Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Violeta Arraes - por Caetano Veloso





Caetano canta Cajuína em homenagem a Violeta Arraes
20/06/2008 2:09 pm
Caetano Veloso canta Cajuína em homenagem à memória de Violeta Arraes e afirma que “o Brasil inteiro pode e deve fazer a mesma coisa.”

“Violeta Arraes tem sido, em suas atividades politicas e culturais, assim como em sua vida pessoal, um modelo de solução dos problemas estéticos, éticos e identitários do homem brasileiro. É que nela o movimento de desprovincianização se dá junto com o aprofundamento da identidade regional. O homem cariri afirma-se como homem brasileiro que, por sua vez, se afirma como homem do mundo.

Entre os últimos anos da década de 1960 e os primeiros da década de 1970, a casa de Violeta em Paris era como que uma embaixada do Brasil profundo na Europa. Os exilados pelo regime militar ali encontravam carinho e ensinamentos. Dos livros, filmes, peças bailes que eram recomendados aos modos a um tempo despojado e elegantíssimo que ela e seu marido Pierre Gervaiseau exibiam, tudo ali contribuía para a regeneração dos espíritos dilacerados pela infelicidade histórica.

Quando, depois da anistia,Violeta voltou ao Brasil, foi seu trabalho na Secretaria de Cultura do estado do Ceará que deu continuidade a esse gesto generoso, ampliando sua envergadura, pois tratava-se de oferecer a mesma acolhida aqueles que estão desde sempre exilados dentro do território nacional: os sertanejos, os esquecidos.

Violeta é uma cearense do Cariri que, ao lado de seu irmão Miguel Arraes, marcou a história de Pernambuco na primeira metade dos anos 1960; conheceu de perto o sofrimento dos primeiros expatriados da ditadura;
acompanhou com cuidados maternais a segunda leva de exilados, a de depois de 1968; e voltou para orientar a participação do estado no desenvolvimento cultural da sua região. Em todos esses momentos ela foi um exemplo de dignidade. E segue nos ensinando,com conversas, com gestos, com as roupas que escolhe para vestir - e esperamos que outra vez também com poderes oficiais - como se faz para dignificar o ser cariri, o ser nordestino, o ser brasileiro, o ser humano.”

Caetano Veloso