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"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Ao mestre Dominguinhos - Por Marcos Barreto de Melo



CORAÇÃO ESTRADEIRO (ao Mestre Dominguinhos)


nesse cavalo de aço
sem arreio, sem espora
levo um sorriso, um abraço
viajando mundo a fora
sou andante sanfoneiro
nasci pra tocar baião

meu coração estradeiro
tá sempre alegre, feliz
vivo cantando o amor
e a vida da minha gente
andando sem paradeiro
por este imenso país

caminhoneiro disfarçado
enfrento qualquer estrada
na seca ou na invernada
sigo o roteiro traçado
dias e dias sem lar
só pra meu povo cantar

trago no peito a sanfona
que num acorde dolente
faz renascer a saudade
da terra pura e pungente
ou de uma antiga paixão
que ficou lá no sertão

rodando, cortando chão
na poeira do sertão
ou numa grande cidade
vou cumprindo a missão
sem esquecer a lição
com a mesma simplicidade

cada fronteira cruzada
é uma etapa vencida
é mais um passo na vida
mas, é também despedida
uma saudade incontida
de quem ficou na estrada



Marcos Barreto de Melo

Um comentário:

Aloísio disse...

Marcos,
Este poema, em homenagem ao Grande Mestre Dominguinhos, você me mostrou e sei que foi feito antes da exibição do filme "O Milagre de Santa Luzia" se fosse utilizado como roteiro do filme não faria nenhuma diferença, está tudo dito aí nos teus versos. Abraços