Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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Colaboração:Claude Bloc


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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Core Ingrato - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma das canções mais belas do século XX. Catari, Catari, ou como mais comumente a conhecemos: O core ingrato! E mais bela é a melodia tão no sentimento como a canção "meridionale" ou a "napolitana" tem sido. E o improvável mundo pobre, da desgraça, vítima do preconceito e dos chefetes locais, como o sul da Itália fez uma canção que o norte separatista não chega nem aos pés. A não ser a bela ópera e suas arias, mas aí estamos falando numa "máquina" produtiva que se espalhava por toda a Europa além de Milão. Compare a riqueza da música nordestina, tanto a rural como a urbana para sentir o quanto do pulso da vida tem em comparação com outras. E quando chegamos no sul maravilha a seiva da vida está empoçada em alguns retalhos do tecido social. Mais comum naquele tecido roto, aquele esgaçado, mal costurado: o samba dos morros, as histórias da pequena classe média.

Não digo que a qualidade seja a salvação da pobreza. Apenas digo que mesmo para os ricos as palavras amargas, o desprezo e a traição são a regra do açougue. O tempo passa, a vida é tempo e com ele certos tipos. E diante de tanta dedicação ao foco, ao focar-se, objetivar-se vem Catari e lhe planta um gosto amargo.

Catarina, Catarina
Porque me dizes estas palavras amargas?
Por que me falas ao coração com estas tormentas, Catarina?
Não esqueças que te premiei meu coração, Catarina...
Não te esqueças....
Catarina...

Um comentário:

socorro moreira disse...

Bah!
Zé do Vale é uma surpresa !
E quando chega com música, parece uma banda, tocando no meu coreto.
Essa música eu cantava, quando tinha poucos anos. Acho que quem a descobriu pra mim foi o meu avô paterno.
E eu fecho os olhos, e vejo o Crato sem luz, iluminado de lua e de lampiões. Calçadas povoadas, e uma saudade noturna... Hoje eu sei que é do futuro.
Não importa a mensagem... Importa o sentimento que me envolve, quando lembro esta canção.
Vovô aumente o som do seu rádio... Eu quero ouvir catari!

!"Catari
em troca desse amor
Catari
me dás tão grande dor..."
Mas é a melodia que me faz viajar no tempo. E é de muito tempo que nos conhecemos !

Abraços, sempre benvindo, Zé !