palestra proferida pelo prefeito por título: “Os Desafios e Potencialidades do Município do Crato” e contou com a projeção de slides em Datashow, mostrando as realizações da administração Samuel Araripe. O teatro estava lotado, inclusive na galeria superior. Em seguida, o prefeito assinou várias ordens de serviço. Os investimentos em novas obras e melhoria de infraestrutura da cidade do Crato são de mais de R$ 10 milhões.

LISTA DE OBRAS:

Neste dia 18, será autorizada a construção da quadra poliesportiva coberta do Sítio Malhada; Reforma das praças centrais: Praça Juarez Távora, Praça Francisco Sá, Praça Cruz do Século, Praça Antônio Esmeraldo, Praça Francisco Zábulon, Praça Dr. Joaquim Fernandes Teles e Praça Teodorico Teles.

Além da construção de uma praça no bairro Belmonte, construção do CREAS – Centro de Referência Assistência Social e construção de 104 unidades habitacionais; o Governo do Crato fará recuperação de estradas vicinais e colocação da sinalização turística indicatória. Será realizado calçamento em pedra tosca nos bairros: Seminário, Muriti, Barro Branco, Novo Horizonte, Novo Lameiro, Parque Grangeiro, Sossego, São Bento, Zacarias Gonçalves, Palmeiral, Gisélia Pinheiro, Recreio, Santa Rosa, São Miguel, Baixio das Palmeiras, Ponta da Serra, Santa Fé e Distrito de Monte Alverne. Também serão solicitadas licitações para a construção de postos de saúde do Pantanal, Independência, quadras do Pantanal, Mutirão, e Conjunto Vitória Nossa, no bairro Seminário.

Hoje, ( domingo ), será realizada a 15ª corrida de pedestrianismo “Cidade do Crato”, a partir das 8 horas, na Praça da Sé.

Por Dihelson Mendonça, com informações da Assessoria de Imprensa da PMC

sábado, 18 de junho de 2011

Padre Vieira terá Museu

Publicado em 18 de junho de 2011

Diário do Nordeste
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Equipe DA SECULT e de Várzea Alegre faz levantamento do acervo para o projeto de concepção memorial que deverá viabilizar a instalação do centro sobre a vida de Pe. Vieira
FOTOS: HONÓRIO BARBOSA

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CASARÃO HISTÓRICO foi alugado pela Prefeitura de Várzea Alegre para ser sede do novo espaço cultural da cidade

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Defensor ferrenho dos jumentos, Padre Antônio Vieira terá suas memórias preservadas em centro cultural

Várzea Alegre O acervo pessoal do padre e escritor, Antônio Vieira, vai ganhar um espaço apropriado, nesta cidade, localizada na região Centro-Sul. Parceria firmada entre a Prefeitura e a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) viabilizará em breve a instalação de um centro cultural, com museu, biblioteca, salas de pesquisa, leitura e vídeo. Nesta semana, começaram os trabalhos para catalogação de peças e livros e para a elaboração do projeto de concepção do memorial.

Desde terça-feira passada, três técnicas da Secult trabalham na seleção de objetos, fotos, livros e documentos do acervo pessoal do Padre Vieira. "Era preciso o trabalho de uma equipe especializada em instalação de museu", observou o secretário de Cultura do Município, Hélio Batista. "Inicialmente, está sendo feito um diagnóstico do material histórico".

O padre Antônio Batista Vieira nasceu em Várzea Alegre em 1919 e morreu em abril de 2003, aos 84 anos. Morava em Messejana, bairro de Fortaleza, onde havia instalado um sítio e um espaço próprio para conservação de seu acervo pessoal e pesquisa. Em 1986, criou o Instituto de Arte e Cultura que tem a sua denominação. "Após a sua morte, o acervo ficou abandonado e era preciso revitalizar a diretoria do instituto", explicou o secretário, Hélio Batista.

A Prefeitura alugou um imóvel no Centro de Várzea Alegre para instalação do espaço cultural. "É uma casa apropriada, antiga e que tem tudo a ver com a proposta do Instituto", frisou Batista. O passo seguinte foi solicitar, por meio de ofício à Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (Cophc) da Secult, o apoio necessário para a implantação do espaço cultural. O coordenador da Cophc, Otávio Menezes, atendeu a solicitação do Município e enviou uma equipe técnica, que tem a participação da museóloga e arquiteta, Lídia Sarmiento, e as historiadoras, Jana Rafaella e Janaina Cavalcante. O clima entre os envolvidos no trabalho de catalogação do acervo é de expectativa e empolgação.

A denominação oficial do espaço ainda não está definida, mas a tendência é que seja Centro Cultural Padre Vieira, e terá espaços diversos. "Será um equipamento fundamental para elevar o nível cultural da cidade", observa Lídia Sarmiento.

Jana Rafaella observa que a cidade precisava reconhecer a importância histórica do filho ilustre. "Os moradores devem valorizar e ter consciência da produção cultural do Padre Vieira", disse. Para Janaina Muniz, o espaço cultural deverá ser um centro de "construção da memória da cidade" e do homenageado. "Queremos ajudar a construir essa identidade".

O secretário de Cultura avalia que a instalação do centro vai preservar um importante acervo histórico. "Queremos revitalizar esse passado, fazer com que a produção cultural e a memória do Padre Vieira fiquem eternizadas, seja uma referência e um lugar de pesquisa", destaca.

O sonho do secretário Hélio Batista, com o apoio do prefeito José Hélder, começa a se tornar realidade. "É o Município que vai ganhar com esse espaço", frisou. "Não queremos que seja um depósito de coisa velha, mas um ambiente de pesquisa e de atração da juventude".

Além de sacerdote e de escritor, Padre Vieira foi político, eleito deputado federal na década de 1960, foi cassado, após o golpe militar de 1964.

A partir da década de 1970, começou a luta em defesa do jumento, que eram mortos em massa por frigoríficos. Mostrou intensa preocupação com o meio ambiente, preservação e consciência ecológica.

Acervo

No acervo há centenas de cartas trocadas entre amigos, parentes, governos e instituições internacionais. Objetos pessoais, peças artesanais, quadros, e dezenas de livros de sua autoria e centenas de publicações que compunham a biblioteca pessoal. O Centro Cultural deverá contar com uma biblioteca, sala de leitura, pesquisa, de exibição de vídeo, espaço para produção de peça artesanal de réplicas de jumentinhos, cordéis, xilogravura e até um ambiente cênico.

Fique por dentro
História

Padre Vieira nasceu na Serra dos Cavalos, em Várzea Alegre, no dia 14 de junho de 1919. Filho de pais pobres que viviam no campo, conheceu na infância limitações e privações peculiares à situação de pobreza. Trabalhou na roça. Estudou no Seminário do Crato e de Fortaleza, onde concluiu Filosofia e Teologia. Ordenou-se em 1942. Em 1964, cursou Administração de Empresas na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Depois, cursou Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escrevia em jornais e publicou dezenas de livros: "100 Cortes Sem Recortes" (1963); "O Jumento, Nosso Irmão" (1964); "O Verbo Amar e Suas Complicações" (1965); "Mensagem de Fé, Para Quem Tem Fé" (1981); "Pai Nosso" (1983) e "Bom Dia, Meu Irmão Leitor" (1984).

Honório Barbosa
Repórter

Conheço Zé Flávio desde menino - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando alguém diz: esse aí conheço desde menino, a depender do assunto que corre e do tom da palavra, coisas muito diferentes podem ser tidas. Uma que conheço os podres do sujeito e outra que sei do berço e dos bons modos dele.

Taí, pois bem, eu conheço o Zé Flávio desde menino. E é hoje o que foi em menino, juntando muito mais ossatura do conhecimento, é claro. O que foi em menino é uma história que vem tirando fornadas de muito neste chão do nordeste brasileiro. Somos pobres, mas, não sei bem qual a vantagem disso, mas orgulho é orgulho, a caatinga é o único bioma genuinamente brasileiro. Pois Zé Flávio é brasileiro desde as folhas secas do verão até a nevasca verde do inverno.

Matosinho é como a terra mágica do velho Vicente Vieira. Eu esqueci o nome viu Zé, mas quando lembrava é por que ela era repetida o tempo todo. E Matosinho tem a narrativa que estava em Antonio, Manoel e no casamento a contragosto familiar da Laís. Matosinho não é um besteirol de dente escancarado do fácil riso: ele tem uma tensão desgraçada. Uma tensão que é essencialmente política.

O Zé Flávio tem lado político e é profundamente político. Talvez tenha tomado excesso de leitura e dedicação à medicina, pois sempre foi uma promessa de bom tom para a prefeitura do Crato. Não sei se ganharia as eleições, mas isso não é o mais importante, o caro para a cidade é ter alguém como o Zé propondo políticas públicas. O certo é que a situação do governo é sempre uma pauta ideal da oposição. Claro até que oligarquias se fundam e passam a manipular e atrasar o conjunto da sociedade.

Peguemos esta Mudança de Generéia. Encontramos a superação de uma sociedade que lentamente foi sendo invadida pelos artefatos e hábitos da segunda metade do século XX. Iremos, com humor, encontrando a corrida de todos em busca do chamado “progresso”. Agora ter as coisas do mundo exterior é o quente para o íntimo de Matosinho. E não ter é não ter conquistado o “progresso”. Por isso o faz-de-conta de Generéia. É mais importante a versão do que a realidade dos fatos.

Nada mais político do que isso. Mas, afinal, se tem uma coisa que a pós-modernidade ainda não “desconstruiu” é o fato que a cultura é o conteúdo da política. Todo “agente” da cultura deve refletir sobre tal aspecto. Quando pensa em ser apenas um isento artista, ou isento pensador, ele tem a posição política do status quo.

Matosinho está de mudança como Generéia.


O PSDB do Ceará e o futuro do Estado - José do Vale Pinheiro Feitosa

Não tem como sair pela tangente: os problemas econômico-sociais resultam de um efeito cumulativo histórico. Um dia conversando com Carlile Lavor, um grande quadro do PSDB do Ceará, muito ligado ao Tasso Jereissati e à direção do partido, ele me contava como fora impactado positivamente a saúde pública do Estado apenas com oferta de água limpa para as populações. A mortalidade infantil e o programa de Agentes Comunitários de Saúde estarão para sempre associados ao currículo do Carlile e por tabela ao do governo Tasso.

Este aspecto virtuoso a demonstrar o quanto o Ceará vinha de uma situação calamitosa durante quase todo o século XX, - isso começou a modificar-se apenas nos últimos 20 anos daquele século - , serve para acrescentar os limites de toda política que não amplie outros recursos sociais e a renda familiar. Aí a porca torce o rabo: para combater o adversário petista, o PSDB migrou para um “udenismo” moralista a fazer muxoxo contra a política de transferência de renda para os mais pobres.

O problema deste discurso é o imobilismo que transmite, além de abandonar um caminho de mudança virtuosa a que já tinha experimentado. Uma burrice cavalar, pois todo partido político que abandona o seu melhor caminho, trai a si mesmo. Quando embarcaram na ode da globalização, pensaram apenas nos grandes projetos industriais, valorizaram o crescimento do litoral, esqueceram do caminho virtuoso.

Nesta semana o IPEA, com a participação do Banco do Nordeste e técnicos do governo estadual levantaram o mapa da pobreza extrema no Estado. OS resultados são os seguintes: “10% da população cearense está abaixo da linha nacional da miséria (renda inferior a R$ 70 por pessoa), o dobro da média nacional (5%). Essa proporção, no entanto, vem caindo nos últimos anos. Em 2004, os mais pobres eram 18% no estado. A maioria vive na área urbana (56%) e em pequenos municípios (76%). O peso do Programa Bolsa Família na renda média dos cearenses extremamente pobres mais que dobrou entre 2004 e 2009. Hoje 43% da renda monetária dessas famílias vêm de repasses do programa. Apesar da melhoria na renda, ainda é precário o acesso a serviços públicos como o saneamento básico. 77% dos mais pobres do estado não tem acesso à rede de água e esgoto adequada.

Isso vem a propósito das inúmeras manifestações de pessoas simpatizantes do PSDB no Ceará a repetir o chavão do Bolsa Miséria e, principalmente, pela manifestação recente do Líder do PSDB no senado, senador Álvaro Dias no Programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, além do ex-candidato José Serra a falar do assunto. Um partido do porte social democrata como o PSDB jamais deveria ter adotado uma linha política atrasada como esta.

Na próxima semana o seminário irá mostrar outra situação extremada: a do Maranhão. Mas aí o quadro é de uma oligarquia política atrasada, sobre a qual pode se recair toda a explicação. Não poderia recair era sobre o PSDB do Ceará, que já foi um dos mais progressistas nos anos 80, especialmente quando em luta contra os velhos coronéis. Isso sempre me leva a crer que os dois governos FHC com as bandeira liberais, arruinaram historicamente o PSDB.

Programação de encerramento da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - 18/06/11 ( Sábado)


14 h- Exibição de Curtas
- O Caldeirão do Beato Zé Lourenço, de Catulo Teles e Franciolli Luciano.
- Cabaré-Memória de Uma Vida, de Alexandre Lucas e Coletivo Camaradas.
- Catadores de Pequi, de Zuiglio Brito e LaislaYanael.

17H - Exibição de Longas
- Sargento Getúlio, de Hermano Penna
- Padre Cícero, de Hélder Martins

ENTRADA FRANCA

Realização: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.

Apoio: Universidade Regional do Cariri (URCA), Instituto Cultural do Cariri (ICC), Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA), Bantim Produções, Coletivo Camaradas, Blog do Crato e Revista Chapada do Araripe.

Crato encerra hoje Mostra de Cinema e Vídeo

No teatro Salviano Arraes, o público pode conferir exposição de fotos sobre a história do cinema
FOTO: ANTÔNIO VICELMO

O primeiro cinema do interior do Estado foi o "Paraíso", no Município do Crato. Evento destaca centenário da data

Com a exibição dos longas-metragens "Sargento Getúlio", de Hermano Penna, e "Padre Cícero", de Helder Martins, será encerrada hoje, no Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva, a primeira Mostra Crato de Cinema e Vídeo, que comemorou os 100 anos da inauguração do primeiro cinema do interior do Ceará, o "Cinema Paraíso", ocorrido em 3 de maio de 1911, pelo italiano Vittorio di Maio, no Município do Crato. O evento, promovido pela Secretaria de Cultura, em parceria com a Universidade Regional do Cariri (Urca), reuniu mais de 30 trabalhos, dentre curtas e longas-metragens produzidos exclusivamente por cineastas da região, ou que possuem ligações com a cidade do Crato.

A produção cinematográfica regional resgatou a memória de personagens e entidades que marcaram a história do Cariri como Padre Cícero, Patativa do Assaré, Beato José Lourenço, Dona Cícera do Barro Cruz, a Ordem dos Penitentes, que foram documentados pelos cineastas regionais.

Para comemorar os 100 anos desta data histórica, o radialista e memorialista cratense Huberto Cabral elaborou um conjunto de eventos, que envolveram todos os seguimentos ligados a cultura regional.

Na entrada do Teatro Salviano Arraes, onde foi realizada a Mostra, foi instalada uma exposição de fotos com a história do cinema universal.

O pesquisador de cinema Amarílio Carvalho cedeu o seu arquivo com fotos de artistas famosos de Hollywood, que foram expostas na entrada do teatro. A velha e a nova gerações tiveram oportunidade de rever e conhecer artistas como Robert Taylor, Gregory Peck, Giuliano Gemma, John Wayne, Henry Fonda, Frank Sinatra, Elizabeth Taylor, Cary Grant, Gene Kelly, James Stewart, Frank Sinatra, Grace Kelly, Ann Miller, Doris Day, entre outros.

"Foi o primeiro passo para que, num esforço contínuo, se possa revitalizar o cinema cratense, com a importante colaboração de muitos nomes que fizeram e fazem a história do cinema regional", disse a secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, destacando o pioneirismo do Município.

Entusiasmados com o sucesso da Mostra, os coordenadores vão incluir o evento na agenda cultural do Município. Para o memorialista Huberto Cabral, principal articulador dos cineastas regionais, a Mostra cumpriu o seu objetivo que foi lembrar o pioneirismo do Crato como "capital da cultura" do Cariri.

Reportagem de Antonio Vicelmo (Diário do Nordeste)

Pasmem, influência germânica em Ponta da Serra! – Por Heládio Teles Duarte


Foto: Heládio Teles Duarte

Ode fluvial




O rio flui entre as montanhas
imóveis,
com seus rochedos cinzentos de joelhos
como velhos
mortos
de fadiga.

O silêncio flui com a água sobre a nudez da terra
que flui
com a carne
da morte, como se da mesma fonte
entre os pássaros
e os bois
no pasto.

Tanta noite e somos manhã
e somos estranhos fluindo com a água da dor,
cantando
a música do inverno,
essa brancura
de gelo
e inanição.

A morte lava o meu suor, as minhas feridas, a minha
angústia
e sou polido
pelas pedras, por
este chão familiar e estranho – e reconheço
outro ser
em mim, nesta desolação.

A limpidez das coisas e o sentimento de exílio,
enquanto a beleza flui
com o rio
e suas águas claras
e seu espelho
de ausência imóvel no dia longínquo,
rio
fluindo,
como a vida,
da ponta dos dedos.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

música

pássaros cantam
cantam ou é barulho de água
nas pedras de um riacho
que passaria entre as mãos
não fosse tão grande
o lugar que fabrica solidão

pássaro ou gente
um canto onde
em cada canto se esconde
semente de solidão

a solidão se abre
maior do que a vista alcança
deserto que não sabe
quando começa e acaba

a música vai para perto
de quem acredita
na real possibilidade
de romper as arestas
desse deserto
cada vez mais perto
apertando por todos os lados
acabando com nossas conversas

qualquer um pode caminhar
nessas areias sem vê-las
tão duras, pode ouvir esse canto
sem saber de onde vem
para onde vai nem quando
voltará ondulando ondulando
num dizer om shanti shanti om

As mudanças de Generéia


As transformações apareceram de forma insidiosa, assim como o cupim destroçando pouco a pouco uma biblioteca. Quando Matozinho, muitos anos depois, olhou para trás é que percebeu a inexorável ação do tempo. Não só a vila havia pouco a pouco mudado seu leiaute – bastava ver as antigas fotos do lambe-lambe Zèzinho do Papouco – os costumes tinham ido junto. Certamente a chegada da televisão foi um dos propulsores daquela reviravolta. Depois da TV , Matozinho nunca mais foi a mesma. Travestiu-se de ares modernosos embora, no fundo, ainda permanecesse profundamente provinciana. As mocinhas já não mais aceitavam roupas de costureira, queriam as pré-fabricadas com os últimos modelitos das novelas. E os adereços seguiram a mesma tendência: nada mais de gigoletti, de travessa no cabelo e de cara sem maquiagem. Até as velhas já ousavam abandonar os véus, os califons, as combinações e as anáguas. Os rapazes já se espelhavam nas bandas de rock e comentava-se que até mesmo alguns baseados já muitos tinham experimentado. E de nada adiantava o sermão do padre, o esporro dos mais experientes: o mundo velho estava perdido no mato e sem cachorro. Os matozenses recobriram-se de um ar de fidalguia, como se a vida de todos houvesse saltado de uma novela: cada um passou a se achar mais importante que o outro e estabeleceu-se uma epidemia de pabulagem desenfreada.

E foi exatamente nesta época que D. Generéia , que morava no centro, resolveu mudar-se para uma outra casa, numa rua mais afastada. O marido havia perdido uma sinecurazinha que mantinha na prefeitura e a coisa apertara. Viu-se Generéia numa sinuca de bico. Primeiro não podia passar por baixo ( e isso lá era papel de atriz de novela!) e aceder que saía por pura liseira e , mais, que estava se mudando para uma casa mais pobre sita num cuvioco , próxima à famigerada Rua do Caneco Amassado. Uma notícia dessas não carregava nenhum glamour, nem era digna de um script de mini-série. Espalhou, de peito aberto, que havia sido recomendação de Janjão da Botica, uma tentativa, de mudando de clima, melhorar a asma feroz e o chiado de peito de que Generéia assumiu ser acometida. “É uma questão de tempo, vou mais prá veranear e quando voltar não venho morar perto dessa rafaméia aqui, não, já estamos pensando em fazer um palacete na nossa chácara no pé da serra da Jurumenha” , disse uma Generéia orgulhosa e cheia de si , com cara de Odete Roitman.

Após a enfática declaração de Generéia, pulou no meio do terreiro um outro problema: a mudança. É que não existe neste mundo de meu Deus uma coisa mais desmantelada que mudança de pobre. Imaginem uma carroça repleta de cacarecos velhos, soltando , como uma medusa, perna prá tudo quanto é lado. E mais: tendo que ser providenciada em várias viagens, durante o dia, já que no escuro não há nenhuma condição de se fazer o translado. É como se , de repente, a família expusesse suas entranhas à execração pública. A necessidade de uma mudança com essas características, certamente contradizia os atuais padrões globais da cidade de Matozinho. Se ao menos houvesse um caminhão baú, levando os teréns tudo entocado no breu da madrugada! Mas carroça!

Manhãzinha chega o carroceiro “Paçoca” com sua carrocinha, acompanhado de uns três moleques para assessorar no penoso mister. Os vizinhos observavam de longe, mantendo distância regulamentar, esperando de dentes e língua afiados, o momento de pinicar o oratório da pábula companheira de rua. Generéia postou-se na janela e começou a irradiar a mudança, em voz alta. Era uma desesperada tentativa de minorar um pouco a caótica visão dos cacarecos dependurados, utilizando alguns recursos da publicidade. Quando “Paçoca” pegou a Tevezinha preto-e-branco de umas quatorze polegadas, Generéia gritou para que todos ouvissem:

--- Meu povo ! Cuidado com a TV de Plasma !

Logo depois, os assessores recolheram os brinquedos dos filhos e colocaram numa caixa de sapato : uma peteca, duas bolas de gude, um triângulo, uma carrapeta e um pião. Quando traziam para a carroça, Generéia alarmou:

--- Epa ! Cuidado prá não quebrar o Videogame dos meninos, viu?

Quando “Paçoca” pegou a chaminé do fogão de lenha, repleta de pucumã e arrumou aquele cone preto retinto no meio da carga, Generéia saltou de lá e alarmou:

--- Preste atenção, seu Paçoca ! Vê se não arrebenta minha coifa, joviu?

Logo depois, os três moleques, com uma dificuldade imensa, pegaram a jarra de barro cheinha de água e, cambaleando pelo peso, começaram a levar até à carroça para colocar em cima da cantareira que lá já estava acomodada, com uns quatro canecos pendendo pelas beiras. De repente, o pote liso escorregou e lascou-se no chão. Foi água para tudo quanto é lado. Do outro lado da rua, Zé Fubuia que observava tudo: o fato e a versão bradou a todos pulmões:

--- Acode minha gente ! O Gelágua de Generéia partiu-se no meio !

J. Flávio Vieira