Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 8 de junho de 2010

Apenas singular - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando nasci,
Buscava eternizar-me,

Sobrevoar a poeira do tempo,
Desdobrar-me em circunstâncias,

Transpor a finitude,
Expor-me aos experimentos do espaço,

Extrair-me do cotidiano,
Antecipar-me ao futuro,
Sobretudo esgueirar-me ao passado.

E vim entre tais promessas,
Sujeitando-me ao esmeril do tempo,
Teimando em perenidade.

Qual nada me descobri mais.

Nem finito e nem eterno,
Apenas singular.

2 comentários:

socorro moreira disse...

"Esgueirar-me do passado", só se for no plural. A união faz o presente singular.
Gosto do escritor Zé do Vale, em prosda e verso !

Claude Bloc disse...

José do Vale,

Nos entremeios de sua singularidade, minhas palavras pequenas....

Abraço,

Claude

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Quando nasci,
Buscava eternizar-me,
- ser raíz e semente
- na posteridade

Sobrevoar a poeira do tempo,
Desdobrar-me em circunstâncias,
- e nas latitudes da vida
- ser hora, ser encontro marcado

Transpor a finitude,
Expor-me aos experimentos do espaço,
- provar a seiva e o sumo
- beber o néctar e o bálsamo

Extrair-me do cotidiano,
Antecipar-me ao futuro,
Sobretudo esgueirar-me ao passado.
- pois que no passado ficaram as dores
- e os sorrisos abandonados

E vim entre tais promessas,
Sujeitando-me ao esmeril do tempo,
Teimando em perenidade.
- E pelo éter deixando-me ficar
- sedimentando-me, edificando-me

Qual nada me descobri mais.

Nem finito e nem eterno,
Apenas singular.