Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

FESTA BREGA ROCK STYLE


A banda nasceu em novembro de 2006, quando cinco roqueiros que tocam em bandas de João Pessoa - PB, resolveram montar uma banda onde o seu repertório fosse recheado da bela música brega, da jovem guarda e claro, do Rei Roberto Carlos com seus sucessos dos anos 60/70,. Su estilo foi auto-intitulado como sendo "Brega Rock Style".

Os Caronas interpretam as músicas com muito respeito e admiração. Eles fazem pequenas alterações nos arranjos das músicas, mas, sem jamais fugir da idéia principal que o autor quis passar através da sua arte. O objetivo da banda é executar da melhor maneira possível, canções que marcaram um período da música popular romântica (nostalgica) brasileira.

A abertura da festa vai ficar por conta da banda "RED STEEL" de Juazeiro do Norte, que promete agitar a galera com belas canções do rock nacional.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


José Flávio
Sem palavras...

Como posso ficar parado / Se o mundo se movimenta? - Aloísio

Aqui na vida da cidade
Da janela do apartamento
Com meus olhos em movimento
Vejo um guri brincando no jardim
Pulando como uma pimenta
Indo depois pra casa cansado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

A vida vivida no mundo
Não pode ser o que eu quero
Passar a vida num bolero
Tenho que andar pra frente
Isto também me atormenta
Andando pra ficar ao lado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Se alguém vem cantar um samba
Eu digo: isto é muito bom
Demonstrando também que tem dom
Vindo mostrar a nossa cultura
Alguém que faz e argumenta
Não é pronto e acabado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Esta aprendi em Petrolina
Era sempre gostoso de ouvir
Meu sogro mandava seguir
Quando queria ir pra frente
“Pega a direção da venta”
Pensando bem, fico calado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?

Andei por rotas e estradas
Vi nascer também a Internet
Da vida não sou marionete
Busco descobrir outras sendas
Como minha visão aumenta
Então não devo ser guiado
Como posso ficar parado
Se o mundo se movimenta?



Aloísio

ACABA FESTA - Marcos Barreto de Melo

eu ontem fui convidado
pra festa de casamento
da filha de Chico Bento
com o Zeca de Conrado

festa boa e animada
de tudo na mesa tinha
pato, peru e galinha
sarapatel e buchada

numa quadra de latada
a sanfoninha chorava
e a moçada animada
ao som do fole dançava

foi quando chegou Mororó
e mandou parar o rojão
com o tacho cheio de goró
vazando pelo ladrão

falou bem alto e zangado
e o povo ouviu assustado
quando ele disse, hoje eu mato
furo, sangro e tiro o fato

chamo o doutor de safado
xingo a mãe do delegado
dou tapa até em soldado
mas, não vou ficar parado

eu deixo o noivo amarrado
pra brincar mais sossegado
e com a mulher dele abraçado
vou dançar esse xaxado
grudado sem farrapar
até o dia clarear

Marcos Barreto de Melo

"Inversão de valores" - José Nilton Mariano Saraiva

Embora um tanto quanto longa, entendemos que a "transcrição" do texto abaixo merece ser lida e refletida por todos aqueles que se preocupam com o futuro da nossa família, do nosso povo, do nosso Brasilzão querido. Trata-se do retrato emblemático da lógica perversa e da absoluta e criminosa inversão de valores numa das áreas - EDUCAÇÃO - primordiais ao desenvolvimento de uma nação, à sua arrancada rumo ao panteão de uma das nações líderes do mundo, bem como à obstrução do bem-estar do seu povo.
Um equívoco de tal magnitude, baseado em modismos e invencionices, se não for corrigido a tempo, tende a nos manter presos aos grilhões do subdesenvolvimento, às amarras da miséria, à negritude da falta de conhecimento e, enfim, ao caos absoluto.
E, especificamente pra quem exerce a nobre função do magistério, um aviso: cuidado, você pode ser o próximo !!!

José Nilton Mariano Saraiva
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J’ACUSE !!! (Eu acuso !!!)

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes - (Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola) - Meu dever é falar, não quero ser cúmplice).

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subseqüente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno.
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotado de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo".
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto "EU ACUSO", de Emile Zola, eu acuso tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa; EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas; EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar falta graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas; EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”; EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar; EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade; EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã; EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”; EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia; EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento; EU ACUSO os “cabeça–boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito; EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis; EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição; EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos; EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores.
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann (Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário).

MUSEU DE ARTE VICENTE LEITE CONVIDA

Acervo Restaurado

- Obras de Arte do Museu de Arte Vicente Leite estarão em Exposição -


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Obras de arte recuperadas estarão em exposição

Será realizada no próximo dia 30 de janeiro até 3 de fevereiro, Exposição das Obras do Museu de Arte Vicente Leite. Com o acervo restaurado, a exposição será realizada no Hall de entrada do Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva, com abertura às 19 horas do dia 30. Todo o material irá compor o Museu de Artes Vicente Leite, do qual faz parte o acervo a ser exposto. A Exposição será realizada por meio da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho e da Prefeitura Municipal do Crato. Segundo informa a Artista Plástica Edilma Rocha:

Esta exposição não está abrindo as portas das instalações do Museu de Arte Vicente Leite que ainda aguardam por verba para finalização da reforma. Esta exposição é uma iniativa do Presidente da "Fundação J. de Figueiredo Filho", George Macário, para apresentar a população do Crato, autoridades, artistas e a imprensa,todo o seu acervo artistico totalamente restaurado, com a presença de Bruno Pedrosa, seu idealizador e fundador. Oportunidade em primeira mão de olhar e apreciar a maior pinacoteca de artes plásticas do Nordeste Brasileiro.

Relação dos artistas apresentados:
Vicente Leite
José Reis de Carvalho
Pedro Americo
Francesco Madzza
Henrique Bernadelli
Pedro Betzold
Catharinus Hubertus Petrus
Jair Picado
Sansão Perreira
Armínio de Moura Pascoal
Alcides Gomes Cruz
Armando Viana
Jordão de Oliveira
Malissa
Maria Luiza Pinto
Ubi Bava
Osvaldo Teixeira
Hilda Campofiorito
Claudio Valério Teixeira
Bráulio Poiava
José Mauricio Saldanha Alvarez
João Batista de Paula
Sandro Donatelo
Bruno Pedrosa
Sinhá D´Amora
Alexandre César Formenti
Clério Perreira de Souza
José Costa Filho
Helena Cavalcanti
Misabel
paulo Silva
Lenice Salvi
Alberto Pascoal

A internet através do google está disponivel para qualquer pesquisa sobre os nomes aqui apresentados. Apenas 3 dias em exposição, mas que poderá ser prorogada.

Artigo colhido no BLOG DO CRATO.

Pensamento para o Dia 26/01/2011


“Atualmente, as pessoas pensam erroneamente que a espiritualidade não tem relação com a vida mundana, e vice-versa. A Divindade verdadeira é uma combinação de espiritualidade e obrigações sociais. A unidade nacional e a harmonia social são baseadas em espiritualidade. É o Divino que une a espiritualidade e a existência social. O Criador e a Criação (Prakriti) estão intimamente associados um com o outro. Portanto, Deus não deve ser considerado como separado da Criação. Veja Deus no cosmos. Por exemplo, tome um copo de prata. Aquele que percebe a prata no copo, só pensa na base material e não na forma do copo. Aquele que o vê como um copo não pode notar que ele é feito de metal prateado. Só a pessoa que pode reconhecer prata e o copo pode reconhecer que é um copo de prata. Da mesma forma, sem Deus, não há criação. No entanto, a maioria das pessoas vê apenas a criação, muito poucos reconhecem que a criação é uma projeção do Criador. É essencial que todos os seres humanos percebam que sem Deus não pode haver cosmos.”
Sathya Sai Baba

No Blog do Sanharol também há pérolas.... Por Zé Nilton

Zé NIlton disse...

Franco-nordestina,
Conheci menina
Pimenta a baixo e a cima
Quando passageiro
Montado na mula.

Gente do estrangeiro,
Dizia meu pai.

Boca do Lameiro...

Na tua morada,
Solta na parede
Toda reluzente
Uma jumentinha
Eterna pastava.

Gente do estrangeiro
Gente nordestina
E essa menina
Continua lá.
Na minha memória
Hoje passageira
Por essas lembranças.

Para Claude Bloc
Franco-nordestina
Que bom que inda tenho
Nas minhas retinas.


...........................................................................

Obrigada, Zé Nilton...  Não dá pra falar o que a gente sente ao receber coisas assim: um presente, uma dádiva (musical).
Veja o ritmo, Dá uma canção... (risos)
Um abraço

Claude

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

um pouco de melancolia com versos de claude bloc

"claude"


nas minhas mãos
apenas os vazios das cores
que embelezam as formas da feiúra
nessa cidade sempre mais escura

nos meus olhos
cores pálidas,
em descompasso
com as curvas do meu coração
onde renasce a rua andré cartaxo
com suas noites infinitamente
guardadas em palavras 
espalhadas no chão

ou mais que isso:
o tom latente do verso
um esboço em giz pastel
entremeando-se, na paisagem,
num esforço em salvar-me
do que não sou
sem escolha para os sentimentos
sem escolha de agir 
contra as armadilhas das sorpresas 

no chão
apenas a ausência dos meus passos
colheitas parcas de sonhos amortecidos
a voz de velhos de amigos 
que se querem esquecidos
porque o longe, senhores, é inimigo
de quem ama e se vê envolto de abismos
como quem cumpre um destino

nem sede ou fome
apenas o sabor do tempo
desenhos de nomes na fala
silêncios grafites em verso
no meu poema,
verdadeiros pedaços de mim
porque eu sou minha poesia
eu sou a minha rua de menino
e mesmo essa cidade
onde brotam dores nas paredes
e o belo se faz hesitante
num incessante desejo de criar-se
mesmo essa cidade sou eu
de olhos ofuscados de medo

nas minhas mãos
apenas os vazios das cores
numa música que seria
talvez o único remédio 
contra a solidão e a tristeza




O espelho deste mundo - Emerson Monteiro


Quem quer saber o que seja o mundo, olhe lá dentro de si e verá apenas o reflexo do que queremos para as ações diárias. Ninguém espere resultado diferente do que aquilo que produz. Por isto, nada de esperar seriedade na política sem participar do processo político na altura certa das oportunidades oferecidas todo tempo através das democracias.
Postular segurança pública e correr léguas do convívio da própria comunidade em que vive demonstra contradição. Reclamar da sorte refugiado por trás de muralhas invioláveis, enquanto drogas e armas correm soltas nas madrugadas, destoa do dever. Falar em união de todos e eximir-se do mínimo em aproximação com os demais do grupo social, animais solitários, engana a si quem age desse modo.
A realidade possui a nossa cara, a minha, a sua, o DNA coletivo. Nada muda se a pessoa não mudar, dizem doutrinadores, todo tempo, porquanto assim é se nos parece. Seja a mudança que quer para o mundo, afirmava com autoridade o líder indiano Mahatma Gandhi, revolucionário de uma nação que acreditou nos ensinos de paz da sua mensagem e reverteu séculos de colonialismo.
Quantas e tantas vezes reclamamos coerência e honestidade dos nossos representantes, e, durante os turnos eleitorais, agimos qual eles agirão depois que os elegemos, bolsos cheios dos cheques em branco dos nossos votos. Nem tudo só desespera, nesses tempos distorcidos que pedem luzes. Há provas incontestes de amor ao bem público nas providências dos responsáveis sérios que ainda existem nos postos-chave, desde que os levemos até esses lugares da mais importante valia. Diz a sabedoria popular que quando virmos um jabuti em cima de uma estaca de certeza alguém o botou na posição, porquanto jabuti não sobe estaca. Quando um político preenche o mandato significa que os cidadãos o levaram ao lugar.
Filtro dessas representações políticas são os eleitores. Caso reclamemos dos mandatários, eles mostram a cara da sociedade, a nossa cara, também. Esta a equação mais simples do que acontece desde que o homem é homem, na história.
Por isso, perante a república em que vivemos, nós e nossas famílias, as mudanças principiam no dia das eleições, ao preço do suor das pessoas que sofrem; dos inocentes que padecem fome; das mães que vendem filhos; crianças que se prostituem pela ausência do respeito das orientações corretas; jovens desencantados e marginais; ruas esburacadas, sujas, abandonadas; padrões conturbados de horas críticas e contradições, e erros sem alternativas; desmandos e servidão.
Receita simples esta, a quem queira rever os equívocos acumulados: Abra os olhos e veja no espelho da consciência; interprete os meios conquistados nas existências; limpe o espelho dentro de si e trabalhe para descobrir e reavivar as esperanças perdidas pelos que esqueceram das chances de melhorar este mundo.

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha

Beatriz e Domingos Barroso
Sem palavras...

REBECA - Por Edilma Rocha

 Ela estava bem ali diante dele, imóvel, indefesa, adormecida. O corpo cansado num sono profundo depois de tantos afazeres no trabalho e no estress do transito na volta pra casa. Despida, deitada de bruços, os cabelos ainda molhados do chuveiro sobre o travesseiro de plumas. Olhos cerrados nos longos cílios negros, respirando compassadamente. Os braços tocando as nádegas num completo abandono e os seus seios se deliciavam no contato com o ursinho de pelúcia. As  pernas bem torneadas relaxavam na maciez dos lenções da cama. Rafael a observa  sem coragem de toca-la. _ O que sonhava naquele momento? Como gostaria de penetrar no seu sonho mais profundo e desvendar seus mais íntimos segredos... Seu perfume exalava um cheiro de flores do campo que  o envolvia num desejo incontrolável. Em silêncio, caminha devagar pelo quarto e se dirige ao interruptor desligando a luz, deixando apenas a penumbra do abajur. Volta rapidamente para continuar a observa-la dormindo. Se aproxima  lentamente e se encosta ao seu lado em silencio. Sente o calor do seu corpo e da sua respiração. Faz um leve toque nos seus cabelos e ela se move por um instante. Então desce a mão sobre seus ombros e a desliza numa carícia pela cintura até as suas nádegas. Ela desperta  ao toque do seu corpo, abre os olhos, esboça um sorriso meigo e vira-se envolvendo-o nos seus braços  com ternura. Ficam assim, colados, olhos cerrados e a respiração ofegante. Rebeca oferece seus lábios húmidos num beijo apaixonado. Mergulham nas cobertas e se deixam amar...

Edilma Rocha

UMA MESTRA, UMA AMIGA...

Socorro (Piau) Martins e Claude

A vida da gente tem cilclos. Um dia crescemos. Outro dia estudamos. Depois damos rumo à nossa vida. E um belo dia, lá na frente, percebemos que temos que dar uma guinada em tudo e passamos, nesse momento, a querer realizar pendências, sonhos que passaram pela tangente ou fugiram de nossas mãos...E, então, chega o dia de começar tudo de novo. E lá se vai mais um ciclo...

É isso que estou tentando fazer agora. Para voltar ao Crato, tenho que recomeçar. Para recomeçar, tenho que pavimentar minha estrada com novas camadas de "asfalto" para que a caminhada transcorra em paz,  produtiva, linear e renovada.


Parte da Turma de Especilização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Africana - URCA

O curso de Especialização em Língua e Literatura que estou fazendo na URCA, me conduz a isto. A uma renovação concreta, e além de tudo, me trouxe também um belo presente: conhecer uma varzealegrense que, com sua doçura, cativou a turma e, que, com simplicidade, trouxe a luz de sua sabedoria para todos que fizeram parte desse curso sob sua orientação.

(Socorro Martins (Piau) é tudo isso e muito mais. É prima de Mundim do Vale e também de Morais.)


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

FOTO COM AMIGOS - Por Claude Bloc



A gente não faz amigos, reconhece-os.
(Vinícius de Morais)

A Poesia Marginal das Coisas e Seres-Wilson Bernardo.

A IMAGEM PLENA DO SER...Espécies!
Porcelana não é matéria nobre
Nobreza são os insetos
Fecundando pormenores de sexo.
Enxergar o inusitado
É esta próximo de Deus.

Wilson Bernardo(Poema & Desenho)

PÉROLA NOS BASTIDORES - Por Edilma Rocha

Fotomontagem sobre tela de Claude Monet - by Claude Bloc

Edilma disse...

Sobre a palheta
as misturas das cores
na essência
da própria vida

Nos vermelhos
a paixão pela arte
No amarelo
a luz da idéia
No azul
o amor pela chapada
E no verde
a natureza presente.

No risco de giz
o começo de tudo
e o matiz vai se fazendo
para criar na imagem central

A fome constante
pela arte gera
o impulso e a vibração
que fazem um
turbilhão de emoções
na poesia
no conto
na pintura.

Edilma Rocha

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha

 
MIOSÓTIS- Myosotis - Não esqueça de mim. Com sua humilde e pequena flor azul, esta plantinha tem o dom de emocionar e curar diversos males do corpo e da alma. Símbolo do ideal distante que tanto buscamos pela vida afora, o Miosótis nos ensina que devemos aceitar o que nos cabe no momento.


Planta herbácea perene, de ramagem rasteira, de até 25cm de altura na fase de florescimento. Originada da Europa e Rússia. Nas tradições e lendas populares, é considerada o símbolo da fidelidade e do amor sincero e diz-se que suas flores azuis são devidas às lágrimas derramadas pela Virgem Maria. Também conhecida pelo nome "não me esqueças".


Cultivada em jardins e canteiros com boa permeabilidade e ricos em matéria orgânica. Precisa de sol constante mas não deve ficar exposta nas horas mais quentes do dia. Misturar um pouco de arreia à terra para aumentar a drenagem e evitar que a planta fique encharcada. A propagação pode ser feita através de sementes ou por divisão da planta. O Miosótis tem poder de confortar o corpo e a alma e dar forças a quem perdeu um ente querido e até o gosto pela vida. É usada contra bronquite cronica, tuberculose pulmonar, sangramento intestinal e suor noturno.

Fonte - Jardim Interior - Denise Cordeiro

Combate às abelhas na Torre do Santuário - Por Roseane P. M. Oliveira

Aconteceu em Crato no dia 14 de janeiro de 2011 a operação do Corpo de Bombeiros para remoção de uma colmeia, no topo da torre do Santuário Eucarístico Diocesano (antiga Paróquia de S. Vicente Ferrer). Deslocaram-se até o local as guarnições de Crato e Juazeiro com suas respectivas viaturas. Acredita-se que a colmeia se encontrava, no local, há algumas décadas, ou seja, aproximadamente quarenta anos.

A operação foi realizada a noite, com a Igreja praticamente fechada e a rede elétrica devidamente desligada, levando-se em conta a movimentação de pessoas durante o dia, o que seria arriscado. Devido à dificuldade de locomoção na escadaria da torre, o acesso até o topo exigiu muita destreza dos bombeiros que, apesar do cansaço aparente ficaram durante horas combatendo as abelhas. No dia seguinte foi constatado que algumas abelhas ainda se encontravam alojadas e após uma semana, os bombeiros foram novamente solicitados a comparecerem até o local para concluírem a operação com êxito.

Roseane P. M. Oliveira

FOTO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha

Francisco Peixoto
Sem palavras

domingo, 23 de janeiro de 2011

Elegia da lama

                                                                                         imagem: web

Elegia da lama


Uma rosa vermelha
afoga-se na lama

Uma mulher se ajoelha
coberta de lama

Repete-se o dilúvio
num mar de lama

A vida perde o sentido
coberta de lama

--

Huberto Cabral - Emerson Monteiro


Desde que me entendo de gente que, atento, observo a participação constante de Huberto Cabral nas movimentações sociais, culturais e patrióticas do Crato. Possuidor de um civismo a toda prova, Cabral faz do rádio sua praia de predileção, sem, no entanto, esquecer permanências pelos jornais, revistas, livros, cerimônias coletivas, etc. Organiza com maestria eventos públicos, dentro da absoluta correção. Incentiva e participa de reuniões destinadas aos interesses da municipalidade, em todos os âmbitos possíveis e imagináveis, sempre visando ampliação dos recursos progressistas e abertura das vias de transformação comunitária. Presta homenagens a personalidades destacadas do lugar e evidencia datas memoráveis deste núcleo urbano. Recebe visitantes ilustres, orienta pesquisas de estudiosos, repassa informações do seu rico acervo e de suas vivências; enfim, um homem talhado a preservar valores históricos e a memória social do Crato e de todo o Cariri como raros outros. Alimenta um acervo de gama incalculável no que tange aos dados relativos a esta parte de mundo e é considerado por muitos um testemunho vivo dos acontecimentos principais caririenses desde o início da segunda metade do século que passou.
Nas minhas primeiras incursões a eventos públicos, recém chegado ao Crato, avistava a presença de Huberto Cabral, o que se seguiu todo tempo até hoje. Radialista emérito, lançado ainda nos primórdios da radiofonia caririense, nas primitivas amplificadoras, associa-se à evolução desse meio de comunicação, exercendo funções de liderança em programas esportivos, noticiosos, reportagens inolvidáveis e solenidades importantes para o desenvolvimento econômico regional. Assessor do Executivo cratense em repetidas administrações, vem, à frente da sua época, convocando os cidadãos a segui-lo na altiva caminhada que exercita como rotina de existência. Nas campanhas fundamentais para a construção do Cariri nos moldes contemporâneos, ali está Huberto Cabral; desde a vinda triunfal da energia de Paulo Afonso à instalação definitiva da Universidade Regional do Cariri, por exemplo. Lembro das suas participações nas transmissões radiofônicas dos jogos do antigo campo do Sport, através da Rádio Educadora; depois, na quadra Bicentenário, em noites esportivas magnânimas; vejo suas ações audaciosas e vanguardeiras na cobertura jornalística da visita do presidente Castelo Branco, aos idos de 1964; sua determinação para, juntos, continuarmos a publicação do jornal A Ação, também na década de 60; suas providências na continuidade do Instituto Cultural do Cariri, inclusive na construção da sede própria; seu denodo para trazer valiosas instituições que ora estabelecem as características da nossa Região, em todo tempo de sua história; seu ativismo nas manutenções benfazejas desta civilização caririense, sendo ele também um descendente direto dos primeiros colonizadores aqui instados nas primeiras expedições.
O acendrado zelo que Huberto Cabral manifesta na profícua missão de ativador social ultrapassa as raias da paixão, digo sem arriscar uso de termos excessivos, porquanto os resultados das suas atitudes falam dos frutos essenciais no que desempenha e promove ao ímpeto do seu amor vocacional às nossas queridas tradições.

Pensamento para o Dia 23/01/2011


“Quando você atinge o controle dos sentidos, a purificação da mente, a concentração e o silêncio interior, o que inicialmente surgiu como uma necessidade lógica torna-se evidente mais tarde, na consciência purificada, como uma Vontade Positiva Permanente Impessoal (Prajnaanam Brahma). Através da prática incessante da Verdade, Retidão e Coragem, a Divindade em repouso no indivíduo será induzida a se manifestar na vida diária, transformando cada dia na alegria de amar verdadeiramente. Conheça a Suprema Realidade, respire-A. Banhe-se Nela. Viva Nela. Então Ela se torna tudo de você e você se torna completamente Divino.”
Sathya Sai Baba

UMA VISITA - UMA NOVA AMIZADE

Hoje foi o dia de colher a mais nova amizade. O casal Vicente Almeida e Valdênia veio me fazer uma visita. 

O Blog do Sanharol tem me proporcionado  momentos inusitados. A harmonia do Blog tem essa característica de fazer a gente se sentir em casa.. 

E, de repente, as portas se abriram e  tenho experienciado grandes alegrias. Começaram a acontecer os primeiros contatos com gente do Blog. Primeiro  foi Dr. Sávio Pinheiro  que me surpreendeu com sua "aparição" na saída da URCA, no mês de dezembro e agora, a concretização de uma outra amizade que já acontecia virtualmente, através do Sanharol.

Os bons textos, o bom humor, os comentários sinceros e  amigos fazem do Sanharol, sob a administração de Antonio Morais, um blog diferente. Portanto, só tenho a agradecer por essas alegrias que aquecem minh'alma e meu coração.

Agradeço ao casal tamanha gentileza...

Meu abraço a todos

Claude

sábado, 22 de janeiro de 2011

NOSSOS PODERES INTERIORES - Por Edilma Rocha



Qualidade de vida é um assunto sempre cheio de contradições. Alguns pensam que qualidade de vida consiste em adquirir coisas, objetos palpáveis, na busca constante em comprar cada vez mais para um conforto, bem-estar e estatos social.  Coisas como roupas da moda, carro, jóias, eletro-domésticos, computadores de ultima geração, telefones celulares nos trazem conforto e bem estar pessoal.
Mas ao meu ver qualidade de vida não consiste em "ter", mas em "ser". Consiste nos nossos valores interiores através do equilíbrio da mente e do corpo. Algo que vem de dentro pra fora como uma expressão das nossas qualidades que muitas vezes ficaram sufocadas por pensamentos e até atitudes negativas ,que se transformaram através do tempo em padrões sociais e até crenças religiosas. E precisamos parar para prestar atenção em nós mesmos e saber dosar este conforto e bem-estar da melhor maneira possível. Ficar quietos/as e sozinhos/as, de vez em quando, fazendo um balanço do que fizemos  com nós  mesmos e com os outros para corrigir, com dignidade, as falhas cometidas. Saber reconhecer nossos erros mais graves através do orgulho e saber pedir perdão.
Fala-se que quando oramos, falamos com Deus, e ao calar para meditar é Ele que nos fala. E esse silêncio em nós mesmos se chama sabedoria de vida. Procurar no silêncio interior todas as respostas para as nossas perguntas mais difíceis deveria ser um hábito saudável e frequente. Orientar o pensamento para abrir os caminhos de uma expansão da consciência.
Ser uma pessoa melhor. Tentar viver em harmonia com todas as pessoas que se fizeram presentes  no decorrer de nossas vidas. Esconder a dor mais profunda que possuímos no coração e estender um largo sorriso para o próximo. Gentileza e amor geram gentilezas e amores de volta.
Sorria e permaneça o maior tempo possível voltado para a alegria, paciência, boa vontade, compreensão, amor, perdão, paz e felicidade, pois mágoas e raiva são  sentimentos que fazem mal a nós mesmos. Vamos saber cultivar os nossos poderes interiores.

Edilma Rocha

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Abidoral Jamacarú
Sem palavras...

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


SÁLVIA - Salvia Officinalis - Uma planta que impõe respeito, desde a Antiguidade. O nome deriva do latim "salvare", que significa "salvar", estar em boa saúde.
Diz a lenda que quem tem Sálvia no jardim não envelhece. Para os antigos romanos a Sálvia era uma erva sagrada, e sua colheita, uma verdadeira cerimonia. Outra lenda reza que se trata de uma erva caprichosa, e que, se misturada a qualquer outra erva na culinária, sente-se ofendida, pois gosta de ter toda atenção só para si.


Arbusto rústico, sempre verde, com altura média de 30 a 70cm. Originada da Europa Mediterrânea. Da família das labiadas, apresenta uma grande variedade. Cultivada em solo leve, alcalino, seco e bem arejado, com exposição ao sol. A Sálvia vulgar se propaga por sementes, as demais variedades pegam por estaca. No plantio, manter intervalos de 40 a 60cm. Podar frequentemente para manter os ramos.
As folhas são usadas em temperos de carnes, aves, manteiga, queijos, vinagres. É um ingrediente da vinha-d´alho. Não deve ser misturada a outras ervas. Com as flores prepara-se um chá leve e balsâmico.

Óleo essencial de Sálvia é estimulante, antidepressivo e afrodisíaco. Pode ser usado em banhos, aromatização ambiental, escalda-pés, massagem facial, xampu anticaspa e desodorante. Combina com óleo essencial de cipreste, hortelã-pimenta, cravo, funcho, alfazema, alecrim, manjerico, petitgrain, limão, néroli, vetiver e zimbro. Os gregos e romanos acreditavam que a Sálvia tinha o poder de curar todas as doenças e favorecer a longevidade.

Fonte - Jardim Interior -Denise Cordeiro

CAMPEONATO REGIONAL

Pedro Esmeraldo

Com muita energia e animação, o time do Crato participa mais uma vez do campeonato regional de futebol cearense.

Por isso, enaltecemos, principalmente, o mais humilde torcedor, estimulando-o para que acompanhe a prática esportiva com muita popularidade nessa área, torcendo para que o time saia vitorioso, conquistando com louvor, às vezes enfrentando dificuldades, atacando de frente as provocações provenientes das torcidas adversárias, que estão propensas a cometer as maldades que sempre vêm atormentar o espírito do cidadão correto. Por essa razão, temos de adquirir alegria com esforço e desejo de encontrar meios para poder alcançar o nosso objetivo.

Ficamos um pouco desconfiados e ao mesmo tempo, preocupados quando observamos a falta de interesse de alguns cratenses em não querer contribuir com um pouco de acréscimo na conta de água da SAAEC, que serviria de ajuda na formação estrutural do time cratense para sobressair-me na prática do futebol.

Se formarmos um bloco unido e com força de vontade dedicando à equipe, formaríamos um grupo de estrutura sólida, adquirindo grandes jogadores dedicados, conquistando práticas e desempenhando uma formação de equipe que jamais seria esquecida na história futebolística do Crato.

Após a realização de algumas mudanças estruturais na equipe, com certeza o nosso esporte favorito das multidões, ganharia novos métodos, tornando-se uma equipe compacta; sairíamos do campo com muita alegria, vibrando, após comemorar os grandes lances que nos deixaram embevecidos com as jogadas espetaculares, na hora do impulso técnico, deixando todos envaidecidos, vibrantes pelo bom desempenho do time.

Por outro lado, a formação da equipe deve ser mobilizada pelo seu treinador, tendo cuidado de escalar o time no momento exato, e cada um deles ser colocado no lugar certo. Lembramos a esse pessoal que, para o time sobreviver, em qualquer ocasião, é necessário organizá-lo com cautela, elevando os seus bens patrimoniais para que, no futuro, o time tenha respaldo para que possa continuar por vários anos e jamais seja subestimado pelos adversários inimigos e que não visem degradar o seu patrimônio adquirido com o esforço do seu trabalho.

Pedimos também que façam imposição, não entreguem os pontos facilmente, mas lutem unidos, que temos certeza, futuramente, seremos reconhecidos como favoritos pela crônica esportiva regional. Nesse caso, o time deve ser estimulado, fiscalizado e amparado quando for preciso.

Acontece, porém, que o povo tem de evitar o descaso administrativo no time-empresa, criando infra-estrutura, resguardando “a rigor” o patrimônio do time, estimulando-o a exercer os direitos às várias modalidades esportivas como: vôlei, basquetebol, futebol, etc.

Acrescentamos dizer que é preciso apoio das torcidas amantes a fim de estimular a juventude com formação moral e com intuito de apreciar as artes esportivas, enquadrando-a na sua parte filosófica que trata dos costumes e desejos de homens. Também temos o pensamento da formação moral, mas deve ser com lutas e adquirindo mais objetividade, comportamento digno, que são saúde e força para reparar as consequências negativas que poderão surgir.

Por fim, rogamos ao céu, pedindo força, coragem para que com elegância mostremos que também merecemos um lugar ao sol, confirmamos, o sol nasce para todos.

Se tivermos coragem, organização, “muita raça”, certamente o Crato irá para frente com êxito, conquistaremos um lugar especial, igualando às demais equipes por mais influentes que sejam.

Crato-CE, 19/01/2011
(Em) Pauta
- Claude Bloc -



Nas minhas mãos
apenas os vazios das cores
e as sinfonias cifradas,
numa pauta desbotada

Nos meus olhos
cores pálidas,
em descompasso...
Ou mais que isso:
o tom latente do verso
um esboço em giz pastel
entremeando-se, na paisagem,
aos sopros silentes da noite fria

No chão
apenas a ausência dos meus passos
colheitas parcas de sonhos amortecidos.
Nem sede ou fome
apenas o sabor do tempo
desenhos de nomes na fala
silêncios grafites em verso
no meu poema.

Claude Bloc


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sonhos possíveis, sonhos bons - Emerson Monteiro


Quando veremos o mundo de olhos abertos aos bons sentimentos que passeiam faceiros nas trilhas molhadas de impactos, os quais que apenas nós indivíduos um dia conheceremos de água na boca. Viver com prazer os momentos uniformes da harmonia sem culpa ou ressentimentos, e acatar as decisões do destino de espírito desarmado; aquiescer, nos gestos imprevistos das marés, as tais criaturas obedientes a um Criador que move as parelhas dos cavalos à frente do Sol, nas charretes aceleradas das horas incansáveis, dentro da natureza mãe dadivosa. Aceitar, enfim, os balanços dos barcos enquanto o rio segue nas suas águas impetuosas, filhas equilibradas da feliz companhia dos outros irmãos, no bojo de naves luminosas que afeitas riscam os céus, nas madrugadas frias.
Porquanto pretendam discordar, os protagonistas do drama questionam os roteiros apresentados dos operários na peça. Erguem assustadas vozes de protesto, perante, no entanto, o desfilar das conveniências mais pessoais. Reclamam de barriga cheia, às vezes de mágoa, de fastio, ou pressa, mas reclamam de barriga cheia disso tão só. Levantam os braços num sinal de descaso face as contradições aparentes do sistema que eles, nós, vós, mesmos criaram nos instantes de dúvidas atrozes, no fingimento da espécie insatisfeita com o itinerário do vôo em velocidades extremas. Querem, a qualquer preço, impor condições aos limites imprevistos, desde o começo, postulando propósitos de causas iniciais perdidas, alarmistas repórteres policiais.
Andar nesse ritmo alimenta de pânico o gosto de tantos que a visão conturbada mistura, entre o desejo e o desespero, impetuosa estupidez de eras atrozes. Marcam, assim, aonde querem chegar multidões famintas, caravanas sequiosas de empedernidos seres, afoitos pássaros noctívagos.
Todavia acontecem os quadros seguintes e o palco estremece no pulo dos atores, impulsos febris de cores e formas, providências inevitáveis que persistem ao infinito da fé, em corredores escuros dos paranóicos filmes, até surgir para sempre. Valentes cavaleiros calmos tangem os seus rebanhos pacíficos nas caladas da noite, forças operantes apesar das dores que invadiram o instinto explosivo de todas as pessoas, fase de crescimento que atravessam de águas no peito.
Vislumbrar, pois, novos meios de construir as igrejas dos corações impacientes significa mistérios, doces aspectos das provas do período nefasto que lá abandonou suas vítimas aos portões da alvorada em festa que já se aproximava, e morrem nas praias, o que representa a correta imagem do que quiseram dizer os livros fechados nas bancas.

Qual a idade que vocês me dão? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Semana Santa de um ano muito bom de inverno. As chuvas caiam copiosamente tornando fértil o solo antes esturricado pela inclemência da seca. A fartura reinava naquele sertão, agora renascido. A paisagem de longe lembrava esse nosso Nordeste tão escaldante. A jovem médica Marília Cruz, da Secretária Estadual de Saúde, convidara um grupo de colegas médicos, todos eles professores da Faculdade de Medicina, para passar os feriados em sua fazenda. Todos os convidados aceitaram aquela oportunidade de um excelente repouso e compareceram acompanhados das respectivas famílias.

Quinta-feira Santa, após o almoço, os convidados repousavam no alpendre em redes ricamente bordadas. De longe, a doutora Marília avistou um vulto, alguém, ainda não identificado se movendo entre a mata verde do baixio. Aos poucos a silhueta ganhava contornos definidos e ela então identificou o seu querido tio Diógenes. Não obstante a idade avançada, ele cavalgava firme sobre o dorso de seu alazão marchando a passos largos em direção à casa grande. A sobrinha nada disse sobre a idade do tio, esperando ver a provocação que ele poderia fazer aos médicos.

Ao chegar, cumprimentou a sobrinha e seu marido, um conhecido deputado estadual, saudou o grupo de doutores, sentou-se no para-peito do alpendre e começou a conversar com os médicos. A principio a palestra versou sobre o bom inverno e a fartura que ele representava para o sertão.

Depois de aproximadamente meia hora, o tio Diógenes conduzia a conversa para o rumo que desejava. Os médicos se deliciavam com a palestra do sertanejo, cheia de sabedoria aprendida com os mais antigos, linguajar um tanto quanto arcaico, herdado dos antepassados, herança de um tempo colonial. A certa altura da conversação o tio Diógenes perguntou:
– Doutores, qual a idade que vocês me dão?
– Oitenta anos – responderam uns.
– Setenta e cinco anos – diziam outros.
Depois de muitos palpites, todos eles errados, o velho Diógenes falou com a sinceridade própria do nosso sertanejo:
– Senhores doutores, vocês precisam estudar mais! Eu tenho 98 anos e ainda trabalha na roça!
Diante da admiração geral, o velho emendou outra pergunta:
– Agora doutores, eu quero que vocês me expliquem por que é que uns morrem tão cedo e outros vivem tanto, assim como eu?
– É por causa de uma vida saudável aqui no campo. Alimentação regrada, sem preocupações. O senhor naturalmente dorme cedo, acorda cedo, nunca bebeu e nem fumou! – exclamaram os médicos a uma só voz.
– Num já falei que vocês precisam voltar à escola? Vão estudar mais! Eu só me alimento de comida forte, buchada, sarapatel, panelada, rabada e mucunzá com torresmo. Fui o maior farrista dessa ribeira. Era o maior namorador que por aqui existia. Bebia e ainda hoje eu bebo e fumo e, não dispenso um bom forró todo fim de semana!
Com essa resposta, os médicos concluíram que o tio Diógenes era uma rara exceção à regra, além de um mau exemplo para se alcançar a longevidade.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Nota do autor: Esse fato aconteceu e me foi contado pela sobrinha do sertanejo. As identidades dos personagens são fictícias.