Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Pérola nos bastidores...
Armando Rafael disse...
Sou avô, e meus três netos constituem a parte mais gratificante da minha existência.
Outro dia li uma poesia de Valci Maria Mattos, poetisa de Cascavel (PR) que peço licença para transcrever abaixo:
Canção para meu Neto
Já chegando o entardecer,
Eis que grata surpresa.
Uma vida pequenina
Pedaços de um viver.
Parece que foi tirado o molde
De um velho retrato.
Contornos iguais,
Diferenças sutis.
Da infância, volta a festa,
Folguedos, felicidade!
Se finita é a existência,
Não importa.
De agora será medida,
Por sorrisos e abraços,
Palavras a balbuciar.
Instantes furtados àqueles que um dia,
Já distante, foram nossos.
Se pais agora, não liguem.
Deixem que este afeto,
Por tempo adormecido, renasça
Em sentimento maior.
Assim somos nós: os avós.
CONCURSO ZOOMCARIRI TEMA: MÃOS

Inscrevam-se e boa sorte!
Este concurso tem apoio lojístico de SANDRA FOTOGRAFIA, AMILTON-SOM e LOCALFOTO.
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Fotos: Dihelson Mendonça e Pachelly J.
Proibido replicação.
Raízes da violência - Emerson Monteiro
Hoje, qualquer motivo preenche as justificativas das convulsões sociais, desde a delinquência juvenil ao tráfico de drogas, passando pelos bolsões de pobreza e guerras tribais, lutas raciais, onde o padrão da cultura indica descompasso, perversidade e miséria.
Houve tempo quando era mais fácil encontrar as razões da insegurança. O atraso das mentalidades, as conquistas coloniais, disputas imperialistas, domínio das terras, fanatismo religioso. Tudo servia de pretexto, no decantado anseio do homem lobo do próprio homem. Ou de querer a paz e se preparar para a guerra.
Acham as autoridades que o problema se revolverá mediante a ampliação dos órgãos de segurança, aquisição de armamentos, modernização e ampliação das penitenciárias, maior remuneração dos efetivos policiais, etc., etc.
Contudo a questão possui raízes mais profundas. Suas causas merecem detalhamento, porquanto procedem das origens, que acumulam estudos e pouquíssimo tratamento.
Conceitos de que falta educação ao povo e que a tradição nacional dos degredados, escravos e índios, sem amadurecimento suficiente, formaram país aleijado, por si não justificam a violência das ruas, o clima tenso em que se transformou o sonho urbano.
De suas causas mais evidentes cabe citar o desemprego, sem esperança de redução para a juventude, que, todo dia, chega ao mercado de trabalho. A excessiva concentração da riqueza nas mãos de poucos, há séculos donos de bens. E a pobreza infinita das massas alienadas pela educação burguesa.
Enquanto sofre a nacionalidade esse atraso crônico na moralidade e competência dos dirigentes responsáveis pela administração pública, em todos os segmentos eles jamais se comprometem com mudanças substanciais e inadiáveis.
Como se não bastassem ditas origens, persiste, na estrutura mundial, um conceito voltado aos interesses das nações ricas, que investem pesado na manutenção do poder através dos sistemas de exploração financeira. Gastam fortunas para técnicas de preservação dos territórios da ordem injusta.
Portanto, para neutralizar o clima superlativo desse drama, cabem atitudes aos que precisam se livrar das nuvens escuras dessa história reacionária, com criatividade, maior comprometimento e participação coletiva dos grupos prejudicados, união das classes exploradas e conscientização política.
Abrir o olho e enxergar que só a educação trará mudanças significativas, após os esforços da sociedade, que será instrumento da democracia através do voto consciente que fala alto neste assunto, desde que assim pretendam os eleitores, bola da vez na decisão de cada eleição.
Por Roberto Jamacaru...
A Família de Edilson Sobreira (Tenente), convida !
“Não cometam esse erro” - José Nilton Mariano Saraiva
Dia seguinte, em Goiânia/GO, acossado por jornalistas sobre referido personagem, o tucano foi assertivo e peremptório em sua fala (abre aspas): “EU NÃO SEI quem é o Paulo Preto. NUNCA ouvi falar. Ele foi um factóide criado para que vocês (repórteres)
fiquem perguntando” (fecha aspas).
No mesmo dia, à repórter Andréa Michael, o senhor Paulo Preto afirmou ter se reunido com José Serra “pelo menos uma dezena de vezes”, que Serra o “conhece muito bem” e, mais importante, que “ninguém nesse governo (de São Paulo) deu condições das empresas
apoiarem mais recursos politicamente do que eu...” (aqui, claramente, ele sugere ser um dos grandes arrecadadores da campanha), concluindo, um tanto quanto ameaçador:
"Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. NÃO COMETAM ESSE ERRO".
Ao tomar conhecimento de tão forte e contundente declaração, José Serra tratou de mudar o discurso e, mais que apressadamente, saiu em defesa do Paulo Preto (demonstrando até uma certa intimidade), ao afirmar que “A acusação contra ele é injusta", que ele é "totalmente inocente", que "Ele é considerado uma pessoa muito competente e ganhou até o prêmio de Engenheiro do Ano, no ano passado” e que “Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele DURANTE SUA ATUAÇÃO NO GOVERNO".
Para quem se auto-proclama sério e coerente, a pergunta que se impõe (e respondível com um dos simplórios monossílabos, SIM ou NÃO) é: afinal, o candidato José Serra sabe ou não sabe quem é o Paulo Preto ??? Conhece ou não conhece o Paulo Preto ??? Paulo Preto é ou não um mero "factóide", criado pela Dilma Rousseff ???
Que tal aproveitar o próximo debate "global" e prestar tais esclarecimentos para milhões de telespectadores/eleitores ???
AFAC CONVIDA:LANÇAMENTO DO LIVRO DA CRATENSE RITA GUEDES
A Livraria Oboé convida para o lançamento do livro
"SOBRE AS ONDAS", de autoria da cratense Rita Maria Lopes Guedes Santos
Será no dia: 26 de outubro de 2010 (terça-feira) às 19:30 h.
Local: LIVRARIA OBOÈ
Shopping Center Um - Loja 207
Av. Santos Dumont -Fortaleza -Ce
Um forte abraço.
Rita Guedes
FEIJOADA COM PEQUI EM FORTALEZA
É neste Sábado dia 16/10/2010
PARTICIPE!!!
Feijoada & Pequizada da AFAC com muito Samba de mesa!!!
Será no SITIO MAPURA no bairro Lagoa Redonda em Fortaleza.
VEJA O CAMINHO
Segue pela Av. Maestro Lisboa(avenida do Beach Park), dobra à direita (antes da lagoa) na Av. Recreio Clube de Campo, dobra novamente à direita na primeira rua, pronto...chegou!!
Dia 16/10/2010 a partir de 12:00h Adesão: R$ 10,00
contamos com a sua presença.
leve a família.
convide os amigos.
contatos:
DEDÊ - (85) 9613-3936
LUIZ CARLOS - (85) 9621-7016
PEDRO JORGE - (085) 9988-9911
Os mineiros do Chile - José do Vale Pinheiro Feitosa
Deturpa os fatos, engana, fantasia, desvia.
Os hipnotizadores da televisão chamam os mineiros de heróis.
Aqueles mesmo de pele acobreada, da cara de Índio.
A mídia que empulha, que tergiversa, que serpenteia,
Nas circunvoluções dos nossos cérebros,
Não ouve a canção de Victor Jara:
“Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos.
La vida es eterna en cinco minutos.
Suena la sirena. De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.”
Os mineiros do Chile não são heróis,
São mártires da ganância das mineradoras.
São vítimas da exploração que destrói gente,
Torna o deserto de Atacama num solo lunar.
De outra forma como um “herói” de 63 anos,
Desempregado, que necessita renda para sobreviver,
Permaneceu um buraco insalubre mesmo dizendo:
Aquela mina não é segura vou procurar outro emprego.
E quase vai! para o desespero de nossas indignações,
Buscar junto às asas do condor, como um Aimara nos Andes,
Sobre o torpor das consciências bêbadas de tanta mídia,
Que mija e caga na alma e muitos se acalmam como manjar.
É preciso que rebeldes construam uma “fênix” da liberdade,
Que se erga desta poeira ideológica que no pisam os comunicadores,
E da altura em que consiga voar,
Sopre para bem longe a névoa que turva a alma de todos.
Paisagem Noturna - Manuel Bandeira
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
— Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua . . .
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
— Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.
Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias.
O plenilúnio via romper . . . Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.
Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .
Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longe das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
Fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando . . .
Assim a névoa azul paira sonhando . . .
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.
E o luar úmido . . . fino . . .
Amávico . . . tutelar . . .
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes . . .
A Família de Edilson Sobreira (Tenente), convida !
Igreja da Sé, em Juazeiro do Norte
Horário : 16 h
Manuel Bandeira
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Para Victor e Natália no dia das crianças...
Somos mais que nossos preços - José do Vale Pinheiro Feitosa
O pior comentário é aquele sobre algo do qual não se tem a referência. Falo de um final de filme que assisti estes dias com a Emma Thompson no papel e uma professora universitária com um câncer terminal. Não lembro o título. Está num destes canais a cabo.
As cenas que vi são um soco no estômago. De todos os modos de morrer o mais dramático e vivenciado é da doença crônica, especialmente o das neoplasias malignas. Doenças que desde o diagnóstico já condenam as pessoas à morte e que abrem uma expectativa de desespero, esperança e frustrações. O desespero do termo irremediável. A esperança de uma cura improvável, por vezes de fé, noutras alternativas e as não menos perversas dos “experimentos” científicos, além do pior de todos: aqueles para a máfia de branco ganhar dinheiro.
No filme, do momento que assisti, estava o diálogo da professora, uma grande erudita, a meditar sobre si mesma em face de sua erudição. Como tornar racional os momentos terminais quando a grande dor, esperada no seu caso, surgisse. Ela discute isso com uma enfermeira que fala das drogas que cessam a dor, irão adormecê-la, poderá provocar uma parada cardíaca, mas que será ressuscitada pois, recursos existem para tal.
A professora pede que se o coração parar não seja ressuscitado artificialmente. Assina que não quer continuar viva. E se torna, no jargão do hospital, uma sigla com a qual o paciente manifesta sua vontade. A vida continua alguns dias, na fase terminal são horas e a dor inicia.
A professora resiste à dor. Prefere manter o sofrimento, mas está exausta. A dor é demais. Chega o médico principal, acompanhado do residente e indica o uso de morfina. Estabelece-se um contraditório entre o médico e a enfermeira, incluindo os gemidos da paciente. Finalmente o médico diz: é preciso lhe dar um momento de descanso.
É feita a aplicação e ela dorme. Acorda e tem um diálogo com a jovem enfermeira e brinca com a ignorância dela com uma palavra. Depois vem o residente, enquanto a paciente dorme, e traça o perfil complexo, orgulhoso e incisivo da professora em sala de aula.
Numa cena chega uma senhora idosa para visitá-la e a encontra arrasada, mas consciente. Tem medo da morte. Sofre com a solidão de sua situação. A senhora explica que a procurou e indicaram este lugar. Diz que tinha vindo a Londres para visitar o bisneto e faz referência a recitar alguns poemas de um determinado autor. Ela pede que não e então, no mesmo ato a professora pega um livro infantil que levava para os bisnetos, senta-se na cama abraçando a amiga e começa a ler.
A história de um filho que queria se transformar em algo diferente para que a mãe não o achasse. A mãe diz que se transformará igualmente e o reencontrará. Tudo que o filho desafia em transformação, a mãe igualmente transformada lá também estará. Se ela for um passarinho, a mãe será uma árvore para que nela ele pouse. A alegoria é que a amiga sempre seria achada, na interpretação da amiga: por Deus. Ou melhor, dizendo a amiga não fazia uma viagem solitária.
A última cena é o residente encontrando a professora em parada cardíaca e acionando a equipe de ressuscitação a qual é impedida pela enfermeira. Em seguida um poema que não consigo reproduzir, mas traduz isso: a morte nos parece a vencedora sobre a vida. Ela nos ameaça, nos mostra o inexorável. Mas ao final ela é a perdedora quando já não pode mais nada quando estamos mortos.
Por isso mesmo, com todas estas mesquinharias da sobrevivência, o ser humano é sempre maior do que ele mesmo e suas circunstâncias históricas.
Um texto de Raquel de Queiroz para finalizar o dia da criança....
Por Norma Hauer
Norma
Dia infantil - por Socorro Moreira
CONVITE
A Livraria Oboé convida para o lançamento do livro
"Sobre as Ondas", autoria de Rita Maria Lopes Guedes Santos
Dia: 26 de outubro de 2010 (terça-feira) às 19:30 h.
Local: LIVRARIA OBOÈ
Shopping Center Um - Loja 207
Av. Santos Dumont -Fortaleza -Ce
Um forte abraço. Rita Guedes
Uma biblioteca em cada coração - José do Vale Pinheiro Feitosa
Isso que faz no Cariri com a Fundação Enock Rodrigues é coisa de gente grande. Elmano não caiu na arapuca dos azedumes regionais, que selecionam aliados como inimigos dos últimos dias. Ele não caiu na facilidade de falar mal, destratar só por que não gosta do partido, do sujeito ou da prática. Ele tem um objetivo maior. Dar razão à Fundação Enock Rodrigues que leva o nome de um morto pela intolerância política.
Isso é importante, pois muita gente se arvora em passar lições de ética e costumes aos outros com tanta raiva e mágoas que parece discursar defronte ao espelho. O Elmano Rodrigues faz um projeto síntese e que ousa experimentar complexidade. De cara tire logo a impressão que é uma piedosa distribuição de livros para os pobres. O projeto do Elmano é de desenvolvimento institucional e do indivíduo.
Vejam bem como isso é feito: numa só manobra ele envolve a Universidade com o Curso de Biblioteconomia, as Prefeituras, as comunidades e por óbvio, os indivíduos. Isso é o que fazem os grandes países. Não tornam a biblioteca apenas num depósito de livros: as livrarias não mostruários, mas as bibliotecas são uma dinâmica do saber.
Se junto a isso a escola se envolver, mesmo considerando, à distância, que a biblioteca esteja no bairro do aluno. Ao mesmo tempo se a Secretaria de Cultura desenvolver o exercício da leitura como um exercício para cidadania. A oportunidade que tem as comunidades, os pais, os jovens, os trabalhadores de transformarem o ambiente em alvo da compreensão do mundo.
Elmano Rodrigues: tenho orgulho de conhecê-lo. De encontrá-lo sem idade, com o mesmo vigor com o qual renascia no pátio do Diocesano daquele pesadelo que hoje leva o nome da Fundação.
Ao contrário do que a ignorância pensa: a vida é quem vence a morte.
Sobre Dilma pelo Ex-Marido - José do Vale Pinheiro Feitosa
Em casa nunca teve murro na mesa'
O advogado Carlos Araújo, de 72 anos, é só elogios à ex-mulher, Dilma Rousseff; inclusive sobre seu temperamento forte
ENTREVISTA
Carlos Araújo
A rotina do advogado de 72 anos, que se levanta às 3h para ir ao escritório, onde defende causas de operários, em nada se parece com o glamour da vida de Dilma em Brasília. De hábitos simples, Carlos sofre de enfisema.
Vive acompanhado de dois cachorros e, atualmente, da ex-sogra, dona Dilma Jane, e de uma tia da candidata, dona Arilda. Apesar do tubo de oxigênio na sala e da proibição de fumar, não foi desautorizado pelos médicos a tomar uma cervejinha diária, “não muito gelada”.
Há dez dias, ele relembrou sua história com a ex-mulher, que acompanha da sala com dois telões de LCD — um para o noticiário e outro para os jogos de futebol.
Carlos diz que não ajuda na campanha por causa da doença, que o impede de suportar o clima seco de Brasília. A última vez que visitou a ex-mulher foi quando ela teve câncer, no ano passado. Ficou com ela uns 10 dias no início do tratamento. Em setembro, voltaram a se encontrar, quando ela esteve no Rio Grande do Sul: — Não faço nada na campanha. Gostaria muito de estar em Brasília, na retaguarda, ajudando em algo. Mas não posso.
Após a separação, no fim da década de 90, Dilma comprou um apartamento no mesmo bairro para que os dois continuassem próximos, por causa de Paula. Dilma não se casou novamente.
Carlos tem uma namorada, que diz dar-se muito bem com Dilma.
— Presidente tem essa coisa da primeira-dama. Se um dia a Dilma precisar, estarei a seu lado — diz Carlos.
Viveram 30 anos juntos e até hoje Carlos tem admiração inequívoca pela ex-mulher. O temperamento forte dela não é negado por ele. Mas “aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa”, diz ele sobre a fama da ex-ministra em Brasília. Em entrevista ao GLOBO, Carlos relembra o passado e diz acreditar na vitória de Dilma.
Maria Lima* e João Guedes
PORTO ALEGRE
O GLOBO: Quando e onde o senhor conheceu Dilma?
CARLOS ARAÚJO: Em 1969, no Rio, numa reunião. Ela era da Colina, e meu grupo não tinha nome. Com a fusão, virou o Var-Palmares. Ela tinha 19 anos e eu, 30. Na segunda reunião, já estava apaixonado. Um mês após, estávamos morando juntos.
Ela era linda, um espetáculo! Esse negócio que falam de amor à primeira vista, né?
O que mais chamou sua atenção em Dilma?
CARLOS: Ela ser tão jovem e tão entregue à luta política.
Uma inteligência muito forte e pujante. E sua beleza.
Que música marcou a relação?
CARLOS: Rita, do Chico Buarque.
Namorávamos, às vezes, no apartamento em que a gente ia, mas a gente não podia ficar por questão de segurança. Namorávamos em praças, bairros mais retirados. De vez em quando ali por Ipanema, Jardim de Alá.
Mas ela já era casada (com Claudio Galeno Linhares)...
CARLOS: Mas só formalmente, o casamento já estava se desfazendo, não conviviam mais, viviam foragidos.
Quando nos conhecemos, ela falou para o marido que íamos viver juntos. Eu e o marido dela ficamos amigos, militamos juntos. Ele foi para o exterior, se casou, teve filhos. Em 76, voltou e veio morar na minha casa. Eu o abriguei por um bom tempo.
Moraram os três nesta casa?
CARLOS: Eu e Dilma morávamos aqui. Ele veio com a mulher e os filhos.
Não tinha ciúmes?
CARLOS: Podia ter ciúmes de outra situação, não dele, cada um já tinha seu rumo. Sou um bom ex-marido. Falo bem da Dilma, não é? Não falo mal.
Nesses 30 anos de convivência, em que momentos ela era mais brava e mais delicada?
CARLOS: Não existe pessoa mais ou menos brava. Dilma sempre teve temperamento forte, é da personalidade dela. O que tirava ela do sério era deslealdade, falta de companheirismo, a pessoa não ter palavra, dar bola nas costas. Não sei como ela faz lá (em Brasília). Aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa.
Quem mandava na casa?
CARLOS: Nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros.
Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.
Como foram as prisões?
CARLOS: A dela foi em São Paulo.
Ela foi presa sete meses antes de mim. Eu estava no Rio.
Como ficou sabendo?
CARLOS: Quando ela foi presa, a primeira coisa que fiquei sabendo foi seu nome verdadeiro, que não sabia durante o ano que vivemos juntos. Naquele tempo, eles publicavam o nome, de onde era, filho de quem, logo em seguida. Soube que ela se chamava Dilma porque vi lá: filha de fulano, mineira. Até então, a única coisa que sabia dela era que era mineira. Pela regra de segurança, ninguém sabia nada de ninguém. Ela também não, sabia que eu era Carlos.
Se encontraram na prisão?
CARLOS: Fui para São Paulo.
Antes, ficamos incomunicáveis.
Era uma loucura! Tinha cartazes nas ruas, aeroportos, rodoviárias, com nossos nomes e foto escrito “procurados”. Depois que fui preso, passei por um lugar por onde ela já tinha passado, na Rua Tutoia, na tortura.
Depois fui para o Dops e para o presídio. Ela já estava no presídio, mas não nos vimos. Três meses depois, ia ser transferido para o Rio, me botaram num camburão e eu vi, de longe, que ela estava no outro camburão.
Íamos ser ouvidos no Rio e fomos para a frente do juiz. Nos abraçamos rapidamente e logo nos separaram. E só fomos nos ver de novo um ano depois, no presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde tínhamos direito a receber visita da família juntos.
Três anos depois ela foi solta e o senhor não...
CARLOS: Sim. Ela foi a Minas, visitar os pais e veio morar nesta casa, com meus pais. Depois que fui solto, moramos juntos 30 anos.
O senhor foi para o presídio da Ilha da Pólvora..
CARLOS: Eu ficava na prisão e ela aqui. Não dava para fugir de lá, era uma ilha pequena. A gente não ficava na casa da pólvora. Só à noite. A prisão era a ilha.
Naquele momento, achava que ela ia chegar tão longe?
CARLOS: Ninguém achava, né? Não fazia parte dos projetos: ah, quero ser presidente! Não tinha ambição nenhuma. Ela queria se formar em economia e fazer política.
(Quando Lula a escolheu) Acho que ela estava no lugar certo na hora certa. E o Lula escolheu muito bem. Que presidente pode contar com uma pessoa como a Dilma, confiar cegamente que não vai ter bola nas costas? Ela tem o sentimento profundo da lealdade.
Foi difícil para ela passar por essa transformação? Plástica, cabelo, voz...
CARLOS: Não foi nenhum sacrifício.
Fui até enfermeiro dela quando fez a plástica. Dilma nunca se preparou para ser presidente e teve que encarar. A plástica foi bem, não foi aquela coisa exagerada, ela assimilou bem, acho que gostou.
E o guarda-roupa, o senhor acha que melhorou?
CARLOS: Está bom. Melhorou.
Antigamente, a Dilma era como eu. Sou atirado nas cordas. Ela também era meio atiradona mas, depois de um certo momento, ela tomou gosto. Gostou de se pintar. Gostou de se arrumar bem, de ir no cabeleireiro toda a semana, fazer as unhas.
O senhor é confidente dela?
CARLOS: Não. Sou amigo. Minha vida com a Dilma é uma vida não-política. Quando o Lula acenou para ela, ela veio conversar comigo e Paula. O que vocês acham? Ela não tinha dúvida, queria conversar. Disse que estava em condições, que ia se preparar da melhor forma possível.
Não titubeou, nem tinha receio.
Pelo menos, não revelou.
Aí veio a doença...
CARLOS: Nos pegou desprevenidos.
Quando ela falou a primeira vez, ficamos muito emocionados, sensibilizados, preocupados.
Mas ela disse: tudo indica que é benigno. Ela disse que tudo indicava que não era maligno, mas sentia energia de enfrentar a situação mesmo que fosse o pior. A gente só pensou em dar carinho e ser solidário.
Temeram pela campanha?
CARLOS: Não. Mesmo porque quando vieram os resultados, que era benigno, que era curável rapidamente, com equipe de bons médicos... Não era maligno.
Ela fez quimioterapia para cortar aquele quisto, para não se tornar maligno.
O que o senhor sente ao ver na internet que a Dilma é uma perigosa ex-terrorista?
CARLOS: É a baixaria dos que apoiavam a ditadura para prejudicá-la, para ganhar no tapetão.
O que ela tem de perigosa? A Dilma nunca pegou em armas.
Não era o setor dela.
E qual era o setor dela?
CARLOS: Era o mais político, de organizar movimentos, preparar o pessoal, fazer propaganda.
Desde quando pegar em armas é terrorismo? A gente tem orgulho do que viveu, era uma jovem corajosa, desprendida, entregando sua juventude, sua dor. Foi para a luta achando que ia morrer.
Muita coisa que fizemos foi equivocado politicamente, tudo bem. Mas isso é outra coisa.
Que sobrará de tudo isso - Emerson Monteiro
E essa alegria que sujeita de mimos a gente, nas horas agradáveis, vira uma fera, na hora em que o panorama muda. Fecha o tempo, cai o pano da euforia e um fastio angustioso invade a cena, parecendo batalhão de madrastas irritadas saindo à farra.
Mas o que restará mesmo desse cuidado constante em querer sempre o bom para comer, enquanto milhões morrem de fome? Juntar coisas descartáveis e inúteis para satisfazer o ego, e, na pressa em garantir o futuro, preencher revoadas inquietas em bandos nos finais de semana prolongados, em busca do vazio? Do desejo de emitir opiniões, enquanto aos outros não se deixa falar perto da gente sem que nos empolguemos e queiramos falar mais alto, doce engano de chegar primeiro a lugar nenhum?
O gosto de sorrir com alegria, invés de rir de qualquer atitude dos outros, quase num gesto de humilhação a quem parece menor aos olhos das nossas vadiações. Seres que somos, andando para o inevitável de dentes à mostra, feitos hienas desesperadas.
Transformar este palco na festa da solidariedade humana, quantos disseram isto e poucos compreenderam, presos ao cipoal da inconsciência. O traçado representa o mapa da revelação para vencer a ganância do prazer que as vidas renovam todo tempo. Achar a palavra certa de agarrar o mistério de amar e ser, com isso responsável para fertilizar o mundo inteiro, cheio de gente esperta a conciliar dor e beleza, no meio da simplicidade.
Força para isso, convidar os outros nossos vizinhos para exercitar os ensinos que se aprender com esperança nos livros sagrados, geração a geração, paladinos da possibilidade.
Pisar o caminho com o espírito desarmado, qual quem sabe correr o trilho da certeza, superar a solidão e juntar cada centavo de sabedoria em favor da amabilidade, junto dos irmãos da salvação. É isto.
Tragédia
segundo as más línguas
tudo que vê ela fala
entrou pela janela
do banheiro
e sentou sobre o teclado
com as patinhas cruzadas.
Sinto lhe dizer,
querida (perdoe-me)
essa infame andorinha
viu sua fotografia,
leu nossos e-mails
e até os versos
que nem você
em sonhos
imaginava.
Tentei segurá-la pelas asas
mas arisca e zombando
da minha aflição
pela área de serviço
safou-se.
Nesta hora,
todo o céu da minha aldeia
sabe do nosso segredo
certamente: as borboletas,
os vaga-lumes, as estrelas
e a lua (em todas as fases) .
Mas não se desespere,
eu tenho um flagrante
dessa pervertida andorinha
em uma manhã de verão
entre os jarros da varanda
atracada a um canário belga
faziam horrores
e delícias.
Tirei algumas fotos
(meu bem,
você não sonha
como os pássaros
são voluptuosos
e febris) .
Portanto não se preocupe.
Agora mesmo mexo no baú antigo
da minha vozinha à procura de um frasquinho
cujo líquido precioso (alquimia)
assim que bebo dois golinhos
na posição de lótus
transformo-me em ave
(um pelicano) .
Não demora encontrarei
a metida andorinha
e serei maquiavélico:
ou ela se contradiz
pede desculpas
e se justifica a todos
do céu da minha aldeia
(borboletas, vaga-lumes,
estrelas e a lua (em todas
as fases) tratar-se apenas
uma pegadinha ou mostro
feliz da vida as fotos dela
com seu canário belga
entre os jarros
no maior pega
e sarros.
Também falam as más línguas
que essa indiscreta andorinha
tem fama de querer ser beata,
cheia de pudores
e zelos.
Ela aceitará.
Aliás, aproveitarei
(já que sou pelicano)
e vou levá-la
pra varanda
entre os jarros
pra ver se ela
é de fato
incrível.
Farei miséria,
só de mal (afinal
sou um pelicano) .
Não sinta ciúmes,
querida:
é pra que a intrusa
aprenda de vez
a não ser tão
curiosa,
enxerida
e faceira.
Juazeiro lança projeto Uma Biblioteca em Cada Comunidade
Os livros foram doados pela Fundação Enock Rodrigues, através de Elmano Rodrigues, que se fará presente à abertura dessa primeira biblioteca. A seleção do acervo para cada comunidade está sendo realizada pela Empresa Junior da Universidade Federal do Ceará, com os alunos do curso de Biblioteconomia. Uma parte das 12 toneladas de livros doados pela Fundação será destinada ainda aos sítios Malhada e Assentamento 10 de Abril, em Crato, como também a comunidades de Barbalha, Antonina do Norte, Mauriti e Caririaçu.
Neste sentido, Fábio Carneirinho está convidando você e sua família para se fazer presente ao evento, e solicita a todos doação de livros para as próximas bibliotecas, não importa a quantidade, pode ser um livro e pode ser uma caixa, ou mais. Dê um presente a Juazeiro neste Centenário.
José Gonçalves - por Norma Hauer
norma






