Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS
FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS
Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................claude_bloc@hotmail.com
domingo, 28 de novembro de 2010
A brejeira Carol Moreira -Uma portuguesa, cratense com certeza !
Espanto-me, quando veja uma menina crescer longe da gente e tornar-se mulher, de repente.
Filha da minha irmã Teresa , reside em Lisboa há 6 anos.
Mas os afins por sangue ou poesia nunca serão estranhos, mesmo que nunca mais se avistem.
O finalzinho do dia
Todos os dias visito Dona Valda, e saio da sua vida com mais uma história pitoresca.
Hoje ele me falava da Rua Santos Dumont, no começo da década de 40 ( A Rua Formosa), quando lhe contei que acabara de tomar um suco de mangaba , na casa de Virgínia ( caminho de Nova Olinda).
Naquela rua acontecia a feira das frutas, e encerrava-se um pouco antes das 14 h, quando partia o trem, que fazia a linha Crato x Paraíba.
O Crato exportava frutas, notadamente a mangaba, hoje tão rara.
Por que o tempo nos roubou um cheiro tão doce ?
Disse-me :
"Minha avó tinha um pote de água fria e dormida , no pé da janela,para matar a sede dos feirantes".
Senti o astral de uma época , quando o sorriso acontecia entre todos ( conhecidos e forasteiros).
Tempos em que o tempo corria manso, mesmo pra quem tinha que pegar o trem.
Mas a paz sempre foi ameaçada pela guerra...
Melhor ficar com a luz deste restinho de domingo, e pedir a Deus que a violência torne-se frágil , e seja pescada e vencida pelo amor empático .
Acho que vou para o Circo. Quem me acompanha ?
De David para Dona Maria Olga
Há aproximadamente 12 anos, com a perda de meu avô (Candido Figueiredo), um amigo-irmão de meu Pai, Dr. Jose Flavio, conseguiu sintetizar em poucas palavras a sua vida. E em todos estes anos nós choramos a beleza desses versos, mesmo sem saber que hoje notaríamos neles algo a mais: a presença sombreada, porém muito forte e determinante de vovó em todas as estrofes, assim como em todas as fases da vida de vovô.
Ao pedir ao meu Pai que me lembrasse da seqüência dos versos que abraçam a lápide de meu Avô, para que eles me inspirassem a escrever algo sobre a minha avó, foi impossível não associá-lo ao jargão: "Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher."
Sendo assim, depois de confirmar a presença dela na vida dele, e a ausência dela nas nossas, percebi como ambos marcaram a todos com amor, e ouso fazer os meus acréscimos às palavras que tão bem descreveram a vida dos meus avós, aos quais deverei eternamente a criação do meu pai e, consequentemente, a minha própria e dos meus irmãos.
I-Como uma árvore, vivi as quatro estações...
Como meu avô poderia ter suportado viver as quatro estações sem a presença de sua mulher?
O que faria nas estações dos amantes (primavera) sem sua amada?
E quem, senão sua companheira, lhe confortaria no inverno da alma, onde lençóis e cobertas de nada adiantam? E que também lhe abrandou os verões...
Nenhuma duvida me restou de que foi minha Avó que o ajudou a viver as estações da sua breve existência.
II- Como um pássaro, subi píncaros e desci ao chão...
Meu Deus... Foram tantos os vôos, e tão doloridas as quedas.
Vejo o quanto forte foi a minha avó que tantas vezes deu a força necessária para que ele feliz fosse nas mais altas nuvens, sem nunca deixa-lo cair. NUNCA!
III- Como um rio, fluí manso e aos borbotões...
Ainda não sei como conseguiram fluir mansamente depois de terem vivido extremos, e com oito filhos. Hoje acredito ter sido a minha avó, como porto seguro, que agregou a família, e todos a confortaram com fé e resignação.
IV- O inventário dos sonhos, meu riso em seus corações.
Aqui faço um adendo à herança mais cobiçada do mundo, colocando nela também os nossos sorrisos.
Obrigado, Vovó! Que Deus a receba como a uma filha muito querida.
O neto David.
PARABÉNS FÁTIMA!
Os anjos hoje confabularam. Trouxeram pra dentro de nossas emoções e de nossas saudades dois anjos lindos de olhos claros...
Fátima é a alegria personificada. Cativante, ela nos oferece sua casa e nos encanta. Sorri quando percebe nosso deslumbramento no momento em que nos sentamos no colo da chapada.
A brisa passa devagarinho e se banha nas águas azuis da piscina. Lá encontra os sorrisos dos visitantes e na sombra, as delícias que oferece com um cuidado generoso...
Menina doce, acolhe e cuida dos/das amigos/as e ganha nosso bem querer...
Parabéns Fátima!
Que Deus te dê sempre esta alegria que nos entrega sem reservas.
Saúde e Paz!
Abraço amigo.
Claude
Parabéns Abidoral ! A você nossa amizade!
Um dia Bida me falou: "não sei como esse povo me aguenta". Referia-se ao casal J. Flavio e Fabiana ao sair de uma pequena reunião, na noite de S. João de 2010. Perguntei-lhe: "Por que você diz isso?" Ele repondeu "porque me acho chato"... Na mesma hora eu retruquei: Nada a ver!
E falei com toda força da alma... Para mim e para todos os seus amigos Bida é um anjo. Uma pessoa ligada à vida e à natureza. Uma pessoa que está ligada às coisas de sua terra com garra, sensibilidade e espírito aguçado... Um anjo deveras! Alguém que se faz admirar pela simplicidade, desvelo e abnegação. Alguém que se faz querido e aplaudido pelos amigos de verdade e admiradores do seu trabalho.
Parabéns Bida!
O Bloc Boris te abraçam com amizade e afeto.
Claude
O rádio - Por José de Arimatéa dos Santos
Gosto de escutar rádio principalmente o AM, mas não tenho nenhum preconceito a respeito do rádio FM. A grande magia do rádio é a imaginação. Quantas vezes as ouvintes não se pegam imaginanado como é fisicamente o locutor. Tem até aquela história da ouvinte de rádio que queria por que queria conhecer determinado locutor. Ao conhecê-lo se decepcionou. A pouca beleza do locutor a deixou um pouco desapontada. Ela achava que o locutor seria bonito fisicamente da mesma maneira da voz dele. Tem também a beleza de ouvirmos um jogo de futebol pelo rádio. Eu particularmente acho incrível a rapidez no raciocínio e no vocabulário dos narradores de futebol. Sem falar no estilo de cada um. A narração futebolística através do rádio é totalmente revolucionária, pois cada profissional tem uma maneira bem peculiar de narrar o que acontece nas quatro linhas de um campo de futebol. Não é aquela narração muitas das vezes tão igual e sem novidades da maioria dos narradores de tv.Lembro que na minha infância depois de ir a escola e ter brincado bastante se deleitava em ficar observando o trabalho dos locutores do serviço de som do Círculo Operário São José, em Barbalha(Ce). Serviço de som funcionava na parte de baixo do hoje prédio da Caixa Econômica. Embrião de vários locutores barbalhenses e do rádio caririense. Credito a qualidade musical da programação desse serviço de som ao que gosto de ouvir. Tocava-se dos Beatles a Luiz Gonzaga, passando pela Jovem Guarda e a música dos artistas cearenses. Tocava-se também Chico Buarque, Caetano, Gil,...
O rádio com o advento da internet só tem a crescer mais. Pena que hoje em dia a qualidade das músicas tocadas são de uma pobreza extrema. A música regional quase não se toca e os artistas locais são relegados ao último plano. A cultura de cada região necessita ser valoriazada. Pois assim podemos escutar o sotaque tão característico de cada região desse imenso Brasil. O rádio nos acompanha em todo lugar. Essa é a vantagem dessa mídia em que podemos trabalhar ou se divertir tranquilamente e ele está do lado. Além da diversão o rádio informa primeiro. Ao vivo podemos escutar os últimos acontecimentos na cidade ou no mundo. Enfim, o rádio é o verdadeiro companheiro nosso de todo dia.
O rádio com o advento da internet só tem a crescer mais. Pena que hoje em dia a qualidade das músicas tocadas são de uma pobreza extrema. A música regional quase não se toca e os artistas locais são relegados ao último plano. A cultura de cada região necessita ser valoriazada. Pois assim podemos escutar o sotaque tão característico de cada região desse imenso Brasil. O rádio nos acompanha em todo lugar. Essa é a vantagem dessa mídia em que podemos trabalhar ou se divertir tranquilamente e ele está do lado. Além da diversão o rádio informa primeiro. Ao vivo podemos escutar os últimos acontecimentos na cidade ou no mundo. Enfim, o rádio é o verdadeiro companheiro nosso de todo dia.
Fábulas de Natal (1)

A HORA DO MENINO
Quando o menino quebrar a pedra
Dizendo uma oração sobre os ossos brancos
E gritar para a estrela da manhã: É a hora!
As águas despencarão da cachoeira do tempo
E inundarão os caminhos do homem.
As abelhas descerão do céu.
Os pássaros descerão do céu.
Enxames de anjos rasgarão as cortinas azuis.
Pode baixar a luz!
A virgem lavará a manhã com o sangue do menino.
O menino soltará fogo da boca.
A mulher canta o poema do abismo como um acalanto.
O quarto brilha, saem chamas do quarto.
O menino saiu das coxas da mulher
Para levar o sangue ao mundo.
A NOITE DO MILAGRE
A noite sobre o mar e os barcos dos pescadores,
Com o silêncio pairando como um pássaro morto.
Um cavalo em chamas galopava na montanha,
As árvores voavam para o céu com suas asas de anjo.
À borda do poço ouço o sermão do expatriado.
O galo vermelho se contorce, louco.
A gaivota voa negra sobre as ondas, a gaivota cega.
A égua se imobiliza de cascos erguidos, em vigília.
Estamos à espera do milagre.
A adormecida flutua com a casa em trevas.
Componho a face estranha no espelho.
Semeio flores azuis entre as espumas do mar.
O pescador mostra-me as chagas.
Esta é a noite da fé, a noite do milagre.
Toma o peixe e parte.
__________
Em 2007 fiz doze ou treze poemas de Natal. Várias fábulas de esperança. Vou postar aqui, aos poucos, neste Advento, esta minha preparação e espera pelo Menino.
_________
Ao Mestre Dominguinhos - Por Marcos Barreto de Melo

CORAÇÃO ESTRADEIRO
nesse cavalo de aço
sem arreio, sem espora
levo um sorriso, um abraço
viajando mundo a fora
sou andante sanfoneiro
nasci pra tocar baião
meu coração estradeiro
tá sempre alegre, feliz
vivo cantando o amor
e a vida da minha gente
andando sem paradeiro
por este imenso país
caminhoneiro disfarçado
enfrento qualquer estrada
na seca ou na invernada
sigo o roteiro traçado
dias e dias sem lar
só pra meu povo cantar
trago no peito a sanfona
que num acorde dolente
faz renascer a saudade
da terra pura e pungente
ou de uma antiga paixão
que ficou lá no sertão
rodando, cortando chão
na poeira do sertão
ou numa grande cidade
vou cumprindo a missão
sem esquecer a lição
com a mesma simplicidade
cada fronteira cruzada
é uma etapa vencida
é mais um passo na vida
mas, é também despedida
uma saudade incontida
de quem ficou na estrada
sem arreio, sem espora
levo um sorriso, um abraço
viajando mundo a fora
sou andante sanfoneiro
nasci pra tocar baião
meu coração estradeiro
tá sempre alegre, feliz
vivo cantando o amor
e a vida da minha gente
andando sem paradeiro
por este imenso país
caminhoneiro disfarçado
enfrento qualquer estrada
na seca ou na invernada
sigo o roteiro traçado
dias e dias sem lar
só pra meu povo cantar
trago no peito a sanfona
que num acorde dolente
faz renascer a saudade
da terra pura e pungente
ou de uma antiga paixão
que ficou lá no sertão
rodando, cortando chão
na poeira do sertão
ou numa grande cidade
vou cumprindo a missão
sem esquecer a lição
com a mesma simplicidade
cada fronteira cruzada
é uma etapa vencida
é mais um passo na vida
mas, é também despedida
uma saudade incontida
de quem ficou na estrada
Bida, querido !
Vontade de ser melodia
Ser canto de riacho
Vento suave
Unidade natureza
Fraternidade e beleza !
socorro moreira
foto de Emerson MonteiroDes(apego)- Por Socorro Moreira
Pego o coração e arranco do peito
Encontro meu eixo
Deleto o cheiro
Escureço o sol que me iluminou
Depois de algum tempo ...
O coração não saiu do canto
Multiplicou-se, e viaja nas estrelas
Meu eixo é meu anjo
Os cheiros instigam as lembranças
Amoreno-me no sol da poesia
Apeguei-me ao eterno inofensivo
Amo!
Amo!
socorro moreira

Aniversário de Abidoral, Parabéns, meu caro!!
Nosso querido amigo chegou ao planeta neste dia,
há alguns anos... quantos? não sei, não importa. Hoje é um
bom dia para comemorar sua presença entre nós. Bida é
uma pessoa especial, que tem grande talento, dono de
centenas de músicas prenhes de originalidade e beleza.
Sou grato por tudo que aprendi com você!
Desejo-lhe Saúde, Paz e felicidade!!
Parabéns, Fátima ! - Por Socorro Moreira
Fátima é uma Anja disfarçada, na pele humana.
Estuda incansavelmente
Recebe incansavelmente
Reza incansavelmente
Aprendo com aquela mulher de olhos azuis
Que o belo é sempre belo
e que ele está por perto
No seu coração,
as flores do seu jardim
a beleza da nossa Chapada
e das nossas águas,
e um Deus do amor,
que lhe deixa assim .
Feliz aniversário, menina !
Hoje tem espetáculo !
A chegada do circo numa cidade do interior, ainda causa "frisson" em adultos e crianças. Foi armado no Parque de Exposição, e a gente tá querendo levar os netos.
Falo por todos os avós !
Érico Veríssimo
Érico Lopes Veríssimo (Cruz Alta, 17 de dezembro de 1905 — Porto Alegre, 28 de novembro de 1975) foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX.
A passagem do poeta DOMINGOS BARROSO por nossa terrinha
(na casa de João Marni - um brinde à vida!)
Encontros sucessivos
Lembranças atiçadas
A saudade foi dispensada
E as boas lembranças ficaram.
Ele é verso compulsivo
Olhar direto, sensível...
Faz a ligação da palavra com a beleza
Beleza imaginária que se concretiza.
Abraço amigo, e breve retorno!
Socorro Moreira
Encontros sucessivos
Lembranças atiçadas
A saudade foi dispensada
E as boas lembranças ficaram.
Ele é verso compulsivo
Olhar direto, sensível...
Faz a ligação da palavra com a beleza
Beleza imaginária que se concretiza.
Abraço amigo, e breve retorno!
Socorro Moreira
A POESIA DE "SEMPRESOL"-
Quando o morro era poesia
Inspiração de um trovador,
Nas noites de boemias
No ritmo de um condutor,
Quando a luz dos postes se via
Alguns encontros casuais
Uma roda de samba se ouvia
Nos acordes plurais.
Enquanto o morro dormia
Ao som de versos de amor
Entre copos e fantasias
O poeta e o compositor,
Embalados de nostalgia
Rimando as dores carnais
Um samba a mais se elegia
No enredo dos carnavais.
O que hoje se ouve profana
Ouvidos dos timbaleiros,
O som que agora emana
São ecos de tiroteios,
O fogo que arde em chama
No morro e nos canteiros,
Enquanto o povo reclama
No giro do mundo inteiro.
Porque o Rio de janeiro
Não é dos bandoleiros
É do poeta, do trovador,
Do sambista do sonhador
É o cartão postal brasileiro,
Do Brasil é o porteiro,
Salvem esse padroeiro
Salve, salve Rio de Janeiro!
Sempresol
sábado, 27 de novembro de 2010
Idolatria primária - Emerson Monteiro
Tanto que se dá valor a coisas irrelevantes nesta vida que ao encontrar aquilo que na verdade pede atenção ficam as pessoas meio desconfiadas, achando que esqueceram o que de importante haveria e é essencial para levar aos bolsos e dotar a vida. São os efeitos colaterais da distração impostos pelos instrumentos modernos, vícios inconvenientes da ilusão.
A realidade mesma, a que merece respeito e ocupação dos sentidos, quantas vezes deixamos de lado, o amor aos filhos, aos pais, ao marido, à mulher, ao próximo, que se tornaram assuntos vulgares, matéria das novelas sucessivas da televisão, reino vasto das emoções enlatadas...
Para onde dirigir a visão, o indivíduo cumpre determinações do mercado de consumo, até em termos de crença, que, para muitos, raia campos de mera credulidade, preenchimento das fichas do invisível a preço do imediatismo.
No entanto a fome de justiça e a fé continuam rasgando as entranhas dos tempos e dos costumes. Aceitar o desconhecido precisa de consciência, pois a dureza do solo cotidiano assim exige. Essa atitude conformista de engolir as pílulas douradas do esquecimento da realidade jamais satisfará o desejo de equilíbrio que nasce com a gente e sobreviverá para sempre nos demais.
Preencher o vazio apenas com farrapos desnecessários anestesia durante algum tempo, contudo a cólica volta mais forte na sensação de inutilidade e perda de mínimas condições de amor. Disso anda cheio o mundo, homens impacientes, angustiados e agressivos, sem responder ao para que viessem e sumiram longe na próxima curva, fora de ao menos oferecer outros meios e exemplos aos que os aguardaram, na solução dos dramas existenciais elementares.
Nesse apetite agoniado de música nova os dentes mastigaram fel de pedra e poeira, disparos sem qualquer nexo revolucionário a não ser a intenção de ferir os céus da boca das feras inexistentes da droga, no padrão oficial da vontade.
Correm pelas ruas ventos de medo na forma dos ídolos vagos de quaisquer significados. Gente complexa, desavisada no estágio das consequências do que querem, e fazem lama onde antes havia ar puro, água limpa e esperança. Isso constrange, revira de dentro as barrigas famintas de outros sonhos que não fossem tão só de desespero e temor.
Os tais batalhões de gente agressiva pelo simples gesto de ferir, vingar o que ninguém sabe quando, embalados na ira dos atores no palco gigantesco das florestas das cidades artificiais produzem massas, batatas estragadas e luas cinzentas, que ainda brilham no espaço desses turnos assustados.
Silenciosas, gerações inteiras fixam os olhos nas imagens de terras estranhas, senhores de cicatrizes e tatuagens escuras, vestes andrajosas, garras afiadas, numa praia deserta e maré de esperas insistentes. Só.
As carcaças de barcos antigos projetam suas sombras no pôr do sol envoltas nas águas verdes que estiram os dedos às várias outras estações perdidas nas praias dos mundos enigmáticos.
A realidade mesma, a que merece respeito e ocupação dos sentidos, quantas vezes deixamos de lado, o amor aos filhos, aos pais, ao marido, à mulher, ao próximo, que se tornaram assuntos vulgares, matéria das novelas sucessivas da televisão, reino vasto das emoções enlatadas...
Para onde dirigir a visão, o indivíduo cumpre determinações do mercado de consumo, até em termos de crença, que, para muitos, raia campos de mera credulidade, preenchimento das fichas do invisível a preço do imediatismo.
No entanto a fome de justiça e a fé continuam rasgando as entranhas dos tempos e dos costumes. Aceitar o desconhecido precisa de consciência, pois a dureza do solo cotidiano assim exige. Essa atitude conformista de engolir as pílulas douradas do esquecimento da realidade jamais satisfará o desejo de equilíbrio que nasce com a gente e sobreviverá para sempre nos demais.
Preencher o vazio apenas com farrapos desnecessários anestesia durante algum tempo, contudo a cólica volta mais forte na sensação de inutilidade e perda de mínimas condições de amor. Disso anda cheio o mundo, homens impacientes, angustiados e agressivos, sem responder ao para que viessem e sumiram longe na próxima curva, fora de ao menos oferecer outros meios e exemplos aos que os aguardaram, na solução dos dramas existenciais elementares.
Nesse apetite agoniado de música nova os dentes mastigaram fel de pedra e poeira, disparos sem qualquer nexo revolucionário a não ser a intenção de ferir os céus da boca das feras inexistentes da droga, no padrão oficial da vontade.
Correm pelas ruas ventos de medo na forma dos ídolos vagos de quaisquer significados. Gente complexa, desavisada no estágio das consequências do que querem, e fazem lama onde antes havia ar puro, água limpa e esperança. Isso constrange, revira de dentro as barrigas famintas de outros sonhos que não fossem tão só de desespero e temor.
Os tais batalhões de gente agressiva pelo simples gesto de ferir, vingar o que ninguém sabe quando, embalados na ira dos atores no palco gigantesco das florestas das cidades artificiais produzem massas, batatas estragadas e luas cinzentas, que ainda brilham no espaço desses turnos assustados.
Silenciosas, gerações inteiras fixam os olhos nas imagens de terras estranhas, senhores de cicatrizes e tatuagens escuras, vestes andrajosas, garras afiadas, numa praia deserta e maré de esperas insistentes. Só.
As carcaças de barcos antigos projetam suas sombras no pôr do sol envoltas nas águas verdes que estiram os dedos às várias outras estações perdidas nas praias dos mundos enigmáticos.
Mundo Acalentado
- Claude Bloc -

Claude Bloc, Célia Ribeiro, Ismênia Brilhante, Gracinha Pinheiro, Simone Brilhante
Há dias em que toco a vida transcendendo meus propósitos. Tento me prender à racionalidade, mas acabo descambando para sentimentos pardos, nostálgicos. Sei, tenho consciência disso, simulo realidades. Perambulo pelo tempo como se pudesse domá-lo. Uma hora, sinto-me presa a ele, outra me sinto livre... De repente, tudo aparece como num sonho mesclado de cheiros, gostos, sons, sentimentos antigos, empoeirados... aí, então, percebo em que se transformou o meu mundo. Aí então, desperto.
Esse meu mundinho acalentado, atualmente, não passa das paredes de meu quarto (que nem é meu). Ele foi se estreitando, se delimitando, pois já não cabe tanta coisa.
Pela estante e prateleiras muitos livros, alguns CD´s, computador, notebook e uma parafernália de fios e telefones portáteis... enfim, minhas coisas mescladas a tanta tecnologia quanto nostalgia. Certas vezes, essas lembranças me fazem chorar de saudade dos (meus) tempos de gravador , da vitrolinha de mamãe que tocava, com o auto-falante na própria tampa, os discos de vinil estampando aos meus ouvidos a bossa-nova, as canções francesas, as italianas, as baladas americanas, o violão de Dilermando, as músicas clássicas... Um pouco de tudo.
Recebi outro dia um e-mail de uma amiga que falava sobre as lembranças que temos de determinadas coisas... Lá estavam fotos de gente sorrindo, gente com as roupas do meu tempo, cabelinhos cortados com franja, brincadeiras de amigos pela rua, pela casa... Minha nossa, foi um chororô danado... Inclusive porque me lembrei das brincadeiras no Pio X, o jogo do ”mata” que fez com que nossa farda de educação física mudasse, para que os meninos não conseguissem ver as nossas pernas adolescentes...
Lembrei-me também dos problemas que atravessava, próprios da idade, como a minha incorrigível timidez, a insegurança que sentia quando meu corpo de menina se transformava provocando, agora, olhares... e aquela palavra que me fazia encolher-me de vergonha: francesinha!
Tinha também problemas de adaptação com os modos de algumas pessoas como a implicância de D. Chiquinha Piancó. Beliscões nos braços se ela me encontrasse sem mangas. O acintoso observar dos meus pés com o objetivo de saber se o pé que ia pra escola sem sapato, estava machucado de fato... Como eu era bobinha e inocente!
Pensando bem, como o tempo voa! Ainda ontem eu saia para as festas de 15 anos. Ainda ontem, eu dei o primeiro beijo (já bem tardio)... Ainda ontem, passei no vestibular, e não é que até hoje estou lá na URCA presa no passado - que queria que passasse, mas que teima em não sair de minha vida.
Pois então, com um passado tão doce, como eu poderia me preparar para o futuro? Enganaram-me dizendo que tudo ia ser lindo, que eu ia dar certo e que tudo ia ser florido e lindo em meus lindos e sorridentes dias.
Esqueceram-se de me mostrar e me preparar para esse mundo sem fronteiras, esse mundo que me engole na primeira mordida e me prende pelas grades de meu quarto a um passado lindo, cheio de sonhos, mas sem perdão...
Claude Bloc
Pensamento para o Dia 27/11/2010

“Dos instrumentos utilizados por todos, o corpo com as mãos prontas executa o pensamento que é expresso em palavras. As ações, a obra, o trabalho com os quais a mão do homem está engajada, esses são a fonte de toda a felicidade ou miséria para todos. O homem afirma que está feliz ou que está ansioso ou com medo, ou que está em apuros. Ele atribui a causa dessas condições a qualquer outra pessoa que não ele próprio. Essa crença baseia-se em um fundamento errado. Felicidade e miséria são devidas às suas próprias ações. Se alguém aceita ou rejeita essa verdade, ele terá de sofrer todas as consequências de suas ações. Essa é a lei da natureza.”
Sathya Sai Baba
Convite de Cacá Araújo
2ª GUERRILHA DO
ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
PROGRAMAÇÃO PARA SÁBADO, DIA 27.NOV.2010
17h30min - Ônibus Juazeiro do Norte/Crato: BUZU-TEATRO (Livre, 25min)
Comunidade Oitão de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE
19h00min - AFRODESCENDÊNCIA (Livre, 30min)
Cia. de Dança Vid'Art - Projeto Nova Vida, de Crato-CE
19h30min - O VELÓRIO SHOW (12 anos, 60min)
Cia. dos Sem, de Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Seminário “Teatro
Brasileiro Caririense” / Entrega de Certificados e Outorga do Troféu Juscelino
Leal Lobo Júnior
22h00min - Show de Encerramento: LIFANCO / VALORES CULTURAIS
ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
PROGRAMAÇÃO PARA SÁBADO, DIA 27.NOV.2010
17h30min - Ônibus Juazeiro do Norte/Crato: BUZU-TEATRO (Livre, 25min)
Comunidade Oitão de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE
19h00min - AFRODESCENDÊNCIA (Livre, 30min)
Cia. de Dança Vid'Art - Projeto Nova Vida, de Crato-CE
19h30min - O VELÓRIO SHOW (12 anos, 60min)
Cia. dos Sem, de Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Seminário “Teatro
Brasileiro Caririense” / Entrega de Certificados e Outorga do Troféu Juscelino
Leal Lobo Júnior
22h00min - Show de Encerramento: LIFANCO / VALORES CULTURAIS
Uma boneca chamada " PEQUETITA" - Por Rosa Guerrera
Será que alguém acreditaria se eu dissesse que ainda hoje possuo a primeira boneca que ganhei ?. E o curioso é que essa boneca , hoje com mais de meio século , não se perdeu nos senfins das minhas lembranças , e ainda hoje está inteirinha , intacta , do mesmo jeitinho como a minha avó num natal distante , resolveu me presenteá-la.
Na verdade , não sei quem a batizou por “ Pequetita “.
Sei apenas que Pequetita cativou de uma maneira especial o meu coração, e mesmo com o decorrer dos anos e muitos outros presentes recebidos, aquela bonequinha foi minha companheira inseparável.
Era como fosse a irmãzinha confidente , a amiguinha que saia ao meu lado para passear nas praças , brincar nos carrosséis , e por incrível que pareça ia até comigo à escola . ( E ai de quem falasse que Pequetita era feia ou sem graça ).
Lembro que quando viajei pela primeira vez para a Itália ( eu devia ter uns oito anos ) ninguém conseguiu me convencer a deixá-la aqui no Brasil , e assim ela foi comigo conhecer a terra do meu pai e ser apresentada com muito carinho às minhas primas italianas.
Mas o tempo foi passando , eu fui crescendo mas Pequetita continuou a ocupar um lugar especial também no meu quarto de mocinha
.Muitas vezes eu cuidava dela , e até sorria lembrando fatos tão bobos da minha meninice.Nunca deixei no entanto de amá-la .
Hoje olhando para ela fico imaginando como Pequetita deve estranhar tantas rugas e tantos cabelos brancos que apareceram no decorrer dos anos naquela menina que num Natal distante a tomou nos braços e a escolheu para amar num todo sempre.
É isso aí !!! ! Ninguém até hoje conseguiu escapar das mudanças físicas que a vida nos proporciona .....e na roleta do destino poucas e raras coisas marcaram tão profundamente a minha infância , como a presença muda e confidente de uma simples boneca .
Uma bonequinha chamada PEQUETITA !
rosa gguerrera
Almas que se encontram - Paulo Fuentes
Dizem que para o amor chegar...
Não há dia...
Não há hora...
E nem momento marcado para acontecer.
Ele vem de repente e se instala...
No mais sensível dos nossos órgãos...
O coração.
Começo a acreditar que sim...
Mas percebo também...
Que pelo fato deste momento...
Não ser determinado pelas pessoas...
Quando chega, quase sempre...
Os sintomas são arrebatadores...
Vira tudo às avessas...
E a bagunça feliz se faz instalada.
Quando duas almas se encontram...
O que realça primeiro...
Não é a aparência física...
Mas a semelhança das almas.
Elas se compreendem...
E sentem falta uma da outra....
Se entristecem...
Por não terem se encontrado antes...
Afinal tudo poderia ser tão diferente.
No entanto sabem que o caminho é este...
E que não haverá retorno...
Para as suas pretensões.
É como se elas falassem além das palavras...
Entendessem a tristeza do outro...
A alegria e o desejo...
Mesmo estando em lugares diferentes.
Quando almas afins se entrelaçam...
Passam a sentir saudade uma da outra...
Em um processo contínuo de reaproximação...
Até a consumação.
Almas que se encontram...
Podem sofrer bastante também...
Pois muitas vezes...
Tais encontros acontecem...
Em momentos onde não mais podem extravasar...
Toda a plenitude do amor...
Que carregam, toda a alegria de amar...
E de querer compartilhar a vida com o outro...
Toda a emoção contida...
À espera do encontro final.
Desejam coisas que se tornam quase impossíveis...
Mas que são tão simples de viver...
Como ver o pôr-do-sol...
Ou de caminhar...
Por uma estrada com lindas árvores...
Ver a noite chegar...
Ir ao cinema e comer pipocas...
Rir e brincar...
Brigar às vezes...
Mas fazer as pazes...
Com um jeitinho muito especial.
Amar e amar, muitas vezes...
Sabendo que logo depois...
Poderão estar juntas de novo...
Sem que a despedida se faça presente.
Porém muitas vezes...
Elas se encontram em um tempo...
E em um espaço diferente...
Do que suas realidades possam permitir.
Mas depois que se encontram...
Ficam marcadas ... tatuadas...
E ainda que nunca venham a caminhar...
Para sempre juntas...
Elas jamais conseguirão se separar...
E o mais importante ...
Terão de se encontrar em algum lugar.
Almas que se encontram...
Jamais se sentirão sozinhas...
Porquanto entenderão, por si só...
A infinita necessidade...
Que têm uma da outra para toda a eternidade.
(Paulo Fuentes)
Postado no blog Flor da Paz de Rosa Guerrera.
P.S. para Nicodemos - por Socorro Moreira
Nico querido,
Devias trocar o silêncio mais vezes por tudo que a gente sabe , mas precisa recordar ou reacender.
Martelo nos egos. Nossos!
Hoje disse para uma amiga: curei-me dos ciúmes. Meu lugar é meu, enquanto humana. Depois não serei matéria. Matéria não ocupa lugar no espaço. Ficaremos todos num só vão...Misturados numa luz comum. Melhor pensar sobre isso, e resolver os desafetos, amando os que nos tornam amáveis.
Eu te amo.Sabias, Nicodemos? E essa desnecessária declaração se expande, em muitos outros corações.
Às vezes não gostamos (porque fazemos restrições), mas podemos amar sem restrições.
Abraços fraternos e eternos.
Socorro Moreira
Assinar:
Postagens (Atom)












