"Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc
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Voltando para o Nordeste, mas novamente para um ninho estranho. Nem sabia que Barra do Mendes existia. Encontrei uma casa para administradores à minha disposição. Pela primeira vez, gozaria do conforto de um ar condicionado, no quarto de dormir. Não faltavam pessoas pra ajudar na luta de casa, e era muito gostoso fazer a feira livre, e comprar as coisas da terra. A Bahia é festiva por excelência, e a gente sem querer, entra no ritmo. E haja dança, e pequenas viagens turísticas. Lençóis, Salvador, e até uma esticada no Rio, em feriados prolongados. O salário aumentara consideravelmente. Deu pra comprar um carro novo, e presentear o Caio, com um outro, no seu aniversário de 18 anos. Deu também pra comprar um Gradiente, última geração, com aparelho de CD (coisa rara, naqueles tempos).
Por problemas familiares, houve uma inadaptação social, e, depois de um ano fui removida, a pedido, no mesmo cargo, para a cidade de Valente, região do sisal. E começou um tempo negro, no funcionalismo. Meu cargo era desejado por todos, e acharam razões, para que eu fosse destituída da comissão. Os motivos, os mais absurdos: excesso de bebida alcoólica, comprometimento com agiotas. Provada a ausência de culpa, ofereceram-me reparação. Eu poderia escolher uma outra Gerência, a meu critério de escolha. Mas, naquelas alturas, eu já estava morando em Salvador. E, gostando! Havia comprado um apartamento na Pituba, carro na garagem, e marido nas cobertas. André cursava o pré-vestibular, Victor fazia Medicina e Caio estava vivendo o seu primeiro emprego, depois de concluir o ensino médio.
Trabalhava no Caixa da Metropolitana Brotas, e tinha um bom relacionamento interno. Quando me ofereceram um cargo de Gerente Especial (aquele que negocia diretamente com os grandes clientes), resolvi fazer nova escolha. Candidatei-me a agências impossíveis, como : Gramado, Ouro Preto, Maceió, Friburgo, Curitiba. E de imediato, chegou minha nomeação como Gerex de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
Dessa feita eu deixava para trás uma vida confortável, mas ainda tinha missões especiais a cumprir. Novamente, o caminhão de mudanças parou na minha porta, e eu peguei um avião para o novo destino. Agora conheceria a região serrana do Estado do Rio. Friburgo era o meu destino!
Mas, Jair tem razão ...!
Passados uns 5 anos na Bahia, eu fiz por lá, meu aniversário de 40 anos. Ainda cheia de sonhos e com algumas esperanças. Gostava de viver a vida , mas sentia já um certo cansaço das rodas de violão , ganhando as madrugadas.
Em Salvador tinha como compromisso de paz, visitar a família da minha prima Gracinha, em Itacimirim. Final de semana com guloseimas e aconchego da amizade. Meu companheiro sabia tocar bem violão, tinha voz belíssima, e um repertório fantástico. Todo mundo gostava, e cantava junto. Mas, nem só de pão vive o mundo !
Naqueles anos, meus filhos perderam o pai, e minha dor foi tripla.Já sabia o que era enfrentar as alegrias do mundo, com uma ferida aberta das saudades.
Mas Salvador era minha senhora. Devia-lhe os luares, o mar, as comidinhas apimentadas, o astral do carnaval, e a poesia ambulante dos baianos. Nunca esqueci aquela cidade... Cheguei em Friburgo cantando : "Eu vim da Bahia/ mas eu volto pra lá..."
João Gilberto tinha sido , de certa forma, uma presença real !
Eu Vim da Bahia
Composição: Gilberto Gil
Eu vim
Eu vim da Bahia cantar
Eu vim da Bahia contar
Tanta coisa bonita que tem
Na Bahia, que é meu lugar
Tem meu chão, tem meu céu, tem meu mar
A Bahia que vive pra dizer
Como é que se faz pra viver
Onde a gente não tem pra comer
Mas de fome não morre
Porque na Bahia tem mãe Iemanjá
De outro lado o Senhor do Bonfim
Que ajuda o baiano a viver
Pra cantar, pra sambar pra valer
Pra morrer de alegria
Na festa de rua, no samba de roda
Na noite de lua, no canto do mar
Eu vim da Bahia
Mas eu volto pra lá
Eu vim da Bahia
Do aeroporto deixamos a imensa bagagem na rodoviária , tomamos um taxi, e procuramos a AABB da cidade para fazer uma refeição. O ónibus para Bela Vista partiria as 14 h. O primeiro trecho da viagem foi tranquilo. Bom asfalto. Depois de Jardim pegamos por mais de 2 horas estrada de barro.Os meninos, sempre ativos, emudeceram. E eu fui pensando no que a vida me reservaria, desta feita.Agarrada com os céus, pedindo um tempo feliz !
Eu tinha mesmo coragem de mamar em onça...! Pagaria sempre um preço elevado pela minha ousadia de brincar com o novo. Na verdade eu estava realizando atos sucessivos de desprendimentos. A face dolorosa do processo é inevitável !
Chegamos de noitinha, naquele lugar distante.Procuramos um hotel para pernoitar. Diária para 4 pessoas. Todos ,no mesmo espaço. Quando o dia amanheceu fui conferir a cidade. Tudo me parecia muito distante. Era diferente das cidadezinhas do Nordeste, que tudo gira, em torno da praça e da Igreja.Descobri logo, que teria dificuldade em arranjar casa para alugar. Informaram-me que , no Quartel General ( comum nas cidades fronteiriças) eu poderia conseguir uma casa , por um tempo transitório. O Coronel nos cedeu uma casa para militar que estaria desocupada por um breve espaço de tempo.O caminhão da mudança chegou, e os meninos me surpreenderam arrumando tudo, enquanto vivia o meu primeiro dia de trabalho.
Enquanto não conseguíamos ajuda doméstica, as tarefas foram divididos. Eu cozinhava, Victor fazia as compras, Caio arrumava a casa e André lavava a roupa . Havia uma tácita cumplicidade. Só podíamos contar conosco !
Fui alocada como Supervisora, na Tesouraria. Um trabalho isolado do contexto.Depois que arrumava o dinheiro , expurgava os dilacerados, ficava rabiscando versos.
A maioria dos funcionários tinham vindo de outras localidades. Era uma Agência que funcionava com adidos.
Da terra, Elsa e Getúlio eram os mais próximos. Getúlio tinha um bar, na beira do Apa, que reunia a moçada para um peixe frito, cerveja gelada , e som de Pink Floyd. Nunca gostei de cerveja. Acho que sempre temi a barriguinha dos amantes dessa bebida. Foi ótimo porque nunca aprendi a beber. Quando tinha de tomar algum drink já tomava uma dose de wisque,...duas, três, no máximo ! Depois, sem nenhuma compulsão , voltava para o refrigerante gelado.
Impressionante como o povo de Bela Vista curte o churrasco. Nunca comi tanta carne vermelha, na vida . Isso custou-me depois, uma crise de diverticulite. Suavizávamos o hábito, tomando tererê,o chimarrão gelado dos gaúchos),
Os meninos se adaptaram fácil. Victor praticava volei e futebol; André se especializou em dançar polca, vaneirão, e em cantar guarânias ; Caio entrou na turma dos embalos.
Compramos um Fusquinha a álcool, nos primeiros dias. O frio era tanto, que ele nunca pegava, na hora de ir para o Banco. Da minha casa até lá era um bom pedaço, tipo, um ou dois quilómetros. Devolvi a compra. Procuramos um outro transporte, e ficamos com uma Belinda Comodoro.Meu pai bem falou:
"carro pra você é fusca ! Pode estacionar fácil. Esse carro é muito grande. E era ! Caio logo assumiu o comando . Estava com 16 anos.
Recebi visitas , no decorrer da minha estadia em Bela Vista : Maria de Jesus, minha mãe,, tia, minhas irmãs(Verónica e Teresa), e amigos do sul. Meu pai viajou naqueles tempos. E foi a grande perda da minha vida..Não assisti seus últimos dias.
Atravessando a ponte da amizade estávamos no Paraguai. Gostava de vasculhar bobagens, nas lojas dos importados. À visitávamos o Cassino. Arriscávamos uns trocados, no pano verde ,pra pagar o jantar... E era só !
Em frente ao Banco tinha uma padaria que me nutria de chipa e sopa paraguaia. Deliciosas iguarias !
Às vezes atrevia-me a tomar banho no Apa, a dançar, nas noites de sábado. Senti falta do meu ex marido ( o mineiro), que de fato era um pé de valsa ! Ele até me visitou, montamos uma Confeitaria, mas com menos de um ano e a relação finda, fechamos o comércio. Era linda ! bem decorada, e por ela, aprendi a fazer doces e salgados.
Quando transcorreram dois longos anos, senti que tinha que pegar estrada. Concorri a cargo de alta administração, e fui chamada para cursos especializados em Brasília. 45 dias, sendo testada !
Numa turma de 23 rapazes, éramos duas mulheres. A resposta final foi a minha nomeação para Gerente Adjunta de Barra do Mendes, na Bahia.
Nova mudança, por conta do Banco.Despedi-me de Bela Vista, querendo ficar...Despedi-me de Bela Vista, querendo chegar.
Mas a vida me reservava novas aventuras. O novo, sempre me aguardando com suas aprendizagens : céu e inferno; mel e fel!
Bahia, fica para o próximo capítulo.
Participantes do Curso Básico de Elaboração de Projetos falam sobre o evento
Foi encerrada na última sexta-feira (13), a segunda turma do Curso Básico de Elaboração de Projetos Sociais realizado pelo Instituto Focus no Cariri cearense em 2010. O evento contou com a participação de estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento e teve duração de 40 horas, distribuídas em 5 dias de atividades teóricas e práticas. Na avaliação dos participantes, entre os vários aspectos positivos do Curso teve destaque a metodologia colaborativa que associou o aspectos conceituais e teóricos da elaboração de projetos com atividades práticas.
Para Wesley Gomes, analista de suporte e um dos participantes do Curso, o evento veio suprir uma necessidade do Cariri de ter profissionais capacitados para atender às demandas de várias comunidades e instituições da região na área de projetos sociais e captação de recursos. Para Josimere de Melo, servidora pública e estudante de serviço social, a diferença do Curso realizado pelo Instituto Focus, em relação a outros dos quais ela participou, está na possibilidade de aprender a fazer projeto, fazendo. Como ela diz: colocando a mão na massa.
João Bosco, estudante de biblioteconomia de Juazeiro do Norte, destaca que "um dos fatores mais positivos do curso foi a questão colaborativa". Ele explica que a possibilidade de fazer o projeto em grupo e para um edital real dá mais segurança e facilita a compreensão dos participantes sobre cada etapa da elaboração de um projeto social.
O evento contou com a participação de representantes dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha e Farias Brito e a parceria do INSS (regional Juazeiro do Norte e agência Crato) e da Escola Teodorico Teles. Veja o vídeo com depoimentos sobre o evento no site do Instituto Focus ou no meu blog.
Palavras Gestos um leve afago... e a ponta dos dedos tocando o limite e o sentimento como se toca um poema como se dedilha um verso como se estanca uma rima na desordem do ritmo ...pelo simples prazer de alçar voo e sorrir!
Roman Rajmund Polański (Paris, 18 de agosto de 1933) é um cineasta, produtor, roteirista, ator franco-polonês.
Polański iniciou sua carreira na Polônia, e depois se tornou um célebre Cineasta de sucesso e prestígio na carreira, foi premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes e com o Oscar de melhor diretor, ambos por seu filme O Pianista, de 2002, que tem como pano de fundo o Gueto de Varsóvia, onde esteve na infância, como judeu na Polônia ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Polański é um dos melhores do mundo, conhecidos diretores de cinema contemporâneo e é amplamente considerado um dos maiores diretores de sua época. Ele também é conhecido por suas polêmicas, turbulenta na vida pessoal e controversa Em 1969, a sua grávida esposa, Sharon Tate, foi assassinada pela Família Manson. Em 1977, ele foi condenado por intercurso sexual ilegal com menores, ele posteriormente fugiu dos Estados Unidos e é actualmente (desde 26 de setembro de 2009) sob prisão na Suíça, dependendo do processo de extradição.
Polańskifez o primeiro longa-metragem, Knife in the Water (1962), feito na Polónia, Polanski ganhou sua primeira indicação ao Oscar (de Melhor Filme Estrangeiro, 1963). Polanski deixou a Polônia comunista para viver na França há vários anos, antes de se mudar para a Inglaterra, onde colaborou com Gérard Brach em três filmes, começando com o Repulsion em 1965. Em 1968 mudou-se para os E.U.A., dirigindo o filme de terror Bebê de Rosemary de 1968, em Hollywood. Depois de fazer vários filmes independentes, Polanski voltou a Hollywood em 1973 para fazer Chinatown para a Paramount Pictures, com Robert Evans como produtor. O filme foi indicado para um total de 11 Oscars, estrelas como Jack Nicholson e Faye Dunaway ambos receberam indicações para seus papéis e engenhosamente desenhados roteiro de Robert Towne ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Original. A principal crítica e sucesso de bilheteria da época de sua estréia no verão de 1974, Chinatown é considerada a maior realização de Polanski como cineasta
O próximo filme de Polanski, The Tenant (1976), foi filmado na França, e completou o seu "Apartment Trilogy", na sequência Repulsion e Rosemary's Baby.
Em 1977, Polanski foi detido em Los Angeles e se declarou culpado de relações sexuais ilegais com menores, de uma garota de 13 anos (na época ele próprio tinha 43 anos). Nos depoimentos, a menor acusou-o de drogá-la com Champanhe e Methaqualone. Liberado após 42 dias, de uma avaliação psiquiátrica, Polanski fugiu para a França e teve um mandado de detenção E.U. pendentes desde 1978 e um mandado de captura internacional desde 2005 Polanski por muitos anos evitado visitas aos países que eram susceptíveis de extraditá-lo, como o Reino Unido e viajou principalmente entre a França, onde reside, e a Polónia. Como um cidadão francês, foi protegido na França pela extradição limitada do país com os Estados Unidos Em 26 de setembro de 2009, ele foi preso, a pedido das autoridades americanas, pela polícia suíça, na chegada no aeroporto de Zurique durante a tentativa de entrar na Suíça para pegar uma realização da vida "Golden Icon Award" do Festival de Cinema de Zurique.
Depois de fugir para a Europa na sequência da sua condenação nos Estados Unidos em 1977, Polanski continuou a dirigir filmes, embora não houvesse quase uma pausa de sete anos entre 1979 a Tess (um drama romântico adaptado da novela de Thomas Hardy Tess, de 1891, do Urbervilles d', dedicado à memória de sua falecida esposa, Sharon Tate) e Os Piratas em 1986, uma comédia de aventura. Mais tarde, filmes incluem Frantic (1988), Death and the Maiden (1994), The Ninth Gate (1999), The Pianist (2002), e Oliver Twist (2005). O mais notável de seus filmes mais tarde é O Pianista, a Segunda Guerra Mundial-set adaptação da autobiografia de mesmo nome de músico judeu-polonês Wladyslaw Szpilman, cujas experiências têm semelhanças com o próprio Polanski (Polanski, como Szpilman, escapou do gueto e campos de concentração, enquanto os membros da família não). O filme ganhou três Oscar, incluindo Melhor Diretor (2002), d'o Festival de Cannes Palma de Ouro (2002), e sete Césars francês, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Ele também fez trabalhos ocasionais no teatro.
Que DORIVAL CAYMMI partiu. Foi a 16 de agosto de 2008.
Será que ele foi p'ra Maracangalha?
Teria ido só, ou foi com "Dora", "Marina", a "Morena de Itapoâ" ou mesmo a Anália? Parece que foi só e lá esperou por uma "estrela": Stela Maris, sua verdadeira deusa,. quie chegou pouco depois.
Conheceram-se na Rádio Mayrink Veiga, onde Dorival foi levado por Carmen Miranda, mas foi um baiano, que aqui chegou cantando antes dele: Victor Barcelar, que o apresentou a César Ladeira.
E lá, no Programa Casé da velha Mayrink encontrou sua Stela. Ela cantava no Teatro de Operetas do Casé; a partir de seu encontro com Caymmi passou a cantar só para ele, depois para Nana, Dori e Danilo. Mais tarde tudo se inverteu e os três passaram a cantar para eles.
Quando se vai à Bahia, principalmente a Salvador, sente-se a presença de Caymmi na Lagoa do Abaeté, nos coqueiros de Itapoã, no Bonfim onde quem não tem balanga-dãs não pode ir, nos tabuleiros em que se encontram as "Pretas do Acarajé". Lá, todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá, p'ra fazer é que é".
Caymmi viveu 70 anos aqui, onde ele escolheu para morar, sempre recordando a Bahia, mas dando preferência ao nosso Rio de Janeiro.
Assim César Maia, em sua homenagem, batizou uma pequena rua do Leblon com seu nome. Era uma rua chamada apenas de B, seus moradores agora vão ter um endereço: Rua Dorival Caymmi. Ninguém vai reclamar pela "mudança de nome" que não houve.
César não quis repetir seus erros quando tentou mudar os nomes das Avenidas Vieira Souto e Visconde de Pirajá para Tom Jobim, que, por sinal, ganhou seu nome em nosso principal aeroporto.
A partida a Dorival foi num bonito domingo de sol, com o céu todo azul, embelezando quem só nos trouxe beleza.
Hoje ele é um monumento na Avenioda Atlântica, para que nunca seja esquecido.
Sobre o chão onde os pajés dançavam , uma vila se formou Todo dia longe ressoava o machado do lenhador Ouçam os corações dos guerreiros esperando a noite Em que os astros vão trazer a volta dos trovões
Foi há muito tempo. Quando as aguas desciam do sopé da Chapada do Araripe desenhando caminhos entre veredas, fazendo riscos cavados no chão, varando cercas e, aos poucos, engolindo outros “caminhos d`àgua”, formando riachos e afunilando um destino único para todas as águas. Onde todos os fios d`água caminhavam juntos, nascia o Rio da minha cidade. A partir daí suas águas pairavam belas, frias, serenas. Corriam calmas, como se quisesse cumprimentar as árvores à sua margem. Como se quisesse ouvir os pássaros, beijar as borboletas que nelas se miravam. Como quem quisesse lambuzar-se nas barreiras lamacentas. Era um Rio lindo.
A música das suas águas batendo nas pedras era como uma cantiga de ninar. Como o velho chchchchiado da chchchchuva chchchovendo de noite, como pingos bantendo nas telhas. Misturava-se aos silvos das cigarras quando a tarde vinha. Nessa hora suas águas ficavam com um tom vermelho amarelado. Imitava o céu onde o sol se punha. O contraste com o verde que o rodeava desenhava uma autentica aquarela. Amanhecia e lá estava êle. Sereno, calmo, dia e noite a deslizar sobre as pedras aquela limpinha e fria água trazendo o cheiro das ribeiras da serra. Cheiro de mato e barro. Tinha a musica dos pássaros e som do vento. Tinha a cor da luz do sol. Era um Rio. O Rio da minha cidade.
Dávamos nomes aos vários locais onde a água diminuía seu ritmo, formando poças onde, aos montes, tomávamos banho. Arriscávamos tudo para estar lá. Encarnávamos o D´zunhurae e simplesmente íamos ao Rio. Também pudera. Queríamos mesmo era mergulhar naquelas águas: Banho da Mata do Seu Lino, Banho do Poço da Pedra do Quebra Cú, Banho da Ponte, Banho da Barreira... eram tantos que nem lembro. Sei bem do paraíso que era para todos nós. Mas... um dia chegaram os homens trazendo a urbanidade e o progresso.
Um tambor amedrontou a mata quando o dia clareou Na clareira respondeu a flauta um aviso de terror Um cacique descobriu pegadas de um estranho caçador Uma tribo foi exterminada onde o rio avermelhou...
Desde lá nosso Rio nunca mais teve paz. Nunca mais foi o mesmo Rio. Nunca mais nossa aquarela. Nunca mais nossos sonhos. Aos poucos a sua cor foi mudando. A sua beleza foi desaparecendo. As suas margens foram sumindo. Nunca mais brincadeiras. Nunca mais banhos. Nunca mais os pássaros o procuraram. Nunca mais as cigarras. Nunca mais as borboletas. Nunca mais nossos sonhos e nossa aquarela.
Antes das chuvas quando um trovão tombou das estrelas E a selva escura viu brilhar nas mãos de um deus
Armas de estrondo e luz como avisou a lenda Onça negra caminhou nas cinzas da fogueira que passou Gavião voando contra a brisa viu a mancha do trator
Aos poucos suas margens foram sendo molduradas por ruas, calçadas, estradas de negro asfalto. Manchas deixadas pelo trator. A “ Onça Negra” do progresso se instalou como previa a lenda. A modernidade havia chegado.
Restou-nos a lembrança. Hoje nosso rio está quase morto. Ainda ensaia alguns suspiros quando as chuvas de inverno trazem água da Chapada do Araripe e conseguem lavar um pouco o seu leito. Depois, com a ida das chuvas ele agoniza de novo. Junto com ele agonizam as nossas lembranças, os nossos sonhos. Foi há muito tempo.
OBS-Poesia incidental “ A VOLTA DOS TROVÕES” de Braulio Tavares e Fuba.
Fonte: recebido por e-mail e autorizada a publicação
Já lá se vão 39 anos da publicação do livro A cidade de Frei Carlos**, reunião de trabalhos esparsos do pesquisador Pe. Antonio Gomes de Araújo, clérigo da Diocese de Crato, Ceará.
Para o pesquisador de hoje a leitura dos textos dizem menos em comparação ao muito que dizem os anexos do livro.
Outro dia estava pensando por que o Pe. Gomes desinteressou-se em aprofundar sobre as gêneses da formação histórica do Cariri à luz de novos documentos coligidos à custa da sofreguidão de um pároco de aldeia, movido pelo entusiasmo e perseverança em fechar uma compreensibilidade sobre o Século XVIII no quadrilátero sul cearense?
De onde olho, hoje, muito fácil seria tripudiar nas falhas e nos hiatos cometidos pelo Pe. Gomes, em parte pelo seu modo intransigente e panegírico na defesa da História providencialista, e em parte pela fragmentariedade mesma de documentos elucidativos, o estado da arte de nossos primórdios.
De jeito nenhum. Teremos sempre uma atitude de profundo respeito àquele que se superou na busca de periodizar e por as coisas no lugar em meio a lacunas, descontinuidades, brechas, abismos, ausências e silêncios das fontes sobre nossa gênese.
O professor de História Pe. Antonio Gomes de Araújo compreendeu desde logo o sentido do fazer histórico na suma relativista que repõe a verdade histórica. Poderia ter ficado no céu das interpretações de segunda mão de como teria acontecido por aqui os nossos primeiros dias. Contrariamente, desceu ao inferno dos arquivos longínquos e poeirentos para fazer valer o sentido heurístico da ciência histórica e contrapor verdades.
Foi nessa que tomou a dianteira sobre fatos e acontecimentos da História do Cariri escrita por um Antonio Bezerra, um Dr. Pedro Thebèrge, um João Brígido e por fim a um Carlos Studart Filho.
Mas eu falei dos apensos do livro “A Cidade de Frei Carlos”. Pois bem, algo intrigante. Após escrevê-lo Pe. Gomes ajunta documentos importantes em torno da figura maior de seu intento, o Frade da Ordem dos Capuchinhos Italiano, Frei Carlos Maria de Ferrara.
Lá está que frei Carlos chegou ao Nordeste em 1736. Em 1738 a Junta das Missões, organismo de administração bipartite entre a Coroa e as ordens religiosas, discutia em reunião a necessidade de situar uma aldeia para o capuchinho. E revela que em 1739 frei Carlos já enviara uma carta à Junta das Missões, em Pernambuco, na qual “reclama que faça o ouvidor do Ceará a medição para a aldeia dos Jenipapos e que se chame o Pe. Ezequias Gameiro que já foi missionário dos Canindé para incorporá-los na mesma Missão”. (p. 80). Há outra carta do dia 21 de outubro de 1739 enviada por representante dos Jenipapos ao governador de Pernambuco de igual solicitação.
Sabemos que esses Jenipapos e Canindé estiveram na ponta da segunda fase da Guerra dos Bárbaros, a partir de 1712. Que os Jenipapos foram parciais dos Feitosa na luta contra os Montes. Que as duas tribos por falarem a mesma língua foram aldeadas em Quixadá, nas imediações do que hoje é Banabuiú. Que dali por força de lei seguiram para formar corpo social na elevação da Vila de Monte-mor, o novo da América, Baturité, em abril de 1764.
Então, Frei Carlos andou por estes sertões do meio fundando aldeias que seriam futuras vilas e hoje cidades. Quando se instala na Missão do Miranda, em 1740, trouxe saldos deteriorados de várias etnias. Índios alquebrados submetidos que foram a tantos desassossegos e violências. De vez em quando se ausentava para animar outros aldeamentos.
Pe. Gomes ressalta esta epopéia de Ferrara. Mas não o faz de modo enfático e apologético como fizera ao repercutir Antonio Bezerra quanto aos começos históricos de nossa cidade sob a inspiração de Frei Carlos.
Deixa uma sensação de abandono de sua luta na árdua tarefa de esclarecer o passado e ao mesmo tempo de uma profunda humildade como escritor pioneiro, quando diz: “Estas NOTAS modificam ou anulam, confirmam, contrariam ou enriquecem passagens constantes do texto do trabalho, cabendo ao leitor a tarefa do confronto”. Valeu, Pe. Gomes!
Quase terminando, Gomes trata os franciscanos como uma só Ordem. Hoje sabemos que franciscanos e capuchinhos são de ordens diferentes, com objetivos desiguais quanto à catequese no Nordeste. Não chegaram por aqui ao mesmo tempo. Bem, mas aí já é outra História...
Terminando, comecei com a frase “Já lá se vão”. Aprendi com um grande mineiro, o jornalista fundador do Diário de Minas, de saudosa memória, Newton Prates, quando me pedia para datilografar suas memórias para o jornal. Pois é como mineiro, cauteloso, que inicio uma série de despretensiosos artigos sobre a nossa formação histórica.
*Antropólogo. Professor do Departamento de Ciências Sociais da URCA E-mail: figueiredo.jnilton@gmail.com ** Faculdade de Filosofia de Crato. Coleção Estudos e Pesquisas. Volume V. 1971
Se você gosta da boa música, agora tem uma boa razão para ouvir Rádio novamente. Todas as Segundas-Feiras, das 14 às 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri, o programa Música Inesquecível, com Dihelson Mendonça. Uma coletânea com os maiores sucessos da música de todos os tempos.
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Então, fique ligado! MÚSICA INESQUCÍVEL - Toda Segunda-Feira, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri. Você pode ouvir o programa também através da Internet no endereço:
E todas as Terças feiras você tem um encontro marcado com o Jazz, com o novo programa INFLUÊNCIA DO JAZZ - Com Dihelson Mendonça, Terças-Feiras das 14 às 15 horas. Rádio Educadora do Cariri - Uma nova Estação.
Olá pessoas queridas: venham para a roda de histórias de Bisaflor, a fogueira já está acesa, Sia Maria já fez um bolo de milho e agora está passando o café. Trago hoje uma história chinesa que li em um livro de Ítalo Calvino. É uma história muito boa, sei que vocês vão gostar.
E atenção: quem na roda, depois, recontar a história vai ganhar três cafunés.
A SENHORA NÚMERO TRÊS
Há muitos séculos atrás, numa cidade da China, havia uma hospedaria – a Taberna do Pontilhão – administrada por uma mulher de cerca de trinta anos, conhecida como a Senhora Número Três. Supunha-se que esta mulher era viúva, sem filhos e sem nenhum parente. Na verdade, não se sabia quem era nem de onde viera; mas todos concordavam que sua hospedaria tinha boas instalações e que ela era uma pessoa de posses, pois além da hospedaria, possuía uma excelente tropa de burros, constituída por animais fortes, bonitos e resistentes.
A Senhora Número Três era, também, conhecida por sua generosidade; costumava cobrar preços mais baixos, caso o viajante alegasse que estava com pouco dinheiro, motivo pelo qual não faltavam hóspedes na Taberna do Pontilhão.
Aconteceu um dia que um viajante chamado Chao Chi Ho, em viagem à capital, parou para pernoitar na Taberna do Pontilhão e acomodou-se com mais uns seis hóspedes num amplo dormitório. A Senhora Número Três o tratou muito bem, como era do seu costume e na hora de dormir ofereceu vinho a todos e tomou, também, uma taça. O senhor Chao Chi Ho agradeceu, não costumava beber vinho, e foi deitar-se numa última cama, junto à parede que divisava com o quarto da hospedeira.
Os hóspedes que tomaram vinho, logo adormeceram e a Senhora Número Três recolheu-se ao seu quarto um pouco mais tarde da noite, fechou a porta e apagou a vela.
Chao estava inquieto, não conseguia pregar o olho e, lá por volta da meia noite, escutando um barulho no quarto da hospedeira, percebeu que ela havia acendido a vela. Olhou por uma fresta que havia na parede e viu a mulher retirar de dentro de uma caixa, pequenas peças de madeira com cerca de quinze centímetros de altura: um vaqueiro, um boi e um arado, depositando-as em chão de terra batida, numa pequena área perto do piso da lareira. Depois colocou um pouco de água na boca e borrifou nas figuras que, de imediato ganharam vida, o vaqueiro esporeou o boi que fez movimentar o arado para frente e para trás, arando a terra.Quando o chão estava preparado, ela entregou um pacote de sementes de trigo-mouro ao vaqueiro, que as semeou. Em poucos minutos as sementes brotaram, floresceram e deram grãos maduros, que foram colhidos e debulhados pelo vaqueiro. A mulher os moeu num pequeno moinho. O vaqueiro, o boi e o arado voltaram a ser figuras de madeira que a Senhora Número Três guardou na caixa. A última tarefa da hospedeira foi fazer bolos com o trigo moído naquela noite.
Ao amanhecer todos os hóspedes se levantaram e se preparavam para seguir viagem, quando a Senhora Número Três os convidou para tomarem o café da manhã, oferecendo-lhes os bolos que fizera à noite.
Chao agradeceu e saiu da Taberna do Pontilhão, mas procurou um jeitinho de olhar para trás e, sem que a mulher percebesse, viu que cada hóspede que comia o bolo, caía de quatro e começava a zurrar. A mulher se apossava dos seus pertences e, cada vez mais, aumentava sua tropa de burros.
O homem observou tudo que acontecera naquela noite na Taberna do Pontilhão, mas não comentou nada com ninguém. Quando retornava de sua viagem à capital, teve que fazer um novo pernoite na hospedaria da Senhora Número Três. Ele vinha munido de uma boa porção de bolos de trigo, fresquinhos e do mesmo formato e tamanho dos da hospedeira, que o recebeu muito bem.
Naquela noite não havia outros hóspedes na Taberna. Antes do senhor Chao se recolher, a hospedeira perguntou se ele queria algo para comer ou beber. Ele agradeceu, queria só no café da manhã comer alguma coisa, e a mulher lhe prometeu uma boa refeição.
Durante a noite Chao observou a mulher repetir a mesma mágica de arar a terra, do plantio e crescimento do trigo e a feitura dos bolos, que a hospedeira colocou na mesa do café da manhã, no dia seguinte.
Chao aproveitou-se de um instante em que a mulher saiu da sala e trocou um dos bolos que trouxera por um feito por ela. Quando a Senhora Número Três retornou à sala, admirou-se que seu hóspede ainda não estivesse se alimentando:
- Mas você ainda não comeu dos meus bolos!
- Eu estava aguardando sua volta. Eu trouxe uns bolos da capital, gostaria que você experimentasse.
- Dê-me um.
A mulher estendeu a mão e recebeu um dos seus bolos mágicos, aquele que Chao retirara do prato. Mordeu o bolo e caiu de quatro, zurrando, transformada numa bela e vigorosa jumenta, na qual Chao colocou cabresto, montou e retornou para sua cidade, levando consigo a caixa com as figuras de madeira, pensando em usá-las em seu proveito.
No entanto, ele nunca conseguiu dar vida às peças porque não sabia das palavras mágicas, por isso não pode transformar pessoas em burros, mas tinha a seu serviço a jumenta mais resistente e vigorosa da região, que era capaz de viajar muitas léguas por dia, em qualquer tipo de estrada.
Alguns anos depois, montado na sua jumenta, o senhor Chao passava na frente de um Tempo, quando, de repente, um velho começou a dar boas risadas, bater palmas, fazendo grande alarido:
- Mas é a Senhora Número Três, da Taberna do Pontilhão! O que lhe aconteceu?
O velho se aproximou, segurou nas rédeas da jumenta e falou para Chao:
- É certo que ela tentou lhe fazer algum mal, eu sei, mas lhe garanto que ela já foi plenamente castigada por seus pecados. Deixe que eu a liberte.
Dizendo isso, o velho retirou o cabresto da cabeça da jumenta, que imediatamente largou a pele de animal e se transformou em gente.
Robert Mario De Niro Jr. (Nova Iorque, 17 de agosto de 1943) é um ator norte-americano. É conhecido por ter protagonizado diversos filmes de Martin Scorsese. Apreciado por levar muito a sério seus papéis, de Niro engordou 27 quilos e aprendeu a lutar boxe para melhor encarnar o personagem "Jake LaMotta" em Raging Bull (br: Touro Indomável); afiou os dentes para fazer Cape Fear (br: Cabo do Medo); e aprendeu a tocar saxofone para atuar em New York, New York (todos esses filmes de Scorsese). Por isso, é considerado normalmente como um grande observador de tiques e detalhes físicos, assim como de ser um perfeccionista.
Antônio Candeia Filho. mais conhecido como Candeia (Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1935 — Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1978), foi um importante sambista, cantor e compositor brasileiro.
Era de filho de sambista. Em seus aniversários, a festa era mesmo com feijoada, limão e muito partido alto. No Natal, a situação se repetia.
Seu pai, tipógrafo e flautista, foi, segundo alguns, o criador das Comissões de Frente das escolas de samba. Passava os domingos cantando com os amigos debaixo das amendoeiras do bairro de Oswaldo Cruz. Assim, nascido em casa de bamba, o garoto já freqüentava as rodas onde conheceria Zé com Fome, Luperce Miranda, Claudionor Cruz e outros. Com o tempo, aprendeu violão e cavaquinho, começou a jogar capoeira e a freqüentar terreiros de candomblé. Estava se forjando ali o líder que mais tarde seria um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira.
Candeia começou a fazer músicas ainda na adolescência. Seu pai tocava flauta e carregava o filho para rodas de samba e de choro em Oswaldo Cruz e Madureira.
Compôs em 1953 seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego: foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total 400 pontos). É até hoje um dos grandes nomes no panteão da Portela.
No início dos anos 60, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba. Em 1961, entrou para a polícia. Tinha fama de truculento e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Diz-se que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas. Viveu os seus últimos dez anos de vida numa cadeira de rodas, em decorrência daquele tiro na coluna vertebral, depois de – conforme outra versão – uma discussão no trânsito, no final da década de 1960. Candeia se aposentou por invalidez após o acidente e pôde, então, se dedicar mais à música.
Sua vida e sua obra se transformaram completamente. Em seus sambas, podemos assistir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos, Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazerem-no de volta. "De qualquer maneira, meu amor, eu canto", diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 1975 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: "Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo".
No mesmo ano de 75, Candeia compunha seu Testamento de Partideiro, onde dizia: "Quem rezar por mim que o faça sambando".
Em 1978, ano de sua morte, gravou Axé, um dos mais importantes discos da história do Samba. Ainda viu publicado seu livro escrito juntamente com Isnard: Escola de Samba, Árvore que Esqueceu a Raiz.
Voltou a ter reconhecimento em 1995, quando Martinho da Vila gravou o disco Tá delícia, tá gostoso, no qual incluiu um pot-pourri chamado Em memória de Candeia, que tinha as faixas Dia de graça, Filosofia do samba, De qualquer maneira, Peixeiro grã-fino e Não tem vencedor.
Em 1997 foram relançados em CD três discos de Candeia: Samba da antiga, de 1970, Filosofia do samba, lançado originalmente em 1971, e Samba de roda, de 1974.
João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), mais conhecido apenas como João Donato, é um pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor brasileiro.
Donato foi amigo de todos os expoentes do movimento bossanovista, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf, entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina, entre tantos outros. Na década década de 1950, João Donato se muda para os Estados Unidos onde permanece durante 13 anos e realiza o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Grava o disco A Bad Donato e compõe músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê Jodel". Retorna ao Brasil, reencontra a música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandona sua paixão pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa e Gilberto Gil.
Entre as composições mais conhecidas do músico, estão: "Amazonas", "Lugar Comum", "Simples Carinho", "Até Quem Sabe" e "Nasci Para Bailar". Segundo o crítico musical Tárik de Souza: "Durante muito tempo, João Donato foi um mito das internas da MPB. Gênio, desligado, louco, de tudo um pouco.
De Macaé, a bagagem foi mínima. Não comprei móveis. Fui hóspede !
Comprei passagem de ida Rio X Porto Alegre, com escalas em S.Paulo, Florianópolis , e Porto Alegre.
A volta seria quase o inverso , mas houve a extensão , face ao novo destino :Mauriti !
Do Rio , passei por Vitória do Espírito Santo, Ilheús , Salvador, Aracaju, Maceió, João Pessoa, Campina Grande e Mauriti. .... E o dinheiro acabou ! Ficou a entrada para um carrinho , Chevette Hatch, que paguei em leves prestações, por dois anos.
Queria ver o olhar surpreso do meu pai, visitando novas paragens, pela primeira vez. Em cada lugar que chegávamos, ele escrevia cartões para a minha mãe. Sem dúvidas, meu pai, foi o grande companheiro da minha vida !
Gostávamos das mesmas músicas, da noite, e das coisas boas.
Em Curitiba fizemos excursões para Paranaguá e Foz do Iguaçu. Ficamos na estrada, sem o casaco de frio, e sem as malas. Rimos bastante da situação. O casaco de couro tinha sido emprestado de um amigo, e deu trabalho encontrar um novo para substituí-lo.
Em Gramado não encontramos pousada . Tudo lotado.Arriscamos passar a noite num hospital central.
Ele fez amizade com uma enfermeira, e ganhou para o seu cigarro, uma garrafa térmica de café.Nas situações mais incómodas, ríamos , e nos divertíamos !
Nos extasiamos com as Cataratas do Iguaçu, e com o por-de-sol, no Guaíba.
Quando retornamos pelo Nordeste , já estávamos cansados de tanta orgia e beleza.
A chegada em Mauriti foi tranquila !
Novamente me avizinhei das raízes. Todos os dias , depois do expediente, visitava o meninos , na casa da avó, e me encontrava no parque Municipal com os amigos, hoje ainda identificados ... Carlos Rafael , Geraldo Urano,Calazans, Pachelly, Normando , Salatiel, e Nicodemos (que chegou do centro Sul para somar )!
Por dois anos vivi esse trânsito.
Fiquei boa parte , substituindo o Gerente Geral , Nacélio Oliveira , que foi nomeado para outra cidade,até Rochinha chegar. Gente boa , cidadão do Crato !
Foi a experiência mais humana e apaixonante da minha vida de bancária. Financiávamos roças de milho, feijão, algodão, e rezávamos com o agricultor por chuva , em prol dos ganhos, e da boa safra.
Amei aquela gente sofrida e de coração grande.
Apaixonei-me pela dor humana.
Apaixonei-me, na verdade, em todos os sentidos !
Pelas artes, pelos amigos, pela terra , e por todas as suas potencialidades . Senti o Divino em mim !
Mas a vida me pedia estrada. Solicitei à Direção Geral , uma comissão de Supervisora, num lugar limítrofe do País. Ela resp0ondeu-me com uma nomeação para bela Vista- MS. Com o coração despedaçado, três filhos no colo, encaramos as estradas poeirentas do Mato Grosso do Sul, até o destino final. Mas, Bela Vista, fica para um próximo capítulo !