Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dentro de mim - Aloísio

Dentro de mim


No mar de águas bravias
Não dá pra fazer poesia
Quero um mar sem ressaca
Pra navegar qualquer dia

Vejo-me na beira da praia
Esperando a embarcação
Que me levará para a ilha
Que fica no meu coração

Chegando a estas paragens
Sinto-me dentro de mim
E agora o que eu faço?
Se eu comigo desavim

Para eu desatar este nó
Em círculos eu vou girando
Ficando no mesmo lugar
Cada vez mais me enredando

Em busca de uma saída
Passo a andar em linha reta
Quem sabe até me encontre
Consultando algum profeta

Nem tudo está apagado
Vem chegando a luz do sol
Pois eu seguindo em frente
Vou encontrar o meu farol



Aloísio
Secreto momento
- Claude Bloc -



A poesia me incita
e no silêncio se ata,
e me desata...
porque a poesia (con)vive
com a dor do poeta...
E no compasso do tempo
o poema amarga a rima
e pinga no ritmo,
sacudindo passo a passo
essa alegria complexa
que se esconde
na estrofe, no espaço...
E no momento preciso
no mais secreto momento
a poesia se encanta,
me traduz
e traz a luz
ao meu instante.

Claude Bloc


LEMBRANDO DE GONZAGÃO - Por Marcos Barreto de Melo


AMANHÃ EU VOU andar
17 LÉGUA E MEIA
vou atravessar o RIACHO DO NAVIO
quero voltar para o MEU PÉ DE SERRA

eu já estou ROENDO UNHA
e te esperando DAQUELE JEITO
quero dançar NUMA SALA DE REBOCO
que é a maior ALEGRIA DE PÉ DE SERRA


quero escutar um FOLE DANADO
sentir o CHÊRO DA CAROLINA
ouvindo o som da SANFONA SENTIDA
sei que vou sentir SAUDADES DE HELENA


eu gosto mesmo é de um FORRÓ FUNGADO
sou um MATUTO DE OPINIÃO
eu já estou ficando APERREADO
chegue pra cá, VAMOS XAXEAR


com o SANFONEIRO ZÉ TATU tocando
sei que FACILITA A DANÇA DA MODA
dizem que ele é O MAIOR TOCADOR
nascido aqui NO MEU PÉ DE SERRA


VEM MORENA, da CINTURA FINA
pois você é RAZÃO DO MEU QUERER
uma MAZURCA, O FOLE RONCOU
quero dançar com você MORENA


ouvi dizer que DERRAMARO O GÁI
e vão dançar o FORRÓ NO ESCURO
é FIM DE FESTA, é HORA DO ADEUS
vem NA ROSA, ONDE TU TÁ NENÉM


PENSE N'EU, DEPOIS DA DERRADEIRA
vamos viver um ROMANCE MATUTO
se você é FULÔ DA MARAVILHA
saiba que eu sou um PORTADOR DO AMOR


Marcos Barreto de Melo

NOTA - AS PALAVRAS ESCRITAS EM MAIÚSCULO SÃO TÍTULOS DE MÚSICAS COMPOSTAS OU GRAVADAS POR LUIZ GONZAGA


Desastre na Região Serrana foi maior devido à ocupação irregular do solo


(http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/12/desastre-na-regiao-serrana-foi-maior-devido-ocupacao-irregular-do-solo-923492191.asp)

RIO - A chuva torrencial não é a única culpada pelo cenário avassalador da Região Serrana. Parte da tragédia deve ser atribuída à inércia de autoridades, que não investem no diagnóstico de áreas mais suscetíveis a tragédias ambientais, tampouco na retirada da população de regiões de risco. Esta é a opinião de Ana Luiza Coelho Netto, do Instituto de Geociências da UFRJ. De acordo com a pesquisadora, a vulnerabilidade de municípios como Petrópolis e Teresópolis é, há muito, conhecida, dada a sua localização, a frágil composição do solo e, principalmente, o modo irregular como foram ocupados por ricos e pobres.

Climatempo prevê mais chuva para Região Serrana

Para Ana Luiza, um dos exemplos mais notórios da falta de planejamento urbano da região é o bairro Caleme, em Teresópolis, localizado em um vale na estrada para Itaipava, um dos mais atingidos.

- Os deslizamentos convergem da encosta íngreme para o fundo do vale - explica. - Os rios serão a rota principal dessas avalanches na descida. Essas áreas jamais deveriam ser ocupadas. Existe uma ausência total de planejamento urbano, que perceba ou leve a sério fenômenos já esperados.

Na descida, os sedimentos tornam a água mais densa, aumentando a sua capacidade de destruição. A corrente ganha força para transportar objetos cada vez mais pesados, como troncos de árvores e blocos de detritos.

Desmatamento é problema grave
Segundo Ana Luiza, a maioria das prefeituras, se perguntada, afirmará ter mapa de risco. A metodologia desses trabalhos, porém, não raro é pouco confiável, e os cálculos são feitos sobre dados incompletos ou desatualizados.

- É só ver o tamanho do desastre. É impossível que um mapa de diagnóstico não tenha observado fatores de risco tão óbvios - condena.

Um dos ingredientes do desastre é o desmatamento. Solos montanhosos são especialmente vulneráveis. Mas, se ocupados por uma floresta conservada, a vegetação leva proteção às encostas. Não é o caso de boa parte da área atingida, onde o verde deu lugar a casas.

- Se existem áreas com escarpas rochosas e solo muito fino, como é característico das áreas montanhosas, será difícil impedir o estrago - lamenta a pesquisadora. - A água da chuva penetra pela fratura das rochas e a pressão a faz sair dali com muita potência, iniciando o deslizamento. A falta de drenagem, uma falha que deve ser comum naquela área, só aumenta o potencial de destruição, independentemente de haverem comunidades ou mansões no caminho.

Outro fator de risco, este natural, é a localização das cidades afetadas. Petrópolis e Teresópolis estão no topo da Serra do Mar - uma cadeia montanhosa que se estende de Santa Catarina ao Espírito Santo. Esta geografia é especialmente propícia à formação de chuvas. Ao se afastar da superfície, as massas de ar frio, densas e pesadas, deparam-se com aquela barreira e tendem a subir. Enquanto cumprem este trajeto, elas condensam e comportam menos umidade.

- A massa atinge a saturação e, assim, provoca chuvas - explica Ana Luiza. - É por isso que a serra, especialmente em seu trecho voltado para o mar, tem índice pluviométrico maior do que o registrado na Baixada Fluminense, por exemplo.

A Baixada, porém, não está livre das agruras registradas no topo da serra. As chuvas intensas descem e podem provocar inundações em localidades de Duque de Caxias, além de novos deslizamentos de encostas.

Quanto mais gente, mais risco

A sucessão de catástrofes no início do ano passado - Angra dos Reis em janeiro, Rio e Niterói em abril - mostra como a força das chuvas de verão é previsível. Ainda assim, só agora as cidades têm se mobilizado para fazer o levantamento de seus terrenos mais vulneráveis. Um trabalho semelhante é realizado pelo engenheiro geotécnico da Coppe Willy Lacerda, coordenador do Instituto Nacional de Reabilitação de Encostas e Planícies.

- Elaboramos mapas de suscetibilidade das encostas usando estudos de diversas áreas, como geologia e geotecnia - assinala. - A esse levantamento nós sobrepomos o mapa habitacional. Quanto maior a presença humana, maior o risco. Finalmente, depois de muito insistirmos, os governos têm se interessado por esse cálculo.

As autoridades terão de ser insistentes. Primeiro, porque todas as encostas na Serra do Mar são vulneráveis. Qualquer área dali que receba chuva forte por quatro dias, como já ocorre na Região Serrana, tende a desabar. Sendo assim, o manejo populacional, de acordo com Lacerda, é "inevitável".

- A ocupação irregular extrai a cobertura vegetal, desvia o curso das águas, ocupa os canais e arma o palco para a tragédia - destaca. - Não há uma solução definitiva sem um projeto que se estenda por, no mínimo, dez anos.

E contra a Pedofilia, nada ???

Militantes católicos fazem circular dossiê anti-Dilma na internet

DE SÃO PAULO

Militantes católicos que pregaram boicote à candidatura da presidente Dilma Rousseff reuniram as declarações de ministros sobre temas como aborto, união civil homossexual e descriminalização das drogas em dossiê no qual pedem a mobilização dos fiéis contra mudanças na lei, informa o "Painel" da Folha, editado interinamente por Ranier Bragon (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
O documento, concebido em Anápolis (GO) e propagado na internet, inclui relato sobre o kit escolar contra a homofobia que havia sido criticado por evangélicos, além de entrevistas dos ministros Iriny Lopes (Políticas para as Mulheres), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

“Prostíbulo global” – José Nilton Mariano Saraiva

Depois de propagado incessantemente e precedido de detalhadas análises “sócio-antropólogicas” por parte de “especialistas em relações humanas” (que, por incrível que pareça, tentam nos convencer da sua utilidade), a Rede Globo mais uma vez monta o seu “prostíbulo global” em nossa sala de estar, em pleno horário nobre, através do indecente e desprezível programa BBB (e que nem por isso deixa de ser um dos seus “campeões de audiência”). Serão meses de xaropadas, imoralidades e futilidades (e quem quiser, tiver saco, grana e abobrinha na “cachola”, pode até passar o dia todo assistindo, desde que adquira o “pacote”).
A fórmula é velha e conhecida: numa tal “casa” são acomodados garanhões, gays, lésbicas, marombados, homossexuais, prostitutas, mocinhas inocentes, anônimos aspirantes à fama e até vovós (pra dissimular), com ordens de infligir códigos, desrespeitar as leis, praticar sexo ao vivo e a cores e, enfim, exercitar a devassidão e o heterodoxo (se existir algum(a) “virgem” entre eles e lá demorar, certamente sairá “ex”, tal a pressão da “direção” para que tal se concretize).
Estimulados pelo pseudo-intelectual e apresentador Pedro Bial (quem te viu e quem te vê), e por um tal Boninho (um dos diretores graduados da emissora), os escolhidos não têm limites éticos, legais, morais ou alguma coisa que se pareça com respeito ou dignidade, já que tudo lhes é permitido, contanto que o “jogo” seja apimentado e “desperte” a curiosidade do público (independentemente do vazio do seu conteúdo).
Público, aliás, que é estimulado a “escolher” (pagando caro a ligação telefônica) os seus preferidos, expostos nos tais “paredões”, que por sua vez rendem milhões e milhões de reais à emissora e à operadora telefônica (para tanto, uma mega estrutura é montada e disponibilizada aos telespectadores), inclusive e principalmente pais, mães, irmãos e demais familiares, que compulsoriamente se deixam envolver em troca de uma viagem ao Rio de Janeiro (com mordomias inimagináveis), além de uma aparição relâmpago na telinha.
Enfim, o circo ta armado e nossas crianças e adolescentes sairão mais “cultos”,
“sabidos” e “preparados para a vida”, graças ao BBB (e ainda tem gente que não acredita na influência e tirania da televisão).
A propósito, abaixo, transcrição de um cordelista baiano, a respeito.

José Nilton Mariano Saraiva
***********************************

BIG BROTHER BRASIL (Antonio Barreto, cordelista de Santa Bárbara-BA),

Curtir o Pedro Bial/E sentir tanta alegria/É sinal de que você/O mau-gosto aprecia/Dá valor ao que é banal/É preguiçoso mental/E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo/Um programa tão ‘fuleiro’/Produzido pela Globo/Visando Ibope e dinheiro/Que além de alienar/Vai por certo atrofiar/A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro/Que está em formação/E precisa evoluir/Através da Educação/
Mas se torna um refém/Iletrado, ‘zé-ninguém’/Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão/Lá está toda a família/Longe da realidade/Onde a bobagem fervilha/Não sabendo essa gente/Desprovida e inocente/Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial/Chega de esculhambação/Respeite o trabalhador/Dessa sofrida Nação/Deixe de chamar de heróis/Essas girls e esses boys/Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe/Querido Pedro Bial/São verdadeiros heróis/E merecem nosso aval/Pois tiveram que lutar/Pra manter e te educar/Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal/Com seu discurso vazio/Pessoas inteligentes/Se enchem de calafrio/Porque quando você fala/A sua palavra é bala/A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil/Carente de educação/Precisa de gente grande/Para dar boa lição
Mas você na rede Globo/Faz esse papel de bobo/Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal/Nosso povo brasileiro/Que acorda de madrugada/E trabalha o dia inteiro/Dar muito duro, anda rouco/Paga impostos, ganha pouco:/Povo herói, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade/Neste momento atual/Se preocupa com a crise/Econômica e social/
Você precisa entender/Que queremos aprender/Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo/Vem nos mostrar sem engano/Que tudo que ali ocorre/Parece um zoológico humano/Onde impera a esperteza/A malandragem, a baixeza/Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência/Não são mais valorizadas/Os “heróis” protagonizam/Um mundo de palhaçadas/Sem critério e sem ética/Em que vaidade e estética/São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética/Nem projeto educativo/Um mar de vulgaridade/Já tornou-se imperativo/O que se vê realmente/É um programa deprimente/Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo/“professor”, Pedro Bial/O que vocês tão querendo/É injetar o banal/Deseducando o Brasil/Nesse Big Brother vil/De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço/Mal exemplo à juventude/Que precisa de esperança/Educação e atitude/Porém a mediocridade/Unida à banalidade/Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento/De pessoas confinadas/Num espaço luxuoso/Curtindo todas baladas/Corpos “belos” na piscina/A gastar adrenalina:/Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo/É de nos “emburrecer”/Deixando o povo demente/Refém do seu poder/Pois saiba que a exceção/(Amantes da educação)/Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial/Um mercador da ilusão/Junto a poderosa Globo/Que conduz nossa Nação/Eu lhe peço esse favor/Reflita no seu labor/E escute seu coração.

E vocês caros irmãos/Que estão nessa cegueira/Não façam mais ligações/Apoiando essa besteira/Não dêem sua grana à Globo/Isso é papel de bobo/Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim/Desse Big Brother vil/Que em nada contribui/Para o povo varonil/Ninguém vai sentir saudade/Quem lucra é a sociedade/Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor/Que nós somos os culpados/Porque sai do nosso bolso/Esses milhões desejados/Que são ligações diárias/Bastante desnecessárias/Pra esses desocupados.

A loja do BBB/Vendendo só porcaria/Enganando muita gente/Que logo se contagia/Com tanta futilidade/Um mar de vulgaridade/Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade/E apelo sexual/Não somos só futebol, baixaria e carnaval/
Queremos Educação/E também evolução/No mundo espiritual.

Cadê a cidadania/Dos nossos educadores/Dos alunos, dos políticos/Poetas, trabalhadores?/Seremos sempre enganados/e vamos ficar calados/diante de enganadores?

Barreto termina assim, alertando ao Bial:

Reveja logo esse equívoco/Reaja à força do mal/Eleve o seu coração/Tomando uma decisão/Ou então: siga, animal…

CARTA DE TONY BLOC - FROM PARIS



Pont Diena à Paris


Minha querida Rita e queridos irmãos,

Se o meu dinheiro desse, moraria por aqui, o clima é espetacular, a temperatura tem oscilado até o momento entre 2 e 10 graus, nada que nossas roupas não resolvam.

Tudo aqui é grandioso e majestoso, as igrejas, os museus, as ruas, enfim tudo. Em alguns lugares cheguei a me emocionar lembrando do passado da nossa família:

- Les Invalides - museu das guerras, mostrando desde as guerras napoleônicas até a 2 guerra mundial. Esse local era usado como hospital para inválidos das guerras;

- Arco do Triunfo e Praça Charles De Gaulle me lembra as histórias de papai sobre o General Charles De Gaulle, muito venerado aqui na França. Nessa praça tem o chamado dele aos resistentes para pegar nas armas e partir pu pau, muito emecionante, enchi os olhos de lágrima quando li;

- O rio Sena é um Show à parte, estamos sempre passando sobre as suas pontes. Está cheio até a tampa, mas mesmo assim andei por uma de suas calçadas, próximo à igreja de Notre Dame (aquela do filme O CORCUNDA DE NOTRE DAME).

O Dr. François disse que terei que tirar uma férias depois dessa viagem. Acho que ele tem razão, pois caminhamos muito para ver as coisas. Estou com as pernas só os molambos, fazendo até escalda pé.

O que mais me impressionou nessa terra foi o sistema de transporte, nunca pensei que andaria igual a um peba, por baixo do chão direto. Sensacional! Vamos para todos os cantos da cidade numa rapidez incrível. Isso é que é logística.

Outra coisa, nossos arquitetos são uns bostas, bons são os daqui (risos).

Alugamos um carro grande que cabe a turma toda e as malas da Ana Flávia. Posso dirigir sem problemas, pois tirei minha carta internacional. Sairemos amanhã em direção aos castelos, Bordeaux, Pau, Toulouse, Carcassone, etc. Se tiver internet direi por onde andarei.

Beijos

Tony

*Meu irmão Tony está na França com a esposa e filhotes. Mandou-nos este e-mail emocionado pela  realização de um sonho antigo. Hoje reparto a alegria e a emoção dele (e nossa) com os meus amigos.
* Rita é a pessoa que cuidou dos meus irmãos desde pequenos.

Claude Bloc

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A loucura de Geraldo e o delírio de tantos

Geraldo não sabe bem de onde surgiu o sobrenome que o faz famoso no Cariri. Ele o acompanha bem antes de fazer das calçadas seu quintal e da marquise do Banco do Brasil de Juazeiro , seu lar. Geraldo Doido é feliz e não podia ser diferente. Tem tudo de que precisa na sua casa , é um Diógenes dos nossos tempos. Confortável cama de papelão, travesseiro de jornais, iluminação doméstica a luz de mercúrio e a brisa da noite como ar condicionado, alguns Restaurantes próximos lhe servem de Cozinha. Não lhe faltam interlocutores a quem contar as suas peripécias e alimentar seus delírios.Quase nada é preciso para abrir seu sorriso sem tramelas, sorriso de banguelo, com porteira escancarada.
Os transeuntes riem , quando interpelado afirma que aquele Banco é seu e já está se preparando para aumentar o patrimônio, comprando um outro na circunvizinhança. Como não imaginar que o Banco é seu? Geraldo dorme na sua frente, ali defronte se alimenta , na vidraça do BB faz a sua maquiagem e, ao contrário dos funcionários e banqueiros, ali permanece as vinte e quatro horas. Poderia até requerer a posse por usucapião. Chegou a reclamar, alguns meses atrás, quando, sem sua expressa permissão, andaram demitindo e transferindo vários bancários, dizendo que era por causa de uma tal de Reengenharia. Geraldo Doido sabe, mais que os homens que se dizem sãos, que o que faz uma instituição não é a construção nem os equipamentos existentes nela, mas são as pessoas que lhe dão vida e a fazem eterna ou efêmera.
Quantos riem de Geraldo, do seu delírio de grandeza! Há uma certa nobreza, porém, trespassando aqueles molambos. E um risível contraste: o Capital e a vítima da sua selvageria dormindo no mesmo leito, em franca e amigável convivência. Dois Brasis antagônicos e díspares sob o mesmo teto: O Brasil do acúmulo de riqueza e o Brasil da fome e da miséria. Dois Brasis separados por um abismo!
A alucinação de Geraldo é muito comum entre nós. Quantas pessoas trabalham , dissipando sua juventude e vão acumulando riqueza, sem usufruí-la, com o único fito de mostrar orgulhosamente para os outros e se vangloriarem de ricos e soberanos? São os pobres ricos, cheios de jóias e de saldo bancário volumoso, mas que, exatamente como Geraldo, sentam vigilantes diante da riqueza e passam a vida observando e apontando aos amigos, sem a coragem de dissipá-la. Nem tentam a dificíl a alquimia de trnasformar dinheiro em felicidade. Alimentam uma loucura , exatamente como Geraldo Doido sob a Marquise do BB!
Os paises são também acometidos, às vezes, de crises de megalomania. Vejam o Brasil, de repente estabeleceram uma política econômica visando, única e exclusivamente à atração do capital estrangeiro para o país. A partir daí passamos a nos sentir ricos e prósperos, porque estávamos sentados diante do capital especulativo das nações ricas, vendo-o reluzir e pensando que era nosso, exatamente como Geraldo Doido, no seu delírio de grandeza. De repente os donos verdadeiros do dinheiro o levaram e ainda cá estamos, sob a marquise contando para todas as nações do mundo que somos ricos e afortunados , a mesma história de trancoso que Geraldo Doido conta diuturnamente a todos os que dele se aproximam. Se há loucura na história de Geraldo , o mundo todo é um hospício.


J. Flávio Vieira

P.S- Este artigo foi escrito em 1998. Recentemente “Geraldo Doido” foi barbaramente assassinado, enquanto dormia, na calçada do Banco de que se achava proprietário.

D. Marisa


Marisa Letícia Lula da Silva, palavras que precisavam ser ditas


por Hildegard Angel*


Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos.Dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família?Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve. Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade.Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão?Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados.Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia.E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom? Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade.Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto.Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada.No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita.Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor! Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social.Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo.Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam. Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos.Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.


*Hidegard Angel é colunista social no Rio de Janeiro, filha da estilista Zuzu Angel e irmã do ex-militante político Stuart Angel Jones; trabalhou como atriz no cinema e na televisão na década de 1970, dedicou-se ao colunismo social no jornal O Globo e desde 2003 no Jornal do Brasil.

BRUNO PEDROSA - UM ETERNO RETIRANTE - Por Edilma Rocha


O que se sabe de Bruno Pedrosa é muito. A quem interessar possa. Bruno é artista brasileiro, desenhista e pintor, com quadros em vários países, onde expôs com sucesso, que tem biografia e registro a partir de 1970, quando por obra do Divino Tribunal do Santo Ofício, chegaram ao Recife os seus antepassados, batizados de nomes novos, cristãos recentes, recuperados que eram. Amém. Assim, depois de breve adaptação às coisas e clima do Brasil, seus primeiros cromossomos foram dizimar, eucarísticamente é claro, os índios Inhamuns, no sertão cearense. Um tal de Bernardo Duarte Pinheiro, em 1717, no dia 20 de Fevereiro, ganhou de sua Majestade El Rey de Portugal, uma sesmaria, juntamente a terra habitada desde tempos imemoriais pelos pobres e indefesos índios.
Os Pinheiros viveram de gado que iam vender na feira de Tracunhaém, Pernambuco, Zona da Mata, hoje conhecida pelos seus artistas, que fazem imagens de barro. Quem sabe se  os dotes artísticos do povo de Tracunhaém não foram herança dos mesmos fornecedores dos cromossomos de Bruno ?
Quem sabe ? Mas isso é outra história.
O fato é que indo e vindo do sertão dos Inhamuns até Tracunhaém, pelo caminho um Pinheiro cruzou com uma Pedrosa, família também cristã, advinda e banida, pela Santa Inquisição, cuidando de gado pelos lados da Paraíba. Só faltava ter matado seus indiozinhos para fazer um casamento perfeito e, pelo jeito, não deu outra.
Quem vê Bruno pela primeira vez não imagina estar diante de um sertanejo. Vê mais um semita. Muito osso e pouca carne, nariz adunco e sempre de chapéu. Para ser rabino só falta o terno preto. Na realidade, conforme contei, Bruno é tudo isso, nordestino e semita, duplamente retirante, eterno romeiro em busca da Terra Prometida.
Tomara que ache.

Aristélio de Andrade

A Menininha - Por Alexandre Lucas

Vou ganhar essa noite
Desvendar o cheiro de enlatados
Cobrir-me de cansaço
Avermelhar os olhos
Jogar pedras como se jogasse bolas
Na retaguarda silenciosa dos postes guardiões das noites
Refletir sobre os sapatos gastos
E os pratos vazios
E o arco para o qual me deparo
Paro,
Lembro-me do sorriso de uma menininha suja
( cinco anos)
Que a coloquei nos meus braços
ou ela me colocou nos seus frágeis bracinhos
Como se o seu silêncio fosse um grito
Para banhar a sociedade que lhe sujava.

Alexandre Lucas

A FILOSOFIA PERENE DA EVOLUÇÃO


Todo e qualquer ser humano precisa passar por três etapas de evolução: a) se arrastar na ignorância e no prazer instintivo; b) se levantar na sabedoria da consciência esclarecida; c) (somente) brilhar e se iluminar na conquista da unidade do Amor Transcendental - o Amor Universal de Deus. Essas três etapas são fundamentais para se responder: Quem sou Eu? Qual é o sentido da vida material-espiritual? O que é o Verdadeiro Amor? De onde emana o princípio Criador e Transformador de tudo e de todos? De onde eu vim? Para onde eu vou? Qual é o Verdadeiro Caminho de Evolução?

A disciplina material e espiritual é fundamental para a passagem de uma etapa para outra. Poucos são aqueles que têm consciência desse processo e por isso uma multidão segue na escuridão da ignorância e do prazer impulsivo e egoísta – este é o caminho da ilusão. Uma pequena parcela de pessoas disciplinadas conseguiu vislumbrar a terceira etapa derradeira – este é o caminho da transcendência humana. As expressões transmutação, transformação de si, evolução espiritual, transcendência do eu e Amor Universal são palavras chaves como marcos da trajetória pessoal e perene.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PELEJA NOS BASTIDORES...

Claude Bloc disse...

Aloísio,

Sou assim de improviso,
Na rima vou me esconder
No verso eu me deleito
Com vontade de escrever.

Agora é você (risos)

Claude

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Aloísio disse...

Claude,

Você pediu, entonce leia, este meu "Improviso":

Minha amiga Claude Bloc
Este tema de improviso
Pr’eu poder te acompanhar
Vou ter que ter muito siso

Mas não vá me aperrear
Não tenho o dom do repente
Senão eu busco uma semente
Que eu encontrei no Ceará

Meus versos são sementes
Brotadas em terras duras
São como águas nascentes
Limpas, brilhantes e puras

Pra vingar esta semente
Tem que ser muito cuidada
Com arado, foice e enxada
E regada regularmente

Aqui deixo meu recado
Eu daqui você de lá
Mais um dia ‘inda volto
Pras bandas do Ceará

Abraços
Aloísio

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Edilma disse...


Claude e Alísio,

Valha me Deus o que faço
com o talento desse povo
vou mandar um abraço
Nem que seja de novo

Um posta daqui
outro de acolá
e eu roendo pequi
sem poder falar

Gente da França poeta
da Bahia ao Ceará
e eu procurando uma meta
pra poder improvisar

Vou logo arranjando um jeito
de conseguir terminar
este verso mal feito
pra confusão não causar

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Nicodemos disse...


No improviso
o Tempo se manifesta imperioso
a fluidez do verbo marcado
pelo ritmo...
os silêncios em seus lugares
as tônicas tonificando o movimento...


belo, belo, belo!!!


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Aloísio

Quem sou eu? Não sou profeta,
Não faço rimas e nem esgrimo
Como dialogar sobre o tempo?
com esses dois grandes poetas?
Se me ponho a versejar.
O tempo não vai passar!

Hora da Ave Maria - Emerson Monteiro

No ano de 1958, morando com a família em Crato, meu pai seguia, ainda por certo tempo, vinculado aos negócios do sítio, em Lavras da Mangabeira, onde deixara animais e eito de cana, de que renovava o cultivo e participava das moagens, nas épocas próprias. Nesse sentido, ia lá quase todo mês, através da rodagem de terra que cruzava a Serra de São Pedro, cheia de trechos estreitos e arriscados, conhecidos pela periculosidade e acidentes fatais que provocava, percurso que agora abriga a Rodovia Padre Cícero e reduzirá em dezenas de quilômetros a distância para Fortaleza.
Houve uma ocasião, nessas viagens, quando, já próximo do distrito de São Francisco (hoje Quitaiús), o caminhão em que viajava, de propriedade de Seu Severino Medeiros, tombou em trecho de curvas fechadas e piçarrentas. Dentre as vítimas mais graves se achava meu pai.
Machucara uma das pernas à altura do tornozelo, fraturando ossos em três lugares e sofrendo profunda contusão, o que lhe custou séria perda de sangue e demorou um tanto para cicatrizar. Veio trazido ao Hospital São Francisco, em Crato, onde permaneceria pelo período de um mês, ou pouco mais.
Durante esse turno, não poucas vezes lhe visitei e permaneci junto dele. Era eu portador constante das encomendas entre nossa casa e o hospital.
Nunca antes havia estado naquela construção de tantos corredores, salas, lugares sombrios, silenciosos, ruídos típicos; de pessoas diferentes, agitação incessante. Andava onde podia. Menino aceso, observava as movimentações e acompanhava os acontecimentos diários.
Relembro de enfermeiras, médicos, amigos de meu pai que lhe visitavam; das áreas internas e solitárias do casarão escurecido; as rampas; os portões vetustos quase nunca abertos; e da calma da capela, que tocava o íntimo da criança de nove anos com melancolia intensa, sobretudo aos finais das tardes, quando deixava ouvir os acordes da Ave Maria, de Schubert. Misto de saudade e distanciamento fervilhava meu ser; algo de uma solene paz que envolvia o ar no véu luminoso da penumbra e, aos poucos, vinha decrescendo os restos das tardes, modificando, nas notas suaves da música, a noite e seus aspectos quase adormecidos, afastando de vez, com mãos veludosas, os clarões retardatários do outro dia.
Essas marcas especiais daqueles instantes passados costumam, depois, preencher minha memória, quando ouço o canto da Ave Maria, às 18h, nas emissoras de rádio, que tocam o disco nas suas programações, avivando em mim emoções que, nessa quadra, tomaram conta de nossa família, permitindo, no entanto, que tudo chegasse a bom termo, com o restabelecimento de meu pai, o ponto forte na condução de todos nós.

Nos leilões do Padre Onofre - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Esta é uma das muitas histórias que o meu amigo Leofredo Pereira costumava contar. Um dos seus companheiros de infância, nos anos cinqüenta, tinha um estranho apelido: De Bronze. Não cheguei a conhecê-lo, mas de tanto ouvir Leofredo contar suas peripécias, imaginei que De Bronze não poderia ser nenhum santo. Depois de haver aprontado muito no Juazeiro, De Bronze foi trabalhar na construção de Brasília, onde imagino que até hoje esteja radicado. Na época, correu a notícia de que De Bronze havia se transformado num homem, para contentamento geral e alívio de toda a população juazeirense. Dois ou três anos depois da sua ida para Brasília, De Bronze voltou de férias, justamente na época das festas de São Miguel. Na primeira noite do leilão, De Bronze reuniu os amigos, Leofredo entre eles e partiram para uma noitada de diversão na quermesse do padre Onofre. De Bronze trazia os dois bolsos laterais de suas calças completamente cheios. Salientava-se de seu interior algo parecido com dois volumosos maços de cédulas de dinheiro vivo. A toda hora, De Bronze batia sobre os bolsos emitindo um som fofo e dizia: “Hoje nós vamos deitar e rolar. Trabalhei duro em Brasília e vamos gastar, beber e comer como reis. Esta é a minha lei”. De Bronze e os amigos ocuparam umas três mesas que foram ajuntadas no centro da quermesse e começaram a arrematar tudo que era posto em leilão: perfumes, quinquilharias diversas e galinhas fritas. O padre Onofre esfregava as mãos de contentamento e dizia para seus auxiliares: “Atendam bem àquele jovem, ele está muito animado e veio de Brasília com os bolsos cheios de dinheiro!” De Bronze parece que intuíra o estado de espírito do padre e a cada instante voltava a bater sobre os dois pacotes que trazia em seus bolsos laterais, repetindo: “Vamos beber e nos divertir pessoal! Tudo aqui é por minha conta. Vou gastar como um príncipe árabe!” E continuava arrematando tudo que era oferecido no leilão. Depois que eles e os amigos estavam fartos de comida e bebida, passou a oferecer as prendas por ele arrematadas às mesas das autoridades presentes àquela festa. O prefeito, o juiz, a sua primeira professora, juntamente com o marido dela, os vizinhos foram todos contemplados. Não esqueceu nem mesmo do delegado, seu velho conhecido de outras noitadas insones que passara na prisão. A admiração era geral. Todos eram unânimes em afirmar que o jovem voltara realmente muito mudado. Ficara rico em Brasília! Tava aí um novo homem! Exclamavam uns para os outros. Finalmente, tarde da noite, já quase às duas horas da madrugada, todos já haviam se retirado, menos De Bronze e os amigos. Alguns já emborcados sobre as mesas dormiam o sono dos justos embriagados. Outros pensativos, sem ao menos saberem ao certo onde estavam. Finalmente o padre Onofre chegou com a conta e disse: “Meu filho, a festa de hoje foi muito animada, graças a você e a seus amigos. Mas infelizmente chegou ao fim e aqui está a sua continha. Deu três mil e novecentos e cinqüenta cruzeiros, o que para um jovem como você, que voltou endinheirado de Brasília, não representa nada.” De Bronze levantou a cabeça e com os olhos semi-cerrados respondeu: “Padre, pode mandar me prender que eu não tenho um tostão!” E surpreso, o Padre Onofre indagou: “Então o que é isto que você traz nos bolsos?” E o De Bronze prontamente lhe respondeu: “São dois pão doce, para eu comer na cadeia!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
(Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.”)

o sertão

o sertão salta das linhas da mão
e percorre a lâmina dos olhos
sua água imprópria à sede

com ela se mede a distância
do vivido ao sonhado
e hoje se funde numa só certeza

o sertão antes do outro lado
agora sua paisagem exposta nesta mesa
o sertão, irmão, sou eu enluarado

no presente sua presença perfumada
que se acerca e não consola mais
da tão grande diferença dada
entre a areia e as cercas das estradas
agora em mim vestidas de metais

o sertão sou eu secando no lajeiro
de sílabas mal contadas
de rimas todas tortas
o sertão, irmão, sou eu quando é janeiro
e fecharam-se todas as portas

de não se poder encontrar uma saída
aprisionado numa triste esfera
semente no interior da pedra
o sertão maior do que o que era
no momento de sua despedida

o sertão, irmão, sou eu por toda a vida...

Pensamento para o Dia 11/01/2011


“Deus é como fogo e você é como carvão. Quando o carvão entra em contato com o fogo, ele torna-se um com o fogo. Da mesma forma, quando você entra em contato com Deus, você se torna um com ele. Manifestações do Amor Divino! Todos vocês são mensageiros de Deus. Somente Deus é importante. O zero obtém valor somente quando um número o precede. A lua é zero, o sol é zero, o mundo é zero, somente Deus é o Herói*. Tudo fracassa na ausência desse Herói. Tenha total fé no Herói, Deus. Um herói se torna zero se ele se esquece de Deus. Nunca dê margem a qualquer dúvida sobre Deus. Então você estará fadado ao sucesso. (*Trocadilho de Sai Baba entre as palavras Zero (zero) e Hero (herói) em inglês). ”
Sathya Sai Baba

EXPOSIÇÃO VIRTUAL DE BRUNO PEDROSA EM HOMENAGEM AO SEU ANIVERSÁRIO













Raimundo Pinheiro Pedrosa, filho de Lavras da Mangabeira, da Fazenda "Catingueira". Iniciou os seus estudos no Crato aos 6 anos onde começou a sua vida artística. Seguiu para o Rio de Janeiro e concluiu  as faculdades de : Belas Artes, Filosofia e Arqueologia. Passou no Mosteiro de São Bento 6 anos,  chamando-se "Bruno".  Transfere-se para a Europa depois do seu casamento com "Lila" (filha de italianos) e se radicaliza em "Bassano Del Grapa". Expôs em diversos Estados Brasileiros e exterior (com apenas algumas citações devido ao imenso currículo): Estados Unidos, México, Nicarágua, Argentina, Itália, França, Suíça, Áustria,  Holanda, Inglaterra, Alemanha, Japão e Portugal. É um artista consagrado com um currículo brilhante, além das galerias de arte que possui espalhadas pelo mundo, é escritor, escultor, fabrica tapetes assinados, cristais especiais em Murano e jóias exclusivas. Exímio desenhista, as obras de Bruno Pedrosa são um exemplo de um percurso orientado por uma motivação reflexiva e culta. Passou do desenho para as telas com uma predileção pelos pigmentos naturais onde se revela o seu equilíbrio na velocidade em se constituir um artista abstrato moderno contemporãneo. Estes trabalhos são os mais recentes da sua carreira em óleo sobre tela, mas entre eles se destaca  um desenho à lápis com total domínio e precisão do seu punho num rico matiz de cores. Posso afirmar que Bruno Pedrosa é um amante do nosso Nordeste Brasileiro deixando ver isso claramente nas cores fortes das suas telas e na segurança de um pintor versátil e que sempre nos surpreendende a cada trabalho.

Edilma Rocha

1º ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS DE TRANCOSO

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mando-te um doce - Por: Alexandre Lucas



Mando-te um doce
temperado em azeite
Para oferenda de orixá
Mando-te águas de Iemanjá
A fita do padim
O cheiro do jasmim
Os colares de guia
Para saudar a sabedoria
Mando-te a foice
Para abrir caminho
O manifesto comunista
Para sentir o cheiro pisado da terra
E a sensibilidade que nos impera
Mando-te um do doce...
Coberto de prazer
Recheado de quererquerer
Até o galo cantar pra o amanhecer.

Alexandre Lucas

( O autor permitiu a publicação deste texto e qualquer outro de sua autoria)

PARABÉNS, BRUNO PEDROSA !

Para o amigo de tantas ARTES


A arte maior de fazer AMIGOS


Parabéns, Bruno Pedrosa. 
Daqui do Brasil ,
lhe mandamos nosso abraço e a amizade de sempre...

Sempre Sucesso!
Sucesso sempre!

Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc

O tempo tecendo o tempo
O tempo tecendo a hora
Não sei se tenho mais tempo
Não acho mais tempo agora...

Não sei se há contratempo
Na hora de escrever
Mas na hora que escrevo
O tempo passa a correr...


Claude Bloc

Curtas - XVIII - Aloísio

Enquanto tropeço em meus problemas,
O tempo corre.
Quando ando me divertindo,
O tempo voa.
Aloísio

Jornal O Povo chega com força ao Cariri Cangaço



JORNAL O POVO CHEGA COM FORÇA AO CARIRI CANGAÇO
Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Diretores do O Povo: Plínio Bortolotti - Institucional e Mariza Quinderé - Comercial
Aconteceu na última semana, dia 04, reunião de trabalho entre os representantes do Cariri Cangaço; Manoel Severo - Curador, Aderbal Nogueira - Conselheiro; e a Diretoria do jornal O Povo; jornalista Plínio Bortolotti - Diretor Institucional, Mariza Quinderé - Diretora Comercial e Linda Tavares - Gestora de Mercado Nacional e Projetos Comerciais.
Na oportunidade foi fechada a parceria entre o jornal O Povo e o Cariri Cangaço em sua edição 2011. O evento que acontece no próximo mês de setembro , na Região Metropolitana do Cariri, promete reunir mais de 150 personalidades do universo da pesquisa de temas nordestinos para mais seis dias de intensa programação de conferências, visitas tecnicas, apresentações artísticas, oficinas, mostra de teatro, cinema e vídeo, lançamento de livros, Latada Cariri Cangaço, dentre outras atividades.

Na oportunidade os Diretores do Jornal O Povo conheceram o Projeto Inicial para 2011; o tema principal, os sub temas e todos os desdobramentos do evento em sua terceira edição, com Conferências , Debates, Oficinas, Visitas Técnicas, Mostra de Vídeo Documentário, Lançamento de Livros, além da tradicional Latada do Livro Cariri Cangaço e as mais tradicionais manifestações da arte e floclore do cariri cearense. A parceria se dará tanto a nível institucional, como a nível editorial.



Para Manoel Severo, curador do evento, "nossa responsabilidade aumenta e muito com a chegada do O Povo, um dos grandes veículos de comunicação do nosso país, isso tudo  nos enche de satisfação e alegria, agora é continuar trabalhando, sempre acreditando que podemos efetivamente construir um grande instrumento de debate, aprofudamento, fortalecimento e acima de tudo divulgação das coisas de nosso nordeste, O Povo é uma conquista de toda família Cariri Cangaço".


VEM AÍ A REVISTA CARIRI CANGAÇO 2011 - EDIÇÃO DE LUXO!
Linda Tavares, Manoel Severo e Mariza Quinderé
Um dos pontos altos do Cariri Cangaço 2011 será o lançamento da Revista de Luxo - Cariri Cangaço; uma publicação comemorativa ao evento; editada pelo Grupo O Povo de comunicação. A revista trará a história da criação do Cariri Cangaço, suas várias etapas, os parceiros, os  principais momentos; matérias de pesquisadores e escritores renomados, de todo o Brasil, além de tudo o que acontece no mundo do Cariri Cangaço.
Para o Conselheiro do Cariri Cangaço, Aderbal Nogueira, "sem dúvidas nenhuma que o O Povo vem acrescentar ainda mais credibilidade ao já consagrado Cariri Cangaço, a cobertura editorial e o apoio institucional é muito importante para continuarmos a consolidar o Cariri Cangaço como um grande fórum de debates e estudos de temas da região, e ainda contando com o lançamento da espetacular revista Cariri Cangaço, toda produzida pela editoria do jornal O Povo, será sem dúvidas um marco em nosso evento".


tudo isso e muito em: cariricangaco.com

Gabriel Henrique
Produção Cariri Cangaço

                                                          


(recebido por e-mail)

Uma questão de tempo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Umas das desculpas mais esfarrapadas que, se costuma dar quando não se deseja realizar alguma tarefa, principalmente por falta de interesse é “não tenho tempo.” Como se o tempo fosse uma propriedade nossa ou um vilão a comandar nossa vontade. Alguns dizem que o tempo não existe. Se assim fosse teríamos que inventá-lo. Aliás, eu acredito que o tempo, assim como a Geometria realmente não existiam na terra em formação, sem seres vivos. Foi uma criação do homem. Se com o conhecimento geométrico edificamos o mundo como hoje o conhecemos, com o tempo movimentamos nossas vidas. O tempo é uma grandeza física referencial na quantificação do movimento. Mas o tempo varia de acordo com a percepção sensorial de cada pessoa. Quando crianças, o ano letivo demorava muito a passar. Já as férias de fim de ano esvaiam-se em um piscar de olhos. Depressa o tempo voltava a se arrastar, como um carro de boi carregado de cana de açúcar subindo uma ladeira.

À medida que vamos envelhecendo a nossa percepção de tempo muda e, este nos parece passar mais rapidamente. Recentemente soube por notícias, que o tempo não está mais rápido, o que alterou foi o movimento da terra em torno do sol, e o deste, arrastando a terra em sua viagem ao infinito. E é isto que nos dá a idéia dessa rapidez. Será? Por via das dúvidas, o sol poente do mês de julho que incidia na janela do meu quarto formando um ângulo reto há dez anos, projeta agora uma sombra com ligeira inclinação.

Há pessoas que dependem do tempo. Entre elas o relojoeiro. Mas não há um meio onde o tempo seja mais precioso do que na televisão. Um minuto de anúncio comercial custa uma fortuna. Aliás, em um minuto a televisão nos castiga com quatro propagandas, a maioria delas um “saco.” Um exemplo mais ilustrativo da eternidade de um minuto para a televisão, eu ouvi do saudoso dom Helder Câmara. Segundo ele, diretores da Rede Globo o convidaram para uma entrevista em sua sede no Rio de Janeiro. Pagaram suas passagens na primeira classe de um vôo internacional que fazia escala em Recife, hospedaram-no no melhor cinco estrelas da Barra da Tijuca, com mordomias que jamais o despojado Dom Hélder fora tratado. No dia seguinte, quando Dom Hélder chegou à estação da Globo, conduziram-no à sala de maquiagem. Antes de entrar no estúdio o diretor de jornalismo lhe avisou: “o senhor terá dois minutos para expor todo o conteúdo da sua mensagem.” Diante desse aviso Dom Hélder reagiu: “Mas meu amigo, vocês me trouxeram do Recife, gastaram um fábula com passagens aéreas, pagaram minha hospedagem num hotel caríssimo, com transporte à minha disposição aqui na cidade, tudo isso para eu falar apenas dois minutos?” – “Mas Dom Hélder são cento e vinte segundos!” – Valorizou o diretor da Rede Globo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

PACIÊNCIA - Enviado por Roberto Jamacaru (por e-mail)



No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem.
Ela disse:
- Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador.

- Um bonito garoto - respondeu o homem - e completou: - Aquela de vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha.

Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha.

- Melissa, o que você acha de irmos?

Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos!

O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração

Os minutos se passaram, o pai levantou-se e novamente chamou sua filha:
- Hora de irmos, agora?

Mas, outra vez Melissa pediu:
- Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos!

O homem sorriu e disse:
- Está certo!

- O senhor é certamente um pai muito paciente - comentou a mulher ao seu lado.

O homem sorriu e disse:

- O irmão mais velho de Melissa foi morto no ano passado por um motorista bêbado,
quando montava sua bicicleta perto daqui. Eu nunca passei muito tempo com meu filho e agora eu daria qualquer coisa por apenas mais cinco minutos com ele.

Eu me prometi não cometer o mesmo erro com Melissa.  Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta. Na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-lá brincar...

Em tudo na vida estabelecemos prioridades.
Quais são as suas?

Lembre-se: nem tudo o que é importante é prioritário, e nem tudo o que é necessário é indispensável!

RODA-VIVA - CHICO BUARQUE

Dedicado a Aloísio e Zé Nilton Figueiredo

 

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


GIRASSOL- Helianthus annus.
A dourada flor do Sol. Venerada pelos índios americanos e pelos astecas. No século XV, os astecas coroavam as sacerdotisas do sol com suas flores para as cerimonias sagradas. Hoje, da semente às pétalas de sua flor, tudo no girassol é utilizado, na alimentação ou na cura. Na culinária, os botões das flores podem ser adicionados crus às saladas ou cozidos como alcachofras. As sementes germinadas podem ser usadas em saladas e sanduiches. O óleo de girassol também é largamente empregado na indústria alimentícia.


Planta da família das compostas, atinge 3 metros de altura. Originada dos Estados Unidos e cultivado há mais de 3 mil anos pelos índios americanos. Foi introduzido na Europa no século XVI e sua cultura, em larga escala, teve início na Rússia onde até hoje suas sementes são oferecidas em restaurantes e vendidas nas ruas. Por sua grande capacidade de absorver água do solo, a planta foi utilizada para recuperar as terras pantanosas da Holanda.

Pensamento para o Dia 10/01/2011


“Você se sente feliz quando sabe que este corpo físico é seu, não é? E se você soubesse que dois corpos são seus, não deveria estar duplamente feliz? Da mesma forma, com o conhecimento de que tem um número crescente de corpos, a experiência de felicidade aumentará. Quando o universo inteiro for conhecido por ser um corpo, e a consciência universal se tornar parte do entendimento, então a bem-aventurança (Ananda) será completa. Para obter essa consciência universal, os muros limitantes da prisão egocêntrica devem ser destruídos. Quando o próprio ego se identificar com a alma individual (Jivi) ou Atma, a morte cessará. Quando o próprio ego se identificar e fundir-se com a bem-aventurança de Deus, o sofrimento cessará. Quando ele se fundir com Jnana ou Sabedoria Superior, o erro cessará.”
Sathya Sai Baba

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“A mente muda de rumo o tempo todo. A meditação (Dhyana) é o processo pelo qual ela é treinada a adquirir concentração. Quando sua verdade básica é conhecida, a mente não será iludida pelo evanescente, falso e desprovido de bem-aventurança. Em vez disso, ela acolherá o florescimento da alegria, felicidade e verdade, e não será afetada por tristeza e dor. Sua vida também assumirá um novo esplendor quando você visualizar e perceber a bem-aventurança na consciência da Realidade Suprema. O sabor do fruto é evidente quando todo ele for comido, sem deixar nenhuma parte para trás. Do mesmo modo, quando o sabor da meditação for, então, descoberto, você descartará toda dúvida e discussão e se envolverá totalmente nela. Portanto, inicie a meditação, cada um de vocês, a partir de hoje - até mesmo a partir deste momento!”
Sathya Sai Baba

Imediações da paciência - Emerson Monteiro

Diz-se que a pessoa tem pavio curto quando, com facilidade, deixa disparar o instinto agressivo, pondo pés no lugar das mãos, ao menor estímulo. Por motivo dos mais insignificantes, chuta o pau da barraca, na linguagem popular. Muitos fazem disso profissão, ganham no grito situações as quais bem poderiam conduzir do jeito amistoso, com educação, aproveitando as chances que surgem, toda hora, de criar relacionamentos produtivos, e construir lugar melhor de viver entre habitantes deste mundo nem sempre tão fácil de atravessar.

Há, entretanto, diversos amigos que contribuem nesse trabalho de aperfeiçoar o trato com os demais moradores das imediações da virtude, no âmbito social e consigo mesmo, nas criaturas humanas. Um deles, a valiosa paciência.
Quanto maior o uso da paciência, melhor o seu desempenho, semelhante ao amaciamento das máquinas e dos sapatos. Paciência não esgota, ao contrário de quem perde as estribeiras e quer se justificar. Pois ela pertencer à qualidade interna dessa virtude, a capacidade para ser inesgotável. Se não, caso esgotasse, perderia sua característica principal e viraria outro estado de espírito, fraco e descartável.

Bom, perto da paciência, nas imediações, residem alguns valores apreciáveis pela riqueza que transmitem aos que deles lançam mão. A esperança, por exemplo, uma dessas personagens da infinita misericórdia, parceira valente dos instantes de aflição. A feliz esperança, mãe bondosa das preciosas noites de sono dos aperreados, passageiros das agonias desse chão quente de travessias escuras. A que jamais esquece e nunca morre, apesar dos que dizem que morreria por último, conversa de quem a desconhece. Caso assim ocorresse, porém, também perderia sua principal qualidade, invés da rica essência, nutrição dos aflitos.
Uma outra cidadã do bairro onde mora a paciência recebe o nome de fé, palavra pequena de potencial esplendoroso. Ela veio habitar aqui por perto trazendo a energia dos contatos imediatos da divindade, linha aberta de escutar, dentro do coração, os sussurros do Universo. Fé, procedente das florestas virgens da religiosidade, na fibra íntima das emoções puras, moradora inabalável dos edifícios que rodeiam a paciência, que remove montanhas, alimenta famintos da luz verdadeira, mitiga a sede dos desvalidos, clareia passos aos cegos, alegra lares infelizes e transforma pesadelos em sonhos de paz.

No recenseamento dos habitantes desse território onde mora a paciência, na cidade das almas humanas, precisa, ainda, visitar a casa de outros moradores ilustres, o otimismo, sujeito de valor apreciável em qualquer empreendimento, sem esquecer de entrevistar seu irmão mais velho, o senso da realidade, para evitar cair da cama nos excessos de fantasia. Ouvir outro, um senhor entroncado, musculoso, calmo, persistente e simpático, o respeitado professor de nome trabalho, companhia necessária todo tempo, com intervalo só aos finais de semana. E novos e úteis viventes daqui de perto, onde existe a fiel paciência, em tudo por tudo a líder comunitária do sucesso.