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Estão paralisados, mas não há desespero,
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Crato e João Gilberto- Por Joaquim Pinheiro


Violeta Arraes















História já contada em um dos blogs do Crato, mas vale relembrar. Violeta Arraes, minha Tia e ex-reitora da URCA, quando apresentada ao compositor da Bossa Nova João Gilberto, foi surpreendida com a reação dele ao saber que ela era do Crato (por adoção). O cantor baiano falou da vontade de encontrar alguém da cidade e resgatar a música que a babá o ninava, da qual só lembrava o refrão. Tia Violeta ligou para o Crato e transferiu a incumbência a D. Benigna Arraes, minha avó. No mesmo dia ela conseguiu a letra com três pessoas, com pequenas diferenças entre elas. Por coincidência, Regina, que trabalhava na casa, foi uma delas e sabia a letra na íntegra. A babá, que era do Crato e morava em Juazeiro da Bahia na segunda metade da década de 30, chamava-se Antônia Peixoto. Será que alguém sabe mais sobre ela?

Abaixo mando letra da música e o site onde ela pode ser ouvida. A gravação é de 1926. O endereço me foi enviado por Zé do Vale, há algum tempo.

http://acervos.ims.uol.com.br/iah/custom/player.php?NSU=00024798&p=mediaplayer&dbpath=/home/ims/homolog/bases/iah/
CRATO – João Pernambucano

Crato, meu torrão adorado
Rosa, que saudades de ti.

Ia o sol descambando
No recorte da serra
Quando de minha terra
Triste me despedi.

Rosa ficou chorando
no oitão encostada
Da casinha sagrada
Onde um dia eu a vi.

Tanta gente no canto
Teus sorrisos e glória
É triste a minha história
Deste recanto aqui

Deus permita que eu volte
Num dia de saudade
Para a felicidade
Dos céus em que vivi.

Hei de sentir ainda
As cantigas de Rosa
Na casinha saudosa
Onde um dia eu a vi.
Joaquim Pinheiro

3 comentários:

socorro moreira disse...

A obra de João Pernambuco é fantástica !
Essa música foi muito cantarolada, nos nossos idos anos.
Por que os corais do Crato ou algum dos nossos músicos não a resgatam ?
Lembrar Violeta Arraes, Dona Benigna é sempre tão bom !
Obrigada, Joaquim.

Ah, tenho uma história com João Gilberto. Qualquer dia conto.
Abraços.

Carlos Rafael Dias disse...

Muito legal, Joaquim, retomar esta história ímpar, que une grandes personalidades, como J. Pernanbucano, J. Gilberto e V. Arraes.

O Professor Zé Nilton, que foi vice-reitor da URCA, também compositor e cantor, gravou uma canção, no seu primeiro CD, e que faz referência ao refrão "Crato, meu torrão adorado".

Fui assessor de Violeta no seu profícuo reitorado na URCA e privei com ela poucos, mas significativos, momentos.

Uma vez viajei com ela por todo um inesquecível final de semana, numa Topic da Universidade. Fomos para Fortaleza, onde ela tomou psse como presidente do Conselho de Reitores das Universidades Cearenses (CRUC). De lá, a convite do reitor da UVA, Dr. Teodoro, fomos para Sobral, onde pernoitamos na Serra da Meruoca. Na volta, cansativa, por sinal, toda a tripulação da Topic cantou o tempo todo. Músicas de Caetano, Gil e João Gilberto. Foi inesquecível...

Claude Bloc disse...

É ssempre boa essa retomada.
É um resgate dos costumes, uma reconstrução da História a partir do meio familiar, genuíno, autêntico. Seria importante se remontar isso tudo num trabalho de pesquisa sério e mais aprofundado cuja referência seja a região do Cariri. Antes que as testemunhas vivas desapareçam.Não sei se já existe, mas se existe, desconheço.

Gostei deveras, Joaquim

Abraço
Claude