Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Há 200 anos nascia George Gardner -- por Armando Lopes Rafael

O próximo dia 2 de maio assinalará os 200 anos de nascimento de George Gardner, Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista inglês, nascido em Glasgow, Escócia, no dia 02 de maio de 1812. Naquela cidade, ele iniciou seus primeiros estudos. Graduou-se em Medicina e Botânica. Muito jovem, aos 24 anos, iniciou uma visita de estudos ao então Império do Brasil.

Fruto dessa viagem – feita com o objetivo de estudar, observar e pesquisar o Império dos Trópicos – foi a publicação, em 1846, três anos antes da sua morte, de um livro somente um século depois traduzido para o Português por Albertino Pinheiro, com o título Viagem ao Interior do Brasil. (São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 p.)

Uma vida breve e rica! Assim poderia ser sintetizada a existência de George Gardner!

Chegada ao Cariri

Ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, George Gardner avistou Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:
 “Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto.

A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.

A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno”.

Números que enganam – por Armando Lopes Rafael

(Escrevi este articuleto em 2002, há dez anos. Incrível, mas ele ainda mantém a atualidade. Minha intenção era, tão somente, mostrar como o povo brasileiro é manipulado pelas informações que recebe. Caro leitor:  qualquer retificação ou incorreção aqui constante será bem recebido pelo autor do escrito)


   Luiz Inácio Lula da Silva se elegeu novo presidente do Brasil por esmagadora maioria dos eleitores, certo? Errado.

     No primeiro turno, segundo a imprensa, Lula obteve 46,44% dos votos. Verdade? Puro engano, como demonstrarei a seguir.

O nosso colégio eleitoral tem 115.253.447 votantes. O candidato do PT recebeu 39,4 milhões de votos que representam 34,2% da preferência eleitoral. Ou seja: 65,8% dos eleitores brasileiros não queriam Lula como presidente. No primeiro turno, José Serra obteve 19,700 milhões de votos (17,1%); Garotinho foi votado por 15,175 milhões de brasileiros (13,2%); Ciro conseguiu 10,167 milhões (8,8%). Votaram em branco 2,873 milhões de brasileiros, enquanto os nulos somaram 6,975 milhões. E se abstiveram de votar 20,473 milhões de pessoas(17,8%), superando assim a votação dada a José Serra.

No segundo turno, Lula obteve 52.793.364 votos (45,8% do colégio eleitoral) enquanto Serra foi votado por 33.370.739 eleitores (28,9% dos aptos a votar). Se eu estiver errado, por favor, corrijam-me. Mas deixemos de lado as eleições presidenciais deste ano, fato consumado, e reflitamos sobre o processo eleitoral em si.

José Maria Pemán, um brilhante intelectual espanhol, no livro "Cartas a um céptico sobre as formas de Governo", escreveu: "Em princípio, não há processo de designação mais contrário à essência da magistratura suprema do que o eleitoral: deve ser uma magistratura para todos – e é eleita por um partido; deve ser um poder imparcial e sereníssimo – e nasce das paixões da luta; deve ser um símbolo unanimemente respeitado – e expõem-no durante o período que precede a sua ascensão, que é o do combate eleitoral, a todos os embates da crítica, da discussão, da caricatura e do libelo" (Edições Gama, Lisboa, 1941, p.71).

Muita gente afirma que as eleições representam a expressão da verdadeira vontade popular. Os mais fanáticos chegam a dizer "vox populi, vox Dei" (a voz do povo é a voz de Deus). Mas será que sempre ganham os melhores e os mais preparados? Será que sempre ganha quem tem mais experiência, os mais honestos, os mais sábios ou os mais competentes?

Na eleição que Pôncio Pilatos fez para o povo escolher entre Barrabás e Jesus Cristo, este último foi fragorosamente derrotado, pois a massa ignara sufragou Barrabás, o homicida. Como bem afirmou o bispo fluminense dom Fernando Arêas Rifan: O povo pensa. A massa é manobrada. Nem sempre podemos dizer que a eleição seja expressão da vontade do povo. Talvez seja só da massa."

terça-feira, 20 de março de 2012

Crucifixo, chatice e intolerância – por Carlos Alberto di Franco

(publicado n’O Estado de S.Paulo)

Carlos Brickmann, jornalista arguto e politicamente incorreto, decidiu entrar no vespeiro do despejo do crucifixo de todas as dependências do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul. Vale a pena registrar o seu comentário.
"Há religiões; também há a tradição, há também a história. A Inglaterra é um estado onde há plena liberdade religiosa e a rainha é a chefe da Igreja. A Suécia tem plena liberdade religiosa e uma igreja oficial, a Luterana Sueca. A bandeira de nove países europeus onde há plena liberdade religiosa exibe a cruz.

O Brasil tem formação cristã; a tradição do país é cristã. Mexer com cruzes e crucifixos vai contra esta formação, vai contra a tradição. A propósito, este colunista não é religioso; e é judeu, não cristão. Mas vive numa cidade que tem nome de santo, fundada por padres, numa região em que boa parte das cidades tem nomes de santos, num país que já foi a Terra de Santa Cruz. Será que não há nada mais a fazer no Brasil exceto combater símbolos religiosos e tradicionais?
Se não há, vamos começar. Temos de mudar o nome de alguns Estados e cidades como Natal, Belém, São Luís e tantas outras. E declarar que a Constituição do País, promulgada 'sob a proteção de Deus', é inconstitucional.

Há vários símbolos da Justiça, sendo os mais conhecidos a balança e a moça de olhos vendados. A balança vem de antigas religiões caldeias. Simboliza a equivalência entre crime e castigo. A moça é Themis, uma titã grega, sempre ao lado de Zeus, o maior dos deuses. Personifica a Ordem e o Direito.

Como ambos os símbolos são religiosos, deveriam desaparecer também, como o crucifixo?"
Em São Paulo, cidade cosmopolita e multicultural, basta bater os olhos nas estações da Linha Azul do Metrô: Conceição, São Judas, Saúde, Santa Cruz, Paraíso, São Joaquim, Sé, São Bento, Luz, Santana. E aí, vamos ceder ao fervor laicista e mudar o nome de todas elas?
Carlos Brickmann foi certeiro. Mostrou a insensatez e a chatice que estão no fundo da decisão de um Judiciário ocupado com o crucifixo e despreocupado com processos que se acumulam no limbo da inoperância e do descaso com a prestação da justiça à cidadania. Na escalada da intolerância laicista, crescente e ideológica, não surpreenderia uma explosão de ira contra uma das maravilhas do mundo e o nosso mais belo e festejado cartão-postal: o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

sábado, 17 de março de 2012

Tempos apocalípticos -- por Paulo Brossard (*)

Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este “o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico” e da separação entre Igreja e Estado.

Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que “a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa”.

É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.

Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que “por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz”… e, adiante, “não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”. Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.

Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.

Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de “Deus” do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites.

(*) Paulo Brossard, ex-senador da República, ex-ministro da Justiça, Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Artista Plástico Cratense representará o Ceará no SARAU CHATÔ 2012, em Brasília


Um dos mais importantes eventos artísticos de Brasília


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O artista plástico cratense George Macário seguirá para Brasília nos próximos dias, onde representará o Ceará num dos mais cobiçados eventos artísticos, o SARAU CHATÔ, ponto de referência cultural na capital da república, destinado a eventos culturais.

Inaugurado em abril de 2008, o Espaço Chatô é um canal de comunicação para manter acesa a chama de Assis Chateaubriand, no que se refere ao seu ideal de elevação do nível cívico e cultural do povo brasileiro, motivando sempre o debate das grandes questões nacionais e o incentivo ao desenvolvimento da educação.

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Na foto acima: Galeria George Macário, em Crato

O artista plástico cratense George Macário já realizou exposições em diversas cidades brasileiras, e suas obras são elogiadas pela crítica especializada. Um dos seus maiores entusiastas é o internacionalmente conhecido artista Bruno Pedrosa, que reside na França, e cujas exposições transitam nas maiores galerias do mundo; De Nova York a Paris, de Londres a Tokyo.

George Macário estará no Sarau Chatô no dia 22 deste mês de março e deverá levar algumas das suas mais recentes obras para uma exposição. O Sarau Chatô possui uma intensa programação de exposições, lançamentos de livros e apresentações musicais, e é parte integrante da estrutura da Fundação Assis Chateaubriand, localizada no Setor de Indústrias Gráficas, Quadra 2, Lote 340, no edifício-sede do Correio Braziliense, em Brasília (DF). O local dispõe de um salão de 80,35 m², margeado por agradável varanda de 745 m².


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George Macário mescla diferentes estilos: Pós moderno e Impressionismo:

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Após décadas nos estilos tradicionais, nos últimos anos, amadureceu a idéia de que unir a pintura com a escultura. Seus mais recentes trabalhos mostram relêvo, e cada vez mais o uso de projeções tridimensionais, formas abstratas que saltam da tela para o mundo real:

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Recentemente o artista desenvolveu uma série de esculturas derivadas da sua própria forma de concepção visual

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Dihelson Mendonça com informações do Sarau Chatô.

O ghostoso da simplicidade - Emerson Monteiro

Acharam, pois, de artificializar tanto, e de tal forma, as categorias gramaticais que de regra obesa ninguém vive mais o prazer das primeiras vezes, nessas murrinhas rodeadas na moldura dos cabelos amarfanhados, parafinados, que só aprisionam a boneca da velha civilização. Onde eles esconderam o desgosto do amor aberto das praças e a paixão dos filmes ardentes, as flores miudinhas abandonadas ao vento, o inesperado das cenas, os sambas clarividentes de Chico Buarque?

A emoção definitiva dos jornais de antigamente que chuva levou para sempre, então? E as máquinas sabidas de dar corda, os brincos de argola pendurados perto dos lábios de mel, olhos acesos de desejo às menores carícias, os brejos dos canaviais ondulantes, as cores vivas dos tetos de telha das choupanas e suas chaminés esvoaçantes tingindo de cinza o verde da matas em festa animada? Os pirilampos, as cabrochas, os sugares das concertinas, estalidos de comboeiros conduzindo cargas de rapadura em travessias de sertão? Que é disso, daquilo e doutros tamanhos blocos de granito que jamais imaginou sumirem?

E o ghostoso das mínimas atenções que escorregou dos dedos a preço de inutilidades, a troco de nada, sem botão de respostas saracoteando nas histórias estrangeiras das conversas pra boi dormir dos vídeos games e tudo?! Argumentos falsos desconfiados dessa gente que repete as produções, no lucro incessante em jeito sabido, incutindo colesterol nas barrigas esfomeadas dos subdesenvolvidos e carrões platinados!?...

Começaram tocando nas rádios assuntos desconhecidos em músicas de línguas desconhecidas, e venderam fácil aos índios geniais camaradas, samurais enferrujados. Passaram que passaram turnos de mercadorias ilustradas, sarapintadas no sabor de artificial, e encheram maneiro o canteiro da moçada efusiva.

Depois era ver e crer o quanto sucata emprenha o teto dos armazéns, casas e dormitórios. Nisso, o barco segue tingindo o mar dos puxadores da guerra, nos exteriores das fazendas de gado, na superpopulação do tecido social. Cultura mesmo adormeceu preguiça no território de um globo inteiro, que esmoreceu nas calças. Bossa abusada que fuça, fuça, a estrutura caduca na farra de ração que atocha de hormônio o tanque da macacada sideral.

Há tempo, sim, nas folhas dos calendários... No treme-treme dos relógios. Ia esquecendo falar a saudação de fechar a carta.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Hugo Linard - Emerson Monteiro

No dia em que iniciava estudos junto ao Colégio Pio X, localizado na Praça da Sé, em Crato, ali por volta dos meus 10 anos, logo antes do início das aulas observava um dos garotos para mim desconhecidos nas animações e intensas atividades. Um deles era Hugo, que depois seria meu amigo e companhia de bons instantes, naquela época. Logo soube que tocava acordeom, gostava de jogar bola e marcava o grupo pela facilidade em liderar os demais garotos. Sempre criativo, guardava boas surpresas e demonstrava alegria contagiante.

Noutras horas, saíamos em caminhadas pela cidade, quando, inclusive, me traria a conhecer o Bazar de Dona Zulmira, loja de brinquedos e variedades que havia na Rua Miguel Limaverde, na época apenas um beco típico do centro antigo do Crato, de belas casas revestidas de azulejo português, herança mais adiante desfeita na urbanização da cidade. A visita ao bazar marcaria bem os olhos de menino qual aparição mágica com mimos quase de tudo ignorados, dada a beleza dos brinquedos raros que oferecia. Isto conduzido pelas mãos do colega e amigo.

Hugo significava em Crato menino prodígio que iniciara a história de musicista logo aos seis anos de idade. Em cada sessão de arte do colégio detinha presença fiel, a executar com maestria as páginas do cancioneiro popular de maior sucesso, número apreciado nos programas de auditório das emissoras cratenses, Araripe e Educadora, atração respeitada por legião de fãs.

Seguiu carreira promissora, merecendo o apoio dos pais, que com ele montariam, nos anos 60, o grupo Ases do Ritmo, conjunto que marcou os bailes do Cariri durante fase inesquecível das tertúlias semanais, junto de Hildegardes Benício , Os Tops e Os Águias.

Além de músico virtuoso nos teclados, Hugo possui dotes para o desenho, havendo mostrado trabalhos nos Salões de Outubro de 1977 e 1978, e no Salão de Maio de 1978, em Crato, ocasiões quando auxiliei na organização dos tais eventos, e expus colagens e pinturas, o que exercitava naquele momento.

Dias atuais, e acompanho as atividades intensas de Socorro Moreira, junto de outros animadores culturais cratenses, para realizar, dia 14 de abril, no Crato Tênis Clube, a festa dos 60 anos de carreira de Hugo Linard, laurel merecido e justo, sobremodo vindo deste reconhecimento público a quem tantas emoções ocasionou durante a boa geração de contemporâneos.

A Hugo Linard o meu abraço de júbilo, satisfação e melhores sentimentos, visto o exemplo de pai de família e profissional exímio que nos lega e que lhe credencia ao destaque que usufrui nas artes da nossa Região.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia da Poesia

Hoje é dia
Dia da Poesia
Rios carregam letras
Ventos transportam frases
Sinos cantam rimas
O cordel se arruma todo
O livro já se perfumou
A viola da seu grunido
O pandeiro lhe responde
A caneta pula e dança
O papel ligeiro deita
Sonhadores da poesia acordam
Registrando a cultura nossa
Imortalizando a alma do poeta
e dos amantes da POESIA 


Daniel Boris (Jacques)
Artista Plástico
 

segunda-feira, 12 de março de 2012

 Por que me abres velhas cicatrizes?
Se o meu não nunca te fere
por que esse perfume antigo?
Se sabes que odeio esse passado torto
por que me olhar atravessada?
Se o teu ódio não te faz andar
por que esse riso torpe? Por que?
A duvida não te permite gostar
Não te deixa sentir...nem sonhar
Por que fazer-se distante?
Se Eu te vejo aqui,
embora fora de mim
longe assim..
Que ventos nos deixou
num viver sem respostas?
mesmo que o caminho
se feche em paliçadas
qual paredes opacas
sem brechas para palavras
ou espaços para sonhos
ou perdão...
ainda assim podemos caminhar
mesmo que caminhemos
em sentidos contrarios
por estradas opostas
num viver sem respostas
sem tempo nem coragem
nem mesmo pra dizer
adeus.
Por que?


LEMBRANÇAS DO ASSARÉ - Por Edilma Rocha

Nos tempos de criança a simplicidade do lugar se completava com a companhia dos parentes mais próximos. Uma  cidade com poucas casas em torno de  uma só Praça, que já continha o próprio comércio.

Um mercado que exibia as carcaças do gado abatido dependurado pelos ganchos de ferro lá no alto, enquanto os vira-latas famintos aguardavam deitados pelas sobras, pacientemente. Em cima das bancadas a matança era completa. Cabritos, leitões e uma fileira de galinhas caipiras com porções de sangue em pequenas tigelas, agurdavam a freguesia. O ritual da faca do açougueiro lambendo a pedra de fogo me fazia tremer de medo.

A pequena loja de aviamentos enfeitava nossos cabelos com laços de fita de cetim e tafetá de diversas cores. Era o luxo das meninas que desfilavam nas calçadas todas as tardes.

Lembro de uma loja que vendia de tudo. Dos  pavios  das lamparinas até alguns móveis. Ali no meio da pequena cidade tinha  tudo que os moradores pudessem com pouca ambição, levar para casa.

Pela manhã acordávamos com o cheiro forte do café da torrefação do lado e aquele aroma se misturava com a brisa fria do despertar de mais um dia de férias. Ao abrir a janela já se encontravam os primeiros alimentos do dia. O pão quentinho embrulhado em papel e a garrafa com leite puro  que ficavam ali somente para a disposição da freguesia matutina. O lugar mais importante da cidade era o Largo da Matriz de Nossa senhora das Dores. E o respeito das pessoas pelo Vigário  era grande, como a de um prefeito ou delegado, que atudo dava a palavra final de conciliação.

Certa vez, no sermão da missa das cinco da tarde, comentou o desparecimento dos pães em algumas janelas das casas. Coisa que nunca havia acontecido.  Foi logo contratado um vigilante noturno que passaria a mudar o sossego de todos com um apito insistente nos despertando dos sonhos. Mas graças a Deus durou só uma noite pois o ladrão dos pães era um jumento que resolveu trocar o capim seco da Praça pelo pão  do nosso desejum.

Na Casa grande morava uma moça cria da casa, como era chamada, que fazia os trabalhos domésticos. Acordava bem cedinho, antes de todos e a primeira tarefa era apanhar água para o consumo do dia.
Decidi acompanha-la ao trabalho. Uma lata de Querosene vazia e bem limpa com um apóio de madeira, uma cuia e um pano torcido que chamava de rodilha, para proteger a cabeça. era tudo que levava nas mãos. O caminho não era curto, mas íamos conversando e a minha companhia parecia que lhe enchia de orgulho na apreciação do seu trabalho. Entramos  por um portão de madeira e encontramos uma mata verde que protegia um pequeno lago. Ela ficou de cócoras em cima de uma pedra plana e começou a fazer movimentos com a cuia afastando as pequenas plantinhas aquáticas que cobriam a água. E aos poucos enchia cuidadosamente a lata com água. Eu observava aquele lindo lugar com todo o verde e a pureza da água que não podia ser poluída com o suor do nosso corpo. Era um lugar sagrado. Descobri que todos da cidade dependiam da pequena lagoa. Por lá não existia água encanada, torneira e nem chuveiro.  A água era levada na cabeça da moça que não perdia a graça e equilibrava com força em 3 caminhadas de casa até a lagoa.

Ao chegar enchia primeiro os potes de barro da cozinha e depois uma tina no quartinho dos fundos que chamavam  de banheiro. Aquele líquido precioso não podia ser desperdiçado e na lavagem da louça serviam para o manuseio duas bacias de alumínio. Toda a sobra iria para o pé de uma antiga laranjeira ficanda entre as pedras do quintal.
Era um lugar de poucas chuvas naquele sertão e ao meio dia o calor do sol forte tornava quente o descanso do almoço, razão porque os telhados eram tão altos.

Ao descobrirem as minhas façanhas no amanhecer do dia no trajeto das água, fui severamente repreendida. E no sermão fiquei sabendo de que não podia acompanhar a moça no serviço da casa, pois era visita importante da cidade vizinha e não ficava bem.
_ O que iriam pensar ? Dei com os ombros...
Eu é que iria pensar daquele dia em diante sempre que abrisse ou fechasse uma torneira naquela moça bonita, de sorriso largo e que em nenhum momento se queixou da vida que levava. Pensar na importância que seria para mim tomar uma chuveirada deliciosa com as águas que corriam através dos canos vindo lá da nascente do Crato.

Edilma Rocha
( Ofereço mais uma vez este texto ao amigo Evaldo)




Tributo a Nélio Clayton Barbosa Falcão - Por Claude Bloc

Nélio Clayton Barbosa Falcão – Meu mestre, meu ídolo
(Claude Bloc)

Nélio (à esquerda) - no Rio
Ao escrever este texto, em alguns momentos, vou ceder, certamente, à emoção, pois sei perfeitamente que cada dia é mais um dia roubado da noite e cada noite é tempo de reflexão e de espera. Em nenhum sentido, me considero aqui intelectual: escrevo impulsionada pela história das coisas e das pessoas, e procuro lembrar delas com todas as células de meu corpo, como se na minha vida sempre estivessem.

O que escreverei hoje aqui é como se fosse uma névoa úmida de saudade. As palavras podem vir como sons transfundidos de lembranças que se cruzam de forma díspar, rendas no tecido do tempo, pauta, música e musicalidade. O que tenho aqui é a história de um homem que o tempo não me deixou esquecer.

Eu sei que eu estou segurando a narrativa, como se pudesse segurar a emoção. É que esse meu escrito deveria ser composto sem palavras: como se aqui eu tivesse à minha frente apenas fotografias mudas que contassem sozinhas uma história, como um silêncio que fala, ou melhor ainda, como uma pauta onde desfilassem melodias puras, com clave de sol.
Zé Flávio Teles e Roberto Piancó com Nèlio - Radio Aararipe

De toda essa argamassa de lembranças que me atiça a memória, aparece enfim essa pessoa de que falo: Nélio Clayton Barbosa Falcão. Tinha-o/tenho-o como um ídolo. Nas festas em que “Hildegardo e seu Conjunto” ilustravam com uma maestria divina, estavam lá meus olhos voltados para aquele homem que empunhava seu instrumento de cordas, dedilhando, ora com leveza, ora com uma vibrante euforia, as notas das melodias que eu dançava ou que simplesmente escutava, enquanto sonhava com algum príncipe (des)encantado. Eu queria aprender a tocar as cordas de um violão com aquela agilidade e nelas encontrar o tom exato dessa sinfonia que me empolgava e ao mesmo tempo me apascentava.

Desde pequena, sempre fui ligada (embrionariamente) à música. Tentei praticar acordeom, mas o peso do instrumento foi desaconselhado para uma menina em crescimento, com escoliose, devido ao fato de ser canhota. Foi então que, aos 15 anos, soube por Sarah Cabral que havia aulas de violão na Educadora. Ela era a professora de teoria (leitura e solfejo) e Nélio o professor de violão (aula prática). As aulas ocorriam numa daquelas salinhas, no topo da rampa, e era lá onde eu ia assisti-las com João Roberto de Pinho e Gracinha Pinheiro.

O professor, antes de tudo, já era para mim um exemplo, não só pelo seu desempenho como músico, mas também pela sua paciente e terna postura para com seus alunos. Eu sonhava em ter, como ele, a mão ágil e hábil nas cordas de uma guitarra ou de um violão. Aquela dança dos dedos em bemóis e sustenidos era da cor da minha ansiedade. Confirmei há poucos dias pelo seu próprio filho – Nélio Junior - que minha intuição, já naquela época, não prescindia de um grande senso de observação. Segundo seu filho, o nosso grande Nélio, tinha “grande intuição musical; era amoroso; paciente e muito pacato." Era, então, assim  que esse pai passava zelosamente seu tesouro para os filhos amados: a música, a arte!

A vida de Nélio Clayton foi tão arraigada de amor ao Crato, que eu o imaginava cratense – e ele certamente o era, de coração. Mas me surpreendi ao saber que ele nasceu em Fortaleza - em 04.06.1928. A vida dele foi pontilhada pela música desde cedo, e a ela devotou seu sucesso e seu arrojado trabalho. Em todos os seus passos e gestos estavam essa delicadeza e a harmonia de uma pessoa que veio semear o bem.

São sempre emocionados os depoimentos das pessoas que passaram de alguma forma pela sua vida. Foi essa sua herança, mas curta sua missão. Como a um anjo, Deus o levou cedo (aos 45 anos) e de repente. Quem sabe, para ouvi-lo mais de perto...

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Histórico sobre a vida de Nélio Clayton Barbosa Falcão

Hildegardo e seu Conjunto (no Colégio Madre Ana Couto)


Nélio Clayton Barbosa Falcão
Nasceu em Fortaleza em 04.06.1928
Faleceu em Crato em 27.07.1973

Criado num meio familiar musical, desde cedo habituou-se com os acordes do violão.
Ainda jovem fez parte de grupos musicais que se apresentavam em Fortaleza, quando teve participação ativa nos tempos áureos da PRE-9/Ceará Rádio Clube.

Seguindo os passos do irmão Nilo, que integrava o famoso Conjunto 4 Ases e um Coringa, viajou para o Rio de Janeiro, onde na companhia do Maestro polonês Arnaldo Salpeter formou um Conjunto Regional.

Chegou ao Crato no ano de 1950, trazido pelo Maestro Arnaldo Salpeter, formando o Trio Jangada juntamente com o acordeonista Luzimar Alves, quando da fundação da Sociedade de Cultura Artística do Crato e Escola de Música Branca Bilhar, da qual foi professor de violão.
Mais tarde, formou também no quarteto Jangada juntamente com Maestro Arnaldo Salpeter, Hildegardo Benício e Hildelito Parente.

Integrou ainda "Hildegardo e seu Conjunto" e "Azes do Ritmo", e, por vários anos, também tocou em programas de estúdio e auditório das Rádios Educadora e Araripe. Nesta última, foi um dos seus pioneiros, juntamente com um dos seus grandes amigos, o radialista Wilson Machado.

Apaixonado pelo Crato, faleceu prematuramente aos 45 anos de idade - vítima de infarto fulminante - deixando muitos diletos amigos nos meios musical e social da cidade.
Sobre o Crato, falava sempre que vivia no paraíso (é onde está sepultado).

Foi casado com Maria Almira Brito Siebra e teve quatro filhos: Nélio Júnior, Nelmira, Neyla e Neylton.


domingo, 11 de março de 2012

Pedro Bandeira em livro

Dentro da Programação da Semana do Padre Cícero, que acontecerá entre os dias 18 a 24de março, será lançado o livro “O poeta Pedro Bandeira mostra Juazeiro ao Mundo”, no dia 22, às 19h00, no Memorial Padre Cícero, e contará com apresentações artísticas: performance de André de Andrade e repentistas contextualizando o trabalho de edição do mais novo livro sobre a poesia do poeta repentista Pedro Bandeiras de Caldas, que está sendo coordenado pelo prof. Mestre em Ciências da Educação, Franco Barbosa que também é escritor. O evento conta com o apoio da Secretaria de Cultura, Secretaria de Turismo e Romaria, de Juazeiro do Norte, e Fundação Memorial Padre Cícero.

Franco Barbosa escolheu dentre os seus mais de mil cordéis e trabalhos publicados, seguindo sua própria metodologia de edição de seus livros, com capítulos e numa sequência que possa agradar o leitor. Cada capítulo vem com um tema e seus textos estão dentro de um mesmo master mind (pensamento mestre). O poeta e apresentador Wellington Costa apresentou Pedro Bandeira como ícone vivo de nossa cultura popular, destacando suas produções como as mais perfeitas nos últimos tempos aqui do Cariri.

O livro será lançado no Triângulo Crajubar, em São José de Piranhas, na Paraíba, terra onde nasceu o poeta Pedro Bandeiras; Campina Grande; Fortaleza; Natal e Brasília, na Casa do Ceará.

O projeto de edição deste livro tem como objetivo primário trazer para as novas gerações, a poesia popular mais pura, genuína e singular de Pedro Bandeira, evidenciando o valor do repentista, por realizado um trabalho de corpo a corpo no Brasil a fora, divulgando no nome do Padre Cícero, de Juazeiro e do Cariri. Uma mídia ambulante realizada nas terreiradas pelos sertões adentro, debaixo dos juazeiros, nas casas de famílias, nos clubes, na TV, no rádio, na imprensa de uma forma geral. Pedro Bandeira cantou para o Papa João Paulo II em 1980, em Fortaleza. Esteve presente a vários eventos no Palácio do Planalto, cantou para vários presidentes da República, “todavia ele está acima das questões políticas, é uma unanimidade que atrai o respeito e o carinho de quem o conhece” enfatiza o coordenador da edição Franco Barbosa.

Um livro com 135 páginas, sete capítulos, compilado dos mil cordéis lançados por Pedro Bandeira nos seus 56 anos de poesia popular. Onde a essência, o encantamento e arte deste grande repentista se tornam um fenômeno.

sábado, 10 de março de 2012

Lutar! Para que lutar? – por Pedro Esmeraldo

Encontrava-me com um cidadão culto, professor, em plena tarde desta semana, quando ele se dirigiu a mim com clamor: "Olha a situação do Crato, com progresso debilitado, deixando o povo inconformado com a falta de apoio das autoridades...estas até parece  que têm omo objetivo estrangular o Crato, transformando-o numa cidade ormitório".

É triste, é infamante, desprezar esta cidade, já que é considerada a mola propulsora do desenvolvimento da Região Sul. Ninguém olha para aqui. Tudo é desprezo, é um abandono intrigante e ninguém pode entender esse descaso, pois isto é uma injúria que as autoridades de Fortaleza, juntamente com o pessoal de outra praga inimiga do Crato, que tenta arruinar a cidade para conseguir se elevar à custa do chapéu alheio. Também pudera, isto é feito com ajuda e apoio dos políticos desrespeitadores que contribuem com sua parcela do entreguismo e favorece o arruinamento desta cidade.

Agora, relembro que esta queda de asas em favor de outro município é intolerante e ainda digo: quem quer voar, voe por si mesmo, com suas próprias asas e não venha atrelar-se a outros municípios, prejudicando o Crato, retirando daqui o nosso patrimônio.

Eainda querem que o povo que se acostume a entregar os pontos com facilidade...

Outro dia, conversava com um senhor na Praça 3 de maio e ele vaticinava: o povo desta cidade deveria lutar com eficiência, visto que está entregando os pontos facilmente, sem luta e sem movimentar-se. Parece que todos baixam a cabeça e dizem amém.

Lutar, para que lutar? Se o povo entrega os pontos aos políticos mafiosos, que não fazem acordo e não praticam a seriedade; que compram seus votos com maldade, com a finalidade de arrefecer o desenvolvimento do Crato e não permitir que o povo lute dignamente por sua terra.

O povo acompanham esses homens com promessas ocas. E se amedronta com com a insasiedade dos cabos eleitorais, que vem empurrando o barco do povo sem nenhum critério, promovendo somente a cidade do Juazeiro do Norte. Afirmando: o que é bom para lá é bom para o Cariri.

Essa balela o Crato não deveria aceitar jamais, pois ninguém acredita em conversas contagiosas. Porque essas são enfiadas goela abaixo, através da mentira e da calúnia. A finalidade disso tudo é dilacerar o Crato.

Agora sim, o povo está revoltado e mais orientado. Ninguém aceita mais essa discórdia desmerecedora e o cratense vai com seriedade lutar com o fito de readquirir o seu prestígio, sem pieguice, sem maldade e sem a prática do clientelismo doentio que é o costume dessa gente.

Todos agora têm por obrigação votar com dignidade e amor à terra. Longe desse povo a falta de dignidade e o assédio eleitoral.

sexta-feira, 9 de março de 2012

JÁ TEM DOCE PRONTO ? Por Edilma Rocha

Sua voz era grave e rouca. Cabelos claros, olhos azuis, saia rodada, um avental surrado e arrastava um par de chinelos de couro pelo chão.
Meus olhos infantis mergulhavam no cenário da casa de lanche do interior. A cozinha no fundo do quintal abrigava um enorme fogão à lenha e as labaredas do fogo tremiam sob o meu olhar de espanto.  Por cima das lascas de lenha as línguas de fogo pareciam dançar saltitantes entre amarelos e vermelhos. O calor era sentido a certa distância e me deixava incomodada e curiosa.
Todo o trabalho iria começar : A tradicional merendeira trazia nas mãos com certa dificuldade e cuidado um grande tacho de bronze onde iria depositar uma quantidade de leite puro e perfumado. De uma lata retirava varias medidas de açúcar um pouco escuro e ia aos poucos misturando. Diante da alta e forte cozinheira eu parecia mais franzina e pequena do que  era na realidade. Olhos atentos observavam o vai e vem  da grande colher de pau que por um instante mais parecia um remo de um barco.
As paredes eram cobertas por fuligem negra e eu via as teias de aranhas no alto do telhado, brancas e brilhantes. Aos poucos se ouvia o borbulhar do doce que começava a encher a velha casa de um aroma delicioso que despertava a fome do meu estômago. A cor do leite se tornara acaramelado e se ouvia o som da colher de pau raspando o fundo do tacho. Era o sinal de que o doce estava ficando no ponto.
_ Está quase pronto ! Falava com sotaque e rouquidão.
Em silencio, sentada num pequeno tamborete, eu aguardava à chegada dos fregueses...
Eram retirados os pedaços da lenha e por cima das brasas depositado um flande que iria manter  a temperatura por um tempo. O doce era servido quentinho.
Tinha apenas uma mesa na sala e algumas cadeiras arrumadas sobre o chão de tijolos vermelhos. Curiosamente observava que a maioria dos fregueses eram homens e chegavam sempre no mesmo horário e com a mesma pergunta :
_ Dona Hortência, já tem doce pronto ?
Pequenos pratinhos iam saindo um a um cheios de doce de leite e eu corria feliz para levar as colheres de latão. Os sorrisos agradecidos e satisfeitos se estampavam nos seus rostos com a promessa de retornarem no dia seguinte.
E agora estava chegando o momento tão esperado por mim. Primeiro, lavar a louça, depois guardar em potes de vidro o restante do doce e em seguida, raspar o tacho com uma colher estranha que de tanto uso, só tinha uma banda. A raspa era escura, diferente do da freguesia, mas o sabor, especial. Sentávamos à mesa e Madrinha Hortência cantarolava um bendito da Igreja enquanto fazia pequenas bolinhas das sobras e as depositava num prato grande.
Finalmente eu saboreava o mais delicioso doce que a minha memória guardou para sempre...

Edilma Rocha
( Texto dedicado a Evaldo, amigo de infância dos arredores do Assaré )


quinta-feira, 8 de março de 2012

Willie Nelson - All of me

Para alegrar a noite ...


 

DENÚNCIA - Fachadas Históricas do Crato estão sendo Destruídas (Postado no Blog do Crato)


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2pg8WEcYQG-0ZxoXiRkCD5F78kXHroOzI0QBlfnKubMPCxaHnCoNpa5M7EHPGwnfgeic5sb2xydcoK4LUWm55hnL11a0O4zVz0DqwRF5NlR93NC1S3yGUbhy6L8iZm7MeiVfOzkD978w/s1600/fachada650.jpg

 
Absurdo! - Um problema grave está acontecendo aqui na cidade do Crato. Não sei se vocês já perceberam; Alguns proprietários de imóveis antigos estão operando de um jeito muito peculiar quando querem destrui-los para construir novas edificações. Eles trabalham calados, derrubando primeiro a parte interna do imóvel e mantendo a fachada intacta até que no final, quando o prédio já está todo construído por dentro, finalmente derrubam a fachada. 

Foi isso que fizeram recentemente, num casarão antigo que existia ali quase na esquina do BUBBA´S na Praça Siqueira Campos, mais propriamente na Rua Senador Pompeu. Há poucos dias eu ainda passei por lá e vi a fachada. Agora, não mais... FIQUEM DE OLHO. E aqui fica registrada a nossa indignação e conclamamos os órgãos fiscalizadores, - Se é que existem -, para que tomem uma providência imediata. O prédio da foto situa-se na Praça da Sé. 

A foto é de Ulisses Germano, que aliás, tem contribuído muito para mostrar os absurdos da nossa cidade.

www.blogdocrato.com
Há 7 Anos, o Crato na Internet

HOMENAGEM À MINHA MÃE - ESSA MULHER SEM IGUAL

Um anjo! 
 (Claude Bloc)


Deus trouxe um anjo à terra...regou a semente, conduziu os seus passos e deixou-o pelo mundo a praticar o bem.

Deu-lhe um nome – Janine – deu-lhe também uma missão difícil: o perdão...

E assim, esse anjo tão humilde quanto simples, lançou-se em busca dessa trajetória. Sofreu as agruras da guerra, a grande miséria dessa vida, e perdoou os que lhe trouxeram essa dor.

Voou pra outras terras, amou o seu Hubert, lhe deu filhos... viveu em pleno sertão e perdoou a ausência de seus entes queridos e a saudade da França.

Foi boa, generosa, desprendida e se fez amor por todos os que passaram de alguma forma em sua vida. Era fácil amar esse anjo!

O tempo, a distância, as pessoas, lhe trouxeram muitos sorrisos e muitas lágrimas de alegria e de tristeza e ela sempre perdoou, mesmo aquilo que não entendia. Não conseguia guardar dentro de si o rancor e sempre tinha pronto em seus lábios um sorriso que abrigava  a dor e confortava a alma. Mesmo quando abatida pela amargura, levava adiante sua missão e enchia-se de força. Sorria!

E diante dessa doçura, perante a paz que distribuía aos passantes, todos se voltavam pra ela acolhidos pelo bem que semeava.

Mas... Deus achou que era hora de voltar pra junto d’Ele. Tomou o anjo em seus braços e soprou ao seu ouvido: “ É hora!” ... e embora deixasse aqui na Terra essa dor imensa que é sua ausência, poupou-a. Não a deixou sofrer mais. Tocou a semente do perdão e espalhou-a pelos corações dos que a amavam. Voltou-se para o anjo com doçura e  fê-lo alçar seu derradeiro vôo.

Rozilene P. de Souza - Mulheres

Rozilene P. de Souza - Mulheres


Mulheres fracas, fortes.
Não importa.
Mulheres mostram que mesmo através da fragilidade.
São fortes o bastante para erguerem sempre cabeça
Sem desistir, pois sabemos que somos capazes de vencer.

Temos a delicadeza das flores
A força de ser mãe,
O carinho de ser esposa,
Reciprocidade de ser amiga,
A paixão de ser amante,
E o amor por ser mulher!

Somos fêmeas guerreiras, vencedoras,
Somos sempre o tema de um poema
Distribuímos paixão, meiguice, força, carinho, amor.

Somos um pouco de tudo
Calmas, agitadas, lentas!
Vaidosas, charmosas, turbulentas.

Mulheres fortes e lutadoras.
Mulheres conquistadoras
Que amam e querem ser amadas
Elegantes e repletas de inteligência

Com paciência
O mundo soube conquistar.
Mulheres duras, fracas.
Mulheres de todas raças
Mulheres guerreiras
Mulheres sem fronteiras
Mulheres... Mulheres...

Minha homenagem a todas as mulheres que participam deste blog, através da poesia de Rozilene P. de Souza

CINEMA BRASILEIRO È DESTAQUE EM FESTIVAL DE CINEMA NA ESPANHA

 

MÃE E FILHA, novo filme de Petrus Cariri conta a história de um amor recheado de representações de luto, perda, silencio, gestos e muito carinho. "Uma senhora, sua filha e seu neto, morto em uma caixa de papelão. Bastou um fio de narrativa, ambientado na cidade fantasma de Cococi, para que o filme Mãe e Filha acontecesse. A imagem como criadora de acontecimento talvez seja o que mais se aproxima das intenções do segundo longa-metragem do cineasta cearense Petrus Cariry. Esta experiência singular convoca ao espectador uma nova forma de perceber e sentir o mundo inventado no cinema.

No filme de Petrus, há poucas falas e, quando elas surgem, quase sempre são murmuradas. Quando o luto já não pode mais ser dito em forma de palavras, tudo o que sobra é estar no mundo. Respirar aquilo que permanece ao nosso redor. Proporcionar relações por meio de gestos mínimos. Mas esta conexão também passa pelo mistério e pelo medo, por um clima sombrio que a princípio não conseguimos decifrar" (imagem em Movimento).


..."O filme Mãe e Filha de Petrus Cariry representa o Brasil no Festival de Las Palmas - Ilhas Canárias – Espanha.  

"MÃE E FILHA" conta a história de uma mulher que viaja para o interior para entregar o filho morto. "MÃE E FILHA" de Petrus Cariry concorre na seleção oficial do evento

O cinema emergente de países latino-americanos como o Brasil, o Chile e a Bolivia, e asiáticos como as Filipinas, será exibido na seleção oficial do 13º Festival Internacional de Cinema de Las Palmas de Gran Canaria, no arquipélago atlântico das Canárias.

O evento será "austero mas com a melhor programação" de sua história, disse nesta terça-feira em entrevista coletiva o diretor Claudio Utrera, ao apresentar os 155 títulos que formam a programação desta edição. Dos 15 longas-metragens que concorrerão na seleção oficial do evento, que acontece entre 16 e 24 de março, está o brasileiro "MÃE E FILHA", do cineasta brasileiro Petrus Cariry.

Claudio Utrera destacou a produção portuguesa "Tabu", de Miguel Gomes - a quem o festival já premiou em 2009 - dada a "controvérsia" que levantou na última edição da Festival de Berlim.

Outros filmes que estão na seleção oficial são a coprodução greco-francesa-albanesa "Amnesty", de Bouyar Alimani; o espanhol "Ensayo final para Utopia", de Andréas Duque, que participou da última edição do festival com seu filme "Color perro que huye", assim como a mexicana "Azar", de Michel Lipkes, e "Zoológico", uma produção chilena dirigida por Rodrigo Marán.

Utrera afirmou que o cinema "mais emergente" da atualidade se localiza em países latino-americanos como a Bolívia, o Chile e o Brasil, e também em outros europeus como a França, em asiáticos, como as Filipinas, e também no Irã.

O diretor do evento não duvidou em afirmar que a seleção informativa do festival deste ano será "a mais forte de sua história", dada a categoria do trabalho de seus diretores, entre os quais destacou a japonesa Naomi Kawase, que apresentará seu último filme, "Hanezu no tsuki".

Entre as novidades do festival está um concerto de trilhas sonoras um dia antes do encerramento do evento com a Orquestra Filarmïônica de Gran Canária, sob a batuta do compositor e diretor do Festival Internacional de Música de Cinema de Tenerife, Diego Navarro. Nesse concerto, a orquestra interpretará¡ temas da cinematografia asiática originais de Shigeru Umebayashi, autor fetiche de cineastas como Wong Kar Wai e Zhang Yimou, e a trilha sonora do filme "Perfume - A História de um Assassino". (FONTE: GAZETA DO POVO-Caderno GQuarta-feira, 07/03/2012)

Vem de longe a destruição da memória de Crato

A propósito da excelente postagem feita -- nesta 5ª feira --  no Blog do Crato, sob a epígrafe "Fachadas históricas de Crato estão sendo destruídas", ocorreu-me lembrar que já em 1994, a revista “A Província” publicou longa e importante matéria sobre este tema.
Todas as fotos que ilustram este comentário mostram prédios que foram aniquilados...

Da lavra do jornalista Jurandy Temóteo, ilustrada com muitas fotos, a reportagem inseriu este texto:

“As más administrações públicas, a falsa ideia de modernismo, a ganância financeira, a indiferença de considerável parcela da nossa população e a impunidade estão fazendo do Crato uma terra sem memória arquitetônica.
“Prédios públicos e particulares, de inestimáveis valores históricos e arquitetônicos continuam sendo destruídos ou mutilados sem que providências realmente sérias e eficazes se concretizem.
“Que “Cidade da Cultura”, que “Município Modelo” é este que extermina seus valores culturais, mutila suas ruas, praças, monumentos?
“O que se tem feito e se continua a fazer contra Crato é um crime, uma barbárie. Até quando?”.
Antiga Casa dos Leões,assim chamada porque na entrada existiam dois enormes leões de porcelana, que deu lugar ao prédio do Bradesco na Praça Siqueira Campos
Casario da Praça da Sé. A casa mais baixa foi construída por dona Bárbara de Alencar. Foi destruída para dar lugar ao prédio da Coletoria Estadual. Poderia ter sido preservada e transformada no Memorial dos Revolucionários de 1817

Feliz Dia da Mulher


Você é ...
Deusa
India
Terra
Natureza

Você é ...
Mãe
Filha
Avó
Família com certeza

Você é ...
Trabalho
Luta
Labuta
Esplendor

Você é ...
Simples
Amor
Tudo
MULHER

 Daniel Boris (Jacques) 
Artista Plástico 
 
  


quarta-feira, 7 de março de 2012

Aniversário de Pedro Esmeraldo -- por Ana Zuleide

Hoje está aniversariando Pedro Esmeraldo. Homem que ama e defende o Crato, preocupando-se com os seus problemas: sociais, econômicos e políticos. Homem que exige dos políticos respeito com sua terra natal.
Parabéns, Pedro, continue assim. Defendendo o Crato, para que esse sentimento possa contagiar as próximas gerações.

Deseja-lhe:

Ana Zuleide.

Tudo anda à frente - Emerson Monteiro

Ouvia a indicação de Eurides Dantas quando já resolvia primorar esse tema de tocar à frente no colégio deste mundo imenso que circula no espaço sideral. Olhar com leveza desenrolarem os dias seus cresceres na alma das formas e das imagens agradáveis de firmamentos inexplorados ao sabor dos infinitos sentimentos, amores e sonhos. Pisar maneiro as folhas secas dos caminhos e abrir portas transcendentais; pedir às circunstâncias novas figurações de cada tempo. Às dúvidas que somem fatores de trabalho, o ser da existência quase importantes interrogações.

Estirar a mão e colher os frutos maravilhosos da existência, que esperam de todos melhores atitudes para serem colhidos em sabores doces inesperados. Acreditar, realizar, eis o modelo da transformação decantado ao fluir das caravanas silenciosas da geração infinita. A dor que ensina gemer. Nada há sem o esforço da luta. A resposta aos empenhos responde com sobra o suor que se derrama, às lágrimas com que se lavam a face...

Na missão de cada um o gosto dos hemisférios, o exemplo, a coerência e disponibilidade para as respostas.

Agora, que reveja esta conversa e tire dela o sabor da sua jornada. Aqueça os músculos e colha os frutos da existência que esperam ser colhidos. Acredite e realize, eis o modelo da transformação decantado ao fluir das caravanas silenciosas da geração mais infinita.

Saber de aspectos mínimos de recontar palavras em teclados de luxo e deixar escorrer no casco das horas tão só o silêncio de vozes caladas em noites mornas, pois dizer a quem sabe também conta. Porquanto os conceitos desfilam rápidos nas janelas de sóis imensos que gritam aos que falam, aos corações que abrem o senso e mudam para melhor, sempre, sempre melhor. Os vagões circulam nas linhas das letras e rasgam caligrafias no peito da emoção. Avisam, pedem, indicam e imploram o gosto do prazer de andar no caminho das maravilhas. O espírito da sinceridade, que olha os olhos da gente e celebra a divina consagração dos seres enquanto metas de si mesmos dos portais da felicidade plena.

UMA CIDADE PERSEGUIDA - por Pedro Esmeraldo

Novamente, o Crato sofre da invasão súbita provocada pelas avalanches das águas que descem do pé de serra, inundam a cidade e deixam todo o povo apavorado.
Tudo isso é causado pela fraqueza dos nossos políticos que se entregam facilmente a essa massa inimiga do Crato, pois juntamente com o governador vêm tentando desmantelar esta cidade, o que nos traz aborrecimento e tristeza, contaminando o povo pelo surrupio de nossos bens que são levados pelos políticos da cidade vizinha.
Por isso, ouvíamos um senhor de aspecto irritado falando em praça pública, protestando contra essa falta de união e a perseguição que nos levam ao caminho do desespero. Gritava com todo ardor: “Aqui sempre nos perseguem e nos deixam amargurados, e ninguém reage”. Agora gritamos com voz ululante: “Por que prestigiamos esta gente que nos atrapalha e ainda vem de quebra dar título de cidadania a quem nada faz por esta terra? Isto é uma tristeza! É uma infâmia, dar apoio ao pessoal que só nos dá promessas desagradáveis e, ao mesmo tempo, tudo o que o governador traz para aqui é minguado e ainda de processo lento na sua construção.
Certa vez um político, parente deste pessoal, gritava aqui no Crato: “do Crato cuido eu”. E até hoje nada fez, apesar de ser bem contemplado com votação elevada. Agora perguntamos: “Pra que homenagear esse pessoal inimigo e ainda retirar o que temos de bom, levando para outro município que nada nos merece a atenção e constantemente vem com pieguice mostrar que querem bem ao Crato? Isto é balela. É uma mentira que não nos contempla e que vem constantemente ameaçar a retirada da Exposição Agropecuária.
O que é da Escola Profissionalizante lá no Bairro São Miguel? Por que não terminam o Centro de Convenções que há anos foi construído, e por maldade deixam lá abandonado? E o ginásio poliesportivo da URCA, que anda a passo de cágado? Por que o Senhor Governador faz vista grossa e tudo isso com má vontade, e não contempla o Crato com boas obras que dêem respaldo à cidade? O que é do Centro Industrial, já que o Crato é esquecido com esses melhoramentos? Que mal o Crato lhe fez, Governador, a não ser sufragar seu nome e do seu irmão para Deputado Federal? Não, senhor! O Crato não merece isso. Seja bonzinho para o Crato que nós saberemos responder com bons modos.

Crato-CE, 06 de Março de 2012.

Autor: Pedro Esmeraldo

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Alma do Negócio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dá gosto a gente vê uma propaganda bem feita, cheia de criatividade e até com um leve toque de humor. Não essas que irritam nossos ouvidos com gritarias e imposições descabidas. Porém aquelas sutis, cheias de bossa, como a que a coca-cola fez há cerca de vinte anos, mostrando um exagerado chefe de família abrindo a geladeira cheia de coca-cola e indagando: "Será que vai dar? O namorado da minha filha vem esta noite aqui em casa. E ele bebe uma coca-cola!...." Ou como umas que surgiram mais recentemente, como a de uma marca de cerveja mostrando um grupo de rapazes num apartamento, preparando-se para saírem para mais uma noitada, quando uma vizinha toca a campainha perguntando ao dono da casa se ele vai sair. Imediatamente ele cheio de segundas intenções responde que vai ficar em casa e que os amigos já estavam de saída. A moça então diz: "Ótimo, eu preciso sair e gostaria de saber se você pode ficar com a minha cachorrinha?" A outra apresenta um grupo de turistas procurando uma boa praia e o guia mostrando por uma pequena fresta no meio do mato, uma praia, à primeira vista deserta, acompanhada da pergunta: "Só tem essa, pode ser?" Quando os turistas respondiam que sim, então surgia uma extensa área de nudismo. Em seguida uma bonita voz anunciava que tal refrigerante poderia ser bom demais.

Eu creio que nesse aspecto de propaganda, nossas empresas de publicidade não ficam nada a dever aos americanos, reis absolutos na arte de enganação. Sim, por que a propaganda existe para criar necessidades e desejos nas pessoas. Claro que necessidades nem sempre fundamentais para nossa sobrevivência.

A força da propaganda é tão grande, que a marca de muitos produtos passaram a ser sinônimos dos bens de consumo que eles representam. A aspirina significa comprimido do ácido acetilsalicílico, a gillette é qualquer lâmina de barbear, ou a Brahma como símbolo de cerveja. A propósito, numa comemoração pela conquista de um campeonato paulista, Vicente Matheus, o folclórico presidente do Corinthians, assim finalizou o seu emocionado discurso: "Gostaria de agradecer a antártica por haver nos enviado umas brahmas para nossa festa."

O apelo que a propagada faz é algo impressionante. Vigora até no reino dos animais ditos irracionais. Dizem que o ovo da pata é tão nutritivo quanto o ovo da galinha. Entretanto ninguém consome ovo de pata, pois ela põe e fica caladinha, não tomamos conhecimento disso, enquanto a galinha ao por o ovo, anuncia para todo o mundo. É por isso que se fala que "a propaganda é a alma do negócio".

Certa vez, eu participei de um treinamento em marketing, quando um especialista em propaganda nos pediu para que relacionássemos dez marcas de pasta de dente. Ninguém conseguiu marcar mais de cinco. Todas elas as mais badaladas pela propaganda. Então ele nos revelou existir mais de trinta marcas do produto, todas elas desconhecidas do público, por não fazerem propaganda.

Lembrei-me que nos anos sessenta, éramos invadidos por maciça propaganda de sabão em pó. Alguns já desaparecidos. Havia o "viva", "lux", "pox", "rinso", "minerva", "omo" e tantos outros. Com tanta propaganda de sabão zoando em nossos ouvidos, o cratense, cheio de criatividade cunhou uma declaração de amor digna de um Romeu apaixonado pela sua Julieta. : "Viva, eu te omo, teu rinso minerva, apague essa lux e vamos dançar um pox."

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Eu apenas eu



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