Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

Se Liguem !!!



Faltam 03 dias, Show MUSI(CA)MINHOS de Pachelly Jamacaru

Contagem regressiva, será dia: 30 Abril no Centro Cultural BNB em Juazeiro do Norte,às 19.15h. Participaçãoes Especiais: Abidoral Jamacaru, Luis Carlos Salatiel, João do Crato, Dihelson Mendonça, Nivando Ulisses, acompanhados por: Aminadaber, Danilo, Isaias do(Trio Cariri) e o Mestre Jairo Starqey Convidamos a todos, marquem presenças!


Escola de Artes da URCA paralisada por falta de professores.


A Escola de Artes Violeta Arraes Gervaiseau da Universidade Regional do Cariri enfrenta mais uma vez uma situação lamentável em relação ao inicio das aulas devido à carência de professores.

O Semestre 2010.1 deveria ter iniciado dia 22 de abril, mas, na Escola de Artes não iniciou.

Nós alunos de Artes Visuais e Teatro nos reunimos no último dia 26 de abril e conversamos sobre a atual situação, onde chegamos a conclusão que os cursos não poderiam continuar com toda essa problemática, pois o quadro que atualmente se encontra são: 8 turmas, 4 do curso de Artes Visuais e 4 do curso de Teatro, nestas 8 turmas há um total de 19 disciplinas sem professores o que inviabiliza o inicio deste semestre e de futuros semestres.

Nós alunos por unanimidade decidimos paralisar as aulas por tais motivos: temos somente 3 professores efetivos em Artes Visuais, 4 professores efetivos em Teatro e contratados são 2 em Artes Visuais e 1 em Teatro. Necessitamos efetivamente de 17 professores em Artes Visuais e 13 professores em Teatro.
O Governador do Estado do Ceará Cid Ferreira Gomes autorizou o concurso público para reposição de professores efetivos onde houvesse vacância, tendo em vista 60 vagas para professores onde 7 estariam destinados para Escola de Artes 4 em Artes Visuais e 3 em Teatro, o que não soluciona o preenchimento das vagas necessárias para o fechamento da nossa grade curricular, pois para iniciarmos pelo menos 2 semestres contínuos precisaríamos no mínimo de 10 professores para o funcionamento dos cursos.

Tendo em vista o ano eleitoral, precisamos garantir que esse concurso seja homologado e os professores sejam contratados antes do dia 03 julho.

Vimos por meio deste solicitar o Governo medidas urgentes antes do lançamento do edital para professores efetivos que possivelmente seja lançado ainda essa semana.


Poesia da Luz
Fotografia

Nívia Uchôa

(88) 96127485 / 88488094

www.aguapraquetequero.blogspot.com
www.poesiadaluz.blogspot.com

Escola de Artes Violeta Arraes

URCA Barbalha - CE

PENSAMENTO PARA REFLETIR ... por Rosa Guerrera

"AQUELE QUE NÃO POSSUI RESPEITO PELAS OPINIÕES DOS OUTROS , NA REALIDADE É PORQUE NÃO TEM NEM UM POUCO POR SÍ PRÓPRIO "

Por Everardo Norões



Receita de escritor

(para outros festivais)

Hoje sonhei com uma árvore no meio do deserto.
Concluí que nela havia um passarinho,
passarinho voa,
quem voa tem asas.
E resolvi escrever um conto usando essa metáfora.
Deitei na rede, saquei do lápis (nada de esfereográfica)
e enquanto ouvia um velho disco de Raul Seixas,
chegou Sherezade, de blusa e calça jeans.
Pensei no título.
Algo que pudesse comover mãe e filha ao mesmo tempo.
Rabisquei: “Triste como ela”.
Puxei o laptop para verificar se no Google
alguém havia escrito algo com o mesmo título.
Esbarrei com um tal de Onetti.
Pedi uma sugestão a Sherezade, classe média periférica em ascensão,
metade da população brasileira,
meu mercado editorial.
- A essa hora, bicho?
Deu o estalo e depressa escrevi:
“A rede”.
O resto é sempre mais fácil:
meu léxico é o lexotan.
__
A colagem é feita com pinturas de Maigritte por Everardo Norões

Crepúsculo - por Domingos Barroso

Minha vida inteira
de sobressaltos
e silêncio.
Alma saltitante
sobre brasas
e cascas de ovo.
Cicatrizes,
joelhos ralados,
olhos por destino
sempre lacrimosos.
Os objetos comovem-se
com meus espasmos,
com minha baba mediúnica.
O ventilador corcunda
tenta arrancar suas hélices quebradas
em oferenda à minha solidão.
A escrivaninha curva-se aos meus pés
e puxa as cutículas das minhas unhas tortas.
Louvo-me a mente ínfima,
sujeito-me ao espanto do cotidiano:
ó ventilador corcunda,
ó submissa escrivaninha.


por Domingos Barroso

Por Heládio Teles Duarte




Tendo em vista a crescente preocupação do nosso querido amigo Pedrinho, em relação a provável notificação do TRE, por lançamento prematuro de sua candidatura à Câmara Municipal, ´nós frequentadores assíduos do Pimenta´s, esclarecemos que o mesmo foi escolhido por unâmidade, devido seus relevantes trabalhos em prol do nosso município. Entretanto, sabedores das exigências da lei eleitoral e preocupados com a preservação do patrimônio do provável candidato a mandato eletivo ( a saber: parte do Sítio são José / Crato, Sítio Faustino / Ponta da Serra e litigioso terreno Córrego do Galo/ Pernambuco ), resolvemos de público afirmar, que o nosso Pedrinho, nada mais é que um intelectual, chegado a uns SCOTCHS ,nos fins -de - semana e bastante paparicado por todos.
Atenciosamente,

Heladio teles Duarte ( médico )
Rommel Bezerra de Menezes ( empresário)
Armando Rafael ( intelectual )
Teo Couto ( engenheiro )
Marciano Teles Duarte ( empresário )
Dédé Tavares ( empresário 0
Hélio Pinheiro ( advogado )
Maurilo Peixoto ( advogado )
Pytty Peixoto ( empresário )
Kilson Piauí ( bancário )
Paulo Leonardo ( bancário )
Fco. Maia ( médico )
Bezerra ( markenting grupo BOPIL )
Roberto Jacú ( reporter )
Hélio Feitosa ( contador )
Samuel Alencar ( prefeito )
Riodalvo Rocha ( médico )
José Gonçalves ( médico )
Tobinha Rafael ( distribuição de petróleo )
Carlos Rafael ( professor )
Raimundo Filho ( vice -prefeito )
Antenor Muniz ( agrônomo )
Júnior Justo ( empresário )
Yvo Rodovalho ( empresário )
Haroldo Correia ( desembargador )
Marcondes Justo ( empresário )
Valdemir Correia ( empresário )
Gyvaldo Sisnando ( empresário )
Giovanne Sampaio ( médico )
Juvêncio Gondim ( empresário )


Heládio

Boneca x Neta ! - Socorro Moreira



Eu tive poucas bonecas.
Uma que andava, abria e fechava os olhos, e chorava...
Outra inesquecível, feita pelas mãos amorosas da minha avó materna... Uma bruxinha de pano !
Não tive a graça de ter filhas mulheres ... Mas tenho a graça de ter duas netas !
O tempo de brincar nunca passa . O tempo de chorar , às vezes seca...Mas o coração nunca deixa de se enternecer , e desejar o amor com muita pressa.
Eu digo que mesmo em todos os artifícios , sonhos e atropelos da vida, o que fica é a vontade de amar o amor (e)terno !

Dona Maria Eneida de Figueiredo e os seus filhos varões !

Conheci todos meninos de calça curta ; conheci todos adolescentes de calça comprida... Conheci, e sinto saudades de todos !
Zé Ricardo, Luis Alberto, Carlinhos e Anibal !

As meninas do meu tempo , debutavam !

Bela ! Minha colega e amiga Magali de Figueiredo !

Posso identificar :Magali, Ana Maria Dantas, Francíria Alencar, Lastênia ...

Lamar, Feliz Aniversário !


Abraços do Cariricaturas !

Praticando o desapego - por Marcelo Guerra



Exergue os términos com outros olhos e aprenda a dizer adeus.



A entrega do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano trouxe uma surpresa. O filme japonês Partidas (Departures /Okuribito) levou a tão desejada estatueta no lugar de outros filmes mais incensados pela crítica. Mas afinal de contas, o que Partidas tem que o torna tão especial? Trata-se da história de um homem na faixa dos 20 anos, casado, que toca violoncelo numa orquestra em Tóquio, e esta é dissolvida pelo patrocinador. Ele volta à sua cidade natal com a sua mulher e consegue um emprego no qual ganha muito bem. O que o desagrada é o novo trabalho em si: arrumar defuntos para serem cremados, numa cerimônia em que a família da pessoa morta está presente. À medida em que ele persiste no emprego, começa a perceber a importância do que faz e a dignidade de honrar os mortos em sua despedida.

Um outro filme, este feito para a TV, pela HBO, chamado Correr Riscos (Taking Chance) mostra um coronel que escolta o corpo de um soldado morto na guerra do Iraque para ser entregue a seus pais no interior, e também fala de despedir-se com dignidade.

A morte faz parte da vida, mas muitas vezes a negamos, talvez pelo medo, talvez por estarmos ocupados demais tentando sobreviver. Quando entendemos a morte como a outra face da vida, esta toma um novo sentido. Podemos efetivamente viver - e não somente sobreviver. Geralmente a morte, principalmente de pessoas queridas, nos sacode de nossa zona de conforto, de uma forma mais ou menos intensa, provocando questionamentos sobre a vida, principalmente sobre aquelas questões que adiamos a resolução. A morte nos lembra que tudo passa, que nada é para sempre, e dá uma noção real de que o tempo anda, e não espera.

É preciso saber dizer adeus a quem nos deixa, mesmo sabendo que o que está presente naquele instante é um corpo sem vida. Isso realça a dignidade da vida, não só daquele que morreu, mas de quem ainda vive.

Dizer que a morte faz parte da vida nos faz pensar só no final, mas é muito mais presente do que isso: a cada situação em que precisamos terminar algo para começar uma nova etapa da vida, a morte está ali. Na Índia, a religião hindu tem uma trindade de deuses, formada por Brahma, Shiva e Vishnu. Brahma é o criador de tudo, Shiva é o destruidor e Vishnu o preservador. Parece meio sinistro um deus que destrói, mas é através da destruição do que está gasto que há renovação, que é possível nascer o novo. Não à toa, Shiva é o deus mais adorado na Índia, tendo muito mais templos onde é cultuado, do que os outros deuses da trindade hindu.

Pode parecer absurdo o que eu vou dizer, mas integre a morte em sua vida para que você possa viver mais plenamente. Busque soluções para aqueles problemas que vem adiando, como se o tempo não passasse. Perceba o que já terminou em sua vida, e você não reconhece. Muitas vezes nos apegamos a situações que já não fazem mais sentido, somente pela rotina."Muitas vezes nos apegamos a situações que já não fazem mais sentido, somente pela rotina." Podem ser situações de trabalho, de relacionamento, de hábitos. Viver tendo presente a perspectiva de que morreremos não deveria trazer medo, mas acentuar a responsabilidade que temos de fazer com que a nossa vida tenha o rumo que planejamos para ela. Assim, podemos ser dignos de um dia morrer conscientes de que buscamos (mas nem sempre conseguimos) realizar aquilo que é necessário da melhor forma possível.

Para continuar refletindo sobre o tema

Trailer do filme Partidas - http://www.youtube.com/watch?v=0zvE-67leiw (legendas em inglês)

SOBRE O AUTOR
Marcelo Guerra

Marcelo Guerra

Médico Homeopata, Terapeuta Biográfico, co-fundador do DAO Terapias. Faz atendimentos individuais, para casais e grupos, em Nova Friburgo, Juiz de Fora e Niterói. Saiba mais »
contato: marceloguerra@terapiabiografica.com.br

A Poesia de Ana Cecília S.Bastos



Imagem que se veda,
palavras contidas e condensadas,
emoção abundante.

A invisível lágrima, intacta e ininterrupta.

Sim, também eu quero as palavras que nascem do chão,
me mordem no ar,
pelas canções que tocam no rádio
e viram esquinas.

Era um segredo: às vezes perdemos o locus da emoção.

"Morning yearning”: esse desejo de vida.

Descortinar. Foto de MVítor.

Empregada Legal x Ilegal




"A formalidade aumenta no trabalho doméstico porque os patrões receiam perder dinheiro com processos na Justiça"

Enquanto a informalidade toma conta de todas as atividades urbanas da economia brasileira, os empregados domésticos seguem rumo ao oposto. O número de carteiras assinadas destes profissionais cresceu 8,7% no ano passado, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"É mais econômico cumprir a legislação. Se a empregada doméstica não recebe os devidos direitos, ela tem 100% de chance de ganhar na Justiça", afirmou o juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Aluizio Santos.

Quem assina a carteira de trabalho da empregada doméstica, acaba gastando menos do que aqueles que estão "fora da lei" e ainda corre o risco de um processo trabalhista.
Desta forma o INSS, vale transporte, décimo terceiro e adicional de férias - direitos da categoria - cobrem com folga as despesas com advogado para defender-se de uma ação judicial.

Gastos e riscos - O empregador que cumpre os deveres com a empregada paga R$ 226,50 por mês (um salário mínimo e meio) e desembolsa R$ 3.599,00 por ano, somando-se também os encargos sociais. Já quem não assina a carteira, arca com R$ 4.217,00 no mínimo, caso perca a causa na Justiça. Se não pagar os direitos das empregadas durante dez anos, o prejuízo poderá chegar a R$ 6.116,00. Esses valores não incluem as multas do INSS e se baseiam em honorários de 10% sobre o valor da causa.

"No ano passado, o número de ações movidas contra empregadores cresceu pelo menos 20%", afirmou o presidente da Associação Nacional do Consumidor e do Trabalhador (Anacont), José Roberto Soares. A presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro, Arinda de Jesus, confirma que registrou maior número de ações contra empregadores em 1999.

Metade dos benefícios - Por outro lado, os empregados domésticos têm menos direitos que um trabalhador comum. "A lei não garante a metade dos benefícios que constam na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)", acrescenta Arinda. O empregador pode contratar sem conceder Fundo de Garantia (FGTS), seguro-desemprego, Programa de Integração Social (PIS), salário-família, hora extra e jornada de trabalho fixa. Para José Roberto Soares, o governo não tornou obrigatória a contribuição do FGTS para empregados domésticos porque, em sua opinião, "isso agravaria o desemprego".

Em 1993, 17% dos empregados domésticos contavam com a formalização do emprego. Em 1999, esse número pulou para 25%, dos quais 1,4 milhões de pessoas possuíam direitos trabalhistas. A última Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada na semana passada também pelo IBGE, mostra como esses números são raros. Das 658.112 vagas criadas nos últimos doze meses, 68,5% não têm carteira assinada.

Há quem prefira a informalidade...

Muitas empregadas domésticas preferem ficar na informalidade, sem carteira de trabalho assinada. Como diaristas, trabalhando em casas diferentes, elas ganham em média R$ 600,00 (mês) no Rio de Janeiro. Equivale ao dobro de quem tem carteira assinada e ganha até dois salários mínimos.

"Não daria para sustentar minha filha se eu trabalhasse com carteira assinada recebendo dois salários. Trabalhando seis dias por semana, no fim do mês junto R$ 700,00". Disse Célia Santiago, que cobra R$ 40 por cada faxina.

Já a empregada doméstica Elenice Guimarães da Silva, há cinco anos com carteira assinada, prefere ter os direitos. "Tenho férias, décimo-terceiro salário, licença-maternidade e vale-transporte. Assim está bom". Contou Elenice, que recebe R$ 360,00 por mês.

Depois de 20 anos trabalhando com carteira assinada, Ilaziu Santos desistiu de "ganhar pouco e trabalhar muito" e hoje trabalha como autônoma. Nas horas vagas, ajuda o marido, dono de bar. (S.L.).

Antes de contratar

Perfil
Antes de chamar alguém para trabalhar em sua casa, pense nas características que apreciaria e nos defeitos que não suportaria.

Referência
É preciso saber o seu passado profissional, para ter certeza do perfil do candidato.

Contrato
A partir do momento em que o empregador diz "comece amanhã" e o trabalhador concorde, já existe um contrato. O salário deve ser definido neste momento.

Carteira
O empregador assina a carteira de trabalho até 48 horas de trabalho (CLT artigo 29). Se não, especificar a data em que o empregado começou a trabalhar.

Direitos
O empregado doméstico recebe mensalmente pelo menos um salário mínimo, férias anuais com adicional de um terço do salário, décimo-terceiro salário - pago em duas parcelas - a primeira até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro, aviso prévio, licença maternidade remunerado de 120 dias e a aposentadoria.

INSS
Empregador e empregado contribuem para o INSS (com 12% e 8%, 9% e 11%) respectivamente. Se o empregado alegar que o valor é muito alto, o patrão pode pagar sua parte. Embora ele não seja obrigado, a parte de sua competência é apenas de 12%.

27 de Abril, no calendário do Brasil !- por Socorro Moreira

Ando sem poesia, e sem lirismo. Sonolenta demais , a preguiça poética me domina.
Ontem sonhei colorido, e tenho encontrado os amigos.
Minha mãe se recupera devagarzinho, e eu vou ficando menos triste.
Amanheci ouvindo Raphael Rabellho. Qualquer música que ele interpreta é linda ! Naturalmente prendo-me à melodia. A poesia até esqueço, na maioria das canções, com muitas exceções !
Hoje é dia de ouvi-lo !
Mas é dia também da Empregada Doméstica .Esse personagem tão família , que a vida nos empresta !
Descobri a vida, nos braços de uma delas : Sá das Dores - minha doce Dôra !
Viúva , herança da minha avó paterna, Dôra vivia comigo nos braços , passeando nas praças, nas ruas, nos açougues. Batia pernas por horas a fio, comigo nos braços procurando Zé de Mãe , um velho pedreiro, que tinha um chapéu pintado de azul celeste. Com meus ouvidos e todos os sentidos de menina precoce, atenta ao diálogo dos dois, não perdia uma oportunidade de corrigir o português da roça .
- "Pro mode ", Dora?
-" Por causa , menina sabida ! Vamos aviar , que estamos atrasadas pro dicomé !
Dôra é inesquecível ! Tinha um cheirinho de sarro de cachimbo, mas um sorriso misto de pureza e malícia. Eita viúva danadinha !
Com ela descobri logo cedo, que o destino de todas as viúvas é a alegria !
Ainda hoje luto na conquista das Ajudantes Domésticas . Apego-me , desapego-me , porque elas nunca chegam pra toda vida !
Reconheço e valorizo esses anjos encarnados , que pingam de suor , nas tarefas que nos pesam . É pesado lavar e passar a roupa, arrumar a casa, lavar os pratos da pia, e outras coisinhas mais... !
Agora a coisa mudou. Estudam , se formam, reivindicam seus direitos , e até sabem brigar na Justiça, quando se sentem lesadas ou coisa parecida. Tudo certo !
Se eu não morasse no Crato, se precisasse de emprego, numa cidade qualquer, eu seria com certeza, cozinheira !







Raphael Rabello
31/10/1962 27/4/1995


Nascido em uma família grande e musical, começou a tocar violão aos 12 anos, e em seguida formou o conjunto Os Carioquinhas, que tocava choro. Teve aulas com o lendário violonista Dino 7 Cordas, com quem gravaria um LP em 1991, e por algum tempo dedicou-se a esse instrumento, adotando o nome Rafael 7 Cordas. Considerado um virtuose do violão (de 6 e 7 cordas), tocou com os maiores nomes do choro e do samba, como Elizeth Cardoso e Radamés Gnattali, de quem foi muito próximo nos últimos anos de vida. Lançou, inclusive, em 1986, o disco "Raphael Rabello interpreta Radamés Gnattali". Em 1989, um acidente de carro resultou em uma fratura múltipla no braço direito que pôs sua carreira em risco. Porém, quatro meses depois o violonista estreava o show "Todo Sentimento" ao lado de Elizeth Cardoso. Um de seus trabalhos de maior sucesso foi o disco que gravou com Ney Matogrosso em 1990, "À Flor da Pele", numa parceria inédita. Gravou também com Paulo Moura, Deo Rian e Romero Lubambo. Suas interpretações para clássicos do choro como "1 x 0" (Pixinguinha) e "Desvairada" (Garoto) são consideradas antológicas. Em 1992 lançou um disco-tributo a Tom Jobim, "Todos os Tons", com participações do flamenco Paco de Lucia a Jacques Morelenbaum e o próprio Jobim. Atuou em discos de diversos artistas, e foi um dos mais requisitados violonistas dos anos 80 e 90, famoso por aliar técnica impecável a sensibilidade interpretativa, em qualquer estilo, fosse erudito, choro, flamenco ou bossa nova. Sua morte precoce, aos 32 anos, aliada à sua genialidade e virtuosismo, o fez ser considerado o "Mozart do choro".





segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vitrais

Por que não me amas?
Meus olhos de Neruda
o meu riso de Baudelaire?

Ou seria por causa dos óculos
de Fernando Pessoa?

Por que não me amas?
Minha cantiga de grilo
a minha indolência de minhoca?

Ou por minha recente micose?
(sarou, querida)

Agora de volta aos meus tornozelos
as brilhantes asas (roubei do pégaso).

Por que não me amas?
Minha larga testa de caboclo
os meus lábios cortados de pivete?
Ou meus dentes amarelos de Bukowski?

Parei de beber.
Permaneço ébrio.

Um lunático perfeito
rompantes de asceta.

Por que não me amas?
Por que sou de escorpião tenho veneno na cartola?
Para te amedrontar meu signo chinês é cobra.

Parei de odiar as pessoas como antigamente.
Prossigo com a mente enlouquecida.
Oculta, calada, genocídios.

Por que não me amas?
O meu cíúme de Euclides da Cunha?

Inferno agora é que quero matar quem ama as nuvens.
Quem se isola no quarto conta quantas formigas
afogam-se no vaso sanitário.

É uma tortura esse desejo de esganar quem se parece
com minha sombra dentro do baú antigo da minha vó.

Quando penso que existe alguém arrasta meus chinelos
a minha corrente pela casa e fala sozinho quero matar.

Certamente tu não me amas por esse desvario
que por ora é toda a minha ambição de vida.

Aos meus ombros apenas o fardo invisível.
O cafezinho quente à minha alma ofegante.

E não existe possibilidade de mudanças.
Por todo o sempre (um sopro)
serei esse mesmo tronco
essa mesma casca
e alguns pássaros
no alto.

Ora estufam o tépido peito,
ora batem as asas de chuva:
e gripam.

BRUNO E MARRONE por Rosa Guerrera


Gosto de duplas sertanejas .Já fui até chamada de 'brega" por essa minha preferência . Mas, não importa. Tenho uma admiração especial por Bruno e Marrone .Gosto do jeito como eles cantam , da maneira de interpretar , do carisma que essa dupla possui e principalmente das letras das canções . Talvez muita gente nunca se prendeu em ler a poesia existente em quase todas as canções cantadas por eles. E abrindo um espaço nesse blog , onde tantos famosos interpretes , autores e compositores já foram mencionados , gostaria de transcrever uma das músicas que mais gosto interpretada por essa dupla que para mim , é sensacional .


BIJOUTERIA

Quando a noite cai
É que eu sinto a falta que você me faz
Saudade que não passa e nem me deixa em paz
A sombra de um amor que já brilhou demais.

Você foi pra mim
A coisa mais bonita que me aconteceu
Nao pode imaginar os sonhos que me deu
E quanta insegurança que deixou o adeus.

Amei você
Sem truques,sem maldades,fiz o meu papel
Eu quis lhe oferecer o que ninguém te deu
Você não acredita, mas eu fui fiel

Amei você
Mas hoje posso ver que foi melhor assim
Preciso te esquecer pra me lembrar de mim
A vida continua

E no brilho de uma pedra falsa
Dei amor a quem não merecia
Eu pensei que era uma jóia rara,era bijouteria

Das mentiras das palavras doces
Vi calor no teu olhar tão frio
Na beleza do teu rosto esconde um coração vazio





"Toda criança tem direito de brincar...
É na barriga da lona que crianças de todas as idades recuperam o direito de brincar de ser artista, de sonhar e de construir suas cidadanias plenas."
Cristina Diogo
Tempo
- Claude Bloc -
.

O tempo é fragmento
de luz escassa
onde o agora
se enovela com o sempre
num embate sem trégua.

E no tempo
um barco a vela,
a vida na tela
no início de tudo.

O tempo resiste
a cor insiste...
e a cor neste tempo
é saudade.
...
Claude Bloc

Caixinha de Música - por Norma Hauer

A caixinha já não existe mais,
Só ficou a saudade de seu trá-lá-lá..."

Uma das poucas músicas que ele compôs sozinho foi a "Caixinha de Música", gravação original de Sílvio Caldas. E quem a compôs?

O aniversariante desta data que hoje completaria 100 anos, mas só viveu 34; não chegou a completar 35. Seu nome CUSTÓDIO MESQUITA.

Custódio Mesquita nasceu aqui no Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeiras, no dia 25 de abril de 1910.

Há um século!

Custódio foi compositor, escreveu peças para teatros, atuou no cinema; era um galã diferente. Na época em que os homens cortavam o cabelo a la Príncipe Danilo, Custódio ostentava uma cabeleira bem tratada, bonita, que lhe dava os ares de galã hollywoodiano.
Criando trabalho para teatro, conheceu o também autor e compositor Mário Lago, fazendo logo dupla com ele. Foi quando ambos compuserem um dos grandes sucessos de Orlando Silva :"Nada Além". Na outra face do disco de 78 rotações foi gravada outra composição da dupla:"Enquanto Houver Saudades".

Custódio compôs com Sady Cabral "(Velho Realejo", "Mulher" e"Bonequinha");
Com Evaldo Rui ("Rosa de Maio". "Como os Rios Correm P''ro Mar"; "Valsa do Meu Subúrbio";"Gira...Gira...Gira...". "Saia do Meu Caminho"...")

Mas seu primeiro sucesso foi gravado por Aurora Miranda em 1934, a marchinha "Se A Lua Contasse".

. Termino este trabalho como comecei:

"A caixinha já não existe mais,
Só ficou a saudade de seu trá-lá-lá..."
Norma

Comentário sobre o Geraldo Junior

Música: Geraldo Junior

April 23rd, 2010
 
Sexta-feira é dia de relaxar, deitar numa boa rede e uma boa música escutar.

A partir de hoje, a sexta-feira será o dia de trazer  aqui para o blog o que estamos escutando em nossa agência. Compartilharemos com vocês colegas, clientes e parceiros, um pouco do som que rola por aqui e nos trás a inspiração de cada dia.
Geraldo Junior
Geraldo Junior - Foto: Junior Panela

Começaremos com o CD – Calendário – O Tempo e o Vento, do músico Cearense Geraldo Junior, que, no momento, é o som mais “ouçado” na agência.
E para aqueles que gostam da boa música e do verdadeiro forró, aproveitem para saber um pouco mais sobre a história do Geraldo, assistir vídeos, ver fotos e até mesmo fazer o download do cd, através do seu site www.geraldojunior.com.br
Aproveitamos para parabenizar este cabra da peste que representa a nossa região à altura e desejarmos todo sucesso do mundo.

Vejam a matéria original no blog Leriado:
http://vf2.com.br/leriado/2010/04/musica-geraldo-junior/


Faltam 04 dias, Show MUSI(CA)MINHOS de Pachelly Jamacaru

Contagem regressiva, será dia: 30 Abril no Centro Cultural BNB em Juazeiro do Norte,às 19.15h. Participaçãoes Especiais: Abidoral Jamacaru, Luis Carlos Salatiel, João do Crato, Dihelson Mendonça, Nivando Ulisses, acompanhados por: Aminadaber, Danilo, Isaias do(Trio Cariri) e o Mestre Jairo Starqey Convidamos a todos, marquem presenças!

Projeto água pra que te quero! - Nívia Uchôa

Feliz Aniversário, Ni !

Ni de Sousa, grande produtora cultural do nosso Cariri !

Um abraço de felicitações do Cariricaturas !

Foto: Cristina Diogo.

William Shakespeare



SONETO LXXXVIII
Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
William Shakespeare

BISAFLOR RECOMENDA “O LIVRO DOS ABRAÇOS”, DE EDUARDO GALEANO

Bisaflor adora livraria. E biblioteca também, pois gosta de ler histórias, assim como gosta de ouvi-las, inclusive os “causos” contados por esse mundo afora. É por isso que vezenquando ela conta uma história aqui no Cariricaturas.
Hoje Bisaflor vai ler um conto do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que consta de O LIVRO DOS ABRAÇOS.
Misto de memória pessoal e memória coletiva da América, O Livro dos Abraços conta várias histórias, com beleza e poesia, a partir de pequenos momentos e fatos da vida do autor, da vida de amigos e parentes, das cidades da América Latina, enfim histórias ouvidas nas suas andanças. Para Galeano “a memória viva nasce a cada dia”, é feita sem as grandiloqüências de heróis, e sim com a grandeza da vida.

CAUSOS/1 (In O Livro dos Abraços. Porto Alegre, L&PM, 2009)

Nas fogueiras de Paysandú, Mellado Iturria conta causos. Conta acontecidos. Os acontecidos aconteceram alguma vez, ou quase aconteceram, ou não aconteceram nunca, mas têm uma coisa de bom: acontecem a cada vez que são contados.
Este é o triste causo do bagrezinho do arroio Negro. Tinha bigodes de arame farpado, era vesgo e de olhos saltados. Nunca Mellado tinha visto um peixe tão feio. O bagre vinha grudado em seus calcanhares desde a beira do arroio, e Mellado não conseguia espantá-lo. Quando chegou no casario, com o bagre feito sombra, já tinha se resignado.
Com o tempo, foi sentindo carinho pelo peixe. Mellado nunca tinha tido um amigo sem pernas. Desde o amanhecer o bagre o acompanhava para ordenhar e percorrer campo. Ao cair da tarde, tomavam chimarrão juntos: e o bagre escutava suas confidências.
Os cachorros, enciumados, olhavam o bagre com rancor; a cozinheira, com más intenções. Mellado pensou em dar um nome para o peixe, para ter como chamá-lo e para fazer-se respeitar, mas não conhecia nenhum nome de peixe, e batizá-lo de Sinforoso ou Hermenegildo poderia desagradar a Deus.
Estava sempre de olho nele. O bagre tinha uma notória tendência às diabruras. Aproveitava qualquer descuido e ia espantar as galinhas ou provocar os cachorros:
- Comporte-se – dizia Mellado ao bagre.
Certa manhã de muito calor, quando as lagartixas andavam de sombrinha e o bagrezinho se abanava furiosamente com as barbatanas, Mellado teve a idéia fatal:
- Vamos tomar banho no arroio – propôs.
Foram, os dois.
E o bagre se afogou.

Verso - por Edmar Cordeiro

O VERSO É O LADO DE FORA.

SÃO AS COSTAS,

O DETRAZ

O CONTRÁRIO A ...

NÃO É CARA É COROA

NÃO É A FACE

É O QUINTAL

O FUNDO,

O OPOSTO,

O ADVERSÁRIO

A NOITE, NÃO O DIA,

A SOMBRA, NUNCA A LUZ,

O PESADELO NÃO O SONHO,

A LOUCURA, NÃO A RAZÃO

O TÉDIO,

FORÇAS OPOSTAS

VOCÊ LONGE

E MEU AMOR

FORTE CLAMANDO

POR SEU SER

VENCEDOR

EMBORA

NO VERSO.

QUEM NÃO FEZ ??? por Rosa Guerrera


´Já fiz muita coisa nessa vida ! Se certas ou erradas não sei! Sei apenas que no momento em que sentidas e vividas representaram fragmentos de mim.
Já escondi inúmeras vezes o pranto quando deveria ter chorado copiosamente.
Já emprestei meu ombro para acalentar quem não devia, e já fiquei sozinha sem uma mão para apertar a minha.
Já fugi do amor , com medo de me machucar., e já me machuquei por amar quem não devia
Já cantei canções para sufocar a solidão , e já caí nos braços da solidão ouvindo apenas uma canção.
Já acreditei em promessas vãs , na esperança de transformar mentiras em verdades.
Já me entreguei as loucuras de uma paixão , consciente de que tudo não passava de instantes passageiros.
Já gargalhei com piadas ( velhas conhecidas) apenas para agradar quem me fazia companhia.
Já menti sorrindo no intuito de abafar mágoas e cicatrizes da minha alma , e já deixei com inverdades lágrimas em outros corações.
Já disse “ adeus” quando queria ter ficado, e já parti antes que me acenassem um “adeus”.
Já sonhei sonhos impossíveis ! E tive pesadelos com a realidade.
Já afirmei ser forte ,e reconheci que as bases da minha fortaleza ainda estavam em construção.
Já entreguei de corpo e alma a minha verdade, quando deveria ser mais cautelosa .
Já me julguei ser única em ter feito tanta coisa irrefletida, ter silenciado quando deveria ter gritado, ter falado em tom áspero quando o silencio seria bem melhor, guardado mágoas em lugar do perdão , feito projetos impossíveis de serem concretizados, rasgado a poesia que o meu Eu gritava para que eu a escrevesse, abafado a voz do meu coração quando tinha ímpetos de soltá-la sem grilhões e sem medo ......... que hoje refletindo sobre tudo isso , me atrevo a perguntar : ‘QUEM NÃO FEZ O MESMO ?”

Avatar - por José do Vale Pinheiro Feitosa

1 Rubrica: religião.
na crença hinduísta, descida de um ser divino à terra, em forma materializada [Particularmente cultuados pelos hindus são Krishna e Rama, avatares do deus Vixnu; os avatares podem assumir a forma humana ou a de um animal.]
2 processo metamórfico; transformação, mutação

“James Cameron's epic motion picture, Avatar”.

Com tais palavras o site oficial do filme explica a que veio. Com todas as suas metáforas, fantasias, lendas das forjas de Hollywood, o pretensioso se mostra muito aquém (ou além) do resultado. É um filme pipoca, bebe nas águas de Walt Disney, mergulha nos diversos “Guerra nas Estrelas” e emerge, quase faltando o fôlego, com o discurso oficial da sociedade americana. Qual discurso?

Da sociedade e dos governos do hemisfério Norte. As riquezas materiais do território do sul não podem ser exploradas. Tudo aquilo que antes era reserva ao sul do equador, deve permanecer como tal para um futuro uso dos habitantes do Norte. Não é esta a metáfora direta, geraria revolta a sul e quem sabe até ao norte. É a metáfora indireta, aquela que, por travessa, diz o essencial: não toquem nisso que não é de vocês, é nosso.

É a posse “internacional” do território que antes ainda era tido como o inviolável das nações. A Amazônia é deles, o petróleo do pré-sal, também, o que é nosso é o subdesenvolvimento e a pobreza. Vamos olhar para o Avatar James Cameron: numa manifestação, internacional, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Bem aqui no território nacional, junto a quem de direito e com o espírito, não metafórico, da mídia amiga do imperialismo.

Agora vamos à qualidade do discurso hollywoodiano tanto de Al Gore quanto este recente de Cameron. Aliás, se encontra mais explicitamente no filme 2012, quando o mundo é salvo, com uma arca de Noé moderna, construída para salvar apenas os espécimes do G8. Deve ter sido roteirizado e filmado antes da crise que caiu no colo deles com mais vigor que o argumento do filme.

É um discurso tipicamente de psicologia social, disfarçado de bem comum, para defender a reserva da qualidade de vida das sociedades avançadas, que consomem escalas assombrosas da energia do planeta e dos seus recursos minerais não renováveis e aqueles renováveis. Falam do bem comum com aquele direito de intervir no outro, preservando o seu modo como herança de privilégio.

Ora eles têm que pagar mais pelo que nos tiram. Devem consumir menos do que estragam para que, também, possamos. Precisamos de água limpa, escola decente, saúde coletiva, moradia de qualidade, melhorar enormemente as nossas cidades, articular a malha de transporte numa escala centenas de vez maior do que a de hoje. A metáfora deles corrompe os jovens e vicia os que desistiram das próprias pernas.

O Avatar não é nossa fantasia. É, sobretudo, o processo metamórfico, ou a mutação do discurso imperialista como modo de preparar o futuro exclusivo para eles. E o futuro deles não é tão distante assim. Amanhã virá o segundo capítulo com a exploração dos recursos.