Dedicado a José Carlos Brandão
A naturalidade de Bárbara de Alencar foi erro histórico por mais de um século, quando se acreditava que ela nascera no Crato. Em 1951 o Padre Antonio Gomes de Araújo publicou um livro sobre a heroína com toda a documentação esclarecedora.
Bárbara Pereira de Alencar, nasceu na Fazenda "Caiçara", Cabrobó, Pernambuco, aos 11 de Fevereiro de 1760. Filha de, Joaquim Pereira Alencar e Teodora Rodrigues da Conceição. Bárbara era bisneta do casal português, Martinho do Rego e Dorotéia de Alencar e do casal baiano de Salvador, Antonio de Sousa Gularte e Maria da Encarnação de Jesus. Seus avós paternos foram o Tenente Coronel Leonel de Alencar Rego, filho do citado casal português e Maria da Assunção de Jesus, filha do casal baiano. Os pais de Teodora Rodrigues da Conceição, mãe de Bárbara, são desconhecidos. O bisavô baiano, Antonio de Sousa Gularte foi quem batizou de Salamanca ao sítio nas proximidades de Barbalha. Daí o nome daquele rio. Leonel, avô de Bárbara de Alencar, fundou a fazenda "Caiçara". Ali nasceram todos os seus filhos, inclusive, Joaquim Pereira de Alencar, pai de Bárbara que continuou com a fazenda por herança. Lá nasceu Bárbara e viveu até 1782 ano de seu casamento com José Gonçalves dos Santos e o seu primeiro filho, José Gonçalves Pereira de Alencar nasceu em 1783. O pai de Bárbara só deixou a fazenda Caiçara, muito velho, viúvo e doente para a casa da filha no sítio Pau Seco, Município do Crato. Foi a primeira mulher Republicana no Brasil, de muita coragem cívica incorporando-se a historia do Crato e do Ceará. Rompendo a tradição Legalista, torna-se defensora do ideal Republicano, quando a Capital da Província era Realista. Tinha muitos inimigos e era caluniada frequentemente e a sua personalidade era desfigurada no conceito geral. Foi mãe de figuras políticas notáveis e acompanhou os filhos em todos os movimentos históricos de emancipação e por isso foi presa com eles nos cárceres do Crato, Fortaleza e Salvador. Exerceu um papel importante na Revolução de 1817 que se iniciou em Pernambuco e colidiu no Crato por proclamação do seu filho, José Martiniano de Alencar em 3 de maio do mesmo ano. Mal vista a Revolução, Bárbara Pereira de Alencar e seus filhos, José Martiniano de Alencar, Tristão Gonçalves de Alencar, Padre Carlos Pereira de Alencar e seu irmão, Leonel Pereira de Alencar e mais vários parentes, foram presos e conduzidos para a Capital do Estado, sendo vítimas de maus tratos, inclusive da população miserável que se agrupavam nas estradas para insultar as suas desgraças. Foi presa com os filhos e esteve na cadeia da Bahia até a ordem do Rei em Outubro de 1820. Sempre esteve ao lado dos filhos, pregou com eles a Revolução, fez viagens e acendeu o espírito Patriota no povo. Adotou o sobrenome "Araripe" por sentimentos nativistas e era uma perfeita mãe de família e administradora das propriedades no Pernambuco, Piauí e Ceará. Seu corpo foi sepultado em "Poço de Penas", hoje Itaguá, Município de Campos Sales. Bárbara de Alencar foi incorporada na História Revolucionária do Crato junto aos seus filhos, Martiniano de Alencar e Tristão Gonçalves, que figurarão para sempre nas histórias das lutas dos guerreiros Cariris.
Edilma Rocha
Fontes - Livro Bárbara de Alencar de autoria de Padre Antonio Gomes de Araújo
Livro Roteiro Biográfico de autoria de J. Lindemberge de Aquino
Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS
FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS
Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................claude_bloc@hotmail.com
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
A melhor notícia para o Crato - Prefeito Samuel Araripe consegue em Brasília, 4 milhões de reais para as obras emergenciais do Canal do Rio Grangeiro
A notícia que todos os Cratenses de Boa Vontade tanto esperavam
Técnicos discutem soluções para o Canal do Rio grangeiro e Encosta do Seminário
Dr. Nivaldo Soares e o Sec. de Desenvolvimento Econômico Duda Alencar
Pref. Samuel Araripe em ligação para Brasília. Engenheiro analisa problemas
E finalmente aconteceu. A melhor notícia que os Cratenses poderiam receber no momento: O Prefeito do Crato, Samuel Araripe consegue em Brasília, com a ajuda do deputado Arnon Bezerra, os primeiros 4 milhões de reais para a recuperação emergencial do Canal do Rio grangeiro. O dinheiro já foi credidado na conta da prefeitura na noite do último dia 17 de fevereiro, sendo uma primeira remessa, e será usado para a construção de 30 casas destinadas às pessoas que ficaram prejudicadas por conta da enxurrada que se abateu sobre a cidade no último dia 28 de janeiro. A quantia também será utilizada para a recuperação das pontes principais da cidade, que ficaram comprometidas, além das áreas com erosão, no Canal do Rio Grangeiro.
O Plano Emergencial havia sido enviado esta semana por meio do deputado federal Arnon Bezerra, depois de elaborado pelos técnicos da prefeitura municipal. Conforme se sabe, existem 2 etapas distintas: A recuperação emergencial e a reconstrução total do canal do rio grangeiro, que seguem por projetos diferentes. Numa primeira fase, é preciso resolver os problemas mais urgentes, como o auxílio aos desabrigados, e a recuperação das pontes e áreas afetadas, a fim de que a cidade volte a ter uma vida normal. Numa segunda etapa, a reconstrução completa do canal, que exigirá uma verba federal ainda maior, seguindo um projeto que está sendo elaborado, diante de uma nova realidade para o Crato, gerada à partir dos eventos do último dia 28 de janeiro, que exigirá que se reconstrua de modo maior e melhor, o antigo canal.
Sobre as soluções para a segunda fase, a reconstrução completa, fala-se em aumento do volume do canal, tanto em largura quanto em profundidade, como há outras idéias, reveladas pelo secretário de meio-ambiente e controle urbano, Nivaldo Soares, como por exemplo, um desvio das águas para o rio batateiras, por fora da cidade, a começar na famosa "ponte de bia", além de outro duto, por baixo do leito do canal atual. Mas tudo isso ainda está sendo estudado por técnicos, e o projeto de reconstrução total, ainda irá ser apresentado.
Embora persista um quadro de indefinição quanto à vinda do Ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho ao Crato, o que verdadeiramente importa agora aos cratenses, é esta primeira vitória, das muitas que ainda se espera obter, de que o próprio ministro já liberou os primeiros 4 milhões de reais ao Crato. Isso em si, já é uma grande vitória para os Cratenses.
Dihelson Mendonça
( Com informações da Assessoria de Imprensa da PMC )
O Plano Emergencial havia sido enviado esta semana por meio do deputado federal Arnon Bezerra, depois de elaborado pelos técnicos da prefeitura municipal. Conforme se sabe, existem 2 etapas distintas: A recuperação emergencial e a reconstrução total do canal do rio grangeiro, que seguem por projetos diferentes. Numa primeira fase, é preciso resolver os problemas mais urgentes, como o auxílio aos desabrigados, e a recuperação das pontes e áreas afetadas, a fim de que a cidade volte a ter uma vida normal. Numa segunda etapa, a reconstrução completa do canal, que exigirá uma verba federal ainda maior, seguindo um projeto que está sendo elaborado, diante de uma nova realidade para o Crato, gerada à partir dos eventos do último dia 28 de janeiro, que exigirá que se reconstrua de modo maior e melhor, o antigo canal.
Sobre as soluções para a segunda fase, a reconstrução completa, fala-se em aumento do volume do canal, tanto em largura quanto em profundidade, como há outras idéias, reveladas pelo secretário de meio-ambiente e controle urbano, Nivaldo Soares, como por exemplo, um desvio das águas para o rio batateiras, por fora da cidade, a começar na famosa "ponte de bia", além de outro duto, por baixo do leito do canal atual. Mas tudo isso ainda está sendo estudado por técnicos, e o projeto de reconstrução total, ainda irá ser apresentado.
Embora persista um quadro de indefinição quanto à vinda do Ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho ao Crato, o que verdadeiramente importa agora aos cratenses, é esta primeira vitória, das muitas que ainda se espera obter, de que o próprio ministro já liberou os primeiros 4 milhões de reais ao Crato. Isso em si, já é uma grande vitória para os Cratenses.
Dihelson Mendonça( Com informações da Assessoria de Imprensa da PMC )
Cortando o cordão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O acaso sempre esteve presente na minha vida. Sem que eu planejasse muita coisa, como muitos o fazem, deixei que a vida me levasse e, ela me conduziu por caminhos retilíneos e belos. Em janeiro de 1964, eu pensava que iria continuar estudando no Crato, na minha zona de conforto, sob a proteção dos meus pais, entre meus familiares e colegas de estudos, uma turma unida e muito amiga. Dizem que o destino sabe traçar a estrada daqueles que sem querer, a ele se entregam. Talvez tenha sido esse o meu caso.Um primo que estudava engenharia no Recife, estava de férias e visitava nossa casa, no São José. Ao vê-lo, fui conversar com ele, saber como era o curso de engenharia, suas dificuldades e sobre o vestibular. Sabedor de que eu desejava cursar engenharia, ele me aconselhou a ir estudar no Recife durante o curso científico. Disse-me que se eu ficasse no Crato, correria o risco de não ser aprovado no vestibular. Respondi que não dependia de mim. E então ele foi falar com o meu pai. E o fez de uma forma tão convincente, que eu senti naquele contato a concordância do meu pai. Mas este não disse nem sim e nem não. Para mim dizia ser impossível, pois não estava podendo arcar com as despesas.
Dias depois, um parente do meu pai, diretor da Escola de Engenharia de Minas de Ouro Preto, visitava meus pais, sempre que vinha ao Crato em suas férias. Ao saber do meu desejo de cursar engenharia, aconselhou-me que eu fosse estudar em Ouro Preto, colocando sua casa à minha disposição. Fiquei receoso de meu pai aceitar aquele convite protocolar, pois além de não ter nenhuma intimidade com aquele parente distante, Ouro Preto, para mim, era um fim de mundo.
No inicio do mês de fevereiro daquele ano, nada estava definido. Pensava tranquilamente que iria continuar no velho Colégio Diocesano e isso me dava certo alento, pois por ser o filho caçula, eu era muito apegado aos meus pais e irmãos. Entretanto, dias depois, o meu pai recebeu uma carta de uma irmã dele, a tia Anete, que residia em Salvador, dizendo que já reservara a minha matrícula e que eu poderia ir estudar na Bahia. Olhei no sobrescrito o meu futuro endereço: Avenida Beira Mar 404. Na minha imaginação surgiu, como que de repente, a avenida de mesmo nome que eu vira em Fortaleza na única visita que fizera até então a uma cidade maior que o Crato, além do Juazeiro, é claro! E imaginava que iria viver num paraíso. Fiquei ainda mais contente, quando soube que o meu primo e companheiro de brincadeiras, José Esmeraldo Gonçalves também iria.
Tudo então ficou decidido e às pressas, mamãe preparou um enxoval que fez minhas lembranças recuarem cinco anos, quando fui estudar no Seminário. Um medo disfarçado se apoderou de mim. Era a primeira vez que iria sair do Crato e debaixo das asas e da proteção dos meus entes queridos.
Um novo mundo se descortinava à minha frente, o desconhecido, a sensação de uma nova vida. Viajar de avião, coisa impensada, conhecer a cidade de Salvador e suas inúmeras igrejas e tantas outras belezas das quais ouvia falar com insistência.
Viajei com meus primos que lá já estudavam e residiam com minha tia Anete. Por causa de um defeito no DC3 que nos levaria, esperamos um dia inteiro no velho Aeroporto de Fátima, sem nada para enganar o estômago e sem comunicação. Somente no dia seguinte é que conseguimos voar num DC6 que veio em substituição ao avião danificado. O DC6 era um avião grande, com assentos com três cadeiras de cada lado e capacidade para mais de cem passageiros. Ao chegarmos a Salvador, uma Kombi da Varig levou os passageiros de porta em porta até a residência de cada um. O aeroporto distava mais de trinta quilômetros da cidade. Fomos os últimos a chegar ao destino, pois onde tia Anete morava era na Ribeira, final de uma península na cidade baixa.
Senti um misto de arrependimento e tristeza. A Avenida Beira Mar não era nada daquilo que eu imaginara. Era uma rua larga, às margens da Baia de Todos os Santos, sem calçamento, cheia de poças d’água, muita lama e enormes amendoeiras no meio, cujas folhas caídas se misturavam e recobriam as poças de lama. O bairro era triste, composto por um monte de casas velhas. Onde íamos morar era numa escola, o Educandário Pio XII, alojado num velho casarão de três andares, com piso de tábua corrida, que ecoava sob nossos passos. No terceiro andar havia um pequeno apartamento composto de três quartos, um banheiro, um vestíbulo com guarda-roupa coletivo e uma ante-sala ao lado da escada, onde estudávamos. Ao todo éramos seis pessoas que morávamos neste pequeno apartamento, eu, e os primos João Barreto, José Esmeraldo, Luciano Gonçalves, além do cratense Dailton, professor do Pio XII e dois jovens de Alagoinhas: Wedner e Ananias. Daílton era o mais velho do grupo. Ele tinha na época 26 anos, e por causa disso recebeu o apelido de “O Velho”.
A tia Anete ao nos receber, entregou a mim a Zé Esmeraldo uma chave da porta de entrada e nos disse: “vocês saem e entram na hora que quiserem e não precisam me avisar nada.” Senti um enorme peso, pois lá em casa, eu vivia sob certo controle e acompanhamento. Mas aos poucos aprendi a usar minha independência e isto me foi de grande importância para meu amadurecimento pessoal.
Ainda hoje, eu sou grato a essa minha querida tia por ter tornado possível a realização de um sonho. Se não fosse sua solicitude não teria oportunidade de estudar num grande centro. Por isso eu tenho por ela um enorme carinho e gratidão. Ela é a única das minhas tias ainda viva. Reside no Crato, com bastante lucidez e invejável memória, aos oitenta e nove anos. Em julho próximo, esperamos festejar seus 90 anos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Pesquisa sobre Bárbara de Alencar
Caros amigos,
fui convidado para fazer um artigo sobre Bárbara de Alencar. Lembram-se do poema “O cárcere de Bárbara de Alencar”, que postei aqui? Fui convidado por causa desse poema.
Estou fazendo uma pesquisa. Gostaria que respondessem umas perguntinhas para enriquecer a matéria que vou escrever:
1) O que representa Bárbara de Alencar para vocês do Crato?
2) O que representa Bárbara de Alencar para a valorização da mulher?
3) Gostaria de dar mais algum testemunho sobre Bárbara de Alencar, algum fato histórico talvez desconhecido, algum fato conhecido só regionalmente? Ou de falar o que tiver vontade...
Agradeço-lhes muitíssimo pela colaboração. O meu objetivo é engrandecer e divulgar o valor de Bárbara de Alencar.
Poderão responder aqui, nos “comentários”. Ou então pelo meu e-mail: jcmbrandao@gmail.com
Um grande abraço,
Brandão.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O gosto de escrever - Emerson Monteiro
À medida que os hábitos passam a integrar a personalidade, eles se revertem numa segunda natureza, agindo por conta própria, arrastando consigo os impulsos e as disposições pessoais. Isto quanto aos maus ou bons hábitos. Daí quanto difícil largar um vício de qualquer naipe. O aprendizado adota, por isso, tal mecanismo de automação da vontade, nas profissões, nos processos de administração das circunstâncias, ou nas inúmeras e complexas atividades que formam os dias das criaturas humanas. Escrever também pode bem representar desses mecanismos, na prática das rotinas, que as transformam numa segunda natureza.
Por mais frequente a ocupação, e na medida em que cresçam as facilidades nela desenvolvidas, o subconsciente age no segundo plano da atenção, propiciando resultados surpreendentes de aprimorar o método escolhido. Dirigir automóvel, pilotar aeronave, praticar esporte, pedalar, cantar, trabalhar, ler, estudar, escrever, além dos milhares de outros exercícios físicos e mentais, alimentam e planificam os costumes da alma humana, identificando-a no que lhe cabe desenvolver. O que antes parecia sacrifício e exigia dedicação, reverte num prazer sem conta ou tamanho.
A força, por isso, aplicada para desenvolver o hábito traz satisfação até então desconhecida por quem desconhece as reações do organismo, em termos de realização particular.
A título de comparação, faz anos que eu avisto, na estrada do Grangeiro, em Crato, o professor Alberto Teles praticar corrida, dias constantes. Às vezes, sob sol intenso; às vezes, debaixo de chuva. Sozinho, suado, nu da cintura para cima, pés descalços, concentra-se na atividade qual fosse pela primeira vez. Um atleta modelo, toca adiante hábitos esportivos reunidos no tempo em que serviu às forças armadas, na Marinha do Brasil. Depois, ensinou educação física nos colégios cratenses. Para mantê-se em forma, corre alguns quilômetros, todo santo dia, exemplo dos que atendem à evolução do corpo físico, no disciplinamento dos hábitos salutares que adquiriu.
Para mim, escrever condiciona as práticas de frases e períodos na busca do sentido, e preserva a memória da leitura e da existência, coisas que gosto de realizar. Algo que arrasta ao exercício físico ou mental, alimento das alegrias interiores, desejos de levar aos outros a disposição das idéias construtivas e as lembranças mais queridas da minha história pessoal.
Conquanto positivos hábitos, que os vivamos nós. Porém, na adversidade dos chamados vícios, que os substitua, pelo esforço reverso, no contrário da força do hábito, e descubra ocupações benfazejas, a fim de preencher o ranço dos inquilinos antigos com sabores novos e agradáveis.
Por mais frequente a ocupação, e na medida em que cresçam as facilidades nela desenvolvidas, o subconsciente age no segundo plano da atenção, propiciando resultados surpreendentes de aprimorar o método escolhido. Dirigir automóvel, pilotar aeronave, praticar esporte, pedalar, cantar, trabalhar, ler, estudar, escrever, além dos milhares de outros exercícios físicos e mentais, alimentam e planificam os costumes da alma humana, identificando-a no que lhe cabe desenvolver. O que antes parecia sacrifício e exigia dedicação, reverte num prazer sem conta ou tamanho.
A força, por isso, aplicada para desenvolver o hábito traz satisfação até então desconhecida por quem desconhece as reações do organismo, em termos de realização particular.
A título de comparação, faz anos que eu avisto, na estrada do Grangeiro, em Crato, o professor Alberto Teles praticar corrida, dias constantes. Às vezes, sob sol intenso; às vezes, debaixo de chuva. Sozinho, suado, nu da cintura para cima, pés descalços, concentra-se na atividade qual fosse pela primeira vez. Um atleta modelo, toca adiante hábitos esportivos reunidos no tempo em que serviu às forças armadas, na Marinha do Brasil. Depois, ensinou educação física nos colégios cratenses. Para mantê-se em forma, corre alguns quilômetros, todo santo dia, exemplo dos que atendem à evolução do corpo físico, no disciplinamento dos hábitos salutares que adquiriu.
Para mim, escrever condiciona as práticas de frases e períodos na busca do sentido, e preserva a memória da leitura e da existência, coisas que gosto de realizar. Algo que arrasta ao exercício físico ou mental, alimento das alegrias interiores, desejos de levar aos outros a disposição das idéias construtivas e as lembranças mais queridas da minha história pessoal.
Conquanto positivos hábitos, que os vivamos nós. Porém, na adversidade dos chamados vícios, que os substitua, pelo esforço reverso, no contrário da força do hábito, e descubra ocupações benfazejas, a fim de preencher o ranço dos inquilinos antigos com sabores novos e agradáveis.
POR QUE TANTAS FLORES ? - Por Edilma Rocha
Acho que essa pergunta passeia por entre pensamentos dos leitores do Cariricaturas.
Quando criança, vivi cercada por canteiros floridos com Hortências, Rosas, Amores-perfeitos, Margaridas, Miosótis e Gladíolos, cultivados pelo meu avô. Era era um amante das flores, de todas elas... Mandava buscar em São Paulo as sementes e bulbos para plantar, cultivar e estudar seus comportamentos no clima do Crato. Depois disso, eram transferidas para as praças embelezando seus jardins. Daí esse meu amor pelas flores.
Uma casa sem jardim não é uma casa completa. Plantar mesmo em vasos, regar e vê-las crescerem e florirem é uma magia que tem o dom de nos transportar para os nossos sonhos mais secretos. Encontro nas flores a beleza das formas e cores que a Natureza oferece de presente na minha vida. Os diversos tons enchem os meus olhos e as formas variadas me inspiram a reproduzir nas telas com as tintas e pincéis em meu poder.
Se todos pudessem olhar com mais frequência as flores que nos rodeiam, possivelmente passariam a integrar a verdadeira Natureza. Mesmo o mais sério e ocupado dos homens, tem o anseio de pelo menos uma vez na vida, largar tudo e correr feito criança por aí...
Quem de nós não sentiu a vontade e o prazer de sentar num gramado, contemplar o cair das águas das cachoeiras, deixar lavar o corpo nos riachos e oferecer a alguém do seu lado, aquela flor que está ao alcance de suas mãos ? Nesses momentos somos donos do mundo e não precisamos possuir nada. Procuramos algo adormecido dentro de nós mesmos. Algo que certamente ficou nos sonhos da infância.
As flores são um presente da Natureza como um caminho de volta para junto de Deus. E para isso acontecer, temos que parar, calar e contemplar a beleza das flores no silencio e ouvir a nossa voz interior.
É tão prazeroso caminhar por entre as flores e descobrir os seus segredos, suas magias e suas curas. Cada uma tem uma forma, uma cor, um tamanho. Quando se abrem ao sol, oferecem uma viagem ao desconhecido mundo dos mais puros segredos envolvendo sabedoria e mistério. Como coisinhas tão pequenas como as sementes, podem se transformar em tantas formas e cores e produzirem novas sementes e assim sucessivamente até o fim dos tempos ? Precisamos lembrar que todas as vezes que arrancamos uma planta e no seu lugar colocamos uma construção, uma rua, estamos destruindo nossa qualidade de vida.
Certa vez, me deparei num jardim maravilhoso de um palácio. Eram tantas flores que seria impossível conta-las e sentir todos os seus perfumes. Mas estavam ali fileiras de cadeirinhas coloridas a nos esperar para apenas sentar, sentir o perfume e contemplar as flores. E ao chegar, respirei profundamente, fechei os olhos e me senti totalmente envolvida pelo lugar que me conduziu ao verdadeiro encontro com o mundo das flores.
Senti-me plena e feliz !
Edilma Rocha
FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha
ACÔNITO - Aconitum napelllus. Uma flor com a energia de Saturno. Sua forma aristocrática e introvertida sugere os pensadores e eremitas, procurando na solidão encontrar os seus próprios pensamentos. Na antiguidade, os gauleses e germanos envenenavam suas setas com Acônito. Especialistas dizem que a flor do Acônito, com sua forma defensiva de elmo, sugere algo neurótico; se fosse pessoa, seria alguém magoado e introspectivo, por isso atua de forma terapêutica em neuvragias do nervo trigémeo que, no homem, se estende do pescoço até a face e o crânio. Exatamente para onde a pessoa magoada e introvertida direciona sua tensão.
Planta perene, com raízes tuberosas, caule ereto e folhas alternadas, atinge de 45cm a 1 metro de altura. É originada da Europa. O acônito, floresce em solos férteis, tem alto teor venenoso e é cultivado exclusivamente para fins farmacêuticos e utilizado na homeopatia. A planta é usada como componente de misturas medicinais analgésicas no tratamento de reumatismos, gota, ciática, dor de dentes. É também eficaz contra as dores e as afecções causadas por resfriamentos, sempre mediante prescrição médica.
Tudo que é excessivo prejudica. Nem tanta festa, nem tanto recolhimento. Dose suas atividades, saia, divirta-se, dance, jogue conversa fora. Mas, depois, relaxe o corpo e a mente e ouça apenas a sua voz interior. Você vai acabar descobrindo que ela tem muito a lhe falar.
Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro
Planta perene, com raízes tuberosas, caule ereto e folhas alternadas, atinge de 45cm a 1 metro de altura. É originada da Europa. O acônito, floresce em solos férteis, tem alto teor venenoso e é cultivado exclusivamente para fins farmacêuticos e utilizado na homeopatia. A planta é usada como componente de misturas medicinais analgésicas no tratamento de reumatismos, gota, ciática, dor de dentes. É também eficaz contra as dores e as afecções causadas por resfriamentos, sempre mediante prescrição médica.
Tudo que é excessivo prejudica. Nem tanta festa, nem tanto recolhimento. Dose suas atividades, saia, divirta-se, dance, jogue conversa fora. Mas, depois, relaxe o corpo e a mente e ouça apenas a sua voz interior. Você vai acabar descobrindo que ela tem muito a lhe falar.
Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro
Xixá... Por Claude Bloc
O tempo, a vida, a hora...
O mundo das pequenas coisas
A natureza que vibra
O tempo que passa
A resposta do fruto
O tempo, a vida, a hora...
O ciclo se fecha.
O ciclo se fecha.
Claude Bloc
Retalhos
- Claude Bloc -
Ultrapasso-me
Em mero louvor aos meus sonhos
Com a promessa de solucionar possíveis males...
Uso palavras, versos
Através dos sons da noite em agonia
Brinco de compor a madrugada
Com os retalhos de tua poesia
E me supero a cada luz do dia
E me recomponho a cada amanhecer.
Pouco a pouco
Refaço o tempo das noites caladas
Canto o teu canto, cito o teu soneto
E vem, com o dia, o poema pronto
O canto lento que a chuva apaga
O fim, o ritmo
O triste fado.
Dedicado a Chagas
Claude Bloc
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Quando o Rio Grangeiro ainda era o Rio das Piabas – por Napoleão Tavares Neves (*)
Mesmo local, duas épocas, dois cenários...À esquerda o Rio Grangeiro (ou das Piabas) na década de 30. À direita o Rio Grangeiro em 29 de janeiro de 2011 (foto atual de Wilson Bernardo)
Era 1943 e eu ginasiano, residindo no Pensionato de dona Dourinha Couto Gouveia, situado à Rua José Carvalho, fui algumas vezes ver a cara do Rio das Piabas nas suas cheias invernais. Mas eram cheias bem comportadas, contidas pelas enormes pedras que protegiam da erosão as ribanceiras do rio.
O homem tanto maltratou o rio que ele ficou furioso, rebelou-se e pagou na mesma moeda o maltrato recebido!
O homem tanto maltratou o rio que ele ficou furioso, rebelou-se e pagou na mesma moeda o maltrato recebido!
Os canaviais do pé da Serra que retinham parte das águas das chuvas no solo dos sítios, sumiram! As estradas de terra que embebiam as águas das chuvas deram lugar às estradas calçamentadas, quando não asfaltadas. Surgiram os condomínios de luxo, clubes sociais, vilas e casarões e com isto as águas pluviais “perderam o cabresto”, na linguagem bem rural!
Tudo isto foi maltrato para o outrora manso Rio das Piabas. Não satisfeito, o progresso urbanizou o rio, fazendo o canal de concreto e, obviamente, o rio não gostou e as piabas muito menos. De tudo isto nasceu a catástrofe de 28 de janeiro próximo passado. Maltratado e enfurecido, como um bravio touro amordaçado pelo progresso, o pacato Rio das Piabas, atual canal do Rio Grangeiro, assim respondeu nos maviosos versos de José Peixoto Júnior, outrora, como eu, ginasiano do saudoso Ginásio do Crato:
“O céu abriu-se em buraco,
Por trás da nuvenzinha
Que vazou tudo o que tinha
Enchendo casa e barraco,
De pau grosso fez cavaco,
E o rio pelo maltrato,
Deixou um triste retrato
Nunca visto por aqui:
O miolo do Cariri
Desceu nas águas do Crato!”
Por trás da nuvenzinha
Que vazou tudo o que tinha
Enchendo casa e barraco,
De pau grosso fez cavaco,
E o rio pelo maltrato,
Deixou um triste retrato
Nunca visto por aqui:
O miolo do Cariri
Desceu nas águas do Crato!”
(*) Napoleão Tavares Neves, médico, escritor, historiador, memorialista e cronista, residente em Barbalha (CE)
Pra ser Sincero - Com Marisa Monte
Para quem acredita no amor...
Pra Ser Sincero
Marisa Monte
Composição: Carlinhos Brown e Marisa Monte
Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo que eu quis
Confesso a minha dor...
E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal...
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...
E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...
O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...
As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...
uhmm...
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...
E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...
O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...
As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...
Equilíbrio ecológico - Emerson Monteiro
Durante bom tempo me imaginei conhecendo a Floresta Amazônia, o que povoava os meus sonhos brasileiros desde que me entendo de gente, do início dos primeiros estudos, digamos assim. Lá um dia, há pouco mais de cinco anos, veio essa oportunidade. De malas e cuias, segui ao lado de alguns companheiros de pesquisa, rumo à hiléia brasileira, percurso de dois dias, com intervalo para dormir já em Araguaína, no estado de Tocantins, após cruzarmos o Piauí e o Maranhão. Na bela cidade maranhense de Carolina, dos tempos do Império, atravessáramos as águas caudalosas do Rio Tocantins, largo e volumoso, o mais largo dos até agora que conheço.
No dia seguinte, logo cedo, passado o Araguaia, chegamos às terras do Pará, estabelecendo-nos em uma fazenda às margens do rio por dez longos dias, para conhecer o ecossistema amazônico, orgulho da raça, com isso presenciando diversos momentos da floresta e da ação do homem no que respeita à sua devastação.
Vimos de perto a agressão indiscriminada que caracteriza o sistema de posse do modelo desenvolvido para estabelecimento da criação extensiva do gado bovino. Movidos no afã de tornar produtiva a área, visando o criatório da raça nelore, centenas e centenas de estabelecimentos em dimensões a perder de vista, empresários do País inteiro, fixam bases em regiões planas e chuvosas, eliminando a constituição florestal primitiva através da força de tratores e queimadas, no sentido de plantar capim e construir currais. Vastidões lunares do reino vegetal somem em pouco tempo, deixando espaço aos tapetes de pastos, administradas pelos peões vindos de fora. Nisso trabalham sob os olhos oficiais das normas, assistidos de órgãos competentes do País. Produzem a carne que alimentarão largas faixas de consumidores do mundo inteiro, a peso de ouro. São manadas e manadas de reses criadas em trechos próprios para manejos, a remoer silenciosas das pastagens em uso.
Vimos de um tudo no que tange aos estragos impostos ao patrimônio das matas nativas. Tiradas as árvores maiores, madeira de lei e custo inestimável em termos da natureza primária dos séculos que lhes deu vida, o que resta em pouco tempo calcina mediante a ação do fogo, revirado a correntes vigorosas arrastadas por tratores descomunais. O quadro corta corações. Onde antes só havia o verde frondoso do mistério milenar e escuro, altivo caules esfacelados dão conta de troncos enegrecidos, parecidos aos vestígios das lindas bocas tornadas em dentes cariados e feios, eliminados ao furor das chamas. Aconselho não aos que nunca visitaram o paraíso amazônico a conhecê-lo nesses pontos entristecidos pela façanha dos matadores de floresta.
Idênticas práticas avistamos, também, no Tocantins e no Maranhão, estados vocacionados à implantação das fazendas de soja, moda e febre continuada que sacode os planaltos do Norte por meio da agroindústria e maravilha os resultados positivos das balanças do Brasil no exterior.
Quando ouço, pois, as declarações anuais dos funcionários de governo que contiveram a devastação amazônica em tanto e tanto por cento, desconsolado sacudo a cabeça por saber de perto que o gigante é maior muitas vezes do que contavam as distantes lendas trazidas no vento.
Uma dor do tamanho da Piriquara - José do Vale Pinheiro Feitosa
Um dos espaços mais belos do litoral noroeste do Ceará é aquele da Planície que forma a Ponta da Piriquara. Um corpo alongado, raso, em que se tornam mais formosas as Dunas brancas e os coqueirais adensando como matas primitivas.
Na planície pastam vacas e os jumentos em bandos que não retornaram ao estado selvagem, mas donos já não existem a reclamar-lhes trabalho. Anus brancos e pretos, carcarás, bem-te-vis, algum gavião e urubus planando.
Um vento planetário sem igual acelera o formato plano da região. Alguns reservatórios de águas das chuvas entremeados no relevo através da cianinha de touceiras de guajiru, muricis, cajus e coqueiros.
Na Piriquara a juventude despreocupada, da Europa e outros continentes, escolheu para aproveitamento veloz dos ventos em prática de Kite Surf. Ali as ondas podem formar tubos, não como o Havai, mas tubos do mesmo modo.
Uma noite de lua cheia na vastidão e solidão da Piriquara é o último refúgio do mundo tal qual ele inventou este que aqui digita. As luas cheias nascem mais anchas e sua circunavegação tem um hemisfério de mais brilho que ilumina o alvo da existência.
A silhueta do mundo da Piriquara no plenilúnio é como uma imanescência de um mistério além dos conceitos utilitaristas com os quais identificamos as coisas. Identificamos o coqueiro pela água e a polpa, o murici com o picolé e o jumento mesmo quando uma carga de simbolismo cristão.
Luminescência que diz eternidade quando o cotidiano apenas soletra mortalidade. A Piriquara com o sol mesmo que estourando as cores e a luz ainda revela um momento que traduz a realidade muito além deste pragmatismo pequeno burguês que teima com despensa entulhada.
Se poeta fosse cantaria laudas infandas à Piriquara. Faria Confissões como um Agostinho, em busca da unidade que contém tudo que existe entre os céus e o mundo e mesmo além destes mesmos. A unidade que compreende o conteúdo universal e que vai muito além do incompreensível e escapa de qualquer tentativa de dar-lhe um continente limitante.
Pois acordei. O Governador Cid Gomes assinou um decreto para total transformação da Piriquara: um conjunto de prédios para 2014 abrigar a Copa do Mundo, estruturas para treinamento da seleção Espanhola, campos de futebol, escolinhas de futebol e depois dois hotéis, um conjunto de edifícios residenciais, shoppings, campos de golfe. Uma nova cidade no artifício do estilo ocidental.
Meu coração sangra por uma dor em vão. Que parece dor de alguém abastado, dado e posto que ama esta planície como intocada do velho estilo de viver. Uma dor que esperava este parto arrasador, o resultado desta prenhez de um monstro chamado progresso.
Uma dor solitária. Isolada, mágoa intensa, mas sem par. Pronta apenas para manter o monocórdio tom de cantochão de uma missa de sétimo dia. O corpo da resistência já foi enterrado. Na parede de um açougue de Paracuru existe um cartaz com um salmo que pede diariamente por mais empresas, pois empregos faltam. Faltam empregos que vindos darão rendas aos que estão e atrairão milhares que igualmente desempregados ficarão.
MEUS AGRADECIMENTOS A Armando Rafael
Muito me honrou a dedicatória da reportagem sobre a restauração do Palácio da Guanabara postada por Armando Rafael, sobre um dos maiores patrimônios arquitetônicos do Estado do Rio de Janeiro.
Construído entre 1909 e 1913, assinam o projeto, os arquitetos Joseph Gire e Armando Silva Telles , em estilo clássico francês de Luís XV e Luís XVI. Em 1913 passa a ser a residência da família Guinle, como parte integrante do Parque Eduard Guinle, com este nome até hoje. Está localizado na rua Pinheiro Machado, antiga rua das Laranjeiras.
Quando aluna da Sociedade Brasileira de Belas Artes, visitei junto ao meu grupo de futuros restauradores o belíssimo palácio para apreciar as obras do pintor holandês "Frans Post", primeiro artista estrangeiro a retratar as paisagens brasileiras. Veio para o Brasil com Maurício de Nassau e em meados de 1914 pintou as obras que compõem o acervo de arte plástica do referido palácio. No seu interior encontramos uma réplica do piano de "Marie Antonieta" e os famosos mosaicos dos italianos "Mazza" (posuimos no Crato um trabalho de Francesco Mazza) em mármore e cerâmica com aplicações em ouro 24 quilates, finos móveis de "Sorento, Itália" e esculturas.
Em 1940 passa a administração pública : o presidente Juscelino Kubitschek depois da construção de Brasília entrega o prédio par ser a residência do Governador e recepções diplomáticas. Lá se hospedaram pessoas ilustres como Charlles de Gaule, Henrry Truman e o papa João Paulo II.
A última restauração foi no ano de 2001 e depois do incêndio do ano passado, 2010, estava prevista este grande trabalho aqui divulgado.
Mais uma vez, meus agradecimentos pela dedicatória e os parabéns pela matéria que vem somar aos interessados, o conhecimento de restauração como eu.
Edilma Rocha
Construído entre 1909 e 1913, assinam o projeto, os arquitetos Joseph Gire e Armando Silva Telles , em estilo clássico francês de Luís XV e Luís XVI. Em 1913 passa a ser a residência da família Guinle, como parte integrante do Parque Eduard Guinle, com este nome até hoje. Está localizado na rua Pinheiro Machado, antiga rua das Laranjeiras.
Quando aluna da Sociedade Brasileira de Belas Artes, visitei junto ao meu grupo de futuros restauradores o belíssimo palácio para apreciar as obras do pintor holandês "Frans Post", primeiro artista estrangeiro a retratar as paisagens brasileiras. Veio para o Brasil com Maurício de Nassau e em meados de 1914 pintou as obras que compõem o acervo de arte plástica do referido palácio. No seu interior encontramos uma réplica do piano de "Marie Antonieta" e os famosos mosaicos dos italianos "Mazza" (posuimos no Crato um trabalho de Francesco Mazza) em mármore e cerâmica com aplicações em ouro 24 quilates, finos móveis de "Sorento, Itália" e esculturas.
Em 1940 passa a administração pública : o presidente Juscelino Kubitschek depois da construção de Brasília entrega o prédio par ser a residência do Governador e recepções diplomáticas. Lá se hospedaram pessoas ilustres como Charlles de Gaule, Henrry Truman e o papa João Paulo II.
A última restauração foi no ano de 2001 e depois do incêndio do ano passado, 2010, estava prevista este grande trabalho aqui divulgado.
Mais uma vez, meus agradecimentos pela dedicatória e os parabéns pela matéria que vem somar aos interessados, o conhecimento de restauração como eu.
Edilma Rocha
A dor - Aloísio / Claude Bloc
A dor se mostra
Com um tom sombrio
Pensamento distante
E um olhar vazio
Aloísio
A dor se escondeClaude Bloc
No tom vibrante
De um olhar distante,
Pensamento vazio
Exemplo de preservação do Patrimônio Histórico
Dedicado à restauradora Edilma Saraiva

(Fotos de Luiza Reis-11.fev.2011/Governo do Rio de Janeiro / Postado por Armando Lopes Rafael)

Reforma no Palácio Guanabara resgata azulejos do século 19
O jornal “Folha de S.Paulo”, edição desta 4ª feira,dia 16, publicou:
O jornal “Folha de S.Paulo”, edição desta 4ª feira,dia 16, publicou:
“Debaixo de camadas de cimento, técnicos que trabalham na restauração do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, descobriram algumas preciosidades. Azulejos do século 19 e pisos da época da escravatura, período em que a princesa Isabel viveu na mansão em estilo neoclássico estão sendo recuperados. As peças poderão ser vistas por visitantes quando o imóvel for reaberto, após o restauro, em julho. O Palácio está em obras desde setembro de 2009. O orçamento para que seja feita a reforma é de R$ 16 milhões”.
História do Palácio
Desde 1889, quando deixou de ser o Paço Isabel e passou a ser chamado de Palácio Guanabara, pelos golpistas republicanos, o imóvel passou por quatro reformas. A atual é a quinta reforma. O palacete instalado em Laranjeiras, na zona sul da cidade, foi um presente de casamento do imperador Pedro II para a princesa. Após o golpe militar que implantou a República, os novos governantes do Brasil se apossaram do Palácio sem indenizar a Princesa Isabel. Ainda hoje os descendentes da princesa lutam na justiça para receberem a indenização pelo imóvel, uma vez que o mesmo foi construído com dinheiro pessoal do Imperador Pedro II.
Desde 1889, quando deixou de ser o Paço Isabel e passou a ser chamado de Palácio Guanabara, pelos golpistas republicanos, o imóvel passou por quatro reformas. A atual é a quinta reforma. O palacete instalado em Laranjeiras, na zona sul da cidade, foi um presente de casamento do imperador Pedro II para a princesa. Após o golpe militar que implantou a República, os novos governantes do Brasil se apossaram do Palácio sem indenizar a Princesa Isabel. Ainda hoje os descendentes da princesa lutam na justiça para receberem a indenização pelo imóvel, uma vez que o mesmo foi construído com dinheiro pessoal do Imperador Pedro II.
(Fotos de Luiza Reis-11.fev.2011/Governo do Rio de Janeiro / Postado por Armando Lopes Rafael)JACKIE EVANCHO - CANTA "AVE MARIA "
Uma menina (USA) de apenas 10 anos canta e encanta...
Vale a pena ouvir...
Dedicado a Vicente Almeida e Valdênia.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Um exemplo de gratidão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Recentemente estive a serviço da organização que trabalho, visitando a cidade de Limoeiro do Norte, a qual estivera pela última vez há mais de 20 anos. Fiquei admirado o quanto progrediu aquela cidade nesses dois últimos decênios. A impressão que nos causa como visitante, é a de uma cidade em plena expansão e notável desenvolvimento. Cidade limpa e bem cuidada, com largas avenidas, prédios históricos restaurados, comércio movimentado e rico, educação de boa qualidade para os seus filhos. O desenvolvimento da economia local é facilmente percebido por qualquer visitante. A irrigação de extensas áreas rurais na Chapada do Apodi possibilitou o cultivo em grande escala de frutos tropicais, como o melão, o abacaxi, a melancia, o maracujá e a banana, para citar apenas os mais importantes. Toda essa produção abastece não somente os mercados nordestinos, mas é exportada, via porto do Pecém, para vários países da Europa, chegando ao destino dez dias após a colheita. Hoje Limoeiro do Norte é o maior exportador brasileiro de melão e o segundo de abacaxi, atividades que lhe propiciam anualmente mais de 50 milhões de reais em divisas. Na formação de seus jovens, Limoeiro possui o Centro de Ensino Tecnológico, o CENTEC e uma unidade descentralizada da UECE, com oito cursos superiores. O CENTEC foi uma criação de um cearense de extraordinária visão, filho de Limoeiro do Norte e que tem em seu currículo a criação do NUTEC e da Secretaria de Ciência e Tecnologia, uma das primeiras idealizadoras de utilização do biodiesel. Mas o que mais me impressionou em Limoeiro do Norte foi a gratidão que o seu povo devota aos seus benfeitores. Nas últimas eleições parlamentares, Limoeiro, com menos da metade dos eleitores do Crato, ajudou a eleger deputado federal com 50% dos votos do município o filho da terra que lhe proporcionou o primeiro CENTEC instalado no Estado. Outra gratidão demonstrada pelo povo da cidade é ao seu primeiro Bispo, Dom Aureliano Matos. Esse prelado dá nome à principal avenida da cidade e à unidade local da UECE.
Essa gratidão que os filhos de Limoeiro do Norte têm para com seus benfeitores conduziu-me a uma imediata comparação com muitas ingratidões demonstradas por uma grande maioria dos cratenses à sua terra. A nossa primeira ingratidão é com os políticos cratenses. Nosso município, que há cinqüenta anos elegia dois deputados federais e dois estaduais, vive nos últimos anos um ocaso político danoso ao seu desenvolvimento. Não conseguimos eleger um deputado federal há mais de vinte anos. E não vale a justificativa de que nossos atuais políticos não são bons. Eles são do mesmo nível daqueles que foram deputados há mais de meio século. O único deputado estadual cratense da presente legislatura foi eleito graças ao seu desempenho em programas policiais da televisão, assim mesmo com votos de outros municípios. Diante desse quadro, consultei os dados do TRE das últimas eleições e verifiquei com tristeza que os cratenses validaram 51.731 votos para deputados federais, suficientes para garantir a eleição de um deputado federal. Enquanto o único candidato cratense obteve apenas 37% desses votos, 63% deles foram destinados a candidatos de outras cidades, destacando-se o ex-governador Ciro Gomes com 10.669 votos, os cincos candidatos a deputado federal por Juazeiro que obtiveram juntos 6.993 votos. Ao todo foram votados mais de 43 candidatos no Crato, entre os quais muitos desconhecidos pela maioria dos cratenses como André Figueiredo, com 997 votos e Maria Aparecida Albuquerque que obteve no Crato 75 votos. Esses números são reveladores da tamanha ingratidão política do cratense para com os seus próprios filhos. Reclamamos dos nossos prefeitos, que pouco fazem pelo desenvolvimento do Crato, mas esquecemos que eles não conseguem viabilizar seus projetos juntos aos governos federais e estaduais porque não elegemos um filho da terra deputado federal para fazer o acompanhamento político dos projetos de interesse do Crato nos labirintos da administração federal. Com tamanha ingratidão, não podemos reclamar a perda da Universidade Federal, da sede regional do DETRAN, ou de um hospital público de qualidade, afora tantos órgãos federais e estaduais que foram transferidos do Crato para outras cidades. Os maiores culpados por tamanho descaso são os próprios cratenses que votam em candidatos de fora e que somente se lembram do Crato de quatro em quatro ano.
Ao ver o nome de Dom Aureliano Matos estampado numa placa da principal avenida de Limoeiro, lembrei-me que um sobrinho dele, Dom Vicente Matos foi bispo do Crato e seu maior benfeitor em todos os tempos. Mas não existe no Crato nenhuma rua com o nome de Dom Vicente Matos. Aqui reside a maior de todas as ingratidões. Existem ruas com o nome de ex-presidente de outro país, de candidatos a presidentes que nada fizeram pelo Crato, de outras figuras que nunca colocaram seus pés em nossa terra, além daqueles que jamais souberam se o Crato existe. Por que não uma rua com o nome de dom Vicente? Graças a ele fomos pioneiros no ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato que possibilitou anos mais tarde a viabilização da URCA, com sede no Crato. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, além de tantos outros benefícios, impossíveis de resumi-los em poucas palavras.
Sei que essa proposta de dar o nome de Dom Vicente a uma rua
do Crato é muito antiga e parece encontrar certa resistência dos nossos vereadores. Não sei se já tramita algum projeto na nossa Câmara de Vereadores ou se nossos edis continuam insensíveis. Mas somente para reforçar a idéia, gostaria de registrar aqui o argumento da mulher de um amigo cratense que, para agradar o marido, conseguiu junto a nossos vereadores mudar o nome da rua em que mora. Tal rua tinha o nome de um escritor carioca, um dos mais famosos da literatura brasileira e que morreu há cem anos, e essa senhora conseguiu fazer a mudança para o nome do falecido sogro, pessoa muito conhecida e estimada por todo o Crato. Perguntou ela junto aos vereadores o que fez aquele escritor pelo Crato. Será que ele sabia ao menos onde ficava o Crato? Ou se existia uma cidade com esse nome? Gostaria de usar o mesmo argumento daquela senhora. Que representou o presidente Kennedy para o Crato? Quais os benefícios trazidos por ele à cidade? Quem foi João Pessoa para o Crato? E Santos Dumont construiu por aqui algum aeroporto? Por que não mudar um desses nomes para Rua Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!
Nota do autor: O presente texto data de 3 de setembro de 2008. Foi postado no Blog do Crato e publicado pela revista “A Província” em sua edição N° 27 de junho de 2009, Até a presente data nossos vereadores permanecem insensíveis a esse apelo justíssimo.
Essa gratidão que os filhos de Limoeiro do Norte têm para com seus benfeitores conduziu-me a uma imediata comparação com muitas ingratidões demonstradas por uma grande maioria dos cratenses à sua terra. A nossa primeira ingratidão é com os políticos cratenses. Nosso município, que há cinqüenta anos elegia dois deputados federais e dois estaduais, vive nos últimos anos um ocaso político danoso ao seu desenvolvimento. Não conseguimos eleger um deputado federal há mais de vinte anos. E não vale a justificativa de que nossos atuais políticos não são bons. Eles são do mesmo nível daqueles que foram deputados há mais de meio século. O único deputado estadual cratense da presente legislatura foi eleito graças ao seu desempenho em programas policiais da televisão, assim mesmo com votos de outros municípios. Diante desse quadro, consultei os dados do TRE das últimas eleições e verifiquei com tristeza que os cratenses validaram 51.731 votos para deputados federais, suficientes para garantir a eleição de um deputado federal. Enquanto o único candidato cratense obteve apenas 37% desses votos, 63% deles foram destinados a candidatos de outras cidades, destacando-se o ex-governador Ciro Gomes com 10.669 votos, os cincos candidatos a deputado federal por Juazeiro que obtiveram juntos 6.993 votos. Ao todo foram votados mais de 43 candidatos no Crato, entre os quais muitos desconhecidos pela maioria dos cratenses como André Figueiredo, com 997 votos e Maria Aparecida Albuquerque que obteve no Crato 75 votos. Esses números são reveladores da tamanha ingratidão política do cratense para com os seus próprios filhos. Reclamamos dos nossos prefeitos, que pouco fazem pelo desenvolvimento do Crato, mas esquecemos que eles não conseguem viabilizar seus projetos juntos aos governos federais e estaduais porque não elegemos um filho da terra deputado federal para fazer o acompanhamento político dos projetos de interesse do Crato nos labirintos da administração federal. Com tamanha ingratidão, não podemos reclamar a perda da Universidade Federal, da sede regional do DETRAN, ou de um hospital público de qualidade, afora tantos órgãos federais e estaduais que foram transferidos do Crato para outras cidades. Os maiores culpados por tamanho descaso são os próprios cratenses que votam em candidatos de fora e que somente se lembram do Crato de quatro em quatro ano.
Ao ver o nome de Dom Aureliano Matos estampado numa placa da principal avenida de Limoeiro, lembrei-me que um sobrinho dele, Dom Vicente Matos foi bispo do Crato e seu maior benfeitor em todos os tempos. Mas não existe no Crato nenhuma rua com o nome de Dom Vicente Matos. Aqui reside a maior de todas as ingratidões. Existem ruas com o nome de ex-presidente de outro país, de candidatos a presidentes que nada fizeram pelo Crato, de outras figuras que nunca colocaram seus pés em nossa terra, além daqueles que jamais souberam se o Crato existe. Por que não uma rua com o nome de dom Vicente? Graças a ele fomos pioneiros no ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato que possibilitou anos mais tarde a viabilização da URCA, com sede no Crato. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, além de tantos outros benefícios, impossíveis de resumi-los em poucas palavras.
Sei que essa proposta de dar o nome de Dom Vicente a uma rua
do Crato é muito antiga e parece encontrar certa resistência dos nossos vereadores. Não sei se já tramita algum projeto na nossa Câmara de Vereadores ou se nossos edis continuam insensíveis. Mas somente para reforçar a idéia, gostaria de registrar aqui o argumento da mulher de um amigo cratense que, para agradar o marido, conseguiu junto a nossos vereadores mudar o nome da rua em que mora. Tal rua tinha o nome de um escritor carioca, um dos mais famosos da literatura brasileira e que morreu há cem anos, e essa senhora conseguiu fazer a mudança para o nome do falecido sogro, pessoa muito conhecida e estimada por todo o Crato. Perguntou ela junto aos vereadores o que fez aquele escritor pelo Crato. Será que ele sabia ao menos onde ficava o Crato? Ou se existia uma cidade com esse nome? Gostaria de usar o mesmo argumento daquela senhora. Que representou o presidente Kennedy para o Crato? Quais os benefícios trazidos por ele à cidade? Quem foi João Pessoa para o Crato? E Santos Dumont construiu por aqui algum aeroporto? Por que não mudar um desses nomes para Rua Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!Nota do autor: O presente texto data de 3 de setembro de 2008. Foi postado no Blog do Crato e publicado pela revista “A Província” em sua edição N° 27 de junho de 2009, Até a presente data nossos vereadores permanecem insensíveis a esse apelo justíssimo.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
PIQUIZADA - Por Edilma Rocha
Num clima duplo de amizade e 24 graus, estivemos na serra do Araripe para uma piquizada na casa de George Macário numa linda manhã de sol.
Tudo cuidadosamente preparado para receber os amigos convidados. Bruno Pedrosa, Inês Fiuza, Inês farvale, Claude Bloc, Humberto Macário, Noemita, João Teófilo Pierre, Ernesto Saraiva e Rosangela,
Wilson Bernardo, Salete Libório, Antunes Filho e Mana e familiares.
Vivemos momentos de harmonia e muita paz entre arvoredos da linda mata da Chapada do Araripe.
Um momento para a meditação de Rosangela.
Os anfitriões ofereceram uma bebida especial ao visitante Pedrosa, um eterno sertanejo.
Nas mãos do artista o apreciado fruto das nossas matas do Cariri.
E no prato, a deliciosa piquizada, iguaria de todos nós cratenses.
"Sumiço" misterioso - José Nilton Mariano Saraiva
Fomos convidados a participar dos blogs Cariricaturas, Cariricult e No Azul Sonhado/Catadora de Versos, por pessoas da estirpe de um José Flávio Vieira, Darlan Reis, Luiz Carlos Salatiel, Emerson Monteiro, Claude Bloc e Socorro Moreira, dentre outras, o que é motivo de orgulho para qualquer um.
Como não houve nenhuma pré-condição, aconselhamento, recomendação, censura, imposição, sugestão, orientação ou algo sequer parecido, no tocante ao o “que”, “como” e “quando” postar (ou seja, a pauta se nos apresentava livre), aceitamos de pronto (o que não aconteceria se prevalecesse qualquer dos itens acima).
Desde o meio desta manhã de 15.02.11, no entanto, não sabemos se por “questões técnicas” ou se “intencionalmente”, dois textos de nossa autoria (“Agradecimento” e “Muito cacique pra pouco índio”), postados entre ontem e hoje, “desapareceram” misteriosamente do Cariricaturas (permanecem no Cariricult e no No Azul Sonhado/Catadoradeversos).
Se a questão foi algum “problema técnico”, nada como uma “nova postagem” (vide abaixo) para resolver o problema; se, entretanto, foi “intencional”, por respeito não só ao autor, mas, também, aos demais colaboradores do Cariricaturas, deveria ter havido a devida e antecipada notificação.
Vamos ficar no aguardo de alguma manifestação por parte dos administradores do Cariricaturas, oportunidade em que os demais colaboradores deste blog serão informados.
*************************
Muito cacique pra pouco índio - José Nilton Mariano Saraiva
Ungido, certamente que em razão da sua naturalidade de “piquizeiro”, à condição de “presidente” da comissão especial instituída na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará para elaborar relatório e sugerir soluções a respeito do desastre provocado pelas enchentes na Região do Cariri (e especificamente no Crato), o apresentador televisivo-Deputado Estadual Ely Aguiar (ligado politicamente ao prefeito da cidade), aparentemente sem medir as conseqüências nem atentar para a gravidade da sua fala, disparou um autêntico “torpedo” contra o Ministro da Integração Nacional, (Fernando Bezerra) que teria sido “debochado” ao referir-se à questão. A conferir, ipsis litteris: “A gente não pode ficar omisso diante de uma situação como essa. A coisa foi tratada em tom de deboche. Há a cobrança de que ele atenda à nossa demanda de ajudar os municípios. Ele está lá para isso e está sendo pago pelo povo para isso” (Jornal O POVO, Caderno Política, página 20, de 11.02.11).
Já o médico-Deputado Federal Arnon Bezerra (também ligado ao prefeito do Crato), literalmente desmentiu o senhor Ely Aguiar, além de criticar com causticidade um outro político do Ceará, ao garantir, em entrevista à Rádio Educadora do Cariri, que (ipsis litteris): “...essa notícia que saiu ontem, impressionante, que a notícia foi divulgada pela informação de alguém que esteve presente no gabinete do ministro, e eu não sei com que intenção uma pessoa espalha uma notícia dizendo que o ministro não teve a atenção necessária para com o Crato, não se sensibilizou” (sic). Garantiu, também, Arnon Bezerra, convictamente: “...eu sei mais ou menos de onde partiu, realmente é desgastante... alguém querer de forma irresponsável, desculpe o termo forte da palavra, querer tirar proveito para desmerecer o trabalho” (convenientemente, entretanto, preferiu não declinar o nome do insurgente).
Como se pode observar, a briga (ao estilo “de foice e em quarto escuro”), até então surda, muda e adstrita ao ambiente interno, transpôs as caudalosas águas do Rio Grangeiro, rompeu barreiras e espraiou-se ao domínio público, com os “nobres” e digníssimos Deputados apoiadores do prefeito do Crato ávidos à busca da luz dos refletores, reivindicando antecipadamente a “paternidade da criança” (possível viabilização e liberação de verbas), com o agravante de que um dos tais chegou até mesmo a “jogar farofa no ventilador do ministro”, já que esteve presente à audiência e de lá saiu semeando a discórdia, pregando a intriga, falseando a verdade (em benefício próprio), segundo sugeriu Arnon Bezerra (declina o nome, Deputado, declina, por favor).
Particularmente, tais pronunciamentos só vêm reforçar, reafirmar, solidificar e cristalizar nossa posição em relação à classe política (há exceções, claro), qual seja: como é “muito cacique pra pouco índio”, o importante é marcar presença, sair bem na foto tal qual “papagaio de pirata”, arrotar alguma frase de efeito que possa adiante ser aproveitada em proveito próprio e, enfim, fazer barulho e pôr-se em evidência (nem que para tanto tenha que atropelar quem esteja à frente, mesmo em se tratando de um Ministro de Estado); legislando sub-repticiamente em causa própria, a determinação de cada um é puxar brasa para a própria sardinha, cuidar de ativar o próprio fogo, aparecer por cima de pau e pedra, quer chova ou faça sol, independentemente dos meios ou métodos utilizados em tal desiderato.
No mais, como a Excelentíssima Senhora Presidenta da República Dilma Rousseff já mostrou ser uma pessoa comprometida com os ideais e princípios democrático-federativo-republicanos (atendimento a todos, independentemente da coloração partidária), se a Prefeitura do Crato pretende mesmo viabilizar a captação de recursos para a tal “reconstrução da cidade” (pra que tanto exagero, gente ???), vai ter, sim, que elaborar e estruturar um projeto tecnicamente consistente, competente e condizente com a realidade, em termos argumentativos e, principalmente, do montante necessário para tal empreitada (esqueçam, até mesmo pra imprimir um quê de respeitabilidade à causa, do tal estapafúrdio valor “entre 50 e 100 milhões de reais”, como equivocada, maquiavélica e espertamente foi sugerido e difundido por pessoas ligadas à prefeitura, como se estivéssemos em plena “casa de mãe Joana”).
******************************
Agradecimento - José Nilton Mariano Saraiva
Sensibilizados, queremos externar, de público, nosso mais profundo e comovido agradecimento a quem, diligentemente, teve a preocupação e tomou a iniciativa de encaminhar uma nossa postagem (Farra com o dinheiro público ???), às “autoridades” constituídas do município do Crato (conforme comentário lá inserto, no site Cariricaturas).
Embora entendendo desnecessário - já que veiculada na Internet e, portanto, de conhecimento até do mundo mineral (como diria o Mino Carta) - constitui-se um prazer quase orgástico constatar que nossas mal-traçadas merecem tamanho carinho, cuidado e deferência.
Em troca, a única coisa que podemos garantir é que continuaremos vigilantes e atentos, mormente quando em jogo estiver a coisa pública, o bem do Crato.
Como não houve nenhuma pré-condição, aconselhamento, recomendação, censura, imposição, sugestão, orientação ou algo sequer parecido, no tocante ao o “que”, “como” e “quando” postar (ou seja, a pauta se nos apresentava livre), aceitamos de pronto (o que não aconteceria se prevalecesse qualquer dos itens acima).
Desde o meio desta manhã de 15.02.11, no entanto, não sabemos se por “questões técnicas” ou se “intencionalmente”, dois textos de nossa autoria (“Agradecimento” e “Muito cacique pra pouco índio”), postados entre ontem e hoje, “desapareceram” misteriosamente do Cariricaturas (permanecem no Cariricult e no No Azul Sonhado/Catadoradeversos).
Se a questão foi algum “problema técnico”, nada como uma “nova postagem” (vide abaixo) para resolver o problema; se, entretanto, foi “intencional”, por respeito não só ao autor, mas, também, aos demais colaboradores do Cariricaturas, deveria ter havido a devida e antecipada notificação.
Vamos ficar no aguardo de alguma manifestação por parte dos administradores do Cariricaturas, oportunidade em que os demais colaboradores deste blog serão informados.
*************************
Muito cacique pra pouco índio - José Nilton Mariano Saraiva
Ungido, certamente que em razão da sua naturalidade de “piquizeiro”, à condição de “presidente” da comissão especial instituída na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará para elaborar relatório e sugerir soluções a respeito do desastre provocado pelas enchentes na Região do Cariri (e especificamente no Crato), o apresentador televisivo-Deputado Estadual Ely Aguiar (ligado politicamente ao prefeito da cidade), aparentemente sem medir as conseqüências nem atentar para a gravidade da sua fala, disparou um autêntico “torpedo” contra o Ministro da Integração Nacional, (Fernando Bezerra) que teria sido “debochado” ao referir-se à questão. A conferir, ipsis litteris: “A gente não pode ficar omisso diante de uma situação como essa. A coisa foi tratada em tom de deboche. Há a cobrança de que ele atenda à nossa demanda de ajudar os municípios. Ele está lá para isso e está sendo pago pelo povo para isso” (Jornal O POVO, Caderno Política, página 20, de 11.02.11).
Já o médico-Deputado Federal Arnon Bezerra (também ligado ao prefeito do Crato), literalmente desmentiu o senhor Ely Aguiar, além de criticar com causticidade um outro político do Ceará, ao garantir, em entrevista à Rádio Educadora do Cariri, que (ipsis litteris): “...essa notícia que saiu ontem, impressionante, que a notícia foi divulgada pela informação de alguém que esteve presente no gabinete do ministro, e eu não sei com que intenção uma pessoa espalha uma notícia dizendo que o ministro não teve a atenção necessária para com o Crato, não se sensibilizou” (sic). Garantiu, também, Arnon Bezerra, convictamente: “...eu sei mais ou menos de onde partiu, realmente é desgastante... alguém querer de forma irresponsável, desculpe o termo forte da palavra, querer tirar proveito para desmerecer o trabalho” (convenientemente, entretanto, preferiu não declinar o nome do insurgente).
Como se pode observar, a briga (ao estilo “de foice e em quarto escuro”), até então surda, muda e adstrita ao ambiente interno, transpôs as caudalosas águas do Rio Grangeiro, rompeu barreiras e espraiou-se ao domínio público, com os “nobres” e digníssimos Deputados apoiadores do prefeito do Crato ávidos à busca da luz dos refletores, reivindicando antecipadamente a “paternidade da criança” (possível viabilização e liberação de verbas), com o agravante de que um dos tais chegou até mesmo a “jogar farofa no ventilador do ministro”, já que esteve presente à audiência e de lá saiu semeando a discórdia, pregando a intriga, falseando a verdade (em benefício próprio), segundo sugeriu Arnon Bezerra (declina o nome, Deputado, declina, por favor).
Particularmente, tais pronunciamentos só vêm reforçar, reafirmar, solidificar e cristalizar nossa posição em relação à classe política (há exceções, claro), qual seja: como é “muito cacique pra pouco índio”, o importante é marcar presença, sair bem na foto tal qual “papagaio de pirata”, arrotar alguma frase de efeito que possa adiante ser aproveitada em proveito próprio e, enfim, fazer barulho e pôr-se em evidência (nem que para tanto tenha que atropelar quem esteja à frente, mesmo em se tratando de um Ministro de Estado); legislando sub-repticiamente em causa própria, a determinação de cada um é puxar brasa para a própria sardinha, cuidar de ativar o próprio fogo, aparecer por cima de pau e pedra, quer chova ou faça sol, independentemente dos meios ou métodos utilizados em tal desiderato.
No mais, como a Excelentíssima Senhora Presidenta da República Dilma Rousseff já mostrou ser uma pessoa comprometida com os ideais e princípios democrático-federativo-republicanos (atendimento a todos, independentemente da coloração partidária), se a Prefeitura do Crato pretende mesmo viabilizar a captação de recursos para a tal “reconstrução da cidade” (pra que tanto exagero, gente ???), vai ter, sim, que elaborar e estruturar um projeto tecnicamente consistente, competente e condizente com a realidade, em termos argumentativos e, principalmente, do montante necessário para tal empreitada (esqueçam, até mesmo pra imprimir um quê de respeitabilidade à causa, do tal estapafúrdio valor “entre 50 e 100 milhões de reais”, como equivocada, maquiavélica e espertamente foi sugerido e difundido por pessoas ligadas à prefeitura, como se estivéssemos em plena “casa de mãe Joana”).
******************************
Agradecimento - José Nilton Mariano Saraiva
Sensibilizados, queremos externar, de público, nosso mais profundo e comovido agradecimento a quem, diligentemente, teve a preocupação e tomou a iniciativa de encaminhar uma nossa postagem (Farra com o dinheiro público ???), às “autoridades” constituídas do município do Crato (conforme comentário lá inserto, no site Cariricaturas).
Embora entendendo desnecessário - já que veiculada na Internet e, portanto, de conhecimento até do mundo mineral (como diria o Mino Carta) - constitui-se um prazer quase orgástico constatar que nossas mal-traçadas merecem tamanho carinho, cuidado e deferência.
Em troca, a única coisa que podemos garantir é que continuaremos vigilantes e atentos, mormente quando em jogo estiver a coisa pública, o bem do Crato.
Padre Lourenço Vicente Enrile – por Armando Lopes Rafael
O dia era 13 de novembro de 1876.
Na cidade de Crato – na Rua das Flores (hoje crismada de Rua Teófilo Siqueira), em casa do farmacêutico prático Secundo Chaves, localizada próximo aonde hoje funciona a Cúria Diocesana – um sacerdote de 43 anos, com o organismo minado pela tuberculose, sentia que sua existência terrena chegava ao fim. Em meio à febre, acessos constantes de tosse e hemoptise, o Padre Lourenço Vicente Enrile (foto ao lado) – primeiro reitor do Seminário São José – rendeu sua bela alma a Deus, nos braços do farmacêutico Secundo Chaves, seu amigo e benfeitor.
Dias antes, o farmacêutico, após muita insistência, conseguiu que o Padre Lourenço Enrile deixasse o prédio do Seminário e viesse para sua residência onde teria mais conforto no tratamento da pertinaz moléstia. Debalde foram os esforços do farmacêutico. O Crato perdeu, naquele dia, um de seus mais virtuosos sacerdotes.
Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Cento e trinta e cinco anos depois da chegada do Frei Carlos Maria de Ferrara – fundador de Crato – a Itália nos mandara outro valoroso missionário. Padre Enrile chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.
Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Cento e trinta e cinco anos depois da chegada do Frei Carlos Maria de Ferrara – fundador de Crato – a Itália nos mandara outro valoroso missionário. Padre Enrile chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.
Segundo o “Álbum do Seminário de Crato”, editado em 1925:
“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário.
“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.
“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.
“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile.
“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção.
É ainda o “Álbum do Seminário de Crato” que informa:
“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”.
Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José.
Conforme o “Álbum do Seminário de Crato”: “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada”...

Seminário Diocesano São José de Crato, nos dias atuais (foto de Pedro Léo)
Virgulino, um cangaceiro a frente de seu tempo. Por: Manoel Severo

Parece estranho falarmos de cangaço e termos que recorrer a conceitos próprios do ambiente empresarial moderno; mas, nos aprofundando um pouco mais na história intrigante de Virgulino, não nos parece exagero considerar que já naquela época o engenhoso bandido das caatingas conhecia muito bem o valor do Marketing Pessoal, a Política da Boa Vizinhança, Lobby e Tráfico de Influência, até mesmo noções de Logística Empresarial; na verdade não conseguimos conceber um reinado tão extenso de uma vida fora da lei em circunstâncias tão adversas, sem que boa parte desses conceitos não fizesse parte da mente prodigiosa de Lampião.
Desde cedo pela própria profissão da família, Virgulino e os irmãos passaram a conhecer toda a região e fazer um grande ciclo de relacionamentos, que mais tarde, unido a ingredientes como o medo e o favor, seriam de muita valia. Sem falar que essa espetacular rede de “apoiadores”, formada de gente miúda e graúda, foi fundamental para a sobrevivência por tanto tempo do famoso grupo.
As condições inóspitas e hostis da caatinga exigiam, além da extrema capacidade física, um exagerado instinto de sobrevivência. Comida, água, descanso, dormida, eram luxos muitas vezes esperados por dias a fio. Andanças intermináveis, muitas vezes em círculos, passando por vários estados em poucos dias carecia de um mínimo de organização e senso de direção.
Outro fator preponderante era o acesso à munição. Até os mais próximos do grande chefe do grupo, não sabiam de onde vinha tamanha carga de armamento, inclusive recebendo o que havia de mais moderno na época, exclusividade que nem as forças policiais recebiam.
Penso que o maior de todos os diferenciais entre Lampião e os outros grandes chefes do cangaço, como Jesuíno Brilhante, Antonio Silvino e mesmo Sinhô Pereira, sem dúvidas era o seu cérebro privilegiado. Mesmo compreendendo a posição de amigos pesquisadores quando defendem a desconstrução do mito de que Lampião não tinha nada de estrategista militar e que seu sucesso e longevidade na vida cangaceira se deveu a uma “mistura de incompetência e corrupção, por parte dos governos, e instinto de sobrevivência da parte dele, Lampião”; as espetaculares técnicas desenvolvidas para a “guerrilha” na caatinga, muitas vezes foram determinantes para salvar vidas e vencer batalhas, muitas delas beirando ao absurdo do desequilíbrio de forças, como a de Serra Grande onde uma força volante de perto de 400 homens não conseguiu dá cabo do grupo cangaceiro com pouco mais de 70 cabras, q ue se valiam desde o ousado enfrentamento em nítida desvantagem, à retirada estratégica quando lhe era conveniente, muitas vezes o bando simulava o abandono do embate e voltava pela retaguarda e encontrava a força volante totalmente desprevenida.
Na verdade, o próprio estilo de vida cangaceira; uma espécie de nômade das caatingas, o profundo conhecimento da região e suas sólidas redes de apoio logístico, lhes conferiam um grande poder de mobilidade, como também maiores condições de escaparem da polícia.
Um dos maiores cuidados do grupo era evitar o movimento pelas estradas, e mesmo dentro da caatinga tomavam cuidados excessivos com relação aos rastros. O ato de andar em fila indiana, todos seguindo na mesma pegada, o fato de calçar alpercatas com o salto na frente e o último do grupo apagar as pegadas com galhos de plantas eram providências costumeiras para dificultar o trabalho dos rastreadores das volantes, o cuidado em acender o fogo para a comida e até mesmo em enterrar os restos de animais sacrificados e restos de comida eram costumais, além do uso de cães para a sentinela e um entrançado de fios e chocalhos ligados entre si pela catinga, para denunciar a presença indesejada. Ao invadir os lugarejos o primeiro alvo eram sempre os fios do telégrafo.
Outra tática que visava confundir o trabalho das volantes era não deixar os corpos de seus companheiros abatidos em combate, quando era inevitável, cortavam as cabeças dos mesmos para evitar que fossem identificados. O grupo também possuía o hábito de para os novos membros adotar a alcunha ou apelido de outro companheiro morto, também na intensão de confundir a polícia, perpetuando o personagem abatido.
Dessa forma não seria exagero nenhum, declinar Virgulino Ferreira como um dos cérebros mais privilegiados de sua época, razão sem dúvidas que permitiu seu “reinado” por quase vinte anos; de sua simpática Vila Bela em 1918 até o fatídico julho de 1938, em Angico.
POR: Manoel Severo - Cariri Cangaço
O DILÚVIO
a menina está de cama com febre
e sonha com um dilúvio
a casa navegando como a arca de Noé
quando acordou a casa navegava
com alguns bichos e ela
passou uma mulher com um cachorrinho
mas não passou Tcheckhov
nem Moby Dick
a cultura morreu afogada
Quando chegou Moisés já era tarde
nem o cabelo de Sansão se salvou
nem a língua de Dalila
ou a bandeja de prata de Salomé
a menina ficou abandonada no mundo
sozinha para criar uma outra humanidade
mas feliz da vida porque estava viva
e antes só do que mal acompanhada
(Gregório Vaz)
Ambições de conhecer o futuro - Emerson Monteiro
Essa vontade humana de dominar a natureza envolve desejos antigos de saber o que vem acontecer no futuro das gerações. O motivo da disposição incontida desde tempos imemoriais finca raízes nos planos de dominar a vida e tudo o que diz respeito ao mundo e as coisas em volta, na política, na fortuna, no tempo. Sobretudo dominar os outros e a sociedade. Em resumo, reter nas mãos o destino e a riqueza, pretensão do tamanho do Universo. Um sonho bem avassalador, a sede insaciável do poder.
Essa tal vontade de domínio mostra evidências constantes nas profecias existentes e documentadas no decorrer da história, no âmbito das religiões e dos livros sagrados.
Filmes e pronunciamentos sempre trazem novidade quanto a isso. Agora mais recente, por exemplo, na película 2012, um sucesso de bilheteria, há referências ao que os Maias, civilização desaparecida na América Central, deixaram quanto a grandes mudanças que sofrerá a Terra nesse ano vindouro do calendário moderno.
Mas o que interessa mesmo, em termos práticos, chega mais longe, ao domínio do que pode permitir o conhecimento, até depois das muitas profecias ora existentes, numa lembrança forte das palavras de Jesus nos Evangelhos, a dizer: Sóis Deuses e não o sabeis, fazendo paralelo nas condições prósperas, contudo ainda que para eles mesmos realizarem, amarrando o burro nas orelhas dos donos.
Quanta maravilha transporta em si a existência, na assertiva cristã de guardar na alma a essência da herança divina, porém sob o desafio de ter antes de aprender a sabedoria, desenvolver esse modo particular de achar o caminho da luz e se libertar para as outras dimensões da evolução.
Isto demonstra o tanto de responsabilidade na revelação pessoal através da caminhada do aprendizado, conquanto artífice da própria transformação. Longe de apenas se acomodar naquilo que receber, sem estudo e trabalho, só à toa pela vida, ninguém merecerá o Reino de Deus que o Mestre divino aqui veio repartir conosco. A mensagem que revela e enfatiza com tamanha seriedade a isto deu sua própria vida em demonstração desta Verdade.
Portanto, ao desejar a existência cômoda e perene da Eternidade, nós, humanos falíveis, reuniremos os laços do conhecimento a fim de achar a dominação do futuro, livres e sós dos apegos e das posses deste chão que, veloz, passa sob os nossos pés.
Profecia maior não existirá além deste conhecer individual das normas do sentimento, porta aberta do Amor autêntico de Deus, o que nos promoverá ao nível das vontades e dos prazeres permanentes. Descobrirás a Verdade e ela vos libertará, portanto.
Essa tal vontade de domínio mostra evidências constantes nas profecias existentes e documentadas no decorrer da história, no âmbito das religiões e dos livros sagrados.
Filmes e pronunciamentos sempre trazem novidade quanto a isso. Agora mais recente, por exemplo, na película 2012, um sucesso de bilheteria, há referências ao que os Maias, civilização desaparecida na América Central, deixaram quanto a grandes mudanças que sofrerá a Terra nesse ano vindouro do calendário moderno.
Mas o que interessa mesmo, em termos práticos, chega mais longe, ao domínio do que pode permitir o conhecimento, até depois das muitas profecias ora existentes, numa lembrança forte das palavras de Jesus nos Evangelhos, a dizer: Sóis Deuses e não o sabeis, fazendo paralelo nas condições prósperas, contudo ainda que para eles mesmos realizarem, amarrando o burro nas orelhas dos donos.
Quanta maravilha transporta em si a existência, na assertiva cristã de guardar na alma a essência da herança divina, porém sob o desafio de ter antes de aprender a sabedoria, desenvolver esse modo particular de achar o caminho da luz e se libertar para as outras dimensões da evolução.
Isto demonstra o tanto de responsabilidade na revelação pessoal através da caminhada do aprendizado, conquanto artífice da própria transformação. Longe de apenas se acomodar naquilo que receber, sem estudo e trabalho, só à toa pela vida, ninguém merecerá o Reino de Deus que o Mestre divino aqui veio repartir conosco. A mensagem que revela e enfatiza com tamanha seriedade a isto deu sua própria vida em demonstração desta Verdade.
Portanto, ao desejar a existência cômoda e perene da Eternidade, nós, humanos falíveis, reuniremos os laços do conhecimento a fim de achar a dominação do futuro, livres e sós dos apegos e das posses deste chão que, veloz, passa sob os nossos pés.
Profecia maior não existirá além deste conhecer individual das normas do sentimento, porta aberta do Amor autêntico de Deus, o que nos promoverá ao nível das vontades e dos prazeres permanentes. Descobrirás a Verdade e ela vos libertará, portanto.
Assinar:
Postagens (Atom)







