Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 19 de outubro de 2010

 A COMÉDIA DA MALDIÇÃO, escrito e dirigido pelo dramaturgo Cacá Araújo, encenado pela Cia. Cearense de Teatro Brincante, participou do XXI Festival de Teatro de Acopiara-CE, realizado de 09 e 16 de outubro de 2010 pelaCia. Cordel de Teatro, e obteve os seguintes resultados: Orleyna Moura (Prêmio
de Melhor Atriz); Cacá Araújo (Prêmio de Melhor Texto e Indicação aos Prêmios de Melhor Ator e Melhor Diretor); Carla Hemanuela (Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante); Paulo Henrique Macêdo (Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante); Lorenna Gonçalves (Indicação ao Prêmio de Atriz Revelação); Lílian Carvalho (Indicação ao Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante). E ainda indicações aos prêmios: Melhor Cenário (Cacá Araújo e França Soares), Melhor Espetáculo pelo Júri Oficial, Melhor Espetáculo pelo Júri Popular e Melhor Conjunto Cênico.

Vitorioso é o grupo que, unidoe determinado, realiza a grandeza maior da divindade humana: a arte de criar vida fantástica a partir da essência real da humanidade.

Viva a Cia. Cearense de Teatro Brincante!

Nossos sinceros agradecimentos à Prefeitura Municipal do Crato / Secretaria Municipal de Cultura e à Sociedade de Cultura Artística do Crato.

Alguém como tu, em contínuo viver - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ah! Minha menina como ti enganas!

É que este coração nem presta mais atenção a este fluxo de paixão.

Que vem do capilar mais extremo e entra no átrio direito como desejo de mais. Atravessa a válvula que apenas regula o refluxo e do ventrículo direito esparrama-se no mundo da atmosfera de paixão.

Faz uma contramarcha e retorna ao teu coração.

Cai no átrio como se fosse uma novidade e do ventrículo esquerdo dissemina-se nos milhões de mínimos de ti conformado no espaço que a totaliza.

E teu corpo tomado de paíxão ainda tem voz para dizer: nem um pouquinho a mais do que já foi.

E o outro pergunta: Como? Se o que é, é superlativo do que foi?

E perguntas: Não sinto isso!

E o outro diz: alguém como tu. Assim como tu. Há de um dia dizer. Assim como foi, ainda querer. Amores já tive e sempre terei. Alguém como tu, cada dia viver.

"Alguém como tu"- Por Socorro Moreira

Ava Gardner e Frank Sinatra ( foto enviada por Edmar Cordeiro)
Eu torcia muito pelos amores, no mundo do cinema.No mundo que me cercava os casamentos eram para sempre , e o amor inevitável... Triste ou feliz !
Em todos os tempos  a vida coloria o nosso dia a dia. 
Música, Cinema, Leitura ( fosse ou não sub-literatura), viagens para as capitais ( ver o mar , e assistir um filme no S.Luiz  era um prémio!), voltear na Siqueira Campos  aos domingos, arriscar  uma fugida  nas tertúlias e dançar uma música ;os passeios da escola ...Um dia tomando sol, banho de piscina era o máximo!
As festas litúrgicas  com parques e quermesses,  as quadrilhas de S.João, os blocos nos carnavais...Entrar no corso, num jeep sem capota era demais !
Mas o melhor desse tempo era passar férias numa cidade pequena , em relação ao Crato.A gente  era paquerada pelos meninos mais interessantes. Danado era você escolher, não entregar seu coração, e ficar fiel durante todo tempo àquela ilusão. Hoje sei que era ilusão...Mas eu me sentia tão apaixonada, e chorava tanto, quando as férias terminavam,...! 
E dessas partidas, vivi minhas primeiras dores de amor. Depois entendi que elas representavam apenas arranhões no coração. As grandes feridas  ficaram pra depois... Hoje, cicatrizes , imperceptíveis ! .
O amor na maturidade tem tantas caras : 
a cara dos netos, dos filhos, dos amigos...
a cara dos encantos sem paixão
a cara da serenidade do coração
Queria que o meu coração
pulasse do peito outra vez
só pra ver a confusão...Mas não !
Ele fica quietinho, querendo alimentos leves, e com pouco sal. Ele faz caminhadas, pra aguentar a vida e as suas saudades... Ou verdades?
Em qualquer  estação , ainda é possível viver a ilusão. Às vezes ela bate na porta, outras aparece num e-mail, nos sentimos tocados  com cenas amorosas  de filmes e novelas.
Não quero me emocionar com personagens da ficção.Quero um nome , um apelido pra  minha ilusão .O importante  é que esse amor não implique  em desencanto.  A gente constroi o sonho.

Um exemplo de mãe - Emerson Monteiro

Vemo-nos, em determinados momentos, sob a condição inevitável de testemunhar nos gestos das outras pessoas o que significam as virtudes sonhadas que muitos reclamam uns dos outros, para uma melhor classificação dos padrões humanos da excelência. Há como que disposição comum de exigir e nivelar por baixo os comportamentos, espécie de pessimismo crônico em face das dificuldades naturais do dia-a-dia. Seriam as justificativas da acomodação, se pode até mesmo dizer. Ainda assim, casos raros de extrema qualidade, no entanto, persistirão acontecendo, mundo afora.
Eu conhecera Mirtes Cordeiro durante visita que lhe fiz em campanha política de alguns anos atrás. Amiga de Luiziane, uma das minhas irmãs, ela me recebeu com alegria nas dependências do salão de beleza de sua propriedade, no Conjunto Novo Crato. Desde logo, com ela e seu esposo, Vilemar, mantive boa amizade. Um casal preocupado sobretudo com o destino de um filho que estudava em São Luiz, no Maranhão. Noutras ocasiões em que voltei a lhes encontrar, vi que a educação do filho sempre predominava entre os assuntos de interesse.
Sei bem que Mirtes transformara o sucesso do filho no sonho principal da família, em tudo por tudo. Esforçados nas lides cratenses, os pais acompanhavam à distância o encaminhamento do jovem, que escolhera a odontologia para graduação acadêmica. De Crato, Mirtes seguia e mantinha os tais estudos graças ao empenho de todos da família, o que mais adiante produziria resultados meritórios.
Na derradeira vez em que nos vimos, rápidos instantes no centro de Crato, Mirtes relatou seus planos de mudança para a capital maranhense, narrando o quanto custara de trabalho e preocupação a feliz educação do filho, incluindo o planejamento da mudança para mais perto dele, pois pretendia auxiliá-lo no início da profissão seguindo o caminho que abraçara.
E agora (18 de outubro de 2010) recebo a notícia de que, viajando para São Luiz, numa rodovia do Piauí, Mirtes Cordeiro sofreu acidente automobilístico fatal.
Nessa hora passou-me nas trilhas da lembrança o carinho de Mirtes para com o filho, a disposição constante querendo reunir os meios de mantê-lo estudando fora, as cartas que dirigiu às autoridades encarecendo recursos para a iniciativa, o que, sem qualquer dúvida, significou ponto de honra de uma vida inteira.
Sentimento forte de admiração e nostalgia evidenciou-se na figura daquela mãe afetuosa, recordando quando escutava a respeito dos seus cuidados e projetos que estabeleceram a nova história do filho, qual se outra meta não houvesse além disso para justificar os dias que lhe restavam antes de deixar este chão.
Com isso, aqui registro em um breve comentário o que presenciei desta personalidade simples que desaparece num piscar de olhos, anônima entre tantos que transmutam no amor aos filhos a razão maior do existir, pela magnânima vontade humana das suas realizações pessoais.

Grande Otelo- Por Norma Hauer

Na realidade, Grande Otelo, sempre dizia que não sabia quando nascera, pois foi criado por uma família de Uberlândia, adotando o nome de Sebastião Prata. Ele não sabia direito a data de seu nascimento, mas isso é o menos importante, quando se sabe da importância de Grande Otelo em nosso meio artístico.
Acompanhando um circo mambembe, deixou sua terra e foi para São Paulo, vindo mais tarde para o Rio de Janeiro.
Aqui, apresentou-se em circos, em cassinos e, como era de pequena estatura, começou a ser conhecido como "Pequeno Otelo", em consonância com a ópera Otelo. Com muita personalidade, já que era Otelo, seria GRANDE e não pequeno. A partir daí adotou o nome de GRANDE OTELO, com o qual se tornou conhecido em todo o Brasil e até fora dele.
Embora ficasse conhecido pelos vários filmes que, como comediante, fez com OSCARITO ( todos grandes sucessos, que só nos traziam alegrias) também foi ator dramático, sendo "Macunaína" seu maior papel nesse setor. Trabalhou ainda em Rio-Zona Norte e "Lúcio Flávio- Passageiro da Agonia", cujo papel principal foi de Reginaldo Farias.

Lembro-me de um grande drama real que ele passou, quando sua mulher matou seu filho de seis anos e suicidou-se. Foi difícil para ele suplantar essa tragédia. Mas grande artista que era, "deu a volta por cima".
Além de fazer cinema e teatro, Grande Otelo fez um papel importante na novela "Uma Rosa com Amor", na TV Globo, com Marília Pera.
Na TV Educativa, fez papel de entrevistador, sendo uma de suas últimas apresentações entrevistando CARLOS GALHARDO em um palco aberto, no Largo do Boticário.

Grande Otelo faleceu em Paris, ainda no Aeroporto, para onde havia viajado para receber um prêmio no Festival de Nantes.
Data: 26 de novembro de 1993. Estava com 78 anos.

Norma

Unidade Nacional. - José do Vale Pinheiro Feitosa

É necessária superar o lucro fácil e a corrupção no âmbito do Estado Brasileiro. Esta é uma bandeira que além de moral e ética tem ser abraçada por todos. É preciso evitar o jogo de acusa e acusa de um lado e outro, pois quem ganha com isso é a prática da corrupção. Este é um assunto que tanto o PSDB quanto o PT, os partidos que comandam duas frentes políticas em disputa nestas eleições façam uma união nacional contra isso. Ficar acusando uns aos outros apenas serve para o "financiamento" marginal da política e principal de alguns espertalhões.

A outra coisa foi o jogo religioso nesta eleição. Liberdade religiosa é lema principal da unidade nacional, quem não tem religião tambéms está defendido por esta unidade. O Estado laico e uma sociedade plural é a melhor forma de sermos civilizados. Não podemos acompanhar o modismo de nenhum país, especialmente neste tempos bicudos de crise quando o desespero popular pode levar sociedades ao autoritarismo.

A síntese a fazer é que a unidade nacional ocorra em torno de uma sociedade democrática, que reconheça seus problemas e que tenha a capacidade de dar voz a todos.

Sobre os dois aspectos coloco duas partes de uma entrevista com Maria Rita Kehl na revista Carta Capital:

Sobre a corrupção no Governo Lula:

CC: Falemos de ética: você acha que o caso Erenice atingiu eleitoralmente esta classe média?
MRK: Eu acho que sim. Eu li um artigo dizendo que o caso Erenice foi mais decisivo para exigir o segundo turno que essa “fofocaiada” toda sobre o aborto. E, infelizmente, está certo. O governo para o qual eu voto e continuo votando tem uma leniência com a questão da corrupção, que deixa até difícil um petista defender, tenho que dizer isso. Lula naturalizou a corrupção, como sendo parte do jogo político. E aí, está bom, quando fica mais escandaloso, demite. Mas “deixa acontecer”, entendeu? Renan Calheiros, Sarney, são vergonhas que a gente tem que engolir, fica parecendo que é culpa da oposição agitar isso. Claro que ela vai agitar. Nós agitaríamos isso se aparecesse uma coisa tão escandalosa na outra campanha. A diferença aí – que é a favor da atitude do governo Lula, mas que ao mesmo tempo não o torna vítima – é que o governo Lula não consegue blindar a imprensa como o governo do PSDB consegue, porque tem a imprensa na mão. Então, quando surge alguma coisa, surge como fofoca que desaparece no dia seguinte. Como a coisa do Paulo Preto, que o Serra não respondeu no debate e ficou por isso mesmo. A gente sabe que é um governo que blinda. O Alckmin, como a candidatura dele estava bem, teve a campanha toda em céu de brigadeiro, do começo ao fim, não tinha ninguém que pudesse pegar alguma coisa e contestar. E se pegasse, não ia sair na imprensa. De fato, a grande imprensa se encarrega de censurar quaisquer denúncias sobre os governos que ela apoia. Mas mesmo que a imprensa seja parcial ao denunciar um caso como o da Erenice, o caso em si está errado, não poderia aparecer.

CC: O governo não poderia ficar surpreso com a “escandalização” feita pela grande imprensa, certo?
MRK: Claro! Ele sabe qual é o jogo e não era para ter corrupção deste jeito. Uma coisa ou outra você não controla, uma coisa pequena, mas para mim é difícil responder quando as pessoas dizem: “mas, como? Estava no nariz dela! Era uma coisa que estava a família inteira metendo a mão”. Coloca os petistas numa situação difícil.

Agora sobre a questão do moralismo e do uso da religiosidadem, incluindo o tema do aborto:

CC: Esta eleição está sendo marcada também pela discussão de temas no campo da moral: aborto, religião. O que te parece isso?
MRK: Eu acho que isso mostra o atraso da sociedade brasileira. Porque, claro, nenhum candidato vai ser eleito se estiver em descompasso com a maioria da sociedade. O Plínio foi um exemplo ótimo, de um cara que falava tudo o que tinha na cabeça, tudo o que ele pensa de verdade, de uma forma consistente, porque ele não tinha compromisso de se eleger. O que me espanta é o atraso da sociedade brasileira. E a ignorância aí é apoiada pelo Serra de misturar questões religiosas com questões políticas. Como é que as igrejas começam a pautar a lei agora? Uma coisa é eles decidirem o que é pecado e o que não é, outra coisa é eles decidirem o que é ilegal e o que não é.

CC: E isso acabou virando pauta de campanha presidencial, não é?

MRK: Vira pauta e vira motivo de constrangimento. A campanha do PSDB tem responsabilidades sim, de acirrar esta intolerância religiosa neste momento da campanha. A Dilma respondeu duas vezes no debate da Band que neste País não tem intolerância religiosa. Fica esta irresponsabilidade feia do PSDB estar acirrando isso, mas ao mesmo tempo a sociedade mostra neste ponto como é atrasada. Aparecem comentários de que a Dilma é a favor do aborto como se ela tivesse o poder de decidir, se ela apoia o aborto, vai ter aborto. Como se isso não tivesse que passar pelo Congresso. Além de tudo joga muito com a ignorância do povo.

Se mais adiante fecha o assunto:

CC: E os candidatos chegam a “endireitar”, fazer campanha nas igrejas e citarem Deus à exaustão. Não acha que isso tem um papel deseducador, em particular para crianças e adolescentes?
MRK: Isso é o pior. Por um lado, eu acho que o problema da corrupção não é da responsabilidade do PSDB, eles vão extrair o máximo de vantagens que puderem arrancar deste caso da Casa Civil. Por outro lado, é responsabilidade sim, do PSDB e da campanha Serra o tom fascistóide que estas coisas estão adquirindo. É horrível que os candidatos tenham que aparecer ajoelhados comungando, dizendo que são a favor da vida…claro que são a favor da vida, quem é que não é?Agora, é a Igreja que não é a favor da vida. Aí é uma opinião minha. A ONG Católicas pelo Direito de Decidir me convidou para debater e elas pensam assim: a criminalização do aborto é uma questão contra a liberdade sexual da mulher, ponto.Não pode usar camisinha, porque a Igreja também é contra. Então é uma questão de dizer: sexo só dentro do casamento e só para ter filho. É isso, que não está escrito assim, mas é o que está dito. Se não pode usar preservativo, não pode evitar filho, não pode nem evitar infecções, epidemias como o HIV que mata milhões na África, que “a favor da vida” é esse?

CC: O Dafolha divulgou uma pesquisa que diz que a posição contra o aborto na sociedade aumentou depois destas semanas de discussão na campanha, veja o efeito nocivo.
MRK: Claro, porque o que circula é uma desinformação, “coitadinha da criancinha”, “eu poderia ter sido abortado” e “porque eu não fui abortado eu estou aqui”, não é neste grau. E a Marina tem responsabilidade nisso. Mesmo que a Dilma ganhe, a sociedade retrocedeu muito e isso é responsabilidade da campanha. É terrível.



        .......... Aula de Português ..........       

Uma tragicomédia que pode ser vista na sala de aula mais próxima.

Sérgio Simka *



O professor chega, cumprimenta o pessoal com um sorriso, escreve na lousa seu nome, a disciplina e em letras tamanho 20:




O burburinho transforma-se em risadinhas. Um destemido, lá do fundo, solta:
- É pra mim copiar, professor?
As lembranças subitamente saem da boca de um aluno:
- Fazem quinze anos que não faço ditado.
Um engraçadinho:
- Não diga-me uma coisa dessas...
Outro resolve perguntar:
- O senhor está brincando com nós, não está?
Uma moça observa:
- Só pode ser trote. Você acha que o professor vai vim no primeiro dia de aula?
Ao que outro completa:
- Espero que você esteje certa.
Um aluno levanta a mão:
- Professor, gostaria de fazer uma colocação.
O professor atento.
- Me perguntaram há dois dias atrás e eu não sube, tipo assim, responder. Em "contas a pagar", esse "a" tem crase?
- Não, o "a" não tem acento grave.
- Acento grave? Mas, professor, perguntei se o "a" tem crase...
Outro cochichou:
- Não esquenta, é só um pequeno detalhe.
- Pessoal, boa noite, para começar, gostaria de ditar apenas cinco palavras. Tudo bem?
- É pra intregá?
- Não.
- Vai valê nota?
- Não.
Ditou. Pediu que cinco alunos escrevessem as respectivas palavras na lousa, para posterior correção.



O momento da correção foi inesquecível. A cada palavra corrigida, gritos, urros, vaias, filhos da..., uma grande variedade de expressões, algumas das quais jamais ouvidas.
A última palavra então fez tremer o teto da classe. Só não caiu por causa da manutenção feita nas férias.
- Não acredito!
- Ele está fazendo nós de bobo.
- Estou pasmo.
- O senhor anda fumando tóchico.
- Jura que é assim que nóis escreve?
O professor apenas balançou a cabeça.
- Meu Deus, é preciso ter fé demais!
Todos olharam para a voz. Um silêncio absoluto.
- Não posso crer... Será que eu aprendi errado toda a minha vida? Como vou encarar de frente a língua portuguesa daqui por diante?
A classe ia soltar aquela gargalhada, mas a palidez de seu rosto impediu.
O aluno pôs a mão no peito. Fechou os olhos. E caiu da carteira. Duro.
Todos se aproximaram. De repente, levantou-se rindo.
- Mas é um bocó mesmo!
- Só podia ser o José Chaves!
- Bem, na próxima aula, vamos estudar o período composto por subordinação. Vocês sabiam que "É necessário aprender gramática", a oração "aprender gramática" se classifica como oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo? E que...
Ouviu-se um barulho. José Chaves tinha caído de novo. E não se levantou mais.

* Professor universitário e colunista da revista Conhecimento Prático - Língua Portuguesa. Criou e coordena para a editora Ciência Moderna a série "Não é um bicho-de-sete-cabeças". Autor de dezenas de livros. Informações: http://www.lcm.com.br/


Conseguiram encontrar os "errinhos"?

Convite !



A Prefeitura Municipal de Fortaleza convida para a 2ª edição do projeto Tópicos Utópicos, encontro que traz o sociólogo e filósofo brasileiro, radicado na França, Michael Löwy, para refletir sobre as convulsões políticas ocorridas entre os séculos XIX e XX que transformaram a sociedade mundial.

Dia 21 (quinta)
às 19h
no Mercado dos Pinhões
Praça Visconde de Pelotas - Centro
entre as ruas Gonçalves Lêdo e Tenente Benévolo
Lançamento do livro Revoluções

Dia 22 (sexta)
às 14h30
Auditório da Faculdade de História
da Universidade Federal do Ceará
Avenida da Universidade, 2762, Benfica

Com que roupa? - Noel Rosa


Cenário de um sonho - por Socorro Moreira

Uma vez escutei de um amigo, que tem talentos múltiplos : 
"Quero ser poeta. Poeta não envelhece !"
Pode adoecer, ficar barrigudo, e ser o maior coração do mundo.
Naquela hora, entendi superficialmente. Um  dançarino se ficar fora de forma, o corpo já não acompanhará os seus movimentos. Poeta  não pára de se depurar. Aliás a poesia só deixa o poeta, se o poeta   dispensá-la.
Então descobri que eu gostaria de ser a poesia.
Mas esqueci, o quanto é difícil ser poesia. Em frações de segundos, a varinha de condão corta o encanto. A poesia é fugaz...Constante é a prosa.
Acho que prefiro ser a prosa. Uma prosa ora romântica, ora realista. Ora machucada, ora livre. A vida é prosa, com passagens poéticas, que ficam impressas, no álbum das memórias. Chamo esse álbum poético de oásis. A prosa é um deserto repleto de oásis, com espaços em claro para novas construções. Primeiro a gente mira , imagina... Depois a gente chega perto,  toma água na fonte,e adormece , numa sombra pródiga, , e sonha, e sonha, e sonha !
Quero o sonho, em cada noite do meu dia.
Neles encontro pessoas intangíveis,  como doces; executo tarefas, que a realidade  limita. Nos sonhos a gente tudo pode... Pena, que  a gente acorde...
Morrer é não acordar de um sonho? Meu pai achava que sim.
É bom pensar que o mundo onírico, um dia , fatalmente tornar-seá   realidade eterna.
A morte pode ser um sono eterno sem sonhos...  Aí seria terrível, se a gente sofresse por consciência. Mas não...A  morte é o fim do sofrimento, ou  a vida de sonhos sem fim !

Noel Rosa...


Canções retratavam histórias particulares

As canções de Noel eram, por vezes, biográficas. As turbulências amorosas, a aguda visão da boemia, os percalços de marginais e carentes formam sua matéria-prima.

Nascido num bairro de classe média baixa, Vila Isabel, em 11 de dezembro de 1910, Noel teve infância comum. Adolescente, com o irmão Hélio, Almirante e Braguinha, formou o Bando de Tangarás. Aos 19 anos, na primeira canção, Queixumes, deixou-se levar pelo parnasianismo das modinhas: "Sem estes teus tão lindos olhos / Eu não seria sofredor / Os meus ferinos abrolhos / Nasceram do teu amor".

Com o amadurecimento precoce e as noitadas, aproximou-se dos "bambas". Era atento ao universo noturno que o seduzia. Fez sucesso ao reproduzir, como cronista, a efervescência desse ambiente. E a faculdade de Medicina ficou cada vez mais longe.

Maturidade poética marcou auge

Os elogios a Noel multiplicaram-se nos anos 30 e a presença no rádio, no "Programa Casé", tornava-o popular. Cantores como Francisco Alves compravam suas canções. Mas Noel critica os exploradores: "O meu dinheiro é macho e não cresce / Só o teu cresce, mas nunca aparece". Ora o poeta canta a Vila, ora os colegas de farra, com olhar terno à miséria que os espreitava. Temas sociais e existenciais eram incomuns no reduto dos bambas, que sempre cantavam casos amorosos e orgíacos. Mas, em Orvalho Vem Caindo ("O orvalho vem caindo / Vai molhar o meu chapéu / E também vão sumindo / As estrelas lá no céu / Tenho passado tão mal / A minha cama é uma folha de jornal"), a imagem poética do orvalho vai se desmoronando até revelar a situação miserável do eu lírico. Pleno domínio da linguagem e da denúncia.

Compreensão da paixão humana

Noel compreendeu o amor e suas dificuldades no pano de fundo da vida urbana. Como em Três Apitos:

"Quando o apito / da fábrica de tecidos / Vem ferir os meus ouvidos / Eu me lembro de você / Mas você anda / Sem dúvida bem zangada / E está interessada / Em fingir que não me vê".

Canção moderna, "baudelairiana", em que os discursos amoroso e social se unem de forma terna e dramática. A música é uma conversa entre o eu lírico e uma operária que não se dá ao luxo de namorar. Sabendo-a criatura da noite, sem poder abandoná-la, o eu lírico vira guarda-noturno para sustentar a amada. A imagem do apito ferindo os ouvidos do boêmio cria clara oposição entre a poesia e o mundo do trabalho. É o novo romantismo moderno, sem pieguices, anunciado por Noel.

Vida dupla marcou canções

Há duas mulheres importantes na vida de Noel. Obrigado a casar com a menor Lindaura, encanta-se pela dama de cabaré Ceci, e passa a viver dividido entre a mulher e a amante. Há canções que são registros fiéis da relação de Noel e Ceci, como Dama do Cabaré. Mas é raro vê-lo se levar pelo discurso grandiloquente do amor...

"Foi num cabaré na Lapa / Que eu conheci você / Fumando cigarro, / Entornando champanhe no seu soirée / Dançamos um samba, / Trocamos um tango por uma palestra / Só saímos de lá meia hora / Depois de descer a orquestra".

Há na letra as marcas de rimas inusitadas do poeta (soirée-cabaré, palestra-orquestra), além de ausência de refrão. A letra solicitava uma voz mais baixa, intimista, quase falada, bem diferente do gosto popular de então.

Último desejo

O poeta sofreu dois baques. O suicídio do pai, em 1935, e a tuberculose.

Bebida, noites mal dormidas, vida amorosa e dieta precária derrubaram Noel, que em 1934 foi a um retiro com Lindaura em Minas.

Recuperado parcialmente, 12 quilos a mais, volta ao Rio de Janeiro. Mas fica abatido com o fim definitivo de seu caso com Ceci, a boêmia e a doença. Em 4 de maio de 1937, morre. Dois meses depois, Aracy de Almeida grava a póstuma Último Desejo:

"Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo / Numa festa de São João / Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, / Sem luar, sem violão".

O tom coloquial e terno volta. O fim da relação coincide com a ausência de imagens poéticas (sem luar e violão). Sem ressentimento, faz à amada dois pedidos, antagônicos, desses dispensados só a amigos ou só a inimigos. Típico de Noel.

João Jonas Veiga Sobral é professor de língua portuguesa, tutor educacional do Colégio Móbile e autor de Português Prático(Iglu)



Escrever...


"Minha liberdade é escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo."

Clarice Lispector
(1920 - 1977)

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"Escrever a história é um modo de livrar-se do passado."

Johann Wolfgang von Goethe
(1747 - 1832)

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"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente,
é capturar um instante em forma de palavra."

Margaret Atwood
1939 - escrtora canadense
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"Quando a literatura não tem sistema geral, ela não forma um corpo e se dissolve com o seu século."

Honoré de Balzac
(1799-1850)

Camille Claudel





Camille Claudel (Fère-en-Tardenois, Aisne, 8 de dezembro de 1864 — Paris, 19 de outubro de 1943) foi uma escultora francesa.

Frase do dia

"Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra que vai herdar o sucesso da justiça social, uma marca do Lula. Somos iguais, não falamos fino com Washington nem grosso com a Bolívia e Paraguai".

Chico Buarque, em ato de apoio a Dilma Rousseff, ontem à noite (18.10), no Rio

Nova pesquisa

Vox Populi: Dilma, 51% Serra, 39%, indecisos, 4%
Em novo levantamento, petista sobe 3 pontos, tucano cai 1 ponto e indecisos recuam 2 pontos
Pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta terça-feira (19.10) mostra que a vantagem da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em relação ao tucano José Serra aumentou para 12 pontos percentuais.
Segundo o Vox Populi, Dilma tem 51% contra 39% de Serra.
Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de 8 pontos (Dilma tinha 48% e Serra 40%). Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%.
Se forem considerados apenas os votos válidos (sem os brancos, nulos e indecisos) a vantagem subiu de 8 para 14 pontos. Dilma tinha 54% e passou para 57%. Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.
A candidata do PT tem o melhor desempenho na região Nordeste, onde ganha por 65% a 28%. Já Serra leva a melhor no Sul, onde tem 50% contra 41% da petista. No Sudeste, que concentra a maior parte dos eleitores, Dilma tem 47% contra 40% do tucano.
O Vox Populi ouviu 3 mil eleitores entre os dias 15 e 17 de outubro. Os resultados, portanto, não consideram o impacto do debate realizado pela Rede TV no último domingo, nem a entrevista concedida por Dilma ao Jornal Nacional ontem à noite. A pesquisa foi registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral com o número 36.193/10.
Depois de toda a polêmica envolvendo temas religiosos como o aborto, Serra atingiu 44% entre os entrevistados que se declararam evangélicos. Dilma tem 42%. Entre os que se declararam ateus, Dilma vence por 49% a 36%.
Entre os católicos praticantes Dilma tem 54% contra 37% do tucano. No segmento dos católicos não praticantes a petista consegue seu melhor desempenho, 55% contra 37% de Serra.
A petista ganha em todas faixas etárias. Já no recorte que leva em conta a escolaridade dos pesquisados, Serra vence entre os que tem nível superior por 47% a 40% da petista. No eleitorado com até a 4ª série do ensino fundamental Dilma tem 55% contra 38% do tucano.
Serra também vai melhor entre o eleitorado com mais renda. Entre os que declararam ganhar mais de cinco salários mínimos, ele tem 44% contra 42% da petista. Dilma tem seu melhor desempenho entre os mais pobres, que ganham até um salário mínimo, 61% a 31%.
Embora seja mulher Dilma tem índices melhores entre os homens. Conforme o levantamento ela tem 54% contra 38% de Serra no eleitorado masculino e 48% contra 40%do tucano no eleitorado feminino.
No recorte que leva em consideração a cor da pela Dilma atinge 59% entre os entrevistados que se declararam negros contra 29% de Serra. Entre os brancos, a petista tem 45% contra 44% do tucano.
Segundo o Vox Populi, 89% dos entrevistados disseram estar decididos enquanto 9% admitiram que ainda podem mudar de ideia. Entre os eleitores de Dilma a consolidação do voto é maior, 93%. No eleitorado de Serra, 89% disseram que estão decididos.

Gente do Crato...


Meninas do Pimenta: Patita, Gil, Claude, Judite e Fátima Sampaio, Glória e Francisca
(cansaço depois de um guisado)

Em Serra Verde:  Dantas, Blocs, Lobórios, Pinheiro


Meninas do Pimenta: Rosinha, Dominique, Glória.


Meninas do Pimenta e Ismênia B. Brilhante

Guias, Chefes e Bandeirantes (Crato)

Gente do Crato.
Vou ficar
- Claude Bloc -



Desfaço os nós, desmancho as teias. Encurto o passo, liberto a alma. O dia acontece e me disperso. Pareço estar sempre de partida, malas feitas, portas trancadas.

Sou indefesa, sou viajante, quero partir, quero ficar. No fundo eu quero apenas que tu me digas : “não vá ".

Então, desfaço os nós, desmancho as teias. Encurto o passo, liberto a alma. O dia acontece e me disperso. Não preciso ir. Me ajuda a levar a vida menos a sério. Vou ficar!


- Claude Bloc -



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MOMENTO PARA GUARDAR - Por Edilma Rocha


Recadinho Carinhoso. Liduina Vilar.


Amanhã estarei das 7 da manhã ás 17 e 30 trabalhando direto no Juazeiro.
Mas quarta-feira, estrei novamente aqui no Cariricaturas ( que considero minha casa também).Volto feliz, plena, realizada pelo exercício do trabalho realizado.
E esta orquídea cultivada em nosso jardim, envio para vocês que tanto quero bém.
Liduina.

Pauta "incômoda" - José Nilton Mariano Saraiva

Ipsis litteris: “É preciso dizer sempre, em todo lugar, que esse governo não retarda privatização, NÃO É CONTRA NENHUMA PRIVATIZAÇÃO e vai vender tudo o que der para vender”. (De FHC, então Presidente da República, para José Serra, seu Ministro do Planejamento, em 03.05.1995).

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O candidato José Serra foge do tema “privatização” tal qual o capeta foge da cruz. Talvez pra esconder seus tempos de coordenador das privatizações do governo FHC, quando o patrimônio público foi entregue de “mão-beijada” aos grandes grupos privados, preferencialmente internacionais. E o que é mais grave: aceitando as tais “moedas podres” e financiando o restante, via BNDES, em infindáveis e generosos prazos (“até o limite da irresponsabilidade”, lembram ???)
Como sua palavra não merece a menor credibilidade (registrou documento em cartório comprometendo-se com os seus eleitores a cumprir o mandato de prefeito de São Paulo até o final, e mesmo assim, menos de dois anos depois entregou o cargo para candidatar-se a Governador do estado), é preciso ficar atento.
Permitir que um sujeito seja guindado à Presidência da República é um jogo de alto risco, é condenar o país a permanecer preso e atolado nas amarras do subdesenvolvimento ad eternum; implica, por exemplo, em entregar a Petrobrás e a fabulosa riqueza do “pré-sal” aos gringos, conforme já sinalizou um dos seus principais assessores para a área energética, David Zylbersztajn, ex-genro de FHC e presidente à época da Agência Nacional do Petróleo (ANP) quando se realizou o primeiro leilão de reservas brasileiras entregues ao capital estrangeiro, em 1999. Hoje, principal “assessor técnico” da campanha de Serra para a área de energia (embora ele convenientemente negue), Zylbersztajn é defensor ferrenho e convicto de que num eventual governo demo-tucano (que Deus nos livre), a exploração do pré-sal ocorra nos marcos do regime de “concessões”, verdadeira dádiva à “gringarada”, ao contrário do regime de “partilha”, atualmente vigente (onde é o governo que determina e comanda o processo).
Na realidade, o interesse deles no regime concessionário, é de fácil entendimento: é que só assim será possível retomar o fio da história no ponto em que estava em janeiro de 2002 (governo FHC), quando o banqueiro Francisco Gros, em seu primeiro ato após a posse como presidente da Petrobras, anunciou em alto e bom som, aos investidores em Houston, nos EUA (por ordem do “chefe”, é claro), que sua missão era “PRIVATIZAR A EMPRESA” (não senhores, vocês não leram erro, é vero, veríssimo: a ordem era privatizar a Petrobrás).
Alfim, para que avaliemos o componente nefasto e danoso das privatizações, não custa lembrar que a Vale do Rio Doce foi vendida por $ 3,2 bilhões de dólares (valor que corresponde ao lucro da empresa em apenas um semestre) e hoje seu valor de mercado é de $ 196 bilhões de dólares.
Aqui pra nós, você acha, HONESTAMENTE, que quem faz um coisa escabrosa dessas é mesmo a favor do Brasil ??? Será por isso que não querem “comparar” os oito anos do governo deles com igual período do nosso governo ???
Tem que comparar, sim !!!


POR QUE 18 DE OUTUBRO É O "DIA DOS MÉDICOS"

O dia 18 de outubro foi escolhido como "dia dos médicos" por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica; os dois que o precederam foram escritos pelos apóstolos Mateus e Marcos.
Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Além do evangelho, é autor do "Ato dos Apóstolos", que complementa o evangelho.
Segundo a tradição, São Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia. Possuindo maior cultura que os outros evangelistas, seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego. [1][2][3]
São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica. Não há dados precisos sobre a vida de São Lucas. Segundo a tradição era natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento, assim como de sua morte.
Há incerteza, igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros, morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi sepultado e onde repousam seus restos mortais. Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos .

Não há provas documentais, porém há provas indiretas de sua condição de médico. A principal delas nos foi legada por São Paulo, na epístola aos colossenses, quando se refere a "Lucas, o amado médico" (4.14). Foi grande amigo de São Paulo e, juntos, difundiram os ensinamentos de Jesus entre os gentios.
Outra prova indireta da sua condição de médico consiste na terminologia empregada por Lucas em seus escritos. Em certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a linguagem médica de seu tempo. Este fato tem sido objeto de estudos críticos comparativos entre os textos evangélicos de Mateus, Marcos e Lucas, e é apontado como relevante na comprovação de que Lucas era realmente médico. Dentre estes estudos, gostaríamos de citar o de Dircks, [4] que contém um glossário das palavras de interesse médico encontradas no Novo Testamento.
A vida de São Lucas, como evangelista e como médico, foi tema de um romance histórico muito difundido, intitulado "Médico de homens e de almas", de autoria da escritora Taylor Caldwell. Embora se trate de uma obra de ficção, a mesma muito tem contribuído para a consagração da personalidade e da obra de Sao Lucas.[5]
A escolha de São Lucas como patrono dos médicos nos países que professam o cristianismo é bem antiga. Eurico Branco Ribeiro, renomado professor de cirurgia e fundador do Sanatório São Lucas, em São Paulo, é autor de uma obra fundamental sobre o patrono dos médicos, em quatro volumes, totalizando 685 páginas, fruto de investigações pessoais e rica fonte de informações sobre São Lucas. Nesta obra, intitulada "Médico, pintor e santo", o autor refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do "Colégio dos filósofos e dos médicos".
A escolha de São Lucas como patrono dos médicos e do dia 18 de outubro como "dia dos médicos", é comum a muitos países, dentre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos. No Brasil acha-se definitivamente consagrado o dia 18 de outubro como "dia dos médicos".

Joffre M de Rezende
Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás
Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina
e-mail: jmrezende@cultura.com.br
http:www.jmrezende.com.br

Dilma e Serra são a mesma coisa? Entrevista com Chico Oliveira na Folha de São Paulo

O professor emérito da USP, Francisco Oliveira, que rompeu com o PT logo no início do primeiro mandato de Lula foi entrevistado na Folha de São Paulo. A entrevista e os resultados de um estudo permitem uma narrativa mais precisa deste momento histórico. Por isso irei colocar esta entrevista na frente da matéria seguinte: A nova classe média: um avanço conservador? Esclareço que a pergunta é minha, não do Chico, mas como verão nas duas matérias o estudo complementa a razão pela qual o professor ver poucas diferenças entre os dois a presidente nestas eleições. No meu entender identificando o PSDB como o pior e a Dilma como o ruim. Mas aí leia a entrevista para chegar à própria conclusão.

Como ele avalia que ocorreu no primeiro turno? “fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização…Que os candidatos escondem problemas cruciais: “não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. É escolher entre o ruim e o pior.

Sobre setores da igreja pregando o voto anti-Dilma por causa do aborto: “O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.” E diz que o tema só entra na campanha por causa do êxito econômico do país: Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil. Gente da classe C e D mostram-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.”

Sobre a divisão do Brasil segundo a votação entre Dilma e Serra: “É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. O que fazer com as regiões deprimidas? Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.”

Sobre terceira força política representada por Marina: “A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.”

Sobre como se lerá no futuro o papel de Lula: “Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio. Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições. A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado. Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle. O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário. Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las.

Sobre o papel de Lula como cabo eleitoral: Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso. Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário. Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições. Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembléia. Ele sempre agiu assim. Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.

E continua generalizando para a política nos sindicatos: Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo. As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.

Ao comentar que “certa ala do PT, com José Dirceu… Esse tem projetos mais autoritários”, responde ao repórter sobre a força do Dirceu num governo Dilma: Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.

Ao responder sobre o que pode acontecer num governo Dilma e Serra: Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula. Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.

Finalmente a resposta sobre “do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?”: Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito…

A nova classe média um avanço conservador?

O instituto de pesquisas econômicas, DATA POPULAR, acaba de concluir um estudo que parece demonstrar que uma nova classe média surge no Brasil. Isso tem relação com a entrevista dada pelo Sociólogo Francisco Oliveira, à Folha de São Paulo sobre a disputa eleitoral no Brasil. O mais importante deste estudo, a meu ver é o conservadorismo desta nova classe, substituindo a velha luta contra as forças que comprimiam o progresso dos pobres por um amplo movimento sustentado esta classe. Uma classe que evolui sobre uma base já criada pela sociedade e pelo Estado: escola pública, financiamento público, educação pública, previdência social, todas instituições que reduzem o embate dos assalariados contra o capital.

Os partidos políticos de esquerda e direita no Brasil mudarão muito e os que não mudarem ficarão na contramão deste fato. Do mesmo modo que a classe média tradicional teve um pico de crescimento no Milagre Econômico do governo Médici (inclusive pelas bandeiras do movimento Estudantil da época em busca de mais vagas nas universidades públicas) esta irá fustigar mudanças com a natureza do que veremos abaixo, criando uma maioria conservadora nos partidos políticos.

Claro que uma tentativa política muito clara de contrariar este movimento ou uma crise econômica mundial muito severa, poderá afetar este momento. O mais provável é que a força deste segmento possa dar ao Brasil um lastro duradouro de crescimento.

Vejam os dados segundo o texto original com alguns cortes.

“Na outra ponta os estudos econômicos mostram o surgimento da nova classe média: a juventude nas classes C, D e E. Fala-se muito no chamado "bônus demográfico" brasileiro – isto é, em um período extremamente favorável em que a maior parte da população estará integrando a população economicamente ativa. Nas classes A e B haverá um envelhecimento crescente. Nas classes C e D, preponderância dos jovens.

Na classe A os jovens até 16 anos representam apenas 17%. Na faixa dos 1% mais ricos, os pais ganham dez vezes mais que os filhos. Na nova classe média, apenas duas vezes mais. Com isso, são os mais jovens que influenciam as decisões de consumo das famílias. Na classe A, apenas 10% dos jovens estudaram mais do que os pais. Na classe C, 60%.

Agora sintam a onda conservadora: Para essas classes, o consumo tem um papel simbólico dos mais relevantes. Eles passarão a ditar as tendências, porque – ao contrário dos jovens das classes A e B – além do conhecimento recém-adquirido trarão um componente de luta e determinação novos. Para essa nova classe, o consumo traz o sentido de inclusão social – ou, para usar um termo do sociologuês, de "pertencimento". O segundo, porque representa a bóia capaz de tirá-los definitivamente do universo das restrições. Encaram também como oportunidade e investimento. Finalmente, a satisfação de necessidades e sensação imediata de prazer.

A classe C responde por 54% das vendas de calçados no sudeste, 55% no sul, 57% no centro-oeste, 62% no nordeste e 62% no norte. Em viagens, já responde por 51% das despesas no nordeste a 34% no sudeste. Nos serviços financeiros, detêm 60,2% das contas correntes, 61% dos cartões de crédito, 57,8% das contas de poupança, 63,6% etc.

A nova classe média já movimenta R$ 834 bilhões por ano (contra R$ 216 bi da classe A e R$ 329,5 bi da classe B); responde por 87% da população, 76% do consumo, 69% dos cartões de crédito e 82% dos internautas. O depoimento de uma consumidora classe C dá o fecho para o estudo: "Comprar é perceber que todo nosso esforço vale à pena, que dá para agradar todo mundo, ficar de bem com a gente mesmo".

MEU TIME PREDILETO - por Pedro Esmeraldo

Quando no tempo de criança, comecei a interessar-me pelo futebol e apreciar o time do Botafogo.

Naquela época, havia no time um grande jogador, “Heleno de Freitas”. Devido às suas jogadas geniais, às vezes com intrepidez numa movimentação da bola, era um jogador versátil, técnico e impetuoso.

Era um craque na acepção da palavra, não titubeava, era sóbrio, sem medo de enfrentar o adversário.

Quanto tinha interesse de ouvir partida de futebol, ligava o rádio de meu pai, ouvia uma das narrações do locutor Antônio Cordeiro, das quais configuravam os times do Botafogo e Vasco, ou em outra ocasião ouvia a narração do Botafogo e Flamengo. Sempre deslumbrava com as perícias do craque Heleno fazendo gols, a maioria de cabeça. Nesses dois times, que considerava dois grandes fregueses do Botafogo.

A partir daí, fiquei um fiel torcedor desse time e passei a praticar esporte de pelada no terreiro de minha casa.

Heleno era muito temperamental e por sua maneira intempestiva criava complicações raivosas em toda equipe futebolística. Por várias vezes, era expulso de campo por sua indisciplina.

Heleno deixa o Botafogo e foi se alojar no Vasco da Gama. Tempos depois a gente tomou conhecimento do falecimento de Heleno, talvez tenha sido por forte complicação raivosa que acarretou o embaraço físico em sua saúde.

Após a saída de Heleno, apareceram outros craques de renome no time do Botafogo, como a figura enciclopedista de Nilton Santos, a quem considero o maior jogador de defesa do Brasil de todos os tempos e outras figuras, como o endiabrado Garrincha, “o homem das pernas tortas”, que fazia miséria quando jogava com o Flamengo ou o Vasco, deixando todos com olhar pateta diante da platéia que freqüentava o Maracanã.

Nesta época o Botafogo tinha a melhor defesa do Brasil, constituída por Manga, Joel, Zé Maria e Nilton Santos, Arati e Bobe, e o ataque era contemplado com magistrais Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha e Zagalo.

Esse time era entorpecente e vibrador. Dificilmente, poderia rebater a vitória a não ser quando houvesse falha no comando do campo.

Ainda me lembro das grandes desforras do Botafogo que passou, pois deixou um elo de paz de espírito e amor à arte futebolística.

Com a velhice que aparecia nos jogadores, surgiam outros craques, como o goleiro Paulo Sérgio, Marinho, Carlos Roberto e os atacantes Jairzinho, Rogério e Paulo César Lima, esses craques representavam uma maior reserva moral do futebol brasileiro.

Bem, o time do Botafogo depois se arrefeceu, no decorrer dos anos, já que houve o destempero da diretoria passada, deixando o time acabrunhado e ultrapassado no futebol brasileiro. Todo botafoguense pede que o time melhore e venha equilibrar-se para dar muita alegria ao seu fiel torcedor.

Crato, 11 de outubro de 2010.

Texto de Pedro Esmeraldo

Novamente o aborto - José do Vale Pinheiro Feitosa

O fato do aborto ter sido usado como arma de campanha eleitoral numa sociedade complexa como a brasileira leva e grandes contradições. Uma grande é o comportamento dos próprios casais. Nas classes economicamente mais desprovidas normalmente implica em mortes e danos à mulher e por isso o ex-Ministro da Saúde José Serra regulamentou o que estava em Lei para proteger estas mulheres. Nas classes com mais dinheiro existem médicos e clínicas "clandestinas" com algum apuro técnico e risco menor de complicações.

Antes que me entendam mal: falo no comportamento atual dos casais, mas não estou querendo dizer que isso é a grande maioria. Não é, mas acontece com uma frequência do ponto de vista epidemiológico muito relevante. O assunto é importante por que hoje mesmo tem a notícia de um panfleto ilegal, supostamente editado sob encomenda do bispo de Guarulho, contra a candidata Dilma e, portanto, favorável à candidatura Serra, cujo mote é o aborto. Então o assunto se mantém e continua mote da campanha, pelo menos de modo clandestino.

No sábado a Folha de São Paulo revela a confissão de uma ex-aluna de Mônica Serra, mulher do candidato, relatando que Mônica teria feito aborto numa situação de perigo, na ditadura militar quando eram jovens. A revelação da Folha deu uma revirada no assunto: se voltou contra a tática eleitoral do candidato Serra. Vejam neste insuspeito (não é um amigo do PT) artigo da Folha de São Paulo:

Folha de S.Paulo
FERNANDO DE BARROS E SILVA

Serra em transe

SÃO PAULO - Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.

Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.

Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de "matar criancinhas", numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.

O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?

Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em "Terra em Transe".

Recebido por e-mail

Abaixo, nota publicado no Estado de S.Paulo desta 2ª feira:
PF apreende folheto com críticas ao PT e a Dilma
Segundo gráfica, encomenda de 1,1 milhão de impressos foi feita por bispo de Guarulhos
18 de outubro de 2010 | 0h 00
Moacir Assunção, Tatiana Fávaro - O Estado de S.Paulo
A Polícia Federal apreendeu ontem, em São Paulo, cerca de 1,1 milhão de folhetos com críticas às atitudes do PT em relação ao aborto e a recomendação implícita de que os eleitores não votem na candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Retirado pela PF da Pana Gráfica Editorial, localizada no bairro do Cambuci, o material é idêntico ao que tem sido distribuído em paróquias do Estado. Intitulado "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", o folheto tem logotipo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e leva a assinatura de três bispos da direção da Regional Sul 1 da entidade, que reúne as dioceses do Estado de São Paulo. Segundo a direção da gráfica, os folhetos foram encomendados por Kelmon Souza, assessor do bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini.
A ação da PF obedeceu a uma representação do PT acolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante a noite de sábado e a madrugada de domingo, cerca de 50 militantes e parlamentares do PT fizeram vigília na porta da gráfica até a chegada da PF. Os policiais, que precisaram de dois caminhões para retirar o material, levado para o pátio da Superintendência Regional da PF, no bairro da Lapa.
O folheto reproduz conclusões do Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida da Regional Sul 1 da CNBB, realizado julho. Lembra que o PT expulsou dois deputados, Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem contrários à legalização do aborto. Registra, ainda, que o Congresso Nacional do PT, em fevereiro "manifestou apoio incondicional ao 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos assinado pelo atual presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto".
Apelo
O texto rememora que "este mesmo congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do PT para a Presidência da República". E conclui com um apelo: "Recomendamos a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto".
Após a apreensão, a Regional Sul 1 divulgou nota oficial na qual afirma que os bispos "não indicam nem vetam candidatos ou partidos e que respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor". A nota diz que a CNBB "desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos".

Um poema à segunda-feira - Jorge Luis Borges



E Aprendemos
Após um tempo,
Aprendemos a diferença sutil
Entre segurar uma mão
E acorrentar uma alma,
E aprendemos
Que o amor não significa deitar-se
E uma companhia não significa segurança
E começamos a aprender...
Que os beijos não são contratos
E os presentes não são promessas
E começamos a aceitar as derrotas
De cabeca levantada e os olhos abertos
Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos...
E os futuros têm um forma de ficarem
Pela metade.
E depois de um tempo
Aprendemos que se for demasiado,
Até um calorzinho do sol queima.
Assim plantamos nosso próprio jardim
E decoramos nossa própria alma,
Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos...
E em cada dia aprendemos.

Jorge Luis Borges

Uma boa semana a todos !