Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Alguém como tu, em contínuo viver - José do Vale Pinheiro Feitosa
É que este coração nem presta mais atenção a este fluxo de paixão.
Que vem do capilar mais extremo e entra no átrio direito como desejo de mais. Atravessa a válvula que apenas regula o refluxo e do ventrículo direito esparrama-se no mundo da atmosfera de paixão.
Faz uma contramarcha e retorna ao teu coração.
Cai no átrio como se fosse uma novidade e do ventrículo esquerdo dissemina-se nos milhões de mínimos de ti conformado no espaço que a totaliza.
E teu corpo tomado de paíxão ainda tem voz para dizer: nem um pouquinho a mais do que já foi.
E o outro pergunta: Como? Se o que é, é superlativo do que foi?
E perguntas: Não sinto isso!
E o outro diz: alguém como tu. Assim como tu. Há de um dia dizer. Assim como foi, ainda querer. Amores já tive e sempre terei. Alguém como tu, cada dia viver.
"Alguém como tu"- Por Socorro Moreira
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| Ava Gardner e Frank Sinatra ( foto enviada por Edmar Cordeiro) |
Um exemplo de mãe - Emerson Monteiro
Grande Otelo- Por Norma Hauer
Unidade Nacional. - José do Vale Pinheiro Feitosa
A outra coisa foi o jogo religioso nesta eleição. Liberdade religiosa é lema principal da unidade nacional, quem não tem religião tambéms está defendido por esta unidade. O Estado laico e uma sociedade plural é a melhor forma de sermos civilizados. Não podemos acompanhar o modismo de nenhum país, especialmente neste tempos bicudos de crise quando o desespero popular pode levar sociedades ao autoritarismo.
A síntese a fazer é que a unidade nacional ocorra em torno de uma sociedade democrática, que reconheça seus problemas e que tenha a capacidade de dar voz a todos.
Sobre os dois aspectos coloco duas partes de uma entrevista com Maria Rita Kehl na revista Carta Capital:
Sobre a corrupção no Governo Lula:
CC: Falemos de ética: você acha que o caso Erenice atingiu eleitoralmente esta classe média?
MRK: Eu acho que sim. Eu li um artigo dizendo que o caso Erenice foi mais decisivo para exigir o segundo turno que essa “fofocaiada” toda sobre o aborto. E, infelizmente, está certo. O governo para o qual eu voto e continuo votando tem uma leniência com a questão da corrupção, que deixa até difícil um petista defender, tenho que dizer isso. Lula naturalizou a corrupção, como sendo parte do jogo político. E aí, está bom, quando fica mais escandaloso, demite. Mas “deixa acontecer”, entendeu? Renan Calheiros, Sarney, são vergonhas que a gente tem que engolir, fica parecendo que é culpa da oposição agitar isso. Claro que ela vai agitar. Nós agitaríamos isso se aparecesse uma coisa tão escandalosa na outra campanha. A diferença aí – que é a favor da atitude do governo Lula, mas que ao mesmo tempo não o torna vítima – é que o governo Lula não consegue blindar a imprensa como o governo do PSDB consegue, porque tem a imprensa na mão. Então, quando surge alguma coisa, surge como fofoca que desaparece no dia seguinte. Como a coisa do Paulo Preto, que o Serra não respondeu no debate e ficou por isso mesmo. A gente sabe que é um governo que blinda. O Alckmin, como a candidatura dele estava bem, teve a campanha toda em céu de brigadeiro, do começo ao fim, não tinha ninguém que pudesse pegar alguma coisa e contestar. E se pegasse, não ia sair na imprensa. De fato, a grande imprensa se encarrega de censurar quaisquer denúncias sobre os governos que ela apoia. Mas mesmo que a imprensa seja parcial ao denunciar um caso como o da Erenice, o caso em si está errado, não poderia aparecer.
CC: O governo não poderia ficar surpreso com a “escandalização” feita pela grande imprensa, certo?
MRK: Claro! Ele sabe qual é o jogo e não era para ter corrupção deste jeito. Uma coisa ou outra você não controla, uma coisa pequena, mas para mim é difícil responder quando as pessoas dizem: “mas, como? Estava no nariz dela! Era uma coisa que estava a família inteira metendo a mão”. Coloca os petistas numa situação difícil.
Agora sobre a questão do moralismo e do uso da religiosidadem, incluindo o tema do aborto:
CC: Esta eleição está sendo marcada também pela discussão de temas no campo da moral: aborto, religião. O que te parece isso?
MRK: Eu acho que isso mostra o atraso da sociedade brasileira. Porque, claro, nenhum candidato vai ser eleito se estiver em descompasso com a maioria da sociedade. O Plínio foi um exemplo ótimo, de um cara que falava tudo o que tinha na cabeça, tudo o que ele pensa de verdade, de uma forma consistente, porque ele não tinha compromisso de se eleger. O que me espanta é o atraso da sociedade brasileira. E a ignorância aí é apoiada pelo Serra de misturar questões religiosas com questões políticas. Como é que as igrejas começam a pautar a lei agora? Uma coisa é eles decidirem o que é pecado e o que não é, outra coisa é eles decidirem o que é ilegal e o que não é.
CC: E isso acabou virando pauta de campanha presidencial, não é?
MRK: Vira pauta e vira motivo de constrangimento. A campanha do PSDB tem responsabilidades sim, de acirrar esta intolerância religiosa neste momento da campanha. A Dilma respondeu duas vezes no debate da Band que neste País não tem intolerância religiosa. Fica esta irresponsabilidade feia do PSDB estar acirrando isso, mas ao mesmo tempo a sociedade mostra neste ponto como é atrasada. Aparecem comentários de que a Dilma é a favor do aborto como se ela tivesse o poder de decidir, se ela apoia o aborto, vai ter aborto. Como se isso não tivesse que passar pelo Congresso. Além de tudo joga muito com a ignorância do povo.
Se mais adiante fecha o assunto:
CC: E os candidatos chegam a “endireitar”, fazer campanha nas igrejas e citarem Deus à exaustão. Não acha que isso tem um papel deseducador, em particular para crianças e adolescentes?
MRK: Isso é o pior. Por um lado, eu acho que o problema da corrupção não é da responsabilidade do PSDB, eles vão extrair o máximo de vantagens que puderem arrancar deste caso da Casa Civil. Por outro lado, é responsabilidade sim, do PSDB e da campanha Serra o tom fascistóide que estas coisas estão adquirindo. É horrível que os candidatos tenham que aparecer ajoelhados comungando, dizendo que são a favor da vida…claro que são a favor da vida, quem é que não é?Agora, é a Igreja que não é a favor da vida. Aí é uma opinião minha. A ONG Católicas pelo Direito de Decidir me convidou para debater e elas pensam assim: a criminalização do aborto é uma questão contra a liberdade sexual da mulher, ponto.Não pode usar camisinha, porque a Igreja também é contra. Então é uma questão de dizer: sexo só dentro do casamento e só para ter filho. É isso, que não está escrito assim, mas é o que está dito. Se não pode usar preservativo, não pode evitar filho, não pode nem evitar infecções, epidemias como o HIV que mata milhões na África, que “a favor da vida” é esse?
CC: O Dafolha divulgou uma pesquisa que diz que a posição contra o aborto na sociedade aumentou depois destas semanas de discussão na campanha, veja o efeito nocivo.
MRK: Claro, porque o que circula é uma desinformação, “coitadinha da criancinha”, “eu poderia ter sido abortado” e “porque eu não fui abortado eu estou aqui”, não é neste grau. E a Marina tem responsabilidade nisso. Mesmo que a Dilma ganhe, a sociedade retrocedeu muito e isso é responsabilidade da campanha. É terrível.
O professor chega, cumprimenta o pessoal com um sorriso, escreve na lousa seu nome, a disciplina e em letras tamanho 20:
Convite !
Cenário de um sonho - por Socorro Moreira
Noel Rosa...
Escrever...
Camille Claudel
Camille Claudel (Fère-en-Tardenois, Aisne, 8 de dezembro de 1864 — Paris, 19 de outubro de 1943) foi uma escultora francesa.
Frase do dia
Chico Buarque, em ato de apoio a Dilma Rousseff, ontem à noite (18.10), no Rio
Nova pesquisa
Em novo levantamento, petista sobe 3 pontos, tucano cai 1 ponto e indecisos recuam 2 pontos
Pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta terça-feira (19.10) mostra que a vantagem da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em relação ao tucano José Serra aumentou para 12 pontos percentuais.
Segundo o Vox Populi, Dilma tem 51% contra 39% de Serra.
Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de 8 pontos (Dilma tinha 48% e Serra 40%). Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%.
Se forem considerados apenas os votos válidos (sem os brancos, nulos e indecisos) a vantagem subiu de 8 para 14 pontos. Dilma tinha 54% e passou para 57%. Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.
A candidata do PT tem o melhor desempenho na região Nordeste, onde ganha por 65% a 28%. Já Serra leva a melhor no Sul, onde tem 50% contra 41% da petista. No Sudeste, que concentra a maior parte dos eleitores, Dilma tem 47% contra 40% do tucano.
O Vox Populi ouviu 3 mil eleitores entre os dias 15 e 17 de outubro. Os resultados, portanto, não consideram o impacto do debate realizado pela Rede TV no último domingo, nem a entrevista concedida por Dilma ao Jornal Nacional ontem à noite. A pesquisa foi registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral com o número 36.193/10.
Depois de toda a polêmica envolvendo temas religiosos como o aborto, Serra atingiu 44% entre os entrevistados que se declararam evangélicos. Dilma tem 42%. Entre os que se declararam ateus, Dilma vence por 49% a 36%.
Entre os católicos praticantes Dilma tem 54% contra 37% do tucano. No segmento dos católicos não praticantes a petista consegue seu melhor desempenho, 55% contra 37% de Serra.
A petista ganha em todas faixas etárias. Já no recorte que leva em conta a escolaridade dos pesquisados, Serra vence entre os que tem nível superior por 47% a 40% da petista. No eleitorado com até a 4ª série do ensino fundamental Dilma tem 55% contra 38% do tucano.
Serra também vai melhor entre o eleitorado com mais renda. Entre os que declararam ganhar mais de cinco salários mínimos, ele tem 44% contra 42% da petista. Dilma tem seu melhor desempenho entre os mais pobres, que ganham até um salário mínimo, 61% a 31%.
Embora seja mulher Dilma tem índices melhores entre os homens. Conforme o levantamento ela tem 54% contra 38% de Serra no eleitorado masculino e 48% contra 40%do tucano no eleitorado feminino.
No recorte que leva em consideração a cor da pela Dilma atinge 59% entre os entrevistados que se declararam negros contra 29% de Serra. Entre os brancos, a petista tem 45% contra 44% do tucano.
Segundo o Vox Populi, 89% dos entrevistados disseram estar decididos enquanto 9% admitiram que ainda podem mudar de ideia. Entre os eleitores de Dilma a consolidação do voto é maior, 93%. No eleitorado de Serra, 89% disseram que estão decididos.
Gente do Crato...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Recadinho Carinhoso. Liduina Vilar.

Amanhã estarei das 7 da manhã ás 17 e 30 trabalhando direto no Juazeiro.
Mas quarta-feira, estrei novamente aqui no Cariricaturas ( que considero minha casa também).Volto feliz, plena, realizada pelo exercício do trabalho realizado.
E esta orquídea cultivada em nosso jardim, envio para vocês que tanto quero bém.
Liduina.
Pauta "incômoda" - José Nilton Mariano Saraiva
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O candidato José Serra foge do tema “privatização” tal qual o capeta foge da cruz. Talvez pra esconder seus tempos de coordenador das privatizações do governo FHC, quando o patrimônio público foi entregue de “mão-beijada” aos grandes grupos privados, preferencialmente internacionais. E o que é mais grave: aceitando as tais “moedas podres” e financiando o restante, via BNDES, em infindáveis e generosos prazos (“até o limite da irresponsabilidade”, lembram ???)
Como sua palavra não merece a menor credibilidade (registrou documento em cartório comprometendo-se com os seus eleitores a cumprir o mandato de prefeito de São Paulo até o final, e mesmo assim, menos de dois anos depois entregou o cargo para candidatar-se a Governador do estado), é preciso ficar atento.
Permitir que um sujeito seja guindado à Presidência da República é um jogo de alto risco, é condenar o país a permanecer preso e atolado nas amarras do subdesenvolvimento ad eternum; implica, por exemplo, em entregar a Petrobrás e a fabulosa riqueza do “pré-sal” aos gringos, conforme já sinalizou um dos seus principais assessores para a área energética, David Zylbersztajn, ex-genro de FHC e presidente à época da Agência Nacional do Petróleo (ANP) quando se realizou o primeiro leilão de reservas brasileiras entregues ao capital estrangeiro, em 1999. Hoje, principal “assessor técnico” da campanha de Serra para a área de energia (embora ele convenientemente negue), Zylbersztajn é defensor ferrenho e convicto de que num eventual governo demo-tucano (que Deus nos livre), a exploração do pré-sal ocorra nos marcos do regime de “concessões”, verdadeira dádiva à “gringarada”, ao contrário do regime de “partilha”, atualmente vigente (onde é o governo que determina e comanda o processo).
Na realidade, o interesse deles no regime concessionário, é de fácil entendimento: é que só assim será possível retomar o fio da história no ponto em que estava em janeiro de 2002 (governo FHC), quando o banqueiro Francisco Gros, em seu primeiro ato após a posse como presidente da Petrobras, anunciou em alto e bom som, aos investidores em Houston, nos EUA (por ordem do “chefe”, é claro), que sua missão era “PRIVATIZAR A EMPRESA” (não senhores, vocês não leram erro, é vero, veríssimo: a ordem era privatizar a Petrobrás).
Alfim, para que avaliemos o componente nefasto e danoso das privatizações, não custa lembrar que a Vale do Rio Doce foi vendida por $ 3,2 bilhões de dólares (valor que corresponde ao lucro da empresa em apenas um semestre) e hoje seu valor de mercado é de $ 196 bilhões de dólares.
Aqui pra nós, você acha, HONESTAMENTE, que quem faz um coisa escabrosa dessas é mesmo a favor do Brasil ??? Será por isso que não querem “comparar” os oito anos do governo deles com igual período do nosso governo ???
Tem que comparar, sim !!!
Dilma e Serra são a mesma coisa? Entrevista com Chico Oliveira na Folha de São Paulo
Como ele avalia que ocorreu no primeiro turno? “fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização…Que os candidatos escondem problemas cruciais: “não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. É escolher entre o ruim e o pior.
Sobre setores da igreja pregando o voto anti-Dilma por causa do aborto: “O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.” E diz que o tema só entra na campanha por causa do êxito econômico do país: Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil. Gente da classe C e D mostram-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.”
Sobre a divisão do Brasil segundo a votação entre Dilma e Serra: “É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. O que fazer com as regiões deprimidas? Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.”
Sobre terceira força política representada por Marina: “A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.”
Sobre como se lerá no futuro o papel de Lula: “Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio. Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições. A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado. Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle. O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário. Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las.
Sobre o papel de Lula como cabo eleitoral: Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso. Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário. Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições. Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembléia. Ele sempre agiu assim. Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
E continua generalizando para a política nos sindicatos: Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo. As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Ao comentar que “certa ala do PT, com José Dirceu… Esse tem projetos mais autoritários”, responde ao repórter sobre a força do Dirceu num governo Dilma: Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
Ao responder sobre o que pode acontecer num governo Dilma e Serra: Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula. Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Finalmente a resposta sobre “do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?”: Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito…
A nova classe média um avanço conservador?
Os partidos políticos de esquerda e direita no Brasil mudarão muito e os que não mudarem ficarão na contramão deste fato. Do mesmo modo que a classe média tradicional teve um pico de crescimento no Milagre Econômico do governo Médici (inclusive pelas bandeiras do movimento Estudantil da época em busca de mais vagas nas universidades públicas) esta irá fustigar mudanças com a natureza do que veremos abaixo, criando uma maioria conservadora nos partidos políticos.
Claro que uma tentativa política muito clara de contrariar este movimento ou uma crise econômica mundial muito severa, poderá afetar este momento. O mais provável é que a força deste segmento possa dar ao Brasil um lastro duradouro de crescimento.
Vejam os dados segundo o texto original com alguns cortes.
“Na outra ponta os estudos econômicos mostram o surgimento da nova classe média: a juventude nas classes C, D e E. Fala-se muito no chamado "bônus demográfico" brasileiro – isto é, em um período extremamente favorável em que a maior parte da população estará integrando a população economicamente ativa. Nas classes A e B haverá um envelhecimento crescente. Nas classes C e D, preponderância dos jovens.
Na classe A os jovens até 16 anos representam apenas 17%. Na faixa dos 1% mais ricos, os pais ganham dez vezes mais que os filhos. Na nova classe média, apenas duas vezes mais. Com isso, são os mais jovens que influenciam as decisões de consumo das famílias. Na classe A, apenas 10% dos jovens estudaram mais do que os pais. Na classe C, 60%.
Agora sintam a onda conservadora: Para essas classes, o consumo tem um papel simbólico dos mais relevantes. Eles passarão a ditar as tendências, porque – ao contrário dos jovens das classes A e B – além do conhecimento recém-adquirido trarão um componente de luta e determinação novos. Para essa nova classe, o consumo traz o sentido de inclusão social – ou, para usar um termo do sociologuês, de "pertencimento". O segundo, porque representa a bóia capaz de tirá-los definitivamente do universo das restrições. Encaram também como oportunidade e investimento. Finalmente, a satisfação de necessidades e sensação imediata de prazer.
A classe C responde por 54% das vendas de calçados no sudeste, 55% no sul, 57% no centro-oeste, 62% no nordeste e 62% no norte. Em viagens, já responde por 51% das despesas no nordeste a 34% no sudeste. Nos serviços financeiros, detêm 60,2% das contas correntes, 61% dos cartões de crédito, 57,8% das contas de poupança, 63,6% etc.
A nova classe média já movimenta R$ 834 bilhões por ano (contra R$ 216 bi da classe A e R$ 329,5 bi da classe B); responde por 87% da população, 76% do consumo, 69% dos cartões de crédito e 82% dos internautas. O depoimento de uma consumidora classe C dá o fecho para o estudo: "Comprar é perceber que todo nosso esforço vale à pena, que dá para agradar todo mundo, ficar de bem com a gente mesmo".
MEU TIME PREDILETO - por Pedro Esmeraldo
Texto de Pedro Esmeraldo
Novamente o aborto - José do Vale Pinheiro Feitosa
Antes que me entendam mal: falo no comportamento atual dos casais, mas não estou querendo dizer que isso é a grande maioria. Não é, mas acontece com uma frequência do ponto de vista epidemiológico muito relevante. O assunto é importante por que hoje mesmo tem a notícia de um panfleto ilegal, supostamente editado sob encomenda do bispo de Guarulho, contra a candidata Dilma e, portanto, favorável à candidatura Serra, cujo mote é o aborto. Então o assunto se mantém e continua mote da campanha, pelo menos de modo clandestino.
No sábado a Folha de São Paulo revela a confissão de uma ex-aluna de Mônica Serra, mulher do candidato, relatando que Mônica teria feito aborto numa situação de perigo, na ditadura militar quando eram jovens. A revelação da Folha deu uma revirada no assunto: se voltou contra a tática eleitoral do candidato Serra. Vejam neste insuspeito (não é um amigo do PT) artigo da Folha de São Paulo:
Folha de S.Paulo
FERNANDO DE BARROS E SILVA
Serra em transe
SÃO PAULO - Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.
Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.
Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de "matar criancinhas", numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.
O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?
Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em "Terra em Transe".















