Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dói-Dói

Antes de dormir
confesso-te
que ainda tive
forças para
meter-me debaixo
da cama e torcer
o pescoço daquele
bicho-papão sacana.

Não me agradeças.

Coisa minha
pessoal,
intransferível.

Agora podes te deitar
sem medo (mas sempre
é bom guardar um pouco)

estarei do outro lado
do corredor e deixa-me
te dizer outro segredo:

não é a moeda
que se encanta

é a parede
e suas fendas

que adoram
ver crianças
chorando.

Dorme,
pois já durmo
sobre o teclado.

Ah (ia-me esquecendo)
aquela boia do teu
primeiro mar e da tua
primeira piscina

guarda o sal e o cloro
naqueles desenhos
de golfinhos
e baleias.

Enche a boia
(lava antes o bico)

verás que os desenhos
continuam encantadores.

Agora dorme,
pois já durmo
sobre o teclado.

SOBRE O PARQUE ECOLÓGICO DO SITIO FUNDÃO


Acompanhei nos últimos dias as varias manifestações de setores da imprensa e da sociedade cratense, incluindo alguns visitantes que estiveram no Stand da SEMACE na Expocrato, os quais fizeram cobranças e elogios aos encaminhamentos dados pelo órgão em relação à administração e qualificação do Parque Estadual do Sítio Fundão. Muitos porém, acusando negligência do Estado e cobrando informações acerca do processo de implantação daquela Unidade de Conservação.

Como cidadão cratense, interessado em esclarecer tais fatos, procurei informações na SEMACE e na SECULT sobre o processo, que agora repasso, para que a população cratense fique melhor informada.

De início informo que a SEMACE, escritório do Crato, tem todas as informações necessárias sobre o processo de implantação do referido Parque. Qualquer cidadão cratense pode se dirigir ao escritório daquele Órgão que será atendido em qualquer indagação acerca do processo do Sítio Fundão. Inclusive, a partir de 1º de junho foi nomeado como Gerente do Parque, o professor Mardineuson Sena.

O processo de aquisição da área, bem como de criação do Parque Ecológico do Sítio Fundão, foi um projeto apresentado e aprovado pelo Governo do Estado, na gestão do então Presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, André Barreto, ainda em 2008.

Quanto às construções previstas para o Parque, informo-lhes que houve a assinatura da Ordem de Serviço pelo Governador Cid Gomes, em junho de 2009, como é do conhecimento de todos, no entanto, a empresa contratada nunca iniciou as obras previstas. Inicialmente, a empresa argumentou a falta de ligação de energia elétrica, fato sanado com a intervenção do próprio Governo do Estado, mas ao final demonstrou total desinteresse na realização do projeto, fato que independe da vontade dos órgãos envolvidos. No momento as obras previstas estão sendo discutidas dentro do órgão com o posterior encaminhamento para outra empresa.

Pelo projeto seriam construídos: Um prédio para a CPMA (Polícia Ambiental), uma sede para a Unidade de Conservação/SEMACE, uma casa para o Gerente do Sítio Fundão, um estábulo para cavalos da CPMA, galpão garagem para máquinas/veículos, um espaço multiuso com auditório e alojamentos.

Neste espaço de tempo, a SEMACE recebeu uma demanda da SECULT, informando que estava em análise um pedido de tombamento da casa, do engenho e da barragem. O pedido foi feito pelos ambientalistas, professor Eldinho Pereira da Silva e Miralva Ferreira Guedes da Silva (ver pareceres dos processos 07106346 3 e 07272650 4, da SECULT - CE), sendo também alertada sobre as possibilidades de impacto ambiental causado pela quantidade de intervenções físicas no Parque.

Observem que o Órgão (SEMACE), por força de Lei, não tem poderes para intervir nestes imóveis enquanto durar o processo de tombamento que também envolve o COEPA e o IPHAN. No entanto, continua a buscar uma solução rápida para a questão.

A SEMACE, de forma tempestiva, acatou a demanda e está reestudando o projeto, de forma a diminuir ao máximo as intervenções físicas e outros impactos considerando os fixos e fluxos que poderão ser instalados na Unidade de Conservação. Foi pedido o desmembrando de dois itens do referido projeto como forma de agilizar a liberação do Parque à comunidade:
I - Abertura das trilhas (cujo mapeamento já está pronto)
II - Sinalização do Parque para facilitar/orientar a visita.

Insisto na informação daqueles que procuram outros meios (rádios, jornais, blogs) para falar sobre o assunto, que a SEMACE, escritório do Crato, tem todas as informações necessárias sobre o processo de implantação do Parque Estadual Sítio Fundão, e que estas informações estão ao alcance de todos. Procurem o Professor Mardineuson, gerente do Parque. Lembro ainda que todos os processos de Governo são públicos e podem ser acessados por qualquer cidadão através da Internet.

Quanto à proibição de visitas, informo-lhes que o processo envolve a Promotoria Pública do município do Crato e, segundo o próprio Promotor, “é uma questão de segurança do Parque e das pessoas”. Mas com o envio de documento, ressaltando os objetivos da visita, a autorização pode ser expedida pela gerência do Parque, mediante a viabilização e o acompanhamento por parte da CPMA, sempre no turno da manhã.

As dúvidas podem se tiradas com a Gerência de Unidade de Conservação (88) 8844 5750 e (88) 3102 1288. E as que não forem tiradas em Crato podem ser dirigidas à Sra. Elisabete Romão, Coordenadora Florestal, na SEMACE Fortaleza, à qual está vinculada a Unidade de Conservação Parque Sítio Fundão, pelo telefone (085) 3101-5546.

Um abraço

Wilton Dedê

Correio Musical

Colaboração de Walda Farias


A ARTE DE SER AVÓS


"Netos são como heranças:

Você os ganha sem merecer.

Sem ter feito nada para isso, de repente

lhe caem do céu...É como dizem os Ingleses,

um "Ato de Deus". Sem se passarem as

penas do amor, sem os compromissos do

matrimônio, sem as dores da maternidade.

E não se trata de um filho apenas suposto.

O neto é realmente, o sangue do seu sangue,

filho do filho, mais filho que filho mesmo...



E então um belo dia, sem que lhe fosse

imposta nenhuma das agonias da festação

ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um

bebê. Completamente grátis - nisso é que está

a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela

criancinha da qual você morria de saudades,

símbolos ou penhor daquela mocidade perdida.

Pois aquela criancinha, longe de ser um

estranho, é um filho seu que lhe é devolvido.



E o espanto é que todos lhe reconhecem o

seu direito de amar com extravagância. Ao

contrário, causaria espanto, decepção se você

não o acolhesse imediatamente com todo aquele

amor recalcado que há anos se acumulava,

desdenhando, no seu coração.



São amores novos, profundos e felizes, que

vem ocupar aquele lugar vazio, nostálgico,

deixado pelos arroubos juvenis.

Rachel de Queiroz

URGENTE !

Solicitamos por e-mail, o endereço dos seguintes autores :

Domingos Barroso
Bernardo Melgaço
Vera Barbosa
Bruno Pedrosa
Corujinha Baiana
José do Vale Feitosa, para que possamos fazer a remessa dos livros, via Correios.

Email: sauska_8@hotmail.com ( socorro moreira)
Atenciosamente,

Cariricaturas

Imagens da festa do Cariricaturas - foto by Caio Bonates

O casal Anderson Xenofonte  e Zélia Moreira

Festa do Cariricaturas, no Crato Tênis Clube - Foto do acervo de Francíria Alencar


Divane Cabral, Francíria, Cristina Barreto, Isa Barreto, Vera Batista, Rute  Barreto, Rosineide Esmeraldo, Magali Figueiredo, Joaquim Pinheiro, Dr. Zosé Newton  e Stela Siebra ( a bem sentada !).
De costas,Elsa Barreto,Neide Barreto e Irene Cabral .

Por Aldenir Silvestre !


E FOI FEITO NO CARIRI, BEM NO SUL DO CEARÁ

Ontem mandei um presente
Para o meu primo Edmar
Doce de manga gostoso
Para ele se deliciar
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Foi feito de manga boa
Da manga Itamaracá
De polpa tenra e macia
Pra doce melhor não há
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Esse doce é gostoso
Mas muito trabalho dá
Pra você ter uma idéia
A casca tem que tirar
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Depois de tirada a casca
A polpa tem que raspar
É muita manga meu primo
A gente tem que suar
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Após tirar toda a polpa
Tem que liquidificar
Depois com muito cuidado
Na peneira tem que passar
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Mas faço com alegria
Pois sei que ele dará
Satisfação a meu primo
E a quem dele provar
E foi feito no Cariri
Bem no sul do Ceará

Tenho seis sobrinhos netos
E agora eu vou contar
Uma mora na Paraíba
Dois moram na capitá
As três loiras moram longe
No leste do Canadá
E foram feitos no Cariri
Bem no sul do Ceará

Os repentes da cratense ALDENIR SILVESTRE

MAS SOU MELHOR DO QUE TÚ

Sou branquela ciumenta
Desonesta e leviana
Me chamam pudim de cana
De meiota tomo oitenta
Sou um rabo de jumenta
Fazendo cócegas em tu
Sou muriçoca de Itu
Fedo igual a arroto choco
Sou santinha do pau oco
MAS SOU MELHOR DO QUE TÚ

Sou uma dor de barriga
Com baita d’uma caganeira
Pra limpar só uma maneira
Usando as folhas de urtiga
Sou picada de formiga
Sou o esporão do peru
Ispim de mandacaru
Sou a morte em tempo de guerra
Não valho o que o gato enterra
MAS SOU MELHOR DO QUE TU

Sou água podre do rio
Depois da primeira praga
Sou um inferno de rãs maga
De piolho, peste e frio
Da ulcera sou o arrepio
Das trevas sou o vodu
Da ultima praga tabu
A do primogênito aflito
Sou as dez praga do egito
MAS SOU MELHOR DO QUE TÚ

Eu sei que não sou de nada
Sou ranzinza e ciumenta
Nem minha mãe me aguenta
Sou pistoleira danada
Sou falsa destrambelhada
Boto caroço em angu
Sou briguenta pra xuxu
Interesseira e vadia
Massacro um todo dia
MAS SOU MELHOR DO QUE TÚ

Fedo a urina de jumenta
Numa garrafa com um mês
Da cadeia sou freguês
Mas lá ninguém me agüenta
Sou uma cobra peçonhenta
Azucrinando o belzebu
Sou maga que nem bambu
Roubo idoso na fila
Da criança tomo a bila
MAS SOU MELHOR DO QUE TÚ

(Aldenir)

Puxa conversa nr. 2- por Sônia Lessa Norões


Conversa puxa Conversa (2)

A França, sociedade que se orgulha por ser distinguida como nação de vanguarda das idéias, tem promovido discussões em torno do trabalho de François Jullien, nascido em 1951, especialista sobre a China e a Grécia. No livro “Traité de l’Efficacité” (Tratado da Eficácia, traduzido para o português por Paulo Neves e publicado no Brasl pela Editora 34, em 1998, François Jullien argumenta que a eficácia no Ocidente se opõe em tudo à eficácia na China.

“A primeira procura atingir diretamente, através de uma ação voluntária, um objetivo fixado com antecedência. A segunda avalia a situação e depois a orienta de maneira a que o resultado se produza espontaneamente. A eficácia na China repousa sobre a transformação e a orientação. Fazendo evoluir a relação de força em seu favor, o estrategista chinês dirige as forças com as quais se depara. Ele se apoia sobre a propensão das coisas e se serve daquilo que lhe oferecem as circunstâncias. A guerra e a diplomacia ilustram perfeitamente o pensamento da eficácia na China. O estrategista orienta suas tropas e seus adversários para ganhar a batalha sem precisar combater, como o príncipe dirige seus súditos para que o poder lhe venha naturalmente”.

Em 1995, François Jullien já havia publicado um outro livro, traduzido para o português em 2001 sob o título “Fundar a Moral: diálogo de Mêncio com um filósofo das Luzes”, abordando preocupações de Mêncio, há 23 séculos, com o profissionalismo na administração pública.
Nascido por volta de 371 a.C., quase um século depois de Confúcio, Mêncio — latinização de Mengzi (Meng-tzu) — é considerado o segundo sábio do confucionismo.

Trechos de “Os Quatro Livros”, de Mêncio:

“A compaixão é o princípio da beneficência; a vergonha e o horror do mal são o princípio da justiça; a vontade de recusar para si e ceder ao outro é o princípio da urbanidade; a inclinação a aprovar o bem e a reprovar o mal é o princúipio da sabedoria. Todo homem tem naturalmente esses quatro princípios, como possui os quatro membros (...). Aquele que souber desenvolvê-los plenamente poderá governar o império” (...)

 por Sônia Lessa 

BISAFLOR CONTA HISTÓRIAS

A CUMBUCA DE OURO E OS MARIMBONDOS

Era uma vez dois compadres: um rico e outro pobre, que se davam muito bem, embora vivessem pregando peças um no outro.
Um dia vai o compadre pobre à casa do rico pedir-lhe um pedaço de terra para cultivar. Pensando em pregar uma peça no compadre pobre, o rico lhe mandou fazer a lavoura num pedaço de terra improdutiva, perdida no meio das matas. O pobre chamou a mulher e foram procurar o terreno na mata distante. Chegando lá, avistaram uma cumbuca de ouro. Voltaram na mesma pisada, pois o compadre pobre considerou que aquela riqueza estava na terra do seu compadre rico, e, portanto, era dele por direito. O compadre rico ficou na maior agitação, dispensou o pobre, não queria mais que ele fizesse lavoura na sua terra e foi chamar a mulher para ir buscar a cumbuca de ouro. Providenciou até uma grande mochila para transportar a riqueza que estava lá no meio do mato, esperando por ele.
No entanto, no lugar da cumbuca de ouro, eles encontraram uma grande casa de marimbondos, mas o compadre rico nem se aborreceu e pensou logo em armar uma peça pra cima do seu compadre. Com muito cuidado colocou a casa de marimbondos dentro da mochila e se encaminhou para a casa do compadre pobre. Chegando ao terreiro da casa já foi gritando:
- Ô compadre, feche as portas e janelas, deixe só uma banda de janela aberta.
O pobre nem pestanejou, fechou as portas e janelas da casa, deixando só um lado da janela da sala aberta, que foi por onde o compadre rico jogou a casa de marimbondos, gritando em seguida:
- Agora fecha a janela toda, compadre.
Mas, para alegria do pobre, os marimbondos quando batiam no chão tilintavam, pois iam se transformando em moedas de ouro, que a família logo tratou de juntar.
Do lado de fora, o rico gritava:
- Ô compadre, abra a porta!
E o compadre pobre, agora rico, respondia:
- Posso não, compadre, os marimbondos estão me matando.
Foi assim que o compadre pobre virou também compadre rico, e o compadre rico caiu no ridículo.
E entrou por uma perna de pato e saiu por uma de pinto, quem quiser que conte cinco.

Cadeiras Vazias- por Socorro Moreira

Elas estavam vazias , mas nós os víamos !

Vera Barbosa, Bruno Pedrosa, Armando e Carlos Rafael, Zé Flávio Vieira, José do Vale, Corujinha Baiana,
Marcos Barreto, Rejane Gonçalves, Bernardo Melgaço, Domingos Barroso ,  Ana Cecília e Mariano.

Os demais estavam lá : Dr. José Newton, Claude, Edilma, Roberto Jamcaru, Pachelly, Dimas, Socorro, Liduína, Joaquim, Isabella, João Marni, Assis Lima, Edmar Cordeiro,Carlos , Magali, Emerson, Nicodemos,Stela,Dedê,  Everardo Norões.


Motivos explicáveis, claro !
Sentimentos indizíveis ...!


Todos foram lembrados !

Meu amigo ZEN- Emerson Monteiro !

Ele esteve presente, em todos os nossos passos. Na maioria das vezes puxando a minha mão; noutras , pacificando, sugerindo com sabedoria, e sobretudo , ouvindo com paciência. Conduta  ética e  amiga,.. Só puxou minhas orelhas, nas muitas vezes em  que deixei o celular desligado.Nestas horas , vinha pessoalmente à minha casa para tratar dos assuntos urgentes.
Peço-lhe desculpas pelos contratempos, e  agradeço-lhe por todo empenho!
No dia da festa no CTC , assumiu, voluntariamente, a função de  repórter , exercitando mais um dos seus múltiplos talentos. 
Da  concepção até a materialização de um sonho, Emerson foi a luz que conduziu esse movimento !




Por Socorro Moreira

Correio Musical

Mensagem de Elmano Pinheiro Rodrigues


Fiquei com o coração antenado e vibrando, pensando nesse maravilhoso evento.
Mais do que parabéns, a alegria de ver essa grande força interior, que constrói amizades, planta sonhos, e colhe solidariedade, dando a todos um sentimento belo de existência.
Você, Emersom, e Amigos, deram mostra de competência, e uma luz , no meio dessa escuridão que tão bem conheces.
Socorro,
Dez com louvor!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Coisas da terra

Coisas da terra

Eu falo das coisas da terra
Das plantas e dos bichos simples
A figueira na frente de casa
Os caracóis subindo na parede.

As jabuticabeiras pretas
Os sabiás com o mamão no bico
O bezerro Bito no pasto
Com o dia verde nos dentes.

Falo palavras redondas e úmidas
O café no terreiro ao sol
A água limpa vinda do mato
E a vaca Moela mugindo.

O cavalo cavalga no sonho
Tenho terra nos olhos e na língua
O milharal e os cafezais floridos
E o galo com o sol na garganta.

______

Cantigas de bordar- por Corujinha Baiana



Hoje é Dia da Saudade. “ E por falar em Saudade...”, lembrei-me da minha infância, e com ela, a imagem da minha mãe sentada à máquina de costura. Na sua máquina ela bordava, e nela criava verdadeiras obras de arte.

Mas não só bordava... o mais bonito é que enquanto bordava, cantava ...e quanto mais cantava, mais encantada eu ficava.

E as linhas melódicas das cantigas se mesclavam às linhas multicoloridas dos galhos, folhas e flores dos seus bordados.

Eu, criança, ouvidos e olhos atentos, a escutava extasiada ( vale dizer que ela era afinada, e tinha uma voz muito agradável ).Mas dava para perceber que havia uma certa melancolia naqueles versos, que eu não conseguia compreender muito bem. Mas a mim, isso não importava. Só sei que eu gostava de ficar ali, sentada no batente da sala, escutando a minha mãe, e pronto !

"Nesse mundo não pretendo mais amar, só a ti, só a ti, foi quem amei ...” E no seu pot-pourri melancólico, ela emendava :"Ao viajar pros Mares do Sul, ele partiu dizendo ...”
" Meu bem te espero essa noite no portão, porque sozinhos precisamos conversar ...”

Como eu amava aquelas cantigas ! E é importante frisar ( só mais tarde tomei conhecimento ), que cada letra, segundo ela, estava relacionada a uma história da sua vida e ao seu romance com o meu pai.

Mas, entre todas as músicas que minha mãe cantava, havia uma que tocava profundamente a minha alma de criança sensível que eu era.

" Saudade quem é que não tem ?... ”
................................................................................................................................................................Passado algum tempo, por acaso, escutei no rádio a música que minha mãe cantava ( Hoje eu sei que era uma regravação de “Saudade”,composição de Jayme Redondo,do ano de 1929, na voz de Dalva de Oliveira ).

Durante muitos anos, tentei encontrar essa música para lhe dar de presente, mas sempre em vão. Só hoje, tantos anos passados, pesquisando na Internet, encontrei a música tão procurada. E não só por Dalva de Oliveira ( 1961 ),encontrei também uma gravação anterior, na voz de Paulo Tapajós, de 1950.

E assim, hoje - "Dia da Saudade", lembrando as "Cantigas de Bordar" da minha mãe, me vejo a cantar com “ ELA ”:

" Saudade,
Quem é que não tem ?
Só mesmo alguém,
Que nunca quis bem.”
................................................................................................

( Coisas de Família - "Cantigas de Bordar" - Corujinha Baiana - 30 de janeiro de 2010 - Dia da Saudade )

Crônica de uma festa de casamento- por Ana Cecília S.Bastos



Voltando de Ubajara, precisaria de pelo um dia inteiro só para me acalmar. Não o tendo, escrevo no avião, urgentemente, aflita para dar espaço a tantas palavras. Tudo me deixa à flor da pele, este ser de uma tribo, esta herança índia pela qual sou parte dessas serras, desse recorte verde, lá do interior do mato, e me sinto tão integrada à chuva, à neblina, aos raios e relâmpagos, eu que sou tão alérgica. Este encontrar-me remetida a estar comigo vem de um modo tão veloz, vai tão longe e tão intenso que não consigo conter. Não penso: fico sabendo disso pelo olho, pelo olfato, pela pele, pelo estômago, e ainda pelas cores, dentro e fora, luz e sombra das casas à beira da estrada.
O avião está decolando agora. De um lado, vejo a Fortaleza moderna, com seus edifícios, querendo ser Ipanema. Do outro lado é bruscamente, sem transição, área rural. Prefiro olhar para esse lado de casas, campos, serras e vales, verde e névoa.
O senso térmico me remete ao denso que era crescer no interior, aprender a viver aqui, em tribo, essa colagem tão forte do tribal em nós, da qual é impossível falar, da qual calar é perder sentido.
Não sei se pelo cansaço, mas estou à flor da pele. São as casas à beira da estrada, e eu diante delas sem precisar ser forte, somente desarmada-, com vontade de chorar por tudo. São as casas à beira da estrada, e seu cheiro que é real de tanto que a visão das casas entra em mim tocando o que está lá dentro impregnado.
É o cheiro da cozinha da casa de vovó Sinhá, indescritível, mas impossível de desconhecer. Um cheiro feito de silêncio, de gestos suaves, de passos suaves pela cozinha em direção à sala onde eu lia, na cadeira de balanço. Ou onde talvez me escondesse atrás do livro fugindo do sentimento tão intenso e desconhecido da vida contida em apenas estar ali, amando o silêncio, sons e o cheiro da cozinha. O cheiro que vinha do fogão a lenha - torresmo, um vago chá de eucalipto ou sabugueiro, feijão de corda novinho cozinhando em panela de barro, a figueira no quintal, o fumo de rolo que vovó mascava escondido, podendo ser frágil, a gente podendo ver e saber disso. Esse olhar de avó que é lembrança tão doce, e eu queria saber chorar de saudade.
Esse lugar e tempo amo, a paz daquela esquina e o café feito bem fraquinho e com bastante açúcar para que a gente pudesse tomar, e o bom não era nem o café, mas poder estar sentados em volta da mesa, escolhendo qualquer cadeira, escolhendo copo e colher ("de ouro" o alumínio amarelo, melhor ouro não havia). E conversar, e bastar pedir algo e ser sempre acolhido de alguma forma, naquela casa de poucos e sempre os mesmos objetos, que do mesmo modo estão ainda arrumados, em alguns armários e na memória.
Bolinhas de homeopatia, guardadas no armário de copos, que podia ser aberto sem medo, porque o andar discreto era de ser suave e delicado, e não suspeitoso ou vigilante. E mesmo vovô, que quebrava o silêncio quando vinha toc toc com suas muletas, se era bravo (contam que no dia seguinte ao casamento ele vendeu o violão de vovó, que tocava e cantava lindamente), jamais o era conosco. Podia se divertir infinitamente nos contando "causos" de almanaque ou nos deixando ficar perto da janela escutando com ele as notícias da cidade que seu amigo Pedro Maia trazia.
E as palavras se distraem e migram na frase, invertidas na lembrança que teimosa vem pela pele, pelos cheiros.
Fazia em cima da serra do Araripe. Engraçado perceber que era natural sentir frio e ficar com frio, como também sentir fome de coisas especiais. Não era "injusto", pois era assim com todos, e o certo era ser forte, não ligar, não criar problemas.
Se não chovesse - quando mãinha, movida pelo próprio medo de temporais, deixava os menores e fazia uma blitz em todas as camas -, a gente sempre se virava. Eu tinha 7, 8 anos e não sabia dormir em rede como os primos. Pedia a minha prima para me cobrir e ela ficava fingindo não entender ("de graças.."?) até que eu encontrasse um sinônimo em relação ao qual ela não pudesse mais fazer trocadilhos ou se cansasse da pirraça e viesse me ajudar com aquela tão terrível dificuldade. Aliás, eu não gostava de adormecer. Um certo medo da noite, que não era de chuva nem de trovões, mas da noite em si, com tudo que povoasse o silêncio ou a escuridão. Até hoje não consigo mesmo dormir se não me distrair com alguma outra coisa de modo a não perceber a noite em si. Às vezes íamos para as camas dos irmãos, ou trazíamos para a própria cama os nossos bichos, fugindo à vigilância - pois não era para gatos e cachorros dormirem dentro de casa. Lembro também da gente “roubando” os bichos das camas uns dos outros.
Isto de ser irmãos me faz chorar. Estou ficando "dismilingüida", quem vai agüentar?
Minha mãe me conta um curativo que fez na farmácia quando machucou o braço e que, em seu modo de ver e de minha tia, precisou de uma limpeza radical, brutal. Meu estômago fica embrulhado, tenho náuseas, não suporto essa simples descrição. Não suporto muita coisa, e se eu deixar qualquer bobagem me atinge.
Lembro quando este homem agora casado, Emanuel , era pequeno, eu já na universidade, e ele leva um corte fundo acima do olho, sangue que não acaba mais, eu só em casa de pessoa adulta, e vou levá-lo ao Pronto Socorro, que ficava pertinho. Ele era todo confiante em mim, cooperativo, fica no meu colo sem chorar, aceita que eu o conforte e segure sua mão enquanto o médico limpa o corte e injeta o anestésico. Já eu estou me sentindo morrer, fugindo todo o sangue e tremendo, e no momento exato em que o médico vai dar o primeiro dos seis pontos nossa mãe por sorte chega e eu desmaio, morta de vergonha. Na família de minha mãe as mulheres são todas poderosas, essas mulheres fortes com quem aprendi a viver, e que enfrentam qualquer parada com eficiência máxima e sem nenhuma falha. Menos eu, que sou lenta, esquisitona, meio incompreensível.
O frio da serra em Ubajara, o cheiro dos eucaliptos, os tão variados cantos dos tantos pássaros no Parque. Estou novamente na infância, cheiros e sons, e viajava por perto do Crato, algum sítio na serra ou por ali, e era frio, e as crianças vinham meio enrodilhadas umas nas outras em cima da caminhonete do tio, e nós em cima de uma lona, e o carro cheirando a ração de gado ou a algo que não sei o que era, mas era bom. E nós irmãos, juntos porque era frio, e Beto, meu irmão tão querido, que inventava estórias e descobria coisas para cantar falando da noite estrelada do Brasil (ele adorava, e eu também, uma que começava dizendo “quisera eu ser um grande poeta...”). E era mesmo uma ‘viagem’ deitar no desconforto e no frio e olhar as estrelas, chegaríamos ao décimo mundo se este houvesse. E não sei se vi jamais algo tão belo quanto aquele céu estrelado sob o qual flutuávamos no alto da serra, tão perto de nós, tão claro, tão perto das estrelas e de seus nomes, que meu pai nos contava nas noites suaves sem luz elétrica. As lembranças de Beto são iguais às minhas, em cheiro, cor, gênero, número e grau.
E nós irmãos que temos a felicidade - em meio a muitas outras felicidades, sem dúvida, são tantas boas lembranças, e eu não queria ter tido uma infância diferente - mas a de poder chorar pelas mesmas coisas, como diz meu irmão Luís Sávio.

Corujinha Baiana - release !





“Corujinha Baiana” é Professora com ampla experiência no Magistério de 1º, 2º e 3º Graus, Cursinho pré-vestibular e ensino de Língua Portuguesa para Estrangeiros.
Amante do aprendizado de idiomas, do conhecimento de outras culturas e das artes em geral, promoveu e coordenou uma Oficina de Teatro para alunos do Ensino Médio, com a apresentação de várias peças sob sua direção.
Gosta de escrever textos que exaltam a sua terra natal, paródias, poemas e crônicas, algumas familiares, que são reminiscências da infância, e que fazem parte de uma coletânea denominada “ Coisas de Família ”.
Textos aqui apresentados :
Crônicas familiares :
- Minha Tia Dora, a Iara do Rio Jaguaripe
- Cantigas de Bordar – Saudades
Poesias:
- Versos Baianos Sem a Letra “O”
- Indizível

Sobre o livro de todos nós - por José Flávio Vieira

“Parece que tudo passa para que recomece
Desde o princípio, como se fosse novo, ou se observe
sem levar em conta algo ao espírito que já existiu
e tampouco aquilo que virá , infindável.”
....................................................................
“Seremos capazes de devolver ao espírito cada centelha,
Se agora testemunharmos que tudo vive:
o passado dentro do futuro, a sabedoria na loucura,
o conhecimento nas trevas,
e tudo aquilo que na vida é rubro, vermelho-escuro,
branco raiado de paixão, jamais se acinzente”
Miodrag Pávlovitch ( “Tudo Vive”)


À Guisa de Caricatura

Este livro é o diário de bordo de muitas viagens. Reunem-se nele os espólios de guerra de vários sobreviventes. Vencedores /vencidos da peste negra do tempo, do aríete dos anos, do curare paralisante do cotidiano. Como o poeta já nos havia alertado: “Tudo que respira / conspira”. Partimos lépidos, sem sequer perceber que a vida, como a terra, é esférica. Caminhos díspares, eis que nos encontramos todos, algo fatigados, na mesma encruzilhada. Vimo-nos Sífisos, fitando-nos surpresos, na certeza que tudo passou exatamente para que tudo recomeçasse. Como se todos fôssemos palavras de uma mesma oração, peças de um mesmo tabuleiro, planetas aparentemente dispersos no éter, mas presos, ainda que imperceptivelmente, por uma mesma força gravitacional misteriosa. Assim, como contas de um mesmo colar, estes contos/crônicas/poemas/ensaios têm um fino fio que os une. No fundo são capítulos de uma mesma história. Como Scheherazade, pomo-nos a narrar nossas “1001 Noites”, na inglória tentativa de aplacarmos a tara do Grão-Vizir do tempo. O leitor desavisado ao mergulhar nestas páginas não sairá incólume. Instigado pela tênue centelha, quem sabe descobrirá que o futuro gesta no ventre do passado e que a sabedoria é apenas a loucura que tirou férias? Esta é nossa tentativa em levar o rubro da paixão à aquarela da vida. Ela que teima em esmaecer frente aos raios do sol que, se ironicamente de um lado lhe dão brilho incandescente, do outro lhe sugam as cores e matizes.
J. Flávio Vieira
Crato, 21/05/10




Vera Barbosa - Release- Encarte virtual

Vera Barbosa


Essa moça não caiu de pára-quedas no Cairicaturas. Chegou pelas mãos seguras de uma amizade que já está completando uma década. A partir do primeiro contato, as afinidades foram aflorando, e tecendo uma teia de afeto indestrutível. Daí a tornar-se uma das nossas colaboradoras foi inevitável. Quando pensamos nessa coletânea, fizemos-lhe um convite formal e informal, prontamente aceitos.

Jornalista (desde 1997) com amplo domínio da Língua Portuguesa e sólida formação cultural, tem experiência em sala de aula convencional e também em oficinas de Literatura e Produção Textual de Projetos Sociais. Utiliza linguagem concisa e acessível ao público jovem. Acredita na arte como forma de expressão e interação social dos menos favorecidos. Utiliza a música como importante recurso de ensino e sociabilizarão, por meio de letras que retratam a realidade brasileira e as relações sociais.

Atualmente, atua como Educadora no IOS - Instituto da Oportunidade Social, que encaminha jovens de famílias de baixa renda ao mercado de trabalho, ministrando aulas de Comunicação e Expressão.

Colabora com diversos sites, escrevendo artigos sobre Música Popular Brasileira. Nos intervalos escreve poemas e crônicas, encostando a sua alma na parede, e revelando a sua misteriosa beleza.

Vera Barbosa você é da Tribo Cariri por escolha das nossas sensibilidades!



 Por Socorro Moreira



* Vera,


Infelizmente  a distância foi distância, e faltou-nos a sua presença. Em qualquer tempo, a gente te espera !
Estaremos enviando a quota em livros que lhe é devida.

Abraços  do Cariricaturas.

Leis de Incentivo à cultura - Colaboração de Vera Lúcia Maia

Código de Ética
Lei Rouanet - Lei 8.313, de 23/12/1.991Leis com incentivos à cultura. 
LEI ROUANET (Lei Federal 8.313) - Esta lei federal foi assinada em 1991 e permite às empresas patrocinadoras um abatimento de até 4% no imposto de renda, desde que já disponha de 20% do total já pleiteado. Para ser enquadrado na lei, o projeto precisa passar pela aprovação do Ministério da Cultura, sendo apresentado à Coordenação Geral do Mecenato e Aprovado pela comissão Nacional de Incentivo à Cultura. Informações sobre lei pelo fone Oxx6l -321 7994.
LEI DO AUDIOVISUAL (Lei Federal 8685) - Esta lei federal modificada pela MP 1515 permite desconto fiscal para quem comprar cotas de filmes em produção. O limite de desconto é de 3% para pessoas jurídicas e de 5% para pessoas físicas, sobre o imposto de Renda.Em Brasília -informações pelo fone OXX61-2266299
.LEI DE INCENTIVO À CULTURAL - LINC (Lei Estadual 8819) - Esta lei está em vigor desde julho de 1996.A LINC cria o programa estadual de incentivo à cultura e institui o Conselho de Desenvolvimento Cultural, responsável pela análise dos projetos. Informações na Secretaria de Estado da Cultura, na Rua Mauá 51, 30 andar, sala 310.
LEI MENDONCA ( Lei Municipal 10923) - Em vigor desde 1991. Permite que o contribuinte do IPRJ e ISS abata até 70% do valor do patrocínio desses impostos.

Enviadas por Joaquim Pinheiro

Mais imagens da festa do Cariricaturas - enviadas por Joaquim Pinheiro

Imagens da festa, enviadas por Joaquim Pinheiro


Hibernação - Claude Bloc

Tive que hibernar por dois dias... A gente pensa às vezes que o tempo não conta, mas ser da geração dos anos 60 implica em muito cansaço, quando a gente se envolve num empreendimento de tal monta (festa do Lançamento do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa”) e a emoção em demasia traz a exaustão.

Senti-me assim, no último fôlego. Meu trabalho foi silencioso refletindo em cada gesto a forma como me posto quando me envolvo em qualquer projeto. Buscando a proximidade com a perfeição, mesmo sabendo da fragilidade humana que há em mim e também das possibilidades de erro que podem surgir aqui e ali.

A luta pela realização desse momento foi um parto prolongado. Doloroso? nem tanto, pois as alegrias compensaram qualquer fadiga e também os percalços da ansiedade... Foram muitos encontros com Edilma, muitas articulações com Socorro e muita idéia para por em prática. E também muitos acertos com Emerson.

Creio que, dessa batalha toda, o lucro em termos de alegria e satisfação foi acima do imaginado, pois nem sempre é possível embarcar no sonho das outras pessoas e muitos embarcaram nesse nosso sonho que se revelou no momento em que se pôde concretizar através da escrita impressa aquilo que voava pelo Blog de forma virtual. Houve muito corre-corre, alguns acertos inesperados de última hora, tudo o que sempre acontece em todos os eventos, mas saímos ilesos.

Enfim, ânimos em polvorosa, estresse, cabeças a mil, corpos cansados, mente feliz. A festa aconteceu linda como um sonho. Clima bom do nosso Crato antigo com a bravura desses que compuseram o elenco de autores do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa” e da tribo Cariri presente e participante.

As presenças de Dr. José Newton Alves de Sousa e de Dona Rute certamente, se constituíram no brilho maior da festa, onde distribuíram doçura e bom humor . Para mim não podia haver honra maior.

E cá estou, ainda moída com tanta emoção. Cansada ainda, mas feliz.

Imagem da festa do Cariricaturas, recebida por e-mail

Finalmente, uma imagem da pequena Isabella Pinheiro, uma das escritoras do " Cariricaturas em verso e prosa",
em companhia  de Camila Moreira, neta de Zélia.

O Purgatório

Poesia
não combina
com trabalho:

escritório,
sala de aula,
vendas.

Mas devo pagar a pensão do filho
e comprar cadernos para os versos.

Então trabalho:
descontente,
amuado,
dolorido.

Para Sônia Lessa