Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nuno Roland - por Norma Hauer


“Eu sou o pirata da perna de pau,
Do olho de vidro,
Da cara de mau...”


Ele não conheceu muitos sucessos, mas dois marcaram seu carnaval com motivos humorísticos: um foi o “pirata da perna de pau”, outro foi o miado do “gato na tuba”.

“Todo domingo, havia banda no coreto do jardim,
‘Inda’ de longe, a gente ouvia a tuba do Serafim.
Porém um dia, entrou um gato, na tuba do Serafim...
E o resultado, dessa ‘melódia’
Foi que a tuba tocou assim:
Pom, pom, pom...MIAUAU...
Pom, pom, pom... MIAUAU...”


E quem foi ele?
Seu nome era Reinold Correia de Oliveira; nasceu em 1° de março de 1913, em Joinville – S.C., mas ficou conhecido no meio radiofônico como NUNO ROLAND.

Menino pobre, com 13 anos começou praticando profissões modestas, já na cidade de Porto da União, no mesmo estado.

Em seguida foi para o Rio Grande do Sul, para servir ao Exército e ali, como cantor, fez parte da banda do 1° Batalhão de Caçadores, dando início à carreira que marcou sua vida.
Com 19 anos estreou na Rádio Gaúcha (1932), indo para São Paulo em 1934, para trabalhar nas Rádios Record e Educadora Paulista.

Foi quando teve a oportunidade de gravar seu primeiro disco “Cantigas de Quem te Vê”, uma canção de Sivan Castelo Neto, que não vingou, mas abriu-lhe as portas para o mundo das gravações.

Já no Rio de janeiro, passou a atuar no Copacabana Pálace, onde se manteve de 1939 a 1948.

Nessa época gravara seus dois primeiros sucessos: “Amor por Correspondência” e “Mil Corações”. Em 1938 gravou “Rosário de Lágrimas” e no ano seguinte uma versão de um tango que estava fazendo sucesso internacional: “Por Vos, Yo me rompo todo”.

Em 1941 regravou alguns sucessos antes lançados por outros cantores, como “Maria” e “Os quindins de Iaiá”, de Ari Barroso, “Maria Boa”, de Assis Valente e “É Bom Parar”, de Rubens Soares. E, da autoria de Pedro Caetano, “Guarapari”.

Nessa época já fazia parte do cast da Rádio Nacional e do Trio Melodia, com Albertinho Fortuna e Paulo Tapajós.
E nos carnavais de 1946 e 1947 o povão cantou com ele “Pirata da Perna de Pau” (1946) e “Tem Gato na Tuba” (1947). Músicas que não podem faltar nos blocos populares mesmo de nossos dias.

Ainda em 1947, conheceu outro sucesso: “Fim de Semana em Paquetá”, de Braguinha e Alberto Ribeiro.

Em 1969, apresentou-se em Carnavália, de Sidney Miller no Teatro Casa Grande, espetáculo que durou quase um ano.

Em dezembro de 1975 sofreu um acidente automobilístico, no qual perdeu uma perna e, dias depois (em 20 de dezembro) não resistindo, veio a falecer aos 62 anos. 08:15 (5 horas atrás) Norma
ALMIRANTE = MAIS UM ANO SEM ELE
INCRÍVEL !!! FANTÁSTICO!!! EXTRAORDINÁRIO !!!

Ele foi uma pessoa INCRIVEL, Seus trabalhos foram FANTÁSTICOS e tudo que fez foi EXTRAORDINÁRIO.

Nasceu há 100 anos no dia 19 de fevereiro, recebendo o nome de Henrique Foreis Domingues. Com esse nome, só os mais íntimos o conheceram, mas como ALMIRANTE ficou conhecido,através do rádio,em todo o território nacional.
E por que ALMIRTANTE?
Por ele ter feito o serviço militar na Reserva Naval e seus colegas terem feito uma brincadeira com ele;por causa de sua altura(1,81m) foi apelidado de Almirante.

Foi um dos radialistas e produtores radiofônicos que mais tempo atuou no rádio, tendo suas atividades começado no final da década de 20. Nos anos 30 e 40 manteve-se firme, cada vez com mais audiência e somente uma doença grave o afastou da Rádio Tupi,em janeiro de 1958.
Nessa data teve um derrame seriíssimo, que o manteve afastado de qualquer atividade física e intelectual durante todo o resto da década de 50,precisando reaprender a falar, tal foi sua falta de nexo e de memória.

Entre os anos de 1963 e 1971 manteve duas colunas semanais de nome “Incrível! Fantástico! Extraordinário” e “Cantinho das Canções” e uma semanal intitulada “Pingos do Folclore”no jornal “O Dia”.

Suas atividades artísticas começaram com a criação de um conjunto de nome “Flor do Tempo”,logo transformado em “Bando de Tangarás”, do qual fizeram parte Braguinha (como João de Barro), Alvinho, Henrique Brito e Noel Rosa. O nome foi sugerido porque -explicou Braguinha- tangará é um pássaro que canta em grupo com outros 5 tangarás. Esse grupo foi inspirado no “Turunas da Mauricéia”, que havia vindo do nordeste em 1927, tendo à frente o cantor Augusto Calheiros.
O “Bando de Tangarás” começou apresentando-se em circos e teatros mambembes cantando emboladas e outros ritmos nordestinos.

No final de 1929, as gravadoras estavam interessadas em novos compositores e cantores, daí o grupo entrar no campo das gravações.
Suas primeiras gravações foram "Mulher Exigente” e “Conseqüências do Amor”.

Desfez-se o grupo no final dos anos 20 e Almirante, assim como os demais componentes passaram a atuar sozinhos. Foi quando Almirante gravou um samba que teve muito sucesso, de nome “Na Pavuna”, sendo o primeiro a usar percursão em uma gravação popular.

Convidado por Ademar Casé,Almirante foi um dos primeiros a compor programas elaborados, que tiveram como precursores Renato Murce na Rádio Clube) e Valdo Abreu(na Mayrink Veiga).

Mas os de Almirante eram de um nível superior porque ele ia “fundo” em suas pesquisas e,ao longo de sua carreira, criou mais de uma dezena deles e compôs um arquivo que,doado ao Governo do antigo Estado da Guanabara, transformou-se no Museu da Imagem e do Som, no qual ele foi um dos primeiros diretores.

Depois do “Programa Casé”, Almirante passou a fazer parte do elenco da Rádio Nacional,transferiu-se para a Tupi,regressando à Nacional e terminando suas atividades radiofônicas na Rádio Tupi,em 1958.

Foi nesta Rádio que criou seus mais interessantes programas, como é exemplo o “Tribunal de Melodias”, um dos muitos que teve a participação dos ouvintes.

Ao longo de sua carreira criou os seguintes programas:
“Incrível! Fantástico! Extraordinário!”; “Onde Está o Poeta ?”;”Carnaval Antigo”; “O Pessoal da Velha Guarda”;”Coisas do Arco da Velha”;”Instantâneos Sonoros”;”Anedotário dos Professores;”História das Danças”;”Aquarelas do Brasil”:”Caixa de Perguntas”;”Orquestras de Gaita” e “Dicionário de Gírias”, que pretendia publicar, mas não o fez.

Almirante faleceu no dia 21 de dezembro de 1980.

Hoje, referendamos sua memória, pelo grande vulto que deixou marcas em nossa música e nosso rádio.

Essa é nossa SAUDADE.

Norma Hauer

Ari Monteiro - por Norma Hauer



No dia 20 de dezembro de 1905, nasceu ARI MONTEIRO, compositor que, dentre outras músicas, lançou algumas enaltecendo São Jorge.

O famoso Dicionário de Ricardo Cravo Alvin relaciona uma série de composições de ARI MONTEIRO e o nome dos diversos cantores que as gravaram, mas não cita nenhuma das muitas que Carlos Galhardo gravou. Aliás, quem mais compôs com Ari Monteiro também não é citado: Roberto Martins.
Carlos Galhardo gravou "apenas" 34 composições de ARI MONTEIRO. Nenhuma foi relacionada por Ricardo Cravo Alvin. Dessas, a maioria tem Roberto Martins como co-autor.
Iniciando uma série de músicas sobre São Jorge, Carlos Galhardo gravou em 1946 "São Jorge;no ano seguinte "Dentro da Lua"; em 1948 "23 de Abril"; e em 1955 "Novamente Abril" , todas de Ari Monteiro (duas com Roberto Martins). Apenas "Meu São Jorge" (1951) não leva o nome de Ari Monteiro.

Para o carnaval, Galhardo gravou "Cadê Zazá?", "Até Moscou";"Dias de Festa";"Neste Mundo e no Outro"; "Canta Vagabundo";"Alegria da Cidade";"Laurindo"...

Também são de Ari Monteiro, "Noites de Junho"; "Pecado Original";"Domingo Feliz";" "Papai do Meu Coração";"Tempos de Criança";"Prece";"Olhos Divinos";"Por
que Cantam os Passarinhos?"...

ARI MONTEIRO fez dupla com outros compositores, como Irani de Oliveira;
Peterpan; Newton Teixeira; Arnaldo Passos, tudo gravado por Carlos Galhardo.

Completando a falta de informação de Ricardo Cravo Alvin, quero registrar uma bela composição de ARI MONTEIRO e Peterpan, de nome

MISTÉRIOS DA NOITE"
Tarde morre o dia,
Triste como sempre...
Cedo a noite vai chegar.
Maior será então
A minha grande mágoa,
Meus olhos já estão
Ficando rasos dágua.

Pois quando anoitece
Muito mais padece
Quem tiver no coração a sombra da tristeza.
Não sei o mistério que a noite tem,
Que faz crescer no coração da gente
A saudade de alguém.

Lançada por Carlos Galhardo na Rádio Mayrink Veiga, essa valsa não foi gravada. Está apenas"gravada em minha memória".

Em que data Ari Monteiro faleceu???
Esta composição de Ari Monteiro, também em parceria com Peterpan, foi gravada por Carlos Galhardo em 1946 e também não consta do Dicionário de Ricardo Cravo Albin.

DOMINGO FELIZ
Você se esqueceu tão depressa,
Dos beijos de amor que me deu.
Abraços e tantas promessas
Você tudo, tudo, esqueceu.
Mais uma lembrança perdida,
Mais uma loucura que eu fiz,
Eu hei de lembrar toda vida,
Daquele domingo feliz.

Tudo passou, Tudo acabou.
Só a saudade em mim ficou.
Eu não terei, tudo me diz
Outro domingo assim feliz.

Por isso, se nossa memória falar, tudo ficará no esquecimento aqui nesta parte da comunidade.
Norma Hauer

Jennifer Jones - uma grande atriz - por Norma Hauer

Seu verdadeiro nome era Phylis Lee Isley, mas ficou conhecida como JENNIFER JONES, uma atriz muito bonita que nos encantou nos vários filmes em que atuou.

Veio a nota de seu falecimento, aos 90 anos de idade, no último dia 18.

Imaginar aquela bonita médica eurasiana, que brilhou ao lado de Willian Holden no filme "Súplício de Uma Saudade" com 90 anos é difícil. Era vistosa, exuberante, uma dama.
Adorei aquele filme.

Jennifer também encantou com a "Canção de Bernadette" (por este filme recebeu seu único "Oscar"); "Suave é a Noite";"Adeus às Armas" e o "Retrato de Jeanie".

Adorei um filme de nome "Lover's Letter" que recebeu aqui o nome de "Desde que Partiste", com Joseph Cotten. Quando foi exibido na TV, anos depois de ser lançado nos cinemas, fiquei alucinada e gravei para revê-lo quantas vezes quisesse.

Não sei se existe em DVD. Se existir vou adquiri-lo.

Seu último trabalho no cinema foi em "Inferno na Torre", filme com Paul Newman, mas ela contracena com Fred Astaire.

O cinema hoje não tem mais grandes artistas . Tudo mudou e o cinema também. Aliás, nem cinemas temos hoje. Salinhas dentro de "shoppings" não são cinemas, como eram os Metros (Passeio, Tijuca, Copacabana), o São Luiz, O Imperator (no Meier) o Olinda, o original Azteca, na Rua do Catete o Palácio, o Vitória, o Pathé...

Saudades dos grandes cinemas, dos melhores filmes dos insquecíveis atores...

Os tempos são outros. Fazer o que?

Recordar JENNIFER JONES é o melhor para fazer hoje. E vou fazer, revendo "Suplício de Uma Saudade".
Esse é um dos pontos altos da tecnologia :ver em casa o melhor do cinema.

Norma Hauer

YUKA - fotos de Heládio Teles Duarte

Presente de Natal !


Esta planta chama-se Yuka, é de difícil floração ( talvez de 4 em 4 anos) . Ontem ao fiscalizar o jardim , fui surpreendido com tamanho presente, que compartilho com todos do CARIRICATURAS.

AMIGO SECRETO

Já que pode revelar, digo: meu amigo secreto é o poeta Assis Lima. Tive muito prazer em tê-lo como amigo secreto, já que somos amigos de longo tempo, mesmo sem convivência: somos amigos da Ponta da Serra e dos Altos, da Serra do Juá e da chapada do Araripe, do rio Carás, da nossa terra, enfim. E, principalmente, somos amigos da poesia. A você, Assis, dedico esse poema de João Cabral.
Stela Siebra Brito

CATAR FEIJÃO
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigavel, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a tenção, isca-a com risco.
(João Cabral de Melo Neto)

O Clero de Bom Humor – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Padre Gilson, ao celebrar missa na Lagoa Redonda, um bairro da periferia de Fortaleza, ouvia uma resposta diferente para a tradicional saudação: “O Senhor esteja convosco”. Apurou bem os ouvidos e notou que uma velhinha, que sentava no banco da frente, assim respondia a essa oração: “Ele está com medo de nós”.
***
Padre Pita, um irmão do nosso inesquecível Padre Lauro, era também muito apegado à sua carteirinha de cédulas. Quando rezava a missa das nove horas do domingo, em Fortaleza, ao pronunciar o “eu pecador” e dizer: “porque pequei muitas vezes, por minha culpa,” (bateu com a mão nos peitos e sentiu falta da carteira), imediatamente colocou as mãos sobre os dois bolsos laterais da batina, enquanto dizia: “por minha tão grande culpa”, (e a carteira também não estava lá). Por fim, prosseguiu a oração levando as mãos aos dois bolsos de trás, exclamando: “por minha máxima culpa”. Gritou: “Roubaram minha carteira!”
***
Os alunos do Curso Cientifico do Colégio Diocesano do Crato viram um jumento roendo tocos de capim de burro pelos cantos do meio-fio da Rua Nelson Alencar. Conduziram o animal até a sala de aula, durante o intervalo do recreio. O Padre David entrou para aula de Física, fez de conta que não viu o animal na sala e ministrou sua aula com toda tranqüilidade possível, como era seu costume. Ao final, foi até o local onde o jumentinho a tudo assistia com redobrada atenção e assim falou para o burrico: – “Avise aos seus colegas que na próxima aula vai haver prova.”
***
Anualmente, o saudoso Padre Murilo celebrava a páscoa dos funcionários da Coelce em Juazeiro do Norte. Entre as inúmeras virtudes das quais ele era possuidor, uma eu admirava muito, pois assim como eu, ele era torcedor do Vasco da Gama do Rio de Janeiro. Em 1988, a páscoa ocorreu depois de um jogo decisivo do Vasco contra o Flamengo. O Vasco sagrou-se campeão carioca, ao vencer seu rival com um único gol marcado pelo jogador Cocada, um ex-flamenguista. Na benção final da missa, após pronunciar a mensagem: “Ide em paz, que o Senhor vos acompanhe”, o Padre Murilo emendou: “Agora vocês vão para casa, comam uma cocada e bebam um copo d’água.”
***
Dario Maia Coimbra, mais conhecido pelos juazeirenses por “Darinho”, devia vinte cruzeiros a um amigo que faleceu, sem que antes ele tivesse pagado tal dívida, naturalmente corroída pela inflação. Então ele foi se informar com o Padre Murilo, se ele poderia celebrar uma missa pela alma do seu credor com o dinheiro daquela dívida, e mandar o que sobrasse para os familiares do morto. Padre Murilo lhe respondeu que com aquela quantia não daria para celebrar nem meia missa. – “Nem mal celebrada?” – Insistiu Darinho. – “Nem celebrada por mim.” – Respondeu Padre Murilo.
***
Padre Quinderé, talvez o mais espirituoso dos sacerdotes cearenses, chegou atrasado para celebrar a missa das seis horas na Igreja do Carmo. Quando vestia os paramentos na sacristia, uma velhinha se aproximou pedindo para que ele a ouvisse em confissão, pois não desejava passar um dia sem comungar. Ele lembrou-se que a confessara na tarde anterior e perguntou: “Criatura de Deus, que pecado tão grave você cometeu de ontem para hoje?” Então a beata perguntou: “Padre, eu queria saber se ventar na Igreja é pecado?” – “Depende, se não apagar as velas, pode ventar à vontade.”
***
Os vizinhos do Padre Quinderé estavam escandalizados com o que se passava na casa do sacerdote, situada numa esquina. Então convocaram um senhor muito católico para ir falar com ele. “Monsenhor, desculpe-me vir até aqui ocupar seu precioso tempo. Mas está acontecendo uma coisa na sua casa, que está chocando toda a vizinhança. Temos certeza que não é do seu conhecimento.” – “Explique-se logo homem.” – Suplicou-lhe o padre, com muita curiosidade. – “É que a Maria, sua cozinheira, deixa a janela do quarto do oitão somente encostada e depois das dez horas da noite, o namorado dela entra no quarto pela janela.” O padre agradeceu a informação e prometeu tomar as providências. Cedo da noite, armou uma rede no quarto do oitão e disse para a empregada: “Maria hoje eu vou dormir aqui. Você vá dormir no seu quarto.” – “Mas padre, e o leite que eu recebo do leiteiro todas as manhãs pela janela?” – Perguntou-lhe a empregada. – “Vá receber pela porta da frente.” – Dito isso, o padre deitou-se e aguardou até as dez horas da noite. Ouviu a janela ser aberta e fez-se dormindo. O namorado da Maria foi direto para rede e passou a mão por baixo. O padre levantou-se de um só pulo e disposto a enfrentar o invasor, perguntou: – “Que é que você está fazendo aqui, rapaz?” – “Padre Quinderé, desculpe se eu lhe acordei, mas eu só queria saber que dia é hoje?”– Gaguejou o namorado da Maria. – “E você está pensando que o meu “fiofó” é calendário? ”– No dia seguinte, Maria não amanheceu mais na casa do padre.
***
Padre Quinderé, no final da vida, retirou-se para Maranguape, sua terra. Definhava a olhos vistos, estando em pele e osso, além de cego. O Arcebispo de Fortaleza foi visitá-lo. Para confortá-lo disse: – “Padre Quinderé, o senhor é um homem feliz. Está preste a atravessar os umbrais do Paraíso e falar com Jesus, contemplar a face de Deus.” E o padre, com a voz quase inaudível, sussurrou: – É, mas Maranguape é tão bonzinho!”
***

NOTA: Monsenhor José Alves Quinderé foi um sacerdote de extraordinárias virtudes, aliada a alegria de viver consolidada pela fé na ressurreição. Ex-professor de Latim do Liceu do Ceará, fundador do Colégio Cearense, deputado estadual em duas legislaturas e secretário do Arcebispo de Fortaleza, Dom Manoel da Silva Gomes.
Para saber mais sobre o Padre Quinderé, recomendo aos amigos a leitura do livro: “Padre Quinderé, o Apóstolo da Alegria.” de Fernanda Quinderé, Edições ao Livro Técnico, Fortaleza – 2004.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Pensamento para o Dia 21/12/2009


“A vida sustentada pelo alimento é curta; a vida sustentada pelo Atma é eterna. Não reivindique uma vida longa, mas uma vida divina. Não se esforce para permanecer na Terra por mais anos, mas por mais virtudes no coração. Buda conhecia a Verdade e a propagava ao mundo. Tudo é tristeza. Tudo é vazio. Tudo é efêmero e poluído. Desse modo, o homem sábio deve cumprir os deveres que lhe são atribuídos com discernimento, diligência e desprendimento. Desempenhe o papel, mas mantenha sua identidade não afetada.”
Sathya Sai Baba

---------------
Comentário de Bernardo Melgaço:

As palavras de Sai Baba encontram ressonância em minha alma. Por isso, gosto de divulgar as palavras desse santo homem indiano. Feliz daquele que sentir essa ressonância em seu coração, pois terá a experiência da centelha divina falando para sua própria alma. E para mim esse fenômeno de percepção e sintonia é a Verdade de Deus se manifestando doce e sabiamente.
Certa vez, em 1988, me ajoelhei e implorei escondido (no banheiro para ninguém ver)para que a intuição (a voz da centelha divina) não mais falasse na minha consciência. E ao sair (com o máximo cuidado para que ninguém da casa visse o que estava acontecendo)do banheiro com os olhos cheios de lágrimas fui para o meu quarto no fundo da minha casa e me joguei na cama (segurando as lágrimas e a emoção), e por surpresa minha surgiu de repente a minha madrasta para me consolar dizendo: "Bernardo, você não pode pedir isso, pois você é........(o conteúdo dessa última frase é algo que guardo como segredo entre eu e Deus).

A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (...) o homem médio tem as «ideias» mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão de vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo as suas «opiniões».
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham «ideias», quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As «ideias» deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura. Não me importa quais são. O que digo é que não há cultura onde não há normas. A que os nossos próximos possam recorrer.

Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar. Não há cultura onde não há acatamento de certas últimas posições intelectuais a que referir-se na disputa. Não há cultura quando as relações económicas não são presididas por um regime de tráfico sob o qual possam amparar-se. Não há cultura onde as polémicas estéticas não reconhecem a necessidade de justificar a obra de arte.
Quando faltam todas essas coisas, não há cultura; há, no sentido mais estrito da palavra, barbárie. E isto é, não tenhamos ilusões, o que começa a haver na Europa sob a progressiva rebelião das massas. O viajante que chega a um país bárbaro, sabe que naquele território não regem princípios aos quais possa recorrer. Não há normas bárbaras propriamente ditas, a barbárie é ausência de norma e de possível apelação.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'

Paco de Lucia , nascido em 21 de Dezembro

No dia 21 de Dezembro de 1924, nascia Altamiro Carrilho ...

Café da manhã com Zé do Vale.




Esse bolo é pra ser cortado só no Natal, viu? Os enfeites são de Sofia.

Que Zé do Vale e Tereza tenham um dia de sol , iluminado de felicidades !

Curtinhas - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Curtinhas
Rio de Janeiro, 1988

══════════════════════════════
De quem é a culpa?
Do chão escorregadio?
Ou do piso liso do sapato?
Da natureza quebradiça dos ossos?
──────────────────────────────
Mal chegastes!
E estais saindo....
Afinal, o que é isto?
Uma cheguida.
─────────────────────────────
Um burguês, inchando de ter,
Teve tudo e tudo lhe teve.
Esqueceu que a morte é apenas ZZZZIIIIPPPT.
E é certa que vem.
──────────────────────────────
Januária e Joana juntas na janela, jamais.
Brigaram, brigona, brava.
Assuntos assim, sempre serão sucesso,
Pois choram a ubiqüidade ultrapassada.
──────────────────────────────
Só existe uma alternativa
Para o vazio estabelecido,
Pela inexorável despedida.
Preencher o vazio.
──────────────────────────────
Não sei se:
O rabo está na cabeça,
Ou vice-versa.
O chão no céu,
Ou o céu no chão.
A água é fogo,
Ou o fogo é água.
O gás é líquido,
Ou o sólido é pensamento
───────────────────────────────

por José do Vale Feitosa

Dedicado ao escritor José do Vale Pinheiro Feitosa, hoje aniversariando !

Parabéns, cratense da "Batateira"
Poeta das nossas ruas e praças
Guardião das nossas memórias afetivas
Cratense, no Rio de Janeiro! Vamos apagar as velas ou deixar que elas permaneçam ACESAS para iluminar o teu dia, tua vida?

O Cariricaturas existe graças a ti!
Participastes das ideias iniciais, e com o teu incentivo elas foram tomando forma, tomando vida ...!
Tens o nosso carinho como amigo. Tens a nossa admiração como escritor.
Que Deus te conceda a graça de muitos anos de vida!
Abraços

Língua de Papagaio por José do Vale Pinheiro Feitosa



Língua de papagaio é seca. É a metáfora da seca. Como o Rio Batateira é a metáfora do Cariri. Sem ele, Cariri não há mais, assim como nem os cariris sobreviveram. Teu ser exangue retornará ao pó sem metáfora do vieste do pó, pois o pó a que retornarás não é o mesmo do qual vieste. O pó do qual vieste é o pó que cria, gera, organiza, torna-se vida. Neste pó há o Verbo, o devir da transformação sendo o mesmo mas nunca igual. Este pó em que o Batateira deixa de ser a metáfora do Cariri, é um pó inerte, sem desejo, nele nada para ouvir-se, algo para estimular o olhar, nada, nele não há nada. É esquecimento em estado bruto.
A água é do povo como ar é do Condor. A água é pública, coletiva, andarilha ao encontro de todos, a água de jusante a montante, a água é quase tudo de cada um, somos nós, os humanos, a umidade da terra. E de onde vêm as águas? De todos os lugares, dos céus e da terra, a água circula, troca lugar no vai e vem dos líquidos, sólidos e vapores. A água troca de lugar em todos sentidos de seus estados e deixa de assim ser quando o distribuidor natural muda de natureza.
Desmataram o alto o Urubu, o Alto do Cochos e o riacho dos cochos, afluente do Batateira secou. Desmataram as encostas de mata atlântica do Araripe e a fonte reduziu-se. A indústria vil, este galpão da renúncia fiscal projetou-se sobre as matas que naturalizavam as nascentes de pequenas levadas. O Sítio do Fundão foi lancetado e o poço do Jatobá, uma lembrança de areia saudosa da umidade, acumula os rejeitos de alguma bebedeira com latas de cerveja. Desmataram nossas vida e nem demos conta que não era o progresso mas a trilha torta para nossas almas desérticas.
A lenda do Padre Cícero foi revesitada. Ou melhor, foi confirmada. Afinal a Pedra da Batateira caiu sobre o Crato e o esmagou.



por José do Vale Pinheiro Feitosa

Maturidade - Edmar Lima Cordeiro




TEU ROSTO
TEUS OLHOS
TEU CORPO
TUDO, TUDO
ESTÁ MAIS FORTE
MAIS VIVO,
MAIS MADURO,
MAIS MULHER.
QUE BOM VOCÊ
ASSIM
MELHOR QUE ANTES
MELHOR QUE SEMPRE
MIMOSA
MULHER
BRILHANTE.


( EDCOR )

domingo, 20 de dezembro de 2009

Controle social e democracia - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Este texto aspeado abaixo o fiz num comentário para o blog de um ex-editor da Rede Globo quando este comentou a situação da programação diante da pata de elefante dos laboratórios farmacêuticos. Ele se referia a uma matéria que criticava os efeitos danosos de determinado medicamento e que "caiu" por pressão do laboratório fabricante. Espero retornar a esta abordagem num futuro próximo, com mais detalhes. Só para vocês ficarem alerta: sabemos todos que o fundo da Educação Básica aumentou e todos esperamos uma melhora geral na educação. Pois bem parte do jornalismo brasileiro e de jogadas políticas se devem a editoras (inclusive a Abril) disputando o fornecimento público. Outro dado uma fonte de escândalos, espeiclamente este de Bsb com conexões na Secretaria de Educação de São Paulo tem o mesmo modelo: a exploração denosa dos fundos públicos.


"Estou no final da minha carreira na saúde pública com algumas convicções. Há que se enfrentar o setor produtivo nas circunstâncias atuais. Não se poderá enfrentar a indústri farmacêutica, de imunobiológico, imagens etc. sem um forte setor público sobre controle da sociedade. Este modelo baseado em "empresários (?)" que ganham milhões como vendedores de luxo para garantir os grandes lucros deste setor não pode ser. Se cria um sistema tão perverso que a maior parte das vezes não se sabe onde começa o lobista da tecnologia de saúde e termina o médico. Por vezes onde se tem garantia de lucro certo na ponta de liminares da justiça no que se convencionou chamar-se Judicialização. É uma cadeia que precisa ser combatida, da ponta mais simples até a mais complexa: a) os visitadores de laboratório à serviço da indústria; b) os "empresário (?)" que inventam demanda para a indústria; c) os congressos financiados largamente para o discurso único deste merchandising (não existe mais ciência como algo crítico, no condicional e sujeito à superação); e) os lobistas, associados a deputados, senadores e membros do executivo em todas as esferas de governo com a finalidade de "empurrar" compras sobre os Fundos de Saúde e f) a aliança entre operadoras de planos de saúde e prestadores de saúde com a finalidade de se usufruir do plano mutual que afinal só existe pela contribuição solidária de quem paga o plano, inclusive com incentivos fiscais. Aliás, não diga que nega, pois na parte mais complexa existe o Programa Fantástico (e toda uma jogada maldosa em vários outros programas) que costuma gerar demanda por tecnológias absurdas desde que começa a segunda feira e as portas dos "negócios" se abrem."
Quem são os amigos secretos de Claude Bloc?
***

Carlos Eduardo escreveu jocosamente pra Socorro Moreira: "Socorro, quantos são os amigos secretos de Claude Bloc?"

Carlos, você estava certo! Foram (são) muitos. Mas garanto a você que isso foi "sabedoria" de Socorro. Não sei se foi bem um sorteio, viu? Creio que foi trama da "oposição", pois eu seria também pombo-correio de quem precisasse passar secretamente as mensagens para os demais.

O problema é que a brincadeira aconteceu num período de sufoco. Teve dia de eu não conseguir nem respirar direito. Por isso, peço àqueles que, por acaso não foram agraciados com minhas mensagens, para me darem um desconto, pois no meu coração todos têm um lugarzinho bem confortável no rol das minhas amizades.

Depois de rever hoje minha lista, percebi que "pequei" por falta. Deixei alguns amigos sem receber mensagem alguma... A esses já pedi perdão, mas hoje desejo em dobro ou triplo o que me faltou lhes desejar: Um Natal Feliz e um Ano Novo cheio de realizações...

1. Um de meus amigos secretos foi "reação de dupla-troca": ou seja, fomos amigos secretos um do outro. Ele hoje também é professor, não nos United States de Sobral, mas na nossa bela capital. É uma pessoa a quem muito admiro pelo caráter, pela maneira de conduzir a vida e pelo amor eterno pela sua querida esposa - Carlos Eduardo.

2. Outra pessoa que foi amiga secreta é psicóloga, adora flores sobretudo orquídeas, mas não faço idéia se ela percebeu as mensagens que lhe mandei, pois não deu sinal de tê-las visto... (risos) - Liduína

3. Outra amiga secreta, também psicóloga é a pessoa mais delicada e gentil que já vi na vida. É filha de um cratense que já trabalhou, até aposentar-se, no Banco do Brasil. Ela é uma filha minha do meu coração, eleita pelo afeto delicado que surgiu entre nós.- Camila Arrais

4. Um dos meus amigos é um caricatirista excepcional e que ainda não deu ares de sua graça no Cariricaturas devido ao fato de estar assoberbado de trabalho no momento e por estar "grávido" - vai ser papai. - Claudio Teixeira

5. Este de que falo agora é um "administrador" de um Blog onde prima o bom humor e a graça. Tenho muita admiração por este "rapaz" e gostaria que ele aparecesse sempre por aqui - Cariricaturas - enchendo nossa alma de alegria e risadas.- Antonio Morais

6. A lista cresce. Agora vou falar de outro amigo secreto. Este é um historiador de gabarito. Faz pesquisas e nos traz assuntos sérios e interessantes para ler. É uma pessoa séria e reservada, mas muito conceituado no nosso Crato. Anda fugidio, mas espero que o Natal o aproxime de nós muitas outras vezes com seus textos e sua amizade. - Armando Rafael

7. Este é um amigo de sempre. Fui colega de uma de suas irmãs, por isso frequentava sua casa para estudar sob as vistas zelozas de sua mãe. Este amigo é uma mistura de gentleman e de anjo. Uma pessoa de caráter excepcionalmente admirável. No momento não mora no Crato - Joaquim Pinheiro

8. Este mora em terras pernambucanas. Tem diversos livros publicados e tem um grande acervo na sua biblioteca. Seus textos são de uma correção ímpar, tanto no estilo quando no campo das idéias. É um estudioso dos grandes autores e já é conhecido pelo país pela sua dedicação à escrita e pela sua cultura.- Everardo Norões

9. Este é médico. Para mim, um literata pronto cuja escrita encanta, envolve e estabelece um pacto com o bom humor e a inteligência. Sou "fã de carteirinha" de seus escritos. As idéias fervilham quando o leio.- Dr. J. Flávio

10. Este é expert em inglês (sobretudo). Tem uma verdadeira fascinação pela dicção e pela fala perfeita e fluente na língua inglesa. É uma pessoa a quem admiro pela batalha e pelo afã em ser sempre melhor. Além disso, é estritamente ligado à música.- Jairo Starkey

11. Este talvez seja o mais doce, um dos mais gentis, o mais sensível, porque artista na escrita. A sensibilidade artística na sua família é uma constante, e isto, em todas as dimensões. A tônica nos seus escritos é a delicadeza do seu estro, a qualidade e a grandeza humana dos seus temas. - Roberto Jamacaru

12. Esta foi a pessoa que eu tinha adotado. Uma pessoa que iluminou minha vida com sua amizade. Foi algo meio transcendental, algo meio além da compreensão: uma amizade fraterna perfeita onde as diferenças de uma complementam as fraquezas da outra. Uma pessoa de garra e que só distribui o que é bom. Ganhei muito com ela. - Socorro Moreira

13. Outra pessoa adotei por um dia: foi minha primeira amiga. Quando crianças fomos muito próximas, pois eu frequentava sua casa semanalmente e adorava as tapiocas de sua casa no café-da-manhã, além da carne assada cheirosa que havia lá e da sopa de feijão nos jantares de então. Seu pai foi um grande dentista no Crato e ela é uma pessoa de personalidade marcante pela delicadeza e firmeza ao mesmo tempo. - Magali

E então, Carlos? Foi ou não foi trama da "oposição"? Você aguentaria ter tanto amigo secreto assim? (gargalhadas).

...
Um abraço fraterno a todos
desejando conjuntamente um Natal perfeito
e um Ano Novo, muito novo em realizações.
....

OFICINA DA PALAVRA - Cariricaturas, informa !

CARIRICATURAS ,







Oficina da Palavra - por Stela Siebra Brito

“Os leitores são viajantes, circulam nas terras de outras pessoas, nômades que caçam furtivamente nos campos que não escreveram”.
(Michel de Certeau)

Objetivando estimular o prazer e o interesse pelo exercício da leitura de poesia e da contação de histórias, a Oficina da Palavra oportuniza a descoberta de valores individuais e propicia o exercício da autoria através do diálogo entre as linguagens (poesia, histórias, música, dança em roda).


DESENVOLVIMENTO DA OFICINA

A ação terá como prioridade atingir um público formado por pessoas que amam a poesia e/ou a contação de histórias. A oficina acontecerá, na cidade do Crato, nos dias 29 e 30 de dezembro/09 e nos dias 6, 7 e 8 de janeiro/10.
O encerramento da Oficina da Palavra será no sábado, dia 9, com um Recital de Poesias e Contação de Histórias, feitos pelos participantes.
Todas as dinâmicas serão realizadas em círculos, já que no círculo se trabalha o equilíbrio entre o indivíduo e o coletivo. Na roda, somos convidados a estarmos presentes, a participarmos de maneira plena dos processos de transformação social.
Cada encontro será iniciado com uma atividade de expressão corporal - para aquecimento e relaxamento das tensões musculares - e com uma dinâmica de aquecimento vocal - para relaxar e ativar, especialmente, os órgãos da fala.
Entendemos que estas duas atividades conduzem a um relaxamento não só do corpo, mas também da mente, favorecem o equilíbrio físico e emocional, possibilitando uma respiração mais livre e consciente, o que, inevitavelmente, conduz a uma maior concentração e encontro pessoal com sua essência.
Os exercícios de voz facilitam o desempenho da leitura, com a boa articulação das palavras, sonorização, entonação e pontuação adequadas, além de permitirem uma maior soltura das pessoas, que passam a ler e a narrar de forma mais espontânea e confiante. Para complementar os exercícios de voz, brincaremos com parlendas e trava-língua. A música e a dança estarão presentes através de dinâmicas diárias de danças circulares e de atividades com poemas musicados.

Colocados em círculo, percebemos a nossa identificação com o outro. O círculo é essencialmente inclusivo. Ignorar um componente ou a manifestação de um componente da roda seria, num certo sentido, ir contra a tendência natural do círculo.
A produção escrita será estimulada através da brincadeira da remessa de cartões postais no final da oficina, o que será uma oportunidade para os participantes exercitarem a imaginação e a criatividade, registrando, por escrito, a memória desta experiência e de outras memórias guardadas com eles. Neste caso, o lembrar não será apenas reviver, mas, sobretudo, recriar.

Stela Siebra Brito


Vr. do Investimento : 50,00

Local : SCAC


Cronograma : 29 e 30.12; 06 a 08.01.2010.

09.01.2010- Recital de encerramento ( Teatro Raquel de Queiroz)

Horário : das 19 às 21 h.

Mestra : Stela Siebra Brito
Coordenação : Socorro Moreira
Parceria : SCAC (Divani Cabral)


Lista de Participantes :



Socorro Moreira

Rosineide Esmeraldo,

Fátima Esmeraldo ,

Abidoral Jamacaru,

Roberto Jamacaru

Fanca Jamacaru,

Eleonora Figueiredo,

Fabiana Vieira,

Poliana Esmeraldo,

Lorena Tavares,

Blandino,

Divani Cabral,

Hermógenes Teixeira,

Olival Honor

Márcia

João do Crato


Vagas limitadas em até 25 participantes
Maiores informações, fale conosco !
Tel : 35232867
Socorro Moreira

Parabéns , Zé Flávio ! - por Zé Nilton


Hoje cedo, bem cedinho
Quatro e meia da manhã
Pus meus óculos ray-ban
E tirei pra Matozinho
A cidade em burburinho
O povo todo de pé
Cheguei à praça da sé
Bem na hora do festejo
Acompanhei o cortejo
Em louvor ao grande Zé

Aquela gente cantava
Nas ruas, que alegria
E aquela melodia
A todos contagiava
E dali de onde estava
Avistei um rasta-pé
Eu não minto se disser
Que há mais de uma semana
Disseram que Fabiana
Se abufelava com Zé

E assim em Matozinho
Todo ano se tem feito
Pra seu querido prefeito
Uma festa com carinho
A cidade é um só ninho
De muita felicidade
Justiça, paz, igualdade
Lá o povo é soberano
É tanto que para o ano
Vou morar em Matozinho


por Zé Nilton

Ela - Domingos Barroso

Quantas vezes já disse
que é hora do cafezinho quente

mas nunca sinto o mesmo gosto
nem entra pelas narinas o mesmo perfume.

Assim é a vida
dessa alma alheia

que se abrigou nos cachos
das minhas axilas

e agora ao levantar-me
eis ela, essa alma atenta

dentro do açucareiro,
pelas bordas da xícara.


por Domingos Barroso

Para o meu amigo,César Augusto - A Revelação

Enfeitei a casa com sakura ...

trouxe um haikai de Basho ...

e uns "blueberry muffins" pro seu lanche.


Meu amigo,

Imagine que a Panair ainda existe...

Pegue um vôo

e venha fazer parte dessa festa.


Só espero que você não fique decepcionado ao saber que o seu amigo secreto

é essa Corujinha aqui.


Um abraço





Rolou a festa, e foi massa !

" Nosso "sex ... sexagenário" João Marni ! Alma serena , coração feliz !
Nicolai, João Marni e Chico Pão , nas prosas , sem conflito de geração !

Assis Landim - enciclopédia boêmia ! A vida do nossos , em sua memória.
Fátima - maravilhosa anfitriã !


A doce e pequena Maria Alice , entre folhas e mimos !

Lembramos músicas, cinema antigo , amores eternos e serestas !
(Assis Landim e Jakson Duarte)

A turma das donzelas - Belas !
Fotos by Rosineide Esmeraldo.
Obrigada amigos João Marni e Fátima por tudo de bom
que vocês partilham com os amigos.
Idade nova e Ano Novo, totalmente demais , desejamos-lhes !

Rosa Guerrera declara por e-mail : minha amiga secreta é ...

Alguém do Cariri que como eu também conhece a Itália, e sobretudo gosta de Nápoles ! É poetisa , artista plástica ... Vez por outra , sua imagem aqui é postada como símbolo de charme , beleza e fotogenia.
Sem dúvidas , um presente do Cariricaturas, essa menina amiga !
Abraço carinhoso ,
Ros@

Amigos secretos ...!

Carlos Esmeraldo tem toda razão ! A Claude sorteou alguns amigos e adotou uns outros, e assim a dona de coração mais natalino do mundo , viu sua correspondência aumentada, e deu conta do recado com muito capricho e carinho. Mas vamos esperar que ela se pronuncie... !
Também sorteei mais de um , mas não adotei nenhum. Já tinha a incumbência de ser um tipo de pombo correio, repassando os bilhetinhos. Uma função que muito me alegrou, diga-se de passagem !
Nicodemos, Corujinha, Rosa , Walda, Claude, Ana Cecília , Melgaço, Edilma, Rosineide , Zé do Vale, Pachelly e etc... Foram amigos secretos , e eu declaro no aberto, que são amigos de fato , além de todo mundo que faz o Cariricaturas !

À minha amiga secreta – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo


A minha amiga que era secreta e não é mais, mora em Recife há muitos anos. Foi minha colega no Colégio São João Bosco, é astróloga, contadora de histórias e vai ser a Mestra da Oficina da Palavra que o Cariricaturas irá promover nos dias de 29 e 30.12. 2009 e 06 a 08.01.2010. Ela é muito querida por muitos amigos e por mim também. Adivinharam quem é?
Abraços minha amiga.


Uns imortais fetichistas - Por Emerson Monteiro

Fetichismo, essa mania corrosiva que se tem de juntar coisas das margens dos rios, sejam pequenas ou grandes. Culto de objetos materiais ou apego a eles. E fazemos isso vida a fora, vida a dentro. Aonde se vai, junta troço. Viaja-se e a bagagem vale pelas lembranças que se transporta, para si ou para os outros. Morre-se e ficam relíquias, botijas, testamentos recheados de bens materiais; os baús, as recordações dos amigos, nas rodas; as histórias infalíveis, resgates insistentes.
Fetiche: objeto animado ou inanimado, feito pelo homem, ao que se atribui culto. Enquanto o tempo consome a matéria, apegamo-nos aos garranchos das ribanceiras, no afã de perpetuar o imperpetuável que escoa das vertentes abertas nas elevadas cordilheiras. Nisso de contrapeso seremos hábeis em reunir motivos de fixação que nada fixam, desfeitos na paisagem móvel da existência, dias aquecidos de impermanências graves, lições infindas, perenes em tudo, por tudo, portanto.
Anéis e dedos que também não ficam. Caravanas que passam aos cães que ladram e passam no mesmíssimo formato da pauta dessa ópera insólita, estridente, agônica, permeada de silêncios agudos.
Sonha-se no esquecimento das horas, companheiras constantes de pêndulos que se movem impávidos. Nuvens suaves de outono, inverno, primavera, verão. Sol que vem e vai e fica, e nós é que vamos.
O esforço de cristalizar as coisas se transforma em rochas fósseis, rochas cristais, marcas de espécies extintas no aço, no petróleo, nas enciclopédias, na lama dos guetos. Na história de bichos-alimária, cães de palha. Todos, todas esfoladas, esfolados vivos, felizes bonecos de papelão.
Energia infinda, essa, sim, que permanece no fluir universal, na busca de Deus das criaturas. O rugir dos ventos nas folhas que se balançam e caem. O som de eras milenares em muralhas que se desmoronam dos monumentos carcomidos e reconstruídos de suor e impulsos desconectados. As imaginações de lideranças retocando civilizações que se debatem na busca de permanecer nas páginas esvoaçantes dos reinos ilusórios. Tropas armadas em conquistas estéreis, incógnitas dramas de quem padece as derrotas. Guardadas as lanças e proporções no terço dos armamentos enferrujados nas praças cheias de gente vaidosa, nos festins descompassados... Castelos vazios, horas calmas, madrugadas espasmódicas desses faustos de angústia.
Nos bolsos, a imunidade, seixos frios se misturam nas contas do rosário de lágrimas que se fizera saudade solta, croaxando no peito, e malas pesadas nos braços mortais da infinita espera. Olhos fixos na miragem desses invernos desconhecidos. Firmeza na voz e pigarro na garganta seca. Fora, cantam os pardais, efetivos a formar outra vez seus velhos ninhos teimosos, nos beirais de construções; a paisagem fantasmagórica do extático, testemunha imbatível do definitivo encontro; repulsão e expectativas.
Nesse dia e desse jeito de cenário, os artesões do depois vêm elaborando fios e tecerão longas auroras, nos cabos de luzes multicolores, em volta das marcas erguidas no seio das catedrais de pedra. Notas harmônicas envolvem as palmas abertas de um tempo que deposita nas estrelas seus filhos diletos. Aqueles velhos fetiches guardados se somam em muitos nós, apegos desfeitos nas pessoas. Serão almas livres aladas que pairam no além, aonde Deus espera de braços abertos.
Antes, éramos todos fetichistas contumazes e mudamos o sentido daquilo que nos alimentava. Nos lábios, favos de mel. Lindos laços envolveram os seres e nisso vem o dia raiar nos páramos suaves dos vínculos eternos, bloco útil das emoções permanentes.

À minha amiga secreta – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Desfaz-se o véu que cobria o rosto da minha amiga, até então secreta. Ela tem dupla nacionalidade, adora o Crato, é professora de línguas, fala fluentemente o inglês, francês e português, mora no exterior, num país que tem a sigla E.U.S. e sonha em morar no Crato a partir de 2010.
Adivinhem quem é ela? Apresente-se, minha amiga!

Minha Amiga Secreta é....Zélia Moreira.

Fiquei muito feliz em ter tirado essa pessoa maravilhosa e
ex-colega
da quarta série ginasial do colégio Diocesano; que reencontrei
por acaso numa caminhada na pracinha da Igreja de N.S. da
Conceição, no Parque Granjeiro.Foi um presente que ganhei
no ano passado (2008).E de lá prá cá nossa amizade se forta-
leceu e "viramos" grandes amigas e confidentes.Que Deus lhe
abençoe Zélia!!! Amanhã passo em sua casa para a entrega do
presente.Rsrs...Beijos:Liduina.

(Tentei me esconder o máximo para você não desconfiar)

A Flor de Lótus


Flor de Lótus
***
No dia em que a flor do lótus desabrochou
a minha mente vagava e eu não a percebi.
***
Minha cesta estava vazia
e a flor ficou esquecida.
***
Somente agora, e novamente,
uma tristeza caiu sobre mim.
***
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
de um perfume no vento sul.
***
Essa vaga doçura
fez o meu coração doer de saudade.
***
Pareceu-me ser o sopro ardente do verão
procurando completar-se.
***
Eu não sabia então,
que a flor estava tão perto de mim.
***
Que ela era minha
e que essa perfeita doçura
tinha desabrochado no fundo do meu coração.
***
( Rabindranath Tagore )
***
*Rabindranath Tagore escritor, poeta e músico indiano ( 7/05/1861-07/08/1941 ). O primeiro asiático a receber o Prêmio Nobel de Literatura , em 1913.
***
***

<

DE PROFECIAS E DE BUSCAS - Por Zé Nilton




Encontramo-nos no interior de um
novo ciclo - um dos semitons da
grande ressonância - que teve início
em 3114 anos AC e que se completará
em 2012.





A Grande Força nos encaminha, através
do alinhamento galáctico, para o novo,
que não é a morte do velho...





Mas o renascer de uma nova era, que
trará finalmente a redenção do homem
com o mundo, com a natureza e consigo
mesmo.




A pomba da paz virá radiante, e as
trombetas anunciarão a voz do grande
guardião, que cantará: Deus vos salve o
relógio que andando atrasado serviu de
sinal ao verbo encarnado...


Daqui de onde estou, no "Rancho a Morada
da Vida", a 910m acima do nível
do mar, no interior da sagrada Chapada
do Araripe, após contemplar o luar de
dezembro, desejo a todos os amigos um
Natal cheio de luz e que no Ano Novo
venhamos a convergir para a manutenção do amor
em nossos corações.

Zé Nilton