Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
F E L I Z A N I V E R S Á R I O D I H E L S O N
Guimarães Rosa... em PRosa
PARABENS, DIHELSON!!!
Dihelson |Mendonça - Cuba Libre
domingo, 14 de agosto de 2011
Manuel de Barros
Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao retirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com a sua flauta de couro. O grilo feridava o silêncio. Os moradores do lugar se queixavam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram de debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim de lugar? Foram as palavras pois que desestruturam a linguagem. E não eu.
In Ensaios fotográficos, Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 57.
Meu querido, meu velho, meu amigo (Roberto Carlos)
Adeus ao grande Chico Passeata
Grande defensor do SUS, do serviço público e lutador das causas populares, Chico Passeata foi militante contra o regime militar e preso político durante a ditadura.
Do Portal Vermelho.
Faleceu na madrugada desta sexta-feira (12/08/11) o médico sanitarista, poeta, militante do PCdoB e ex-preso político: Francisco das Chagas Dias Monteiro (63). Chico Passeata não resistiu ao câncer. Ele estava internado há semanas no Instituto do Câncer do Ceará. Grande defensor do SUS, do serviço público e lutador das causas populares, Chico Passeata foi militante contra o regime militar e preso político durante a ditadura.
Carlos Augusto Diógenes (Patinhas), presidente estadual do PCdoB no Ceará lamenta a morte do amigo dos tempos de movimento estudantil e do camarada de Partido. “A partida de Chico Passeata será irreparável para a família, amigos e para nós que fizemos com ele o PCdoB”. Para Patinhas, as características principais de Chico Passeata eram a grande capacidade de fazer amigos e a sempre constante defesa pelos direitos do povo. “Nos conhecemos em1975. Ele como atuante estudante de Medicina e eu acadêmico da Engenharia. Já no movimento estudantil, Chico se mostrava ofensivo, com posição política clara e determinada”, recorda.
Segundo o dirigente comunista, o nome com o qual ficou conhecido deve-se à sua atuação política. “Chico Passeata tinha grande capacidade de aglutinar todas as forças políticas. Nos reencontramos depois da anistia e percebi que sua característica permanecia forte, desta vez em defesa do SUS e da categoria dos médicos”. Patinhas relembra com carinho do amigo. “Sua alegria será permanente. O PCdoB está de luto pela perda deste grande camarada, ele que dedicou sua vida à construção de um país mais justo, humano e solidário”.
Para o deputado federal Chico Lopes, contemporâneo de Chico Passeata, com quem compartilhou muitos momentos de luta, Monteiro foi, além de um exemplar militante do PCdoB, um amigo que jamais será esquecido. “Ele foi um bravo militante, um lutador das causas populares durante toda a vida, inclusive enfrentando prisões e tortura. Chico Passeata nunca mudou seu modo de ver a luta por uma nova sociedade, com uma vida melhor para as pessoas”, declarou Chico Lopes, emocionado pela perda do amigo. “Além de camarada, foi sempre um amigo das horas mais complicadas que às vezes nós temos que passar nessa vida. Sei que ele estava sofrendo muito, lutando para viver. Fico muito emocionado em lembrar de tudo o que passamos”.
“Chico era médico, poeta e lutador, um homem que amava seu povo”, definiu o secretário da Saúde, Arruda Bastos, ao lamentar a morte do amigo e colaborador. Chico tem um vasto currículo tanto como médico, sindicalista, conselheiro de saúde, como grande defensor da democracia e das lutas contra a ditadura militar de 64. Por sua destemida militância, acabou preso político no regime militar.
CAMINHO DA ESPERANÇA
Chico Passeata
siga,
de mãos dadas,
o caminho da esperança
busque a paz
no ritmo compassado
das batidas do coração
abra as portas
da tolerância,
abrace o entendimento
proteja a vida
(a sua e a do universo)
e ela te protegerá
já que nada
é tão bom
que não possa melhorar.
sábado, 13 de agosto de 2011
"Chumbo grosso" - José Nilton Mariano Saraiva
Assim é que, da noite-pro-dia, aquelas grandes, respeitáveis e até então (tidas como) inexpugnáveis corporações financeiras americanas (da estirpe de um Banco Lehman Brothers, por exemplo) viram desmoralizadas e a ruírem por terra suas econométricas previsões e inviabilizados na plenitude seus infalíveis diagnósticos, já que levadas de roldão ao “olho-do-furacão” (em razão, repetimos, dos generosos e comprovadamente irresponsáveis financiamentos ao setor imobiliário); só restou ao governo americano, na tentativa de conter uma crise sistêmica (de proporções amazônicas) intervir no mercado, via disponibilização de TRILHÕES de dólares (praticamente a “fundo perdido”), objetivando “segurar a onda”, ou “debelar o vendaval”, prevenindo que a economia não colapsasse definitivamente; acabou por não consegui-lo, porquanto o estrago fora cumulativo (ao longo de anos e anos) e descomunal (valores estratosféricos).
Como, no entanto, os Estados Unidos da América ainda exercem uma enorme influência além mares e fronteiras (apesar do franco declínio já há algum tempo), era previsível que qualquer espirro, gripe ou sintoma de febre de que fosse acometido haveria de repercutir em todo o mundo (nenhuma novidade), o que findou por acontecer no rastro de tal crise; assim, economias antes consideradas fortalezas sólidas e portos seguros (pra investimentos), acabaram por acusar o golpe e tiveram que contorcer-se e adaptar-se à nova e dramática realidade (raríssimas foram as que, de certa forma, “agüentaram o tranco” e conseguiram a muito custo equilibrar-se sobre a “lâmina da navalha”).
Na “terra Brasilis”, um “analfabeto abirobado”, então incrivelmente respondendo pela Presidência da República (por determinação soberana do seu povo), virou alvo de chacotas e zombarias mil quando ousou afirmar, desabridamente, que o tal “tsunami” financeiro que varria o mundo não passava de uma “marolinha” e que o Brasil conseguiria, sim, “tirar de letra”, nadar de braçadas, atravessá-lo galhardamente, principalmente em função dos sólidos fundamentos econômicos implementados; e ao valer-se da credibilidade conquistada, no e ao longo do seu frutífero primeiro mandato (2003/06), apelou para que a população economicamente ativa (agora acrescida dos milhões de trabalhadores que ascenderam à classe média, em função do aumento real do salário) fosse às compras, consumisse o essencial e, enfim, fizesse a “roda girar”; e assim, apesar do ceticismo e da descrença de muitos, não deu outra: o nosso (agora) vigoroso mercado interno funcionou como um grande colchão receptor de impactos, ou uma eficiente blindagem protetora, e o Brasil acabou por seu um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair da crise braba que varreu o mundo impiedosamente, de norte a sul, leste a oeste.
Hoje, uma nova e mais profunda crise se faz anunciar (aliás, já chegou), originária (de novo, outra vez, novamente) dos Estados Unidos da América, mas com sérias ramificações por todo o continente europeu (vide as situações de penúria total que atravessam Portugal, Espanha, Turquia e outros menos famosos, todos literalmente falidos); e, acreditem, todos os indicativos apontam que dessa vez é “chumbo grosso”, madeira pra dá em doido.
Dispondo de portentosas reservas cambiais de 350 bilhões de dólares (é o sexto país do mundo com maior nível de reservas, ficando atrás apenas da China, Japão, Rússia, Arábia Saudita e Taiwan), o Brasil ainda assim aguarda com expectativa os reflexos de mais essa catástrofe econômico-financeira planetária, capaz de abalar e desestruturar nações de qualquer credo ou ideologia.
Medidas preventivas já foram tomadas e mais uma vez o nosso pujante e vigoroso mercado interno há de ter papel crucial e preponderante nessa travessia penosa e eivada de percalços e armadilhas; e a própria presidenta Dilma Rousseff (tal qual o fez o então presidente Lula da Silva), humildemente já se pronunciou publicamente, estimulando a população a “não deixar a peteca cair”, blindando a nossa economia mais uma vez.
Evidentemente que já tem nêgo aí “lambendo os beiços”, esfregando as mãos e com rojões preparados pra espocar, na torcida silente e covarde para que o Brasil não dê certo, sucumba, vá ao fundo do poço.
Vão quebrar a cara, de novo !!!
A Popularidade de Dilma
BRASÍLIA - Nesta semana, uma pesquisa Ibope mostrou o governo Dilma Rousseff com 48% de aprovação, uma queda de oito pontos em relação a um levantamento de março do mesmo instituto.
A taxa apurada pelo Ibope é idêntica à obtida pelo Datafolha -também 48% de aprovação.
A oposição passou a vaticinar o início da descida ladeira abaixo para Dilma. Os governistas rebateram. Seria só um ajuste sazonal de expectativas, pois todo governante enfrenta uma queda de popularidade no começo de mandato.
É natural os políticos desejarem faturar -a favor ou contra- quando sai uma pesquisa. Mas esses levantamentos mostram apenas o passado, não os fatos futuros.
Agora que o Brasil está virando mais ou menos uma democracia estável e acumula alguma história, a melhor comparação possível é com pesquisas de outros presidentes eleitos pelo voto direto.
Depois de seis meses no Planalto, em junho/julho de 1995, o tucano Fernando Henrique Cardoso registrou 40% de aprovação para sua administração, segundo o Datafolha, e 42%, de acordo com o Ibope. Os percentuais de Lula em junho de 2003 eram de 42% e 43% nos dois institutos, respectivamente.
Dilma, com seus 48%, é a presidente eleita pelo voto direto detentora da maior taxa de aprovação pós-ditadura militar depois de seis meses sentada na cadeira. Antes de 1964 houve presidentes muito populares, é verdade, mas o país era outro. Infelizmente, não há pesquisas confiáveis daquele período.
A conclusão mais factual disponível no momento é que a chefe do Executivo tem um desempenho bem aceitável na comparação com seus antecessores imediatos. No restante do mandato, o resultado é incerto. Dependerá do estado da economia (haverá crescimento até 2014?) e do relacionamento político entre Planalto e Congresso. Até agora, Dilma não deixou claro como se dará nessas duas áreas.
fernando.rodrigues@grupofolha.com.br
Folha de São Paulo 13/08/11
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Concepção de Deus - Emerson Monteiro
De acordo com o Blog Boa Saúde nesta segunda semana de agosto de 2011, resultados de uma pesquisa promovida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, dão conta de que doentes que guardam sua fé em um Deus benevolente possuem tendência natural para diminuir as preocupações e tolerar melhor as dificuldades do que outros que acreditam em um Deus punitivo ou indiferente.
Por isso, os estudiosos admitem que os profissionais da saúde mental devem passar a integrar as crenças espirituais de seus pacientes na formulação dos tratamentos. Este zelo para com as crenças dos que procuram tratamento médico psiquiátrico favorece sobremodo o encaminhamento da cura.
A força psicológica que advém da fé religiosa estabelece, pois, segundo esse trabalho universitário, bases pessoais a fim de auxiliar os encaminhamentos clínicos.
Tais constatações guardam estreita relação com a interpretação da existência pelas escolas religiosas, esclarecendo, aos olhos da ciência oficial, os motivos que conduzam a Humanidade aos valores íntimos do espírito no conceito das criaturas e na formação das suas tradições.
Isto reforça o quanto a constituição humana dispõe dentro de si própria dos mistérios e poderes renovadores da vida. Os pensamentos e sentimentos trabalham silenciosamente para restabelecer o equilíbrio da Natureza nos organismos.
As implicações desta pesquisa para o campo da psiquiatria é que nós temos que levar mais a sério a espiritualidade dos pacientes do que nós fazemos hoje, assegura David Rosmarin, um dos autores da investigação científica. A maioria dos psiquiatras está despreparada para conceitualizar como as crenças espirituais podem contribuir para o estado afetivo e, assim, muitos teimam em não integrar esse tema no tratamento de uma forma que seja espiritualmente sensível, conclui o estudioso.
O Detran na contramão - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Há pouco menos de um mês, a Petrobrás anunciou que terá de importar gasolina, pois o consumo sofreu um aumento que superou a produção interna desse combustível. Por outro lado, há também problemas com o fornecimento de álcool, de modo que aquela companhia petrolífera solicita a redução do consumo interno, via aumento de preços, como se era de esperar.
Mas, surpreendentemente, o Detran-Ce encontra-se executando um programa de fechamento dos retornos na Avenida Juazeiro–Crato, deixando apenas alguns poucos. Somente no município do Crato já foram fechados três retornos que dão acesso aos bairros Muriti e São José. Para esses acessos, os motoristas deverão se deslocar cerca de três a quatro quilômetros a mais no percurso. No município de Juazeiro do Norte, em alguns retornos estão sendo implantados sinais luminosos, obrigando aos motoristas que necessitarem executar retorno, a um longo deslocamento por ruas secundárias, mal pavimentadas e sem iluminação. Assim sendo, o percurso terá seu tempo de deslocamento e o consumo de combustível sensivelmente aumentados. Além do mais, certamente haverá a possibilidade de freqüentes engarrafamentos do trânsito, e o estresse a que serão submetidos os motoristas.
Sem nenhum prejuízo à segurança do trânsito, se poderia criar faixas exclusivas para o retorno, com alargamento das faixas de deslocamento laterais e a criação de uma faixa interna, ao lado do canteiro central, conforme o retorno existente no acesso à Petrobrás.
Com um pouco mais de inteligência o DETRAN poderia, juntamente com o DERT realizar um serviço mais seguro com custo que seria compensado pelo não aumento do consumo, melhoria da fluidez do trânsito e maior conforto aos usuários.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Táxi Lunar
A convivência próxima do homem com as drogas remonta às mais priscas eras. Há relatos históricos do uso do haxixe há mais de 4500 anos. Elas acompanharam praticamente, pari passu, a caminhada da humanidade e a habitualidade do seu uso tem se tornado mais corriqueira com os novos tempos, nada levando a crer que um dia estaremos livres delas. Utilizada inicialmente de forma ritualística, os estupefacientes grassaram para as mais diversas classes sociais, a partir do Século passado, com um salto gigantesco a partir dos anos 50-60, junto aos movimentos Beat, Hippy , o Jazz e o Rock. A aura cult e chique ,que inicialmente mascarou a disseminação das drogas, foi sendo pouco a pouco apagada pelas constantes baixas acontecidas entre os usuários e o terror da dependência que arrastava levas e levas de pessoas aos mais baixos umbrais da condição humana. Junto à nova moda, organizou-se uma indústria poderosíssima de tráfico que se calcula movimenta mais de U$ 500 bilhões todo ano. Utilizando as modernas regras do consumo, lançam-se diuturnamente novidades no mercado. À medida que a letalidade de drogas recém-lançadas vai ficando mais visível, outras são imediatamente apresentadas, trazendo o perfil do novo e do inócuo. A geração perdida desmoronou com o ópio, a do Jazz foi destroçada pela heroína, a dos pioneiros do Rock pela cocaína e pelo LSD, a dos anos 80-90 pelo Ectasy e pela Cola e a do Século XXI pelo Crack e pelo Oxy. Embora todas as demais, junto com a Marijuana, o Álcool e o Tabaco continuassem em plena circulação. Apenas uma ou outra droga foi caindo de moda assim como a roupa ou o sapato da mocinha do shopping.
Uma questão inequívoca é que até o momento o mundo não encontrou uma maneira de solucionar o grave problema. A simples repressão não só tem se mostrado inócua, mas levou ao agravamento e ao aumento do consumo. A criminalização tem abarrotado os presídios de usuários, já superpovoados de toda a sorte de adversidades. Por outro lado, a legalização como tem procedido Hamburgo e Amsterdam, não tem aparentemente trazido uma resposta adequada à grave enfermidade que tem tomado conta de todos os segmentos da sociedade, nos dias atuais. Recentemente, sentindo a insuportável visão da Cracolândia, o Rio de Janeiro, através da sua Secretaria de Assistência Social, partiu para uma medida extrema: internar à força os usuários do Crack, imaginando que assim lhes dariam uma oportunidade de livrar-se da atroz dependência. São Paulo, inspirada na ação carioca, pretende agir da mesma forma. Numa área em que as ações governamentais, mundialmente, são tão plenas de equívocos, surge a pergunta inevitável : “Internar à força os usuários de drogas ilícitas, resolve?” É sobre esta interrogação enigmática que pretendo tomar o tempo de vocês nesta manhã de sábado.
A meu ver, a resolução da Secretaria de Ação Social se compara ao desespero de um paciente desenganado que, fora de possibilidade terapêutica, recorre a encantamentos e benzeduras. Uma espécie de “Perdido por um, perdido por mil!”. Historicamente , a experiência tem demonstrado que todo tratamento de dependência que não parta da vontade própria e inalienável do próprio paciente tem imensas possibilidades de estar fadada ao fracasso. Além de tudo, a atitude carioca fere gravemente o princípio da Autonomia na Bioética. Só temos o direito de realizar qualquer tratamento ou procedimento que envolva a saúde de uma pessoa, com sua plena aceitação. Os profissionais têm a sagrada missão de promover o Bem da pessoa humana, mas este bem não é o profissional que determina qual é, mas o próprio paciente. O ouvinte pode até argüir que um dependente pesado não tem nenhuma possibilidade de exercer sua Autonomia e que aí a decisão teria que ser do seu responsável legal : a Família ou, na ausência dessa, o próprio Estado. Aí recaímos num outro pântano: o risco do responsável legal, por interesses vários: econômicos, políticos, sociais, decidir não pelo bem do dependente, mas pelos interesses pessoais . Os manicômios e os asilos estão repletos de pessoas excluídas do convívio da família por meros interesses dos seus descendentes. Acredito no princípio do utilitarista Stuart Mill: “A única razão da existência de uma lei é para fazer com que não se firam interesses de terceiros”. Ou seja, cada um é senhor da sua própria vida e pode usá-la como assim lhe convier, desde que respeite a liberdade dos outros. O homem é livre para viver ou para matar-se seja a crédito ou a vista. A dependência só passa a ser um problema médico ou governamental, quando o paciente pede ajuda: “Preciso sair disso e não sei como!”. Aí, sim, o Estado tem que prover todos os instrumentos possíveis para reabilitá-lo e trazê-lo à nova vida. E nisso, é preciso reconhecer, o Estado brasileiro é de uma incapacidade terrível. A reabilitação está nas mãos de algumas poucas instituições religiosas que buscam com unhas e dentes obrar milagres, muitas vezes sem qualquer embasamento científico.
Para se ajudar os usuários de drogas, antes de levá-los à força às clínicas, é preciso responder a uma pergunta básica: “Por que tantos precisam se anestesiar para suportar a vida que levam ?” Não temos o direito de arrancar a latinha de cola do menino que vive na rua e que a utiliza para passar a fome e transportar-se para um outro universo mais colorido , se não for para proporcionar-lhe um Mundo melhor e mais justo. Os ansiosos, os infelizes, os abandonados, os frustrados , os desiludidos precisam , primeiramente, ter solucionadas sua agruras existenciais, antes de terem os anestésicos suspensos. O uso indiscriminado dos alucinógenos, dos entorpecentes é uma prova clara de que este mundo em que vivemos está cada vez mais triste e sem esperança. Talvez seja por isso mesmo, por fuga, que tantos têm tomado o “Táxi para Estação Lunar”. Para trazê-los de volta é necessário antes mudar o planeta, torná-lo mais justo, mais palatável, mais fraterno e respirável. Que valha a pena ao menos a cansativa viagem de volta.
J. Flávio VieiraDESENHO - Por Edilma Rocha
Do alcoolismo à santidade
No ano de 1925 em Dublin um jornal publicou a seguinte notícia: "Um homem idoso perdeu os sentidos na Gramby Lane. No hospital descobriram que estava morto; não trazia consigo nenhum documento."
Tratava-se de Matt Talbot, que de alcoólico inveterado, se tornou um verdadeiro santo.
Os pais pensavam que mudando de emprego, o rapaz deixasse a bebida, e puseram-no a trabalhar como ajudante de pedreiro.
Continuou, porém, preso ao álcool. No fim de cada semana gastava quase todo o ordenado nas tabernas.
Durante 14 anos, Matt não passou de um pobre bêbado e jogador viciado.
O jogo hipnotizava-o e a bebida atraía-o irresistivelmente.
Aos sábados, dia de pagamento, ele ia esperar diante do portão da fábrica os companheiros que deixavam o trabalho com o ordenado da semana, esperando que o convidassem para beber um copo. Quase ninguém parava para falar com ele. Não era bem visto, obviamente.
-- Hoje fiz um voto a Deus!
-- Que voto meu filho?
-- O voto de não beber durante três meses!
Por delicadeza, aceitou o convite. Mas os companheiros, arregalando os olhos e sacudindo a cabeça, ficaram admirados quando o viram beber apenas água mineral!
Entretanto, a luta para cumprir o voto durante aqueles três meses foi para ele um terrível tormento. E dizia à sua mãe como forma de desabafo:
-- Já não aguento mais, minha mãe! Tenho de voltar a beber!
Matt reconheceu então que era um aviso do Céu a explicar-lhe que por suas próprias forças seria incapaz de abandonar para sempre o vício da bebida. Era preciso pedir essa graça a Deus Nosso Senhor.
A partir de então, dirigia-se toda manhã à Igreja dos Franciscanos para assistir Missa e receber humilde e devotamente a Sagrada Comunhão.
Passados os três meses, Matt renovou o voto por um ano. Aos poucos se foi livrando da bebida até se tornar um homem livre dessa prisão alcoólica, embora de quando em quando tivesse que lutar contra a tentação de beber. Foi ele mesmo quem o disse:
"Quando em certa manhã ia para a Igreja dos Franciscanos, assaltou-me um terrível desejo de tomar álcool. Não sabia como havia de resistir. Durante duas horas andei sem rumo pela cidade e parei diante de uma igreja. Entrei, coloquei-me de joelhos diante do altar, e de todo o coração supliquei a Deus:
-- Senhor, não me deixeis cair novamente no vício da embriaguez, que desejo vencer com o vosso amparo e ajuda!" Fiquei ali não sei quanto tempo.
De vez em quando era visto entrar numa e outra taberna com um envelope na mão. Levava o dinheiro para pagar as bebidas que no passado bebeu fiado.
Daí por diante, entregou-se a uma rotina de muita oração e impressionante penitência, durante seus últimos 40 anos de vida.
Quando caiu desmaiado ao dirigir-se para a Missa, e levado para o hospital, encontraram-lhe o corpo cingido por áspero cilício de pontas de arame mordentes, sinal da intensidade da mortificação que praticava.
Introduzindo o processo de beatificação em 1947, foi declarado Venerável em 1975. A sua conversão foi tão sincera que dificilmente se encontrará nestas terras um exemplo de tanta oração e penitência como a deste carregador das docas de Dublin.
Matt Talbot morreu a caminho da Missa na Igreja dos Franciscanos, depois de ter completado 69 anos de idade.
PARA DESCONTRAIR E REFLETIR SOBRE A NOSSA LÍNGUA
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| Kill em Inglês é matar. Quem vai matar a Barbie? |
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| Você quer ser "criente" dessa loja? |
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| Nunca passe por esse "desvil", senão você nunca chegará ao seu destino... |
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| Desse "absolvente", jamais!!! De quem é a culpa? |
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| Alguém comeu o D da DESCARGA |
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| Você está sem "inelgia"? Tome "inelgético" |
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| Com essas facas você consegue um ótimo "monstruário" e haja monstro !!! |
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Mais Tarde, Mais Forte - Geraldo Junior e Dudé Casado
O trabalho do cantor e compositor desenvolve-se nesse contexto como um aglutinador das artes populares, utilizando elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.
Sexta-feira, dia 19 de Agosto
Nas voltas que o mundo dá - Aloísio
Meu pai foi agricultor
Com ele aprendi a lavrar
Mas mudanças sucederam
Nas voltas que o mundo dá
Eu nasci pra ser vaqueiro
Ou para a terra cultivar
Mas mudei para cidade
Nas voltas que o mundo dá
Sempre me distanciando
Daquele torrão “natá”
Fui mandado pra escola
Nas voltas que o mundo dá
Sempre estudando mais
Me mudei pra “capitá”
Mais longe do meu torrão
Nas voltas que o mundo dá
Já corri outros lugares
Num eterno caminhar
E faço a viagem de volta
Nas voltas que o mundo dá
Sempre bate a saudade
Quando eu escuto falar
Das coisas boas do mato
Nas voltas que o mundo dá
Pedra que não cria limo
Sem lugar pra sustentar
Assim levo minha vida
Nas voltas que o mundo dá
Espero o mundo dá voltas
Pr’eu voltar pro meu lugar
Esperando vou alcançar
Nas voltas que o mundo dá
“Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar...”
(Sabiá – Chico Buarque / Tom Jobim)
A ARTE MODERNA E CONTEMPORÃNEA - Por Edilma Rocha
Crato desrespeitado
Desde a semana passada Crato sofreu desrespeito praticado por certo comerciante que após estabelecer-se aqui achou com direito de colocar o endereço como sendo de outra cidade. O dito comerciante desculpou-se dizendo que houve erro da gráfica na hora exata de imprimir os convites.
Aceitamos as desculpas desses ardis comerciantes, mas o que queremos protestar é contra a fraqueza de nossas autoridades que fazem vista grossa e não procuram reagir com os pequenos erros que há constantemente, sempre solapando o património do Crato e quando acabam dizem que querem bem ao município do Crato e ainda confirmam amor a cidade na hora de vir buscar os votos. Queremos avisar às autoridades que só há paz quando há união, bem estar e compreensão mútua.
Não podemos deixar tudo correr frouxo, pois dentro do pequeno reino só queremos que haja igualdade e solidariedade entre todos. Ao contrário, devemos partir para a luta.
Avisamos a essas autoridades que nós escolhemos para defender o Crato e não para deixar tudo na corrente submissa que por vários anos esses homens vem solapando o património do município cratense, praticando a discórdia e o desequilíbrio social, semeando o ódio e deixando o povo praticamente inconformado com as suas astúcias desenfreadas e ardilosas.É preciso que aja compreensão dessas autoridades inimigas do Crato, caso contrário o povo cratense devera praticar medidas abusivas contra esses malefícios que há no seio desse povo intrigueiro e cujo o objetivo é transformar o Crato numa cidade dormitório.
Há uma grande parte da população cratense que almeja igualdade de tratamento mútuo e bom amparo social, com o mérito e comportamento de homem sério.
Não queremos que nos surrupiem nada. Deixem o Crato em paz. Que venham com força para vencer com retidão, sem procurar destruir este município que há tanto tem trabalha com honestidade a fim de alcançar o seu apogeu constituiído por homens civilizados.
Vejamos bem: Crato sofre pela falta de apoio sistemático do povo. Há quem diga que o Crato paga pelos erros de alguns administradores do passado que causaram erros absurdos e com muita fluência desrespeitam seus munícipes. Enfim, sempre temos dito e tornaremos a repetir: uma horda de bocós invadiu o meio político do Crato. Vejam que o Crato está sangrando, esvaindo-se em sangue e não há nenhum médico administrador que salve o nosso direito de reagir e luta em defesa da terra.
Por isso pedimos a Deus que nos dê força para escolhermos um grande administrador esforçado, vibrador, que venha contribuir com bom desempenho e tenha coragem de partir para a luta.
Olhem para o Crato de amanhã, não deixem a cidade cair no esquecimento, Marchem para a luta, olhem que posição deveremos tomar. Se por acaso nada nos for favorável, não fujam da luta, vamos partir para enfrentar uma campanha plebiscitária a fim de enquadrar a Crato ao vizinho Estado de Pernabuco, pois se não somos bem favorecidos aqui, nós, os cratenses, temos que tomar medidas arbitrárias para que sejamos ardentemente reconhecidos.
Maiô de Tule - por José Henrique Cruz

- Melhores são as aventuras nos balcões das As Pernambucanas. Saía cada uma! Pra Você ver onde fui criado. Lá tinha apenas 22 funcionários. Todos brincalhões. Eu já tinha queda pra humorista e nesta escola me esbaldei. Vou lhe contar uma delas:
.Chegaram duas mocinhas, eram mais ou menos 16:30h e nesse horário até as cinco, quase não entrava cliente. Nós ficávamos na quina do balcão, quase todos, contando piadas. Quando entrava algum freguês, eles olhavam logo pra mim, como se quisessem dizer " vai lá"!.
.Nesse dia o papo estava fora de série e fui atender as meninas. Uma delas perguntou-me: "Vocês têm tecido pra maiô?"Peguei uma peça de tule, que serve para véu e mostrei.
.Ela disse: " Por que você não faz um pra sua mãe usar?"
.E respondi na bucha: "Papai não deixa ela usar não, minha filha.
.Depois levamos na brincadeira. E o melhor: se tornaram minhas clientes...
...
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O valioso tempo dos maduros – por Rubem Alves
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridade.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçam seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer à pena e, para mim, basta o essencial!
| Foto nas proximidades de Ponta Serra - CE |
Sinto-o quando me calo. Quando preciso curar a saudade... Quando mergulho nesse pedaço de mim, silente e morno, num exercício mental que me isola dos sons, numa concha hermética de insulamento terapêutico.
Então, no silêncio fujo do dia estressante, do martelar da artilharia das obras e das ruas, das buzinas, daquilo que me machuca. Nesse instante, sinto-o como se, subitamente, o mundo emudecesse em areais que se perdem da vista, nos campos verdejantes do meu sertão, com a unção do sol e do céu.
E lá me deixo ficar - onde não haja vestígios de vida humana. Onde nem sequer se faça notar o vento ou o distante borbulhar das águas. Onde os meus passos silenciosos apurem meu tato com o segredo de todos os encantos.
É só então regresso à casa de onde parti, para começar outra vez a escrever a nova melodia. Ainda que mais adiante se faça sentir novamente o apelo do silêncio, branqueando os sonhos perfumados de alegria.
Silêncio que faz a peregrinação pelo meu degredo. Refúgio onde se detém a chave da felicidade e onde seus fragmentos hão de depurar todo o meu pensamento. Silêncio musical que acompanha a vida como uma profilaxia. A ávida sede, a eterna busca, a infinita sinfonia – silêncio!



















