Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rita
- Claude Bloc -



Rita sempre visita nossa velha casa... e tem suas razões. Morou conosco uma vida inteira, cuidou dos meus manos com tanta dedicação que hoje se tornou um pedaço de nós, complemento de nossa família.

Antes de começar o seu trabalho na cozinha, essa moça precisava se abrir diante do espelho. Penteava-se, cuidava-se. Olhava se seu rosto estava aprazível. Se sua expressão estava cansada... A intenção era mais que nobre, pois de peito aberto, ela desfiava, com todo zelo, cada trama de sentimentos que se emaranhavam no seu peito. De início, meio enroscados, em seu coração. Depois mais brandos em sua alma. Hoje, porém, há muitas lembranças, saudades, mágoas e tristezas que se cruzam ali e se confundem naquele peito.

Seu coração bate com mais força quando se lembra de Hubert e Janine. Seu amor despende mais força diante da dificuldade em se movimentar naquele novelo de fios-sentimentos que a envolve nos dias de hoje. Essa miscelânea mantém uma palpitação bruta lá dentro do seu peito. E assim, é necessário desfiar linha a linha, todas elas entrelaçadas nesse processo dolorido, mas necessário.

Agora Rita mudou-se para lá. Sua casa fica ao lado da nossa velha casa na fazenda. Diz-se disposta a tecer a vida com suas próprias mãos. Depois de desmanchar os velhos traçados, ela resolveu recoser o peito, fio a fio, ponto a ponto, temendo ainda o aspecto final de sua nova costura: a marca provocada pela ação das agulhas do tempo. Por isso, Rita decidiu guarnecer seu peito com o brilho da saudade, com o colorido da terra, com as pedrinhas miudinhas do seu jardim para, desta forma, arrematar essa jóia rara no mundo: sua liberdade

Claude Bloc

3 comentários:

Daniel Boris (Jacques) disse...

Maria "Rita",Minha Maria,Minha Baba ou simplesmente Mâe. Realmente não importa o nome a ser chamada, ou quaisquer adjetivos, mas sim o sentimento recíproco de ambas as partes.Ritá como chamava Mamy (in memória)minha vó paterna.Voa com tuas asas de borboletas tão frágeis,enfinca raiz nas tuas raizes, neste torão Fazenda Serra Verde que é tão tua.Tu minha Maria,jamais estara só,porque enquanto tiver um Bloc vivo, tu téns apoio,família e muito amor a receber,isso sem falar da imensa gratidão de todos os tempos e de nós todos. Te amamos.

Jacques Boris

Maria Amélia Castro disse...

Que lindo essa demostração de carinho e gratidão pela Rita.
São pessoas abnegadas, que deixam seus familiares por força das circunstancias e se dedicam ao trabalho e com o passar do tempo se tormam membros dessa segunda familia convivendo com varias gerações.Nós também tivemos nossas ritinhas.Telina e Regina.
abraços
Maria Amelia

Ateliê Artessetra disse...

Obrigado "Maria" Amélia, por mim,pela Claude e também pela minha "Maria" Rita.

O Amor é tal e qual ao o esporte,não existe raça,cor ou religião.

Nós apenas amamos a nossa Rita,tão simples e tão puras como água bebida na conchas da mãos.

Abraço
Jacques Boris