A HISTÓRIA DO ÍNDIO QUE VIROU SOL
Antigamente, muito antigamente, no tempo em que vivia entre os Tucuna, o Sol era um moço forte e muito bonito.
Quando acontecia na aldeia a festa de Moça-Nova, o rapaz ajudava sua velha tia no preparo da tinta de urucu. Ia à mata e trazia uma madeira muito vermelha, chamada Muirapiranga. Cortava a lenha para o fogo onde a velha fervia o urucu para pintar os Tucuna.
A tia do moço era uma mulher muito mal humorada; estava sempre resmungando, reclamando e mandando que ele fosse buscar mais lenha.
Um dia o Sol trouxe muita muirapiranga. A velha tia resmungava insatisfeita e o jovem índio resolveu que acabaria com toda aquela trabalheira de uma vez por todas.
Olhou para o fogo que ardia soltando longe suas faíscas. Olhou para o urucu borbulhante, vermelho, quente. Desejou beber aquele líquido e pediu permissão à tia que consentiu, assim dizendo, muito zangada:
- Bebe! Bebe tudo e logo!
A velha tia achava, e desejava mesmo, que seu sobrinho morresse.
Mas, à medida que ia bebendo a tintura quente, o rapaz ia ficando cada vez mais vermelho, tal qual o urucu e a madeira muirapiranga. Depois, subindo para o céu, intrometeu-se entre as nuvens.
E desde então, passou a esquentar e a iluminar o mundo.
3 comentários:
Vou correndoi contar pra Bianca e Sofia !
Bjs, Stela !
Adorei Stela!
Abraços
Magali
Stela retornando a uma coisa que é verdadeira: a teogonia humana dos elementos do cosmo. Ou seja, um cosmo que é ao mesmo tempo originado no homem. Uma inversão espetacular da cultura, tal e qual o é na realidade da atual civilização. Stela parece que fala de uma coisa primitiva, mas o que diz é algo como ela observa andando agora mesmo no panorama amplo da praia de Boa Viagem. E que viagem é esta da humanidade!
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